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Em 8 meses, o Hospital de Braga já implantou 100 válvulas aórticas sem cirurgia aberta

30 October 2026 at 09:11

O Serviço de Cardiologia do Hospital de Braga realizou, esta semana, o 100.º implante de válvula aórtica por via percutânea, conhecido internacionalmente como TAVI (Transcatheter Aortic Valve Implantation), foi hoje anunciado.

Em comunicado, a Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, a que pertence o hospital, explica que a técnica, introduzida na instituição no final de fevereiro deste ano, permite substituir a válvula aórtica doente por uma prótese que chega ao coração por meio de um cateter, introduzido, na maioria dos casos, pela artéria femoral, na virilha.

O procedimento destina-se sobretudo a doentes com estenose aórtica, uma doença em que a válvula que separa o coração da artéria aorta fica estreitada e endurecida. O coração passa a fazer mais esforço para bombear o sangue, o que pode provocar cansaço de esforço, falta de ar, dor no peito ou desmaios. Sem tratamento, a doença sintomática tende a agravar-se e a limitar seriamente a vida do doente.

Por dispensar a abertura do tórax, a TAVI é uma alternativa menos invasiva à cirurgia cardíaca convencional, com benefícios comprovados em doentes mais idosos. Muitos destes doentes têm outras doenças associadas que tornam a cirurgia aberta mais arriscada, encontrando nesta técnica uma forma de tratamento com menor risco.

“Em oito meses, o programa cresceu e consolidou-se. A manutenção de uma capacidade de resposta regular foi fulcral para o desenvolvimento do processo e permitiu atingir a centena de doentes tratados”, salienta o comunicado.

É um resultado que se deve ao “rigor e à dedicação de uma equipa que percorreu este caminho com enorme profissionalismo”, afirma Jorge Marques, diretor do Serviço de Cardiologia da ULS Braga, citado no comunicado.

Cada intervenção envolve uma equipa multidisciplinar que acompanha o doente desde a avaliação inicial até ao seguimento após o procedimento. “Cada caso é estudado ao pormenor antes da intervenção. Ver doentes com limitação cardiovascular objectiva e que recuperam capacidade funcional é o que dá sentido a este trabalho”, acrescenta Jorge Marques.

“A ULS Braga reforça, assim, a sua resposta na área das doenças cardiovasculares e garante aos utentes da região acesso a uma técnica diferenciada”, remata o comunicado.

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INEM registou 398 casos suspeitos de AVC este ano no distrito de Braga

29 October 2026 at 08:49

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) registou mais de 6.700 casos suspeitos de acidente vascular cerebral (AVC) este ano, uma média de 26 situações por dia, números que têm vindo a aumentar desde 2024. No distrito de Braga foram 398.

“Entre 01 de janeiro e 15 de outubro, o INEM sinalizou 6.714 utentes com sinais e sintomas de AVC, correspondendo a uma média de cerca de 790 casos por mês, ou seja, aproximadamente 26 por dia”, adiantou o instituto à Lusa, na data em que se assinala o Dia Mundial do AVC.

Em causa está uma das principais causas de morte em Portugal que se deve a uma rápida perda da função neurológica, causada pela interrupção do fornecimento de sangue ao cérebro devido a um fenómeno isquémico (obstrução de uma artéria) ou hemorrágico (rompimento de uma artéria).

De acordo com os dados do INEM, mais de metade dos casos registados em 2026 (52%) corresponderam a mulheres e a média de idade das situações suspeitas de AVC foi de 77 anos, com a faixa entre os 70 e os 89 anos a representar 54,8% do total.

Lisboa, com 1.019 ocorrências, e Porto (1.014) foram os distritos com maior número de suspeitas encaminhadas para a Via Verde do AVC – o protocolo de emergência criado para garantir o socorro rápido e a prioridade às vítimas -, seguindo-se Aveiro (437), Setúbal (418) e Braga (398).

Nos últimos anos, o número de ativações da Via Verde do AVC no pré-hospitalar foi de 6.876 em 2022, 8.796 em 2023, 7.886 em 2024 e 9.490 em 2025.

O INEM salientou que a média mensal de 790 suspeitas de AVC este ano reflete o “reforço da capacidade de identificar e sinalizar casos suspeitos”, na sequência da formação contínua dos profissionais e da consolidação dos processos de triagem e de registo clínico.

“Traduzem um sistema mais sensível na deteção precoce destas situações e não correspondem necessariamente a um aumento da incidência de AVC”, salvaguardou o instituto que assegura o socorro pré-hospitalar.

De acordo com o INEM, em 34% dos casos, passaram menos de 60 minutos entre o início dos sintomas e a criação da ocorrência nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e a hora de início dos sintomas foi registada em 72% das situações.

“Estes dados reforçam a necessidade de continuar a sensibilizar a população para a importância de ligar para o 112 logo que surgem sintomas suspeitos”, alertou o INEM, salientando que, sempre que possível, é fundamental indicar aos profissionais do CODU a hora em que os sintomas começaram, informação que é relevante para a avaliação e orientação do utente.

O instituto realçou ainda que as primeiras horas após o início dos sintomas são determinantes para o sucesso do tratamento, uma vez que é nesse período que podem ser aplicadas as terapêuticas mais eficazes.

“O acionamento precoce dos meios de emergência médica permite realizar uma triagem adequada e encaminhar rapidamente o utente para as unidades hospitalares mais diferenciadas”, referiu.

A prevenção do AVC passa pela adoção de estilos de vida saudáveis, através da prática regular de exercício físico, evitar o consumo de tabaco e controlo rigoroso de doenças como a hipertensão arterial, a diabetes e as arritmias cardíacas, adiantou o INEM.

Os principais sinais de alerta são frequentemente identificados através dos “3 F”: fala (dificuldade em falar), face (desvio da face ou da boca) e força (perda de força no braço ou na perna).

Esta semana, a associação Portugal AVC apelou à criação urgente de um plano nacional de reabilitação dos sobreviventes, para garantir o acesso equitativo a cuidados de reabilitação atempados, coordenados e de qualidade em todo o país.

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