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Rise of Palestinian parties in Knesset will redraw Israel’s political landscape

Exit polls indicate opposition leader Gadi Eisenkot will have to work with Arab-Israeli leaders to have a hope of governing

The big gains made by Palestinian parties in Israel’s general election pose an urgent and fundamental challenge to the country’s mainstream opposition: either cooperate with Arab Israelis or hand Benjamin Netanyahu a roadmap to political survival.

In the wake of Tuesday’s exit polls, the leader of the opposition bloc, Gadi Eisenkot, declared them a victory for “Israel’s Zionist national majority” but the real outcome looks as if it will be far more complex than that.

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© Composite: Alamy

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Israel election too close to call as exit polls give Netanyahu bloc slightly fewer seats

Early indications suggest it will be some time before the shape of new government and who will lead it is clear


Israel’s election appeared to have delivered no clear winner on Tuesday night after a historic turnout by voters for an election described by some as the most consequential in the country’s history, and marked by a record participation by Israeli Arab voters.

Exit polls published on Tuesday evening suggested that the opposition bloc of parties led by the former chief of staff of the Israel Defense Forces, Gadi Eisenkot, would win most seats in the Knesset by a slight margin, edging out Benjamin Netanyahu’s right and far-right coalition despite the prime minister’s Likud emerging as the largest party.

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© Photograph: Amir Levy/Getty Images

© Photograph: Amir Levy/Getty Images

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Fantoches viram ‘mães’ de corujas bebês em centro de reabilitação animal no Pará

27 October 2026 at 20:17

Um vídeo de um filhote de coruja sendo alimentado por um fantoche infantil chamou a atenção nas redes sociais na última semana.

O bebê, ainda sem penas e posicionado dentro de um pote de plástico, recebe comida de uma seringa segurada por uma mão coberta pelo fantoche. A enfermeira humana tem uma máscara ocultando seu rosto.

Publicada pelo Cetra (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens) da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), a cena reflete um princípio pouco conhecido do cuidado com animais silvestres: o anti-imprinting.

O que é imprinting?

É um comportamento também chamado de “estampagem” ou “cunhagem” que acontece logo nos primeiros dias da vida de um animal, em resposta à presença de uma figura materna ou paterna.

Ele foi descrito pela primeira vez pelo etólogo Konrad Lorenz ao observar filhotes de gansos e patos recém-nascidos. Assim que saíam dos ovos, os bebês seguiam instintivamente o primeiro objeto que viam – podendo ser sua mãe, outro animal ou até um objeto inanimado.

Seria este o mecanismo responsável pela aprendizagem de comportamentos essenciais para a sobrevivência: ao fixar sua atenção em figuras maternas e paternas, os filhotes copiam os comportamentos dos mais velhos e extraem diversas informações importantes.

Mas quando animais são separados dos pais ao nascer, o “imprinting” pode escolher um alvo que não tem estes aprendizados a oferecer. Este é o contexto do “anti-imprinting”.

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Fantoches viram “pais” de pequenos suindaras

No vídeo do Cetra, um filhote de coruja-da-igreja ou suindara é alimentado com uma luva de fantoche desenhada para parecer uma coruja adulta. O rosto da cuidadora, além de sua mão, é oculto para não desviar a atenção do bebê para a figura humana.

“Cada detalhe importa para preservar o comportamento natural e garantir uma soltura com sucesso no futuro”, diz a publicação.

A tática simula o oferecimento do alimento pela mãe coruja, e também preserva o distanciamento natural entre as espécies, conservando instintos de proteção das corujas e impedindo o desenvolvimento de confiança excessiva nos humanos.

Legacy of 7 October looms large as a divided Israel goes to the polls in record numbers

Bereaved families tell voters to remember the victims while others have flown thousands of miles to cast their ballots

Election day in Israel began with a protest by some of the voters with most at stake. Bereaved families of those killed in the 7 October attacks held a minute of silence at 6.29am, the moment when Hamas launched its onslaught just over three years ago.

They gathered in a Tel Aviv plaza that has become known as “hostages square” because it was the centre of demonstrations demanding the return of more than 200 captives from Gaza. Holding pictures of their loved ones, they stood in silence then called on voters to remember the losses and betrayals of that day when deciding on the next government.

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© Photograph: Ilia Yefimovich/AFP/Getty Images

© Photograph: Ilia Yefimovich/AFP/Getty Images

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Sobe para 24 o número de corpos encontrados pela Polícia em São Paulo

27 October 2026 at 18:26

As Polícias Civil e Militar de São Paulo encontraram mais sete corpos, desde a última terça-feira (20), na capital paulista e na Grande São Paulo em meio às investigações sobre ocorrências com características semelhantes. No total, já foram encontrados 24 corpos. 

Os casos ganharam repercussão diante da possibilidade de atuação de um assassino em série.

Na última quinta-feira (22), integrantes da cúpula da Segurança Pública de São Paulo voltaram a afirmar que, até o momento, não há indícios de que os crimes investigados na capital tenham sido cometidos pela mesma pessoa.

Terça-feira (20)

Um homem foi encontrado morto dentro de um porta-malas de carro abandonado, na noite última terça-feira (20), na Estrada Borba Gato, no bairro Itaquaçiara, em Itapecerica da Serra.

A Polícia Militar foi acionada, e no local, encontrou um veículo abandonado com um cadáver. A ocorrência foi registrada no DP Central de Itapecerica da Serra.

Quarta-feira (21)

Um homem foi encontrado morto, na tarde da última quarta-feira (21), em uma área de mata, perto da Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, na região de Tremembé, Zona Norte de São Paulo.

Segundo os militares, o corpo foi encontrado com rigidez cadavérica. O caso foi registrado na 73ºDP. 

Quinta-feira (22)

Um corpo foi encontrado com as mãos amarradas e um saco preto na cabeça, na noite da última quinta-feira (22), na Rua Paulo da Silva, no Rio Pequeno, zona oeste da capital.

De acordo com a PMSP, a vítima também apresentava indícios de tortura. As circunstâncias da morte ainda são investigadas. 

Domingo (25)

No último domingo (25), foram encontrados três corpos, um no bairro Pedreira e dois na Vila Califórnia. 

No bairro Pedreira, a Polícia Civil investiga um homicídio, ocorrido durante a madrugada, na Rua David Perez. Um homem de 31 anos foi baleado e morreu no local. O autor dos disparos fugiu. 

Segundo os agentes que atenderam a ocorrência, o homem caminhava em direção a um estabelecimento comercial, acompanhada de um outro homem, quando um indivíduo se aproximou e efetuou disparos contra os dois. 

Até o momento, não há informações de que o homem que acompanhava a vítima também tenha sido atingido. 

O caso foi registrado como homicídio no 98º Distrito Policial (Jardim Miriam), que solicitou o assessoramento do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). 

Na Vila Califórnia, a PCSP investiga duplo homicídio, ocorrido na na manhã de domingo, em área de mata. 

De acordo com a SSP-SP, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) também foi acionado para essa investigação. Foram solicitados exames periciais ao IC e IML. 

Segunda-feira (26)

Um homem foi encontrado morto com agressões pelo corpo, na manhã de segunda-feira (26), após cair em uma via pública na região da Estrada da Barragem, na Zona Sul de São Paulo. 

Segundo a SSP-SP, o SAMU atendeu a ocorrência com a Polícia Civil, mas o óbito foi constatado no local.

O caso foi registrado no 101º Distrito Policial, e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionado para seguir a investigação. 

*Sob supervisão de André Rigue

Fed e BCE decidem esta semana: os juros vão voltar a subir

27 October 2026 at 18:20

Os juros continuam elevados e a inflação ainda preocupa os bancos centrais. Esta semana, há decisões importantes nos Estados Unidos e na Europa. Será que os juros vão ficar na mesma ou ainda podem subir mais? Saiba mais, neste episódio do Economia dia a dia, podcast diário do Expresso

Uma estudante de 14 anos ajudou a solucionar um dos grandes problemas da sismologia: seu modelo matemático melhora em 16% a detecção de terremotos

27 October 2026 at 17:01

A aluna Isabel Rossi, de uma escola pública em Williamsburg, Virgínia, usou sua paixão por matemática para melhorar a cadeia de detecção de terremotos, possibilitando respostas mais rápidas às emergências. Com apenas 14 anos, ela desenvolveu um modelo algorítmico que testa diferentes posicionamentos para sensores de atividade sísmica até chegar ao mais eficaz.

Tudo começou quando a americana leu no periódico Physics Today um artigo sobre as dificuldades envolvidas na detecção de terremotos. Ela, que já experienciou um tremor de terra, já tinha interesse pelo tema e decidiu ajudar.

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Ao longo de seis meses, a estudante analisou diferentes métodos de usar matemática para tomar decisões; ela os comparou a dados de sismologia na região de Los Angeles, na Califórnia, e a modelos computacionais de colocação de sensores. Apenas explorando um banco de dados online, descobriu onde estavam posicionados os aparelhos atuais e onde ocorreram terremotos anteriores, sem precisar se locomover até os locais.

Em seguida, ela criou um programa de computador que gerava organizações aleatórias dos sensores no espaço. Cada organização era submetida à análise de dois métodos matemáticos que levam em conta diferentes interesses – como difícil acesso à localização, abrangência da cobertura e escassez de recursos.

O objetivo era chegar à distribuição de sensores que equilibrava melhor todos os objetivos, desde a economia até a área coberta. Depois de vários testes, Isabel encontrou uma solução que maximizava a performance.

A disposição proposta aumentaria a cobertura da detecção de terremotos em 16,7%, incluindo espaços antes não monitorados, com apenas cinco novos sensores. A melhoria ainda não foi aplicada na vida real, mas ajuda a sofisticar os processos de decisão usados pela sismologia daqui em diante.

Prêmio de até R$ 136 mil

O projeto “Ouvindo nos Lugares Certos: Teoria dos Jogos e Otimização para Posicionamento de Sensores de Terremoto” foi parte do concurso Thermo Fisher Scientific Junior Innovators Challenge, organizado pela Society for Science, no qual Isabel é finalista entre os 10 mil estudantes de ensino fundamental inscritos.

O vencedor principal leva para casa um prêmio de US$ 25 mil (cerca de R$ 136 mil na cotação atual); a premiação acumulada de todas as categorias ultrapassa US$ 100 mil. 

Republican voters are getting worried about high costs as inflation stings and the midterms approach

27 October 2026 at 17:00
A hand in a plaid shirt holding a fuel nozzle refueling a car at a gas station pump. Bright day with a visible station backdrop.
Rising costs are weighing on Republican voters.

Lajst/Getty Images

  • Republicans are feeling the strain of rising costs, with more saying it's a drag on their finances.
  • Those voters are feeling generally bad about the economy as key midterm elections loom.
  • Voters not approving of the party in power is common; what's unclear is how it'll play out.

Republicans are feeling the high-cost crunch.

The latest consumer sentiment reading out of the University of Michigan finds that, across the board, Americans are still feeling bad. While self-identified Republicans still feel better than their Democratic and Independent counterparts, they're increasingly feeling the pinch of rising prices.

From January to October 2026, the share of Republicans citing high prices as a drag on their finances rose the most out of all political factions. It's a sign that, even as their party holds Congress and the White House, Republican voters might still be feeling the heat — especially as inflation continues to rise.

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And, more broadly, Republicans seem to be souring on economic conditions. A Pew Research survey of 5,062 American adults from September 28 to October 4 found that Republicans, and those who lean Republican, were becoming less likely to say that economic conditions in the country are good.

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Historically, consumer sentiment and surveys asking voters about economic conditions tend to have strong partisan correlations. Democrats are more likely to say that the economy is doing well and they're optimistic about the future when a Democrat is president; Republicans do the same when the GOP holds the White House.

The shift in Republican sentiment illustrates just how bad Americans at large are feeling about the economy. A similar downshift happened among Democrats amid the inflationary spike during President Joe Biden's term.

"President Trump has implemented an aggressive, pro-growth economic agenda that has blunted Biden's historic 40-year high inflation crisis, driven economic growth, increased wages and created private-sector jobs in areas that had been hollowed out and shipped overseas," White House spokesman Matthew Middleton said in a statement. "The President has always been clear about temporary disruptions as a result of the Iran conflict, but this administration will continue to deliver economic wins for the American people over the next two years."

While 18% of Republicans surveyed by Pew in January 2026 said that President Donald Trump's economic policies have made economic conditions worse, that share grew to 35% in October 2026. Similarly, an increasing share — 14% in January versus 25% in October — said that they expect economic conditions to be worse a year from now.

Similarly, polling from SSRS's Economic Attitudes Tracker found that Republicans are now more likely to describe the economy as bad than good — and the share of Independents who think the economy is good has plummeted to 12%, compared to a high of 25% in August 2025.

The cost concerns come as Iran War volatility — and the resulting fallout on energy prices — kept inflation high. In September, the consumer price index accelerated more than anticipated, with skyrocketing energy prices driving the increase. That means that, for the sixth month in a row, inflation has outpaced wage increases. Meanwhile, the labor market is floundering, with the country adding a paltry 29,000 payrolls in September — a far cry from the 90,000 roles economists predicted.

Midterm Election Day is a week away, and partisan sentiment around prices is shaping up to be especially important at the ballot box. Affordability messaging has become a touchpoint in swing state elections, with lawmakers on both sides of the aisle clamoring to show how their policies have and will bring down everyday costs.

But the declining sentiment among even the Republican base could be a warning sign for conservatives: An Ipsos/Washington Post/ABC News poll found that, in April, 34% of respondents said they trusted Republicans to do a better job of handling the economy, compared to 33% saying the same of Democrats. As of October 13, that had flipped. Just 28% of respondents said they'd trust Republicans to handle the economy better, while 37% said they'd trust the Democrats.

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Por que aviões ficam dando voltas antes de pousar? Prática deixa voos mais poluentes e custa mais de US$ 2,3 bilhões para a gestão do tráfego aéreo

27 October 2026 at 13:47

Viajantes frequentes podem estar familiarizados com a experiência de ver seu avião chegando ao aeroporto e se animar com a perspectiva de esticar as pernas e aterrissar em terra firme, só para se verem presos na aeronave enquanto ela circula no céu por um período que parece interminável.

A manobra não é capricho do piloto, nem necessariamente sinal de pane: na maioria das vezes, ocorre por falhas na gestão do tráfego aéreo.

Nesta terça-feira (27), a ONU (Organização das Nações Unidas) compartilhou um plano para mitigar o problema – e ele envolve medidas que a aviação nacional já aplica, mas com restrições.

Por que aviões voam em círculos?

O cenário é chamado de padrão de espera: quando um avião entra em trajetória circular em um ponto fixo do céu enquanto soluciona um problema mecânico, aguarda melhores condições climáticas para seguir viagem ou espera autorização para aterrissar. Em espaços aéreos muito movimentados, esta autorização pode demorar.

O volume de combustível no tanque da aeronave precisa levar em conta esse período; hoje, as normas de transporte aéreo e aviação civil propõem abastecer o suficiente para manter um padrão de espera de até 45 minutos, além do necessário para completar a rota.

Caso a permissão para pouso demore demais e o combustível fique próximo do nível mínimo de segurança, o piloto deve avisar a torre de segurança para receber prioridade na fila ou mudar a rota para outra pista.

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Quais as consequências dos longos padrões de espera?

Segundo a Icao (Organização da Aviação Civil Internacional) da ONU, as companhias aéreas de todo o mundo transportam cerca de 5,7 milhões de passageiros por dia; o número total pode chegar a 12,4 bilhões até 2050.

Os céus cada vez mais congestionados significam que qualquer emergência ou tempestade pode causar atrasos em milhares de viagens, prejudicando viações e viajantes, além de empresas que dependem do transporte aéreo para suas cargas.

A Eurocontrol, entidade responsável pela navegação aérea na Europa, afirma que só em 2025 os atrasos custaram mais de US$ 2,3 bilhões no continente.

Como solucionar?

A proposta da ONU é baseada nos semáforos de trânsito. O secretário-geral da agência, Juan Carlos Salazar, faz uma comparação com o transporte sobre rodas.

“Se os semáforos funcionarem independentemente, o trânsito vira um caos e há engarrafamentos em todas as esquinas”, afirma. “Se alguém recebe sinal verde em uma rua e é parado na seguinte, o congestionamento aumenta imediatamente.”

Para ele, o mesmo acontece no tráfego aéreo. A solução começaria, então, na origem do trajeto: o aeroporto de partida.

Se um aeroporto sabe que não pode mais receber aeronaves por um determinado período, emite um sinal para que os aviões não pousem. O que deveria acontecer, segundo o representante da Icao, é coordenar com outros aeroportos para que atrasem as decolagens de voos que têm como destino pistas já lotadas.

A proposta parte do princípio de que voos com decolagem atrasada não emitem mais gases de efeito estufa nem queimam mais combustível, como ocorre quando um pouso é suspenso.

Testes deste modelo com apoio da Icao no continente americano já “pouparam mais de 265 mil minutos de tempo de voo em 2026 e mais de US$ 38,9 milhões”, diz a entidade. Também economizaram “cerca de 13.330 toneladas de combustível e evitaram a emissão de 42.160 toneladas de dióxido de carbono, contribuindo para a meta de emissões líquidas zero de carbono na aviação internacional até 2050”.

Sistema não é novidade, mas implementação é parcial

Salazar afirma que Brasil e Colômbia, além de países fora das Américas, já usam este sistema em voos nacionais. Mas os benefícios são limitados pela falta de comunicação entre sistemas de voo internacionais.

Atualmente, muitas informações de tráfego aéreo não são trocadas entre diferentes países “por falta de vontade ou de meios para transmiti-las em tempo real”, diz o secretário. Um voo da Europa para a Oceania, no exemplo selecionado por ele, exigiria a coordenação entre quatro ou cinco regiões.

Outro empecilho é o uso do espaço aéreo em zonas de conflito. Drones e mísseis lançados entre países obrigam companhias aéreas a desviar suas rotas, tornando os trajetos menos previsíveis.

 *Publicado por Juliana Santos.

Vendas de etanol hidratado em São Paulo se aproximam de recorde

27 October 2026 at 13:08

O mercado brasileiro de biocombustíveis registra forte valorização na reta final de outubro.

De acordo com levantamentos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços do etanol, tanto o hidratado quanto o anidro, acumulam alta nas principais regiões produtoras, impulsionados pela combinação de oferta restrita devido ao clima e demanda aquecida pelas distribuidoras.

Dentro das usinas o etanol anidro registrou a cotação mínima, de R$ 2,30, em 7 de agosto. Na última semana o preço estava cotado em R$ 3,39, o que representa uma alta de 47,39% no período.

Já o etanol hidratado a menor cotação foi registrada em 31 de julho: R$ 2,04. E na última semana, em 23 de outubro, passou para R$ 2,74. Acumulando alta de 33,94% em 3 meses.

A retração na moagem e na oferta estão entre os principais motivos. As chuvas, acima da média histórica para o período, tem dificultado o avanço das frentes de colheita e a operação das usinas.

Além disso o relatório do Cepea reforça que o excesso de umidade dificulta a logística de colheita e também compromete o acúmulo de sacarose, reduzindo o teor de ATR (Açúcar Total Recuperável) e a qualidade geral da matéria-prima destinada à industrialização.

No caso específico do etanol anidro, que é usado na mistura com a gasolina, a queda na qualidade da matéria-prima e os gargalos na produção tem gerado apreensão entre os agentes do setor quanto ao cumprimento de entrega dos volumes estabelecidos em contratos de obrigatoriedade, diz os pesquisadores do Cepea.

Já no caso do etanol hidratado, vendido diretamente nas bombas, a demanda crescente deve fazer com que o volume comercializado pelas usinas paulistas seja recorde neste ciclo. A parcial de outubro já supera o montante registrado em setembro e a expectativa é de que o mês com 350 milhões de litros comercializados, a maior marca da safra 2026/2027.

Com a possibilidade de uma oferta mais restrita nos próximos meses, devido ao ritmo lento da moagem, muitos distribuidores tem antecipado as compras para garantir estoques de segurança e atender a procura do mercado consumidor já que a paridade dos preços, entre a gasolina e o etanol, permanece atrativa para os motoristas estimulando o consumo do biocombustível.

Solidão? Estudo investiga por que pessoas deixam a televisão ligada mesmo sem estar assistindo

27 October 2026 at 13:05

A música ambiente perdeu espaço para outra forma de preencher o silêncio: a “televisão ambiente”. O termo foi descrito pela professora de Estudos do Cinema Anna McCarthy, da New York University, que analisou em livro de 2001 a presença de televisões ligadas em espaços públicos como “bares, lavanderias e lojas” ou “aliviando o tédio em salas de espera”.

Hoje, o maior acesso à tecnologia tornou o fenômeno comum até dentro de casa. Um estudo publicado em 2025 na revista Psychology of Popular Media, da Associação Psicológica Americana, buscou descobrir por que tantos se recusam a desligar a telinha mesmo quando não interagem com ela.

A televisão como parte da rotina

Em “Eu Só Quero Ver Algo Que Posso Ignorar: Motivações, Gratificação e Controle do Humor em Televisão Ambiente de Fundo”, pesquisadores do departamento de Jornalismo, Relações Públicas e Novas Mídias da Baylor University lançaram a pergunta a 278 pessoas em uma pesquisa online.

“Assistir à televisão é um comportamento muito mais complicado do que pensamos”, diz Alec Tefertiller, um dos três coautores. “A televisão ambiente pode nos dar energia para fazer exercícios ou terminar tarefas entediantes e  nos ajudar a relaxar. Ambas as coisas aumentam nossa satisfação com a TV.”

Entre as respostas, o trio identificou cinco motivações principais: energização, irritação, relaxamento, mindfulness, e companhia. Em alguns destes casos, a televisão ganhava uma dimensão ritualística, fazendo parte de rotinas repetitivas.

“Entender o consumo ambiente por suas motivações e impactos positivos nos ajuda a compreender melhor como usamos mídias para regular nossas emoções“, completa Tefertiller.

Leia Mais:

Aparelho pode ter efeito positivo no sono

O uso de eletrônicos e telas de luz azul já foi associado à piora na qualidade do sono, especialmente em crianças. No entanto, um estudo publicado em 2022 no Journal of Sleep Research mostra que dedicar um curto período a assistir televisão (ou ler um livro e ouvir audiobooks) pode promover relaxamento suficiente para antecipar a hora de dormir.

Os benefícios dependem do período gasto consumindo a mídia, além do nível de atenção e do tipo do programa. Séries mais leves e familiares, por exemplo, são mais efetivas.

A pesquisa ilustra a importante distinção entre o efeito no sono das mídias passivas (como a televisão, o rádio ou podcasts e audiolivros) e mídias ativas, como jogos, redes sociais e aplicativos de troca de mensagens.

Por que o som ambiente nos relaxa?

Os efeitos psicológicos das trilhas sonoras ambiente, que podem ser desde músicas monótonas e consistentes até sons de natureza ou ruídos brancos, também são objeto de estudo frequente.

Entre as hipóteses estão a difusão da atenção (quando um som preenche o silêncio, outros sons parecem menos chamativos), o instinto animal (que aprendeu a associar o silêncio à presença de predadores) e a busca por conexão social.

Até mesmo ouvir vozes humanas, sem interagir com elas nem prestar atenção ao que dizem, pode estimular nossas respostas parasociais e trazer um nível de conforto superior ao silêncio.

Millennials and Gen Z are excitedly buying Lego, plushies, and other toys. It's becoming big business.

Harrison Woodward
Harrison Woodward builds and collects Lego products, including cars.

Cassidy Araiza for BI

As a child, you may have sung along to Toys R Us' iconic jingle about not wanting to grow up. Decades later, many millennial and Gen Z adults are taking that motto seriously.

Adults are rediscovering how Lego, stuffed animals, and other toys brought them joy. Now that they're earning their own money, they can afford the things they once played with or circled in catalogs. Hobby spending — which includes hobby shops, arts and crafts stores, and outdoor recreation providers — rose 7.9% year over year in August, according to an analysis by the Bank of America Institute.

Devin Byron, 25, had a collection of American Girl dolls growing up, but her interest in playing with them fizzled out around middle school. However, her love for them never really went away. And now, working an office job, she can buy her own.

In February, she and her friend went to the American Girl store in New York. Byron purchased the historical doll representing the '60s, Melody, which cost $135 with the book, plus $34 for accessories.

"I feel like a lot of collectors now are, I would say, healing their inner child because some people couldn't get maybe American Girl dolls growing up, but now they can," Byron said. "And it's an adrenaline rush too."

Devin Byron with an American Girl doll bag
Byron bought an American Girl doll in February.

Courtesy of Devin Byron

She's not the only adult contributing to the toy economy. Market research company Circana found that adult-only households made up over half of toy sales in the first half of this year, and that overall toy sales for adults increased 25%. Some adults may buy toys to bring nostalgia back into their lives or to avoid doomscrolling. For others, it's to make a profit.

"We're seeing toys increasingly function as hobbies, fandom ecosystems, and social experiences rather than traditional children's products," said Kristen McLean, vice president of client insights for Circana's Entertainment Knowledge Group. "That's expanding the consumer base and creating new opportunities for manufacturers and retailers that understand how to engage collectors, enthusiasts, gifters, and self-purchasers."

Syls Farmer
Syls Farmer's personal collection, including an American Girl doll, and toys she sells. Her vintage online toy store specializes in girl toys.

Courtesy of Syls Farmer

The rise of 'kidulting'

Jay Berino, store manager at the Lowry Town Center Timbuk Toys in Denver, pointed to "kidulting," the trend in which adults engage with childlike toys and hobbies, as coming from adults seeking distractions and nostalgia — from buying Pokémon cards to lava lamps.

"As much as we're a toy store and people hear toy store and think of kids, we sell to a lot to full-blown adults, and that drives a huge chunk of our business," he said.

Syls Farmer, 32, runs a vintage online store specializing in toys marketed to girls. Her store, Mema's Doll Shop, was inspired by her grandmother, who ran a couple of toy stores back in the day. Farmer said adults buy from her for themselves or for their kids so they can experience their past.

"A lot of people are dealing with a lot of pressure in this general economy and the world in general," Farmer said. "And I think that these items of childhood are bringing back feelings of comfort and peace that I think a lot of us need right now."

Farmer also buys toys for herself, including her first American Girl doll through Facebook Marketplace — Nicki, one of the '90s-inspired dolls.

Even crafters are getting in on the toy craze: Abby Glassenberg, the president of the Craft Industry Alliance, said that homemade Labubu-esque bag charms have taken off, with crafters making their own customizable charms from crochet or felt.

"People are definitely still spending. I think craft in some ways is resistant to market up and down," Glassenberg said. When the market is up, people pour more money into their hobbies, whether that's getting premium materials or even traveling to somewhere catered to their favorite crafts.

"When the market is down, and people's budgets are tighter, they want to make something for a gift rather than buy it," Glassenberg said.

Collecting toys

Emma Wynn, 28, has 120 Jellycat items, a popular stuffed-toy brand that includes animals, food, and more. Wynn's collection began when she bought a scuba diver egg while browsing at a garden center with her family, sparking a feeling of childlike happiness.

Emma Wynn
Wynn's first Jellycat was an egg wearing a scuba diver outfit. Her favorite part of collecting Jellycat items is creating displays. Right now, she has her fall-related plushies on her shelves.

Courtesy of Emma Wynn

Prices range on the Jellycat site; for instance, a heart dragon is priced at $80, a carrot cake is priced at $45, and bear winter decorations are priced at $28. Wynn funds her collection with money she earns from content creation, rather than from her corporate job.

Wynn thinks adults buy toys because they bring back happy childhood memories, can provide a dopamine hit when someone finds something they've been searching for a while, and can connect them with others who are building similar collections.

"It feels very empowering to be unapologetic about the things that bring us joy and happiness, whereas before maybe I would've been embarrassed about it," she said.

Emma Wynn
Wynn's soon-to-be mother-in-law got her a Jellycat flower bouquet.

Courtesy of Emma Wynn

It can also be a tangible way to remember a memory. For instance, Wynn's soon-to-be mother-in-law bought her a Jellycat flower bouquet to celebrate her new engagement.

Fueling an income

Harrison Woodward, 28, said building and playing with Lego sets was a large part of his childhood. For one birthday in his early 20s, his aunt bought him a Lego Porsche car model, reigniting his passion for Lego sets. He put on a streaming show after a long day of work and started to build the over 1,000-piece product.

Harrison Woodward
Woodward has a designated space for his collections and feels like he's running out of room.

Cassidy Araiza for BI

"It was just the most therapeutic, peaceful activity," he said. "You could sit there for a few hours, a few days in a row, and complete a set and see it come together and marvel at all the different engineering things that they put into these sets now."

He left his job in insurance to focus on content creation full time. He posts about his Lego collection and passion for cars; he recently started collecting Hot Wheels, another childhood favorite. He has spent thousands on Lego and is running out of space in a room that's filled with his collections. He still tries to find a balance so that building isn't just for content, such as taking his time to build a CaDA car set in the evening.

Woodward thinks adults might be purchasing toys to invest some time in their hobbies and take care of their mental health.

Harrison Woodward
Woodward's collection includes all different kinds of building toys, including ones from popular video game series.

Cassidy Araiza for BI

"I think the stigma has kind of lifted over collecting and everything," he said. "I think that for a long time people thought any of this stuff was strictly for kids, but as the years have gone on and adults have continued to adopt it, the stigma continues to go further and further away."

Harrison Woodward
Woodward thinks adults might be buying toys to support their mental health or to pursue a hobby.

Cassidy Araiza for BI

Trading cards have also become a major area of interest for some adults. Kian Golshan previously told Business Insider that Pokémon is a lucrative side hustle. For instance, he sold a Japanese-edition Charmander for $750 that he bought for $59.26. As Business Insider's Samuel O'Brient previously reported, Golshan was able to put the analytical skills that he developed while working in finance to work.

"It helps me kind of think through the risks and when to take profits, when to sell, what to hold, what's my like risk profile, what's tracking the market," Golshan said.

Byron, the Gen Zer who bought an American doll, still has her collection of dolls from her childhood. Plus, she has her most recent addition displayed in her room.

"I'm actually thinking about going back to the store again," she said. "Maybe I'll walk out with another doll. I guess we'll see."

Read the original article on Business Insider

La motosierra pierde dientes

27 October 2026 at 05:00
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Empecemos por lo inmediato. La victoria de Lula da Silva en Brasil es impresionante si tenemos en cuenta el conglomerado de poder al que se enfrentaba. Ha derrotado al algoritmo. Es impresionante que un hombre de 81 años haya podido darle la vuelta a la situación después de haber perdido la primera vuelta por dos millones de votos. ¿De dónde ha surgido esa fuerza? De abajo, de la gente. Mientras exista democracia, toda elección es un proceso abierto. Este fin de semana también lo hemos visto en Serbia, en el corazón de los Balcanes. La Lista de los Estudiantes, inédito frente de regeneración democrática, ha derrotado al hasta ahora presidente Aleksandar Vucic, dirigente nacionalista apoyado por Rusia y el movimiento MAGA de Estados Unidos. En el tablero europeo no todas las piezas caen por el mismo lado. Después de Hungría, Serbia.

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Crise no plano de saúde testa amizade entre funcionários de restaurante

26 October 2026 at 23:47

Quando os médicos diagnosticaram Jen Chan com uma forma agressiva de câncer de mama no ano passado, ela e sua esposa, Emily, se depararam com uma realidade assustadora: cirurgia, quimioterapia, radioterapia e a incerteza sobre se o tratamento seria eficaz.

Por um tempo, pareceu que sim. Em abril, Jen dançou em direção ao sino da ala de quimioterapia, com um largo sorriso e os punhos erguidos em sinal de triunfo. A equipe médica a aplaudiu e agitou pompons rosa-choque ao seu redor, comemorando o que todos pensavam ser o fim de seu tratamento exaustivo.

Mas exames subsequentes detectaram células cancerígenas nos gânglios linfáticos de Jen. Os médicos disseram que ela precisaria de mais um ano de quimioterapia. Então veio o segundo golpe.

Durante uma das sessões de quimioterapia, Emily recebeu um e-mail de seu corretor de seguros, Trey Wilson. Começou assim: “Emily, eu não sei o que você vai fazer a respeito disso”.

Os custos do seguro deles estavam prestes a aumentar muito. O casal é coproprietário do JenChan’s, um popular restaurante chinês e pizzaria no peculiar bairro de Cabbagetown, em Atlanta, e do Mikkelson’s Market, um mercadinho descolado no bairro vizinho, em Reynoldstown.

Depois que o tratamento de câncer de Jen e a cirurgia decorrente de um acidente de um funcionário aumentaram os custos com seguros, o corretor deles basicamente disse que a conta dobraria, mas não apenas para Jen e o funcionário acidentado. Para todos.

A mensagem capturou uma crise comum para pequenas empresas: muitos proprietários querem oferecer seguro saúde para atrair e reter bons funcionários e protegê-los de um desastre financeiro, mas uma doença ou lesão grave pode fazer os custos dispararem.

“É um absurdo. Nem mesmo conseguimos incluir cônjuges ou dependentes no plano de saúde”, disse Jen Chan. Ela acrescentou que o filho não está incluído na apólice. “Só podemos assegurar nossos funcionários em tempo integral.”

Pesquisas do setor mostram que apenas cerca de um terço dos restaurantes nos EUA oferece cobertura de seguro. Pequenas empresas geralmente têm poucas opções acessíveis.

Scott Bierman, vice-presidente de assuntos governamentais da Associação de Restaurantes da Geórgia, afirmou que 9 em cada 10 de seus membros são pequenas empresas e que a maioria não tem condições de oferecer seguro.

“O seguro costuma ser um obstáculo intransponível para pequenas empresas como restaurantes. Muitos dos nossos funcionários gostariam de oferecer essa opção, mas simplesmente não conseguem arcar com os custos”, disse Bierman.

Sistema de saúde falho

E mesmo os restaurantes que conseguem encontrar dinheiro em seus orçamentos podem enfrentar aumentos repentinos e insustentáveis. “Com certeza, esta não é a primeira vez que as taxas disparam entre meus clientes de restaurantes”, disse Wilson, o corretor de seguros independente dos Chans, que trabalha principalmente com pequenas empresas.

“Às vezes, acontecem situações terríveis em que, infelizmente, os preços dobram, o que é péssimo. Mas o que podemos fazer?”

Nas últimas quatro décadas, os custos com planos de saúde têm sido a principal preocupação das pequenas empresas, de acordo com a Pesquisa de Seguros para Pequenas Empresas de março, realizada pela Federação Nacional de Empresas Independentes. Dos pequenos empregadores entrevistados que oferecem planos de saúde, 98% acreditam que os altos custos tornarão essa prática insustentável nos próximos cinco a dez anos.

Os trabalhadores do setor de hotelaria já estão entre os profissionais com menor cobertura de seguro saúde. Um relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA de 2021 constatou que cerca de 32% deles possuem plano de saúde, em comparação com 77% de todos os trabalhadores do setor privado.

“Nossa história mostra que realmente precisamos repensar como funciona o sistema de saúde neste país”, disse Emily Chan, que aparece trabalhando no Gala for Hope em julho • Rebecca Carmen

Enfrentando múltiplos desafios inesperados

A experiência dos Chans mostra o quão difícil a situação pode ser. Eles consideram a oferta de seguro para funcionários em tempo integral um benefício essencial, mas os custos já triplicaram há quatro anos.

Em 2024, os Chans adicionaram uma taxa opcional de 4% para contribuição ao plano de saúde nas contas dos clientes, mas receberam ameaças de morte depois que um cliente de fora da cidade reclamou nas redes sociais, contou Emily. A história virou notícia e a comunidade se mobilizou em apoio a eles.

“Temos muita sorte de ter amigos e clientes assim”, disse Emily.

Eles mantiveram a taxa de 4%, mas ainda assim não cobre o custo total. “Longe disso”, disse Emily.

O valor do seguro do restaurante varia mensalmente, dependendo das solicitações de indenização feitas pelos funcionários. Atualmente, nove funcionários estão cobertos pela apólice, e outros serão adicionados em breve. No ano passado, em média, os Chans pagaram cerca de US$ 491 por mês por funcionário. Depois disso, o custo saltou para uma média de cerca de US$ 1.135 por pessoa por mês durante o ano todo.

Só em junho, devido às suas recentes reclamações, a conta subiu para mais de US$ 2.400 por pessoa em um único mês. O valor total chegou a US$ 21.868,71 — quase quatro vezes o valor do aluguel do restaurante.

“As coisas mudaram completamente para nós”, disse Emily Chan.

Os funcionários costumam cumprimentar os clientes habituais do JenChan – e seus cães – pelo nome, com uma pergunta amigável sobre o dia deles • Austin Steele/CNN

Mesmo quando usam seus benefícios, dizem, muitas vezes precisam lutar para conseguir cobertura. O médico de Jen prescreveu um medicamento de imunoterapia que a seguradora não aprovou. Ela teve que optar por um tratamento diferente.

“Não consigo nem dizer quantas vezes fiquei andando de um lado para o outro ao telefone com a seguradora ou com o nosso representante”, disse Emily. “Estamos passando pelo diagnóstico mais devastador que já recebemos na vida, e o médico nos diz: ‘Isso é o melhor que podemos fazer por vocês’, e a gente começa a depositar esperança nisso, e aí a seguradora diz: ‘Que pena’. E aí, na nossa cabeça, a gente pensa: ‘Então, não estamos recebendo o melhor tratamento?’ É muito difícil.”

Emily pediu ao corretor que tentasse encontrar uma apólice mais barata. Mas ele disse que nenhuma outra seguradora aceitaria fechar negócio com eles devido ao histórico de sinistros.“É exatamente por essa situação que, por mais que os restaurantes desejem oferecer seguro, é incrivelmente difícil”, disse Wilson.

O Mikkelson’s Market é um mercadinho de bairro pertencente a Jen e Emily Chan, localizado no bairro de Reynoldstown, em Atlanta • Austin Steele/CNN

Um dos principais problemas é a falta de boas opções políticas.

“Normalmente, a única opção ‘acessível’ que as pequenas empresas têm é contratar um plano de saúde autofinanciado ou parcialmente autofinanciado”, disse Larry Levitt , vice-presidente executivo de políticas de saúde da KFF, um grupo de políticas de saúde.

Não há saúde universal e gratuita

A Lei de Acesso à Saúde não impede que planos autofinanciados ou parcialmente autofinanciados estabeleçam taxas com base no histórico de sinistros médicos de um grupo, disse Levitt. Nesses planos, os empregadores assumem o risco de pagar as despesas médicas. Grandes empresas podem distribuir esse risco entre muitas pessoas; em uma pequena empresa, uma doença grave ou um acidente pode aumentar rapidamente os custos.

“Normalmente, se uma pequena empresa oferece seguro, ela dá aos funcionários um valor fixo para pagar o seguro onde quer que o encontrem, ou as empresas compram o que é conhecido como uma apólice de autogestão, o que significa que as apólices são muito mais sensíveis aos custos reais de saúde dos trabalhadores”, explicou Levitt.

O plano de saúde dos Chans é parcialmente autofinanciado, o que significa que eles pagam diretamente as despesas médicas até um limite preestabelecido, após o qual uma seguradora maior entra em ação.

“As apólices podem parecer muito atraentes e baratas se seus funcionários forem saudáveis, mas se uma pessoa ficar doente, não é um bom negócio”, disse Levitt.

“Só nos Estados Unidos as pessoas podem ser arruinadas financeiramente por uma doença, mesmo tendo plano de saúde.”

Fotos da equipe decoram uma geladeira no restaurante JenChan’s em Cabbagetown • Austin Steele/CNN

Um restaurante que ‘exala comunidade’

No verão, os Chans se depararam com contas médicas altíssimas e custos de seguro proibitivos. Mas cancelar o plano de saúde significaria o fim do tratamento que salvou a vida de Jen, bem como da cobertura de saúde de sua equipe, e “isso claramente não é uma opção”, disse Emily.

Então Emily procurou uma solução para o problema. Ela criou uma campanha no GoFundMe para ajudar a pagar as despesas. Os Chans tinham uma vantagem que nem todos os pequenos empresários possuem: clientes fiéis e uma comunidade unida.

Mais de 1.700 pessoas fizeram doações. A campanha arrecadou mais de US$ 128.000 . Heather Anderson, frequentadora assídua do mercado e do restaurante, e sua esposa contribuíram.

Anderson diz que adora a fusão “nunca entediante” de comida chinesa e sulista do JenChan, especialmente a pizza de lasanha de burrata estilo focaccia e os “This is My Salad Nachos”, mas sua admiração vai muito além do cardápio.

“Tudo o que os Chans fazem transborda espírito de comunidade”, disse Anderson.

Tanta gente compareceu ao Gala for Hope — uma festa para celebrar a comunidade dos Chans e arrecadar fundos para o Giving Kitchen, uma instituição de caridade que apoia trabalhadores de restaurantes em momentos de crise — que os Chans só conseguiram ver os apoiadores quando estavam servindo a comida • Rebecca Carmen

Emily Chan disse que queria que o restaurante tivesse a atmosfera da “casa da vovó favorita” de todos, com suas paredes de tijolos aparentes cobertas de fotos de família, Polaroids de clientes e mensagens positivas. Os funcionários costumam cumprimentar os clientes habituais — e seus cachorros — pelo nome, com uma pergunta carinhosa sobre o dia deles.

A fidelidade ao restaurante e ao mercado cresceu graças a iniciativas acolhedoras para a vizinhança, como as Segundas-feiras de Mahjong e um Cartão Gay do Mês do Orgulho LGBTQIA + que oferece descontos no restaurante e em outros comércios locais. O Mikkelson’s Market se tornou um ponto de encontro para Anderson e seus vizinhos, onde compartilhavam notícias enquanto saboreavam biscoitos de frango e um café forte no pátio, na maioria dos fins de semana.

“Eles criaram uma comunidade para todos nós, então é claro que nossa comunidade os apoiaria”, disse Anderson.

Courtney Kovanis e sua esposa também contribuíram para a campanha no GoFundMe. Kovanis disse estar emocionada com o fato de o bairro de Reynoldstown ter concedido aos Chans, em setembro, um prêmio por seu trabalho comunitário.

“Com a campanha no GoFundMe, o que realmente me impressionou foi que eles não estavam apenas tentando arrecadar dinheiro para pagar o tratamento de câncer da Jen, que é incrivelmente caro, mas também para fornecer seguro saúde para seus funcionários”, disse Kovanis. “Isso realmente demonstra quem eles são como indivíduos.”

“O setor de serviços é muito difícil, e eles estão dando suporte aos seus funcionários. Contribuir é o mínimo que eu poderia fazer”, acrescentou ela.

‘A matemática é brutal’

Mas o financiamento coletivo dos Chans evidencia um problema mais amplo: mesmo quando há cobertura de saúde, a doença pode ser financeiramente devastadora, iniciando uma espiral de dívidas.

“Não é uma falha pessoal do dono ou funcionário de um restaurante se a cobertura do seguro não estiver completa”, disse Allison Padilla-Goodman, diretora executiva da Giving Kitchen , uma organização sem fins lucrativos de Atlanta que oferece ajuda financeira a trabalhadores de restaurantes em crise, incluindo alguns dos funcionários de JenChan ao longo dos anos.

Uma pesquisa da Gallup de março de 2025 revelou que cerca de 30 milhões de americanos relataram ter contraído empréstimos para pagar por cuidados médicos. Especificamente, estima-se que os americanos tenham tomado emprestado US$ 74 bilhões para pagar contas médicas somente em 2024. Mais de um quarto dos adultos americanos tinham dívidas médicas em 2025, de acordo com um relatório do Urban Institute divulgado este mês.

Antes de lançarem a campanha no GoFundMe neste verão, os Chans deviam cerca de US$ 12.000 referentes ao primeiro ciclo de tratamento de Jen e tinham cerca de US$ 60.000 em contas médicas pendentes. Como o tratamento ainda duraria mais um ano, não estava totalmente claro quanto mais eles teriam que pagar.

“O seguro de saúde já é bastante limitado, e os cálculos são brutais”, disse Padilla-Goodman.

Quando um garçom nos EUA ganha, em média, menos de US$ 17 por hora, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho , isso normalmente não lhe proporciona muitas economias para pagar despesas médicas inesperadas.

“Este é um grupo de pessoas que muitos consideram trabalhadores pobres”, disse ela. “É uma surpresa para alguns, já que são pessoas com quem interagimos regularmente e, em ocasiões especiais, quando vamos a um restaurante para comemorar, elas podem ser como família.”

A maioria dos funcionários de restaurantes também não tem direito a licença médica remunerada. Jen e Emily Chan trabalharam durante todo o tratamento de Jen, assim como outros antes delas.

Maxx Reginello , gerente de piso da JenChan , ficou impossibilitado de trabalhar por algumas semanas no ano passado após ser atropelado enquanto voltava de bicicleta para casa depois de um turno duplo na Páscoa. Ele precisou de cirurgia e usou um colar cervical por cerca de sete semanas.

“Estou feliz por estar vivo e tenho a sorte de ter seguro saúde pelo restaurante”, disse Reginello. Mas ainda havia despesas. Os Chans criaram uma campanha no GoFundMe para ajudar a pagar as contas médicas e outras despesas enquanto ele não podia trabalhar.

“Nossa comunidade realmente se superou”, disse ele. “Temos pessoas muito, muito generosas.”

Jen ainda está fazendo quimioterapia e precisará de tratamento até o final do ano. Depois de usar a campanha no GoFundMe para pagar as contas médicas e do seguro neste verão, os Chans ainda tinham dinheiro suficiente para criar uma espécie de conta poupança saúde para os funcionários, “para que, se algo ruim acontecer com algum deles e eles tiverem uma franquia ou despesas inesperadas, isso seja coberto”.

“Somos muito afortunados por nossa comunidade ter vindo cuidar de nós, e continuaremos a cuidar deles”, diz Emily Chan sobre a experiência do casal. “Mas o seguro coloca muitas empresas como a nossa em uma situação terrível.” • Austin Steele/CNN

Emily disse que estão contando sua história porque os problemas com o seguro que quase levaram a JenChan à falência ameaçam pequenas empresas em todo o país. Eles afirmam que não desistirão de oferecer seguro para seus funcionários e disponibilizaram um link em seu site para que as pessoas possam contribuir e ajudar com esses custos — mesmo sabendo o quão rápido esse benefício pode se tornar um passivo.

“Mas se ninguém falar sobre isso, o problema vai continuar. Temos muita sorte de nossa comunidade ter vindo cuidar de nós, e continuaremos cuidando dela. Mas o seguro coloca muitas empresas como a nossa em uma situação terrível”, disse Emily.

“Acho que nossa história mostra que realmente precisamos repensar como funciona o sistema de saúde neste país. Ou perderemos muitas outras empresas como a nossa.”

Por enquanto, o trabalho deles continua. Neste verão, os Chans organizaram um Jantar de Gala para a Esperança, a fim de agradecer aos apoiadores e arrecadar fundos para a Cozinha Solidária .

A participação foi tão grande que o casal nem precisou fazer um discurso. Eles passaram a maior parte do evento cozinhando.

“Sinceramente, acho que o evento falou por si só”, disse Emily. “Temos uma comunidade incrível.”

Surto de gripe aviária em fazenda de visons em Utah gera alerta; até onde se sabe, os humanos não conseguem transmiti-la

26 October 2026 at 21:23

Esta reportagem foi originalmente publicada pela ProPublica, uma redação sem fins lucrativos que investiga abusos de poder. Cadastre-se para receber as principais reportagens assim que forem publicadas.

A cepa da gripe aviária que devastou os celeiros americanos nos últimos quatro anos matou duas pessoas que a contraíram de animais doentes. Mas, até onde se sabe, os humanos não conseguem transmiti-la. O vírus permanece uma verdadeira gripe aviária, adaptada para se ligar às células das aves, e não para invadir a garganta e o nariz humanos, onde a tosse e os espirros disseminam gotículas de forma consistente.

Sob as condições certas, porém, isso poderia mudar. Uma única mutação poderia permitir que a gripe aviária se instalasse em humanos e desencadeasse uma pandemia que, segundo especialistas, poderia ser mais mortal que a Covid-19.

Para que isso aconteça, essa gripe aviária provavelmente precisaria encontrar um hospedeiro intermediário — um animal vulnerável a vírus que infectam tanto aves quanto humanos. Esses animais estariam aglomerados, e cada infecção aumentaria as chances de uma nova cepa surgir por meio de mutação. Então, para que essa cepa saltasse entre espécies, ela precisaria ter acesso a humanos e tempo para se espalhar entre eles sem ser detectada.

Uma investigação da ProPublica revelou que a placa de Petri perfeita existe neste exato momento. Há mais de dois meses, um surto de gripe aviária se alastra descontroladamente em uma fazenda de Utah que cria milhares de visons para a produção de peles. Os visons possuem pulmões e vias aéreas que, em nível celular, são notavelmente semelhantes aos dos humanos; eles já contraíram e disseminaram outros tipos de gripe e infectaram alguns humanos com Covid-19.

Em vez de tentar conter o surto e impedir que ele se alastre para os humanos, as autoridades estaduais e federais pouco fizeram além de tentar manter sua existência em segredo, como mostra nossa investigação. A inação equivale a uma série de erros que especialistas em gripe classificaram como “irresponsáveis” e “intrigantes”. Um deles chegou a dizer que era “brincar com fogo”.

Autoridades agrícolas de Utah tomaram conhecimento, em meados de agosto, de que visons estavam morrendo de gripe aviária na fazenda C&T Fenn Farms, localizada a cerca de uma hora de carro ao sul de Salt Lake City, de acordo com comunicações divulgadas sob a lei de registros públicos do estado.

A fazenda C&T Fenn Farms, uma criação de visons para produção de peles, está localizada a oeste de Provo, Utah, em 25 de setembro • Julie Leopo para a ProPublica

Caso as aves tivessem sido infectadas, o procedimento seria claro: a cepa é tão virulenta que, se uma única galinha testar positivo, o governo dos EUA exige que os produtores sacrifiquem todo o lote para proteger outras granjas e a saúde pública. Os avicultores são reembolsados ​​pelas perdas.

Mas não existem regras federais sobre como lidar com visons doentes.

A resposta do estado de Utah ficou a cargo da veterinária estadual Amanda Price, que buscou ajuda do Departamento de Agricultura dos EUA, responsável por lidar com surtos de gripe aviária que afetam aves e bovinos.

Autoridades do USDA disseram que não regulamentavam a criação de visons nem possuíam uma vacina aprovada para eles. E embora funcionários dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) tenham conversado com os colegas do departamento de saúde de Price, que estavam menos envolvidos com o surto, eles nunca falaram com ela, e ela nunca entrou em contato.

A ameaça de transbordamento não tem sido uma preocupação para as autoridades de Utah, conforme mostram registros e entrevistas. Em vez disso, o foco principal tem sido os interesses de uma empresa que cria animais para a produção de peles de luxo destinadas à exportação.

“Tem sido devastador”, disse Price à ProPublica sobre o surto e seu impacto no dono da fazenda. “Este é o trabalho de uma vida inteira que ele está vendo ser destruído. Espero sinceramente que vocês compreendam a humanidade por trás dessa situação.”

Especialistas em gripe foram categóricos ao afirmar que o governo deveria ter ordenado o abate dos visons na fazenda, como outros países já fizeram .

Mas Utah nunca considerou isso seriamente. Um representante do comércio de peles alertou Price de que fazê-lo acabaria com o negócio e, em última análise, com a indústria. As fazendas passam décadas criando visons para desenvolver linhagens genéticas únicas.

“Não há muitas opções além de sentar e esperar para ver o que acontece”, disse Price, observando que os funcionários do USDA não a aconselharam a matar o vison nem a fizeram sentir que a gripe aviária em visons era mais arriscada do que infecções em outros animais que a contraíram, como patos e vacas.

Especialistas em gripe consideraram essa resposta surpreendente.

“Em todos os outros países que conheço que tiveram H5N1 em fazendas de criação de animais para produção de peles, o despovoamento ocorreu muito rapidamente”, disse Tom Peacock, pesquisador de influenza aviária do Instituto Pirbright. “O fato de o primeiro instinto não ter sido simplesmente despovoar e pensar no que fazer depois é muito preocupante para mim.”

E durante todo esse tempo, as autoridades não monitoraram os trabalhadores que lidavam com visons em busca de sintomas, contrariando as orientações do CDC .

A exposição deles é significativa: os visons espirram. Eles fogem. Eles atacam. “Os visons são ferozes”, disse um “minkero” (criador de visons) que fala espanhol e trabalha em uma fazenda próxima, mostrando as cicatrizes que recebeu das criaturas agressivas e solitárias. “Você fica com medo porque a maldita coisa morde e arranha.”

Neste momento, no estado de Washington, as autoridades estão trabalhando para rastrear os contatos de uma pessoa sintomática exposta a gado leiteiro infectado com gripe aviária. O paciente está em isolamento domiciliar. Autoridades de saúde pública de Utah costumavam realizar um monitoramento proativo semelhante, mas interromperam a prática após reclamações de seus colegas do departamento de agricultura, que alegavam que os agricultores estavam incomodados com isso.

“O fato de estarmos realizando monitoramento ativo fez com que as fazendas não quisessem trabalhar conosco”, disse Pamela Gomez Pinedo, epidemiologista de doenças respiratórias do departamento de saúde de Utah. Como resultado, os profissionais de saúde pública tiveram “muita dificuldade” para obter informações detalhadas das autoridades agrícolas, afirmou ela.

Um trabalhador de uma fazenda de visons, às vezes chamado de “minkero” pela comunidade hispânica, exibe cicatrizes de mordidas e arranhões de visons em Payson, Utah. Os trabalhadores geralmente usam luvas compridas para se proteger, mas ainda assim podem ser mordidos ou arranhados • Julie Leopo para a ProPublica

Como parte de um acordo firmado em 2025 , o Departamento de Agricultura e Alimentação de Utah concordou em compartilhar informações sobre surtos de gripe aviária em fazendas, desde que as autoridades de saúde não fizessem nada para monitorar a saúde dos trabalhadores.

“Só faremos monitoramento ativo em caso de evidências de transmissão de pessoa para pessoa”, disse Pinedo em e-mails com um epidemiologista do CDC. À medida que o surto se estendia por um mês, funcionários do CDC expressaram preocupação, questionando como alguém saberia se um trabalhador havia sido infectado se não estivesse sendo testado.

Price afirmou que a política do estado de não monitorar os trabalhadores visa permitir que os agricultores decidam se devem ou não contatar o departamento de saúde, em vez de “forçá-los a isso”. “Se começássemos a ver pessoas morrendo por causa disso, obviamente mudaríamos a forma como respondemos à situação”, disse ela.

Um sinal revelador da infecção por gripe aviária em humanos é a vermelhidão nos olhos. Ela está presente em mais de 90% dos casos e, muitas vezes, é o único sintoma apresentado pela pessoa.

No último sábado, um repórter da ProPublica localizou duas pessoas que trabalhavam na fazenda de visons em Utah. Uma delas tinha um olho visivelmente vermelho.

O CDC recomenda explicitamente que se faça o teste para detectar o sintoma.

Após a ProPublica entrar em contato com a fazenda, o proprietário, Chad Fenn, contatou o Departamento de Saúde do Condado de Utah sobre o olho vermelho, que já havia desaparecido na segunda-feira, segundo ele relatou à ProPublica. Ele disse que um funcionário teve contato com poeira nos olhos; o departamento não recomendou exames.

“Eles não vão fazer nada”, disse Fenn. “Disseram que não veem necessidade.” Ele afirmou que o departamento recomendava o teste apenas se outros sintomas, como tosse ou dor de garganta, se desenvolvessem.

Meia dúzia de especialistas em gripe não poupou adjetivos para descrever sua incredulidade diante das decisões do governo de não abater os visons ou monitorar e testar os trabalhadores.

“É incrível para mim”, disse Gail Hansen, ex-veterinária e epidemiologista de saúde pública do estado do Kansas. “Utah não quer ser o epicentro do próximo surto de gripe humana, certo?”

A maioria dos novos vírus que abalaram a humanidade no século passado teve origem em animais. O ebola provavelmente veio de morcegos frugívoros; o HIV, de chimpanzés. A principal teoria para a Covid-19 é que ela passou de morcegos para humanos através de um mamífero hospedeiro intermediário, como o cão-guaxinim. E todas as pandemias de gripe modernas foram causadas por vírus da gripe aviária que sofreram mutações e passaram a infectar humanos.

A ProPublica fez uma extensa reportagem sobre a transmissão viral em uma série de 2023 chamada “Raízes de um Surto”. Para evitar transmissões mais mortais, especialistas do mundo todo instam os governos a adotarem uma abordagem de ” saúde única ” para as ameaças virais, tratando os perigos para os animais como perigos para os humanos.

Isso não está acontecendo em Utah, disseram especialistas após analisarem as descobertas da ProPublica. Tanto o governo estadual quanto o federal são culpados.

“Não há um líder nessa equipe de ‘saúde única’ para assumir o comando”, disse Erin Sorrell, pesquisadora sênior do Centro Johns Hopkins para Segurança da Saúde. “Isso vai permitir que o vírus continue circulando, potencialmente se adaptando e potencialmente se espalhando para outro hospedeiro, seja ele aviário, mamífero ou humano.”

Essa cepa da gripe aviária, que começou a dizimar granjas avícolas americanas no início de 2022, mostrou-se capaz de infectar outras espécies. Ela se instalou em bovinos em 2024 e, desde então, se alastrou rapidamente em laticínios.

No entanto, as diretrizes federais para prevenir a disseminação em fazendas de visons não consideraram as vacas como uma ameaça. Os agricultores são incentivados a impedir que pássaros selvagens invadam seus galpões e a evitar alimentá-los com aves cruas. Nada foi dito sobre alimentar os visons com pedaços de carne bovina, prática comum entre os agricultores nos meses de verão para estimular o ganho de peso e o crescimento dos animais.

Vacas leiteiras, que não são “despovoadas” se expostas à gripe aviária, ainda podem ser abatidas e a carne vendida para fazendas e humanos, mesmo que pesquisadores tenham encontrado o vírus nos tecidos de vacas doentes . Autoridades do USDA insistem que a carne bovina para consumo humano está livre de gripe aviária , em parte porque o vírus se concentra em partes da vaca que as pessoas normalmente não comem. Fenn afirmou que os visons são rotineiramente alimentados com órgãos crus de animais, incluindo vacas.

Os dados genômicos das amostras de pulmões e cérebros de visons enviadas de Utah para um laboratório do USDA mostram que os visons foram infectados com a mesma cepa do vírus que se espalhou em rebanhos leiteiros. As autoridades disseram que não sabiam se a carne contaminada foi a forma como os visons foram infectados.

Vacas pastam em um campo no Vale de Utah, Utah • Julie Leopo para a ProPublica

Nos visons, a cepa láctea da gripe aviária pode ter encontrado um hospedeiro muito melhor para sofrer mutação e se transformar em gripe humana, porque as vias aéreas dos visons possuem uma abundância do tipo de receptores celulares presentes na garganta e no nariz das pessoas, que são uma via comum de infecção.

Um estudo de 2024 sobre a cepa láctea da gripe aviária descobriu que uma única mutação poderia alterar a preferência do vírus por receptores do tipo aviário em vez de receptores do tipo humano. E em estudos com furões , um parente próximo do vison, o vírus adquiriu mutações que lhe permitem atacar receptores de células do tipo humano.

Os cientistas não têm certeza de qual seria o salto evolutivo necessário para que essa cepa da gripe aviária se espalhasse entre os humanos, ou se os visons são os hospedeiros que permitiriam que esse salto acontecesse.

A forma como isso se desenrolará “depende muito do que acontecer com o vírus”, disse Meghan Davis, epidemiologista da Universidade Johns Hopkins.

“Podemos ter sorte, e uma resposta que não seja robusta pode não ter consequências graves”, disse ela. “Mas também podemos não ter sorte.”

Existe também o risco de algo chamado “reassortimento”, em que outro vírus da gripe pode infectar a mesma célula que um vírus da gripe aviária e trocar grandes porções de código genético já adaptado aos humanos.

Quando o surto na fazenda de visons começou, havia muito pouca gripe sazonal com a qual pudesse se misturar, mas setembro registrou um dos inícios mais precoces da temporada de gripe já registrados , em comparação com novembro, quando a gripe normalmente se alastra.

“O cenário mais provável para uma pandemia é que tenhamos um vírus que se recombine com outro vírus”, disse Jennifer Nuzzo, diretora do Centro de Pandemias da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown. “Obviamente, ter isso circulando durante a temporada de gripe humana não é nada bom.”

As autoridades de Utah responderam muito melhor à ameaça de contágio em 2020, quando surtos de COVID-19 se espalharam rapidamente em fazendas de visons – incluindo esta própria fazenda. Elas convidaram autoridades federais ao estado para pesquisar como o vírus se adaptou e se disseminou.

Dada a reputação dos visons como artistas da fuga, especialistas em vida selvagem instalaram armadilhas ao redor de fazendas infectadas. As armadilhas frequentemente capturavam visons portadores da COVID-19, que havia se originado nos estábulos próximos. O vírus infectou tanto os visons que escaparam quanto os visons selvagens com os quais eles entraram em contato . Os visons e os trabalhadores rurais eram testados frequentemente, rastreando a forma como o vírus se espalhava e sofria mutações .

À medida que outros estados e países adotaram as mesmas medidas, identificaram humanos infectados pelo vison com COVID-19 e, por fim, a transmissão de pessoa para pessoa.

Não existem esforços semelhantes em andamento em Utah para combater a gripe aviária.

Um porta-voz do USDA disse à ProPublica que o órgão esteve mais envolvido em 2020 porque o vírus causador da COVID-19 tinha um potencial “significativo” de transmissão entre humanos e animais e vice-versa.

Cientistas do USDA sequenciaram e publicaram dados genômicos da gripe aviária a partir das primeiras amostras de visons mortos. Essas sequências não mostraram nenhuma mutação particularmente preocupante, disseram especialistas e o CDC à ProPublica.

Mas, nos últimos dois meses, segundo especialistas, o vírus certamente continuou sofrendo mutações à medida que se espalhava – a questão é apenas se essas mutações poderão conferir alguma vantagem na infecção de humanos também.

“Enquanto a transmissão continuar de vison para vison, a probabilidade de o vírus pular para um humano aumenta cada vez mais”, disse Hansen.

Fenn disse que novas amostras foram coletadas há duas semanas. Price disse que ainda está aguardando os resultados.

Os visons possuem o tipo de receptores celulares que uma gripe sazonal ataca na garganta e no nariz dos humanos. • Julie Leopo para a ProPublica

John Korslund, um funcionário aposentado do USDA que ajudou a coordenar a resposta à COVID-19 em fazendas de visons alguns anos antes, foi um dos vários especialistas que disseram que as autoridades precisam analisar atentamente as amostras genéticas mais recentes para ver como o vírus está evoluindo.

“Quero muito saber o que o vírus fez, desde o seu início até hoje”, disse ele. “Será que estamos acumulando mutações que tornam o vírus mais perigoso?”

A ProPublica começou a noticiar o surto no final do verão, depois que o USDA atualizou um painel de controle da gripe aviária que mostrava que sete visons em cativeiro haviam testado positivo em Utah. Mas nem o USDA nem as autoridades estaduais se pronunciaram publicamente e, quando questionados, se recusaram a discutir o que realmente estava acontecendo na fazenda.

Comunicações obtidas sob a lei de registros públicos do estado — publicadas inicialmente pelo Instituto de Bem-Estar Animal e noticiadas pelo Salt Lake Tribune — mostram que as autoridades de Utah se esforçaram para proteger a privacidade da fazenda em meio ao surto. O estado não declarou estado de emergência porque, segundo as autoridades, isso “poderia alertar grupos de direitos dos animais”, de acordo com as mensagens.

Willy Lanier, veterinário de saúde pública do departamento de saúde estadual, orientou seus colegas a manter o surto sob “controle mais rigoroso” do que os surtos de gripe aviária em granjas de aves e gado leiteiro. Manter a informação confidencial estava de acordo com o protocolo estadual, afirmou um porta-voz do departamento, acrescentando que a informação ainda era compartilhada com as autoridades de saúde locais. Mas quando a ProPublica entrou em contato com a porta-voz do Departamento de Saúde do Condado de Utah sobre um possível surto de gripe aviária, ela respondeu: “Isso seria novidade para mim”.

Price demonstra tanta deferência à família proprietária da fazenda que jamais pôs os pés na propriedade.

“Na verdade, sou o único aqui nesta instalação que tem lidado com o produtor. Eles são muito reservados”, disse Price. “Muito do que estou fazendo é baseado no que vi no Google Maps, no que conversei com o produtor e com o veterinário. Não senti necessidade de ir até lá com base nessas conversas.”

Ela disse que se sentiu “muito confortável” nas conversas com o proprietário, que lhe garantiram que o vírus não se espalharia para fora da fazenda. Lá, os animais não entram e saem ao longo do ano como em uma fazenda de gado leiteiro ou aves; os visons só saem quando são abatidos e esfolados para a produção de peles no final do ano. Ela também disse estar confiante de que o proprietário recapturaria qualquer vison que escapasse.

Na ausência de uma quarentena formal, Price deu à fazenda uma “ordem verbal” para não movimentar nenhum vison, esterco ou carcaça para fora da propriedade. “Não observamos disseminação a partir desta fazenda. Não tivemos casos adicionais em Utah relacionados a este caso, então, até o momento, as ordens verbais e as medidas tomadas parecem estar sendo bem-sucedidas: não há disseminação ocorrendo a partir desta fazenda a partir deste caso.”

A afirmação de Price não dissipou as preocupações dos especialistas com quem a ProPublica conversou. Quando aves testam positivo para essa cepa de gripe aviária, todas as granjas próximas são colocadas em quarentena e testadas para o vírus. Mas a abordagem em Utah depende de as granjas relatarem casos ou do público ligar para informar sobre aves mortas na região.

“Se você não está procurando por algo, não vai encontrar”, disse Sorrell. “A menos que você esteja fazendo vigilância ativa, não pode afirmar que não teve casos.”

Fenn disse à ProPublica que suas conversas com autoridades estaduais o deixaram menos preocupado com qualquer tipo de disseminação. Quando o surto começou, Fenn disse que perguntou se a gripe aviária poderia infectar pessoas.

“Logo de cara, as pessoas do estado para quem relatamos o caso disseram que não precisávamos nos preocupar muito”, disse Fenn. “Meus homens usam máscaras todos os dias. Eles têm óculos que podem usar”, disse Fenn. “Eu? Não uso máscara de jeito nenhum. Nunca usei e nunca usarei, porque faço isso há 40 anos.”

Fenn disse que gostaria de poder vacinar os visons contra a gripe aviária para evitar que o restante de seus animais contraísse a doença e morresse; Price perguntou ao USDA sobre uma vacina que havia sido usada para salvar espécies selvagens ameaçadas de extinção , mas disse que não obteve resposta com sua solicitação. O USDA informou à ProPublica que sua divisão responsável pela proteção da saúde animal não possui “autoridade regulatória específica para espécies ou programas dedicados” para vacinar visons, reduzir sua população ou indenizar os proprietários por tal abate.

Fenn disse à ProPublica que acredita que as preocupações com os visons como hospedeiros particularmente perigosos da gripe aviária são exageradas por ativistas anti-peles, as mesmas forças que, segundo ele, estiveram por trás das reações na Espanha e na Finlândia, que dizimaram fazendas de visons atingidas pela gripe aviária. “Os europeus têm um pouco de medo de tudo”, disse ele. “Eles vão fazer o que quiserem, e aqui nos Estados Unidos, nós também vamos fazer o que quisermos.”

Price disse que sabia que a Finlândia e a Espanha haviam dizimado seus criadouros de animais para produção de peles quando a mesma cepa os infectou. “Não me aprofundei muito no assunto”, disse ela, explicando que estava interessada nesses casos apenas para aprender com a forma de lidar com o surto, e não nos motivos específicos pelos quais esses países optaram por dizimar os criadouros.

Um porta-voz do USDA disse que o Congresso teria que financiar especificamente um programa para reduzir a população de visons. (O programa de abate de aves para impedir a propagação da gripe aviária custou bem mais de US$ 1 bilhão desde 2022.)

Os eventos em Utah são um “claro sinal de alerta” sobre os perigos das fazendas de visons, disse Neil Vora, diretor executivo da Preventing Pandemics at the Source Coalition.

“As fazendas de criação de animais para produção de peles servem exclusivamente para a fabricação de artigos de luxo, para a confecção de casacos sofisticados”, disse ele. “É absurdo que estejamos dispostos a arriscar a vida de milhões de pessoas apenas para manter uma indústria viva.”

O setor tem enfrentado dificuldades, pois os consumidores americanos estão cada vez mais rejeitando o uso de peles. Embora as fazendas nacionais tenham atingido seu auge há cerca de uma década, vendendo peles de luxo que muitas vezes acabavam na China, fazendas estrangeiras surgiram, ameaçando o negócio.

Enquanto defensores dos direitos dos animais pressionam o Congresso para que adote uma legislação que elimine gradualmente a indústria de peles, comprando as propriedades dos criadores ao longo de um ano para acabar de vez com a prática, a tendência no Congresso é oposta. O Senado em breve analisará a mais recente proposta de lei agrícola, que busca expandir as oportunidades de mercado para os criadores de visons, revogando uma proibição da lei federal sobre subsídios ao comércio de peles .

O vírus continua se espalhando na fazenda em Utah, disse Fenn, embora em ritmo mais lento. Especialistas disseram à ProPublica que ele ainda representa um risco.

“Se eu estivesse naquela fazenda, usaria um traje de proteção completo”, disse Peacock. “Ou, de preferência, preferiria não estar naquela fazenda.”

Doris Burke contribuiu com a pesquisa. Janette Villafana, da ProPublica, contribuiu com a reportagem.

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