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Juros futuros sobem com pressão do cenário político e dos Treasuries

28 October 2026 at 19:56

Após um início de sessão relativamente calmo, as taxas dos DIs de longo prazo ​ganharam força no fim da manhã desta quarta-feira (28) e se ​firmaram em alta, na esteira da aceleração dos rendimentos dos Treasuries no exterior e do noticiário político brasileiro.

Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus desdobramentos, incluindo a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA, mantiveram o mercado sensível e sujeito à volatilidade.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,385%, praticamente estável ante o ajuste ⁠de 14,381% da véspera. Já a taxa ​do DI para janeiro de 2035 estava em 15,12%, com alta de 21 pontos-base ante ​14,907%.

Na segunda-feira as taxas dispararam mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos, com os agentes reagindo negativamente à ⁠vitória de Lula sobre Flávio, o favorito da ⁠Faria Lima, na disputa eleitoral. Por trás do movimento está o receio de que, ​com ‌Lula no Planalto, haja mais dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.

Na terça-feira houve certo ajuste de baixa, com ⁠as taxas cedendo aproximadamente entre 30 e 40 pontos-base ao longo da curva.

Nesta quarta-feira as taxas alternaram altas e baixas mais cedo, mas no fim da manhã ganharam um impulso do avanço dos Treasuries antes da decisão sobre ‌juros ⁠do Fed (Federal Reserve).

Operador ouvido ‌pela Reuters afirmou que o mercado também pressionava para que o Tesouro Nacional promovesse nova operação de recompra de títulos, assim como ocorreu na segunda e na terça-feira, para segurar as taxas. No entanto, o Tesouro ficou fora ⁠dos negócios.

Ao mesmo tempo, as atenções seguiram voltadas para a ⁠fuga de Flávio para os EUA. O avião que transportava o senador e sua família chegou pela manhã em Miami.

Investigado em inquéritos ‌no STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio descumpriu a ordem para entregar seus passaportes e saiu do país dois dias depois de perder a eleição para Lula.

Profissionais ouvidos pela Reuters ao longo do dia citaram a preocupação de que a fuga de Flávio possa aprofundar os atritos entre Brasil e EUA, impactando a economia brasileira – ‌incluindo o câmbio e as taxas de juros.

À tarde, o Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00%, como era largamente esperado, com o Fomc (Comitê Federal de ⁠Mercado Aberto) dizendo que aguardará a coleta de mais informações para decidir o rumo da política monetária dos EUA.

Os rendimentos dos Treasuries demonstraram volatilidade após a decisão do Fed e durante a entrevista coletiva do chair da ​instituição, Kevin Warsh, enquanto no Brasil as taxas dos DIs se mantiveram em alta.

Após a máxima de 15,310% (+40 pontos-base) ​às 11h41, em meio ao noticiário sobre a fuga de Flávio, a taxa do DI para janeiro de 2035 fechou a sessão regular em 15,12%, já após a decisão do Fed.

No exterior, às 16h35 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – ‌subia 5 pontos-base, a 5,04%.

Entenda por que os juros caem nos EUA e sobem no Brasil

 

Mercado não deverá conceder benefício da dúvida para Lula, avalia analista

28 October 2026 at 12:37

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou incertezas no mercado financeiro sobre como o novo governo lidará com os desafios fiscais e as negociações com um Congresso Nacional considerado mais à direita.

Carlos Pessoa, CEO da Vêneto Family Office, avaliou que a questão fiscal continuará sendo um tema central.

 

“Com certeza, a questão fiscal vai continuar vindo à tona. Basta ver o último mandato, de 2023 até o final desse ano, a questão fiscal acabou sendo motivo de discussão entre os agentes de mercado”, afirmou.

Segundo ele, a trajetória da dívida pública “se descontrolou em algum momento”, e o mercado aguarda atentamente os nomes que comporão o novo governo.

Carlos Pessoa destacou que, diferentemente do início do governo anterior, o mercado não deverá conceder o benefício da dúvida desta vez.

“O mercado financeiro vai querer uma agenda fiscal crível para vermos o dólar com patamares menores, bolsa para cima e o juro futuro se acomodando um pouco mais”, disse.

Ele pontuou que o pregão de segunda-feira (26) trouxe tanto movimentos especulativos quanto posições de longo prazo, especialmente por parte de investidores estrangeiros que reduziram sua exposição ao Brasil.

Juros futuros com pouco espaço para recuar

Na avaliação de Carlos Pessoa, o cenário base é de continuidade do governo atual, o que implica uma agenda fiscal mais gradativa do que o mercado idealizava.

“Provavelmente a renda fixa, dado que os juros futuros não vão ter tanto espaço para se acomodar, ainda mais que o juro americano pode ser um empecilho em relação a isso”, afirmou.

Ele acrescentou que o ambiente de CDI elevado e Selic alta tende a persistir, tornando a renda fixa e a dolarização alternativas relevantes para os investidores.

Para quem estiver disposto a assumir riscos, Carlos Pessoa mencionou a possibilidade de aproveitar ativos de qualidade que sofreram desvalorização, mas alertou para a necessidade de aceitar a volatilidade.

“Um pouco mais de juros, dólar, essa leitura inicial e para quem tiver apetite a risco, aproveitar essas oportunidades”, resumiu. Ele também alertou que os juros elevados tendem a ser especialmente prejudiciais para empresas de menor capitalização listadas no Ibovespa.

Dúvidas sobre a equipe econômica

Carlos Pessoa comentou ainda sobre os nomes cotados para compor a equipe econômica do novo governo, como Rafael Fonteles, Gabriel Galípolo e Geraldo Alckmin. Na sua avaliação, uma nomeação nesses moldes representaria continuidade em relação ao governo anterior.

“Se essa nomeação vier nessa linha, eu acho que é continuidade do Lula 3. Isso é uma sinalização que a gente não vai ter um perfil parecido com o que foi feito com a Dilma, com o Joaquim Levy”, disse.

Ele concluiu que tudo pode mudar a depender das nomeações e das sinalizações do novo governo, mas que o cenário-base da Veneto Family Office não contempla grandes ajustes fiscais.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Juros recuam em linha com dólar após nova intervenção do Tesouro em leilões

27 October 2026 at 14:16

Após dispararem mais de 200 pontos-base ontem em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os juros futuros recuam nesta terça-feira (27), em meio ainda à intervenção do Tesouro para ajudar a reduzir a disfuncionalidade do mercado.

O Tesouro informou há pouco o cancelamento do leilão tradicional de LFT e leilão de recompra de NTN-B.

Além disso, o dólar, petróleo e rendimentos dos Treasuries recuam.

Às 9h10, a taxa de DI (depósito interfinanceiro) para janeiro de 2027 recuava para 13,685%, de 13,696% no ajuste anterior.

O DI para janeiro de 2029 caía para 15,150%, de 15,223%, e o para janeiro de 2031 recuava para 15,195%, de 15,279% no ajuste de ontem.

Dólar abre em queda após disparar 8% na sessão anterior

27 October 2026 at 12:13

O dólar abriu em baixa ante o real nesta terça-feira (27), depois de ter disparado mais de 8% na sessão anterior e ter a maior alta diária em 23 anos.  Às 09h (de Brasília), a moeda americana tinha queda de 0,20%, cotada a R$ 5,3960.

O avanço do dia anterior foi sustentado pela reação negativa do mercado à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que agora segue para o seu quarto mandato e se tornou o presidente mais votado da história.

Na segunda (26), o dólar disparou 8,36% frente ao real, fechando a R$ 5,4066. A moeda americana chegou a superar R$ 5,60 durante a manhã, mas desacelerou a alta ao longo do pregão. O avanço foi o maior desde 5 de março de 2003, quando o dólar subiu 10,4%.

O valor de fechamento ainda foi o mais alto desde 2 de janeiro deste ano.

Em atualização

*Com informações da Reuters

Juros futuros fecham em alta após reeleição de Lula

26 October 2026 at 20:15

As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira (26) pós-eleição com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da ​Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.

A disparada dos ​prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.

O início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs após as taxas de vários vencimentos atingirem limites de alta. ⁠A B3 anunciou a expansão desses limites ainda pela manhã, mantendo ​pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio.

Às 11h02, após uma paralisação, a taxa do DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima ​intradia de 15,940%, em alta de 330 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira.

O movimento foi consequência direta da vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno ⁠da disputa presidencial, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos. Como o mercado ⁠estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste na curva foi inevitável.

Isso porque com Flávio no Planalto o ​mercado ‌enxergava chances maiores de controle das contas públicas – ainda que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado durante a campanha propostas concretas para reduzir gastos.

Como Lula ⁠venceu, o mercado voltou a incorporar prêmios à curva, em especial entre os contratos de longo prazo, mais suscetíveis à política fiscal. O movimento ocorreu em paralelo à forte queda do Ibovespa e à disparada do dólar ante o real.

A disparada desta segunda-feira colocou as taxas inclusive acima dos patamares vistos antes do primeiro turno da eleição presidencial, o ‌que sugere ⁠que o mercado não apenas ‌reincorporou à curva os prêmios perdidos anteriormente quanto acrescentou mais prêmios.

A taxa do DI para janeiro de 2031, por exemplo, que encerrou a sessão regular desta segunda-feira em 15,185%, estava em 13,99% no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno.

Assim como a B3, o Tesouro atuou ao longo do dia para tentar acalmar o mercado. O órgão ⁠anunciou pela manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e ⁠o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira.

Por outro lado, manteve o leilão regular de LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.

Em outra frente, o Tesouro ‌recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões de títulos prefixados em posse do mercado no fim da manhã e mais R$7,7 bilhões em títulos indexados à inflação durante a tarde. Ao promover a recompra de títulos, o Tesouro atuou para suavizar a disparada das taxas.

O triunfo de Lula também alterou de forma substancial a parte curta da curva de DIs, que passou a precificar a possibilidade de o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central não cortar a Selic, hoje em 13,75%, na ‌próxima semana.

No auge da pressão, durante a manhã, a curva chegou a precificar aumento de 25 pontos-base da Selic na próxima semana, sendo que na sexta-feira havia quase 100% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base.

No fim da tarde, a curva já precificava manutenção da Selic na próxima semana, com elevação de ⁠25 pontos-base em dezembro e 50 pontos-base em janeiro.

“O mercado está muito disfuncional”, resumiu Lais Costa, analista da Empiricus Research, que na noite de domingo já havia alertado para a tendência de fortes altas para as taxas nesta segunda-feira.

Segundo ela, a nova precificação da Selic ocorre por conta do dólar, que chegou a oscilar acima dos R$ 5,50 durante o ​dia, e da deterioração das expectativas.

O boletim Focus divulgado mais cedo trouxe projeções calculadas apenas até a última sexta-feira – portanto antes do segundo turno. Nele, as expectativas de inflação ​dos economistas do mercado estão em 5,19% em 2026, 4,34% em 2027 e 3,75% em 2028. No caso do dólar, a projeção é de R$ 5,05 no fim deste ano.

Assim como a curva passou por ajustes, essas projeções tendem a ser revistas nesta semana pelos economistas, já sob a perspectiva de continuidade do governo Lula.

Sem efeito nas negociações desta segunda-feira, às 16h55 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões ‌de investimento – caía 1 ponto-base, a 4,98%.

 

 

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