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Cientista se torna o 1º brasileiro a ganhar prêmio nos EUA por divulgar ciência e combater fake news nas redes sociais

27 October 2026 at 20:45

O cientista Daniel Dahis, doutor em Engenharia Biomédica, tornou-se o primeiro brasileiro a receber o prêmio Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communication, dos Estados Unidos. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (26).

A premiação é concedida pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA a pesquisadores, jornalistas científicos e comunicadores que desenvolvem trabalhos criativos para divulgar as diversas áreas da ciência ao público geral.

Com mais de 700 mil seguidores, Dahis, que mora nos EUA, atua na linha de frente em combate às fake news sobre ciência. Com frequência, ele publica vídeos em português sobre vacinas, SUS (Sistema Único de Saúde), doenças, saúde e outros temas científicos.

O pesquisador venceu em primeiro lugar a categoria “Research Scientist: Early Career” (cientista pesquisador em início de carreira, em português). A vitória foi concedida com base em três vídeos publicados por ele:

  • “Existe alguma ligação entre as vacinas contra a COVID-19 e o AVC?”
  • “É possível reduzir o risco de câncer em cerca de 44%”- no Instagram
  • “Este bebê entrará para a história” – no Tiktok

Na divulgação do resultado, a academia descreveu os conteúdos de Dahis como uma combinação de “conhecimento científico com uma narrativa digital refinada e acessível ao público”.

Seus vídeos unem recursos visuais impactantes e explicações baseadas em evidências para abordar temas que vão desde vacinas e prevenção do câncer até medicamentos emergentes. Ao combater a desinformação com clareza e credibilidade, Dahis demonstra o potencial das mídias sociais para disseminar informações práticas de saúde pública em uma escala notável.

Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina

Daniel Dahis é cientista e doutor em Engenharia Biomédica. Com passagem por Harvard e atuação em startups de biotecnologia, foi reconhecido pela MIT Technology Review na lista Innovators Under 35 Brasil, em 2024. Suas pesquisas envolvem novas tecnologias para o diagnóstico e tratamento do câncer, dispositivos médicos e monitoramento de pacientes.

Cientista não acreditava que fosse ganhar, mas tentou mesmo assim

Após receber a notícia, Dahis fez um relato aos seguidores nas redes sociais. Ele contou que não estava confiante e achou que não venceria, mas se inscreveu mesmo assim.

“Você tem que se inscrever no prêmio. Você descobre e se inscreve. Eu encontrei essa bolsa três dias antes do prazo final. Tem que mandar uma carta sobre você, seu conteúdo. Quando me inscrevi, achava que não ia ganhar: eu moro nos Estados Unidos, mas falo português. Me inscrevi mesmo assim, com força total. Escrevi a melhor proposta que pude, foram muitos meses de análise, e o resultado saiu agora”, conta.

Segundo ele, o reconhecimento pode inspirar outros cientistas brasileiros a acreditarem em suas propostas.

“O ‘não’ a gente já tem. Temos que tentar. Se eu não tivesse tentado só porque falo português, não receberia essa honraria imensa. O pior que pode acontecer é um ‘não’. Então esse é um aprendizado, pelo menos dessa experiência, que posso passar a vocês neste tempo curto, beleza? Tenta, o ‘não’ tu já tem”, ressalta o pesquisador.

A programação oficial do prêmio acontecerá em Washington, D.C., entre 17 e 20 de novembro de 2026, com uma série de atividades. A semana culminará na cerimônia de premiação, na noite de 20 de novembro, na sede das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina.

Como funciona a premiação

Foram anunciados 24 prêmios, distribuídos em oito categorias: nove para pesquisadores, nove para jornalistas científicos e seis para comunicadores científicos. Em cada categoria, foram concedidos um prêmio principal de US$ 40 mil e dois de US$ 20 mil, totalizando US$ 640 mil. Dahis ficou com o prêmio principal da sua categoria.

“Os vencedores deste ano são notáveis pela amplitude de perspectivas, criatividade e abordagens que trazem para a comunicação científica”, disse a presidente do comitê de seleção, Megan L. Ranney, membro da Academia Nacional de Medicina e reitora da Escola de Saúde Pública de Yale.

As inscrições foram abertas em março de 2026 e ficaram disponíveis até abril. Nessa etapa, os participantes enviaram seus projetos e explicaram a importância deles para a disseminação da ciência. Depois de aceitos, os trabalhos passaram por uma segunda etapa de revisão, de cerca de sete meses. O anúncio dos vencedores ocorreu em 26 de outubro.

Mais de 3 milhões de adolescentes estão com vacinação da dengue incompleta

27 October 2026 at 18:18

Quase 4 milhões de doses da vacina contra a dengue que foram enviadas aos municípios de todo o Brasil continuam sem uso. Enquanto isso, mais de 3 milhões de adolescentes tomaram só a primeira dose e ainda não completaram o esquema vacinal com a segunda etapa do imunizante.

Os números foram apresentados pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, no Rio de Janeiro, na semana passada. Até agora, foram aplicadas mais de 11,8 milhões de doses, sendo 7,6 milhões como primeira e 4,2 milhões como segunda.

Vacinar adolescente, sem eles terem percepção de risco, é muito difícil. No caso da dengue, o ideal é vacinar no período intersazonal para que a pessoa entre na sazonalidade protegida

Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações

A proteção completa contra a dengue só vem com a segunda dose da vacina, que deve ser aplicada três meses depois da primeira.

Vacina está disponível em todo o país

A vacinação começou pelos municípios mais afetados e hoje já acontece em todo o Brasil pelo SUS. O público-alvo são crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa em que o risco de desenvolver a forma grave da doença é maior.

A ampliação para faixas etárias mais velhas é uma possibilidade, “até um desejo”, segundo o diretor. Mas ela depende de cuidados operacionais, orçamentários e de segurança.

A vacina usada é a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda. A aplicação da vacina produzida pelo Instituto Butantan continua suspensa desde junho. A decisão do Ministério da Saúde veio depois de três casos de dengue grave após a vacinação, com dois óbitos, entre mais de 500 mil vacinados.

Aumento de casos no calor

A necessidade de ampliar a vacinação chega em um momento sensível. O El Niño, considerado um dos mais devastadores das últimas décadas, teve início no segundo semestre de 2026 e deve provocar 44% dias a mais de calor extremo do que seria esperado em um ano normal.

No verão, os casos de dengue costumam subir, pois o clima favorece a ploriferação do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em lugares úmidos e quentes. Por isso, o ideal é se vacinar fora do período de pico da doença, para chegar a esta época do ano já protegido.

 

Anvisa aprova ampliação do uso do Implanon de três para cinco anos; entenda

27 October 2026 at 16:00

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a ampliação do uso do Implanon NXT (Implante Contraceptivo de Etonogestrel), usado na prevenção da gravidez, de três para cinco anos. A medida foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta terça-feira (27).

Com a decisão, uma única inserção proporciona proteção contraceptiva por um período mais prolongado — neste caso, de 5 anos, reduzindo a necessidade de procedimentos adicionais de troca do implante que acontecia a cada triênio.

Segundo a agência, a aprovação da ampliação foi baseada em estudos que demonstraram a eficácia e segurança do contraceptivo durante o quarto e quinto ano de uso. No principal teste apresentado, não foram observadas gestações durante o período estendido de utilização do implante.

A agência também aprovou a possibilidade de inserir o contraceptivo imediatamente após o parto ou aborto, incluindo abortos de primeiro e segundo trimestres.

O implante de etonogestrel é um método amplamente utilizado em diversos países e recentemente teve sua duração de uso ampliada por autoridades regulatórias internacionais, incluindo os Estados Unidos, o Canadá e o Reino Unido.

O SUS oferece a inserção do Implanon de forma gratuita. O paciente que deseja inseri-lo pode se dirigir à UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima e conferir a disponibilidade do contraceptivo, que é ofertado de acordo com a demanda de cada município.

Leia também: Saiba o que é Implanon, método contraceptivo usado pela influencer Virgínia | CNN Brasil

Como funciona o procedimento?

A inserção do Implanon é um procedimento simples, rápido e realizado em ambiente ambulatorial. A colocação necessita de anestesia local no braço, não exige corte profundo, nem pontos e causa pouco desconforto. O bastão é inserido logo abaixo da pele com a ajuda de um pequeno aplicador.

Segundo o Ministério da Saúde, o dispositivo inserido no braço libera gradualmente o hormônio etonogestrel, impedindo a ovulação e evitando a gravidez. Incorporado ao SUS em 2025, o método é destinado a adolescentes e mulheres de 14 a 49 anos, conforme avaliação clínica e disponibilidade na rede de saúde.

Implanon no SUS: entenda benefícios e funcionamento do contraceptivo

 

Outubro Rosa: confira tudo o que você precisa saber sobre o câncer de mama

27 October 2026 at 15:43

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil, com cerca de 66,54 casos para cada 100 mil brasileiras. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer de Mama), o país deve registrar 781 mil novos casos até 2028, o equivalente a 5 mil casos a mais por ano em relação ao ciclo anterior.

No entanto, apesar de ser uma doença comum, muitas mulheres não conhecem ou não sabem como ocorrem as formas de tratamento e prevenção contra a doença. A análise do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas 2026, feito pelo Instituto Natura e pela Avon, apontou que 44% das brasileiras estão nos níveis baixo ou muito baixos de informação sobre a saúde das mamas.

O tema ganha ainda mais alerta no Outubro Rosa, mês dedicado às campanhas de conscientização sobre o tema e, por isso, a CNN Brasil reuniu às principais dúvidas e respostas sobre o assunto.

Você pode acessar a tabela interativa ou ler os tópicos que aparecem a seguir.

Veja: 

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Perguntas e respostas:

  • O que é o câncer de mama? 

Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminino é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, segundo o Inca.

A doença ocorre quando células anormais da mama se multiplicam desordenadamente, formando um tumor que pode invadir outros órgãos.

Existem diferentes tipos de câncer de mama, com características e ritmos de evolução distintos. Alguns se desenvolvem mais rapidamente, enquanto outros progridem de forma mais lenta.

Quando diagnosticada precocemente e tratada de maneira adequada, a doença apresenta melhores perspectivas de tratamento e maiores chances de resultados favoráveis.

  • Qual o público-alvo? 

O público-alvo costuma ser mulheres no geral. No entanto, aquelas acima de 50 anos que tenham histórico familiar ou que já sofreram com outros tipos de câncer costumam ser as com maiores riscos.

Ao contrário do que se pensa, mulheres mais jovens e homens também podem ser atingidos pela doença, porém, geralmente correspondem a menor parcela dos casos.

  • Quais são os principais sintomas?

1. Qualquer nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos;

2. Nódulo mamário em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual;

4. Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade;

5. Descarga papilar sanguinolenta unilateral (secreção com sangue de um único mamilo);

5. Mudança no formato do mamilo e retração na pele da mama;

6. Lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos (Ferida ou irritação na pele do bico do seio que parece uma alergia ou micose, mas que não melhora com pomadas comuns);

7. Homens com mais de 50 anos com tumoração palpável unilateral (Caroço que aparece e pode ser sentido em apenas uma das mamas);
Presença de linfadenopatia axilar (Ínguas ou caroços na axila); e

8. Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema, como pele com aspecto de casca de laranja.

  • Consultas e exames reduzem o risco de desenvolver a doença?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, o que reduz o risco deste câncer, assim como da grande maioria, são atividades físicas, peso corporal adequado e alimentação mais saudável. Evitar fumar e ingerir bebidas alcoólicas também é importante para a prevenção da doença.

No entanto, alguns outros fatores, como a genética e a idade avançada, ainda podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de mama. Os exames, neste caso, são vistos como medidas de rastreamento e diagnóstico precoce, que ajudam a aumentar as chances de cura.

  • Quais fatores ou hábitos aumentam o risco?

O aumento da idade, o histórico familiar e o estilo de vida são alguns dos principais fatores para o desenvolvimento da doença. Além disso, alterações hormonais – principalmente relacionadas à menopausa – e a exposição à radiação ionizante e a certos produtos químicos, como agrotóxicos, benzeno, dioxinas e compostos orgânicos voláteis, também contribuem.

  • Quem pode realizar a mamografia?

O exame serve como um rastreamento e pode identificar até tumores em estágio inicial, quando ainda não são palpáveis.

O SUS oferece acesso gratuito e indica a mamografia para mulheres com idade entre 50 e 74 anos, a cada dois anos.

Por outro lado, mulheres com idade entre 40 e 50 anos e acima de 74 anos, sem sinais ou sintomas suspeitos, que desejarem realizar a mamografia de rastreamento por demanda também podem realizar desde que sejam orientadas por profissionais de saúde sobre os possíveis riscos e benefícios dessa prática.

Mulheres mais novas também podem realizar o exame gratuito no SUS, no entanto, mediante a sintomas.

  • Como realizar os exames? 

Para realizar os exames pelo SUS você precisa se dirigir à UBS (Unidade Básica de Saúde) e agendar uma consulta com um médico da família. O médico insere o pedido no sistema de regulação municipal ou estadual e você pode acompanhá-lo pelo aplicativo Meu SUS Digital. Você também pode agendar a mamografia pelo próprio app.

Além disso, durante todo o mês de outubro, instituições oferecem caminhões mamógrafos que oferecem os exames gratuitos. Você pode conferir a iniciativa de cada região aqui.

  • Posso ser tratada pelo SUS? O que a lei me assegura?

Sim. A “Lei dos 30 Dias” garante a realização de exames como a mamografia em até um mês após a suspeita de câncer de mama.

Já a “Lei dos 60 Dias” assegura o início gratuito do tratamento em até dois meses a partir do diagnóstico, mediante solicitação do médico responsável.

  • Como funciona o tratamento? 

O tratamento do câncer de mama pode envolver diferentes abordagens, que variam conforme o tipo de tumor, o estadiamento da doença e as características de cada paciente.

As opções incluem cirurgia, reconstrução mamária, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. 

  1. Cirurgia: Conservadora, quando é possível preservar parte da mama; ou Radical, quando há necessidade de remoção total
  2. Radioterapia: faz parte do tratamento locorregional dos tumores de mama. Suas indicações variam conforme o estágio da doença e o tipo de cirurgia realizada. O objetivo é eliminar possíveis células tumorais remanescentes e reduzir o risco de recidiva.
  3. Quimioterapia: Consiste na aplicação de remédios que podem ser administrados por diferentes vias — venosa, oral ou subcutânea —, de forma isolada ou combinada
  4. Hormonioterapia: também chamada de terapia hormonal ou terapia endócrina, ela é indicada quando o tumor apresenta positividade para os receptores hormonais de estrogênio (RE) e progesterona (RP), identificados pela imunohistoquímica.
  • É possível reconstruir a mama?

Sim. A reconstrução mamária é uma cirurgia plástica que restaura a mama após a retirada do tumor. O procedimento envolve tanto próteses colocadas para reconstruir o volume da mama, quanto a utilização de enxertos de gordura, pele ou músculo do próprio corpo para reconstruir o tecido mamário.

No SUS, o Ministério da Saúde instituiu, desde 2023, a ampliação do acesso à reconstrução mamária em caso de mulheres com diagnóstico de câncer de mama tratadas pelo sistema único.

A medida atinge mulheres com diagnóstico de câncer de mama submetidas à mastectomia total (radical ou simples) prévia ou aquelas com indicação de reconstrução mamária no mesmo ato cirúrgico.

1 em cada 20 mulheres terá câncer de mama ao longo da vida, diz estudo

 

Cerca de 90% das brasileiras não conhecem leis voltadas ao câncer de mama

27 October 2026 at 06:37

Nove em cada dez brasileiras, cerca de 90% delas, não conhecem a ‘Lei dos 30 Dias’ que garante a realização de exames como a mamografia em até um mês após a suspeita de câncer de mama. Outras 92% desconhecem a ‘Lei dos 60 Dias’ que assegura o início do tratamento em até dois meses a partir do diagnóstico.

Os dados são do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas 2026, divulgado neste mês do Outubro Rosa, pelo Instituto Natura e pela Avon. O levantamento foi realizado com 2.094 mulheres de 18 anos ou mais e identificou problemas de conscientização relacionadas aos sintomas da doença, tratamento e acesso ao SUS (Sistema Único de Saúde).

A análise apontou que 44% das entrevistadas estão nos níveis baixo ou muito baixos de informação sobre a saúde das mamas. Além disso, 94% delas até reconhecem que o câncer de mama tem cura quando detectado precocemente, mas mais da metade diz não se sentir capacitada para ajudar alguém próximo que receba o diagnóstico.

 

A pesquisa demonstra que mulheres usuárias do sistema privado, de maior nível socioeconômico e mais velhas, têm índices mais altos de conscientização que as usuárias do SUS, mais jovens e de menor renda.

Segundo Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura, a falta de informação pode contribuir para que mais mulheres descubram a doença em estágio avançado, quando há menos chance de cura e o tratamento é mais complexo.

Quando reunimos esses dados, tanto os públicos quanto o conhecimento das mulheres, conseguimos entender por que o câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil. Os direitos garantidos pelas políticas públicas, ou por lei só podem ser buscados se as mulheres os conhecerem

Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura.

O índice aponta ainda que 76% não sabiam que é possível fazer mamografia no SUS em qualquer idade, quando há sintomas ou indicação médica. Entre as mulheres com mais de 40 anos que nunca fizeram o exame, a principal barreira é o médico nunca ter solicitado (23%), seguida por medo (13%) e ausência de sintomas (12%).

Além disso, uma em cada cinco mulheres que já fizeram mamografia não mantém a frequência recomendada. Entre as que vão ao ginecologista uma ou duas vezes por ano, 66% fazem o exame. Já entre as que nunca frequentam consultas de rotina, totalizam 21%.

LEIA TAMBÉM: Medicamento para câncer de pulmão tem eficácia de 55% em pacientes

Falta de informação influencia no diagnóstico tardio

Segundo o Panorama do Câncer de Mama, ferramenta de dados criada pelo Instituto Natura e pela Avon em parceria com o Observatório da Oncologia da Abrale e o Instituto Protea, 51% das mulheres atendidas no SUS (Sistema Único de Saúde) em 2025 estavam nos estágios 3 ou 4 da doença, em uma escala que vai de 0 a 4.

Olhando ainda para este tema, o índice da Natura identificou confusão das entrevistadas entre “redução de riscos” e “diagnóstico precoce”:

  • 72% acreditam, erroneamente, que consultas e exames de rotina reduzem o risco de desenvolver a doença;
  • 62% afirmam que o autoexame também reduz os riscos;
  • 50% não sabem quais fatores ou hábitos aumentam o risco;
  • apenas 39% associam o consumo de álcool e a obesidade ao aumento do risco;
  • 6 em cada 10 desconhecem as etapas do tratamento.

Segundo Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e Monitoramento de dados do Instituto Natural, o objetivo das pesquisas são apoiar políticas públicas e campanhas de conscientização.

O Índice foi criado justamente para identificar quais são os gargalos de comunicação e adesão da população em relação ao cuidado com a saúde das mamas e orientar quais são as mensagens prioritárias ao longo de todo o ano.

Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e Monitoramento de Dados do Instituto Natura.

Dúvidas e repostas sobre o câncer de mama

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Volume das represas que abastecem São Paulo ultrapassa 60% após chuvas

26 October 2026 at 19:42

As chuvas registradas em outubro elevaram o nível dos reservatórios de São Paulo em 1,4% acima do esperado para o mês, totalizando 1.174,52 hm³ de água, que alcança um volume de água de 60,4%. Os dados foram contabilizados nesta segunda-feira (26) pelo SIM (Sistema Integrado Metropolitano) da Sabesp.

O índice representa um aumento de 4,8% ao analisado no mês anterior. Em 26 de setembro foram contabilizados 1,082,73 hm³, sendo 55,6% do volume.

O SIM monitora todos os níveis do reservatórios do estado. Todos eles receberam níveis a mais do que o esperado, com destaques as represas de São Lourenço (+4,3%; 75,8% do volume) e Guarapiranga (+2,1% e 97,8% do volume).

O Cantareira, por exemplo, o maior dos sistemas de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, tem atualmente um volume de água de 48,4%, cerca de 475,63 hm³. Essa quantidade representa um aumento de 5,7% em apenas 15 dias. No último 11 de outubro, o sistema fechou com 410,30 hm³ e com 42,7% do volume de água.

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Até o momento, a média de chuva registrada no Cantareira foi de 5,8 milímetros por dia, o que representa 189,2 mm neste mês, muito acima da média histórica, que é de 130,1 mm para setembro.

Leia também: Super El Niño: chuva recorde de setembro em São Paulo é apenas uma amostra do que está por vir até o fim do ano | CNN Brasil

Melhora na crise hídrica

O aumento expressivo no volume do Cantareira é resultado da grande quantidade de chuva que caiu sobre a Grande São Paulo nos últimos meses. A capital paulista, por exemplo, bateu recorde e registrou o setembro mais chuvoso dos últimos 32 anos.

A melhora vem desde junho e julho. No começo de agosto o SIM apontou um volume de 31,6 milímetros de água causados pelas chuvas dos meses anteriores, sendo 177% acima do previsto nos modelos meteorológicos.

O resultado é visto como positivo, já que há cerca de um ano atrás, o nível de reservatório chegou ao pior índice desde a crise hídrica de 2015.

Desde março de 2026, o governo de São Paulo mantém em vigor a “Gestão de Demanda Noturna”, reduzindo o nível da pressão da água na casa dos consumidores.

Com a melhora em agosto, o governo decidiu reduzir esse período de 10 para 8 horas, sendo realizado de 22h às 6h.

Mortes e alagamentos: o outro lado da chuva

Apesar de ser visto como um ponto positivo para os reservatórios, as chuvas estão causando problemas no estado de São Paulo.

O temporal do último domingo (25) provocou alagamentos, deslizamentos de terra e outros danos em diversos municípios paulistas. Além disso, duas mulheres morreram ao serem arrastadas pela correnteza em Jundiaí, na Grande SP.

Em Capivari, por exemplo, alagamentos interditaram trechos de nove vias na manhã de domingo. Dez famílias ficaram desalojadas e foram encaminhadas para casas de parentes, enquanto outras três foram acolhidas em abrigo municipal.

Já em Guareí, cerca de 50 residências foram atingidas por alagamentos na rua Alameda Jair Martins Siqueira, deixando aproximadamente 200 pessoas desalojadas.

Após os episódios, o governo de São Paulo anunciou reforço a assistência humanitária as cidades atingidas pela chuva. 

 

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