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Análise: Democratas acusam Trump de “política seletiva” após receber Flávio
A chegada de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos gerou forte repercussão no cenário político americano, tornando-se um instrumento de crítica dos democratas contra o presidente Donald Trump.
Congressistas apontaram uma contradição na postura da administração Trump: ao mesmo tempo em que nega asilo a refugiados de países em conflito, estenderia um “tapete vermelho” ao ex-candidato à presidência do Brasil.
Segundo a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, no CNN 360°, que acompanhou o desdobramento do caso de Nova York, mais de duas dezenas de páginas oficiais de autoridades no Congresso e no Senado dos Estados Unidos publicaram comentários sobre a decisão da administração Trump de acolher Flávio Bolsonaro.
A analista destacou que existe uma clara coordenação de comunicação entre os democratas, que utilizam o episódio para atacar o que chamam de política imigratória seletiva.
“Eles usam esse episódio para atacar a política imigratória de Trump e dizer que ela é uma política imigratória seletiva”, afirmou Fernanda Magnotta. Os democratas citaram exemplos como Sudão e Haiti, cujos cidadãos teriam solicitado apoio humanitário e refúgio nos Estados Unidos sem terem seus pedidos reconhecidos, mesmo em casos de comprovada violência e perseguição.
Timing favorável à narrativa democrata
O episódio ocorre em um momento particularmente delicado para Trump, a apenas uma semana das eleições de meio de mandato. Magnotta observou que, embora o dia pudesse ter sido menos problemático para o governo americano — dado que dados sobre o crescimento do PIB americano no trimestre vieram acima das projeções —, a boa notícia econômica acabou sendo ofuscada pela crise gerada pela acolhida ao brasileiro.
A analista ressaltou que a questão da imigração aparece nas pesquisas como o segundo elemento de maior sensibilidade para o eleitorado americano, e que o caso Flávio Bolsonaro abriu um novo capítulo nesse debate.
“O Brasil veio parar no coração da disputa eleitoral aqui, ainda que por razões instrumentais no momento-chave”, destacou Magnotta.
Reação republicana
Do lado republicano, a resposta foi de distanciamento do tema. Segundo Magnotta, as principais lideranças do partido tentaram desviar do assunto, sugerindo que ele ficasse em segundo plano.
Enquanto isso, os democratas não pararam de explorar a narrativa, questionando como um governo tão restritivo com imigrantes poderia oferecer acolhimento a um aliado que perdeu uma eleição e contesta seus resultados.
“Muita gente dizendo que o timing favoreceu a narrativa de acusação dos democratas”, concluiu a analista.
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