Património dos mais ricos atinge recorde de 98 biliões de dólares em 2025
A riqueza das pessoas com elevado património atingiu um recorde de 98,3 biliões de dólares (88,3 biliões de euros) em 2025. Mas o crescimento tem sido feito à conta da redução das margens dos bancos privados. Entre 2024 e 2025 caiu de 76 pontos base 73 pontos base, conclui o relatório, ‘Too Rich, Too Thin? Richer Clients, Thinner Margins’ da Anglo-Suisse Capital.
O relatório mostra que Hong Kong ultrapassou a Suíça em riqueza transfronteiriça. “2,95 biliões de dólares (2,65 biliões de euros) contra 2,94 biliões de dólares (2,64 biliões de euros)”, revela. A Anglo-Suisse Capital prevê que a vantagem de Hong Kong aumente em 2026.
Entre as conclusões está que os clientes estão a distribuir o seu dinheiro por mais empresas. “A fatia de clientes que recorre a uma única empresa desceu de 39% para 19%”, adianta. A previsão é que esta quota se “mantenha abaixo de um em cada cinco e que as empresas comprarão clientes em vez de os conquistar”.
Os clientes querem criptomoedas, contudo este tipo de ativos “continuam a estar amplamente ausentes” do setor de private banking. “Dos 270 bancos privados, a informação pública mostra que 19 oferecem criptomoedas diretamente aos clientes, e dez deles utilizam um parceiro. Os Estados Unidos não foram incluídos no censo, mas o Morgan Stanley, o Charles Schwab e o PNC permitem agora aos clientes comprar e manter tokens”. A previsão é que as parcerias “continuarão a ser a principal via e que mais empresas de criptomoedas comprarão bancos licenciados do que bancos comprarão empresas de criptomoedas” e que “pelo menos mais um grande banco privado a oferecer tokens diretamente até ao final de 2027”.
O relatório indica que existem menos bancos privados, mas com uma dimensão maior. “A KPMG contabilizou 79 bancos privados suíços em 2026, contra 156 em 2010. O relatório prevê menos de 75 até ao final de 2027. A KPMG encontrou 32 bancos com rácios custo/receita de 80% ou mais, 18 deles acima dos 90%”, salienta.
E por fim cada bilião em ativos rende menos. “A margem de receitas do setor europeu de private banking caiu de 76 pontos base em 2024 para 73 em 2025”, acrescenta. A previsão é que as margens “continuarão a cair e que os vencedores reduzirão os custos e libertarão o tempo dos consultores” com inteligência artificial (IA).
Ao nível dos mercados privados (private equity) 50 dos 270 bancos privados “oferecem aos clientes negócios diretos ou coinvestimentos e outros 122 oferecem apenas fundos”. Relativamente à IA, o Banco de Singapura “reduziu o tempo para elaborar um relatório de origem da riqueza de 10 dias para uma hora, mas 76% dos bancos privados suíços esperam que a IA não traga poupanças de custos ou traga poupanças mínimas” no próximo ano.
“Os clientes particulares nunca foram tão ricos. No entanto, distribuem o seu dinheiro por mais empresas; os bancos lucram menos com isso. Os bancos avançaram nos mercados privados: 172 dos 270 bancos privados que analisámos oferecem algum acesso, mas apenas 50 oferecem negócios diretos. Há um longo caminho a percorrer. As criptomoedas estão a tornar-se cruciais, não só para conquistar novos clientes, mas também para evitar que os atuais os abandonem. No entanto, apenas 19 destes 270 bancos as oferecem diretamente. A maioria dos bancos não está preparada. A situação económica é mais difícil para as instituições mais pequenas. A Suíça perdeu quase metade dos seus bancos privados desde 2010 e esperamos que a consolidação continue. Todos os conselhos de administração enfrentam a mesma questão: seremos compradores, vendedores ou parceiros?”, disse o CEO da Anglo-Suisse Capital, Charles Hancock.
