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Da falida Mt. Gox até à Binance. Os maiores ciberataques de sempre nas criptomoedas

30 October 2026 at 12:29

A bolsa de criptomoedas Binance sofreu esta quinta-feira um ciberataque que está a ser descrito como o maior de sempre nas moedas virtuais, que resultou num prejuízo estimado em 6,3 mil milhões de dólares (cerca de 5,6 mil milhões de euros) e levou ao congelamento de mais de 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,25 mil milhões de euros) de forma a evitar a retirada de fundos pelos hackers.

A maior plataforma digital de criptomoedas do mundo vai-se chegar à frente para cobrir “todas as perdas decorrentes do ataque”, que teve uma magnitude quatro vezes superior ao da Bybit, em fevereiro de 2025. Nos últimos 15 anos, este setor sofreu uma série de furtos, continuando a levantar questões sobre a segurança do dinheiro dos clientes.

Segundo a agência Reuters, os ciberataques evidenciam as vulnerabilidades da blockchain e das finanças descentralizadas, na qual os utilizadores emprestam, pedem e depositam tokens digitais e contornam os intermediários tradicionais do sistema financeiro, como bancos e empresas de trading.

O especialista em cibersegurança Georgy Kucherin, investigador sénior na Kaspersky, diz que ainda não se pode excluir a hipótese de terem sido exploradas vulnerabilidades. “Estes incidentes mostram que as plataformas de negociação de criptomoedas não estão imunes a ciberataques. Podem ser comprometidas através de diversos vetores, e tanto os sistemas internos como as dependências externas podem servir de superfícies de ataque”, afirma o analista, lembrando que ainda na quarta-feira os utilizadores da Polymarket foram afetados por um ataque.

O portátil de um engenheiro informático terá sido o ponto de entrada dos cibercriminosos na Binance. A maioria dos fundos foi transferida em cerca de 20 minutos.

O investigador da Kaspersky explica que o portátil comprometido de um engenheiro de desenvolvimento e operações (DevOps) da Binance poderá ter permitido a um atacante aceder a um sistema de serviço e submeter transações de levantamento não autorizadas.

Para a empresa de cibersegurança Check Point Software, o “incidente evidencia a necessidade de proteger toda a cadeia de autorização de operações”, desde os equipamentos dos trabalhadores com acessos privilegiados até aos serviços que validam e executam as suas instruções. “O ataque à Binance terá permitido desviar entre 6,3 e 6,36 mil milhões de dólares em criptoativos através de dez redes blockchain. Segundo a TRM Labs, a maioria dos fundos foi transferida em cerca de 20 minutos”, revela a tecnológica norte-americana.

Quais os maiores ciberataques a plataformas de criptomoedas?

  • Fevereiro de 2025 – A bolsa de criptomoedas Bybit, corretora de criptomoedas, registou 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 mil milhões de euros à cotação atual) em tokens digitais furtados. As criptomoedas foram retiradas de uma “carteira fria” (wallet geralmente armazenada offline e, portanto, supostamente mais segura) que era utilizada para tokens Ether.
  • Março de 2022 – A rede Ronin Network, que permite a transferência de criptomoedas entre diferentes blockchains, sofreu um furto de aproximadamente 540 milhões de dólares (na ordem dos 482 milhões de euros) de um projeto blockchain ligado ao jogo online Axie Infinity. Os hackers roubaram cerca de 173.600 tokens Ether e 25,5 milhões de tokens USD Coin (USDC).
  • Fevereiro de 2022 – A Wormhole, uma plataforma de finanças descentralizadas que movimenta ativos, dados e aplicações através de mais de 45 blockchains, teve um assalto de 320 milhões de dólares (286 milhões de euros) em que os hackers roubaram 120 mil tokens digitais ligados à segunda maior criptomoeda do mundo, a Ether. A norte-americana Jump Trading, que no ano anterior havia comprado a empresa por detrás da Wormhole, depois repôs os fundos.
  • Agosto de 2021 – A rede Poly Network, que agiliza transações de tokens, sofreu um ataque a 610 milhões de dólares (545 milhões de euros), embora os cibercriminosos depois tivessem devolvido quase todos os fundos.
  • Janeiro de 2018 – A corretora Coincheck, com sede em Tóquio, sofreu um assalto a uma das “carteiras quentes” (carteira armazenada online) com o objetivo de drenar os fundos, culminando em 530 milhões de dólares (473 milhões de euros) impactados. À data, a Coreia do Sul culpou um grupo de hackers norte-coreanos.
  • 2011-2014 – Também de Tóquio, a bolsa de criptomoedas Mt. Gox foi alvo de um dos primeiros e mais mediáticos ataques informáticos neste mundo das moedas digitais. Ao longo de três anos, foram furtadas bitcoins no valor de quase 500 milhões de dólares (447 milhões de euros). A Mt. Gox, que chegou a processar cerca de 80% das transações globais de bitcoin, declarou insolvência no início de 2014, após o ciberataque no qual aproximadamente 24 mil clientes perderam acesso ao seu dinheiro.

Turismo fecha o verão com receitas a subirem 6% apesar da queda nos franceses

30 October 2026 at 11:28

O fim do verão foi proveitoso para o turismo em Portugal. O setor do alojamento turístico registou 3,4 milhões de hóspedes e 8,7 milhões de dormidas em setembro, o que representa uma subida de 2,5% e 2%, respetivamente, de acordo com as estimativas divulgadas esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

As receitas turísticas ascenderam a 890,2 milhões de euros e os proveitos de aposento a 696,6 milhões de euros, o que se traduziu em crescimentos de 6% nos dois casos, caso se confirmem os dados do organismo de estatística nacional.

“O crescimento das dormidas foi sustentado tanto pelos residentes como pelos não residentes, embora com evoluções distintas. As dormidas dos residentes aumentaram 3,1% para 2,5 milhões, acelerando face a agosto (+1,4%). Em sentido contrário, as dormidas de não residentes cresceram 1,6%, para 6,2 milhões, abrandando ligeiramente face ao mês anterior (+1,9%)”, lê-se no relatório do INE.

Entre os dez principais países de onde chegaram turistas, destacou-se a Polónia. O número de turistas polacos registou o maior crescimento no nono mês do ano (+11%), enquanto o mercado francês manteve-se na liderança das quedas (-5,5%).

Ainda assim, o Reino Unido manteve-se como principal mercado emissor de turistas estrangeiros, com uma quota de 19,1%, após um crescimento de 3% em setembro. Seguiu-se o mercado alemão (quota de 12%, apesar da queda de 2,9%) e o norte americano, que representou 11,4% das dormidas de não residentes, na sequência de uma subida de 5,7%.

Turistas ficaram menos noites nos hotéis e alojamentos

Apesar do aumento nas receitas, dormidas e hóspedes, a estada média nos estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal foi de 2,57 noites, o que significa que caiu 0,4%. As zonas do país onde os turistas ficaram, em média, mais noites foram na Madeira (4,55 noites) e no Algarve (3,92 noites). Ambas, a par do arquipélago dos Açores (3,18 noites), mantiveram valores superiores à média nacional.

No mês passado, o Norte registou o maior crescimento das dormidas (+6,6%), seguido do Centro e da Grande Lisboa (+2,8% nas duas regiões). Por outro lado, o maior decréscimo foi observado no Oeste e Vale do Tejo (-2%). A maioria (68,5%) do total de dormidas ficou concentrada nas regiões do Algarve (27,5% do total), Grande Lisboa (22,2%) e Norte (18,8%).

Notícia atualizada às 11h31 com mais informação

⛽Combustíveis seguem direções opostas na próxima semana. Gasóleo sobe 2,5 cêntimos

30 October 2026 at 10:31

Se tem carro a gasolina e precisa de atestar o depósito do automóvel, é melhor aguardar pela próxima semana. Já se precisar de ir às bombas abastecer com gasóleo, espera para o fazer até domingo se não quiser pagar mais. A partir de segunda-feira, os preços dos combustíveis seguem direções opostas.

O preço do diesel, o combustível mais usado em Portugal, deverá aumentar 2,5 cêntimos, enquanto o da gasolina deverá descer 2,5 cêntimos, de acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP) através de informação transmitida por fontes do setor.

A confirmarem-se as previsões do ACP para a próxima semana, o preço médio do gasóleo simples vai aumentar para 2,215 euros por litro, enquanto o preço médio da gasolina simples 95 deverá descer para 2,008 euros por litro. Por comparação, o preço médio do litro do gasóleo custa esta sexta-feira 2,19 euros, enquanto o preço médio da gasolina totaliza os 2,033 euros, de acordo com a Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG).

O ACP avisa que, ao dirigir-se às bombas de combustível, pode encontrar postos com preços mais altos que o previsto, porque o setor é “liberalizado” e explica também que, como a previsão tem por base o valor da matéria-prima no fecho dos mercados de quinta-feira, é possível que haja efeito nos postos se hoje as cotações do crude se agravarem, o que se está a verificar.

Brent sobe mais de 2% após ataque em Ormuz

A cotação do chamado ‘ouro negro’ está a subir cerca de 2%, mantendo-se acima dos 100 dólares por barril. O valor do WTI, produzido no Texas, avança 1,98% para os 104,02 dólares por barril, enquanto a cotação do barril de Brent, o crude do Mar do Norte que serve de referência para a Europa, sobe 2,23% para os 113,32 dólares. No acumulado de outubro, o Brent encontra-se a caminho de fechar com uma subida de quase 13%, enquanto o WTI está prestes a registar um salto mensal de 14%.

A motivar esta subida está o facto de um petroleiro no Estreito de Ormuz ter sido atingido por engenhos explosivos instalados por uma pequena embarcação, de acordo com a informação disponibilizada pela Organização Marítima e de Transportes do Reino Unido e divulgada pela agência Reuters.

“Os preços dos combustíveis continuam a ser impactados pela guerra no Médio Oriente, com os Estados Unidos, Israel e o Irão envolvidos em ataques militares na região. A guerra levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio de petróleo e gás natural, levando o preço dos combustíveis a sofrer graves alterações”, realça a associação automóvel portuguesa.

Notícia atualizada às 10h39 com mais informação

Governo aprova regulamentação para aplicar Lei da Nacionalidade

29 October 2026 at 16:57

O Governo aprovou esta quinta-feira o decreto-lei que regulamenta a Lei da Nacionalidade e permite a aplicação plena da nova legislação, tornando a “concessão da cidadania portuguesa mais exigente”, e nomeou ainda César Teixeira para presidente da AIMA – Agência para a Integração Migrações e Asilo.

“É uma peça importante da reforma. Recordam-se de que houve a Lei da Nacionalidade, que no fundo o que fez foi exigir uma ligação mais efetiva a Portugal, para se obter a cidadania, que é o laço mais exigente em termos de direitos e deveres com a nossa comunidade”, afirmou o ministro da Presidência, em briefing do Conselho de Ministros.

António Leitão Amaro lembrou que a lei alargou os prazos para atribuição de nacionalidade a estrangeiros, diferenciados para os cidadãos da CPLP, para os quais o tempo subiu para sete anos, e dez anos para os demais. “Impusemos algumas exigências adicionais: conhecimento da língua, da história e da cultura, a adesão aos nossos valores constitucionais, a declaração solene de que se aceita os nossos valores. Tornámos a concessão da cidadania portuguesa mais exigente”, frisou o ministro.

César Teixeira nomeado presidente da AIMA

Além do quadro regulatório sobre a legislação da nacionalidade, o Executivo liderado por Luís Montenegro deu ainda ‘luz verde’ à nomeação do novo presidente da AIMA, César Teixeira, após a saída de Pedro Portugal Gaspar. Segundo António Leitão Amaro, a agência que substituiu o SEF fez mais 60% de atendimentos em 2026 face ao ano passado.

A AIMA, que completa esta quinta-feira três anos desde que está em funções, recebeu 185 mil pessoas e fez 500 mil atendimentos no call center este ano. “Enquanto os atendimentos aumentaram, as reclamações caíram”, disse o ministro da Presidência.

“Estamos numa fase de crescimento e estabilização da AIMA. Agora teremos uma nova fase que tem de ter ainda mais modernização  e transformação digital, reforço da capacidade de atendimento e foco na integração”, referiu ainda António Leitão Amaro, em declarações aos jornalistas.

Pedro Portugal Gaspar abandonou a presidência da AIMA para passar para a Autoridade da Concorrência (AdC), onde se tornou vogal do conselho de administração. A designação foi divulgada, por lapso, através da agenda de audições da Comissão de Economia e Coesão Territorial da Assembleia da República.

Mais tarde, o Sindicato dos Técnicos de Migração (STM) felicitou César Teixeira pela sua escolha como novo presidente da AIMA, reconhecendo o seu percurso profissional e desejando que esta mudança de liderança contribua para uma gestão mais estável, organizada e previsível da agência. No entanto, a entidade sindical alertou que esta alteração “não substitui respostas, não apaga problemas e não resolve” os problemas “graves”, nomeadamente processuais, de planeamento, recursos humanos e contacto com a tutela.

Cluster da saúde apresenta plano para a década com investimentos até dois mil milhões

29 October 2026 at 13:14

O cluster da saúde em Portugal, que reúne empresas, hospitais, universidades, instituições de investigação e outras organizações, apresentou esta quinta-feira um plano de desenvolvimento do setor, para a próxima década, que inclui 14 propostas de iniciativas para reforçar a inovação e a competitividade. O programa estratégico do Health Cluster Portugal até 2035, criado com a consultora EY, assenta em cinco eixos estratégicos e estima um investimento de até dois milhões de euros.

O Plano de Desenvolvimento da Saúde 2.0 – Inovação, Conhecimento e Competitividade (PDS) está desenhado para ser implementado até 2035, embora a fase de maior intensidade e operacional e financeira esteja prevista para os próximos quatro anos. Entre as propostas está, por exemplo, a criação de uma Agência Nacional de Saúde Digital público-privada.

Das 14 propostas, oito são identificadas como prioritárias, entre as quais ter um quadro regulatório e operacional que permita a prescrição de ferramentas digitais de saúde. O documento, desenvolvido com stakeholders do setor, já foi partilhado com os ministérios da Saúde e da Economia e da Coesão Territorial, tendo em conta que é inclui ideias de políticas públicas e medidas para os privados.

O cluster considera que o sucesso do PDS depende de “uma estrutura de governação eficaz e de um modelo de monitorização contínua, capazes de assegurar o envolvimento dos principais stakeholders, da promoção da cooperação entre o setor público e o setor privado, de sinergias entre os diferentes atores e do alinhamento das iniciativas com a visão e os objetivos estratégicos definidos para o Ecossistema Nacional da Saúde até 2035”, bem como de uma monitorização frequente.

Na opinião dos mais de 200 membros deste cluster, o PDS permite uma resposta a desafios estruturais, como a fragmentação dos sistemas de informação, a falta de articulação entre as políticas de saúde, ciência e economia e a complexidade dos processos regulatórios e de certificação. Trata-se de uma atualização do primeiro plano de desenvolvimento da saúde, lançado em 2021, que esteve na origem da agenda mobilizadora Health from Portugal, no âmbito do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, que contou com um investimento total elegível de 91,8 milhões de euros.

Quais os principais eixos estratégicos do plano de desenvolvimento da saúde?

  • Dados e transformação digital – A integração dos dados em saúde é uma das prioridades do segundo PDS, que defende o reforço da interoperabilidade entre os sistemas públicos e privados, criando condições para acelerar a utilização da inteligência artificial, da medicina personalizada e de modelos de gestão baseados em valor. É aí que surge a Agência Nacional de Saúde Digital, que seria responsável por coordenar a governação dos dados, definir normas de interoperabilidade e estabelecer condições para a sua utilização em investigação, inovação e definição de políticas de saúde.
  • Medicamentos inovadores e tecnologia – O PDS 2026-2035 identifica um potencial de investimento que pode atingir os dois mil milhões de euros em medicamentos inovadores e tecnologias. O objetivo é dinamizar o investimento das farmacêuticas nacionais e atrair multinacionais de referência e ter também enquadramento para prescrever e financiar soluções digitais. Ou seja, ter comparticipação e facilitar a sua integração nos cuidados de saúde.
  • Resiliência do sistema de saúde – Perante o envelhecimento da população, o crescimento das doenças crónicas e das desigualdades no acesso aos cuidados, propõe-se uma evolução para modelos assistenciais mais preventivos e descentralizados. Como? Reforço dos cuidados de proximidade, introdução sistemática da prescrição social, integração das farmácias comunitárias como pontos de acesso aos serviços de saúde, transição para modelos de financiamento baseados em valor (relação entre resultados clínicos e custos associados a cada condição clínica).
  • Valorização do conhecimento – Face à necessidade posicionar Portugal como um hub competitivo para o desenvolvimento de produtos, serviços e soluções de saúde, bem como para a realização de ensaios clínicos e atividades de investigação biomédica de elevada relevância internacional, apela-se à transformação do conhecimento científico aplicado em valor económico e social.
  • Acesso ao mercado – Modernizar os mecanismos de regulação e acesso ao mercado, reforçando o papel dos reguladores como parceiros estratégicos da inovação, promovendo a internacionalização da saúde portuguesa e acelerando a entrada de novas soluções através de instrumentos como sandboxes regulatórias e da criação de condições para acelerar a certificação, fortalecendo a competitividade do ecossistema nacional.

Exportações portuguesas abrandam no verão, mas crescem acima das compras ao estrangeiro

29 October 2026 at 11:16

O comércio internacional deverá ter abrandado no terceiro trimestre. As exportações e as importações portuguesas terão crescido 6,5% e 3,6%, respetivamente, o que representa uma desaceleração face ao segundo trimestre, de acordo com a estimativa rápida divulgada esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A estimativa para o comércio internacional de bens entre julho e setembro aponta para aumentos em ambos os fluxos, embora com um abrandamento em termos nominais, tendo em conta que se registaram subidas significativas entre abril e junho, de 10,3% nas exportações e de 8,7% nas importações, segundo os dados mais recentes do organismo de estatística nacional.

Ainda assim, as vendas para o estrangeiro (Estados-membros da União Europeia e países terceiros) aumentaram a um ritmo superior do que as compras, atingindo até os dois dígitos. “Quando excluídas as transações TTE, ou seja, as transações com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda (sem transferência de propriedade), os aumentos são mais acentuados em ambos os fluxos (+10,9% nas exportações e +7,4% nas importações”, lê-se no relatório do INE.

Em agosto, o último mês com dados oficiais disponíveis, o comércio internacional cresceu. No mês mais quente do ano, tanto as exportações como as importações portuguesas aumentaram, em termos homólogos, embora o ritmo das exportações tivesse abrandado. As exportações e as importações subiram 6,8% e 2,8%, respetivamente, após subidas de 7,8% e 0,7% em julho, pela mesma ordem.

Perante esta variação, o défice da balança comercial de bens registou um desagravamento de 115 milhões de euros, comparativamente ao mesmo período de 2025, situando-se em 2.991 milhões de euros, tendo contribuído para esta melhoria as vendas externas de combustíveis e lubrificantes e maquinaria.

Notícia atualizada às 11h33 com mais informação

Fundo do Dubai escolhe Lisboa como sede europeia e vai investir em empresas de IA

29 October 2026 at 09:00

A sociedade de capital de risco BY Venture Partners, com sede no Dubai, escolheu Portugal como berço da operação na Europa. O fundo internacional anunciou esta quinta-feira que abriu um escritório em Lisboa, que funcionará com sede europeia, e fechou o seu terceiro veículo de investimento no valor de 53,5 milhões de euros.

A empresa de venture capital emirati prevê investir em projetos globais recentes (early-stage) e entrar em rondas de financiamento para fases iniciais (pré-seed e série A) com até um milhão de dólares (cerca de 899 milhões de euros). O objetivo é apostar em empresas de inteligência artificial (IA) que estejam a reinventar os fluxos de trabalho das empresas e tenham a ambição de crescer à escala mundial.

“Este fundo tem como objetivo apoiar empresas nativas de IA com ambições globais. Estamos particularmente entusiasmados com o reforço de capital na Europa, onde cidades como Madrid, Londres, Paris e Berlim avançam rapidamente no desenvolvimento de software nativo de IA”, afirmou Ghaith Yafi, sócio-cofundador da BY Venture Partners, num comunicado enviado aos meios de comunicação social.

Para a BY Venture Partners, que tem mais de 178,4 milhões de euros em ativos sob gestão, o hub lisboeta “é uma evolução natural”, depois de realizar investimentos em 16 países, quatro dos quais alavancaram a construção de unicórnios com os dois fundos anteriores. Instalado na zona de Alcântara, a equipa inicial do escritório em Portugal é composta pelo sócio Sohrab Jahanbani e Henrique Pereira, manager de Plataforma e Comunidade, que foi contratado para o efeito, mas há “potencial de crescer”, como disse fonte oficial ao ECO.

"“A Europa forma alguns dos melhores talentos tecnológicos do mundo, mas os fundadores europeus enfrentam muitas vezes uma barreira quando tentam chegar ao capital internacional e a uma escala comercial global.”

Sohrab Jahanbani

Sócio da BY Venture Partners

“Lisboa e o ecossistema ibérico mais alargado deixaram de ser polos regionais emergentes e passaram a ser verdadeiras rampas de lançamento para a inovação de referência mundial em IA e deep tech. Ao combinar uma presença local com o alcance global da BY Venture Partners no Médio Oriente e na América do Norte, estamos numa posição única para dar aos fundadores ibéricos e europeus o capital, o apoio operacional e o acesso a mercados globais de que precisam para competir”, refere o sócio-cofundador Abdallah Yafi.

O recém-lançado fundo é ancorado pelo Dubai Future District Fund e conta a participação de investidores institucionais da região do Golfo, divisões de empresas de capital de risco e family offices, entre os quais Multi Lane, Transmed Capital e Indriss Family Office da Arábia Saudita. Atualmente, contabiliza 15 investimentos feitos, entre os quais na PQ Shield, Cosyne, Isometric, Huspy e Invisible, mas o portefólio previsto é de 40 empresas.

Konica Minolta vai trazer negócio de sensores do Japão para faturar 50 milhões em Portugal

29 October 2026 at 06:37

Sensores que servem para drones, minas, campos agrícolas, cosméticos ou carros são o próximo negócio da empresa japonesa Konica Minolta em Portugal. A fabricante de impressoras e fotocopiadoras tem um plano de crescimento nacional, no médio prazo, que prevê que a faturação chegue aos 50 milhões de euros até 2030, através da consolidação das áreas tradicionais e a aposta na sensorização, que trará da casa-mãe em Tóquio nos próximos dois anos.

A estratégia prevê que a subsidiária portuguesa receba tecnologia vendida na Ásia, através da holding, e forme e recrute trabalhadores com vista ao desenvolvimento deste plano a quatro anos, como avançou ao ECO o diretor-geral da Konica Minolta em Portugal, Pedro Monteiro. “A nossa porta de entrada para os clientes industriais é a sensorização, a inspeção visual. Esta área de negócio ainda não está representada em Portugal, mas fazemos parte da segunda vaga de implementação, depois de Áustria e República Checa”, revelou.

De Tóquio veio também um OK para a empresa investir em mais um escritório em Lisboa, mantendo o edifício do Prior Velho como armazém para a operação logística e mudando a equipa de malas e bagagens para um novo espaço no Parque das Nações. O objetivo é captar e reter talento de forma a aumentar os atuais 320 colaboradores espalhados pela capital, Porto, Coimbra e Algarve para mais de 350. “Temos cerca de 95 lugares sentados sem as zonas de coworking. Admito que, até 2030, possamos crescer cerca de 30 a 40 pessoas”, estima Pedro Monteiro.

"Apesar de termos 153 anos, somos uma marca projetada para o futuro. Não podemos ter um plano de expansão de negócio, querer atrair talento, ter melhor engagement com os clientes e depois as instalações não fazerem parte desse plano. Não é coerente.”

Pedro Monteiro

Diretor-geral da Konica Minolta em Portugal

A Konica Minolta Portugal encerrou o ano fiscal de 2025/2026, terminado em março deste ano, com receitas de 41 milhões de euros, o que representou um crescimento de 5% em termos homólogos, motivado pelas áreas de impressão profissional e industrial. O plano aumentaria os valores em 22%. Hoje, o negócio incumbente representa entre 65% a 70% do volume de negócios total, mas a previsão é que as novas áreas (de serviços de tecnologias da informação e de impressão industrial) disparem e “invertam o bolo”.

Simultaneamente, a Konica Minolta pretende manter os serviços de impressão em escritório, porque “podem não acreditar, mas o negócio tradicional está a crescer” à conta da procura de produção personalizada, tiragens mais curtas e diferenciação visual. É um movimento que se vê particularmente no setor da etiqueta e da embalagem, que está a ser estimulado pelo e-commerce (não fossem as encomendas da Amazon ou da Vinted precisarem sempre de etiqueta) e das novas tendências de consumo e de gestão de prateleira, nas quais o pacote e o rótulo do produto são cada vez mais decisivos na hora da decisão de compra.

Pedro Monteiro, diretor-geral adjunto da Konica Minolta na Península Ibérica

Ademais, as empresas contratam serviços de segurança de documentos e destruição certificada quando precisam de garantir que ficheiros secretos são mesmo destruídos quando um computador vai para abate. “O mercado português de impressão industrial está a sair daquilo que é a impressão analógica, aquilo que seria mais parecido com o que o Gutenberg inventou há centenas de anos (placas com tinta) e a migrar para sistemas digitais (máquinas que, com base em algo digital, fazem acontecer papel)”, diz Pedro Monteiro, que é também deputy managing director da Konica Minolta em Portugal e Espanha.

Sensores controlam qualidade das maçãs e dos Tesla

A sensorização na qual a Konica Minolta vai apostar em Portugal tem uma aplicação transversal. Entre os utilizadores deste sistema de monitorização e controlo de qualidade está a Airbus, que o usa para medir a intensidade e a cor das iluminações nas saídas de emergência e de indicação das filas dos aviões.

No ramo automóvel, cada Ford que sai de fábrica – assim como qualquer veículo Tesla ou da General Motors – passa por um túnel com 40 mil sensores da Konica Minolta que analisam a cor da tinta, os detalhes da pintura, os intervalos entre os painéis, o alinhamento entre os pneus e a carroçaria e se as jantes são as que os clientes pediram.

Na área do minério e da geologia, que Pedro Monteiro recorda que se tem desenvolvido devido à procura pelos metais e terras raras, esta tecnologia de inspeção visual ajuda a determinar se aquela mina ou rocha tem lítio ou ouro, por exemplo. “Aplica-se a projetos assim complexos, mas também na agricultura para saber a data certa da apanha da maçã, na indústria cosmética para perceber se aquele batom tem exatamente o tom que deveria, nos drones para visualização e marcação de terrenos…”, esclarece o gestor.

Entre 2029 e 2030, a antiga fabricante de máquinas fotográficas, que remonta a 1873 quando Rokusaburo Sugiura abriu a loja Konishiya Rokube (Konica Co) no Japão, lança-se assim noutro género de imagem, onde a lente também aponta para Portugal.

Lucro da Jerónimo Martins desce para 414 milhões até setembro. Vendas do Pingo Doce crescem

28 October 2026 at 17:47

A Jerónimo Martins reportou esta quarta-feira lucros de 414 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, o que representa uma queda de 14,5% em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar da descida no resultado líquido, a faturação cresceu, incluindo a que vem do negócio em Portugal.

As vendas da dona da cadeia de supermercados Pingo Doce e do cash & carry Recheio fixaram-se em 27,8 mil milhões de euros, mais 4,8% em termos homólogos, de acordo com o relatório financeiro divulgado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

JMT Jeronimo Martins SGPS SA 1,60%

O grupo liderado por Pedro Soares dos Santos viu também o lucro operacional (EBITDA) subir 7,6% para 1,9 mil milhões de euros com a respetiva margem a fixar-se nos 7%, acima dos 6,8% nos mesmos nove meses do ano passado.

No contexto destes números está uma desaceleração do ritmo de aumento dos preços. “O período foi particularmente marcado pela pressão sobre os preços alimentares na Polónia e pela acentuada procura das famílias por preços baixos e promoções“, disse o CEO da Jerónimo Martins, na mensagem publicada no relatório e contas.

Segundo a Jerónimo Martins, estes nove meses “decorreram num ambiente de elevada incerteza geopolítica, marcado, no retalho alimentar, por desinflação – que, na Polónia, passou a deflação -, pelo foco mais forte dos consumidores em preços baixos e promoções, pela grande intensidade concorrencial, e pelo aumento dos custos relacionados com os combustíveis”.

No caso do Pingo Doce, destacou-se pela positiva, porque as vendas aumentaram 4,1% para 4,1 mil milhões de euros, com um Like for Like (LfL, vendas comparáveis sem efeitos de encerramentos e aberturas de lojas) de 2,4%. Já o compatriota Recheio manteve as vendas estáveis em 391 milhões de euros, com um LFL de -1,6%.

O ‘carrinho’ mais pesado da retalhista portuguesa, a cadeia Biedronka da Polónia – que, entretanto, expandiu para a Eslováquia – registou vendas de 18,9 mil milhões de euros (+0,7%) e um LFL de -0,4%. No entanto, o negócio na Colômbia ainda sobressaiu mais, com o crescimento da Ara a dois dígitos. “Em moeda local, as vendas aumentaram 20,6%, impulsionadas por um LFL de 8,2%. Em euros, atingiram 3,2 mil milhões no período, correspondendo a um crescimento [homólogo de 37,9%”, lê-se no documento.

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"Entramos agora na fase final do ano determinados a concretizar uma forte época de Natal e Ano Novo. Embora o ambiente competitivo se mantenha muito exigente e não se espere o alívio da pressão dos custos com combustíveis sobre os negócios e sobre os rendimentos das famílias, as nossas equipas estão preparadas e focadas em garantir que temos as melhores ofertas aos melhores preços, enquanto continuam a trabalhar para proteger a eficiência dos modelos de negócio.
”

Pedro Soares dos Santos

Presidente da Jerónimo Martins

Na bolsa de Lisboa, as ações da Jerónimo Martins fecharam a sessão desta quarta-feira com uma desvalorização de 1,60% para 17,83 euros cada.

Notícia atualizada às 18h06 com mais informação

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