Recife lidera valorização de imóveis residenciais no País, com alta de 20,69% em 12 meses, mas ritmo desacelera
Recife manteve em setembro a posição de capital com a maior valorização dos imóveis residenciais do País. Segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), da Abecip, os preços na cidade acumularam alta de 20,69% em 12 meses e de 12,07% entre janeiro e setembro de 2026, o maior avanço do ano entre as dez capitais pesquisadas. No mês, porém, a capital pernambucana variou apenas 0,03% e desacelerou pelo segundo mês consecutivo, após uma sequência de altas.
No País, o IGMI-R subiu 0,36% em setembro, após variar 0,87% em agosto. A taxa acumulada em 12 meses passou de 14,73% para 12,58%. Nos últimos seis meses, o índice vem reduzindo o ritmo, o que pode sinalizar uma tendência de crescimento menos acentuado nos preços dos imóveis residenciais. Em março, o acumulado em 12 meses havia chegado a 19,76%.
Panorama das capitais
Quatro das dez capitais pesquisadas aceleraram a taxa mensal em setembro; as outras seis desaceleraram. As variações ficaram entre queda de 0,10%, em Curitiba, e alta de 1,10%, em Fortaleza. No acumulado em 12 meses, as taxas oscilaram entre 8,11%, em Fortaleza, e 20,69%, no Recife. Nove das dez capitais desaceleraram nessa comparação; a exceção foi Goiânia, a única a apresentar aceleração.
No Nordeste, além do Recife, Fortaleza variou 1,10% no mês e Salvador, 1,02%, ambas com aceleração em relação a agosto. No acumulado de 12 meses, Salvador registrou 16,22% e Fortaleza, 8,11%.
No Sudeste, as três capitais desaceleraram na comparação mensal. São Paulo passou de 0,81% para 0,30%; o Rio de Janeiro, de 1,09% para 0,09%; e Belo Horizonte, de 1,65% para 0,23%. Em 12 meses, as taxas ficaram em 11,40%, 8,58% e 9,17%, respectivamente.
No Sul, o índice recuou 0,10% em Curitiba, após queda de 0,23% em agosto, enquanto Porto Alegre subiu 0,23%. No acumulado de 12 meses, as capitais apresentam altas de 16,27% e 15,23%, respectivamente, variação bastante alinhada com o resultado nacional.
No Centro-Oeste, Goiânia teve alta de 0,79% e Brasília variou -0,03% no mês. Em 12 meses, Goiânia acumula 11,76%, mais alinhada ao índice nacional, enquanto Brasília se distancia um pouco mais, com 16,26%.
Acumulado do ano
Entre janeiro e setembro de 2026, o IGMI-R acumulou alta de 6,94%, ante 12,69% no mesmo período de 2025 e 10,10% em 2024. Embora ainda represente valorização, a redução de 5,75 pontos percentuais em relação a 2025 indica mudança importante no ritmo de crescimento dos preços.
O movimento parece representar, até aqui, uma normalização ou acomodação do mercado após dois anos de maior valorização, e não necessariamente uma reversão da tendência de alta. O fato de o índice registrar desaceleração pelo sexto mês consecutivo não caracteriza um mercado em queda, mas uma valorização mais moderada.
No acumulado do ano, os preços variaram de 3,72%, em Fortaleza, a 12,07%, no Recife. Também ficaram acima do resultado nacional Porto Alegre (10,64%), Goiânia (8,83%), Curitiba (8,71%) e Salvador (7,63%). As três capitais do Sudeste ficaram abaixo da taxa nacional: São Paulo (5,89%), Rio de Janeiro (5,55%) e Belo Horizonte (5,61%). Brasília acumulou 6,82%, próximo ao resultado nacional.
Custos de construção
Em 12 meses até setembro, o IGMI-R acumulou 12,58%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) acumulou 6,61%. A diferença entre as taxas caiu de 8,17 pontos percentuais em agosto para 5,97 pontos em setembro, já que o IGMI-R recuou de 14,73% para 12,58% e o INCC-M subiu de 6,56% para 6,61%.
A redução da diferença pode sinalizar menor capacidade de repasse dos custos de construção aos preços finais. Se a tendência persistir, com custos avançando e valorização em desaceleração, poderá haver pressão sobre as margens nos preços dos imóveis novos. A comparação mostra que os movimentos se relacionam ao longo do tempo, mas a correlação irregular na amostra não permite atribuir a variação dos preços apenas aos custos de construção.
Aluguéis
O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) acumulou 5,08% em 12 meses. A diferença em relação ao IGMI-R passou de 9,64 pontos percentuais em agosto para 7,50 pontos em setembro. Enquanto o IGMI-R desacelerou, o IVAR ficou praticamente estável, passando de 5,09% para 5,08%.
A valorização dos imóveis permanece superior ao crescimento dos aluguéis, o que indica que os preços de venda avançam em ritmo mais elevado do que a renda proveniente da locação. Essa dinâmica tende a pressionar a taxa de capitalização (Cap Rate), indicador que relaciona a receita do aluguel ao valor de mercado do imóvel, ou ainda a decisão entre comprar um imóvel ou alugar para moradia. A redução da diferença sinaliza, contudo, aproximação entre os ritmos de crescimento de preços e aluguéis.
Cabe observar que a comparação entre IGMI-R e IVAR permite avaliar tendências relativas, mas não constitui medida suficiente para concluir sobre o valor do Cap Rate nem representa, isoladamente, a rentabilidade de um investimento imobiliário.
Em setembro, o IPCA acumulou 4,58% em 12 meses. A diferença em relação ao IGMI-R passou de 10,51 pontos percentuais em agosto para 8,00 pontos em setembro, com o IGMI-R desacelerando de 14,73% para 12,58% e o IPCA acelerando de 4,22% para 4,58%.
Descontada a inflação por composição das taxas, o IGMI-R apresentou aumento real aproximado de 7,65% em 12 meses. Apesar da desaceleração, o mercado manteve ganho real, com preços avançando acima do nível geral de preços da economia.
Já o INCC-M, que acumulou 6,61% em 12 meses, ficou 1,53 ponto percentual acima do IVAR, que registrou 5,08%; em agosto, a diferença era de 1,47 ponto. Os dois indicadores medem dimensões distintas do mercado imobiliário, e a variação dos aluguéis também depende da renda das famílias, da demanda, da oferta de imóveis e das condições de cada mercado local.


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