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A cidade de Ribeirão das Neves oscila entre Lula e Flávio

A aposentada Elizabete Oliveira Gregório, 72, é eleitora de Lula (PT) desde a primeira vez em que o ex-metalúrgico se candidatou à Presidência, em 1989. Nascida numa pequena cidade do Paraná, ela diz que teve contato com os ideais do atual presidente quando se mudou para Guarulhos, em São Paulo.

“Meu esposo sempre falava muito que ele era trabalhador, uma pessoa pobre igual todo mundo”, ela conta, admitindo que, apesar de não entender muito de política à época, repetiu o voto do marido, nesta e nas eleições seguintes, acreditando na confiança que ele depositava no sindicalista.

Elizabete mora em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, desde a década de 1990. Com 330 mil habitantes, a periférica cidade é um dos dez maiores colégios eleitorais de Minas Gerais e tem se destacado, nos últimos anos, como um município-chave para observar as idas e vindas da polarização hoje corrente no país.

Antigo reduto petista que deu ampla vantagem a Lula e a Dilma Rousseff (PT) nas eleições de 2002 a 2014, Ribeirão das Neves tem apresentado um movimento de gangorra em relação aos últimos posicionamentos políticos da maioria de seus habitantes e seguido, à risca, o cenário das eleições nacionais.

Jair Bolsonaro (PL) venceu por lá em 2018, eleito em segundo turno com 59,59% dos votos válidos, e Lula retomou a dianteira do PT em 2022, por uma estreita margem de 50,63%. No primeiro turno deste ano, a cidade escolheu Flávio Bolsonaro (PL), que marcou 46,53% dos votos válidos, ante 43,93% de Lula.

Elizabete, que é evangélica, diz nunca ter mudado de opinião. Ela guarda a lembrança da primeira vez que foi ao banco, para fazer um empréstimo e adquirir um cartão de crédito, conquista que dedica à gestão do petista. “Eu creio que, se ele ganhasse agora, seria bom como foi das outras vezes”, diz.

Eleitores mudam de posição e criticam governos

Lula também foi o candidato escolhido em 2022 por Marcelo Augusto, 23. Ele é comerciante numa loja de roupas e atualmente faz curso de barbeiro. “Foi meu pior arrependimento. O cara não fez nada”, ele diz.

No primeiro turno das eleições deste ano, votou em Flávio, escolha que pretende manter para o segundo. “Não é que ele seja meu candidato favorito, mas eu acho melhor dar uma chance pra ele, que está chegando agora, do que deixar o PT, que não fez nada nesses 20 anos de governo”, explica, citando ainda a repercussão dos escândalos do mensalão e do Banco Master.

Marcelo acredita que a polarização política na cidade se dá porque muitas pessoas não sabem por que votam, e cita o próprio exemplo -ele diz que votou no Lula no último pleito por influência da mãe, que vê no petista um bom presidente.

“Eu acredito que muitas pessoas não estudam e não procuram saber em quem estão votando, e vão muito na onda dos outros”, ele diz, definindo-se hoje como uma pessoa de extrema direita.

Ele justifica a posição afirmando ser contra algumas bandeiras que entende serem defendidas pela esquerda, como a questão do aborto e pautas relacionadas à defesa da diversidade de gênero e orientação sexual.

Marcelo também é crítico à PEC do fim da escala 6×1, promulgada nesta sexta-feira (16) após aprovação por ampla maioria na Câmara e no Senado. “Um descanso a mais sim, mas eu sou a favor do poder de compra. Não adianta a pessoa ter um dia de folga e não ter condições de comprar nada”, afirma.

Na sua opinião, um eventual governo Flávio tem chance de ser melhor do que a gestão de seu pai, Jair. “Tomara, porque, se também não for, daqui a quatro anos, eu voto em outra pessoa. Eu sou desse jeito.”

Ele assume a vontade de entrar para a política no futuro e diz que suas principais bandeiras seriam o combate à corrupção e à criminalidade.

A escolha por Flávio é a mesma da freelancer Cynthia Miriam, 45, que afirma nunca ter votado no PT. “O governo Bolsonaro parece que deixou o Brasil com dinheiro no cofre, né? Quem sabe não acontece o mesmo?”, diz.

Abstenção e votos nulos refletem insatisfação

Já Lael Chaves, 32, se considera uma pessoa de centro e disse que não votou em ninguém no primeiro turno, decisão que ele afirma manter para o segundo. “Como uma forma de protesto”, explica.

Ele trabalha com sua bicicleta como entregador de uma plataforma de delivery, e conversou brevemente com a reportagem em uma pausa entre pedidos.

“Entra político, sai político e o país está sempre pior”, ele afirma. “A inflação está sempre aumentando e o poder de compra do brasileiro diminuindo, seja nas gestões de esquerda ou de direita.”

Ele considera que as propostas de ambos os presidenciáveis funcionam como fachada para que os candidatos defendam interesses pessoais. “Eu sou contra a classe política atual, não tem ninguém que me represente”, diz, citando Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos (Missão), que ficou em quarto lugar no primeiro turno.

A justificativa se assemelha às razões da estudante de direito Tainá dos Santos, 22, para votar nulo em todos os cargos eletivos, do Executivo e do Legislativo, desde que esteve apta a participar do processo, aos 16 anos.

“Tem essa opinião das minhas colegas, sempre falando comigo da importância da política e do voto feminino, mas, apesar de me importar com questões feministas, eu nunca quis escolher alguém e nunca me dei esse trabalho”, ela conta. “É uma opinião normal, a minha.”

Ela questiona como o seu voto, 1 entre os 158,7 milhões de eleitores brasileiros, poderia influenciar a porcentagem alcançada pelos candidatos em primeiro turno. “Será que o meu voto mudaria alguma coisa? Eu cheguei à conclusão de que não e pretendo continuar assim, votando nulo.”

Ela conta que a sua família é bastante ligada às questões políticas. “Aqueles votantes doentes, sabe?”, ela diz, contudo, afirmando não saber se eles pendem mais para o PT ou o PL.

“Nunca quis participar dessas conversas, que sempre acabam em discussão. Não gosto de violência e dessas trocas que são muito invasivas”, diz a estudante.

Apoiadores de Lula defendem reeleição

Estudantes realizam ato a favor da reeleição de Lula | Foto: Reprodução

Outros estudantes realizaram um ato a favor da reeleição de Lula na noite de quinta-feira (15) e passaram a tarde no centro comercial da cidade convocando público para a manifestação.

A artista e assistente social Nádia Nascimento, 37, era uma das que estavam panfletando e balançando a bandeira do petista numa das principais vias do município, confiante na virada do atual presidente. “Estou hoje aqui, no meu dia de folga, porque acredito na democracia.”

Ela afirma que a direita desconstruiu Ribeirão das Neves, cidade que, na sua avaliação, funciona por meio de políticas públicas para a população. Segundo Nádia, isso ocorre desde a eleição do prefeito Junynho Martins, então pelo PSC, em 2016. Ele foi reeleito pelo DEM em 2020. Hoje, a cidade é governada por Túlio Raposo (PP).

“Nessas eleições, acho que Neves infelizmente deu uma mancada. A população que votou na direita foi um pouco ingrata”, ela diz.

Neste ano, 45.450 pessoas deixaram de votar no primeiro turno na cidade, o que representa uma taxa de abstenção de 20,79%. Os votos em branco somaram 3,05% do eleitorado, enquanto 3,58% anularam o voto.

Eleitor ainda não decidiu voto no segundo turno

Nei de Lima, 43, não revelou o voto no pleito deste ano, mas diz que votou em Bolsonaro em 2018 e em Lula nas eleições de 2022, escolha que reverbera a maioria conquistada pelos candidatos na cidade nos respectivos pleitos.

“Votei no Bolsonaro porque achei que ia ter uma mudança, o PT já estava no controle do país há alguns anos”, conta o motorista de aplicativo. “Como não teve uma mudança significativa, votei no Lula de novo na última eleição.”

Neste segundo turno, ele ainda não sabe em quem vai votar. Do último governo Lula, diz estar insatisfeito com o valor do salário mínimo e com as altas taxas de feminicídio, que no primeiro trimestre deste ano atingiram um novo patamar recorde. “Dá pra melhorar nesses quesitos”, ele opina.

Na sua opinião, Flávio poderia representar uma mudança frente ao que já está posto. “Mas se essa mudança vai ser pra melhor a gente só vai ver depois.” (Gabriel Araújo/FOLHAPRESS)

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Moto Clube de Faro emite Nota de Pesar pelo falecimento do seu membro Ernesto Cabrita

17 October 2026 at 18:48

NOTA DE PESAR

É com profunda tristeza que o Moto Clube Faro comunica o falecimento de Ernesto Cabrita, sócio e membro do nosso clube.
O Ernesto era uma pessoa especial, de sorriso fácil, sempre alegre e bem-disposto, com uma energia contagiante e um trato que tornava qualquer convívio agradável. Era um profundo conhecedor de Faro, das suas gentes e das suas memórias, que gostava de partilhar com quem o rodeava.
Era também uma excelente companhia nas viagens de mota, sempre pronto a partilhar a estrada e os bons momentos.
A sua partida deixa uma enorme saudade entre todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer e de partilhar momentos com ele.
O Moto Clube Faro apresenta à família e aos amigos as mais sentidas condolências, neste momento de profunda dor.
Ernesto, ficará a tua alegria, a tua amizade e a memória de tantos bons momentos partilhados, dentro e fora da estrada.
Que descanses em paz. Serás sempre recordado com carinho e saudade.

Nota publicada na página oficial do Moto Clube de Faro na rede social Facebook.

Ernesto Nuno Cabrita, membro do Moto Clube de Faro, morreu na noite desta sexta-feira, 16 de outubro, na sequência do despiste do motociclo que conduzia, na zona dos Caliços, na freguesia da Conceição de Faro.

O alerta ao socorro foi sido dado cerca das 20h30, tendo para o local sido empenhados 12 operacionais dos Bombeiros e do INEM.

Ernesto Cabrita fundou a Look-Al Cultural Experiences e dedicava-se a mostrar a cidade aos visitantes, através de passeios culturais que privilegiavam o património, a história e as tradições da capital do Algarve.

Também em nota publicada na sua página oficial no Facebook, «o Município de Faro manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento prematuro e inesperado de Ernesto Cabrita, empresário na área do turismo, responsável pelo projeto Look-All onde era guia turístico. Um apaixonado pela cidade de Faro, que tão bem conhecia e cuja história, identidade e memórias gostava de partilhar com todos os que a visitavam.

Dinâmico, de sorriso fácil e profundamente ligado à sua cidade, Ernesto Cabrita destacou-se pelo seu espírito empreendedor e pela forma entusiasta como vivia e promovia Faro, contribuindo, através da sua atividade, para a valorização e divulgação do concelho angariando a simpatia dos muitos turistas que com ele descobriam o nosso concelho.

A sua partida, tão repentina, deixa uma profunda tristeza entre todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer e de com ele partilhar momentos, conversas e experiências, ficando a memória de um homem que vivia Faro com genuíno orgulho e paixão.

Neste momento de dor, o Município de Faro endereça à família, aos amigos e a todos os que com ele partilharam a vida e o percurso profissional as suas mais sentidas condolências, manifestando a sua solidariedade perante esta perda irreparável.»

Arquivo Municipal vai falar sobre a escrita em Loulé na Idade Média

17 October 2026 at 07:00

Hoje, sábado, 17 de outubro, pelas 15h00, Ricardo Seabra apresenta a conferência “Loulé medieval: a escrita no município”, no âmbito do ciclo “LOULÉ na linha do tempo”, que acontece no Arquivo Municipal de Loulé Professor Joaquim Romero Magalhães.

A relevância da escrita durante toda a História tem uma importância colossal. As informações preciosas sobre as gerações passadas, na sua multiplicidade de perspetivas, seja o cariz político, económico e/ou social, enformam os trabalhos de diversos historiadores sobre vários campos de pesquisa.

A abordagem nesta conferência incidirá sobre a escrita no Município de Loulé na Idade Média, não só sobre os diversos oficiais da escrita, mas também que tipo de escrita, para quem se escrevia e a vasta tipologia de documentos. Dessa forma, o conferencista tentará vislumbrar o Município de Loulé neste período, mostrando através da escrita dos textos o que é mais importante na sociedade: a vida das gentes louletanas.

Ricardo Seabra é Professor Auxiliar no Departamento de História, Artes e Humanidades da Universidade Autónoma de Lisboa. É investigador integrado do CIDEHUS.UAL e colaborador do CITCEM. A sua pesquisa centra-se principalmente no Tabelionado Régio medieval, na vertente política, económica e social, e na Diplomática Notarial.

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