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Israele, l’enigma del voto: tre scenari per il dopo-Netanyahu (ma il rebus non si scioglie)

28 October 2026 at 15:21

Elezioni in Israele, Netanyahu resiste ma è stallo: nessuno ha i numeri per governare

L’illusione dell’opposizione di essersi lasciata alle spalle l’era Netanyahu è durata appena il tempo dei primi exit poll di ieri sera, quando sui palchi si celebrava già Gadi Eisenkot presentandolo come “il prossimo primo ministro”. Lo spoglio reale ha però ribaltato la serata: con la maggior parte delle schede ormai conteggiate, la destra di Netanyahu conquista 54 seggi contro i 47 del fronte del cambiamento, mentre i partiti arabi toccano il record storico di 19 parlamentari. La soglia di 61 deputati indispensabile per formare un governo rimane così un miraggio per chiunque. A questo punto saranno decisivi i voti ancora da spogliare a Tel Aviv, bacino storico del centrosinistra, insieme alle schede inviate da soldati e diplomatici all’estero. I risultati ufficiosi si vedranno venerdì, mentre la convalida ufficiale arriverà a inizio novembre, sapendo che in un Parlamento così spaccato anche un singolo seggio può ribaltare l’esito finale.

Invece di crollare come previsto dai sondaggi, il Likud torna in vetta con 27 seggi: sono 5 in meno rispetto alla precedente tornata, ma bastano a riportare Bibi al centro dei giochi. I centristi di Eisenkot si fermano a quota 20, mentre la vera sorpresa arriva dai seggi arabi del Triangolo, che salgono a 13 seggi diventando la terza forza del Paese.

Ora la palla passa al presidente Herzog per l’avvio delle consultazioni. Chi riceverà l’incarico avrà sei settimane per trovare un’intesa; in caso di fallimento ci sarà un secondo tentativo, prima di passare a un’ultima finestra di tre settimane in cui qualunque parlamentare potrà cercare di unire 61 voti. Qualora non si trovasse un accordo resterebbero solo le urne, anche se in Israele le trattative si preannunciano lunghissime. Sul tavolo restano tre strade, e nessuna è priva di ostacoli.

La prima strada porta a un nuovo mandato per Netanyahu con il Likud. Nel suo discorso notturno Bibi ha ringraziato i suoi “partner leali” lanciando un appello affinché “la maggioranza sionista deve tornare in sé e unirsi“, senza fare nomi specifici. Un’uscita che, “scrive il quotidiano israeliano Haaretz”, molti interpretano come un segnale d’apertura verso Ben-Gvir, Smotrich e i partiti religiosi. Per arrivare alla quota magica servono altri sette deputati, ma le sponde scarseggiano, dato che Bennett e Liberman, suoi ex ministri poi diventati fieri avversari, hanno escluso qualsiasi accordo per farlo tornare al potere.

Dal canto suo Abbas fa notare che a cercarlo “non è solo il blocco del cambiamento”, ricordando le intese sfiorate con Bibi nel 2021 prima del veto di Smotrich. Tuttavia, pure con i 6 voti di Ra’am, Netanyahu si fermerebbe a quota 60.Rimane l’opzione di una grande coalizione di unità nazionale, ben vista dalla presidenza e, dicono a Gerusalemme, caldeggiata anche da Donald Trump.

La seconda opzione punta a un governo di minoranza guidato da Eisenkot con il sostegno esterno dei parlamentari arabi,un’ipotesi credibile ai primi dati ma ormai quasi impossibile dopo lo scrutinio notturno. L’alleanza progressista conta appena 47 seggi e, pur sommando Ra’am e ipotizzando l’astensione della Lista Unita, resterebbe sotto i 54 seggi di Netanyahu.

Per ottenere la fiducia servirebbe infatti il voto favorevole di tutti i 19 deputati arabi, che si dicono aperti a trattare: Abbas è pronto a entrare nell’esecutivo e Tibi offre una «rete di protezione». L’ostacolo è però nel campo avverso, perché Eisenkot aveva promesso in campagna elettorale di non accettare quel sostegno, mentre Liberman — pur attaccando pesantemente il premier definendolo “il capo di un’organizzazione criminale”— rifiuta l’idea di un esecutivo di minoranza. Con questi dati sfuma pure l’ipotesi dell’opposizione di creare un governo provvisorio per sostituire il presidente della Knesset Amir Ohana e lanciare la commissione d’inchiesta sui fatti del 7 ottobre sempre bloccata da Netanyahu.

La terza via è quella più pericolosa: in assenza di un’intesa, Netanyahu rimarrebbe in carica come premier ad interim fino a nuove elezioni, che rappresenterebbero la settima chiamata alle urne dal 2019. È un film già visto, dato che tra il 2019 e il 2020 guidò una fase provvisoria per un anno e mezzo attraverso tre tornate elettorali, ma la differenza è che oggi il Paese si trova in guerra.

Un primo ministro con poteri ridotti dovrebbe affrontare emergenze gravissime, dall’Iran a Gaza, senza una maggioranza solida. A Netanyahu, tuttavia, il caos potrebbe persino far comodo, scommettendo su un calo dei votanti arabi e su una minore affluenza degli israeliani all’estero. Nel campo dell’opposizione, “racconta il giornale israeliano Ynet”, c’è già chi teme che possa sfruttare l’escalation con Teheran per costringere tutti a un esecutivo d’emergenza.

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Entre a razão e o ódio

25 October 2026 at 03:00

O jornalista e escritor Eric Blair se tornou conhecido além de seu tempo, e se tornou nome clássico do século XX, ao deixar obras que denunciaram o totalitarismo de esquerda e de direita: “A revolução dos bichos” e “1984”, publicadas em 1945 e 1949, respectivamente, foram assinadas pelo pseudônimo George Orwell. Em coletânea de textos publicada no Brasil pela Companhia das Letras, intitulada “Sobre a verdade”, podemos ler um trecho de um livro anterior, “Um pouco de ar, por favor!”, de 1939, no qual o autor antecipou a descrição do uso da emoção pela política, que viria a utilizar em cena mareante da distopia “1984”.
A tradução de Claudio Alves Marcondes diz assim: “É algo horripilante ficar diante de um realejo humano que despeja propaganda a todo momento. A mesma coisa repetida sem cessar. Ódio, ódio, ódio. Vamos todos nos juntar e expressar um bom ódio. De novo e de novo”. E logo adiante, relacionando a prática que se repete e sua consequência: “Mas não é a guerra que importa, e sim o pós-guerra. O mundo em que estamos caindo, esse mundo de ódio, esse mundo de slogans”, apontando uma realidade em que a veneração de líderes pela multidão e a violência de Estado se confundem.
Se o Brasil de 2026 estivesse para dar um passo no abismo da negação democrática, o prenúncio do ódio massificado talvez fosse o ânimo nessa direção. “Tudo isso vai acontecer. Ou não? Há dias em que me parece impossível, noutros sei que isso é inevitável”, indaga e reflete Orwell no mesmo texto, após pintar o cenário com camisas coloridas, celas secretas e desfiles com cartazes de rostos enormes. Desejamos acreditar que tal ímpeto não mova, neste domingo, o eleitorado brasileiro que vai às seções eleitorais para exercer o direito do voto na escolha do presidente da República. Mas a disseminação do ódio pelas campanhas dos candidatos que chegaram ao segundo turno, infelizmente, vem alimentando a polarização que perturba a estabilidade institucional e destrói o equilíbrio emocional da população, afetando as relações familiares e de amizade.
Difícil imaginar que o Brasil vire o voto, não de um candidato a outro, mas do ódio emocional carregado de traumas para a reflexão consciente que suscite a escolha da razão – por qualquer um dos dois que disputam a primazia da cadeira presidencial para os próximos quatro anos. Entre a razão e o ódio há distância nem sempre percebida por quem odeia, tratando o ódio como suficiente razão. Os riscos de tal descontrole emocional para as liberdades individuais e coletivas, como alertou Orwell, são maiores do que se imagina no exercício normalizado de um impulso que, levado às urnas, costuma resultar nas piores consequências. Pois uma vez consumada com raiva a decisão, o que proíbe um governo baseado nela, do líder ungido pela aversão ao outro? Na evolução simbólica do mundo de ódio, qualquer outro é alvo da ira coletiva, materializada num Estado de exceção, intolerância e violência.
Seja qual for a escolha do povo brasileiro neste domingo, a esperança é que a razão retorne logo ao cotidiano, afastando fantasmas e devolvendo a atenção aos graves problemas da nação.

© Thiago Lucas

Exército do Lula, Tropa do Flavio e Pelotão dos indecisos

CNT/MDA: Flávio tem 50,5% e Lula, 49,5% dos votos válidos no 2º turno

16 October 2026 at 19:58

A primeira pesquisa CNT/MDA sobre o segundo turno da eleição presidencial de 2026 aponta uma disputa acirrada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Divulgado nesta sexta-feira (16), o levantamento mostra Flávio com 50,5% das intenções de voto válidas, enquanto Lula aparece com 49,5%. Os dois estão tecnicamente empatados.

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No cálculo dos votos válidos, são desconsideradas as respostas de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo, além dos que ainda estão indecisos. Esse é o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir o resultado das eleições.

No cenário estimulado, quando os entrevistados recebem os nomes dos candidatos, Flávio registra 46,8% das intenções de voto, ante 45,9% de Lula. Outros 4,9% afirmam que votarão em branco ou nulo, enquanto 2,4% não souberam responder.

A pesquisa espontânea, na qual os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, também mostra vantagem numérica do senador. Flávio tem 45,6%, contra 44,1% do presidente.

O levantamento também mediu a disposição dos eleitores em votar nos dois candidatos. Flávio Bolsonaro soma 43,9% de eleitores que afirmam votar nele com certeza e outros 7,3% que admitem essa possibilidade. No total, seu potencial de voto chega a 51,2%. Já 46,6% dizem que não votariam no senador.

Lula tem 43,3% de eleitores que declaram voto certo e 6,6% que poderiam votar nele. O potencial de voto do presidente chega a 49,9%, enquanto 48,8% afirmam que não votariam no petista.

Segundo a pesquisa, 93% dos entrevistados estão convictos de sua escolha, enquanto 7% ainda admitem a possibilidade de mudar o voto.

Avaliação do governo

O levantamento também avaliou a gestão federal. A avaliação positiva do governo Lula, que reúne as respostas ótimo e bom, chegou a 38%. Na pesquisa anterior, divulgada em 3 de outubro, o índice era de 35%.

A avaliação negativa, que reúne ruim e péssimo, passou de 41% para 40%. Já a parcela que considera a administração regular caiu de 23% para 21,8%.

Em relação à aprovação pessoal do presidente, 47,7% dos entrevistados aprovam sua atuação, enquanto 49,3% desaprovam. Outros 3% não souberam ou não responderam.

A pesquisa CNT/MDA ouviu 2.014 eleitores em todo o país entre os dias 13 e 15 de outubro, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O levantamento foi contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00652/2026.

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