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Received — 29 October 2026 ⏭ O Jornal Económico

“Salário mínimo? Aumentos não são pouco para um país como Portugal”, realça ministra do Trabalho

29 October 2026 at 12:59

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considerou hoje que os aumentos do salário mínimo previstos para esta legislatura, que incluem o aumento de 50 euros em 2027, não são pouco para um país como Portugal.

Em Felgueiras, no distrito do Porto, onde participou na inauguração da nova unidade fabril da fábrica dinamarquesa Coloplast, questionada sobre as contestações recentes sobre o aumento do custo de vida e da habitação poderiam vir a impulsionar uma subida mais rápida do salário mínimo, a ministra falou do acordo já fechado em Concertação Social.

“O reajuste para já está previsto e são 50 euros, o que é bastante relevante. Se pensarem bem até o final da legislatura este acordo permite que haja um aumento do nível de rendimentos dos trabalhadores, ao nível do salário mínimo, de 34%. Portanto, isto não é pouco num país como Portugal”, disse Rosário Palma Ramalho.

Antes, a ministra lembrou que em cima da mesa neste momento esta um acordo feito com todos os parceiros sociais, à exceção da CGTP que prevê um aumento de 50 euros para 2027.

“Portanto, o Governo o que está a fazer neste momento é dar cumprimento a esse acordo. Aliás, foi esse aumento o valor que inscreveu na proposta de lei do Orçamento do Estado. Não há nenhum acordo completamente fechado nunca. Agora, para se mudar, tem que ser outra vez por acordo das partes”, disse, recordando que já foram apresentadas várias propostas do lado sindical.

“Mas essas propostas também têm que ter contrapropostas do outro lado, o que ainda não aconteceu. Portanto, para já o que está em marcha é um acordo que está em vigor e que o Governo vai honrar, como é natural”, referiu.

O Governo prevê aumentar o salário mínimo nacional para 970 euros em 2027, tal como previsto no acordo assinado em Concertação Social.

O salário mínimo nacional, que se fixa atualmente nos 920 euros, é definido por portaria do Governo, após auscultação dos parceiros sociais.

As centrais sindicais têm vindo a defender um aumento do salário mínimo nacional acima da meta estabelecida no acordo de valorização salarial e crescimento económico, argumentando, nomeadamente, que a inflação está acima do esperado.

As confederações empresariais afirmaram que não veem razões “plausíveis” para avançar com um reforço do acordo de valorização salarial e crescimento económico em vigor, nomeadamente ao nível da meta para o salário mínimo nacional, argumentando que há medidas que ainda não foram cumpridas.

A Política Agrícola (pouco!) Comum

29 October 2026 at 12:52

A Política Agrícola Comum (PAC) base da fundação da União Europeia está a perder a sua essência.

Estratégica, Estruturante e efetivamente Comum, assim deveria assumir-se, mas não. Vivemos um período de transição para um Fundo único onde Agroalimentar e Coesão vão competir entre si pela distribuição de verbas com reduções assumidas pelos seus autores e que vão colocar a competitividade e investimento em causa.

Isto compromete o futuro do setor agroalimentar e coloca em causa objetivos essenciais como a capacitação, a inovação e a renovação geracional.

Num contexto de incerteza geopolítica e de intensa concorrência internacional, a redução destes apoios acelera o declínio do mundo rural europeu. Estamos perante uma Política Comum descaracterizada, afastada da sua função primordial e dos princípios para os quais foi pensada e criada, transformando-se num mero instrumento dependente do livre-arbítrio de cada Estado-Membro, abrindo a porta à distorção do mercado e ao favorecimento, uma vez mais, de quem detém maior poder financeiro. Seria legítimo esperar garantia e solidariedade europeias, pensarmos numa Europa que protege, que cuida e que reconhece o papel da Agricultura.

A aprovação intempestiva por parte de todos os ministros da Agricultura da EU, antes mesmo da negociação do Quadro Financeiro Plurianual e suas dotações, encontra soluções sem clareza quanto ao seu financiamento, ao seu caráter comum e à sua execução.

Longe de proporcionar a certeza e previsibilidade de que os agricultores e as cooperativas agrícolas necessitam, reina incerteza em temas como os requisitos de condicionalidade das explorações, a aplicação do princípio de «Não Prejudicar Significativamente» (regra do Pacto Ecológico Europeu que determina que os investimentos e medidas apoiados por financiamento público não podem resultar em impactos negativos significativos sobre os objetivos ambientais definidos pela União Europeia), bem como, quanto ao sistema de controlo e sanções.

Acrescem ainda, a ausência de um reconhecimento explícito das cooperativas agrícolas no apoio aos investimentos e insuficiências na cada vez mais importante, gestão de riscos.

Tudo isto enquanto a Comissão prepara as suas Recomendações por país, certo não obrigatórias, mas que em grande medida, balizam as futuras escolhas.

As ameaças legislativas são mais que muitas, a Lei da Desflorestação, o CBAM e outro tipo de entropias estão o colocar o sector num verdadeiro colete de forças que asfixia o sector.

O afastamento entre a bolha política de Bruxelas e a realidade vivida em cada Estado-Membro resulta nesta proposta verdadeiramente desastrosa para o futuro da Agricultura europeia.

É imperativo que o Governo e Parlamento Nacional rejeitem este caminho assumindo de uma vez por todas o sector Agroalimentar como estratégico e um verdadeiro desígnio nacional.

Lucros da TotalEnergies sobe 75% para 18.400 milhões até setembro

29 October 2026 at 12:42

A TotalEnergies obteve um lucro de 20.500 milhões de dólares (mais de 18.400 milhões de euros) nos primeiros nove meses, mais 75% que no mesmo período de 2025, foi hoje anunciado.

Num contexto de preços elevados dos hidrocarbonetos e das margens de refinação, a petrolífera francesa anunciou hoje num comunicado que o resultado líquido ajustado dos setores de atividade deu um salto homólogo de 65% para 22.883 milhões de dólares.

A progressão foi mais acentuada no negócio de refinação e químico, com 7.000 milhões de dólares, valor que se multiplicou cinco vezes em relação ao conseguido entre janeiro e setembro de 2025.

No entanto, a principal fonte de lucros continuou a ser, como é habitual, a atividade de exploração e produção de hidrocarbonetos, que gerou um resultado operacional de 8.964 milhões de dólares, um aumento de 36%.

A divisão de gás natural liquefeito contribuiu com 4.010 milhões de dólares para o resultado, um aumento de 26%, enquanto o negócio elétrico representou 1.680 milhões, com um aumento de 2%, e o de marketing e serviços 1.229 milhões, com um aumento de 19%.

Nos primeiros nove meses do ano, a TotalEnergies teve uma produção de hidrocarbonetos equivalente a 2,474 milhões de barris diários, menos 2% (1,342 milhões de barris de petróleo e 1,132 milhões de gás), mas o preço de venda foi muito superior.

No caso do petróleo, a cotação média do barril de Brent (que serve de referência na Europa) entre janeiro e setembro foi de 93,9 dólares, um aumento de 32% que se explica essencialmente pelo efeito da guerra no Irão.

A rentabilidade dos capitais próprios da TotalEnergies em termos homólogos até 30 de setembro foi de 19,6%, mais sete décimas do que o nível registado até 30 de junho.

O grupo francês prevê aumentar sua produção no quarto trimestre em mais de 3% em relação ao mesmo período do ano passado e precisou que o impacto da guerra no Médio Oriente na sua atividade é menor do que no terceiro trimestre.

Em concreto, representa menos de 5% da sua produção total, e tem a ver sobretudo com as limitações para extrair gás natural liquefeito (GNL) pelo estreito de Ormuz.

Os preços, por sua vez, estão em alta tanto no caso do petróleo (acima de 100 dólares o barril), como no caso do gás destinado ao mercado europeu, com a perspetiva da procura de inverno e dada a continuidade do conflito.

Livre ouvido em Belém: Governo “está cada vez mais extremado”

29 October 2026 at 12:39

O Livre manifestou-se hoje disponível para dialogar sobre soluções para a crise na habitação, mas exigiu que primeiro o Governo recue nas alterações à lei do arrendamento, acusando-o de estar “cada vez mais extremado”.

“Há uma questão essencial para conseguirmos o tal diálogo, o tal consenso, é que o Governo deixe cair esta lei dos despejos, que não é uma lei consensual e, portanto, como base de diálogo para o problema da habitação, é preciso que essa lei caia”, defendeu a porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes, em declarações aos jornalistas no Palácio de Belém, em Lisboa.

A dirigente falava depois de uma audiência com o Presidente da República, António José Seguro, que está hoje a ouvir os partidos com assento parlamentar sobre coesão social, tema no qual o chefe de Estado incluiu a habitação.

Momentos antes, o presidente do CDS-PP e ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, desafiou a oposição a aproveitar o processo de especialidade no parlamento para alterar o regime de arrendamento urbano, depois de o Governo ter pedido à Assembleia da República uma autorização legislativa, aprovada na generalidade com a abstenção do Chega.

Contudo, para o Livre, “a base é má demais” para que tal possa ser feito, com Isabel Mendes Lopes a considerar que esta lei teria que ser “esventrada”.

Isabel Mendes Lopes – acompanhada pelo também porta-voz Jorge Pinto – manifestou-se disponível para dialogar, subscrevendo o apelo feito pelo chefe de Estado aos partidos, mas considerou que o Governo está “cada vez mais extremado”.

“A maneira como encara os outros partidos na Assembleia da República, encara-os como adversários políticos de uma forma muitas vezes que não é nada cordial, para ser simpática nas palavras, e que torna o diálogo muito difícil”, lamentou.

A também líder parlamentar acusou o Governo de ter demonstrado insensibilidade acerca do tema nas várias ocasiões em que governantes o abordaram, e de estar cada vez mais distante das preocupações dos portugueses, argumentando que “isso é que vai provocando a erosão da coesão social”.

A dirigente do Livre defendeu ainda que o chefe de Estado deveria ter “dado uma palavra ao país mais cedo” após as cargas policiais sobre as manifestações em Lisboa e no Porto, no passado fim de semana.

Bruxelas pede a Estados-membros que usem empréstimos em defesa para apoiar Kiev

29 October 2026 at 12:37

A Comissão Europeia sugeriu hoje que os Estados-membros utilizem 21,3 mil milhões de euros em empréstimos de defesa para apoiar a Ucrânia, após Kiev ter indicado que vai precisar de mais 70 mil milhões de euros em 2027.

Em comunicado, a Comissão Europeia refere que convidou hoje os Estados-membros a participarem na segunda ronda do empréstimo de defesa SAFE, composta por 21,3 mil milhões de euros.

O executivo comunitário incentiva os Estados-membros a utilizarem estes fundos não só para as suas “prioridades e necessidades nacionais a nível de defesa”, mas também para “reforçar a cooperação com a Ucrânia”, designadamente através de “aquisições conjuntas”.

“Os Estados-membros deverão também dar prioridade às necessidades urgentes das Forças Armadas ucranianas e dos próprios Estados-membros nas áreas dos sistemas de defesa antiaérea e antimíssil, dos drones e dos sistemas anti-drones, bem como das munições e dos mísseis”, indica o executivo.

Estes 21,3 mil milhões de euros correspondem ao valor que ainda não foi gasto do empréstimo de 150 mil milhões de euros aprovado pela União Europeia (UE) em maio de 2025.

Esse valor surgiu porque alguns Estados-membros, como a Itália ou a Hungria, decidiram rever em baixa e pedir menos dinheiro do que a fatia que lhes estava inicialmente prevista.

O programa SAFE visa conceder empréstimos a longo prazo e a preços favoráveis aos Estados-membros da UE para investimentos em capacidades de defesa.

Estes empréstimos, que têm de ser executados até 2030, vão financiar esforços de aquisição urgentes e em grande escala.

Na primeira ronda do empréstimo, foram destinados 5,8 mil milhões de euros a Portugal, aos quais o país concorreu em novembro do ano passado com um plano para reequipar as Forças Armadas.

O apelo para que os Estados-membros utilizem agora o dinheiro da segunda ronda também para ajudar a financiar a Ucrânia surge depois de, na última cimeira do Conselho Europeu, em 15 e 16 de outubro, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter avisado os restantes Estados-membros que o seu país vai precisar de mais 70 mil milhões de euros em 2027 do que o inicialmente previsto.

O chefe de Estado ucraniano salientou que, de acordo com as previsões do seu Governo, a guerra “vai custar 155 mil milhões de euros” em 2027.

“E precisamos de pelo menos mais 70 mil milhões de euros vossos: para a Defesa, armamento, para a nossa resiliência. Este montante é realista e peço-vos que encontrem forma de nos conceder este apoio”, apelou.

Este apelo de mais 70 mil milhões de euros surge depois de a UE ter aprovado este ano um empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, a serem desembolsados entre 2026 e 2027.

PCP ouvido em Belém: Seguro devia ter falado “mais cedo”, destaca Paulo Raimundo

29 October 2026 at 12:32

O secretário-geral do PCP afirmou hoje que a coesão social “não é possível” no cenário político atual e considerou que o Presidente da República deveria ter falado “mais cedo” sobre os protestos pela habitação.

Paulo Raimundo falava depois de ter sido recebido no Palácio de Belém pelo Presidente da República, António José Seguro, que está hoje a ouvir os partidos com assento parlamentar sobre coesão social, tema no qual o chefe de Estado incluiu a habitação.

O líder comunista considerou que a coesão social é necessária e um “tema importantíssimo”, mas ressalvou que esse objetivo “não é possível neste caminho desastroso que o país está a percorrer”.

“Não é possível coesão nem estabilidade social com uma situação destas, não é possível estabilidade social nem coesão social com a situação dramática na habitação que se enfrenta. Sem respostas, ou todas as respostas que se avançam é para agravar ainda mais a situação já por si dramática. Não é possível com esta falta de resposta dos serviços públicos”, enfatizou.

Raimundo disse ter exposto ao Presidente da República que os problemas enfrentados pelos portugueses “não resultam da falta de consensos”, mas, sim, de “consensos que têm estado estabelecidos”.

“Tivemos a oportunidade de recordar ao senhor Presidente da República, por exemplo nas questões da habitação, que desde 2013 até ontem houve um consenso enormíssimo entre PSD, PS, CDS, mais tarde com o Chega e a IL, em chumbar todas as propostas do PCP para responder ao problema da habitação”, lamentou.

Para o secretário-geral do PCP, “está visto que há um grande consenso na continuação de medidas especulativas ao serviço da banca” e, no caso da habitação, “dos fundos imobiliários e dos grandes proprietários”.

Paulo Raimundo insistiu também que o Presidente da República deveria ter falado “mais cedo” sobre os protestos pela habitação, no Porto e em Lisboa, mas considerou que Seguro “parece empenhado em procurar soluções” para a habitação.

“Ainda que, tive a ocasião de dizer, às vezes haja uma certa expectativa num consenso que nunca vai haver”, acrescentou.

Questionado sobre como avaliava as perguntas do chefe de Estado, Raimundo escusou-se a comentar, referindo que Seguro “escolheu as palavras que entendeu”.

António José Seguro recebe ainda hoje em Belém o Livre, a IL, o PS, o Chega e o PSD.

Estas audiências foram convocadas na quarta-feira da semana passada, dois dias depois de o chefe de Estado ter apelado a um entendimento entre Governo PSD/CDS-PP e partidos da oposição para que se adotem medidas urgentes e outras duradouras na área da habitação.

CDS-PP ouvido em Belém: Nuno Melo desafia oposição a aproveitar especialidade da lei das rendas

29 October 2026 at 12:28

O presidente do CDS-PP, Nuno Melo, rejeitou hoje que o Governo esteja desgastado com as manifestações pela habitação e apelou à oposição para que aproveite o processo de especialidade para alterar a lei do arrendamento urbano.

“Há uma lei do arrendamento que está a ser discutida na Assembleia da República e o apelo que nós fazemos é para que as oposições aproveitem a especialidade, porque a especialidade dá aos partidos a oportunidade, com a representação parlamentar, de apresentarem medidas que, na sua visão, ajudem a transformar uma lei que segundo nós é má, que é a que está em vigor, numa lei melhor”, afirmou Nuno Melo.

O também ministro da Defesa Nacional falava depois de ter sido recebido no Palácio de Belém pelo Presidente da República, António José Seguro, que está hoje a ouvir os partidos com assento parlamentar sobre coesão social, tema no qual o chefe de Estado incluiu a habitação.

Na ótica do líder centrista quem quiser “realmente resolver problemas tratará de apresentar essas propostas”, posição que contrapôs a quem quer “aproveitar um problema para simplesmente desgastar o poder”.

Interrogado sobre se reconhece então que o Governo está a ser desgastado com as manifestações dos últimos dias, Nuno Melo negou.

“Não, não reconheço. Eu acho que o Governo está a ficar credibilizado pela forma como distingue uma coisa e outra”, respondeu, distinguindo o protesto que decorreu na terça-feira à frente à Assembleia da República, “que correu impecavelmente”, das manifestações no Rossio, em Lisboa, ou na Praça D. João I, no Porto.

“Eu distingo totalmente a manifestação e o seu direito, da manipulação e instrumentalização radical de quem acha que de repente volta a criar o PREC em Portugal, e as políticas nacionais, públicas, aquilo que afeta a nossa vida, se decide entre camaradas com jargões trotskistas em assembleias populares”, criticou.

O presidente do CDS-PP voltou a defender a atuação policial, afirmando que avançou apenas em último recurso e que os polícias “aguentaram até ao limite” antes de ser decidida uma intervenção.

Interrogado sobre o apelo ao diálogo feito pelo Presidente da República, Nuno Melo afirmou que António José Seguro “pretende aquilo que é normal e que os partidos também pretendem, e que o Governo também pretende, em relação a um problema, ou seja, respostas”.

O presidente do CDS-PP afirmou que o Governo já está a apresentar respostas e manifesta disponibilidade “para, em conjunto com todos os outros, se necessário for, estudar outras possibilidades”, começando pelo processo de especialidade na lei das rendas.

“É a primeira oportunidade para que os partidos da oposição, se de facto não querem manipular uma preocupação para tentarem ter um interesse partidário estrito, mostrarem, através de propostas que podem fazer, que há uma outra construção que dali pode sair”, apelou.

Nuno Melo defendeu a estratégia do Governo até ao momento, pedindo tempo para que as medidas adotadas surtam os seus efeitos. O líder centrista apontou para a entrada de um milhão de imigrantes no país, “ao mesmo tempo que o SEF foi extinto sem que se tivesse acautelado a existência de habitações suficientes no país para que tantas pessoas pudessem viver”, como uma das causas para a crise.

Auxílio de Milei para fuga de Flávio Bolsonaro agrava deterioração da relação do Brasil com a Argentina

29 October 2026 at 10:53

As revelações de que o governo de Javier Milei prestou auxílio ao plano de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) devem agravar ainda mais a deterioração da relação entre Brasil e Argentina —que já se encontra em um dos piores momentos nas últimas décadas.

Segundo reportagens da imprensa argentina, a Casa Rosada atuou para facilitar a operação que resultou no embarque de Flávio e familiares em Porto Iguaçu, na Argentina, com destino a Miami, nos Estados Unidos. O senador fugiu do Brasil após perder a eleição para o presidente Lula (PT) e ser alvo de uma ordem judicial que determinou a entrega de seus passaportes.

Meios de comunicação do país vizinho relataram que Santiago Caputo, assessor especial de Milei, estava em Iguaçu no momento da decolagem e, além disso, que teria sido colocado à disposição do senador o veículo que o levou à aeronave.

No discurso divulgado nesta quarta-feira (28), Flávio agradeceu a Milei “pela coragem, senso de justiça e legalidade”.

Para integrantes do governo Lula ouvidos pela Folha, a sucessão de acontecimentos corrói ainda mais a pouca confiança que existia entre autoridades dos dois países.

Havia a expectativa de que a eleição no Brasil pudesse representar uma oportunidade para restabelecer condições mínimas para um relacionamento político, mas, segundo auxiliares de Lula, as recentes ações do governo Milei apontam para o congelamento do status quo, que deve se prolongar até, pelo menos, o pleito argentino de outubro de 2027.

De acordo com esses auxiliares, o regresso dos embaixadores às respectivas capitais torna-se, no atual contexto, hipótese extremamente improvável.

Em agosto, o governo Lula orientou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, a voltar a Buenos Aires. Ao mesmo tempo, o Palácio do Planalto decidiu que o embaixador na Argentina, Julio Bitelli, permaneceria no Brasil.

As medidas, inéditas na relação moderna entre os países vizinhos, ocorreram em resposta a ataques de Milei contra o petista. Presente no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei se referiu a Lula como ladrão e presidiário e chamou de “lixo careca” o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Do lado brasileiro, o ministro da Economia, Dario Durigan, chamou o portenho de “palhaço”, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), classificou o argentino como “caricatura patética” e puxa-saco de Donald Trump.

Nas semanas seguintes, Milei proferiu diversas ofensas a Lula nas redes sociais.

Na madrugada desta quarta-feira (28), a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou, no X (ex-Twitter), que Flávio, a esposa dele e as duas filhas cruzaram a fronteira terrestre pela Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50 de terça-feira (27).

“Às 23h30, a comitiva que chegava embarcou em um voo privado operado pela companhia Baires Fly S.A., com destino à cidade de Guayaquil, no Equador, conforme informado no plano de voo”, disse o comunicado.

Ao longo de terça, segundo integrantes do governo Lula ouvidos pela Folha, houve intensa comunicação com autoridades argentinas, que reiteravam que, até aquele momento, não havia qualquer registro da entrada de Flávio Bolsonaro no país vizinho.

Para o lado brasileiro, a dificuldade de comunicação com autoridades argentinas no caso Flávio é vista como um reflexo do péssimo momento que a relação bilateral atravessa.

O auxílio ao senador não foi o único episódio que contribuiu para azedar o relacionamento entre Brasil e Argentina.

Também na terça, o porta-voz de Milei, Adrian Ravier, afirmou a jornalistas que o governo argentino não faria nenhum tipo de comunicado sobre a vitória eleitoral de Lula. Ele disse que, em 2023, Lula também teria ignorado a eleição de Milei. A justificativa de Ravier, porém, é falsa, uma vez que o petista parabenizou as instituições e o povo argentino pela condução do processo eleitoral.

Uma em cada cinco casas de 1 milhão foi vendida em menos de um mês em Portugal

29 October 2026 at 10:34

Em Portugal, uma em cada cinco casas anunciadas por mais de um milhão de euros foi vendida em menos de um mês, no terceiro trimestre de 2026 e de acordo com os dados do idealista revelados esta quinta-feira.

O portal dá o exemplo de Faro já que neste distrito algarvio, um dos mais procurados para a compra de casas de luxo, 16% do stock premium saiu do mercado em menos de uma semana.

O idealista dá conta de um ritmo de vendas acelerado neste segmento e há dois números que o comprovam: cerca de 9% das casas de luxo saíram do mercado em menos de sete dias e 12% venderam-se entre uma semana e um mês.

“Faro é o distrito onde mais casas de luxo se vendem em menos de uma semana (16% do stock local), seguido do Porto (12%), de Setúbal (11%) e de Aveiro (10%). Alargando o prazo a um mês, cerca de uma em cada quatro casas de luxo no Porto e em Faro encontrou comprador nesse período. Ao nível dos municípios, é no Porto que mais casas premium se vendem em menos de 30 dias (26%), à frente de Lisboa (17%)”, pode ler-se em comunicado do portal idealista.

Estes especialistas destacam que quase um quinto da oferta premium nos distritos de Lisboa e de Aveiro saiu do mercado em apenas 30 dias. Na ilha da Madeira e em Setúbal, cerca de 15% do stock encontrou comprador no mesmo período.

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