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Recife lidera valorização de imóveis residenciais no País, com alta de 20,69% em 12 meses, mas ritmo desacelera

29 October 2026 at 11:29

Recife manteve em setembro a posição de capital com a maior valorização dos imóveis residenciais do País. Segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R),  da Abecip, os preços na cidade acumularam alta de 20,69% em 12 meses e de 12,07% entre janeiro e setembro de 2026, o maior avanço do ano entre as dez capitais pesquisadas. No mês, porém, a capital pernambucana variou apenas 0,03% e desacelerou pelo segundo mês consecutivo, após uma sequência de altas.

No País, o IGMI-R subiu 0,36% em setembro, após variar 0,87% em agosto. A taxa acumulada em 12 meses passou de 14,73% para 12,58%. Nos últimos seis meses, o índice vem reduzindo o ritmo, o que pode sinalizar uma tendência de crescimento menos acentuado nos preços dos imóveis residenciais. Em março, o acumulado em 12 meses havia chegado a 19,76%.

Panorama das capitais

Quatro das dez capitais pesquisadas aceleraram a taxa mensal em setembro; as outras seis desaceleraram. As variações ficaram entre queda de 0,10%, em Curitiba, e alta de 1,10%, em Fortaleza. No acumulado em 12 meses, as taxas oscilaram entre 8,11%, em Fortaleza, e 20,69%, no Recife. Nove das dez capitais desaceleraram nessa comparação; a exceção foi Goiânia, a única a apresentar aceleração.

No Nordeste, além do Recife, Fortaleza variou 1,10% no mês e Salvador, 1,02%, ambas com aceleração em relação a agosto. No acumulado de 12 meses, Salvador registrou 16,22% e Fortaleza, 8,11%.

No Sudeste, as três capitais desaceleraram na comparação mensal. São Paulo passou de 0,81% para 0,30%; o Rio de Janeiro, de 1,09% para 0,09%; e Belo Horizonte, de 1,65% para 0,23%. Em 12 meses, as taxas ficaram em 11,40%, 8,58% e 9,17%, respectivamente.

No Sul, o índice recuou 0,10% em Curitiba, após queda de 0,23% em agosto, enquanto Porto Alegre subiu 0,23%. No acumulado de 12 meses, as capitais apresentam altas de 16,27% e 15,23%, respectivamente, variação bastante alinhada com o resultado nacional.

No Centro-Oeste, Goiânia teve alta de 0,79% e Brasília variou -0,03% no mês. Em 12 meses, Goiânia acumula 11,76%, mais alinhada ao índice nacional, enquanto Brasília se distancia um pouco mais, com 16,26%.

Acumulado do ano

Entre janeiro e setembro de 2026, o IGMI-R acumulou alta de 6,94%, ante 12,69% no mesmo período de 2025 e 10,10% em 2024. Embora ainda represente valorização, a redução de 5,75 pontos percentuais em relação a 2025 indica mudança importante no ritmo de crescimento dos preços.

O movimento parece representar, até aqui, uma normalização ou acomodação do mercado após dois anos de maior valorização, e não necessariamente uma reversão da tendência de alta. O fato de o índice registrar desaceleração pelo sexto mês consecutivo não caracteriza um mercado em queda, mas uma valorização mais moderada.

No acumulado do ano, os preços variaram de 3,72%, em Fortaleza, a 12,07%, no Recife. Também ficaram acima do resultado nacional Porto Alegre (10,64%), Goiânia (8,83%), Curitiba (8,71%) e Salvador (7,63%). As três capitais do Sudeste ficaram abaixo da taxa nacional: São Paulo (5,89%), Rio de Janeiro (5,55%) e Belo Horizonte (5,61%). Brasília acumulou 6,82%, próximo ao resultado nacional.

Custos de construção

Em 12 meses até setembro, o IGMI-R acumulou 12,58%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) acumulou 6,61%. A diferença entre as taxas caiu de 8,17 pontos percentuais em agosto para 5,97 pontos em setembro, já que o IGMI-R recuou de 14,73% para 12,58% e o INCC-M subiu de 6,56% para 6,61%.

A redução da diferença pode sinalizar menor capacidade de repasse dos custos de construção aos preços finais. Se a tendência persistir, com custos avançando e valorização em desaceleração, poderá haver pressão sobre as margens nos preços dos imóveis novos. A comparação mostra que os movimentos se relacionam ao longo do tempo, mas a correlação irregular na amostra não permite atribuir a variação dos preços apenas aos custos de construção.

Aluguéis

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) acumulou 5,08% em 12 meses. A diferença em relação ao IGMI-R passou de 9,64 pontos percentuais em agosto para 7,50 pontos em setembro. Enquanto o IGMI-R desacelerou, o IVAR ficou praticamente estável, passando de 5,09% para 5,08%.

A valorização dos imóveis permanece superior ao crescimento dos aluguéis, o que indica que os preços de venda avançam em ritmo mais elevado do que a renda proveniente da locação. Essa dinâmica tende a pressionar a taxa de capitalização (Cap Rate), indicador que relaciona a receita do aluguel ao valor de mercado do imóvel, ou ainda a decisão entre comprar um imóvel ou alugar para moradia. A redução da diferença sinaliza, contudo, aproximação entre os ritmos de crescimento de preços e aluguéis.

Cabe observar que a comparação entre IGMI-R e IVAR permite avaliar tendências relativas, mas não constitui medida suficiente para concluir sobre o valor do Cap Rate nem representa, isoladamente, a rentabilidade de um investimento imobiliário.

Em setembro, o IPCA acumulou 4,58% em 12 meses. A diferença em relação ao IGMI-R passou de 10,51 pontos percentuais em agosto para 8,00 pontos em setembro, com o IGMI-R desacelerando de 14,73% para 12,58% e o IPCA acelerando de 4,22% para 4,58%.

Descontada a inflação por composição das taxas, o IGMI-R apresentou aumento real aproximado de 7,65% em 12 meses. Apesar da desaceleração, o mercado manteve ganho real, com preços avançando acima do nível geral de preços da economia.

Já o INCC-M, que acumulou 6,61% em 12 meses, ficou 1,53 ponto percentual acima do IVAR, que registrou 5,08%; em agosto, a diferença era de 1,47 ponto. Os dois indicadores medem dimensões distintas do mercado imobiliário, e a variação dos aluguéis também depende da renda das famílias, da demanda, da oferta de imóveis e das condições de cada mercado local.


 

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No mês, porém, a capital pernambucana variou apenas 0,03% e desacelerou pelo segundo mês consecutivo

O “imposto emocional” das organizações: o custo económico da má liderança

29 October 2026 at 00:07

As organizações conhecem o custo de perder um colaborador, considerando toda a cadeia de valor: recrutamento, selecção, integração, formação e tempo necessário até atingir o desempenho esperado. Existe, porém, um custo menos visível, raramente inscrito nas contas de gestão: o das pessoas que permanecem na organização, mas trabalham abaixo do seu potencial, devido a ambientes tóxicos, chefias disfuncionais, falta de reconhecimento ou ausência de autonomia.

A este custo poderemos chamar imposto emocional: uma carga invisível que incide sobre a produtividade, a motivação, a criatividade e o compromisso dos colaboradores. Não aparece numa factura, não consta de uma rubrica contabilística e, ainda assim, pode comprometer os resultados e a sustentabilidade de uma Organização.

O relatório Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações, publicado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), em 2026, apresenta números que merecem a atenção de líderes e gestores. Em Portugal, o custo indirecto da perda de produtividade associada ao stress e aos problemas de Saúde Psicológica no trabalho poderá atingir 13,3 mil milhões de euros por ano, correspondendo a cerca de 2,1% do volume de negócios das empresas abrangidas pela estimativa. Deste montante, 8,9 mil milhões de euros são atribuídos ao presentismo e 4,4 mil milhões ao absentismo.

O presentismo merece particular atenção. Significa produzir abaixo das próprias capacidades devido a problemas de saúde física ou psicológica. Envolve pessoas que cumprem horários, participam nas reuniões e respondem às solicitações, mas com perdas significativas na concentração, na iniciativa e na energia que, por norma, colocavam ao serviço da Organização.

Por detrás desta realidade podem encontrar-se múltiplos factores, nem sempre imputáveis à liderança: sobrecarga de trabalho, insegurança laboral, exigências emocionais excessivas ou dificuldades de conciliação entre a vida profissional e pessoal. Contudo, as práticas de gestão podem agravar estes riscos ou, pelo contrário, contribuir para os prevenir.

Quando liderar se transforma num factor de risco

Uma chefia que gere através do medo, comunica de forma ambígua, desvaloriza o esforço ou atribui responsabilidades sem conceder autonomia, pode criar um contexto em que as pessoas passam a investir mais energia em proteger-se do que em trabalhar. A prudência substitui a iniciativa; o silêncio ocupa o lugar da participação; o erro deixa de ser uma oportunidade de aprendizagem e transforma-se numa ameaça.

O custo desta dinâmica não se limita ao mal-estar individual. Traduz-se em decisões mais lentas, menor cooperação, perda de conhecimento, conflitos e redução da qualidade do trabalho. Mesmo quando ninguém apresenta a demissão, a Organização pode estar a perder, todos os dias, uma parte significativa da capacidade que remunera.

Os dados apresentados pela OPP reforçam a importância desta reflexão. Segundo o relatório, 49% dos trabalhadores portugueses experienciam stress ocupacional associado à pressão e à carga laboral elevada, face a 44% na média europeia. Entre as fontes de stress identificadas para Portugal encontram-se ainda a ausência de recompensas adequadas ao esforço, incluindo o reconhecimento e a progressão na carreira (34%), e a fraca comunicação e cooperação dentro das Organizações (29%).

Estes indicadores não demonstram que toda a perda de produtividade resulte de má liderança. Mostram, porém, que as condições de trabalho, as relações profissionais e as práticas de gestão são dimensões que não podem ser ignoradas quando se procura compreender o desempenho organizacional.

Prevenir o imposto emocional

A prevenção começa pelo reconhecimento de que a Saúde Psicológica e o bem-estar não são benefícios acessórios, destinados a melhorar a imagem da empresa. São condições essenciais para um trabalho sustentável e produtivo.

A OPP estima que a prevenção dos riscos psicossociais e a promoção da Saúde Psicológica possam reduzir as perdas de produtividade em, pelo menos, 30%, permitindo uma poupança próxima dos quatro mil milhões de euros por ano. O relatório refere ainda que as intervenções de promoção da Saúde Psicológica podem gerar retornos económicos significativos, estimando-se, em determinadas intervenções, um retorno superior a nove euros por cada euro investido.

Importa, por isso, passar das declarações de intenção às práticas concretas. Alguns passos são essenciais:

  • Sensibilizar e formar as lideranças para a gestão de pessoas, a comunicação empática, a prevenção de conflitos e a identificação precoce de riscos psicossociais.
  • Avaliar regularmente o ambiente de trabalho, recorrendo a instrumentos adequados e a profissionais de Psicologia, identificando factores de risco e definindo planos de intervenção.
  • Promover uma cultura de reconhecimento justo, feedback construtivo, autonomia ajustada à proficiência e participação nas decisões que afectam o trabalho.
  • Assegurar que as exigências profissionais são compatíveis com os recursos disponíveis, respeitando os períodos de descanso e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
  • Integrar indicadores de Saúde Psicológica, bem-estar e qualidade da liderança na avaliação do desempenho dos responsáveis, responsabilizando-os pelos ambientes de trabalho que ajudam a construir.
  • Criar mecanismos seguros de comunicação e denúncia de assédio, discriminação e comportamentos abusivos, garantindo que as situações identificadas são tratadas com celeridade.

Estas medidas não eliminam todos os problemas, nem substituem a intervenção individual quando necessária. Exigem continuidade, compromisso da gestão de topo e uma avaliação periódica dos resultados que permita corrigir práticas ineficazes.

A liderança também se mede pelo que não se perde

O verdadeiro custo da má liderança não se resume às pessoas que saem. Inclui aquelas que ficam, mas deixam de contribuir com a mesma confiança, criatividade e disponibilidade. Inclui ideias que nunca chegam a ser apresentadas, problemas que ninguém se atreve a sinalizar e competências que permanecem adormecidas num contexto que não as valoriza.

As Organizações que pretendem ser competitivas e sustentáveis terão de aprender a medir também estas perdas. A rotatividade, o absentismo e os resultados financeiros são indicadores importantes, mas insuficientes quando não se conhece a qualidade da experiência de trabalho das pessoas.

O imposto emocional não é uma categoria contabilística formal, nem uma estimativa autónoma apresentada pela OPP. É uma forma de designar um custo organizacional que os dados sobre o presentismo, o stress e os riscos psicossociais ajudam a compreender.

Liderar não é apenas garantir que o trabalho é executado! É criar condições para que as pessoas possam realizá-lo com competência, segurança psicológica e sentido de propósito. Porque uma Organização pode manter controlada a rotação de pessoas e, ainda assim, desperdiçar uma parte substancial do seu talento. E esse será, talvez, um dos custos mais elevados da má liderança: pagar pelo potencial das pessoas sem conseguir aproveitá-lo com consistência.

Referência bibliográfica: Ordem dos Psicólogos Portugueses (2026). Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações — Relatório do Custo do Stress e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, em Portugal. Lisboa.

Observatório do Poder Local apoia decisões dos municípios

22 October 2026 at 13:49

VTM

Paulo Braga, secretário-geral da ANMP, explicou que esta plataforma foi criada para concentrar, num único instrumento, dados que se encontravam dispersos por diferentes entidades. O observatório abrange áreas como a educação, a ação social, a saúde, a governação e a proteção civil, permitindo consultar indicadores relativos a cada município, à NUT III em que se insere e ao conjunto do país.

“Aquilo que pretendemos é agregar num único instrumento dados que andam dispersos por inúmeras entidades”, afirmou à VTM, sublinhando que a ferramenta permite aos utilizadores ter uma visão mais abrangente da realidade dos seus territórios e compará-la com outros níveis de análise.

Realidade

O projeto surgiu inicialmente da necessidade de acompanhar a descentralização de competências para as autarquias, tendo sido posteriormente alargado a outros domínios e áreas temáticas. O objetivo passa por disponibilizar aos municípios o máximo de informação possível sobre a sua realidade, facilitando a identificação de necessidades e a preparação de respostas adequadas.

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