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“Vitória de Lula da Silva foi uma surpresa pessoal”. Veja “A Arte da Guerra”

29 October 2026 at 11:00

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Uma semana cheia de surpresas.

A primeira resultou da vitória de Lula da Silva na segunda volta das presidenciais brasileiras – o que levam o presidente para um quarto mandato, que terá dificuldades, mas que não são, por alguém com a sua enorme experiência acumulada, inultrapassáveis. Longe disso.

A segunda surge do facto de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ter sobrevivido a mais um ato eleitoral – mas, neste caso, Francisco Seixas da Costa estava à espera exatamente disso.

A terceira emana de um telefonema dos chefes de Estado e de governo da Noruega e da Finlândia para o presidente russo, Vladimir Putin. É um risco político a adiante se verá qual é o resultado prático.

Tudo para ver no programa desta semana de A Arte da Guerra, com o embaixador Francisco Seixas da Costa e condução do jornalista António Freitas de Sousa.

UE retira referência ao Canadá como “membro associado”

29 October 2026 at 09:33

A União Europeia retirou qualquer referência ao estatuto de “membro associado” da versão mais recente do projeto de declaração conjunta que deverá ser adotado no final da cimeira UE‑Canadá, em Montreal, estas quinta‑feira e sexta‑feira (29 de outubro e 30 de outubro). A alteração, introduzida por insistência da Alemanha num texto revisto distribuído aos Estados‑membros, substitui a designação por um compromisso de “associação cada vez mais estreita” entre os dois blocos.

A equipa do presidente do Conselho Europeu, António Costa, passou as últimas horas em conversações intensas com vários Estados‑membros, sobretudo a Alemanha, que contestou o termo na declaração política, refere a agência Euronews. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, lançou a ideia original no seu discurso sobre o Estado da União perante o Parlamento Europeu, no mês passado, ao convidar o Canadá a tornar‑se o primeiro membro associado da União.

Uma versão anterior foi submetida aos Estados‑membros na terça‑feira, 28 de outubro, ao abrigo do procedimento de silêncio, segundo o qual um texto é considerado adotado, salvo se algum país apresentar objeções explícitas. Alemanha, França, Itália e Grécia levantaram reservas.

A Alemanha tem sido o opositor mais veemente do termo. O chanceler Friedrich Merz tinha proposto anteriormente um estatuto semelhante para a Ucrânia, como forma de dar a Kiev garantias de segurança antes de o país aderir plenamente ao bloco. Para Berlim, a prioridade é definir o que significa, na prática, uma cooperação mais estreita com Otava, em vez de encaixar o assunto num conceito que não existe nos tratados e pode ter implicações jurídicas significativas.

O primeiro‑ministro canadiano, Mark Carney, tem preferido a expressão “aliança para o futuro”, afirmando que quer concentrar‑se no conteúdo do acordo e que a terminologia é algo que cabe à União definir. A versão mais recente do texto foi novamente apresentada ao procedimento de silêncio, o que significa que será adotada, salvo se os Estados-membros colocarem novas objeções.

A 21.ª Cimeira UE-Canadá realiza-se em Montreal a 29 e 30 de outubro, servindo de palco para o aprofundamento das relações políticas, económicas e de segurança entre os dois blocos. O encontro é liderado pelo primeiro-ministro canadiano Mark Carney, pelo presidente do Conselho Europeu António Costa e pela presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.

Apesar do ajuste na terminologia, a cimeira foca-se nos avanços práticos entre os dois lados do Atlântico. O lançamento formal deste novo quadro político visa blindar a segurança económica mútua e impulsionar a inovação tecnológica conjunta. O encontro entre os dois lados reforçará também a parceria de Segurança e Defesa, assinada pelos respetivos responsáveis diplomáticos e de defesa, e que assume o foco na estabilidade geopolítica global e no combate a ameaças híbridas. O encontro servirá também para debater o comércio bilateral – tirando partido do acordo CETA, já existente – e o estabelecimento de normas comuns para o desenvolvimento da Inteligência Artificial.

O CETA (Comprehensive Economic and Trade Agreement), ou Acordo Económico e Comercial Global, é um tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Canadá, concebido para dinamizar a atividade económica bilateral através da eliminação de barreiras alfandegárias. Eliminou mais de 98% das taxas e tarifas alfandegárias que incidiam sobre as mercadorias trocadas entre as duas regiões.

Israel: partidos árabes têm nas mãos o futuro de Israel

29 October 2026 at 07:00

Os analistas já tinham avisado: as iniciativas profundamente racistas levadas a cabo nos últimos anos pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, seriam o melhor combustível para acender a vontade dos árabes israelitas de comparecerem em força nas eleições da passada terça-feira, 27 de outubro. Aparentemente, foi exatamente isso que aconteceu: os partidos árabes (Ra’am e Lista Conjunta) asseguraram para já 19 lugares no Knesset, o parlamento israelita, e tornaram-se incontornáveis para a formação do próximo governo, seja ele de que cor for.

Ao final do dia de ontem, 28 de outubro, e com 85% dos votos apurados, o bloco de Netanyahu assegurava 53 lugares, o da oposição liderada por Gadi Eisenkot 48 e os partidos árabes somavam 19 (um recorde histórico e quase o dobro dos dez lugares que tinham até agora). Os partidos de extrema-direita Otzma Yehudit e os ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torah tinham sete lugares cada, assim como o Yisrael Beytenu, de Avigdor Liberman. O Sionismo Religioso, liderado pelo ministro das Finanças Bezalel Smotrich, conquistou seis lugares.

A divisão de lugares deixou o bloco liderado por Netanyahu, composto por Likud, Shas, Judaísmo Unido da Torah, Otzma Yehudit e Sionismo Religioso, com 53 lugares, oito a menos que a maioria de 61 e menos ainda que os 68 deputados do grupo no atual Knesset, o que representa uma queda significativa. O bloco de Eisenkot, composto por Yashar, B’Yachad, Democratas e Yisrael Beytenu, tinha um total de 48 lugares, menos 13 que o necessário para a maioria.

Segundo a imprensa israelita, era improvável que houvesse novas atualizações antes desta quinta-feira, visto que a Comissão Eleitoral Central está agora a concentrar os seus numa contagem que exige supervisão adicional. Os resultados finais e oficiais só deverão ser publicados a 4 de novembro.

O cenário que está em cima da mesa é muito diferente daquele que era apresentado pela maioria das sondagens realizadas nas semanas que antecederam as eleições: quase todas mostravam o bloco de Eisenkot à frente do de Netanyahu por margens variáveis, embora, nenhum dos partidos apresentasse um caminho claro para a formação de uma coligação. Falhou igualmente a sondagem à boca das urnas, que mostrava o bloco de Eisenkot à frente do de Netanyahu por dois ou três lugares.

Feitas as contas, os 19 lugares dos partidos árabes seriam mais do que suficientes para consolidar uma maioria confortável para o bloco anti-Netanyahu, caso todos os membros do bloco, com exceção dos Democratas, não tivessem descartado a possibilidade de cooperarem com o Ra’am ou com a Lista Conjunta. Do mesmo modo, os árabes poderiam fazer maioria com Netanyahu. O sentido dos dois partidos e inclusivamente a sua abstenção passam a ter um peso político que nunca antes aconteceu.

 

Netanyahu alega fraude

Perante estes resultados, o Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apressou-se a afirmar que as eleições foram “roubadas” por partidos árabes, exigindo uma investigação da polícia e do Shin Bet (a ‘secreta’ interna). “As eleições em Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judeu por meio de crimes graves como suborno, ameaças, violência, falsificação e uso de software ilegal para mobilizar eleitores”, insistiu o partido Likud em comunicado, horas depois de a Comissão Eleitoral Central (CEC) ter rejeitado as alegações de fraude.

Sendo difícil perceber-se como é que dois pequenos partidos, que concorrem regularmente às eleições, tiveram artes de enganar a poderosa máquina estatal israelita, o Likud planeava contestar os resultados das localidades árabes e alegar que a eleição foi fraudulenta. Em comunicado, o partido afirmou ter fornecido à polícia, ao Shin Bet e à Comissão Eleitoral Central (CEC) “centenas de depoimentos” e outras provas, incluindo “milhares de envelopes com dinheiro e comprovantes de votação, ameaças e violência contra membros da comissão eleitoral, vários eleitores atrás da cabine de votação, voto duplo, discrepâncias entre o número de envelopes e o número de eleitores, uso de software ilegal de mobilização de eleitores e muito mais”.

O Likud exige uma “investigação minuciosa” e uma resposta imediata da Comissão Eleitoral Central sobre a investigação, que confirmou estar a analisar as alegações. “O Comité Central de Eleições iniciou uma operação de monitorização da integridade eleitoral, como faz em todas as eleições, e, como parte dela, todas as denúncias dos partidos referentes à integridade das eleições ou a supostos erros nos resultados serão examinadas”, afirmou a CEC).

 

A alternativa ao centro

A única forma de os partidos hebraicos escaparem ao ascendente árabe é Netanyahu e Gadi Eisenkot acordarem fazer uma grande coligação ao centro. Ainda assim, o número de lugares dos dois partidos não chega: a coligação teria de abrir-se a outros participantes. E seria, evidentemente, um governo assente numa forte instabilidade e numa espécie de ódio político (pelo menos) entre os seus mais altos líderes.

De qualquer modo, esse é desde sempre o desejo do presidente do país, Isaac Herzog, que chegou mesmo a sugerir o regresso à rotatividade do lugar de primeiro-ministro – como já sucedeu no passado entre Naftali Bennett e Yair Lapid em 2021-22, com muito fracos resultados.

Uma outra alternativa, que Herzog quer evitar a todo o custo, é a repetição das eleições. Como também já aconteceu no passado recente. Herzog indicou que está empenhado em evitar uma repetição de 2019-2020, quando impasses persistentes levaram o país às urnas três vezes em 11 meses.

O risco de isso voltar a acontecer é grande. E o calendário apertado: o candidato a primeiro-ministro designado pelo presidente terá 28 dias para articular uma coligação, com uma possível prorrogação de 14 dias. Caso essas tentativas falhem, um segundo líder partidário poderá ter 28 dias (sem prorrogação) para tentar formar um governo, e se essa tentativa também não for bem-sucedida, uma maioria de 61 deputados poderá solicitar ao presidente que atribua a tarefa a um parlamentar específico dentro de um prazo adicional de 21 dias. Se nada disso acontecer, haverá novas eleições.

 

Juntos e ao vivo no Irão, outra vez

Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, atribuiu o sucesso de Benjamin Netanyahu ao seu apoio. “Quando o presidente Trump apoiou Bibi Netanyahu, a situação mudou completamente e, agora, em vez de uma derrota decisiva para um grande primeiro-ministro, parece um grande impasse, ou até mesmo uma VITÓRIA para Netanyahu. Tudo isso aconteceu DEPOIS do apoio do presidente Trump, que só quer o que é bom para o Oriente Médio, Israel e os Estados Unidos da América!”, escreveu Trump nas redes sociais.

Esta espécie de surto psicótico surge depois de Trump ter declarado formalmente o seu apoio a Netanyahu a 18 de outubro, nove dias antes das eleições, oferecendo o seu “apoio completo e total”, dias depois de ter dito que “nem sequer tinha pensado” em apoiar um candidato nas eleições em Israel.

Indiferente a isso, Netanyahu aceitou o apoio e disse algures (em vídeo) : “Donald, temos um trabalho a terminar [no Irão]… e vamos terminá-lo juntos. Vamos terminá-lo, e ninguém mais o fará”.

Economia circular gera 135 milhões em vendas no Grupo Sonae

28 October 2026 at 11:00

A aposta da Sonae em produtos e serviços baseados na economia circular foi responsável por um volume de negócios de 135 milhões de euros no primeiro semestre de 2026. “Este valor reflete o compromisso do Grupo com a sustentabilidade, nomeadamente através do desenvolvimento e implementação de modelos de negócio e projetos inovadores que promovem a economia circular, refere o grupo em comunicado.

Martim Santos, diretor de Sustentabilidade da Sonae, afirma, citado pelo documento: “A circularidade é uma oportunidade para repensar a forma como utilizamos os recursos, desenvolvemos produtos e criamos valor. Na Sonae, procuramos integrar estes princípios nos diferentes negócios, promovendo soluções que reduzam o desperdício, prolonguem a vida útil dos produtos e materiais e incentivem a sua reutilização e valorização. É um caminho que exige inovação, colaboração ao longo da cadeia de valor e mudanças nos modelos de produção e consumo, mas que pode trazer benefícios ambientais e, simultaneamente, reforçar a eficiência e a competitividade dos nossos negócios.”

Em 2025, o volume de negócios da Sonae associado a produtos e serviços circulares atingiu 259 milhões de euros, aumentando 178% face aos 93 milhões de euros registados em 2023 e 36% em relação aos cerca de 190 milhões de euros de 2024. Já no primeiro semestre de 2026, este volume de negócios foi de cerca de 135 milhões de euros, o equivalente a mais de metade do total registado em 2025.

“A minimização de desperdícios alimentares, as opções de refill, a recuperação de ingredientes e matérias-primas e a reparação, recondicionamento e reutilização de equipamentos eletrónicos são alguns dos modelos de negócio que estão a contribuir para o reforço da circularidade das atividades do Grupo Sonae, gerando impacto positivo a nível ambiental, económico e social”, refere ainda o comunicado.

MC, Worten, iServices e BCF Life Sciences (parte da Sparkfood) são algumas das empresas do grupo que estão a desenvolver ativamente iniciativas de economia circular, abrangendo operações, cadeia de valor e clientes. Ao longo do primeiro semestre, as empresas do Grupo investiram mais de 1,4 milhões de euros na promoção de escolhas mais sustentáveis junto dos consumidores.

Israel: sondagem à boca das urnas dá vitória a Netanyahu

27 October 2026 at 22:25

Uma sondagem à boca das urnas realizada para a estação televisiva Canal 12 confere ao Likud, de Benjamin Netanyahu, a obtenção de 24 lugares do parlamento, o Knesset – muiro aquém dos 61 lugares que determinam a maioria absoluta, mas dois lugares à frente do Yashar, de Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel. A confirmar-se, este resultado vai contra a maioria das sondagens pré-eleições, que sistematicamente davam a vitória a a Eisenkot.

Mas, paralelamente, o grupo de partidos assumidamente na oposição a Netanyahu, tem uma maioria de 52 lugares – aos 22 do Yashar, somam-se os 12 do B’Yashar, dez dos Democratas e oito do Beytenu. Do outro lado, com Netanyahu, estão o Shas (oito lugares), Religious Zionism, United Torah Judaism e OtzmaYehudit (com seis cada um), num total de 50.

Além destes, pontificam ainda a Lista Conjunta, de esquerda (e favorável à solução dos dois Estados), com 11 lugares. Ou seja, se a Lista aceitar somar os seus lugares à oposição liderada por Gadi (o que não é uma evidência), o bloco teria mais que os 61 lugares necessários para formar governo. Oficialmente, a posição da Lista Conjunta em relação a uma aliança com Gadi Eisenkot prevê a possibilidade de um apoio condicional e externo (meramente parlamentar, portanto), recusando liminarmente integrar formalmente um governo liderado pelo militar. Há ainda a contar com os sete lugares do Ra’am, o partido da minoria árabe, que, ao contrário da Lista Conjunta, quer integrar formalmente um governo e fazer parte de uma coligação liderada por Gadi Eisenkot. O problema é que os seus sete lugares não são suficientes para atingir os necessários 61 deputados para a construir uma maioria.

De qualquer modo, se Netanyahu vencer, e mesmo que o seu bloco não seja à partida suficiente para atingir os 61 lugares, o presidente do país, Isaac Herzog, que assumiu o cargo em julho de 2021 e é originariamente do Likud, irá por certo convidar o ainda primeiro-ministro para tentar formar o próximo governo. Só se este não conseguir é que, em segunda escolha, irá ‘bater à porta’ de Gadi Eisenkot.

Após a contagem dos votos, Herzog consultará os líderes dos partidos eleitos antes de incumbir o parlamentar que, em sua opinião, tiver a melhor hipótese de formar um governo, o qual não precisa necessariamente ser o líder do maior partido ou bloco. Esse candidato terá 28 dias para articular uma coligação, com uma possível prorrogação de 14 dias. Caso essas tentativas falhem, um segundo líder partidário poderá ter 28 dias (sem prorrogação) para tentar formar um governo, e se essa tentativa também não for bem-sucedida, uma maioria de 61 deputados poderá solicitar ao presidente que atribua a tarefa a um parlamentar específico dentro de um prazo adicional de 21 dias. Se todas as tentativas falharem, Israel enfrentará outra eleição, com Netanyahu a permanecer como primeiro-ministro interino até que seja formado um novo governo.

Mas Herzog já disse que está empenhado em evitar uma repetição de 2019-2020, quando impasses persistentes levaram o país às urnas três vezes em 11 meses, incentivando os líderes a considerarem um governo de unidade ou de rotação envolvendo Netanyahu e Eisenkot, caso nenhum dos dois consiga formar um bloco sozinho.

Primeiras projeções das eleições em Israel confirmam empate técnico

27 October 2026 at 20:17

De acordo com as primeiras projeções e sondagens divulgadas logo após o fecho das urnas, antecipa-se um cenário de empate técnico e nenhum dos blocos principais — liderados pelo atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (Likud) e pelo opositor Gadi Eisenkot (Yashar!) — conseguirá alcançar a maioria absoluta de 61 lugares no Parlamento (Knesset) de 120 cadeiras.

Quase três anos depois do ataque mais mortal da história de Israel, o Estado hebraico chamou os seus cidadãos às urnas naquela que foi comummente considerada uma das mais importantes da história, com consequências que vão muito para além do futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou dos seus oponentes. O massacre do Hamas, em 7 de outubro de 2023, lançou o país numa profunda divisão sobre questões como a responsabilização pelas falhas que permitiram o ataque, o ónus do serviço militar, a independência das instituições democráticas e do poder judiciário, a capacidade de o país manter a prosperidade económica, as alianças internacionais e o espectro do isolamento global.

Após a contagem dos votos, o presidente Isaac Herzog consultará os líderes dos partidos eleitos antes de incumbir o parlamentar que, em sua opinião, tiver a melhor hipótese de formar um governo, o qual não precisa necessariamente ser o líder do maior partido ou bloco. Esse candidato terá 28 dias para articular uma coligação, com uma possível prorrogação de 14 dias. Caso essas tentativas falhem, um segundo líder partidário poderá ter 28 dias (sem prorrogação) para tentar formar um governo, e se essa tentativa também não for bem-sucedida, uma maioria de 61 deputados poderá solicitar ao presidente que atribua a tarefa a um parlamentar específico dentro de um prazo adicional de 21 dias.

Para assumir o poder, um governo precisa de obter a maioria dos votos do Knesset (que tem um total de 120 lugares), embora um governo minoritário possa assumir com menos de 61 apoiantes se as abstenções resultarem em mais votos a favor do que contra. Se todas as tentativas falharem, Israel enfrentará outra eleição, com Netanyahu a permanecer como primeiro-ministro interino até que seja formado um novo governo.

Herzog indicou que está empenhado em evitar uma repetição de 2019-2020, quando impasses persistentes levaram o país às urnas três vezes em 11 meses, incentivando os líderes a considerarem um governo de unidade ou de rotação envolvendo Netanyahu e Eisenkot, caso nenhum dos dois consiga formar um bloco sozinho.

Coube aos mais de 7,3 milhões de eleitores decidir entre os 34 partidos que concorreram às eleições. Os quatro principais partidos da oposição são o Yashar (de Gadi Eisenkot), o B’Yachad (de Naftali Bennett), o Yisrael Beytenu (de Avigdor Liberman) e os Democratas (de Yair Golan).

A Comissão Central de Eleições confirmou que a afluência às urnas registou valores excecionalmente altos ao longo do dia, batendo recordes de votação em comparação com atos eleitorais anteriores. Segundo a imprensa israelita, outro dado interessante é o facto de a população árabe de Israel – cerca de 20% do total – ter comparecido em massa à votação, em grande medida por causa das iniciativas profundamente racistas de Itamar Ben-Gvir, o ainda ministro da Segurança Nacional. Que, entre outras coisas, aconselhou os militares a procederem a uma limpeza étnica em Gaza por via de bombardeamentos aéreos e os colonos da Cisjordânia a matarem o maior número possível de árabes.

Orçamento da UE: bloco não sabe como acomodar défice da Ucrânia

27 October 2026 at 09:53

O debate sobre o Orçamento da União Europeia para o período 2027-34 está a entrar numa fase crítica – já se tendo percebido que o consenso entre os países frugais do norte do centro da Europa, que querem cortes na despesa, e aqueles que não querem cortes nenhuns (a maioria) será difícil de ultrapassar. Mas Bruxelas tem um condicionalismo adicional: o financiamento do défice de 70 mil milhões de euros que a Ucrânia apresenta no seu próprio orçamento para 2027, e que espera que seja assumido pela bondade externa. Prevê-se que o bloco cubra dois terços do montante pedido, cerca de 46 mil milhões de euros, e que outros aliados (Reino Unido, Canadá, Noruega e Japão, entre outros), assumam o restante.

Os chefes de Estado e de governo da União solicitaram à Comissão Europeia que apresentasse opções para garantir o financiamento, tendo a emissão conjunta de dívida surgido de imediato como a via mais exequível.

Vale a pena lembrar que a Comissão Europeia propôs um plano, no final de 2025, para utilizar os mais de 200 mil milhões de euros em ativos russos (a maior parte retida na infraestrutura financeira Euroclear, na Bélgica) para financiar Kiev. Mas, ao cabo de intensas negociações, países como a Bélgica, Itália, Hungria, República Checa e Eslováquia opuseram-se firmemente, invocando riscos jurídicos e financeiros globais. Como alternativa, a UE acabou por aprovar um empréstimo bilionário à Ucrânia garantido pelo próprio orçamento europeu. Agora que é preciso avançar no processo, o bloco arrisca voltar a perder-se em discussões intermináveis.

A dimensão do défice levou a alterar a ordem de trabalhos da cimeira extraordinária do próximo mês, inicialmente concebida para se concentrar exclusivamente na proposta de orçamento, refere a agência Euronews. A reunião foi prolongada para dois dias, 26 e 27 de novembro, para incluir debates sobre a Ucrânia, onde são esperadas novas propostas para o financiamento do défice.

Défice de Kiev resvala para o Orçamento

Segundo várias fontes, o debate vai ser mais difícil que o esperado, porque o défice ucraniano arrisca ser inscrito na coluna das despesas do Orçamento 2027-34, o que vai dinamitar ainda mais o debate. A presidência rotativa do Conselho propôs um corte de 8% face à intenção original da Comissão, fixando o valor do Orçamento em 1,62 biliões de euros. Os eurodeputados defendem um teto mais alto, na ordem dos 1,78 biliões de euros (a preços de 2025, o que equivale a 2,01 biliões a preços correntes).

Em termos formais, os dois temas continuam a ser processos distintos, mas politicamente, dizem diplomatas e responsáveis citados pela Euronews, estão a tornar-se interdependentes. “São claramente os dossiers mais urgentes até ao fim do ano, definitivamente”, afirmou um diplomata, observando que ainda é demasiado cedo para se falar de um grande pacote único.

O problema é que as primeiras vozes que discordam do pagamento do défice ucraniano ‘no matter what’ estão a começar a ser cada vez mais audíveis.

França prepara-se para recusar

O caso francês parece ser o mais audível de todos. Num contexto em que o governo liderado por Sébastien Lecornu não consegue fazer aprovar o orçamento para 2027 e as ruas das principais cidades gaulesas estão a arder há quase um mês com a população a queixar-se de que não é possível viver com mais cortes orçamentais, pagar o défice da Ucrânia é apresentado como inaceitável.

Marine Le Pen, candidata da extrema-direita do Rassemblement National que lidera confortavelmente as sondagens para as presidenciais de abril, prometeu limitar a contribuição francesa para o orçamento da União a cinco mil milhões de euros por ano e advertiu que se Macron, ainda presidente, concluir um acordo diferente antes das eleições seria um “escândalo democrático”. Ciente disso, o presidente em funções disse aos restantes líderes que um acordo orçamental entre janeiro e abril seria “complicado”. Ou seja, não vai haver. Mas Le Pen disse mais: para a candidata, a mesma lógica aplica-se à Ucrânia, o que a leva a prometer pôr fim a todo o apoio francês ao país em guerra. “Este financiamento vai acabar, e é uma questão de honestidade dizer a Zelensky a verdade”, declarou há dias.

Tudo isto colide frontalmente com os objetivos da Ucrânia, mas também com os da União, que quer ver todas estas questões resolvidas antes do final do ano. António Costa, presidente do Conselho Europeu, disse isso mesmo, mas já ninguém acredita que seja possível.

“A nossa coesão interna é frágil. Se isso começar a desfazer-se, as consequências para a Ucrânia podem ser ainda maiores do que tudo o que Trump diga ou faça”, afirmou um analista citado pela Euronews. “Precisamos de uma solução estrutural para o financiamento da Ucrânia. Não podemos continuar todos os anos a improvisar sob pressão. O apoio a Kiev tem de ficar devidamente integrado no próximo orçamento”.

Convém ter em conta que entre os Frugais encontram-se alguns dos maiores doadores bilaterais da Ucrânia – Dinamarca, Finlândia, Países Baixos, Suécia e Alemanha – que têm interesse direto em garantir o novo financiamento. Isto é, por via deste poderoso grupo, o défice da Ucrânia deverá, em princípio, ser inscrito no Orçamento no lado da despesa, sendo depois necessário ‘inventar’ uma forma de o financiar através de nova receita que não mexa no equilíbrio estrutural do documento. Uma decisão coletiva sólida sobre a Ucrânia poderia tornar politicamente mais tolerável para estes países aceitarem um orçamento mais elevado do que desejariam.

Mas há também quem considere que a insistência dos Frugais em cortar verbas para a agricultura e as políticas de coesão pode impossibilitar que alguns ‘Amigos da Coesão’ – o grupo ‘rival’ onde está Portugal – apoiem um acordo sobre a Ucrânia sem provocar uma reação negativa interna. Chéquia, Hungria e Eslováquia já sinalizam que se vão excluir de qualquer emissão conjunta de dívida para apoiar Kiev. A Bulgária, crítica assumida das entregas de armas, deverá seguir o mesmo caminho. E todos pertencem ao grupo da coesão onde está Portugal. “Seria muito perigoso, e quero deixar isto absolutamente claro, se alguém tentasse ligar o financiamento da Ucrânia ao orçamento”, afirmou o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico. “Seria um milagre se chegássemos a um acordo em dezembro” – que é o mesmo que dizer que não vai acontecer.

Eleições vão atirar Israel para o impasse político

27 October 2026 at 07:00

A sondagem mais recente para as eleições em Israel, que acontecem esta terça-feira, 27 de outubro, continuam a apontar inequivocamente para um equívoco político: indica que o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, deverá eleger 56 deputados, enquanto a coligação governamental do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do Likud, se ficaria pelos 50 lugares. Em termos de partidos individuais, o Yashar obterá qualquer coisa em redor dos 23 deputados, o Likud 21, o B’Yachad 15 e o Shas 10.

O B’Yachad é uma coligação surgida em abril passado a partir da união de dois antigos primeiros-ministros e figuras de peso da oposição israelita: Naftali Bennett, primeiro-ministro em 2021–2022 e oriundo da direita nacionalista (e é o atua líder do partido), e Yair Lapid, um dos líderes da oposição a Netanyahu, ex-primeiro-ministro e líder do partido de centro Yesh Atid. O Shas é um dos partidos que representam os judeus ultraortodoxos.

Para alguns analistas, a chave do impasse que irá estabelecer-se a partir das eleições é uma possível aliança entre o Yashar e o B’Yashar – que em princípio conseguirão obter em conjunto cerca de 70 deputados, uma margem confortável em relação aos 61 lugares que qualquer governo terá interesse em assegurar num parlamento de 120 elementos. A outra hipótese, que será sempre a segunda se o Likud não for o partido mais votado, será a repetição do atual governo – com o Likud, o Shas e um terceiro pequeno partido a cumprirem a quota dos 61 deputados.

No final de 2022, Netanyahu demorou muito tempo a conseguir agregar em seu torno os partidos necessários e suficientes para formar governo. Para isso foi indigitado pelo presidente Isaac Herzog a 13 de novembro, num quadro em que a lei israelita concede um prazo inicial de 28 dias para fechar as negociações; a 9 de dezembro, e devido à complexidade das negociações com os partidos ultraortodoxos e da extrema-direita, Netanyahu solicitou e obteve uma extensão do prazo por mais dez dias – mas só já no final do novo prazo o líder do Likud anunciou formalmente ao presidente que tinha conseguido reunir a coligação maioritária de 64 deputados.

O resto é história: a partir daí Netanyahu ficou refém das agendas dos ortodoxos e dos extremistas, que conseguiram impor as suas vontades de forma geral, emaranhando o primeiro-ministro numa série de decisões que estão muito para lá das suas próprias escolhas. O ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023 veio agravar ainda mais as vicissitudes vividas no interior do gabinete.

Refira-se que, segundo as sondagens, o partido Otzma Yehudit (Poder Judaico), liderado por Itamar Ben-Gvir, o inenarrável atual ministro da Segurança Nacional, não só ultrapassará facilmente a barreira eleitoral de 3,25% (o mínimo para poder entrar no parlamento), como caminha para um resultado histórico ao concorrer de forma independente.

 

Uma campanha ‘viciada’ pelo 7 de outubro

A campanha eleitoral para as legislativas tem sido descrita por vários analistas como a mais polarizada e tensa da história recente de Israel. Sendo o primeiro ato eleitoral desde o ataque do Hamas, o debate político foi profundamente moldado pelo trauma nacional, pela segurança e pelo futuro democrático do país.

General e ex-chefe do Estado-Maior, Gadi Eisenkot centrou a sua mensagem nas falhas de segurança que permitiram o massacre de 2023. E, se ganhar, prometeu a criação de uma comissão estatal de inquérito independente e o afastamento definitivo de Benjamin Netanyahu. Acusa o ainda primeiro-ministro de mentir sobre todo o assunto e de ter caído numa “disfunção profunda no processo de tomada de decisão”. “Os cidadãos de Israel vão decidir esta terça-feira qual será o futuro, que direção a história de Israel tomará a partir de agora”, disse, em jeito de apelo ao voto – que, segundo as sondagens, deverá atingir um recorde de participação.

Do seu lado, Benjamin Netanyahu adotou uma postura combativa, tentando mostrar que “não nos renderemos”, não houve qualquer hesitação na liderança militar, não houve nenhuma concessão às pressões internacionais e que o que começou tem de ser acabado – no que tem a ver com o Irão como a principal ameaça existencial (como o Egipto já foi no passado) a Israel. “Donald, temos um trabalho para terminar. Tu disseste-o e nós vamos terminá-lo juntos”, disse recentemente.

Netanyahu concentrou a sua campanha nas guerras que leva a cabo em Gaza e no Irão – que, como diz, estão intimamente ligadas. E apelidou outros temas – como a inexistência de serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos ou o financiamento a grupos religiosos extremistas – de “tempestades encenadas e fabricadas” para desviar as atenções do verdadeiro perigo. “Se caírem duas bombas atómicas no centro do país, quem é que vai querer saber de todas estas falsas tempestades?”, disse, ficando por esclarecer qual dos oito países que as possuem (Israel é um deles, mas o Irão não) as poderiam lançar contra o Estado hebraico.

Lula x Flávio Bolsonaro: resultados da eleição no exterior por país

25 October 2026 at 17:44
AF! Abaixo está uma tabela com os resultados divulgados da votação no exterior no 2º turno das eleições de 2026 entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os números são parciais e variam conforme a apuração dos boletins de urna. Resultados por país País / território Lula — votos (%) Flávio Bolsonaro — votos (%) […]

Publicidade: O fornecimento de energia será interrompido nos dias horas e locais abaixo indicados – anúncio 106 – 2026

21 October 2026 at 00:00
       A Empresa de Electricidade da Madeira, SA informa que, por motivo de trabalhos de conservação/remodelação na rede de distribuição, o fornecimento de energia será interrompido, nos dias, horas e locais abaixo indicados: FUNCHAL – Santo António Dia 23/10/2026 das 09:00 às 12:00 horas – Bairro de Santo Amaro   FUNCHAL – São Martinho Dia […]
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