São Brás de Alportel distinguiu David Mendonça pelo seu percurso artístico e pela projeção na música portuguesa. O vocalista de Os Vizinhos recebeu o Voto de Louvor no Espaço Memória da Câmara Municipal, no dia 14 de outubro.
A Biblioteca Municipal de Loulé e o seu polo de Quarteira recebem, no próximo sábado, dia 17, um conjunto de atividades dirigidas aos mais novos e às suas famílias, com propostas que aliam a música, a expressão artística e a leitura, promovendo o desenvolvimento infantil e o gosto pelos livros desde a primeira infância.
O programa inclui sessões de sensibilização musical para bebés e crianças, um atelier de pintura inspirado na obra do autor e ilustrador francês Hervé Tullet e duas iniciativas dedicadas à partilha de histórias em família.
A manhã começa com a atividade “Pequenos sons, grandes sorrisos”, dinamizada por Ricardo Jorge, com sessões às 10h00, para bebés dos 0 aos 30 meses, e às 11h00, para crianças dos 2 anos e meio aos 5 anos. Ambas decorrem na Biblioteca Municipal de Loulé e destinam-se a crianças acompanhadas por um adulto.
A experiência musical assume um papel importante no desenvolvimento infantil, sobretudo nos primeiros anos de vida. Através de conteúdos adequados, do contacto com diferentes estímulos sonoros e da exploração sensorial, os bebés e as crianças são convidados a observar, imitar e experimentar, desenvolvendo capacidades físicas, cognitivas, sociais e emocionais.
Cada sessão tem uma duração aproximada de 40 minutos, sendo permitida a participação de cada bebé ou criança numa única sessão por professor.
Também na manhã de sábado, às 10h30, a Biblioteca Municipal de Loulé acolhe um atelier de pintura inspirado na obra de Hervé Tullet, dinamizado por Joana Charneco.
Pensada para crianças dos 4 aos 10 anos, acompanhadas por um adulto, esta atividade propõe uma experiência artística livre, divertida e interativa. A partir de algumas das obras do autor e ilustrador francês, os participantes são convidados a explorar cores, formas e movimentos, através da pintura e do desenho, contribuindo para a criação de uma grande obra coletiva.
Num ambiente onde não há respostas certas ou erradas, o atelier pretende estimular a imaginação, a experimentação e a criatividade, valorizando a expressão individual e a criação em conjunto.
A tarde é dedicada à leitura e à descoberta de histórias. Às 15h30, a Biblioteca Municipal de Loulé promove mais uma sessão da “Hora do Conto para Pais e Filhos”, dirigida a famílias, com a leitura do livro “Vem aí o lobo!”, de Émile Jadoul.
Às 16h00, o programa prossegue no Polo da Biblioteca Municipal em Quarteira, com a iniciativa “Conta-me um conto”, que apresenta a história “As emoções do pequeno gato ansioso”, de Audrey Bouquet e Fabien Öckto Lambert. A sessão convida miúdos e graúdos a partilharem momentos de leitura e a descobrirem histórias que dão espaço à imaginação e à expressão das emoções.
A participação nas atividades está sujeita a inscrição prévia, através do e-mail biblioteca@cm-loule.pt
Recorde-se que, até 29 de outubro, o edifício-sede da Biblioteca Municipal de Loulé recebe a Exposição “E em vez do medo? Arteopatia – A arte como cura”.
Através da arte podemos transformar o medo em coragem, criatividade e expressão. Esta exposição reúne trabalhos realizados por alunos do 5º, 6º, 7º e 8º anos da EB 2, 3 São Pedro do Mar, Quarteira, no âmbito do projeto Ponto de Encontro do Plano Nacional das Artes, desenvolvido pela Biblioteca Municipal de Loulé e o Agrupamento de Escolas Dra. Laura Ayres, Quarteira.
Partindo da pergunta “E em vez do medo”, os alunos exploram emoções, medos, e estratégias para os enfrentar, através de mapas mentais, cartazes e criações artísticas. O percurso culminou na construção de “Caixas Cura para o Medo”, objetos que traduzem, de forma criativa e simbólica, diferentes formas de lidar com aquilo que nos assusta.
Com esta programação, a Biblioteca Municipal de Loulé reforça a sua aposta na promoção da leitura, da criatividade e do desenvolvimento infantil, proporcionando experiências culturais e educativas que aproximam os livros, a música e as artes das crianças e das suas famílias.
C’è un luogo in cui la musica per il cinema nasce prima ancora di arrivare sullo schermo: lo studio del compositore, tra appunti, partiture, prove ed errori. È lì che vuole portare il pubblico SLAM – Festival Internazionale delle Colonne Sonore, che torna per la sua seconda edizione dall’11 al 13 dicembre 2026 negli spazi di Triennale Milano, tra Cuore, Voce e il Teatro.
Promosso da CAM Sugar, il più grande catalogo al mondo di colonne sonore del cinema italiano, e da Triennale Milano, il Festival propone tre giorni di concerti, proiezioni, DJ set, listening session, workshop e talk. Il filo conduttore è il processo creativo: come si costruisce l’identità sonora di un film, dalle partiture di Ennio Morricone e Piero Umiliani fino alle sperimentazioni della scena internazionale di oggi.
Il primo nome è di quelli che pesano: Jeff Mills, pioniere della techno di Detroit e figura centrale dell’elettronica mondiale, porta in Triennale il concerto Tomorrow Comes the Harvest. Accanto a lui il regista Romain Gavras, che con i suoi videoclip ha ridisegnato il linguaggio visivo della musica contemporanea: sarà protagonista di un talk seguito dalla proiezione de La battaglia di Algeri di Gillo Pontecorvo.
C’è poi Hania Rani, pianista e compositrice tra le voci più originali della nuova scena europea, autrice della colonna sonora di Sentimental Value, Premio Oscar 2026, che terrà una masterclass. Il giornalista e scrittore Stefano Nazzi sarà in scena con un live seguito dalla proiezione di San Babila ore 20: un delitto inutile di Carlo Lizzani.
Il compositore e regista Christophe Chassol presenta in prima italiana il suo progetto live Funny How?, mentre il music supervisor Randall Poster, storico collaboratore di Wes Anderson, Martin Scorsese e Sofia Coppola, guiderà una listening session. Atteso anche Pino Donaggio, firma di celebri colonne sonore thriller e horror, l’ultima per Her Private Hell di Nicolas Winding Refn, presentato a Cannes 2026.
Nel centenario della nascita di Piero Umiliani, il Festival gli dedica un omaggio: la cantautrice Joan Thiele, insieme ad Andrea Fabrizii, entrerà in dialogo con la sua musica in una listening session che ne esplora l’eredità musicale e culturale.
Ad aprire il percorso sarà, domenica 29 novembre, il Teatro alla Scala. Per la serie di cineconcerti Fotogrammi, la Filarmonica della Scala diretta da Timothy Brock eseguirà dal vivo le musiche di Nino Rota durante la proiezione di 8½ di Federico Fellini, in collaborazione con Cineteca di Bologna e Mediaset – RTI.
Il legame con Fellini non finisce qui: proprio da un suo disegno originale nasce l’identità visiva dell’edizione 2026.
In linea con l’idea di aprire le porte del laboratorio creativo, CAM Sugar ha presentato una selezione di fotografie inedite dello studio di Ennio Morricone, realizzate da Niccolò Barca con la collaborazione della famiglia del maestro.
«SLAM rappresenta l’espressione più compiuta del lavoro svolto da CAM Sugar», spiega Alessandro Sugar, Head of CAM Sugar. «Il Festival è il momento di massima apertura verso il pubblico, offrendo un accesso privilegiato ai materiali d’archivio e valorizzando il lavoro di ricerca, conservazione e diffusione che CAM porta avanti», con l’obiettivo di trasmettere quest’opera alle nuove generazioni.
Per Carla Morogallo, direttrice generale di Triennale Milano, SLAM «è un progetto capace di attivare pienamente la vocazione interdisciplinare di Triennale, mettendo in dialogo musica, cinema e ricerca». Una seconda edizione che consolida un percorso avviato lo scorso anno e che ha già dimostrato di saper coinvolgere pubblici diversi.
De orelhas sempre de pé e com uma zurra que ecoa por mais de 3 km entre a vegetação, talvez o jumento não seja a associação mais óbvia que se pense em relação ao universo da música. E, no entanto, aos 33 anos, Antonino Tertulino está mais do que habituado a preencher as caixas mais improváveis.
“Eu me considero um jumento. E eu tenho essa visão, pois nunca penso em ser uma peça de destaque. Aqueles que são muito presenteados, muito exigidos, e como o jumento é subestimado, passa despercebido, sabe?”, conta o jovem magro de cabelos rareando, cujo talento diante de um contrabaixo acústico, já exibido perante ao menos três presidentes e dois papas, há muito, não o deixa passar tão despercebido quanto tenta se enxergar.
No dia 19 de julho, Antonino deixou a Áustria, onde integrava a Orquestra Filarmônica de Salzburgo, para uma semana de passeio pela memória, no Recife, onde nasceu, um compromisso que se tornou regular em seu calendário anual.
Entre as paredes do Teatro de Santa Isabel, templo cultural que, desde a metade do século 19, se fez palco nobre da sociedade pernambucana, ele foi um dos músicos a capitanear uma sequência de apresentações da Orquestra Criança Cidadã, formada por estudantes de 6 a 21 anos, na qual ele mesmo, vinte anos antes, teve sua iniciação no mundo da música. O trote silencioso de Antonino ecoa. O zurro é de gratidão, mas os olhares ao redor são mesmo aspiracionais. O contrabaixista tirou tempo para estar junto das crianças, conceder entrevistas e reencontrar amigos.
O ritual se deu antes dos preparativos para mudar de casa mais uma vez, agora para desbravar a Alemanha, onde acaba de assinar com a Niederbayerische Philharmonie, de Landshut. “Uma das dezessete melhores do mundo”, diz uma das vozes contemplativas no interior do teatro, fazendo jus à megalomania pernambucana, sempre disposta a um ranking que nem sequer carece de fontes.
A impressão dos que o acompanham é que a carreira de Antonino não tem um limite claro de até onde pode chegar e que segue em rota ascendente, sempre em frente, sem desvios. Quem é do interior, sabe: jumentos têm excelente senso de direção.
Antonino em 7 notas
DOis coelhos com uma cajadada
Fugir das aulas de física e química. Essa foi a primeira intenção de um Antonino de 13 anos, ainda em 2006, admite o hoje músico, em retrospecto. Aos alunos da Escola Nossa Senhora do Carmo, logo após a apresentação de um quinteto de cordas, foi oferecida a oportunidade de concorrer a uma das vagas do projeto Orquestra Criança Cidadã.
A escolha da unidade de ensino no Coque não foi por acaso. A região do bairro Joana Bezerra carecia de infraestrutura básica e tinha uma pobreza hostil que, muitas vezes, era retratada apenas pela face da violência. Não por menos, o discurso padrão era o de resgate, oferecendo atividades para que os alunos jovens não tivessem tempo de serem capturados pelo trabalho infantil ou cooptados pelo tráfico – e, entre os atrativos, estavam acompanhamento médico e odontológico, bem como refeições regulares.
As aulas de música seriam no contraturno do calendário escolar, nas dependências do 7º Depósito de Suprimentos do Exército. Como incentivo, a atividade representaria horas de aula – o que, para o garoto, seria uma chance de se livrar das matérias que, àquela altura, já lhe causavam dor de cabeça. O impulso inicial, no entanto, deu lugar à admiração pelo novo mundo.
“Algo que me deixou bem curioso foi a comunicação entre os músicos, sem nenhuma comunicação verbal, sabe? Hoje, com colegas, eu faço isso no dia a dia, na orquestra, essa comunicação de gesto, de olhar, tudo. Mas aquilo teve um efeito “uau” pra mim, de como eles agiam como um time.”
As crianças da região, a partir dos seis anos, foram convidadas a realizar testes de aptidão musical facilitados. O desafio consistia em uma melodia de solfejo e em um método rítmico simplificado. Aprovados, eles seriam divididos entre os instrumentos – e as atenções se voltaram todas ao violino.
“E eu dizia: ‘aquele ali, rapaz, pelo tamanho, vai ser difícil de controlar’. Se o violino é difícil, aquele ali é ainda mais difícil, pelo tamanho.’ E eu sempre fui franzino, assim, magrinho, né?”, lembra Antonino. Desde então, a relação com o instrumento se fez como complemento de si mesmo e da própria imagem que tentava projetar.
Do Recife para a Alemanha: músico acaba de assinar com a Niederbayerische Philharmonie, de Landshut
“Não é sobre volume, não é sobre show-off, sobre se exibir. É sobre criar o piso, a base para que tudo aconteça. Por isso, sempre pensei ‘aquele ali é o instrumento’. E eu sempre fui muito tímido, porém, com o contrabaixo não tenho timidez. E ele tem essa virtude também, de não ser um instrumento exibicionista. É como se fosse [também] um jumento. Muitas vezes subestimado, porém ali, forte e necessitado, sabe? Pode ser veloz e bonito.”
E assim tem sido, há 20 anos.
REcife e Carpina, a conexão que não se perde
Voltar para casa pode ser agridoce. O pai de Antonino, Antônio Tertuliano, mora em Carpina, na Mata Norte de Pernambuco. Comerciante, com ensino fundamental incompleto, vêm dele os costumes mais fortes que o músico mantém até hoje. “Meu pai brincava que, no dia em que desse 6h da manhã e ele ainda não tivesse acordado, não acordaria mais. Uma figura”, lembra. As visitas rápidas ao Recife nem sempre permitem vivenciar o estilo de vida do interior ou curtir a família vencendo a distância que se mantém ao longo de todo o ano.
No Recife, por outro lado, as diferenças gritam. Uma delas, que perpassa toda a cidade, o músico descreve apenas como “o barulho”. A poluição sonora, que os ouvidos locais normalizam e praticamente não sentem, salta aos sentidos de quem hoje vive outra realidade.
Andar pelas ruas da comunidade onde cresceu também pode ser desafiador, até mesmo para a própria memória. No Coque, Antonino descreve ver, a cada visita, um processo de “desfavelamento”, com a remoção de barracos e a mudança da dinâmica da própria região, onde, conta, convivia com colegas de orquestra ao máximo durante as aulas porque, fora dela, os espaços possíveis de trânsito eram delimitados pela área onde cada um morava, em que cada trecho era reclamado por grupos diferentes ligados ao crime local.
A segurança acaba sendo um tema recorrente das reflexões inevitáveis ao comparar a realidade atual com as alternativas, caso suas escolhas fossem diferentes. E, ainda que o contexto de Israel envolva até mesmo a guerra, ele diz que regressar ao Recife “é outro tipo de terror”.
“Ontem estávamos jantando a um quilômetro do hotel e ‘vamos pegar um Uber por segurança’. Isso é tirar a sua individualidade e sua independência. Apesar das guerras, eu digo que me sentia muito mais seguro em Tel Aviv do que na minha cidade. Isso é muito triste. De você poder fazer uma chamada de vídeo, uma, duas da manhã, caminhando na rua, e, no máximo, vai chegar alguém pedindo informação ou pedindo ajuda pra empurrar um carro, sabe? Mas a sensação de que alguém iria me roubar, ou fazer algo contra mim, nunca existiu. Eu falo que em Israel também eu aprendi a valorizar a vida. Porque aqui no Recife o perigo acontece, mas, de certa forma, também temos que viver com isso”, lamenta.
MInha vez
Enquanto milhões de brasileiros se encaminham às urnas para as eleições de 2026, os jovens da Orquestra Criança Cidadã estarão completando o primeiro aniversário de sua última incursão do outro lado do mundo, que começou no Parque Memorial da Paz, em Hiroshima, no Japão, um dos Concertos pela Paz.
A cidade, assolada por uma bomba nuclear norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma das paradas da turnê promovida pelo projeto social do Recife, que abrangeu três países. A iniciativa reuniu músicos de áreas de conflito para tocarem junto com as crianças e envolveu, por exemplo, encontro da música clássica de artistas da Rússia e da Ucrânia no mesmo palco, um recado que excede qualquer limite imposto pelas guerras.
Após passarem pela Coreia do Sul, as crianças do projeto encerraram a sequência de shows no Vaticano, com uma performance na Praça de São Pedro, diante do Papa Leão 14. Não foi o primeiro Papa para quem o projeto se apresentou. Desde 2011, quando estava prestes a ser encerrado, após um apelo feito diretamente ao presidente Lula, o projeto recebeu patrocínio de um banco estatal, o que permitiu a estruturação da iniciativa e passou a viabilizar voos mais altos.
Evento do 5º Aniversário da Orquestra Criança Cidadã (OCC) com a presença de Lula
Ao longo desse período, os jovens se apresentaram para três presidentes, dois papas e tiveram comitivas tocando em países como Argentina, Itália, Japão, Estados Unidos e Portugal. Em 2010, foi reconhecida como boa prática de inclusão social pela Organização das Nações Unidas (ONU) e, em 2015, foi a segunda escola de música do mundo a integrar o Programa de Escolas Associadas da Unesco.
FÁbulas e farpas
Cerca de 400 crianças e adolescentes, entre 6 e 21 anos, são atendidos pela Orquestra Criança Cidadã, sendo 250 no Coque, primeira sede do projeto, além de 120 em Camela (Ipojuca) e 30 em Chã de Cruz (Igarassu), ambos na Região Metropolitana do Recife. Além das aulas de música, o projeto previa a alimentação dos integrantes e, em geral, foi bem recebido pela comunidade.
A iniciativa não passa ilibada de críticas de organizações sociais que atuam no Coque, devido ao discurso de salvamento que sempre associou, na ponta contrária da atuação das crianças na música, à criminalidade. À época, a região foi escolhida para sediar a intervenção por ser uma das de menores índices de desenvolvimento humano na capital pernambucana e por ser frequentemente associada, na imprensa, a casos de violência urbana.
“Eu conheci o Coque quando fui assaltado nas suas imediações […] Tive sorte de não levar uma bala no crânio”. Com essa frase, um dos três idealizadores do projeto, e primeiro maestro da orquestra, Cussy de Almeida, apresentava a comunidade em rede nacional, durante a apresentação da OCC no antigo Domingão do Faustão, em 2008, à época, com 103 integrantes.
Além de Almeida, também fizeram parte da concepção do projeto o desembargador Nildo Nery dos Santos, falecido, e o juiz João Rocha Targino, que também participou do projeto à época conclamando figuras políticas a escolherem “se quer[em] formar cidadãos como esses, ou se quer[em] formar presidiários”.
Apresentação da Orquestra Cidadã no Domingão do Faustão em 2008
Frases ditas por Cussy na ocasião, como “Eles eram pequenos índios”, “estão arrodeados do crime”, “Eles sabem comer com o garfo na mão esquerda, a faca na mão direita, ele sabe escovar dente, passar fio dental, tem asseio, sabe entrar no banheiro sem deixar rastro” e “hoje em dia são meninos que você pode levar pra sua casa e passar um fim de semana” são, ainda hoje, citadas para criticar o discurso dos idealizadores quanto à manutenção de estigmas enfrentados pela comunidade. Na ocasião, o programa chegou a apresentar-se como uma iniciativa “que tira crianças da rua” e Fausto Silva chegou a usar a expressão “essa gente do Coque”. O maestro faleceu dois anos depois, aos 74 anos.
Questionado sobre o papel do discurso intervencionista da direção da Orquestra na manutenção de estereótipos que afetam a comunidade, o idealizador ainda à frente da OCC, o juiz João Rocha Targino, responde que acredita que “somos todos irmãos” e que o Coque “sempre foi visto” como palco de “marginalidade e prostituição, não igual a outros bairros do Recife”, mas que acredita que a promoção de oportunidades e que a região tem pessoas “pobres de bens materiais, mas ricas de talento”.
SOL sem céu
Antonino deixou o Coque para tocar na Orquestra Sinfônica de Goiânia, onde permaneceu por dois anos até dar início a um bacharelado em música em Tel Aviv. Foi quando a distância exigiu um preço maior. Com a mãe, Maria Denise, falava nas madrugadas, por videochamada. E lembra do desejo de apresentar o mundo da música que passou a desbravar.
“Antes era uma coisa muito simplória, muito singela. Depois, tudo se otimizou, cenário internacional, sabe? […] Se antes ela já ficava orgulhosa só de ir assistir às apresentações…”, conta.
Ao longo de cinco anos, Antonino estudava e se dedicava a um objetivo: integrar a Orquestra Filarmônica de Israel, uma das mais reconhecidas do mundo, dirigida pelo maestro indiano Zubin Mehta desde 1969. Foram cinco tentativas fracassadas. Em algumas, ninguém sequer chegou a ocupar a vaga oferecida. A filosofia era a de que apenas os mais preparados podiam integrar o grupo.
O jogo virou em 2021, quando o contrato do posto de contrabaixista lhe foi oferecido. “Eu me lembro da primeira ligação após a audição. Foi pra minha mãe. Mesmo sem saber o que era a Filarmônica de Israel, ou quem era Zubin Mehta. Mas ela via a euforia na minha fala e então só dizia: ‘Poxa, estou tão orgulhosa de ti, quero muito te ver [se apresentando]’, lembra. Não viu.
Algumas semanas depois, no Recife, a doméstica Denise faleceu aos 64 anos, vítima de um mal súbito, e não chegou a testemunhar o filho em carreira internacional. “Foi muito precoce o falecimento da minha mãe. Foi algo muito súbito. Não teve um processo, não teve um… E foi quando eu tinha acabado de girar a chave pro profissionalismo, sabe? Foi algo assim que, ou eu desmorono com tudo aquilo que eu vinha construindo, ou utilizo isso como nutriente, pra minha música, pra minha trajetória”, avalia.
Eu vejo que as simplicidades que minha mãe tinha, a limitação que ela tinha para se expressar, sabe? Essa dificuldade que ela tinha de se expressar, de fazer o que ela sonhava, mas não era por ela não saber, era totalmente falta de conhecimento, falta de oportunidade, que ela não teve. Eu não tenho dúvida de que a mamãe estaria muito orgulhosa de ver esse momento.”
Antonino Tertulino
Contrabaixista
LÁ pro lado das Europas
O macarrão estava cozendo na água fervente quando o som de uma sirene tomou conta da vizinhança. Mais uma. Era o sistema antiaéreo de defesa antimísseis que alertava sobre possíveis ataques na área urbana de Tel Aviv. O ano era 2023, início do conflito com o Hamas, mas duas semanas já eram tempo suficiente para Antonino entender: “Eu não vim aqui pra isso. Essa não é a minha guerra”, resume o pensamento.
Foi assim, meio que às pressas e se recusando a normalizar a convivência com sirenes de guerra, que um plano engavetado do contrabaixista ganhou nova luz: aplicou para um mestrado na Mozarteum University Salzburg, na Áustria, foi aprovado e conseguiu antecipar o início das aulas. Assinou então com a Orquestra Filarmônica de Salzburgo até 2026, logo após voltar do reencontro com as crianças da OCC, quando se mudou para o norte da Alemanha, para um novo desafio: a Niederbayerische Philharmonie.
“Eu ainda acredito que foi tudo muito precoce. As coisas, as oportunidades vieram, eu abracei as que pude, as que digo, as portas que eu abri, sabe? E eu continuo com fome de continuar essa caminhada.”
SInfonia da gratidão
Mais de 700 crianças e adolescentes já passaram pelo projeto Orquestra Criança Cidadã – e ao menos 360 delas se revezaram no palco do Teatro de Santa Isabel, no Recife, no fim das férias de julho, para a apresentação dos 20 anos do projeto. Orquestras infantis, infantojuvenis e jovens revisitaram da música clássica aos sucessos regionais, com releituras próprias, algumas vezes acompanhadas de um coro infantil.
Antonino, convidado de honra, se apresentou em destaque como a principal referência de sucesso da proposta, iniciada ainda em 2006. Repetiu o ritual de sempre: pouca salada, muita água e várias sessões de meditação ao longo do dia até subir ao palco. Dividiu os holofotes com colegas músicos, que convidou das orquestras europeias das quais participou, com o mesmo empenho e ares de showman que exibiu ao estar à frente dos pequenos talentos recifenses por duas noites consecutivas.
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Em frente a um público de 570 espectadores, com movimentos precisos, ele claramente se transportava a outro lugar, onde se encontrava em pleno conforto. Como se, de suas mãos, dependesse o mundo. Carrega ali arte, fardo, história e um tanto mais de expectativas ainda não alcançadas, que não divide.
Perguntado sobre estacionar e fazer carreira em uma única orquestra, em que possa ascender e encontrar zona de conforto, Antonino ri: “Não sou mustang, não sou manga larga [raças de cavalo]. Quero sempre ser a base, estar aprendendo, participar de algo que seja muito maior que eu”, resume o contrabaixista que faz questão de descobrir os maiores verdes pastos que o mundo que anda desbravando ainda lhe possa ofertar. Você sabe, coisa de quem se diz jumento.
Em outubro, o Cineteatro Louletano reinventa-se e aposta de novo em programação de referência, cruzando música, dança, teatro, cinema e espetáculos multidisciplinares, do lado de cá e de lá do Atlântico.
Depois, a 17, o regresso dos concertos “Crescendo”, do Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado. Após o arranque das aulas em setembro e do período inicial de (re)adaptação, está na hora de retomar a atividade musical junto do público. Os concertos acontecem nos terceiros sábados do mês, às 11h30, também no Auditório do Solar da Música Nova.
Ainda a 17, sábado, mas às 21h00, há concerto da Orquestra do Algarve, com o mote “Redescobrir Álvaro Cassuto”. O programa articula as primeiras obras do maestro e compositor Álvaro Cassuto com repertório de Mendelssohn e Mozart, num diálogo entre tradição e criação contemporânea. Um concerto que cruza diferentes gerações e linguagens da escrita orquestral.
No dia seguinte, 18, domingo, às 17h00, Frankie Chavez toma conta do palco do Cineteatro. O guitarrista e vocalista tem-se afirmado como um dos músicos mais estimulantes da sua geração, tendo já trabalhado numa outra banda, os Miramar, com o guitarrista dos Ornatos Violeta, Pedro “Peixe” Cardoso, e colaborado em dueto com Tatanka, dos The Black Mamba, entre muitos outros.
No dia 22, arranca em Loulé o Festival Política, que nesta edição traz música, teatro e cinema, stand-up comedy e teatro. Emmy Curl (dia 24) é uma das cabeças de cartaz, mas a atriz e dramaturga Sara Barros Leitão (dia 22) também faz parte da programação, com a peça “Nós, sozinhas”, sobre a condição feminina e, em particular, o aborto. A peça conta com o recurso de Audiodescrição, para pessoas cegas e/ou com baixa visão.
Esta edição do Festival Política (que se apresenta também em Lisboa, Coimbra e Torres Vedras) tem como pano de fundo os 50 anos da aprovação da primeira Constituição da Democracia. O festival tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa, e a programação integral poderá ser consultada no site do Cineteatro Louletano.
O Instituto Justina realiza a oficina gratuita “Palavras Necessárias” com a dramaturga boliviana Claudia Eid Asbún neste sábado (17/10), das 14h às 18h. O espetáculo “1888” será apresentado gratuitamente nos dias 22, 23 e 24 de outubro, em três espaços culturais de Aparecida de Goiânia.
O espetáculo “1888” será apresentado gratuitamente nos dias 22, 23 e 24 de outubro, em três espaços culturais de Aparecida de Goiânia. Com atuação e dramaturgia da atriz goiana Takaiúna e direção da dramaturga boliviana Claudia Eid Asbún, a circulação integra o projeto Temporada 1888 – Dramaturgia Afro-Latinoamericana.
No dia 17 de outubro, sábado, das 14h às 18h, o Instituto Justina oferece a oficina gratuita Palavras Necessárias, ministrada por Claudia Eid, na sede do instituto. A iniciativa contempla ainda a publicação da dramaturgia em livro, com distribuição gratuita. O projeto foi aprovado pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás (FAC-GO), por meio do Edital Cultura Negra e Periférica de Goiás – Tradição, Arte e Identidade.
Mais do que revisitar o ano que dá nome ao espetáculo, “1888” lança um olhar sobre aquilo que a abolição formal da escravidão não foi capaz de encerrar. A montagem parte de memórias afro-brasileiras e latino-americanas para investigar a permanência das estruturas escravocratas, as violências que atravessam a existência de mulheres negras e as formas de resistência preservadas pela ancestralidade.
No centro da narrativa está Justina, uma mulher negra e curandeira que vive no Brasil de 1888. Entre ervas, rezas, lembranças e silêncios, a personagem carrega experiências que ultrapassam sua própria existência. Em cena, Justina conversa com um bebê sobre a vida e a liberdade. A música, a dança e a presença física da atriz conduzem uma narrativa em que o tempo deixa de obedecer à cronologia.
Criado em 2022, o espetáculo nasceu de um processo de formação e investigação dramatúrgica desenvolvido por Takaiúna em parceria com Claudia Eid Asbún. Durante a pesquisa, Takaiúna desenvolveu o conceito de “elementos-pontes”, expressão utilizada para identificar elementos cênicos que compartilham uma cosmologia comum em diferentes territórios da América Latina. O trabalho já circulou por festivais, universidades, Pontos de Cultura e espaços culturais comunitários da América Latina e do continente africano.
A presença de Claudia Eid Asbún em Aparecida de Goiânia vai além da direção do espetáculo. A oficina Palavras Necessárias propõe uma investigação sobre os caminhos da escrita para o teatro. A atividade parte das estruturas clássicas da dramaturgia e avança em direção a formas contemporâneas de construir narrativas. Um dos pontos centrais é a identificação dos chamados detonadores criativos: experiências, percepções e inquietações pessoais capazes de impulsionar a criação artística.
Dramaturga, diretora, atriz e jornalista, Claudia Eid Asbún está à frente da companhia independente El Masticadero, fundada em 2005, na Bolívia. Também dirige a Oficina Permanente de Teatro da Universidade Privada Boliviana (UPB), em Cochabamba. Sua produção dramatúrgica integra publicações na Bolívia, Espanha, Argentina e Cuba.
Outro desdobramento da temporada é a publicação de “1888” em formato de livro, que será distribuído gratuitamente a escolas, bibliotecas e Pontos de Cultura. A iniciativa amplia o alcance do projeto ao permitir que a dramaturgia continue circulando para além das apresentações.
A escolha dos espaços que recebem a temporada está diretamente relacionada à trajetória do Instituto Justina, organização sediada em Aparecida de Goiânia que desenvolve, desde 2015, atividades de formação, pesquisa, intercâmbio e circulação artística. Reconhecido como Ponto de Cultura em 2019, o Instituto teve sua metodologia “Dramaturgias Emergentes” reconhecida como Tecnologia Social pelo Banco Ibero-americano de Saberes, em 2022. Em 2026, passou à condição de Pontão de Cultura.
Oficina gratuita: 17 de outubro (sábado), das 14h às 18h, na sede do Instituto Justina. Apresentações gratuitas: 22 de outubro (quinta-feira), às 19h30, na sede do Instituto Justina; 23 de outubro (sexta-feira), às 14h, no CENFI; 24 de outubro (sábado), às 19h30, no Ponto de Cultura Rosa dos Ventos. Classificação indicativa: 18 anos.
Un 45 giri a tiratura limitatissima: la contrabbando version di Living Disco Club, è stata confezionata a mano con la carta del pane e lo spago. Rapidamente, il pubblico di nicchia locale, dj e addetti ai lavori di Salerno e dintorni se ne accaparrano una copia. In effetti i Banda Maje sono discepoli dell’ascolto tradizionale, nonché ferventi idolatri del supporto fisico: il disco. Incuriosito, Andrea Fabrizii, direttore artistico influente nel panorama delle colonne sonore italiane e internazionali, li mette allora in contatto con Pierpaolo De Santis, di For Flies Records. Da lì il déclic: groove partenopeo e funk salmastro iniziano a propagarsi lungo tutta la costiera.
Se l’album di esordio, «Ufo Bar» (2021), trasporta l’ascoltatore in una Salerno immaginaria che fonde tradizione locale e cultura pop e cinematografica anni Settanta, con «Costa Sud» (2026), il gruppo compie un passo ulteriore. «Rispetto a Ufo Bar ci siamo amalgamati, il sound è diventato più organico» confida Peppe Maiellano, all’origine del progetto. È un road trip che insegue la sua spensieratezza e quella dei suoi soci nell’immaginario della “Salifornia” , fantomatica provincia meridionale dove, tra onde ed edifici decadenti, affiorano chimere. Una colata di asfalto torrido che si snoda lungo il paesaggio mozzafiato del golfo salernitano, ferito allo stesso tempo dall’abusivismo edilizio, dalla malavita e dalla cattiva amministrazione. «Le storie che raccontiamo sono mosse da un intento di evasione. Partendo dal contesto campano ci riferiamo al sud del mondo: America Latina, Africa e Italia condividono la stessa grande contraddizione tra bellezza e degrado, con problemi a livello sociale e politico che hanno un impatto diretto sulla vita delle persone».
Courtesy of Banda Maje
Baia, la seconda traccia dell’ultimo album, è una spiaggia urbana che, prima della costruzione del porto commerciale, era considerata l’ingresso naturale della costiera amalfitana «Il territorio ne è uscito completamente deturpato. Quando hai poco tempo, vai alla Baia: è sempre un’esperienza, un crocevia di culture, dove negli anni sono spuntati anche locali modaioli, circondati da quella sorta di degrado urbano, a due passi dall’incanto della costiera.» prosegue Francesco Cirillo, parte del nucleo storico della band, insieme al rapper e producer Tonico 70.
Attorno a loro gravita un numero di componenti in continua evoluzione, mossi da una passione sincera per una commistione di generi d’importazione, siano essi samba-funk, soul, disco o afrobeat che amano incrostare alle melodie partenopee. Sparsi principalmente tra Napoli e Salerno, sono una grande famiglia: prima di tutto amici, accomunati del legame con la loro terra, da un forte spirito goliardico e da una precisa idea artistica indipendente. «Ci riteniamo fortunati, in una formazione così numerosa (una decina di musicisti, a volte di più NDLR) siamo orientati a contribuire alla musica insieme. Non c’è spazio per l’ego, lavoriamo tutti per il risultato finale, per ottenere il sound giusto. Siamo al servizio l’uno dell’altro, anche negli arrangiamenti: molte volte si sentono degli incastri, dei botta e rispostainaspettati.» spiega Maiellano. Al momento, si esibiscono una sezione fiati (tromba, sax e flauto), due voci femminili, Chiara Della Monica e Cristina Cafiero, batteria e basso, mentre lo stesso Maiellano si dedica alle tastiere.
Courtesy of Banda Maje
Insieme, i Banda Maje suonano le radici e riflettono sul cambiamento: «La tradizione lascia un’impronta: anche nel momento in cui la rielabori, resta lì, sedimentata nell’inconscio. Diceva Quincy Jones che “la melodia è la voce di Dio”, quel parametro musicale che non si può controllare in maniera matematica o scientifica, come invece accade con armonia e ritmo. È lì che si innesta il vissuto, fatto di tutti quegli ascolti che abbiamo assorbito negli anni. Siamo cresciuti con i canti di lavoro partenopei, e ce li portiamo dentro: anche se altri elementi convergono nella nostra musica, cerchiamo sempre di rispettarli. Del cambiamento non bisogna avere mai timore: è nella natura umana evolvere, senza restare fermi. L’importante è avere ben presente il punto di partenza, sapé chi simmo e ‘a addó venimmo (sapere chi siamo e da dove veniamo, NDLR)».
Questa varietà di atmosfere riflette la profondità del loro linguaggio sonoro, plasmato dai vicoli stretti pieni di vita, dell’amore incondizionato per la canzone napoletana, per le colonne sonore italiane, per i B-movies e per la saga dei contrabbandieri di sigarette. Un tuffo nei ricordi d’infanzia di Maiellano, insomma, che confluiscono nel concerto. Il live rappresenta la liberazione di tutte le fatiche della sala prove, un processo un po’ oscuro, spesso invisibile agli occhi del pubblico. Da qui germoglia l’essenza del progetto: un momento che rende il gruppo ancora più unito, in cui le emozioni si amplificano e i pezzi si dilatano, anche grazie all’energia degli spettatori.
Courtesy of Banda Maje
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Il cambiamento spesso è una sfida che ti presenta la vita, a volte è un atto liberatorio che serve a migliorare noi stessi, altre volte ancora si è vittime dei cambiamenti imposti e bisogna reagire. La nostra vita, la società e le arti sono in perenne evoluzione, per cui pensiamo che non si debba avere timore del cambiamento, ma scrutarne i segni e assecondarne il flusso cogliendone il lato positivo.
In alcuni di questi brani si parla direttamente di questo: cambiamenti spirituali (Kokoroko e Battiato), cambiamenti sociali e collettivi (Area, Esa Williams e Ezra Collective), riflessioni sul flusso del tempo (Khruangbin, Zero 7, Moloko), speranza nel futuro (Marcos Valle, Blundetto, Black Pumas), momenti di transizione personali (George Benson, Black Sabbath) o un cambiamento di ordine musicale, come nel caso di Habbanera in cui James Senese decide di fare il suo esordio discografico da solista, cambiando sonorità rispetto a Napoli Centrale.
Fedeli alla goliardia, non potevamo non introdurre questa playlist con un messaggio a tema degli adorati Squallor, che nel loro album “Cambiamento” del 1994 descrissero in maniera geniale e dissacrante la fine della prima Repubblica e l’avvento dell’era berlusconiana, assolutamente in linea con una certa visione caustica e disincantata di Ennio Flaiano che già negli anni ’50 ci ricordava che “la situazione politica in Italia è grave ma non è seria”. Ci auguriamo che questi ascolti possano essere di ispirazione soprattutto a chi sta affrontando un cambiamento importante nella propria vita. Con amore, Banda Maje.
Ascolta la playlist di Banda Maje per Linkiesta Etc
Outubro traz histórias para ouvir, jogos para descobrir, danças para experimentar, mistérios para resolver e muita criatividade.
Vem viajar pelo mundo da fantasia: dia 10, às 16h00, o Tapete Voador leva-nos a descobrir “O outono da pequena gansa”, de Elli Woollard.Para pequenos detetives:
nos dias 17 e 24, das 10h00 às 12h00, a Quinta do Peral desafia os 7 aos 12 anos a desvendar “O Mistério da Água Desaparecida” e a aprender como podemos usar este recurso de forma mais eficiente. A inscrição é obrigatória.Vem dançar em família:
dia 24, às 16h00, há uma viagem pelo mundo através da música e das danças tradicionais, na oficina “Temos o baile armado!”.E há ainda três dias inteiros para partis à descoberta do fantástico mundo dos livros!
De 21 a 23, o Enleio das Histórias junta livros, leitura, escritores, ilustração, criatividade, LEGO, Realidade Virtual, experiências sensoriais e muito mais. Atividade para escolas do 1.º ciclo do concelho.Atenção ao desafio mais misterioso do mês: “As Bruxas (Não) Existem” Cria um chapéu de bruxa original, inventa a sua história e entrega-o na Sala Infantil da Biblioteca Municipal até 14 de outubro. Depois, será o público a escolher o vencedor! E porque há sempre mais para descobrir… aproveita também para visitar as exposições que estão patentes: “A Água e o Mar para mim”, na Galeria Municipal, de 2 a 31 de outubro, e “Aprender com Arte”, no Átrio do São Brás Cineteatro Jaime Pinto, até 31 de outubro.
Em outubro, o Cineteatro Louletano reinventa-se e aposta de novo em programação de referência, cruzando música, dança, teatro, cinema e espetáculos multidisciplinares, do lado de cá e de lá do Atlântico. Isto porque, neste mês, haverá duas peças com companhias vindas diretamente do Brasil, mais concretamente da Amazónia e de São Paulo.
E no dia 9, sexta-feira, há dança, com a junção da Companhia Maior e a do coreógrafo Victor Hugo Pontes. A peça chama-se “A esta hora, na infância neva” e é um espetáculo que cruza a infância e as gerações mais velhas e que conta com a participação de crianças previamente selecionadas, que irão “espelhar” os(as) intérpretes adultos(as) em alguns momentos. Na peça, os bailarinos mais velhos têm corpos que perdem força e velocidade, mas que ganham em definição e intenção. Em simultâneo, as gerações mais novas criam um espelho que nos permite refletir sobre o que ainda somos, daquilo que fomos…
No fim de semana, sábado e domingo, há duas peças vindas do Brasil, no âmbito do Festival Todos São Palco – Mostra de Teatro Além do Equador, organizado pelo Teatrão. Sábado, dia 10, às 21h00, temos “O Avesso da Pele”, pelo Coletivo Ocutá, de São Paulo. A peça baseia-se no romance premiado de Jeferson Tenório (vencedor do prémio Jabuti 2021 na categoria Romance Literário). Conta a estória de um professor que é assassinado pela polícia, e a procura de um sentido, por parte do filho, numa busca pelo passado da família.
Já no domingo, às 17h00, é a vez de “As Cores da América Latina”, peça que vem da Amazónia, da cidade de Manaus, com a Companhia Panorando. O espetáculo possui como norte três manifestações latino-americanas, a Fiesta de la Tirana (Chile), a Huaconada (Peru) e Cavalo-Marinho (Brasil) em intersecção com a Dança e o Teatro. Esta peça conta com o recurso de Audiodescrição, para pessoas cegas e/ou com baixa visão. O Festival traz consigo três oficinas de participação, nos dias 8, 10 e 11, nas quais se poderá inscrever através do email cinereservas@cm-loule.pt. Mais informações no site do Cineteatro Louletano.
A 13 de outubro, cinema, com mais um filme do ciclo Filme Francês do Mês, organizado pela Alliance Française em colaboração com o CTL. O título é “Grand Paris”, de Martin Jauvat (2022). Conta a estória de Leslie, um jovem parisiense que vive nos subúrbios, e do seu amigo, Renard. Ambos entram numa aventura, com a descoberta de um misterioso objeto que lhes dá dinheiro rapidamente. É no Auditório do Solar da Música Nova, às 21h00.
À mesma hora, ali ao lado, no Palácio Gama Lobo, entre as 19h00 e as 21h00, decorre a oficina “Experimenta Criar (Invenção da Natureza)”, pela Gira Sol Azul. A oficina parte de conceitos científicos, filosóficos e históricos sobre a natureza e propõe exploração sonora e criação musical coletiva. É dirigida a todas as pessoas do setor da Educação e ao público em geral. Inscrições pelo email cinereservas@cm-loule.pt
Em outubro, o concelho de Loulé volta a transformar-se na capital da música erudita com a realização do XXVI Encontro de Música Antiga de Loulé – Francisco Rosado. Em 2026, o festival celebra 26 anos de história com uma programação cultural de excelência que cruza um repertório da Idade Média, Renascimento e Barroco.
Mais uma vez sob a direção artística de Ana Figueiras, esta edição contará com 6 concertos com entrada gratuita em igrejas e espaços culturais e 2 atividades formativas.
O festival, consolidado como uma das iniciativas mais prestigiadas do país na valorização do património musical antigo, reúne este ano agrupamentos e intérpretes de referência nacional e internacional. Do repertório barroco de matriz religiosa às pontes com a criação contemporânea, os espetáculos convidam o público a descobrir a riqueza e a intemporalidade das sonoridades antigas.
A 10 de outubro, na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Querença, o Ensemble 258 (Portugal) leva a palco o programa de cariz mariano e devocional “O Dulcedo Amoris”, explorando obras barrocas de compositores ibéricos, franceses e ingleses. Fundado em Lisboa em 2018 por André Ferreira, Maria Bayley e Teresa Duarte, o Ensemble 258dedica-se à recuperação e interpretação historicamente informada do património musical europeu, com particular atenção às fontes, aos contextos e às práticas de execução da época.
A elevada dimensão artística que a flauta de bisel assumiu nos principais meios culturais europeus é apresentado pelo Duo Andrómeda (Portugal/Noruega) que nos traz “Sempre Cânone”. Este projeto foi pensado para contribuir para o aumento da produção musical contemporânea para flauta de bisel e cooperar no seu desenvolvimento e difusão. O duo vai estar na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Quarteira, no dia 11.
E a 17 de outubro, em Loulé, a Igreja de S. Francisco vai ser o palco do concerto do agrupamento português Musurgia Ensemble apresenta uma refinada seleção de sonatas e trissonatas barrocas para flauta de bisel e baixo contínuo de dois grandes mestres que marcaram a música do período barroco: Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) e Georg Philipp Telemann (1681 – 1767).
O encerramento deste Encontro acontece a 31 de outubro, na Igreja de S. Sebastião, em Boliqueime. Este momento final junta em palco o Ensemble de Flautas de Loulé (que celebra este ano o seu 30º aniversário) e o Ensemble de Flautas da JetseAcademie (Bélgica) no concerto “Confluências”, inserido no projeto europeu Erasmus+.
Todos os concertos têm início às 19h e entrada livre.
Reforçando a sua forte dimensão formativa e o contacto próximo com práticas de interpretação historicamente informadas, o encontro promove duas ações abertas ao público, no Auditório do Solar da Música Nova, em Loulé. No sábado, 10 de outubro, às 14h00, um workshop de Oboé Barroco, com André Ferreira. No domingo, 18 de outubro, às 10h00, um masterclass de Flauta de Bisel, com João Francisco Távora.
No próximo dia 19 de setembro, às 19:00, a Igreja Matriz de Pechão recebe o Quarteto de Sopros da Orquestra do Algarve, num concerto integrado no programa comemorativo do Bicentenário da Câmara Municipal de Olhão.
O espetáculo corresponde ao terceiro concerto do ciclo “APOS: Música Clássica no Território”, promovido no âmbito da parceria entre o Município de Olhão e a Associação de Valorização do Património Cultural e Ambiental de Olhão (APOS), contando ainda com o apoio da Junta de Freguesia de Pechão. Com o título “Clássicos ma non troppo”, o concerto propõe uma formação pouco habitual na música de câmara: o quarteto de sopros. Íntimo e simultaneamente versátil, este formato conheceu particular popularidade nas primeiras décadas do século XIX, período em que compositores como Gioacchino Rossini e Vincenzo Gambaro escreveram obras especificamente para esta formação. O programa percorre diferentes épocas e universos musicais, reunindo obras de Rossini, Schubert, Gambaro e Daniel Dorff. Entre os momentos do concerto estará o andamento lento do célebre quarteto de cordas “A Morte e a Donzela”, de Franz Schubert, numa adaptação para esta formação de sopros. A proposta musical chega ainda aos nossos dias através de Daniel Dorff, compositor norte-americano que, em 1990, escreveu um tango originalmente para quarteto de clarinetes. O sucesso da obra levou o compositor a criar mais de uma dúzia de versões para diferentes formações instrumentais, sendo apresentada nesta ocasião a sua 14.ª versão. O Quarteto de Sopros da Orquestra do Algarve é composto por Joaquim Moita (fagote), Luís Miguel Garcia (flauta), Emídio Costa (clarinete) e Todd Sheldrick (trompa). O concerto tem entrada livre, constituindo mais uma oportunidade para aproximar a música clássica de diferentes espaços e públicos do concelho de Olhão, levando a programação cultural para além dos espaços convencionais e valorizando, simultaneamente, o património local.
O Festival F está de regresso a Faro para a sua 11.ª edição, que acontece de 3 a 5 de setembro de 2026, reunindo música e cultura num dos grandes eventos do verão algarvio.
Durante três dias, a cidade de Faro recebe um programa diversificado que cruza diferentes géneros e linguagens musicais, com artistas nacionais e projetos emergentes.
Entre os nomes em destaque estão Bárbara Tinoco, D.A.M.A, Wet Bed Gang, ÁTOA, HMB e Chico da Tina, que integram o cartaz de quinta-feira, 3 de setembro. O programa inclui ainda atuações de Paus, Irina Barros, Alcool Club, Lana Gasparotti, Femme Falafel, Mães Solteiras, Jasmin, João Tiago Neto, Afonso Rodrigues, Rafael Toral, Ana Tereza, Gijoe + Gaiatos Capote e Vasco Trindade Trio, entre outros.
Na sexta-feira, 4 de setembro, sobem ao palco The Gift, Nelson Freitas, TZ da Coronel, Ricardo Ribeiro & Orquestra de Jazz do Algarve, Clã e Moonspell. O alinhamento conta também com Lucas Ortet, Bizarra Locomotiva, Aragão, Pelados, Inhuman, Daniel Kemish, Joana Almeirante, Diana Vilarinho, Rita Cortezão, SB03, Mirage People, Danz (DJ Set), Must Be Blue, Algarve Jazz Collective, L.A.R. e João Melgueira.
O último dia do festival, sábado, 5 de setembro, apresenta nomes como Carminho & Orquestra do Algarve, Slow J, Papillon, Danni Gato, Maninho, Mind da Gap e Branko, acompanhados por Camaleão Azul, Espama Trincana, King Bigs, Peculiar, Travo, Elisa, Latte, Peixe, IBSXJAUR, Gonçalo Mendes, Untitled, Micáh, Sofia Rodrigues, Akur e Puntzchick.
Com uma programação que combina artistas consagrados, novos talentos e diferentes propostas musicais, o Festival F volta a afirmar-se como um dos principais acontecimentos culturais do Algarve, convidando o público a viver Faro através da música e da cultura.
Festival F — 3 a 5 de setembro de 2026 | Faro, Algarve | 11.ª edição.
Com direção musical de Pablo Urbina, a Orquestra do Algarve volta à Cerca do Convento do Espírito Santo, em Loulé, na próxima sexta-feira, 21 de agosto, pelas 21h30, para encher de música mais uma noite de verão.
Desta vez este momento musical faz-se ao sabor do cancioneiro português dos últimos 50 anos, com uma sucessão de temas que são conhecidos de todo o público, porém apresentados de uma forma puramente orquestral, onde a melodia vocal é assumida pelos mais diversos instrumentos da orquestra.
O concerto “Canções de toda a vida” tem entrada livre.
De 16 a 22 de agosto de 2026, Faro recebe mais uma edição do FolkFaro – Folclore Internacional da Cidade de Faro, um encontro dedicado à celebração da música, da dança e das tradições populares de diferentes culturas.
Durante uma semana, vários locais da cidade de Faro serão palco de momentos de convívio, animação e partilha cultural, reunindo grupos folclóricos de Brasil, Chipre do Norte, Eslováquia, França, Itália, Nicarágua, Quénia e Portugal.
Com o mote “Ritmos e Tradição num Palco de Emoções!”, o FolkFaro 2026 promete levar ao público a riqueza e a diversidade das tradições populares, através de espetáculos e iniciativas que aproximam culturas e comunidades.
Uma oportunidade para viver Faro ao ritmo do folclore internacional e descobrir diferentes formas de celebrar a identidade, a música e a tradição.
Data: 16 a 22 de agosto de 2026 Local: Vários locais em Faro Grupos participantes: Brasil, Chipre do Norte, Eslováquia, França, Itália, Nicarágua, Quénia e Portugal
Organização/Informações: Grupo Folclórico de Faro Telefone: 966 049 355 — chamadas para a rede móvel nacional
A Sociedade Recreativa e Popular – Banda Musical Castromarinense está, desde o início do mês de agosto, a surpreender os turistas e os banhistas nos areais das praias do concelho, com atuações inesperadas que se transformam em momentos únicos.
As atuações vão decorrer nas praias da Alagoa/Altura a 21 de agosto e 5 de setembro, na praia da Retur a 16 e 23 de agosto, e na Praia Verde a 12 e 22 de agosto, sempre em ambiente descontraído.
Este ano a iniciativa do Município de Castro Marim alargou-se à praia Verde Lago, que acolheu o flashmob no dia 1 de agosto.
Os flashmobs pretendem presentear os presentes com a música e o talento de uma coletividade do concelho, que já conta com mais de um século de história.
“Depois do sucesso das edições anteriores, que reuniram milhares de visitantes e dezenas de parceiros, o Existir Summer regressa em 2026 com um programa renovado e a mesma missão: transformar momentos de convívio em oportunidades para apoiar quem mais precisa.”
Nos dias 14 e 15 de agosto de 2026, o Largo do Salão de Festas de Loulé volta a receber um dos eventos solidários mais aguardados do verão algarvio. A Existir – Associação para a Intervenção e Reabilitação de Populações Deficientes e Desfavorecidas promove mais uma edição do Existir Summer, uma iniciativa que une música, animação, gastronomia e responsabilidade social, proporcionando dois dias de convívio, partilha e alegria para toda a comunidade.
Com entrada livre, o evento decorrerá entre as 19h00 e a 01h00, convidando famílias, visitantes e turistas a viver uma experiência onde a diversão se alia à solidariedade. Mais do que um evento de verão, o Existir Summer é uma iniciativa que pretende sensibilizar a comunidade para a importância da inclusão e apoiar o trabalho diário desenvolvido pela Associação Existir na promoção da autonomia, da dignidade e da qualidade de vida das pessoas com deficiência e das suas famílias.
Um cartaz pensado para todas as gerações
A edição de 2026 apresenta um programa musical diversificado, reunindo artistas que prometem proporcionar duas noites memoráveis.
14 de agosto
Ruben Filipe
“Obrigado Marco Paulo”, espetáculo de homenagem interpretado por Luís Guilherme
15 de agosto
Melissa Simplício
Nuno & Soraia
Ao longo das duas noites, os visitantes poderão ainda desfrutar de uma ampla zona de comes e bebes, ideal para reunir familiares e amigos, bem como de um espaço dedicado aos mais pequenos, com várias atividades e momentos de diversão, tornando o Existir Summer um evento pensado para todas as idades.
Muito mais do que um evento
O Existir Summer nasceu com um objetivo muito claro: unir a comunidade em torno de uma causa solidária. Todas as receitas obtidas durante o evento revertem integralmente para o desenvolvimento das respostas sociais da Associação Existir, contribuindo para a continuidade dos projetos, atividades e serviços prestados diariamente aos seus utentes.
Ao longo das últimas edições, o Existir Summer afirmou-se como uma referência no calendário de verão do concelho de Loulé, reunindo milhares de visitantes, parceiros, voluntários e entidades que acreditam que a inclusão se constrói através da participação de todos.