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Algarve pode receber partida do Dakar em 2027 após saída da Arábia Saudita

25 October 2026 at 16:40

A partida e o prólogo do Dakar de 2027 poderão realizar-se no Algarve, seguindo-se as etapas em Marrocos, adiantou à Lusa uma fonte próxima do processo. A organização confirmou este domingo, 25 de outubro, que a prova deixará provisoriamente a Arábia Saudita, mas ainda não anunciou o novo destino.

Os pormenores do percurso e do programa permanecem por divulgar. O anúncio da localização deverá acontecer no início da próxima semana, tendo Espanha também sido apontada como hipótese.

As equipas já foram informadas da alteração, confirmou a Lusa junto de uma delas.

Organização garante realização da prova em 2027

A mudança surge devido aos “recentes desenvolvimentos na região”, na sequência dos conflitos entre os huthis do Iémen e a Arábia Saudita, país que recebe o rali de todo-o-terreno desde 2020.

“O Dakar 2027 irá realizar-se. A edição de 2027 decorrerá num território diferente e será organizada pela ASO. O local será anunciado separadamente nos próximos dias”, refere o comunicado da organização.

A Amaury Sport Organization (ASO), responsável pelo Dakar e por outras competições, incluindo a Volta a França em bicicleta, acrescentou que mantém contacto direto com concorrentes, equipas e parceiros para os apoiar nesta transição.

Regresso à Arábia Saudita anunciado para 2028

A saída será temporária. A ASO anunciou que o Dakar voltará à Arábia Saudita em 2028, para assinalar a 50.ª edição.

“A Arábia Saudita acolherá o Dakar em 2028, numa edição histórica que assinalará a 50.ª realização do rali”, lê-se na nota publicada pela organização.

Segundo o mesmo comunicado, as duas organizações já estão a trabalhar em conjunto na preparação dessa edição.

Algarve poderá marcar regresso da prova a Portugal

Caso se concretize a partida no Algarve, o Dakar regressará a Portugal 19 anos depois do cancelamento da edição de 2008, que deveria ligar Lisboa à capital do Senegal.

Lisboa recebeu a partida das edições de 2006 e 2007. A terceira saída consecutiva da capital portuguesa foi cancelada em 4 de janeiro de 2008, na véspera do início da competição, devido a ameaças à segurança na Mauritânia.

Essa decisão antecedeu a primeira grande mudança geográfica da prova. Em 2009, o Dakar transferiu-se para a América do Sul, com um percurso pela Argentina e pelo Chile.

Possível mudança para Portugal e Marrocos recupera ligação à Europa e a África

O rali permaneceu na América do Sul durante 11 edições, passando também pelo Peru, pela Bolívia e pelo Paraguai, antes de se instalar na Arábia Saudita em 2020.

A confirmar-se a transferência para Portugal e Marrocos, será a terceira grande mudança de região anfitriã na história da competição e representará o regresso ao espaço europeu e africano onde nasceu.

Criado pelo francês Thierry Sabine, o Dakar teve a primeira edição em 1979, entre Paris e a capital senegalesa. Antes da passagem para a América do Sul, conheceu diferentes percursos, entre os quais Paris–Cidade do Cabo, em 1992, Granada–Dakar, em 1995, e Dakar–Cairo, em 2000.

Leia também: “Virgem vale mais”: criança de 12 anos que foi entregue para pagar dívida dos pais deverá ficar em Portugal

António Barros oferece Anilha de Ouro a ‘repórter’ de Faro

25 October 2026 at 16:30

José Carlos Almeida Rosa, ‘repórter’ de texto e fotografia de Faro, recebeu de António Barros a “Anilha de Ouro da Geral” durante a entrega de prémios da União Columbófila Ouriquense, realizada a 24 de outubro, no restaurante “Pátio de Ourique”.

A distinção desportiva tinha sido conquistada pelo pombo de António Barros com a anilha n.º 3442372/23. O columbófilo ofereceu-a ao ‘repórter’ como reconhecimento pelo seu trabalho na promoção e divulgação da modalidade, de acordo com o relato enviado ao POSTAL pelo próprio José Carlos.

Época de 2026 termina com prémios e convívio

O almoço assinalou o encerramento oficial da época desportiva de 2026 e reuniu participantes e representantes de entidades locais para distinguir os columbófilos e os seus pombos que mais se destacaram ao longo da campanha.

Além da entrega de prémios, o encontro proporcionou um momento de convívio entre os praticantes de uma modalidade ligada às tradições e à vida associativa de Ourique.

Entre os presentes estiveram Jorge Canhestro, presidente da Junta de Freguesia de Ourique, e Nádia Lima, presidente da União de Freguesias de Panóias e Conceição.

Direção destaca apoio das autarquias

Pedro Pinto, presidente da direção da União Columbófila Ouriquense, agradeceu a presença dos participantes e o contributo de quem acompanha a atividade da coletividade.

O dirigente salientou o apoio e o patrocínio do Município de Ourique e das juntas de freguesia do concelho, considerando estas parcerias fundamentais para desenvolver a atividade desportiva, promover a columbofilia e dar continuidade a uma tradição que reúne diferentes gerações.

Os órgãos sociais entregaram também lembranças de agradecimento aos parceiros institucionais: Município de Ourique, Junta de Freguesia de Ourique, União de Freguesias de Panóias e Conceição, Junta de Freguesia de Santa Luzia e Junta de Freguesia de Santana da Serra. O gesto assinalou a colaboração destas entidades com a coletividade.

Crédito: José Carlos
Crédito: José Carlos
Crédito: José Carlos
Crédito: José Carlos
Crédito: José Carlos
Crédito: José Carlos
Crédito: José Carlos

Leia também: Rogério Germano assume liderança da Associação Columbófila do Distrito de Faro

Eleitores vão cedo aos locais de votação no Rio, mesmo com chuva

Logo Agência Brasil

Os eleitores do Rio de Janeiro comparecem aos locais de votação no horário de abertura das urnas, neste domingo (25), mesmo com chuva. Quase 12,9 milhões de pessoas estão aptas a votar no estado, sendo 4,9 milhões na capital, no segundo turno das eleições. 

Com um único voto para depositar, o processo está transcorrendo muito mais rápido do que no primeiro turno. Na Universidade Unisuam, em Bonsucesso, na Zona Norte, maior local de votação da capital, com 13 mil eleitores, o fluxo de pessoas foi grande durante a manhã, mas poucas sessões tinham fila. 

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O casal Tamara Almeida e Eduardo de Andrade preferiu ir logo no começo da votação para garantir que conseguiriam deixar seus votos na urna. Encontraram uma situação bem mais tranquila do que a do primeiro turno. 

"No primeiro turno, fiquei mais de duas horas na fila até conseguir votar. Agora foram 10 minutos", disse Tamara. "Antes estava muito cheio, tinha fila do lado de fora da escola. Estava bem caótico, mas hoje está bem diferente", complementou Eduardo.  

Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – O eleitor Paulo César da Silva, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – O eleitor Paulo César da Silva, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O eleitor Paulo César da Silva, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio. Foto  - Tomaz Silva/Agência Brasil

Paulo Cesar da Silva também saiu cedinho da cidade de Nova Iguaçu, e mesmo com um ferimento na perna, fez questão de participar da eleição. Com a ajuda de uma muleta e das rampas da universidade, disse que não teve problemas para chegar à sua sessão eleitoral. 

"Não demorei nem um minuto pra votar, a sessão estava vazia. Eu vim pelo direito dos trabalhadores. Sou brasileiro. É mais um voto."

Marcus Vinicius de Andrade, que mora no Complexo da Maré disse que o transporte gratuito facilitou muito a sua participação nessa eleição. Ele votava perto de casa, mas seu local de votação foi um dos 72 alterados pelo Tribunal Regional Eleitoral. 

Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – O eleitor Marcus Vinicius Andrade, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – O eleitor Marcus Vinicius Andrade, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O eleitor Marcus Vinicius Andrade, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto - Tomaz Silva/Agência Brasil

"No primeiro turno, falaram que meu local era em outra escola, cheguei lá e enfrentei a maior fila, quando eu entrei, me falaram que era aqui, mas deu tempo de votar. Hoje foi bem tranquilo e muito rápido." 

De acordo com mesários, duas participações se destacam neste domingo (25): a dos idosos e a de pessoas que não votaram no primeiro turno, mas compareceram às sessões no segundo. 

Maria das Dores de Lima, de 82, se encaixa nas duas situações. Com a ajuda de uma cadeira de rodas por causa de um problema na coluna, ela fez questão de participar: "É muito importante votar. E eu também quero fazer a minha prova de vida do INSS", ela disse. 

A neta Alexia de Lima complementa: "No primeiro turno, ficamos receosos de trazer, por causa de toda a movimentação. Mas como hoje está mais tranquilo, decidimos vir."

Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – A eleitora aposentada Maria das Dores de Lima e sua neta Alexia de Lima indo votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – A eleitora aposentada Maria das Dores de Lima e sua neta Alexia de Lima indo votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Maria das Dores de Lima, de 82, fez questão de participar - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Regina Maria Neves, de 79 anos, também quis garantir sua participação. Pegou um ônibus em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para chegar a Vila Isabel, na capital, onde vota e esperou cerca de 30 minutos, sob chuva, até a abertura do local de votação. 

"Todo cidadão brasileiro tem que votar. Perdendo ou ganhando todo mundo tem que vir, porque a nossa opinião importa", disse. 

Gilberto Adamati, de 73 anos, chegou antes das 8h ao local. "Eu penso que é uma responsabilidade com o país. Estou bem de saúde, então não há porque deixar de vir. Eu soube de uma senhorinha de 96 anos que foi votar em cadeira de rodas. Um exemplo desses, não tem como a gente não seguir." 

Algarve em Resistência exige demissão de Montenegro após intervenção nas acampadas

25 October 2026 at 15:35

O coletivo Algarve em Resistência exigiu este domingo, 25 de outubro, a demissão de Luís Montenegro, na sequência das intervenções policiais nas acampadas pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto. O grupo reclama também o apuramento público e independente de responsabilidades pelas agressões que denuncia.

Num comunicado, o coletivo manifestou solidariedade com as pessoas agredidas e detidas e rejeitou que se trate como uma questão de “ordem pública” aquilo que considera uma emergência social.

“No Algarve conhecemos bem esta realidade. Quando faltam casas, não podem sobrar bastonadas”, afirma o Algarve em Resistência, relacionando a contestação com as dificuldades de quem vive e trabalha na região.

Coletivo algarvio pede arquivamento dos processos e promete continuar nas ruas

Além da demissão e responsabilização do primeiro-ministro, o grupo exige o arquivamento dos processos contra todas as pessoas detidas, o respeito pelo direito de manifestação “a qualquer hora” e medidas imediatas e estruturais que garantam habitação acessível.

“Não foram as tendas que ocuparam o espaço público. Foi a especulação imobiliária que ocupou as nossas cidades e expulsou quem nelas vive e trabalha”, sustenta o comunicado.

O coletivo compromete-se ainda a acompanhar os detidos quando forem presentes a tribunal e a manter os protestos. Segundo a Lusa, as manifestações pelo direito à habitação regressam este domingo às praças de Lisboa, Porto e Faro.

SOS Racismo exige saída do ministro da Administração Interna

O SOS Racismo também condenou as intervenções desta madrugada, exigindo “o fim da violência policial e repressão brutal” e a “imediata responsabilização política e criminal das forças policiais e do Governo”.

Num comunicado citado pela Lusa, o movimento classificou a atuação contra as acampadas do Rossio, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, como uma “desproporcionada, violenta e ilegal investida”. Pediu, por isso, a “demissão imediata” do ministro da Administração Interna.

O movimento reclama um inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna à atuação da PSP e exige que o Governo e a direção nacional da polícia esclareçam “quem ordenou a intervenção, com que base legal e com que critérios de proporcionalidade”.

Pede igualmente uma tomada de posição do Presidente da República e o arquivamento dos processos por desobediência instaurados contra os manifestantes.

Ativista relata agressões a pessoas que estavam no chão

O SOS Racismo afirma ter acompanhado as acampadas no terreno, o que lhe permitiu testemunhar a conduta pacífica dos participantes e a posterior atuação policial.

Mariana Carneiro, membro do movimento, descreveu a presença de agentes fortemente equipados: “Parecia que estavam em batalha absoluta, a confrontar um inimigo com poder militar”.

A ativista afirmou ainda ter visto “muita gente no chão a ser espancada, a levar com o cassetete já estando no chão, portanto, não constituindo qualquer tipo de ameaça”.

Segundo os dados reunidos pelo SOS Racismo, mais de 30 pessoas receberam apoio médico no Rossio, prestado pelo grupo de primeiros socorros da acampada.

Balanços de feridos divergem entre polícia e movimentos

De acordo com a Lusa, a PSP dispersou as manifestações durante a madrugada, com bastonadas, balas de borracha e cães, em intervenções simultâneas em Lisboa e no Porto. As ações ocorreram após mais de duas horas de tensão e ordens de dispersão e retirada das tendas, que os participantes não acataram, invocando a proteção constitucional do direito à manifestação.

A PSP indicou sete feridos em Lisboa e oito no Porto, além de 31 detidos por desobediência na capital. O comunicado do Algarve em Resistência apresenta um balanço diferente, de 11 feridos, que também atribui à polícia.

O coletivo algarvio refere ainda a apreensão de mais de 170 tendas, um total de 86 pessoas detidas desde o início dos protestos e a interrupção do trabalho de uma equipa médica que assistia feridos.

Polícias antimotim avançam contra manifestantes durante um protesto pelo direito à moradia em Lisboa. Crédito: Lusa

Por sua vez, a Acampada de Lisboa fala em dezenas de feridos, afirmando que mais de 20 foram para o Hospital de São José e que outros receberam assistência no local. No Porto, o movimento aponta para 37 feridos.

Protestos começaram no Porto e alargaram-se a Lisboa

A acampada do Porto teve início em 10 de outubro e foi alvo de uma primeira intervenção policial na madrugada de dia 15, que causou perto de 40 feridos. A ação ocorreu após uma manifestação que reuniu cerca de três mil pessoas na Praça D. João I, refere a Lusa.

Em Lisboa, a acampada começou em 17 de outubro, depois da manifestação convocada pela CGTP, que juntou milhares de participantes. As tendas montadas no Rossio foram retiradas numa primeira intervenção policial na terça-feira.

Neste sábado, após uma manifestação com dezenas de milhares de pessoas na Avenida da Liberdade, os participantes voltaram a montar tendas.

Os movimentos exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à compra de habitação por fundos imobiliários e o aumento da oferta pública. Reclamam também a recuperação de imóveis devolutos para habitação e tetos “verdadeiramente acessíveis” às rendas.

Leia também: Protesto pela habitação leva uma centena de pessoas às ruas de Faro

Driveway Transfers do Algarve recebe prémio de segurança rodoviária

25 October 2026 at 12:56

A Driveway Transfers, empresa algarvia de transporte de passageiros, recebeu o prémio de segurança rodoviária de 2025 da Horizonte Seguro, numa cerimónia realizada a 20 de outubro de 2026, em Alcobaça, anunciou a empresa em informação enviada ao POSTAL.

De acordo com a operadora de transfers, a distinção reconhece o trabalho desenvolvido na formação e sensibilização dos motoristas, no acompanhamento dos indicadores de condução e na gestão da frota, com atenção à segurança e ao conforto dos passageiros.

Formação e verificações às viaturas entre as práticas destacadas

A empresa identifica as verificações aos veículos, a formação dos profissionais e as iniciativas internas regulares de sensibilização rodoviária como componentes da sua atividade diária. Estas ações procuram incentivar uma condução cuidadosa e responsável.

Na apresentação do trabalho que esteve na origem do reconhecimento, a Driveway Transfers refere uma gestão de frota que procura conciliar a eficiência operacional com a proteção dos passageiros, dos motoristas e dos restantes utilizadores da estrada.

A operadora associa também a distinção ao trabalho da equipa, destacando o profissionalismo e o sentido de responsabilidade dos seus trabalhadores. Na comunicação divulgada, dirige um agradecimento à Cartrack Portugal e à SEGEF pelo prémio.

Empresa pretende manter investimento na prevenção

A Driveway Transfers considera o reconhecimento um incentivo para continuar a investir na formação, na prevenção e na melhoria das suas operações.

A empresa defende ainda a participação de mais operadores de transporte e outras empresas em iniciativas de sensibilização rodoviária. Na sua perspetiva, estes projetos permitem valorizar boas práticas e reforçar a responsabilidade partilhada na prevenção de acidentes e na redução de comportamentos perigosos na estrada.

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Ao votar no Rio de Janeiro, Flávio diz que representa a mudança

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O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) defendeu neste domingo (25), no segundo turno das eleições, que representa a mudança, especialmente contra a violência pública e o endividamento. 

Em frente ao seu local de votação, falou brevemente à imprensa sobre a expectativa de vitória no pleito. 

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"A vida de todo mundo piorou, então não tem porque continuar insistindo no erro. A esperança virou medo, de andar na rua de noite, de ter o celular roubado, de ter a moto roubada. Medo da geladeira vazia, de não conseguir pagar as contas", declarou. 

O candidato chegou para votar às 8h20 da manhã, na Escola Municipal Barão Homem de Melo, em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro. Ele estava acompanhado da esposa Fernanda Bolsonaro, da mãe, Rogéria Bolsonaro, e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas.

A rua em frente ficou tomada por apoiadores e também por eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Flávio neste segundo turno. 

Os dois grupos rivalizaram com palavras de ordem, a favor e contra Flávio. De um lado, os eleitores de Lula lembravam do caso Ana Clara, e das suspeitas de que o candidato tenha relações com grupos de milícias. 

Os apoiadores do candidato do PL gritavam frases contra o presidente Lula. Logo após a saída de Flávio, o movimento se dispersou e permaneceram apenas os eleitores do local. 

Fernando Pessanha contesta ideia de uma Arenilha desabitada antes da vila pombalina

25 October 2026 at 12:10

A ocupação de Santo António de Arenilha antes da construção da vila pombalina está no centro do novo livro de Fernando Pessanha, apresentado a 24 de outubro, em Vila Real de Santo António. Com base em fontes documentais, o historiador contestou a ideia de que não existiam população nem estruturas organizativas no local onde começou a ser construída a nova vila, em 1774.

A sessão, promovida pela Câmara Municipal para assinalar o Dia do Exército, esgotou a lotação do salão nobre da Capitania do Porto ainda antes do início da cerimónia, levando parte do público a acompanhar a apresentação a partir do átrio. A iniciativa integrou as comemorações dos 250 anos das festividades da fundação de Vila Real de Santo António.

Cartas e mapas sustentam leitura de continuidade histórica

Ao longo de cerca de 45 minutos, Fernando Pessanha percorreu a história do extremo sudeste algarvio entre a Guerra Fantástica de 1762 e a Grande Batalha do Guadiana de 1801, tendo como fio condutor o percurso do oficial de infantaria Francisco de Mendonça Pessanha Mascarenhas.

Governador do termo de Santo António de Arenilha e, posteriormente, primeiro governador da nova vila pombalina, o militar é a figura central da obra O “Inteligente, pratico, activo e zeloso dos interesses de S. Magde” Francisco de Mendonça Pessanha Mascarenhas, 1.º governador da “Nova Vila de Santo António de Arenilha” / Vila Real de Santo António.

Recorrendo a correspondência e documentação cartográfica, o autor defendeu uma continuidade histórica que remonta à fundação da vila original e sede de concelho, em 1513. Nesta leitura, a construção iniciada em 1774, conhecida a partir de 1775 como Vila Real de Santo António, não representa o início da ocupação humana daquele território.

O investigador reconheceu, contudo, uma mudança de modelo político e organizativo, expressa na arquitetura e no urbanismo iluminista do século XVIII.

Obra prefaciada pelo historiador António Ventura

Fernando Pessanha é técnico superior da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e investigador da Universidade Nova de Lisboa e da Academia de Marinha. O livro conta com prefácio de António Ventura, historiador e catedrático emérito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Entre os presentes na apresentação estiveram António Fragoso de Almeida, vice-reitor da Universidade do Algarve, e Pedro Albuquerque, docente de arqueologia da Universidade de Sevilha.

Guitarra portuguesa abriu a cerimónia

A sessão começou com um momento de guitarra portuguesa por Filipe Santos. Seguiram-se as boas-vindas do primeiro-tenente Domingos, adjunto do capitão do porto, às instalações da Marinha Portuguesa.

O vereador do Património Material e Imaterial, Fernando Horta, destacou a importância da iniciativa para a identidade histórica, cultural e patrimonial do concelho.

No encerramento, o presidente da Câmara Municipal, Álvaro Palma de Araújo, felicitou Fernando Pessanha pelo trabalho de investigação e salientou a adesão do público a uma sessão dedicada à história do extremo sudeste algarvio.

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Mudanças climáticas já causam aumento de doenças infecciosas no país

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Desde a década de 1980, o Brasil registra surtos comprovados de dengue, mas só em 2007 o Rio Grande do Sul teve um caso que não tenha sido importado de outra parte do país. A explicação é simples: como o mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, vive melhor em regiões quentes e úmidas, o clima funcionava como uma barreira de proteção. 

Essa defesa natural ficou no passado. Em 2024, ano em que o Brasil registrou um número recorde de casos da doença, o Rio Grande do Sul teve quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes.

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Na Bahia, estado acostumado a temperaturas mais elevadas e com 3 milhões de habitantes a mais, os casos confirmados foram cerca de 163 mil, com 188 óbitos. 

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que isso não ocorre apenas no Rio Grande do Sul. De 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais do que dobrou, de 110 para 292, extensão que representa metade do país (54%).

As outras microrregiões (46%) apresentaram incidência de média a baixa, com risco esporádico ou incerto.

A principal explicação para essa mudança está no clima. A pesquisa identificou que a maior frequência de anomalias térmicas é o indicador climático que explica melhor o aumento das taxas de incidência de dengue no longo prazo. O conceito se refere ao registro de temperaturas muito diferentes das habituais em um local por determinado período de tempo.

"O que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão zero", alertam os autores. 

De acordo com o infectologista Celso Granato, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, o espalhamento da dengue é uma das maiores provas de como as mudanças climáticas podem incidir sobre as doenças infecciosas. 

A doença tropical tem chegado não somente a regiões mais frias do Brasil, como a países do Hemisfério Norte. Neste momento, a região continental dos Estados Unidos vive o maior surto de dengue da sua história. Casos autóctones também foram registrados neste ano na França e na Itália. 

Granato explica que todas as etapas da vida do mosquito transmissor da dengue são afetadas pelo clima.

"Eles colocam ovos com uma casca muito resistente, que podem permanecer por anos na natureza e se romper quando tem umidade e temperatura alta. E esses mosquitos já podem nascer infectados, porque há a transmissão da fêmea para os ovos".

Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Na foto Celso Granato . Foto: Divulgação SBPC/ML Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Na foto Celso Granato . Foto: Divulgação SBPC/ML
O infectologista Celso Granato . Foto: Divulgação SBPC/ML

A temperatura também altera o comportamento dos mosquitos já adultos. 

"Quando está muito calor, eles têm que bater a asinha mais rapidamente para conseguir voar. Então, eles gastam mais energia e precisam picar mais para se alimentar e acabam transmitindo mais a doença também".

Febre do Oropouche

Mas a dengue não é a única doença afetada pelas mudanças climáticas. A febre do Oropouche, que circulava quase exclusivamente na Região Amazônica até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado, em 23 estados e no Distrito Federal. 

A relação com o clima ainda está sendo investigada, mas especialistas acreditam que mudanças nos padrões de temperatura e chuvas, em conjunto com a degradação ambiental, tenham contribuído para a expansão da doença. 

Granato chama atenção ainda para surtos que podem ocorrer após eventos extremos, como secas e enchentes, que têm se tornado mais frequentes com as mudanças climáticas. O alerta aumenta com a previsão de que o Brasil seja afetado pelo fenômeno El Niño, que favorece esses eventos.

 

Brasília (DF) 02/02/2024 - O Ministério da Saúde define a febre do Oropouche como doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, identificado pela primeira vez no Brasil,  em 1960, a partir da amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.
Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical/Divulgação Brasília (DF) 02/02/2024 - O Ministério da Saúde define a febre do Oropouche como doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, identificado pela primeira vez no Brasil,  em 1960, a partir da amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.
Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical/Divulgação
Mosquito causador da febre do Oropouche Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical/Divulgação

"No Rio Grande do Sul, após o desastre das chuvas, aumentou muitas vezes a frequência de leptospirose", exemplifica.

A doença é causada por uma bactéria transmitida principalmente pela urina de ratos, que é espalhada durante enchentes. 

"A água da enxurrada também se mistura com o esgoto e pode contaminar a que as pessoas vão beber ou lavar seus alimentos. Há um grande risco de se contaminar com bactérias que causam problemas gastrointestinais e com vírus, como o da hepatite A", complementa o infectologista.

Já as secas representam um perigo diferente e pouco conhecido: "Quando a gente tem incêndio, os animais que dependem da floresta migram para as casas das pessoas que moram perto, principalmente pequenos mamíferos, que têm uma série de doenças que podem passar para o ser humano".

O exemplo mais preocupante é o hantavírus. A cepa que circula no Brasil causa uma síndrome cardiopulmonar bastante grave. Desde 2016, 530 infecções foram confirmadas no país, com 212 mortes, uma taxa de letalidade de 40%. 

"A gente tem vários exemplos anteriores, na Bolívia e no Paraguai, por exemplo. Quando ocorrem queimadas, os roedores infectados entram na casa das pessoas e causam essa doença", alerta Granado. 

Fungos

Outra ameaça pouco conhecida é a das doenças fúngicas. Na última edição do Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo Sarah Gonçalves Tavares alertou que as mudanças climáticas estão levando os fungos a se adaptarem e, com isso, alguns passam ser nocivos aos humanos. 

"A gente tem uma temperatura corporal média de 37 graus Celsius, e 95% dos fungos que estão no ambiente não conseguem crescer nessa temperatura. Mas a temperatura do meio-ambiente tem aumentado, e os fungos estão se adaptando a isso. Então, essa barreira que a gente tem acaba sendo rompida".

A professora explica que a mudança de temperatura é uma das "engrenagens" desse processo, assim como o aumento de raios ultravioleta e outras alterações ecológicas, que se somam e propiciam a emergência de determinados fungos como patológicos. 

"A gente tem micro-organismos que estavam no meio-ambiente e não eram causadores de doenças em seres humanos, mas eles foram se adaptando a vários tipos de estresse ao longo do tempo e começaram a surgir, principalmente, em pacientes em tratamento intensivo".

 

Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Na foto a professora da UFES Sarah Gonçalves Tavares . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Na foto a professora da UFES Sarah Gonçalves Tavares . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal
A professora da UFES Sarah Gonçalves Tavares. Foto:  Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal

O maior exemplo é a Candida auris, identificada pela primeira vez na década de 1990 em áreas alagadas de países asiáticos, depois em regiões rurais e, por fim, em cidades. Ele apresenta duas características muito perigosas: consegue sobreviver em altas temperaturas e resistir por muito tempo no meio ambiente. 

"Uma pessoa sadia dificilmente vai desenvolver uma infecção por esse tipo de fungo, mas os pacientes imunodeprimidos são vulneráveis", complementa Sarah. Por isso, os surtos de Candida auris têm acontecido em unidades hospitalares, com letalidade entre 40 e 60%". 

Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Fungo do tipo Aspergilus . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Fungo do tipo Aspergilus . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal
Fungo do tipo Aspergilus . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal

O primeiro registro de infecção pelo fungo no Brasil foi em 2020, na Bahia. De lá para cá, foram 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde. Dos 146 pacientes colonizados, 56 morreram. Quando o fungo chegou a corrente sanguínea, provocando infecção generalizada, a letalidade chegou a 82%. 

Um exemplo mais recente é o Trichophyton indotineae, uma espécie de fungo que causa problemas de pele, identificada pela primeira vez em 2022.

"Ele já emergiu com resistência a antifúngicos, porque provavelmente estava exposto a isso no meio ambiente, e o remédio acaba selecionando cepas isoladas que são resistentes", conta a professora da Ufes.

Fungos resistentes não respondem aos tratamentos tradicionais, logo, são muito mais difíceis de serem combatidos. As mudanças climáticas também interferem indiretamente nesse processo: eventos extremos aumentam a vulnerabilidade das plantações, o que leva os agricultores a aplicarem mais fungicidas, acelerando a seleção de cepas resistentes. 

Alterações ambientais causadas pelo clima também podem contribuir para a dispersão de fungos que normalmente existem em áreas delimitadas. Um exemplo é o Aspergillus, que se desenvolve melhor em regiões quentes e úmidas, e tem avançado para outros lugares, após mudanças nos padrões de temperatura e umidade, inclusive no Brasil.

 

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