Oficina no Recife ensina crianças a plantar e reaproveitar resíduos
Cerca de 50 crianças de 4 a 6 anos participaram de uma oficina de plantio e reaproveitamento de resíduos na Escola Municipal Campina do Barreto, na Zona Norte do Recife. A atividade ensinou os alunos a preparar o solo e cultivar sementes utilizando materiais orgânicos e itens reutilizados, aproximando a educação ambiental do cotidiano escolar.
Realizada pelo Projeto SbN Cajueiro, a oficina “Território que Floresce – Manejo do Solo e Substrato” contou com a participação da Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e do coletivo Recife MangueBoyz. A iniciativa busca estimular o cuidado com o meio ambiente e ampliar o conhecimento sobre sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas.
Durante a atividade, as crianças utilizaram terra vegetal, composto orgânico, areia, borra de café e cascas de ovos e de banana para preparar o substrato do plantio. Em seguida, cultivaram sementes de feijão, girassol e milho. Caixas de ovos e palitos de picolé também foram incorporados à oficina para demonstrar possibilidades de reaproveitamento de materiais.
Educação ambiental desde a infância
A atividade integra as ações de mobilização comunitária do Projeto SbN Cajueiro, que busca aproximar diferentes públicos das Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e das estratégias de adaptação climática. A proposta é levar o conhecimento para além dos espaços técnicos e estimular a participação de moradores, escolas e instituições do território.
Para Dayse Vital, analista de projetos da ARIES, a escola tem papel estratégico na formação de cidadãos conscientes sobre os desafios ambientais.
“A escola é um espaço estratégico de aproximação com a comunidade porque reúne crianças, educadores e famílias que vivem ou circulam no território. A realização de atividades em escolas do bairro é uma premissa do nosso projeto”, afirma.
A iniciativa também dialoga com a Lei nº 15.388, de 14 de abril de 2026, que aprovou o Plano Nacional de Educação para o período de 2024 a 2034 e prevê a promoção da educação ambiental e do enfrentamento das mudanças climáticas nos estabelecimentos de ensino.
Segundo Simone Santos, professora do Laboratório de Floricultura, Paisagismo e Plantas Ornamentais da UFRPE (LaFlor), a oficina procurou relacionar os conteúdos ambientais a situações presentes no dia a dia das crianças.
“Buscamos mostrar para as crianças que muitos materiais que normalmente seriam descartados podem ser reaproveitados no cuidado com as plantas. Mais do que ensinar uma técnica, a proposta é proporcionar uma experiência prática de educação ambiental”, explica.
As crianças também participaram da rega e puderam levar as plantas para casa ou cultivá-las na escola, acompanhando o desenvolvimento das sementes.
Aprendizado que chega às famílias
A aproximação com o público infantil é uma das frentes do projeto, que busca fortalecer os vínculos com a comunidade e ampliar a participação de diferentes gerações nas discussões sobre sustentabilidade.
Para Fábio Lopes, pesquisador do LaFlor, atividades práticas ajudam as crianças a compreender os ciclos naturais e a importância dos elementos necessários ao desenvolvimento das plantas. A ação também aproxima a universidade da escola, levando conhecimento científico de maneira acessível.
A diretora da Escola Municipal Campina do Barreto, Marcia Cilene Lima, destaca que a experiência permite trabalhar o conteúdo ambiental de forma concreta e estimular a disseminação do aprendizado para além da sala de aula.
“Trabalhar a educação ambiental de forma lúdica e prática na escola é uma experiência muito importante. As crianças vivenciam o conteúdo de uma maneira diferente e podem levar esse conhecimento para dentro de suas casas e para a comunidade”, afirma.
Amaro Afonso, cofundador do coletivo Recife MangueBoyz, que atua como agente mobilizador do projeto, também ressalta o potencial de envolvimento das famílias.
“Quando a gente envolve as crianças em uma atividade prática como essa, elas deixam de ser apenas receptoras do conhecimento e passam a ser protagonistas desse aprendizado. O que é vivenciado na escola pode chegar aos lares por meio delas, despertar conversas com as famílias e até incentivar novas práticas dentro de casa”, afirma.
A oficina faz parte de uma sequência de atividades do CAJULab, espaço ligado ao Projeto SbN Cajueiro que busca aproximar a comunidade das soluções baseadas na natureza. A iniciativa inclui ações voltadas ao público infantil, como um mutirão de pintura realizado durante as férias, e procura criar oportunidades de participação para moradores, crianças, educadores e parceiros.
Sobre o projeto
O Projeto SbN Cajueiro é desenvolvido pela ARIES e integra o edital Fundo Clima – Periferias Verdes Resilientes, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A iniciativa trabalha com Soluções Baseadas na Natureza e mobilização comunitária para contribuir com a adaptação climática no território do Cajueiro, no Recife.
A ARIES é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua no desenvolvimento de projetos socioambientais, culturais e educacionais, com foco na promoção de cidades mais sustentáveis, resilientes e menos desiguais.


© Gerlaine Ferreira - Coletivo RecifeMangueboyz.