Projeto para desflorestar 347 hectares em Sines em consulta

© MIGUEL A. LOPES/LUSA

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“Tô certo ou tô errado?”, perguntava Sinhozinho Malta quando contrariado, chacoalhando as pulseiras à espera de obediência. Quem assistiu a Roque Santeiro sabe que o coronel não precisava ocupar a cadeira do prefeito nem ser dono de todos os negócios de Asa Branca para mandar na cidade. Seu poder dependia de uma narrativa conveniente: a de que ele garantia a ordem e a prosperidade da região. Não se preocupava em ser justo. Bastava que todos o considerassem indispensável.
O setor de gás natural brasileiro vive uma novela parecida. A Petrobras não é dona formal do mercado nem autoridade reguladora, mas sua posição dominante lhe permite chacoalhar as pulseiras sempre que algum movimento contraria seus planos. Como na novela, sobrevive há décadas, atravessando os mais diferentes governos, a narrativa de que essa força é condição para a transição energética e para a competitividade do país.
A estatal responde por mais de 65% da produção nacional e mais de 90% do processamento, além de ter peso relevante em importação, transporte e comercialização. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o gás que custa US$ 2,86 por milhão de BTU na boca do poço chega a US$ 12,08 na entrada dos gasodutos. Além disso, o controle sobre as atividades de escoamento e processamento permite reinjetar volumes que poderiam abastecer o mercado. O resultado é um quadro concorrencial grave, que pesa nos preços e sobre toda a economia. A Petrobras arrecada aproximadamente R$ 11 bilhões por ano acima dos valores considerados adequados em estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), devido aos preços cobrados pelo acesso às infraestruturas.
Para as fábricas de vidro, o problema é ainda maior: os fornos operam sem parar em temperaturas muito elevadas, que devem ser mantidas com absoluta estabilidade para viabilizar a fusão e a transformação das matérias-primas. Por isso, o gás natural é essencial ao processo produtivo e tem impacto direto sobre a estrutura de custos da indústria vidreira.
Para os segmentos químico, de fertilizantes, siderurgia, cerâmica, papel e celulose, e alumínio, a energia pode representar até 40% do custo de produção. O setor produtivo perde arrecadação e competitividade enquanto transferimos toda a riqueza do país para a Petrobras.
Por esta razão, é tão relevante a proposta de desconcentração do mercado de gás natural, ou Gas Release, em discussão na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ela prevê que parte do gás hoje concentrado na estatal seja liberada para que outros agentes possam comercializá-lo. Ao colocar essa pauta em debate, com rigor técnico e coragem, a ANP mostrou que outro desenho de mercado é possível. Daí a resistência da Petrobras e as tentativas de questionar a legitimidade da agência.
A Petrobras tem todo o direito de contestar e apresentar argumentos. A recente consulta pública foi feita para isso. Infelizmente, a audiência pública agendada para 21 de outubro foi adiada sob a alegação de coincidir com o período eleitoral. Vale lembrar que o cronograma das Eleições já era conhecido quando a audiência foi marcada, e que a própria ANP já havia rejeitado, neste mês, um outro pedido de adiamento da Petrobras.
A oportunidade para o debate foi postergada, mas o essencial é que a indústria e os agentes do mercado precisam de mais concorrência, mais oferta e preços competitivos para que o país se desenvolva. Na consulta pública, 43 dos 49 participantes inscritos (88%) apoiaram o Gas Release.
Também é importante deixar clara a enorme diferença entre disputar o conteúdo de uma regra e desqualificar o regulador. A autoridade da ANP não depende de acertar sempre; depende de a agência poder exercer suas competências com independência e critério técnico, sem interferências.
Quem reivindica segurança jurídica precisa reconhecer o processo regulatório como parte dela. A própria Petrobras depende de regras estáveis e instituições respeitadas para executar seus projetos e manter a confiança dos investidores. Nenhuma empresa se fortalece de forma duradoura quando o ambiente em que opera perde credibilidade.
O caso já chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), com pedido de investigação por abuso de posição dominante. Mas a resposta principal cabe à ANP. A agência conduziu um processo técnico, ouviu as partes e tem competência para decidir. Adiar indefinidamente também é uma escolha: mantém incertas as condições de entrada e investimento e prolonga o problema que a política pública se propôs a enfrentar. A quem pode interessar essa opção? Aos consumidores e à toda a sociedade brasileira certamente não.
O “tô certo ou tô errado?” não cabe em um mercado regulado maduro e sustentável. Os consumidores industriais esperam da ANP uma decisão técnica, tomada com a independência que a lei lhe assegura. Nesse debate, o chacoalhar das pulseiras não pode se sobrepor aos argumentos técnicos, às necessidades dos consumidores e ao interesse público de um projeto sólido de país.
Especializada nas áreas da iluminação natural, ventilação, desenfumagem, eficiência energética e sustentabilidade dos edifícios, com aplicações sobretudo no setor industrial, a Chatron está a avançar com um investimento de cinco milhões de euros para a construção de uma nova fábrica em Oliveira de Azeméis, para reforçar a capacidade produtiva e industrializar as três novas soluções desenvolvidas num projeto de investigação e desenvolvimento (I&D).
O fundador e CEO Carlos Brandão adianta ao ECO que a operação nesta nova unidade com 1.350 metros quadrados (m2) vai arrancar até ao início do próximo ano e criar 15 postos de trabalho qualificados para “transformar o I&D em capacidade industrial”. Prevê que a inaugural será “suficiente durante dois anos”, mas, a projetar uma futura expansão, já reservou ao lado um lote de 3.000 m2.
Este investimento industrial é o “resultado direto” de projetos de I&D iniciados há dois anos em colaboração com o instituto de investigação Itecons, pertencente à Universidade de Coimbra. Os primeiros dois produtos (AirLight e LightVent) saídos desse projeto vão ser fabricados na unidade oliveirense, onde prevê juntar o “topo de gama” Ecotunnel — “com requisitos muito mais apertados em termos de desempenho técnico, acústico, de inteligência” — no outono de 2027.
“Temos uma expectativa muito grande de que são produtos que vamos também exportar, usando a mesma rede de parceiros do tubo solar”, sublinha o empresário nortenho, licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela FEUP (Universidade do Porto), em referência ao principal produto da empresa. Desenvolvidos em 2009 e fabricados em Vale de Cambra, onde atualmente produz mais de 2.500 unidades por ano com 18 trabalhadores, os tubos solares da Chatron são vendidos para mais de 15 países.

Embora também os comercialize para casas, é para as empresas que mais vende estes tubos solares, já instalados em mais de uma centena de indústrias, como as da Nestlé, Corticeira Amorim ou Delta, em supermercados do Continente ou no novo Pavilhão Multiusos de Vila Nova de Gaia. Na Polónia tem vários instalados em lojas da Ikea ou nas fábricas do grupo alimentar Intersnack. Nos Países Baixos, só no ano passado colocou-os em mais de 15 instalações de criação de porcos, ao passo que na Grécia tem um distribuidor mais dedicados a materiais de construção.
Com mais de 60% da produção destinada à exportação, estes são os três mercados externos mais importantes para a empresa detida por Carlos Brandão e pela mulher, que este ano vai ultrapassar os dois milhões de euros de volume de negócios. Com a fábrica em Oliveira de Azeméis e os três novos produtos, o também presidente da Associação Empresarial de Vale de Cambra e Arouca aponta ao objetivo de atingir os cinco milhões de euros de faturação daqui a três anos.
O “grande salto” no negócio, mas que pode tardar cinco anos, será a entrada nos EUA, para que diz estar a ser “muito desafiado”. “Estamos aqui na corda bamba, mas não está ainda a decorrer por causa do Trump. Os produtos têm de ser todos certificados e homologados – temos isso para a Europa e muitos dão para o resto do mundo, mas os EUA são uma realidade à parte. Precisamos de tempo porque é preciso repetir lá alguns ensaios”, explica. Só para isso, o investimento pode ascender a 200 mil euros, além de obrigar a ter uma equipa local “bem preparada”.
O “primeiro patrão” de Carlos Brandão foi o histórico empresário Ludgero Marques, que presidiu à Associação Empresarial de Portugal (AEP) durante 23 anos e que morreu no final de agosto aos 88 anos. Trabalhou na fabricante de torneiras e de cerâmica Cifial durante três anos até passar para uma empresa de climatização para ganhar experiência nessa área. Foi nesse ramo que montou a empresa em 1998 e depois lhe mudou “um bocado o rumo, porque andava a instalar produtos de outros e queria trilhar um caminho próprio”.
Volvidas quase três décadas, mantendo a sede em Arouca de onde é originário e “onde tudo começou”, mas desde há pouco mais um ano ‘arrumada’ no chamado Grupo MercuryVision, a Chatron está a ser “muito assediados por fundos”. “A pressão é muito grande, mas não estamos muito interessados nesta fase porque temos um potencial grande para crescer e podem querer entrar por verem que a empresa é lucrativa e quererem tirar retorno a curto prazo — e não queremos isso”, indica.
Cheguei a um ponto em que me chateei mesmo. São incómodos. Acho que o dinheiro está fora dos bancos e anda para aí nos fundos, que andam a ver onde é que há potencial de lucro e fazem demasiada pressão. Para já, vou resistir.
“Já tive várias reuniões, mas cheguei a um ponto em que me chateei mesmo. São incómodos. Já disse ‘não’ e eles insistem, mandam cartas… Não sei o que está a acontecer. Acho que o dinheiro está fora dos bancos e anda para aí nos fundos, que andam a ver onde é que há potencial de lucro e fazem demasiada pressão”, desabafa. “Para já, vou resistir. Se não tivesse os filhos, se calhar metia muito dinheiro ao saco e partia para outra [risos]. Mas também tenho o bichinho de fazer coisas novas. Dá-me gozo. Se não desse, também já não estava aqui”, completa.
Dos quatro filhos, dois trabalham no grupo familiar: um engenheiro eletrotécnico há três anos; e uma economista que entrou agora para ajudar a desenvolver precisamente esta unidade de Oliveira de Azeméis, após trabalhar numa multinacional. Em agosto, numa publicação feita no LinkedIn com o título “Nem todas as empresas estão à venda”, já tinha expressado o incómodo pela “frequência e, por vezes, agressividade com que empresários são abordados por investidores, intermediários ou representantes de fundos interessados em entrar no capital das suas empresas”.
“O problema começa quando uma abordagem deixa de ser uma proposta e passa a ser pressão. Emails sucessivos, telefonemas insistentes, pedidos de reunião repetidos, tentativas de obter uma resposta como se o empresário tivesse obrigação de explicar porque não está interessado. E não tem. Uma empresa não está à venda apenas porque alguém decidiu que gostaria de a comprar”, escreveu Carlos Brandão nesta rede social.
Buenos Aires, 27 oct (Prensa Latina) La industria argentina atraviesa hoy una crisis recesiva a juzgar por el nuevo reporte del Centro de Estudios de la Unión Industrial (UIA), el cual advierte sobre una nueva caída interanual en septiembre del 3,4 por ciento.
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