Dorme uma hora depois de almoço e acorda ainda mais cansado? Explicação pode estar na duração da sesta
Dormir depois do almoço é um hábito de muitos portugueses, sobretudo de quem tem oportunidade de descansar durante a tarde. No entanto, há pessoas que acordam de uma sesta de uma hora com mais sono, dificuldade em concentrar-se e uma sensação de cansaço que parece contrariar o objetivo daquele período de descanso.
A explicação pode estar na duração da sesta e na fase do sono em que acontece o despertar. Segundo o portal dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), dormir durante aproximadamente uma hora pode levar o organismo a atingir fases mais profundas do sono, aumentando a probabilidade de sentir sonolência e desorientação ao acordar.
Porque é que uma sesta de uma hora pode provocar cansaço?
À medida que uma pessoa adormece, o organismo passa por diferentes fases do sono, que vão desde períodos mais leves até ao sono profundo. Segundo a mesma fonte, este último pode ser atingido ao fim de aproximadamente uma hora, embora o tempo necessário varie de pessoa para pessoa e dependa de fatores como o cansaço acumulado.
Quando o despertar acontece durante uma fase de sono profundo, pode surgir um fenómeno conhecido como inércia do sono. Esta condição temporária caracteriza-se por uma diminuição do estado de alerta, maior lentidão de raciocínio e dificuldade em realizar determinadas tarefas. Por isso, uma pessoa pode sentir-se menos desperta imediatamente depois de dormir, apesar de ter descansado durante vários minutos.
Qual é a duração mais aconselhada para uma sesta?
Para quem mantém uma rotina de trabalho durante o dia, os CDC recomendam sestas curtas, preferencialmente com menos de 20 minutos de sono. Uma pausa desta duração permite recuperar parte do estado de alerta e reduz a probabilidade de acordar durante uma fase mais profunda, evitando a sensação de sonolência prolongada.
A entidade norte-americana aconselha a utilização de um despertador programado para 15 a 30 minutos, tendo em conta o tempo necessário para adormecer. Uma sesta breve pode melhorar a atenção durante algumas horas e tende a interferir menos com o descanso noturno, uma vez que não reduz de forma tão significativa a pressão de sono acumulada ao longo do dia.
Dormir 90 minutos pode ser melhor do que uma hora?
Embora as sestas curtas sejam geralmente recomendadas para quem pretende regressar rapidamente às atividades, períodos de descanso mais longos também podem trazer benefícios. Os CDC explicam que uma sesta de aproximadamente 90 minutos pode permitir completar um ciclo de sono, aumentando a possibilidade de despertar numa fase mais leve.
Contudo, esta duração não representa uma garantia de que a pessoa acordará sem sonolência, uma vez que os ciclos de sono não têm exatamente a mesma duração em todos os indivíduos. A entidade refere que tanto uma sesta de cerca de 20 minutos como outra de aproximadamente 90 minutos podem reduzir o desconforto associado à inércia do sono, dependendo das circunstâncias.
Quem dormiu pouco durante a noite deve ter atenção
A quantidade de sono acumulada nas noites anteriores também influencia a forma como o organismo reage a uma sesta. Segundo a mesma fonte, quando existe uma privação significativa de sono, o cérebro pode atingir fases profundas mais rapidamente, mesmo durante um período de descanso relativamente curto.
Nestas circunstâncias, a sensação de desorientação ao despertar pode ser mais intensa ou prolongada. Os CDC alertam ainda que a inércia do sono pode afetar temporariamente os tempos de reação, a memória e a capacidade de tomar decisões, pelo que é importante recuperar o estado de alerta antes de conduzir ou realizar atividades que exijam concentração.
Afinal, a sesta depois do almoço faz bem?
Os períodos curtos de descanso durante o dia podem contribuir para melhorar a atenção e reduzir a fadiga. Os CDC referem que estudos realizados com trabalhadores que mantinham horários diurnos identificaram melhorias no estado de alerta durante a tarde, especialmente quando os participantes faziam uma pequena sesta depois do almoço.
No entanto, a entidade sublinha que estes períodos de descanso não substituem uma noite de sono adequada. Assim, quem costuma dormir durante uma hora e acordar com mais cansaço pode experimentar reduzir a duração da sesta, tendo em conta que a resposta do organismo depende também da qualidade do sono noturno e do nível de fadiga acumulada.
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