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Carteira de Trabalho Digital notifica usuários sobre assédio eleitoral

29 October 2026 at 18:45

O MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), por meio do aplicativo Carteira de Trabalho Digital, emitiu uma notificação nesta quinta-feira (29) com orientações para que usuários realizem denúncias de casos de assédio eleitoral sofridos.

“Você sofreu ameaça de demissão ou discriminação política no trabalho? O Ministério do Trabalho e Emprego existe para te proteger, denuncie o assédio eleitoral no trabalho aqui em https://assedioeleitoral.trabalho.gov.br/”, orienta a mensagem.

A mensagem surge após uma série de movimentações nas redes sociais de políticos e empresários incentivando a prática com o resultado do segundo turno das eleições, que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além da prática contra trabalhadores, conteúdos online estão promovendo boicotes a estabelecimentos de comerciantes que tenham declarado apoio à reeleição do atual mandatário. As denúncias são analisadas pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), que tem adotado medidas, como o envio de ações cíveis ou orientações de retratações a publicações feitas.

Segundo dados do órgão, até às 13h desta quinta, foram registradas 3.529 denúncias de assédio eleitoral ao longo do ano até esta quarta-feira (28). O ente ainda aponta que, desse total, 2,7 mil foram registradas apenas no mês de outubro.

O número já ultrapassa o montante de queixas da última eleição geral, em 2022, quando ocorreram 3.373 durante todo o ano. Ademais, o MPT demonstra que, antes do primeiro turno, foram recebidas 991 denúncias e que, entre as duas etapas do pleito, houve o registro de mais 946.

Notificação do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) orienta trabalhadores a denunciarem casos de assédio eleitoral sofridos
Notificação do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) orienta trabalhadores a denunciarem casos de assédio eleitoral sofridos • CNN Brasil

Parlamentares pedem investigação

Como mostrou a CNN, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e outros parlamentares apresentaram à PGR (Procuradoria-Geral da República), à PF (Polícia Federal) e ao MPT uma notícia de fato pedindo uma investigação de âmbito nacional. O documento reúne episódios registrados em ao menos oito unidades da Federação.

Os parlamentares querem saber se a circulação quase simultânea e a semelhança entre as listas indicam algum tipo de articulação. Pedem que sejam comparados textos, imagens e metadados para identificar uma possível origem comum, os primeiros responsáveis pela divulgação e eventuais administradores compartilhados entre grupos.

A representação também pede a apuração de eventual participação ou financiamento de estruturas político-eleitorais. O documento ressalva que, até agora, os elementos reunidos não permitem atribuir responsabilidade a uma pessoa ou grupo específico.

O que é assédio eleitoral?

De acordo com o TST (Tribunal Superior do Trabalho), o assédio eleitoral é caracterizado por qualquer conduta que constranja, induza, influencie, restrinja, discrimine ou retalie o trabalhador em razão de seus direitos ou escolhas políticas.

O crime pode ocorrer de forma vertical (quando praticado por um superior hierárquico) ou horizontal, entre colegas do mesmo nível na empresa. Um exemplo típico é quando um empregador afirma que a empresa poderá fechar caso determinado candidato não seja eleito.

Entre as modalidades identificadas pelo MPT, destacam-se o assédio eleitoral documental, praticado por meio de memorandos e circulares, e o assédio eleitoral econômico, relacionado a benefícios como bônus e promoções.

A Constituição Federal garante a liberdade de consciência e o sigilo do voto. A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias para acesso ou manutenção da relação de trabalho. A depender das circunstâncias, a conduta também pode caracterizar assédio eleitoral.

Como denunciar

O MPT orienta que as denúncias podem ser feitas de forma sigilosa ou anônima pelo site da instituição, ou ainda por meio das ouvidorias do Tribunal Regional do Trabalho. Além da plataforma do MPT, também é possível fazer queixas pelo site divulgado pelo MTE nesta quinta-feira.

O voto é secreto e livre, e nenhum empregador ou colega tem o direito de interferir na escolha política do trabalhador.

MTE estuda criar “lista suja” para empresas que cometem assédio eleitoral

28 October 2026 at 21:55

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira (28) que a pasta avalia criar uma “lista suja” para empresas que cometeram assédio eleitoral no âmbito do trabalho, nos mesmos moldes do cadastro mantido para instituições enquadradas por práticas de trabalho análogo à escravidão.

A declaração foi feita após uma série de denúncias de demissão de funcionários, recusa de contratação de trabalhadores e boicotes a estabelecimentos associados a apoiadores de Lula veiculadas nas redes sociais nos últimos dias.

Segundo o chefe da pasta, a ideia surgiu diante do elevado número de relatos recebidos após o segundo turno. Dados do MPT (Ministério Público do Trabalho) mostram que, desde o último domingo (25), foram efetuadas 1.353 denúncias — cerca de 41% do total registrado em 2026.

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Levantamento do órgão indica que São Paulo (608) lidera em número de notificações, seguido por Minas Gerais (338), Paraná (329), Rio de Janeiro (243) e Rio Grande do Sul (210).

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, Marinho classificou como “absurdo” o volume de denúncias feitas após o período eleitoral. Segundo o ministro, o número “anormal” reflete o clima de hostilidade estimulado por lideranças políticas.

“A sociedade brasileira entrou em um período de estímulo de lideranças ao ódio, ao preconceito, e alguns empresários, levados no calor dessas lideranças, estão extrapolando em sua relação profissional”, destacou.

“Uma empresa não pode colher um calor desse e transmitir essa carga de ódio, de raiva, de preconceito, de violência contra o seu trabalhador”, complementou.

Na avaliação do presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Phelipe Vieira de Mello Filho, o alto fluxo de denúncias antes, durante e depois do período eleitoral dificulta a atuação da Justiça e obriga uma maior cooperação entre os órgãos.

Segundo a autoridade, os impactos se estendem a trabalhadores assalariados, autônomos, estabelecimentos de pequeno porte e MEIs (microempreendedores individuais).

O presidente do TST destacou também que os juízes do Tribunal seguirão de plantão até o fim de 2026, com possibilidade de extensão para os primeiros meses de 2027, para dar maior celeridade aos processos. Segundo as autoridades presentes na coletiva, os tribunais estaduais foram orientados a priorizar esses casos.

Processo legal e punições

Segundo o MTE, após as denúncias de demissão, perseguição e assédio eleitoral, a Justiça avaliará legalmente o processo, etapa seguida por reuniões com empresas, sindicatos e trabalhadores envolvidos.

Marinho afirmou que, com base na Lei nº 9.029/1995 e mediante a devida decisão judicial, a pasta notificará o BC (Banco Central) e demais instituições financeiras, que poderão proibir o acesso dessas empresas a linhas de crédito.

“Faço um alerta para quem continua nessa iniciativa: o dano econômico será elevado. Espero que repensem e não se deixem levar por opiniões políticas”, ponderou o presidente do TST.

Além do impacto financeiro, o governo anunciou que intensificará a fiscalização sobre publicações em redes sociais que incentivem práticas de assédio eleitoral no ambiente corporativo.

*Sob supervisão de João Ker

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