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Economia dos EUA cresce 3,4% no trimestre, mas inflação acelera em setembro

29 October 2026 at 14:19

O produto interno bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 3,4% no terceiro trimestre do ano, com a economia norte-americano a ser suportada pelo consumo, que se mostrou resiliente apesar do impacto negativo da guerra do Médio Oriente nos custos da energia. Já a taxa de inflação acelerou em setembro, mantendo-se bem acima do objetivo da Reserva Federal (Fed), conforme mostram os dados divulgados esta quinta-feira pelo Departamento do Comércio.

O crescimento da economia superou as estimativas dos economistas, que apontavam para uma subida de 3,1% do PIB, e ficaram acima dos 2,2% registados no segundo trimestre deste ano.

O consumo privado cresceu 3,8% no terceiro trimestre do ano, enquanto o investimento interno privado bruto disparou 19,4%, impulsionado por uma subida de 20,9% na despesa em equipamento e de 8,4% no investimento em produtos de propriedade intelectual.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), excluindo alimentos e energia, que é o indicador de inflação subjacente preferido da Fed, registou um aumento homólogo de 3,1%, em setembro, enquanto a taxa de inflação homóloga subiu para 3,6%.

Apesar das pressões inflacionistas, a Fed manteve esta quarta-feira a taxa dos fundos federais num intervalo entre 3,75% e 4,00%.

“A inflação continua elevada”, referiu o banco central liderado por Kevin Warsh. “A recolha de mais informação ajudará o Comité a determinar a orientação de política adequada para garantir um regresso atempado da inflação à meta de 2%”.

No curto comunicado, a Fed adiantou que a atividade económica está a expandir-se a um ritmo forte. “Embora a incerteza continue elevada, em parte devido à evolução da situação geopolítica, o consumo interno tem-se mostrado resiliente”, vincou.

França ‘segura a mão’ do Banco Central Europeu. Taxas de juro ficam inalteradas

29 October 2026 at 13:15

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira deixar as taxas de juro diretoras inalteradas, confirmando as expectativas dos mercados, que já antecipavam que a autoridade monetária europeia não mexesse nos juros, num momento marcado pela escalada das “yields” das obrigações francesas. A decisão ocorre no dia em que a presidente Christine Lagarde anunciou que vai sair do cargo a 7 de fevereiro.

Depois de ter subido as taxas de juro em 25 pontos base no encontro de setembro, o BCE deixou tudo igual ao fim da sua reunião de dois dias. A taxa de Facilidade Permanente de Depósito permaneceu esta quinta-feira nos 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez em 2,65% e 2,90%, respetivamente, níveis atingidos em setembro com o segundo aumento de 25 pontos base deste ano.

A decisão do BCE surge num momento que França enfrenta uma situação delicada, com os juros das obrigações do país a escalarem num contexto de elevados défices públicos, um impasse orçamental, protestos de rua e uma eleição que suscita divisões no próximo ano. Um verdadeiro “cocktail” explosivo que levou o prémio de risco das obrigações francesas a dez anos a quase duplicar em relação ao valor de referência alemão ao longo das últimas semanas.

“O Conselho do BCE decidiu hoje manter inalteradas as três taxas de juro diretoras”, adianta o comunicado divulgado pela instituição liderada por Christine Lagarde. Apesar de não ter mexido nos juros, a entidade reconhece que “os preços da energia continuaram a subir, colocando riscos em alta para as perspetivas de inflação e riscos em baixa para as perspetivas de crescimento”.

O conselho de governadores acrescenta que, “embora os efeitos totais do choque energético ainda estejam a fazer-se sentir, a inflação subjacente manteve-se, até agora, relativamente estável e os salários não revelam, nesta fase, uma reação significativa”.

O BCE assume ainda que “é provável que a maior dimensão e duração do choque energético, bem como as suas implicações para os efeitos indiretos e de segunda ordem, contribuam para aumentar a inflação e reduzir o crescimento”, reconhecendo que “as condições de financiamento tornaram-se mais restritivas desde a última reunião do Conselho do BCE, o que deverá pesar sobre a inflação e o crescimento”.

Nova subida em dezembro?

Num momento em que a situação no Médio Oriente continua a refletir-se num agravamento dos custos da energia, com impacto generalizado nos preços, o conselho do BCE reitera que vai “definir a política monetária de forma a garantir que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% no médio prazo”, um sinal que poderá estar preparado para continuar a subir juros, aliás como o próprio mercado antecipa.

O comunicado realça ainda que o BCE “continua bem posicionado para fazer face ao atual nível elevado de incerteza” e “seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para determinar a orientação adequada da política monetária”.

“As decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro terão por base a sua avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos que as rodeiam, à luz dos novos dados económicos e financeiros, bem como da evolução da inflação subjacente e da eficácia da transmissão da política monetária”, assegura o conselho, que “não se compromete antecipadamente com uma trajetória específica para as taxas de juro”.

Quanto aos programas de compra de ativos, o BCE nota que “as carteiras do APP e do PEPP estão a diminuir a um ritmo moderado e previsível, uma vez que o Eurosistema já não reinveste os montantes de capital reembolsados dos títulos que chegam à maturidade”.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, vai justificar a decisão do BCE uma conferência de imprensa agendada para as 14h45 (hora de Lisboa), naquela que será a antepenúltima em que surge como líder da instituição, uma vez que vai abandonar o cargo a 7 de fevereiro. Lagarde irá, assim, liderar a reunião de dezembro, agendada para os dias 16 e 17 de dezembro, e o encontro marcado para os dias 3 e 4 de fevereiro.

(Notícia atualizada às 13h38)

Neerlandês e espanhol à frente na corrida para suceder a Lagarde no BCE

29 October 2026 at 12:20

Começou a corrida à presidência do Banco Central Europeu. Depois de meses de especulação sobre uma saída antecipada, Christine Lagarde despediu-se esta quinta-feira da instituição que liderou desde novembro de 2019, informando que vai abandonar o banco central no dia 7 de fevereiro de 2027, oito meses antes do final do seu mandato.

Em dia de decisão sobre as taxas de juro, o foco já está no futuro, com o processo para encontrar um sucessor a começar desde já. O neerlandês KlaasKnot e o espanhol Pablo Hernández de Cos surgem apontados como os principais candidatos a suceder a Lagarde, mas poderão surgir outros nomes na corrida ao BCE.

“Deixo esta instituição com a sensação de ter realizado um bom trabalho e de deixar um BCE preparado para o futuro“, foi com esta declaração feita nas redes sociais que Christine Lagarde se despediu, poucas horas antes de comparecer esta quinta-feira na habitual conferência de imprensa após ser comunicada a decisão sobre as taxas de juro.

A oficialização da saída não é propriamente uma surpresa, mas deixa o segundo cargo por preencher no conselho de governadores do BCE, depois de também Isabel Schnabelter anunciar que vai deixar a instituição para assumir funções de destaque no Fundo Monetário Internacional (FMI). Já o economista-chefe Philip Lane deverá abandonar a sua posição em maio de 2027, numa verdadeira dança de cadeiras na autoridade da política monetária do euro. Apesar de apenas agora o Conselho Europeu começar a preparar a sucessão, há vários nomes que têm sido apontados para o cargo.

As três nomeações poderão ser acordadas num pacote negociado entre os Estados-membros, sendo que o cargo mais disputado é o de líder da entidade. Os dois principais candidatos a suceder a Lagarde são Pablo Hernández de Cos, que lidera o Banco de Pagamentos Internacionais, e o antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot. Já o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, poderá surgir como um terceiro nome na corrida, não sendo de excluir um candidato surpresa.

“Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos são considerados os principais candidatos. Knot, um ‘falcão’, reforçaria provavelmente as expectativas de um maior aperto monetário, o que poderia ser positivo para o euro. Hernández de Cos, o mais ‘pomba’ dos dois, daria provavelmente maior ênfase ao crescimento e à estabilidade do mercado obrigacionista, o que é mais importante do que nunca, dada a pressão sobre a dívida francesa”, explica Matthew Ryan, Head of Market Strategy, da Ebury, numa nota onde comenta a saída de Lagarde.

Knot, um ‘falcão’, reforçaria provavelmente as expectativas de um maior aperto monetário, o que poderia ser positivo para o euro. Hernández de Cos, o mais ‘pomba’ dos dois, daria provavelmente maior ênfase ao crescimento e à estabilidade do mercado obrigacionista, o que é mais importante do que nunca, dada a pressão sobre a dívida francesa.

Matthew Ryan

Head of Market Strategy, da Ebury

Dito isto, Ryan destaca que não acredita “que a transição altere a trajetória das taxas a curto prazo. O presidente define a agenda, mas, em última análise, é apenas uma voz no Conselho do BCE e raramente se sobrepõe ao consenso”. “Ainda assim, uma sucessão prolongada poderia introduzir volatilidade nos mercados num momento já frágil, pelo que quanto mais cedo for nomeado um sucessor, melhor”, argumenta.

“Os nomes apontados como possíveis sucessores são ambos banqueiros centrais muito competentes e com provas dadas, pelo que, para os mercados, a mudança não terá grande importância”, afirma Piet Haines Christiansen, economista do Danske Bank, citado pela Reuters.

Simon Dangoor, responsável pelo investimento macro em obrigações na Goldman Sachs realça que “o BCE é agora uma instituição bastante consolidada, e o mercado está familiarizado com a forma como opera”. “O comportamento institucional deverá sobreviver à saída de Lagarde e manter-se bastante semelhante, independentemente de quem assumir o cargo“, sustenta também à Reuters.

Klaas Knot, o neerlandês quer voar alto no BCE

O antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot é o candidato dos Países Baixos à liderança do BCE. O economista liderou o banco central neerlandês durante dois mandatos, entre 2011 e 2025. Classificado como um falcão — termo dado a quem defende uma política monetária mais restritiva — , Knot conta com uma vasta experiência enquanto membro do conselho de governadores do BCE.

Nos seus 14 anos enquanto membro do conselho enfrentou dois momentos distintos na entidade. Com o italiano Mario Draghi na presidência mostrou a sua oposição às medidas de estímulo monetário anunciadas pelo então líder do BCE em plena crise da dívida. Já a convivência com Christine Lagarde, que substituiu Draghi em 2019, ficou marcada por uma harmonia perfeita.

Knot chegou ao BCE em plena crise da dívida soberana, que afundou a economia da região e ameaçou a sobrevivência do euro. Perante os riscos que persistiam na Zona Euro e que coincidiram com os pedidos de ajuda internacional de Portugal, Grécia e Irlanda, Draghi exerceu um papel de destaque na defesa do euro, com a expressão “whatever it takes” a marcar um ponto de viragem na crise, materializando-se na “bazuca” de medidas anunciadas. A reação nos mercados foi positiva, mas Knot expressou desde o início as suas reservas em relação às políticas de Draghi.

As críticas do neerlandês, primeiro feitas em privado, vieram a público no final de 2019, quando o italiano aprovou um novo pacote de estímulos, apesar da oposição de um terço dos membros do conselho.

Num momento em que a inflação no bloco enfrenta uma forte pressão devido à escalada dos preços dos combustíveis, Knot deverá privilegiar uma política de taxas de juro mais agressiva, para conter a inflação, o que poderá pesar no bolso das famílias, que já sentem a subida das taxas Euribor.

Numa corrida em que enfrenta o espanhol de Cos, o neerlandês poderá ter um apoio de peso para chegar a Frankfurt. França, que já teve dois presidentes (Jean-Claude Trichet e Christine Lagarde), poderá apoiar o neerlandês Klaas Knot, num acordo que permitiria ao Eliseu escolher o próximo economista-chefe do banco central, segundo avançou a Reuters recentemente.

Pablo Hernández de Cos: Pomba, ou falcão moderado?

Pablo Hernández de Cos, o antigo governador do Banco de Espanha e atual diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais, é o candidato de Espanha ao BCE. Considerado uma “pomba” — que defende uma política monetária menos restritiva — moderada, de Cos liderou o banco central espanhol entre 2018 e 2024, um período em que a inflação se situou em valores extremamente baixos, seguido pela pandemia e por um ciclo histórico de subida das taxas de juro para conter a subida de preços galopante.

De Cos foi também economista-chefe do Banco de Espanha, tendo dado o passo pouco habitual de passar de um cargo técnico para uma função de decisão de política monetária, o que reflete o sucesso que alcançou ao reforçar a importância da investigação no banco central.

Descrito como um economista pragmático, apesar de ser caracterizado como “pomba”, entre 2022 e 2024, de Cos voou mais alto e vestiu o fato de “falcão”, defendendo subidas de juros.

No início deste ano, quando alguns dos principais banqueiros centrais do mundo manifestaram publicamente apoio a Jerome Powell, então presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, perante pressões políticas, terá sido De Cos um dos principais coordenadores desse processo.

Joachim Nagel, o falcão que rejeita críticas políticas ao BCE

O alemão Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, deverá ser a escolha da Alemanha para entrar na corrida à sucessão de Lagarde. Com grande conhecimento dos mercados financeiros, liderança e gestão de crises, Nagel alterou profundamente a relação da Alemanha com o BCE. Enquanto o seu antecessor, Jens Weidmann, esteve durante anos em conflito aberto com o BCE de Mario Draghi, Nagel moderou o discurso e voltou a integrar-se no consenso da instituição, embora continue a ser um falcão moderado em matéria de política monetária.

Apesar de definir claramente as suas linhas vermelhas, o alemão está disposto a fazer compromissos noutras matérias. Também apoiou a criação do Sistema Europeu de Seguro de Depósitos, um projeto a que Berlim se opôs durante muito tempo, receando que os contribuintes alemães tivessem de suportar os custos da irresponsabilidade financeira de outros países.

Defensor da independência do BCE, Nagel tem rejeitado as críticas políticas à instituição e, recentemente, argumentou que algumas das propostas do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) seriam contraproducentes e poderiam afastar investidores. Membro do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Nagel desempenhou anteriormente cargos de topo no Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) e no grupo bancário público alemão KfW.

Apesar de já ter manifestado o seu interesse à porta fechado para o cargo, a proposta de Nagel poderá enfrentar um travão, uma vez que seria inédito dois cidadãos alemães liderarem simultaneamente duas das mais importantes instituições da União Europeia: o BCE e a Comissão Europeia.

Haverá um candidato surpresa?

Há ainda a possibilidade de surgir, à última hora, um candidato-surpresa, à semelhança do que aconteceu em 2019, quando Macron apresentou inesperadamente Lagarde como principal candidata ao cargo de presidente do BCE. O antigo governador do Banco de França François Villeroy de Galhau poderá surgir como um candidato inesperado à presidência do BCE.

O BCE já subiu, este ano, duas vezes as taxas de juro para conter a escalada da inflação. Numa decisão amplamente esperada, o banco central subiu, na reunião de setembro, a taxa de Facilidade Permanente de Depósito para 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez para 2,65% e 2,90%, respetivamente. Já esta quinta-feira, a expectativa dos economistas é que a entidade deixe tudo como está, adiando para dezembro uma nova subida de juros.

“Este timing para o BCE está longe de ser o ideal. A saída de Lagarde ocorre numa altura em que a guerra no Irão mantém a inflação bem acima do pretendido, num nível que parece destinado a permanecer assim durante algum tempo”, destaca o responsável do Ebury, reforçando que “os mercados obrigacionistas europeus estão também sob pressão, com o spread franco-alemão no nível mais elevado desde 2011”.

As últimas semanas têm sido marcadas pela escalada das taxas de juro da dívida soberana, com as yields francesas a baterem máximos de várias décadas devido aos receios dos investidores em torno das contas públicas do país, deixando o BCE em prontidão.

Por outro lado, a guerra no Irão e o impacto nos preços da energia continuam a pressionar os preços na região, forçando o banco central a continuar a mexer nos juros para conter a subida da inflação.

Atualmente, os mercados estão a descontar mais três mexidas nas taxas até ao final do próximo ano, antecipando que o BCE aumente o juro dos depósitos para 3,25%, um nível que poderá restringir o crescimento económico na região.

É oficial. Christine Lagarde abandona presidência do Banco Central Europeu a 7 de fevereiro

29 October 2026 at 10:13

Agora é oficial. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, vai abandonar o cargo no próximo dia 7 de fevereiro. O Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, já foram informados da saída da líder da instituição, que acontece antes do banco central anunciar a sua decisão sobre as taxas de juro na região e que surge após meses de especulação que apontavam a francesa para o Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Processo de nomeação de um sucessor arranca já esta quinta-feira: “decorrerá sem demora”.

“A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, informou hoje o Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, de que deixará o cargo a 7 de fevereiro de 2027“, diz um comunicado publicado no site do BCE.

A ainda presidente do BCE publicou entretanto um vídeo na rede social X, onde deixa uma mensagem de despedida e agradecimento, afirmando que “tem sido um motivo de grande orgulho servir” a instituição. “Deixo esta instituição com a sensação de ter realizado um bom trabalho e de deixar um BCE preparado para o futuro“, realça Lagarde na sua mensagem final no vídeo que acompanha a publicação.

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O presidente do Conselho Europeu já reagiu à saída de Lagarde, numa declaração na qual agradece a dedicação da presidente do BCE desde que assumiu o cargo, em novembro de 2019. “Fui informado por Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, da sua intenção de deixar o cargo a 7 de fevereiro de 2027. Registo, com respeito, a sua decisão”, diz António Costa, citado num comunicado no site do Conselho Europeu.

Gostaria de agradecer a Christine Lagarde pela dedicação demonstrada enquanto presidente do BCE. Ao longo do seu mandato, liderou a instituição com um forte sentido de dever e responsabilidade (…) Perante uma pandemia mundial, uma guerra na Europa, crises energéticas e choques inflacionistas, assegurou uma liderança firme e determinada, contribuindo para salvaguardar a estabilidade e a resiliência da área do euro.

António Costa

Presidente do Conselho Europeu

“Gostaria de agradecer a Christine Lagarde pela dedicação demonstrada enquanto presidente do Banco Central Europeu (BCE), cargo que ocupa desde novembro de 2019. Ao longo do seu mandato, liderou a instituição com um forte sentido de dever e responsabilidade“, refere o presidente do Conselho Europeu, destacando que “a Europa beneficiou da sua liderança em tempos de incerteza e do seu compromisso inabalável com o projeto europeu”.

O antigo primeiro-ministro lembrou ainda que “perante uma pandemia mundial, uma guerra na Europa, crises energéticas e choques inflacionistas, assegurou uma liderança firme e determinada, contribuindo para salvaguardar a estabilidade e a resiliência da área do euro”.

António Costa acrescenta que, “para garantir uma transição tranquila para a próxima liderança do BCE, o processo de nomeação do sucessor será iniciado hoje e decorrerá sem demora, com vista a uma decisão atempada do Conselho Europeu, reunido na sua composição relativa à área do euro”.

A saída de Lagarde era avançada há vários meses. Com eleições em França marcadas para abril, os governos da Zona Euro querem alcançar um acordo para a sucessão no BCE antes do evento eleitoral, com a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, a surgir como favorita para suceder ao Presidente Emmanuel Macron.

Já há cerca de duas semanas foi avançado que o Fórum Económico Mundial poderia indicar já no dia 2 de novembro Lagarde para a instituição, o que poderá ter levado a presidente do BCE a comunicar esta quinta-feira a sua saída do banco central.

A iminente remodelação surge num período de grande volatilidade nos mercados globais de obrigações, com França a enfrentar uma crise que ameaça alastrar-se, isto numa altura em que a guerra no Médio Oriente está a entrar no nono mês e continua a agravar os custos da dívida pública europeia e a intensificar as preocupações com as pressões orçamentais em toda a União Europeia.

Os dois principais candidatos a suceder a Lagarde são Pablo Hernández de Cos, que lidera o Banco de Pagamentos Internacionais, e o antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot. Já o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, poderá surgir como o candidato alemão.

Christine Lagarde estará esta quinta-feira a falar aos jornalistas na habitual conferência de imprensa após o comunicado, no qual deverá manter as taxas de juro inalteradas.

(Notícia atualizada às 10h58)

Confiança dos consumidores e das empresas volta a recuar em outubro

29 October 2026 at 10:05

A confiança dos consumidores voltou a baixar em outubro, tal como já tinha acontecido em setembro, mês em que interrompeu uma trajetória de três subidas mensais, com as famílias a mostrarem-se mais pessimistas em relação à sua situação financeira e à economia. Já do lado das empresas, o indicador de clima económico também diminuiu este mês, com a confiança dos serviços a baixar “de forma acentuada, prolongando a trajetória descendente iniciada em julho”, adianta o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o INE, a evolução negativa resulta de contributos negativos de todas as componentes: opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar e perspetivas sobre a evolução futura da situação económica do país, da realização de compras importantes por parte das famílias, e da situação financeira do agregado familiar.

O instituto acrescenta ainda que os consumidores estão mais pessimistas em relação à evolução passada dos preços, após ter diminuído nos cinco meses anteriores, enquanto o saldo das expectativas sobre a evolução futura dos preços diminuiu em outubro, após os aumentos observados nos dois meses precedentes.

Quanto ao indicador de clima económico, este diminuiu em setembro e outubro, após ter aumentado no mês anterior. Em outubro, o indicador de confiança dos Serviços diminuiu, tendo aumentado os indicadores da Indústria Transformadora, do Comércio e da Construção e Obras Públicas.

“O indicador de confiança dos Serviços diminuiu de forma acentuada, prolongando a trajetória descendente iniciada em julho”, explica o INE, acrescentando que “as três componentes contribuíram negativamente para esta evolução: as perspetivas relativas à evolução da procura, e de forma significativa, as apreciações sobre a atividade da empresa e as opiniões sobre a carteira de encomendas”.

Já a confiança na construção e obras públicas aumentou em outubro, após ter diminuído no mês anterior, devido a melhores perspetivas de emprego e apreciações sobre a carteira de encomendas.

No comércio, o indicador beneficiou de um contributo positivo das apreciações sobre o volume de stocks, enquanto na indústria transformadora o indicador aumentou nos últimos dois meses, após ter diminuído em agosto.

“A evolução do indicador refletiu os contributos positivos de todas as componentes: opiniões sobre a evolução da procura global, apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e perspetivas de produção”, refere o instituto.

Quanto às expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda, estas diminuíram nos setores dos Serviços, do Comércio, e de forma expressiva, da Indústria Transformadora, tendo aumentado na Construção, entre agosto e outubro.

Em termos de perspetivas de investimento para 2027, a maioria das empresas na indústria transformadora (61,9%) e nos serviços (73,3%) prevê uma estabilização face a 2026. Por outro lado, 25,7% das empresas na indústria transformadora e 18,7% das empresas nos serviços antecipam um aumento do investimento em 2027, enquanto 12,4% e 8% preveem uma diminuição do investimento nos respetivos setores.

(Notícia com título corrigido)

Volkswagen reporta maior prejuízo em mais de uma década: 5,9 mil milhões no terceiro trimestre

29 October 2026 at 09:12

A gigante alemã Volkswagen fechou o terceiro trimestre do ano com o pior prejuízo em mais de uma década, num momento em que a segunda maior construtora automóvel do mundo enfrenta a crescente concorrência chinesa e aumentos de custos, o que deverá pressionar a administração a intensificar o programa de reestruturação da empresa.

A empresa reportou um prejuízo de 5,8 mil milhões de euros no terceiro trimestre, um valor mais de cinco vezes superior ao de um ano antes. Já as venda baixaram 6% para 75,3 mil milhões de euros

A pressionar a companhia estiveram fatores excecionais, de 7,8 mil milhões de euros, relacionados com a desvalorização dos ativos ligados à Porsche. A subsidiária de automóveis de luxo, que enfrenta sérias dificuldades, sofreu uma desvalorização que ascende a 6,4 mil milhões de euros.

A dona da Autoeuropa tem sentido o impacto da forte concorrência na China, assim como o efeito das tarifas norte-americanas e os elevados custos associados à expansão da produção de veículos elétricos na Europa, onde os concorrentes chineses também estão a ganhar terreno.

Perante as dificuldades que a empresa tem enfrentado, o presidente executivo, Oliver Blume, tem em curso um plano para eliminar 100 mil postos de trabalho em todo o grupo, que inclui as marcas Audi e Porsche. Ao abrigo deste plano, até quatro fábricas na Alemanha poderão encerrar, uma medida que tem enfrentado forte oposição dos sindicatos e poderá levar à convocação de greves a partir do início do próximo ano.

Gigantes petrolíferas europeias disparam lucros com margens de refinação recorde

29 October 2026 at 08:13

As petrolíferas Shell, Repsol e Total reportaram um forte conjunto de resultados, com as gigantes petrolíferas a apresentarem lucros próximos de recordes, à boleia do forte crescimento registado pelas margens de refinação devido ao impacto da guerra no Irão nos preços e no fornecimento de petróleo.

A Shell registou um resultado líquido de 10,81 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, com a empresa a superar as estimativas do mercado. Trata-se do maior lucro desde o arranque de 2022, num período em que o negócio beneficiou com as fortes margens na refinação e com os preços mais elevados do gás natural.

A petrolífera britânica registou uma margem de refinação recorde de 42 dólares por barril, face a 11,6 dólares por barril há um ano e 24 dólares no trimestre anterior. Com a rentabilidade a disparar, a empresa anunciou ainda que vai reforçar o seu programa de recompra de ações de três para cinco mil milhões de dólares e manteve o dividendo.

Já a espanhola Repsol fechou os primeiros nove meses do ano com lucros acima de cinco mil milhões de euros, um número que supera em mais de quatro vezes os 1,18 mil milhões reportados no período homólogo. A margem de refinação atingiu os 20,6 dólares por barril até setembro, face aos 6,7 dólares registados no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 207,5%.

“As guerras no Irão e na Ucrânia provocaram perturbações logísticas e danos nas infraestruturas, que, por sua vez, originaram uma escassez de produtos à escala internacional, em especial de gasóleo e querosene, com um impacto direto nos mercados energéticos mundiais”, justifica a empresa na apresentação de resultados.

Também a petrolífera francesa TotalEnergies registou um aumento de 127% no resultado líquido ajustado do terceiro trimestre, superando as expectativas dos analistas. O resultado líquido ajustado ascendeu a 9,1 mil milhões de dólares entre julho e setembro, mais do dobro dos 4 mil milhões registados no período homólogo e acima dos 8,3 mil milhões de dólares esperados, em média, pelos 12 analistas questionados pela LSEG.

“O aumento de quase 10% do volume de refinação permitiu à empresa aproveitar plenamente as margens de refinação historicamente elevadas na Europa e a nível mundial, enquanto a atividade de comercialização de petróleo registou um desempenho superior, comparável ao dos dois trimestres anteriores», afirmou o presidente executivo, Patrick Pouyanné, citado em comunicado.

A guerra no Médio Oriente, que já dura há nove meses, tem determinado uma escalada dos preços do petróleo, que seguem a negociar atualmente acima dos 114 dólares por barril em Londres, devido aos elevados constrangimentos no fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz, um dos principais canais mundiais por onde passa a matéria-prima.

Impulsionada igualmente pela subida dos preços do petróleo e da margem de refinação, também a portuguesa Galp bateu um recorde de lucros entre julho e setembro, com um disparo de 68% para 682 milhões de euros, como reportado na segunda-feira pela

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