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Crece fricción entre Brasil y Argentina por ayuda a fuga de Bolsonaro

30 October 2026 at 21:37

Buenos Aires, 30 oct (Prensa Latina) El gobierno de Brasil requirió al de Javier Milei que explique la huida hacia Estados Unidos a través de Argentina del excandidato presidencial Flavio Bolsonaro, aunque el canciller Pablo Quirno lo negó hoy.

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Análise: Derrota de Trump nas midterms deixaria Flávio exposto nos EUA

30 October 2026 at 20:36

Na próxima terça (3), os Estados Unidos vão às urnas nas midterms, as eleições de meio de mandato, onde ficam em jogo a Câmara dos Deputados, um terço do Senado e 36 governos estaduais.

A avaliação da Arko Advice, parceira de conteúdo do WW, é que o Partido Republicano do presidente Donald Trump chega nessa reta final na defensiva.

Na Câmara, a tendência é de uma retomada do controle por parte da oposição. Nos bastidores, a base de Trump não discute mais se vai perder o comando da casa, mas sim por quantas cadeiras perderão.

Deputados republicanos de distritos considerados seguros estão em “modo de emergência”, realizando arrecadação de última hora e investindo pesado em propaganda.

O motivo disso é o bolso da população americana, que sofre com o custo de vida, o aumento do preço dos combustíveis e a guerra contra o Irã. Tudo isso afasta parte do eleitor que deu vitória a Trump em 2024, principalmente os jovens trabalhadores. Por isso, projetamos uma maioria democrata na Câmara a partir dessas midterms.

Com uma maioria na Câmara, os democratas ganham poder de convocação de autoridades e poder de investigação. E é aqui que entra o Brasil.

Depois da nossa eleição presidencial vimos a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA e o governo americano chegou a confirmar essa passagem pela imigração na Flórida e liberação do senador brasileiro.

A novidade é que agora 25 deputados democratas cobram publicamente do Secretário de Estado Marco Rubio explicações sobre três pontos:

  1. Como o visto foi concedido;
  2. Se o governo americano sabia das investigações em andamento por lavagem de dinheiro;
  3. Se o Departamento de Estado teve algum papel na saída do Brasil do senador.

O caso de Flávio se torna um possível ponto de atrito entre Brasília e Washington, mas não é só isso. Caso a oposição vença na Câmara, a fuga de Flávio e a carta de teor golpista que foi divulgada podem virar questões públicas, podendo ser objeto de audiências.

E as políticas de Trump para o Brasil, como o apoio à família Bolsonaro, as tarifas e os potenciais acordos, passam a ter um custo diferenciado no congresso americano.

Um presidente enfraquecido em casa tende a ter menos espaço para confrontar outros governos no âmbito internacional. E as dificuldades de Trump também vão além da Câmara.

Enquanto isso, no Senado, a situação é um pouco mais equilibrada. Mas a disputa chegou a estados que eram considerados muito republicanos e seguros. Ohio é um exemplo, com uma disputa na casa alta tecnicamente empatada.

Estados como Kansas, Louisiana, Carolina do Sul e Nebraska também têm um pleito muito acirrado e que surpreenderam pela situação nas pesquisas eleitorais.

A Arko aponta para uma leve vantagem democrata, mas que deve ser vista como um alerta. O resultado das midterms pode levar semanas para sair. Isso porque diversos estados fazem a contagem de formas diferentes.

Alaska e Maine, por exemplo, contam votos ranqueados; Kansas aceita cédulas pelo correio até três dias depois das eleições; e a situação no Texas também pode levar a uma eventual recontagem.

Uma derrota ampla para o Partido Republicano transforma a presidência do Trump em uma presidência de fim de mandato. Os próprios parlamentares republicanos já admitem que a influência deles sobre a sigla pode diminuir.

Com isso, devemos ver também logo nos primeiros meses alguns testes, como uma possível votação sobre o impeachment do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, e uma disputa pela liderança republicana nas casas.

* Michael Lopez Stewart é sócio-diretor da Arko Advice. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.

Fuga de Flávio abre caminho para bolsonarismo abraçar políticos para além do sobrenome

30 October 2026 at 20:00

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais e sua fuga para os Estados Unidos abriram uma disputa pela liderança da extrema direita brasileira que pode resultar em um bolsonarismo cada vez menos dependente dos membros da família do ex-presidente.

Para três pesquisadores que estudam a extrema direita, ouvidos pela Agência Pública, o episódio pode representar o início de uma mudança mais profunda: a separação entre o capital político acumulado pelo bolsonarismo na última década e a família que deu nome ao movimento. A crise dos herdeiros de Jair Bolsonaro, entretanto, não significa necessariamente uma perda de influência da extrema direita, que poderá manter sua agenda política, sua capacidade de mobilização e sua atuação nas instituições mesmo sob novas lideranças.

Michelle Bolsonaro, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) estão entre os nomes citados pelos acadêmicos que podem ganhar espaço na reorganização do movimento, que perdeu a disputa pelo Palácio do Planalto, mas ampliou sua presença no Congresso Nacional.

“Acho que todo mundo, de uma certa forma, respira aliviado com a fuga do Flávio. Porque isso significa que há espaço dentro do bolsonarismo para além da família Bolsonaro”, afirma a antropóloga Isabela Kalil, pesquisadora especializada na extrema direita brasileira. Segundo ela, o senador não dispõe de capital político próprio suficiente para exercer, a partir do exterior, a liderança que seu pai construiu no país.

A avaliação é compartilhada pelo filósofo Rodrigo Nunes, professor da PUC-Rio e professor visitante da University of Essex, no Reino Unido. Para ele, a disputa pela sucessão já alcança o interior da própria família. “Parece que a briga pela sucessão está se abrindo dentro da própria família Bolsonaro, porque todo mundo percebe que o grande nome dentro da família agora é claramente a Michelle.”

A historiadora e cientista política Tatiana Vargas-Maia, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta uma transformação ainda mais ampla. “Talvez a gente veja a morte do bolsonarismo como identidade, mas uma manutenção dele como estratégia”, afirma. Na avaliação da pesquisadora, o movimento pode abandonar gradualmente a dependência da figura de Jair Bolsonaro sem abrir mão das práticas políticas, eleitorais e de mobilização desenvolvidas nos últimos dez anos.

A reorganização foi necessária após a vitória do presidente Lula no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O senador recebeu quase 60 milhões de votos, mas deixou o país dois dias depois, apesar de uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

Flávio chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas, após passar pela Argentina onde pegou um vôo particular com escala no Equador. Já nos Estados Unidos, divulgou uma carta em que se apresentou inicialmente como o verdadeiro presidente do Brasil, apesar da derrota nas urnas. Posteriormente, alterou o documento para se autodeclarar líder do país, mantendo acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas.

Entre aliados, as decisões de Flávio provocaram reações que evidenciaram o seu isolamento. desde Tarcísio de Freitas defendeu o reconhecimento do resultado das urnas, enquanto Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do PL, afirmou que não havia elementos para sustentar as acusações de fraude. O distanciamento reforça as dificuldades de Flávio para se apresentar como líder da oposição a partir do exterior.

Michelle e Tarcísio despontam na disputa pela sucessão

Como senadora, Michelle Bolsonaro pode consolidar a sua liderança no bolsonarismo

Lideranças do campo conversador não demoraram a enxergar o espaço construído pela fuga de Flávio Bolsonaro. Para os pesquisadores, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas são os nomes com maior destaque nessa reorganização até o momento, embora a disputa também envolva políticos mais jovens e movimentos que não se identificam integralmente com o bolsonarismo.

Rodrigo Nunes considera improvável que os filhos 01 e 03 de Jair Bolsonaro, dos Estados Unidos, consigam manter Flávio como sucessor político do pai. O filósofo observa que o enfraquecimento de ambos pode atingir também o poder de influência de Jair Bolsonaro, caso o ex-presidente deixe de exercer um papel decisivo na escolha de quem comandará o movimento. “Cada vez mais me pergunto se o Jair ainda é um personagem relevante nessa história”, afirma Nunes.

Na avaliação do professor, Michelle e Tarcísio surgem como os dois principais nomes da sucessão. A ex-primeira-dama, eleita senadora pelo Distrito Federal, mantém vínculos com a base conservadora e religiosa que apoiou o marido, mas também construiu uma trajetória política própria, inclusive em meio a divergências com os enteados.

Tatiana Vargas-Maia chama atenção para a atuação de Michelle à frente do PL Mulher e para sua capacidade de interlocução com setores evangélicos, como a Pública já mostrou. A pesquisadora considera que a ex-primeira-dama já vinha demonstrando independência em relação a Flávio e pode utilizar essa posição para ampliar sua influência no partido.

Tarcísio, por sua vez, chega à disputa fortalecido pela reeleição ao governo de São Paulo. Embora tenha mantido alinhamento com o bolsonarismo durante a campanha, o governador se distanciou da contestação eleitoral promovida por Flávio. Para Tatiana, essa diferença é politicamente relevante: Freitas pode reivindicar parte do eleitorado bolsonarista sem carregar o sobrenome da família.

Nikolas Ferreira, que mantém forte presença nas redes sociais e mobiliza um público mais jovem, é apontado pelos especialistas como uma liderança com potencial de crescimento. Tatiana acrescenta Renan Santos, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) e ao partido Missão, como representante de uma corrente da extrema direita que busca construir identidade própria, sem depender diretamente dos Bolsonaro.

A multiplicação de lideranças, entretanto, não garante unidade política. Kalil considera provável que o campo se fragmente em diferentes grupos da direita radical e da extrema direita, sem que uma única figura consiga reproduzir o papel exercido por Jair Bolsonaro.

Sobrenome Bolsonaro já não garante liderança

A antropóloga Isabela Kalil diferencia a capacidade de herdar votos da construção de uma liderança reconhecida pelos próprios apoiadores, no caso do senador derrotado nas eleições. “O capital que o Flávio conseguiu, e mesmo a votação bastante expressiva, foi por herdar o capital político do pai, e não por ter um capital político próprio”, afirma.

Kalil recupera pesquisas de campo realizadas no início do governo Jair Bolsonaro, quando o então presidente tentou indicar Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos. Na ocasião, a pesquisadora identificou desconfiança em relação aos filhos mesmo entre apoiadores fiéis do ex-presidente.

Segundo ela, havia eleitores que consideravam Jair Bolsonaro honesto e comprometido com uma agenda conservadora, mas não atribuíam as mesmas qualidades a Eduardo e Carlos Bolsonaro. Alguns questionavam a preparação dos filhos para o exercício de funções públicas.

Tatiana Vargas-Maia, da UFRGS, ressalta que o “patrimônio eleitoral” de Flávio estava muito ligado ao legado do pai e ao sobrenome

Para a antropóloga, essa diferença ajuda a explicar a dificuldade de Flávio em sustentar uma liderança autônoma. Jair Bolsonaro construiu uma relação carismática com sua base, enquanto o filho foi alçado à condição de candidato presidencial principalmente pela indicação do pai.

A pesquisadora avalia que o destino político de Flávio pode se aproximar do de Eduardo, que vive nos Estados Unidos e mantém interlocução com grupos conservadores e com a extrema direita norte-americana, mas tem dificuldades para exercer uma liderança significativa no Brasil.

As críticas aos filhos de Bolsonaro seguem vindo de apoiadores de primeira hora do pai. Em comentário a aliados obtido pelo jornal O Globo, o pastor Silas Malafaia, um dos principais líderes evangélicos do país, ao comentar o episódio da carta golpista, se refere a eles como “jumentos”. Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige“, afirmou, completando: “um bando de amadores babacas”.

Para a pesquisadora Tatiana Vargas-Maia, existe uma diferença fundamental entre reivindicar a condição de herdeiro de um patrimônio eleitoral e conseguir exercer liderança efetiva sobre o campo político que produziu esses votos. A saída do país, segundo a historiadora, acelerou a erosão de uma autoridade que Flávio havia conseguido construir ao longo da campanha.

Extrema direita mantém força no Congresso e pode mudar de estratégia

Apesar da derrota presidencial, a extrema direita chega ao próximo governo Lula com representação expressiva no Legislativo. O PL elegeu 121 deputados federais, tornando-se a maior bancada da Câmara a partir de 2027, além de ampliar sua presença no Senado. O resultado cria condições para que o movimento continue exercendo influência sobre a agenda nacional, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.

Concentrar a análise apenas na derrota de Flávio é subestimar a presença da extrema direita nas instituições na avaliação de Tatiana Vargas-Maia. Ela ressalta que o movimento também possui representantes em governos estaduais, assembleias legislativas e administrações municipais. “A nossa extrema direita contemporânea, no Brasil principalmente, não precisa conquistar o Executivo Federal para exercer influência política e para avançar o seu projeto”, afirma.

Isabela Kalil considera possível que o bolsonarismo presente no Congresso se fortaleça em torno de uma agenda própria, menos subordinada às decisões da família Bolsonaro. Já Tatiana identifica um possível movimento de moderação na apresentação pública de determinadas lideranças, especialmente entre aquelas que reconheceram o resultado eleitoral e passaram a defender uma atuação institucional da oposição. “Uma reorganização da extrema-direita, que vai se tornar menos bolsonarista, talvez desenvolva uma maior capacidade de atuação e interlocução institucional, mas que não significa necessariamente que ela vai se tornar menos radical”, afirma.

A historiadora considera possível que lideranças nacionais adotem uma postura pública mais moderada, enquanto grupos políticos nos estados e municípios mantenham ou aprofundem pautas ideológicas mais radicalizadas.Nesse cenário, o bolsonarismo poderia deixar de funcionar como uma identidade política unificadora, mas conservar estratégias de ocupação institucional, articulação partidária, comunicação digital e mobilização eleitoral.

Rodrigo Nunes acrescenta outro elemento à reorganização da direita: o papel do Centrão. Segundo o filósofo, o avanço da extrema direita nas eleições legislativas reduziu o espaço ocupado por partidos tradicionais, mas a capacidade de mobilização demonstrada pelo PT no segundo turno pode alterar essa relação.

Na avaliação do professor, o Centrão pode voltar a ocupar uma posição de equilíbrio entre o governo Lula e a extrema direita, em vez de continuar perdendo protagonismo para os setores mais radicalizados. “Se o PT mantém essa capacidade de mobilização, isso tem condições de mudar o jogo”, afirma Nunes.

Rodrigo Nunes, autor do livro “Do Transe à Vertigem: Ensaios sobre Bolsonarismo e um Mundo em Transição”, destaca a importância das mobilizações sociais para equilibrar o jogo no Congresso Nacional

O fator Trump

A tentativa de Flávio Bolsonaro de estabelecer uma liderança política a partir dos Estados Unidos também depende das relações da família com Donald Trump e com organizações da direita internacional.

Para Isabela Kalil, Eduardo e Flávio apostam na proteção do presidente norte-americano, especialmente por meio de articulações com grupos conservadores ligados à Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC). Essas conexões integram uma rede internacional que também aproxima lideranças, como o presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

A antropóloga, entretanto, considera que Trump não teria dificuldades para retirar o apoio à família Bolsonaro caso essa aliança deixasse de atender aos seus interesses políticos ou diplomáticos.“O Trump não precisa da família Bolsonaro e a família Bolsonaro não acrescenta nada para o próprio projeto trumpista”, afirma.

Segundo ela, a relação dependerá também das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano, especialmente diante dos interesses econômicos e diplomáticos envolvidos.

Rodrigo Nunes apresenta avaliação semelhante. Para o filósofo, um eventual afastamento de Trump, combinado à ausência de uma manifestação decisiva de Jair Bolsonaro em favor dos filhos, pode acelerar a perda de relevância política de Flávio e Eduardo. A situação abriria ainda mais espaço para a disputa entre Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e outras lideranças da direita.

Derrota nas urnas não encerra os riscos para a democracia

A reorganização da extrema direita também coloca em discussão os riscos de novas mobilizações contra as instituições democráticas, especialmente depois de Flávio Bolsonaro contestar o resultado eleitoral.

Isabela Kalil não descarta a possibilidade de ações extremistas isoladas, mas considera improvável, neste momento, uma mobilização semelhante à que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

A antropóloga destaca que a mobilização anterior contou com tolerância e apoio de setores militares e que, desde então, as Forças Armadas têm procurado se afastar publicamente do bolsonarismo. Ela também avalia que os órgãos de segurança e inteligência brasileiros ampliaram sua capacidade de monitoramento de ameaças extremistas.

Tatiana Vargas-Maia, por outro lado, chama atenção para um risco político de longo prazo: a normalização de pautas autoritárias no debate público e nas instituições, mesmo sem uma ruptura democrática aberta.

A pesquisadora considera que a mobilização que levou à vitória de Lula no segundo turno demonstra a capacidade de reação democrática de setores da sociedade brasileira. Mas ressalta que a extrema direita permanece organizada, com representação eleitoral e capacidade de influenciar decisões políticas.

Para ela, o desafio não se encerra com a derrota de Flávio nem com o enfraquecimento dos herdeiros de Jair Bolsonaro. O movimento pode assumir outras identidades, construir novas lideranças e conservar parte de seu projeto político.

É o que Tatiana define como um possível processo de “despersonalização do bolsonarismo”: o afastamento progressivo da figura de Jair Bolsonaro e de sua família, sem o desaparecimento do capital político e ideológico construído em torno deles.

Assim, a disputa aberta pela fuga de Flávio pode determinar não apenas quem herdará os votos da família, mas de que maneira a extrema direita brasileira buscará exercer poder nos próximos anos.

‘Primavera Brasileira’: como ato de estudantes virou onda global contra extrema direita

30 October 2026 at 17:16

Na noite de 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 1.º turno das eleições, a seguinte mensagem chegou num grupo de WhatsApp de alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF): “O momento pede ação”. Na noite seguinte, 5 de outubro, o Brasil assistiu ao primeiro ato dos jovens.

“Nós vimos a vitória do Flávio de uma forma muito acachapante. Ninguém estava esperando. Aquilo gerou um sentimento de descrença muito forte no campo progressista. Mas na Faculdade de Direito da UFF, pela nossa história, enxergamos de forma contrária: com esperança e com vontade de ir à luta”, diz Kayky Moraes, aluno do curso de direito da UFF que participou do primeiro levante.

Realizada em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, a marcha dos estudantes saiu do prédio da Faculdade de Direito rumo à reitoria da universidade. As imagens tomaram as redes e iniciaram um efeito dominó que impulsionou mobilizações estudantis nos cinco cantos do país. “Ali a gente sentiu que dava para brigar.”

Neste momento manifestação contra Bolsonaro pelos estudantes nas ruas Niterói pic.twitter.com/7sqGGEq7TV

— Fã do Rei Pelé e da Rainha Marta 🇧🇷 🇵🇸 ✊🏾🚩 (@silvaS1963) October 5, 2026

O resultado desse “efeito borboleta” veio no dia 25 de outubro, três semanas depois. Um feito histórico: Lula virou o jogo e venceu as eleições por uma vantagem de 4,4 milhões de votos, algo que nenhum candidato a presidente que terminou como segundo colocado no 1º turno havia conseguido fazer antes. Os eleitores de Lula e os estrategistas de campanha do PT tiveram apenas três semanas para mudar a rota. “Essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, chegou a dizer o presidente Lula em uma reunião com parlamentares em Brasília.

“Os jovens tomaram as ruas de forma orgânica e organizada para defender um projeto de país, mas também um projeto de ser humano. Quando Lula disse aquela frase para a gente ser ele amanhã, porque ele já foi a gente ontem e para a juventude botar a cara a tapa, acho que é isso mesmo”, diz Kayky, em referência a um trecho da entrevista de Lula para o podcast Flow. “Estamos fadados a viver o futuro e a gente tem que construir o futuro que a gente quer.”

A “primavera brasileira”, como começou a ser apelidada a vitória eleitoral frente à extrema direita, também pode ser vista por como uma posição do Brasil como símbolo de resistência aos interesses dos Estados Unidos, defende Mayra Goulart, doutora em ciência política pela UERJ.

“O Brasil será um pólo da resistência à relação imperial que os Estados Unidos tentam restabelecer. Na última assembleia geral da ONU, Lula disse que o Brasil não iria ser o quintal de ninguém. O presidente Lula recupera a tradição de não alinhamento automático da diplomacia brasileira a potências estrangeiras e a adoção de um caminho próprio e soberanista. Isso é entendido muitas vezes como um caminho que vem a liderar outros países periféricos”, diz.

A “Primavera Brasileira” vista do exterior

No México e na Espanha, a virada eleitoral brasileira foi recebida não apenas com alívio geopolítico, mas como um estudo de caso sobre como conter a ascensão da extrema direita.

Para Homero Campa Butrón, cientista político e professor da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), a manutenção do governo progressista no Brasil evita o isolamento regional no continente. “Brasil e México representam 55% da população da América Latina e 60% da economia da região. O resultado no Brasil foi vital para o governo mexicano, pois evita o isolamento diante da onda de vitórias da direita na região nos últimos meses”, analisa Campa, destacando que a comunicação entre a presidenta mexicana Claudia Sheinbaum e Lula é direta e estratégica.

O impacto também ressoa na Europa. “Se o Brasil conseguiu, a Espanha também consegue”, disse o primeiro-ministro da Espanha Pedro Sánchez, em um comício em Gijón, na região de Astúrias, realizado na segunda-feira, 26 de outubro. “Vamos fazer o mesmo que Lula fez no Brasil. O mundo está olhando para nós”, completou.

Com eleições gerais agendadas para o próximo mês na Espanha, onde as pesquisas têm indicado a predileção do eleitorado à direita, o desfecho brasileiro renovou o ânimo das forças de esquerda. “Certamente, no México e na Espanha, percebe-se um enorme interesse no modelo de mobilização social promovido por meio das redes sociais, coordenado pelo deputado André Janones. Entende-se que a estratégia de comunicação digital foi um fator fundamental no resultado”, diz o professor da UNAM.

A Agência Pública identificou que ao menos três grupos de WhatsApp internacionais reproduzem as táticas de engajamento de Janones para mobilizar apoiadores. É do caso do “Frenteamplistas” (37 mil seguidores), da Espanha, “L’équipe de Mélenchon” (152 mil seguidores), da França, e do “Ejército del Peronismo” (61 mil seguidores), da Argentina.

Canais de Whatsapp internacionais reproduzem estratégia digital de André Janones

“A mobilização nas redes sociais é uma tendência global. O Brasil adere a isso de uma maneira muito acelerada e acredito que essa tendência seja muito similar em outros países. Ao mesmo tempo, isso não desconsidera a importância dos atores tradicionais, como o movimento estudantil e sindicatos, que foram acionados a partir das redes, mas permitiram um engajamento muito grande no mundo real. Se é que podemos dizer em uma fórmula, ela deve ser buscada na sinergia entre o mundo físico e as redes sociais”, pontua Goulart.

Ainda nesta semana, viralizou um vídeo compartilhado por Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona e candidata à presidência da Espanha pela Frente Ampla, no qual ela pede para que os apoiadores ergam as mãos em “L” — um aceno ao presidente brasileiro. “Vamos todos levantar o braço com o ‘L’ de Lula”, disse ela, durante ato no município de Móstoles na quarta-feira (28).

“Eu me lembro desse momento. O gesto de Acolau foi bastante simbólico e foi num dia próximo ao da notícia da vitória de Lula. Acho que foi uma surpresa para todo mundo. Acho que a maioria das pessoas dava como certo que a probabilidade do filho do [Jair] Bolsonaro ganhar era muito alta. O gesto reafirma a vitória de Lula e diz que nós, por aqui, também temos plena capacidade de fazer o mesmo”, conta Euge, 22, morador da cidade de Madrid que esteve no comício organizado pela Frente Ampla.

“Acredito que Lula tem sido um vislumbre de esperança para as pessoas de esquerda e para os trabalhadores da Espanha e do mundo todo. Estamos vivendo um momento em que temos governos de extrema direita como nunca antes. Lula conseguiu vencer com a maioria das pesquisas dizendo o contrário. A mensagem que chegou aqui na Espanha foi de que, ainda que pareça que tudo está contra, é possível vencer. Se conseguirmos mobilizar todas as pessoas progressistas, nós venceremos”, continua ele.

Também fizeram o “L” de Lula, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o senador do México Gerardo Fernández e parlamentares do Congresso Nacional do Chile. Já utilizado como chacota, especialmente entre bolsonaristas, o “L” agora ganha espaço no cenário político mundial como símbolo da mobilização contra o avanço da direita.

“O Brasil desponta como liderança da resistência à extrema direita em termos globais. A extrema direita é globalizada, sistêmica e se reúne em fóruns, como a CPAC [Conservative Political Action Conference]. A esquerda começa a se articular e essa articulação pode ter como centro a liderança do presidente Lula”, diz Goulart.

Nascido na cidade de Getafe, ao sul da região de Madri, Euge se interessou por política ainda na adolescência. Em 2019, aos 15 anos, decidiu participar do Más Madrid, um partido de esquerda com atuação a nível municipal em Madri. Para Euge, a participação de jovens na política é importante, mas não se distingue do papel das outras faixas etárias. “Sempre falam aos jovens: ‘vocês são o futuro!’ Bom, não é que a gente seja o futuro, somos o presente de um país. Temos que estar em igualdade tanto de reconhecimento quanto de possibilidade de participar da vida pública e da vida política. As decisões que os governos tomam nos afetam da mesma forma, e muitas delas ainda mais do que ao resto das pessoas.”

Sobre o recado que deseja que as próximas eleições da Espanha passem ao mundo, Euge diz esperar que seja o mesmo que o do Brasil: “Uma mensagem de que não baixamos os braços, que demos de tudo e conseguimos mobilizar a população com temas essenciais para sua vida, como moradia, pensão e serviços públicos.”

A mobilização da juventude

Além do protesto organizado pelos estudantes da UFF logo após o resultado do primeiro turno, outra engrenagem importante passou a se movimentar: os fandoms (comunidade de fãs) brasileiros. Longe de se restringirem ao entretenimento, esses grupos já vinham consolidando uma ponte direta com a política institucional.

No final de agosto deste ano, o Palácio do Planalto recebeu representantes desses grupos em uma cerimônia oficial, na qual o presidente Lula assinou um decreto com novas regras para a venda de ingressos de shows e eventos culturais no país. A medida, voltada ao combate do cambismo digital e à falta de transparência nas plataformas, foi fruto das demandas levadas pelos próprios fãs ao governo federal.

E esse pode ter sido um grande efeito borboleta da campanha: a mesma capacidade de mobilização que esses jovens utilizam para apoiar seus ídolos foi redirecionada no momento mais decisivo da disputa eleitoral, sendo uma das principais apostas da chapa Lula-Alckmin para furar bolhas e alcançar a virada. Para o leitor que ainda busca entender como esse movimento funciona, os fandoms são comunidades hiperconectadas e altamente disciplinadas, capazes de organizar mutirões de votação e subir hashtags mundiais.

Assim, as páginas passaram a publicar conteúdos de conscientização política, convocando mutirões de engajamento, dialogando com seguidores indecisos e pedindo o posicionamento de artistas sobre a defesa da democracia no Brasil.

A relevância do movimento foi tamanha que o candidato à reeleição abriu sua fala reconhecendo a força dessa articulação num dos discursos proferidos na Avenida Paulista após o 1º turno.

“Eu não sei se eu começo a minha fala dizendo ‘companheiros e companheiras’ ou se eu começo dizendo: fandoms do Brasil, obrigado pela iniciativa de vocês!”

O presidente Lula agradecendo à juventude organizada em fandoms por puxar o ato de hoje na Paulista 💗#FandomsComLula pic.twitter.com/dWPL8ISHS6

— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) October 11, 2026

Janonismo cultural e a urgência de regulamentação das Big Techs

Ao longo desta primeira semana pós 2º turno, o livro Janonismo Cultural: O uso das redes sociais e a batalha pela democracia no Brasil, de André Janones, figurou entre os 10 títulos mais vendidos da Amazon no nicho de Política e Ciências Sociais. Exitoso ao encabeçar a estratégia digital de Lula, Janones foi destacado no primeiro discurso do presidente reeleito.

Apesar do otimismo com a capacidade da sociedade brasileira de reverter os algoritmos, Campa faz um alerta sobre a vulnerabilidade desse modelo: “a falta de regulamentação das grandes empresas de tecnologia constitui um perigo para a vida pública no mundo inteiro. O que ocorreu no Brasil foi muito positivo: uma reação social massiva e bem organizada para reverter o algoritmo. No entanto, receio que essas empresas estejam tomando nota do que aconteceu no Brasil para introduzir controles maiores e evitar que se repita”, pontua Homero.

A Pública mostrou em reportagens como a moderação da Meta atingiu de forma desproporcional as candidaturas, beneficiando em vários casos a de Flávio em detrimento da de Lula.

Nesse cenário, a regulamentação das plataformas surge como uma demanda democrática, observa Goulart. “No discurso de vitória, Lula disse que um dos objetivos do governo seria regulamentar as plataformas para que elas aumentem a isonomia das entregas entre diferentes grupos. É importantíssimo que isso seja feito. Caso contrário, a valorização desproporcional dos conteúdos da extrema direita quando comparados com outros conteúdos irá continuar, principalmente com o sistema de recomendação e hierarquização do feed.”

Para o analista mexicano, a esquerda global precisará acelerar sua adaptação aos novos modelos de comunicação, ao mesmo tempo em que pressiona por regras claras contra a interferência de grandes corporações de tecnologia nas democracias. “A mensagem que fica do Brasil é de otimismo e confiança na sociedade diante dos grandes grupos tecnológicos e da ultradireita. O Brasil demonstrou uma liderança inegável para todo o Sul Global” conclui.

Na visão de Kayky, da UFF, a mobilização não se encerra com o resultado das urnas. “Acho que daqui nasce a esperança de um futuro melhor. O recado de um levante que começou aqui em Niterói está se espalhando pelo mundo. Dá para ver o jardim da primavera florescendo pelo mundo todo. Mas é sempre importante manter a vigilância e continuar nas ruas para defender essa visão de mundo.”

Embajada de EE.UU. en Brasil reconoce triunfo definitivo de Lula da Silva

30 October 2026 at 18:47
Respecto a los cuestionamientos sobre la ampliación del horario de votación, señalaron que el impacto fue mínimo. 34.000 sufragios, equivalentes al 0,03 % del total, se emitieron con posterioridad a las 17H00 horas.

Michelle chama Jair de “líder” e diz que ele defende “momento de união”

30 October 2026 at 17:58

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou em uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (30), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem dito que o momento é de “união” e não de “procurar culpados“, no que diz respeito à eleição presidencial do último domingo (25), quando Flávio Bolsonaro (PL) perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Ele se entristece quando vê notícias falsas, atribuindo a ele manifestações mentirosas, que pregam a divisão, apontam injustamente supostos ‘culpados’ e afirmam exatamente o contrário do que ele verdadeiramente sente por pessoas como Damares, Tarcísio, Nikolas, Silas Malafaia e outros que estão sendo atacados: muito respeito, carinho e gratidão“, publicou no Instagram.

A senadora eleita pelo Distrito Federal se referiu ao esposo como “líder” e reforçou a gratidão dele pelo “empenho e sacrifício” daqueles que auxiliaram a campanha do filho mais velho do ex-mandatário.

“Eu e o Jair (meu galego e nosso líder) temos conversado sobre isso. Ele sempre diz que é muito grato pelo empenho e sacrifício que — dentro das possibilidades — cada um fez em prol da campanha do Flávio. Ele lembra de cada um e reconhece com muita gratidão a mobilização de todos“, escreveu.

“Em nossas conversas, o Jair sempre manifesta um carinho e uma gratidão especial a todos os apoiadores que se doaram porque acreditavam em um futuro melhor para o Brasil e para os brasileiros”, acrescentou.

Preso no fim do ano passado, Bolsonaro cumpre, desde março deste ano, em regime domiciliar a pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

Pavanato reage a pedido de apreensão de passaporte e provoca petista; veja vídeo

30 October 2026 at 17:00

O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) reagiu às críticas do deputado estadual eleito Leonardo Grandini (PT-SP), que pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) a apreensão de seu passaporte. O petista alegou risco de fuga do país e mencionou supostas investigações contra o parlamentar.

Em vídeo, Pavanato afirmou que não responde a investigação criminal. Ele declarou que foi alvo de uma denúncia recebida pelo Ministério Público em uma ação de natureza civil, e não criminal. O deputado também acusou setores da esquerda de perseguirem políticos conservadores.

Ao comentar a possibilidade de ter o passaporte apreendido, Pavanato afirmou que pode deixar o país quando quiser. No fim da gravação, provocou Grandini com a frase: “Não usem drogas”.

Vídeo: @lucaspavanato

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Democratas cobram Rubio sobre ajuda dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

30 October 2026 at 16:57

Um grupo de 25 deputados democratas dos Estados Unidos cobrou explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a possível participação do governo de Donald Trump na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil e na entrada dele em território americano. A carta foi encaminhada na quinta-feira (29) e questiona se autoridades dos Estados Unidos ajudaram a viabilizar a viagem, mesmo diante de uma decisão judicial brasileira que restringia os deslocamentos internacionais do parlamentar.

O documento reúne 15 questionamentos sobre a atuação do Departamento de Estado, da Embaixada americana no Brasil e de outros órgãos federais. Os congressistas querem saber se houve participação institucional na emissão dos vistos, na organização do transporte e nos procedimentos para permitir a entrada de Flávio e de familiares nos Estados Unidos.

“A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da restrição judicial brasileira à sua saída?”, questionam os parlamentares.

Os democratas estabeleceram 13 de novembro como prazo para o envio das respostas por escrito. Também solicitaram uma reunião com representantes do Departamento de Estado para obter esclarecimentos sobre o episódio.

Vistos e ordem do STF

A carta foi apresentada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, copresidente da bancada dedicada às relações com o Brasil, e Dina Titus, de Nevada. Entre os demais signatários estão Pramila Jayapal, Joaquin Castro, Greg Casar, Rashida Tlaib e Delia Ramirez.

Um dos principais pontos da cobrança envolve a concessão de vistos ao senador e a seus familiares. Os deputados querem identificar quem autorizou os documentos, quando foram emitidos e se as autoridades americanas tinham conhecimento da determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) antes de permitir a entrada do brasileiro.

A decisão judicial determinava que Flávio entregasse seus passaportes e restringia sua saída do país. Os parlamentares questionam se o governo americano verificou a existência de autorização judicial para a viagem e se chegou a reconsiderar os vistos depois de tomar conhecimento das medidas impostas pela Justiça brasileira.

Viagem também envolve Argentina e Equador

Outro trecho do documento aborda a possível participação de funcionários americanos na organização do itinerário utilizado pelo senador. Os democratas querem saber se representantes do governo dos Estados Unidos na Argentina ou no Equador participaram de alguma articulação relacionada aos deslocamentos.

A carta também pergunta se houve contatos entre integrantes da Casa Branca, do Departamento de Estado e outras agências americanas com Flávio, familiares, advogados, assessores políticos ou intermediários.

Os congressistas cobram informações sobre eventual ajuda na contratação ou organização de voos, emissão de documentos, transporte, acesso a aeroportos e planejamento da entrada em território americano.

A articulação ganhou repercussão após reportagens sobre a participação de Jason Miller, assessor próximo à família Bolsonaro e ligado à Casa Branca, na organização do jato utilizado pelo senador e seus familiares. A informação foi divulgada pelo jornal americano The New York Times.

Os parlamentares também querem saber se houve comunicação entre o Departamento de Estado e órgãos responsáveis pela imigração e pelo controle de fronteiras, como o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).

Democratas questionam possível impacto diplomático

A iniciativa também aborda as consequências que uma eventual assistência americana poderia provocar nas relações entre Washington e Brasília. Os deputados perguntam se o governo Trump avaliou o risco de que a participação na viagem fosse interpretada como interferência em processos judiciais brasileiros ou nos assuntos internos do país.

O documento solicita ainda esclarecimentos sobre possíveis pedidos de informações feitos por autoridades brasileiras a respeito da localização de Flávio e de sua entrada nos Estados Unidos. Caso tenham ocorrido, os parlamentares querem conhecer as respostas fornecidas pelo governo americano.

“O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em compreender se recursos diplomáticos e migratórios dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, afirma a carta.

Os deputados acrescentam que a transparência é necessária diante da sensibilidade das relações bilaterais e da existência de um processo judicial no Brasil.

Até o momento da divulgação da cobrança, o Departamento de Estado não havia apresentado respostas públicas aos questionamentos. A carta representa uma iniciativa de fiscalização parlamentar e não comprova, por si só, que órgãos do governo americano tenham participado diretamente da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

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‘Amateur morons’: Flávio Bolsonaro’s short-lived ‘president-elect’ claim met with mockery

Brazilian media ridicule defeated candidate over ‘shameful’ absconsion to US and bizarre letter with wrong coat of arms

Flávio Bolsonaro had hoped that by Sunday night people would be calling him the next president of Brazil.

Instead, the far-right politician’s decision to flee to the US after losing the election and – for 58 minutes – to declare himself “Brazil’s true president-elect”, has made him a laughing stock, with Brazilian newspapers and commentators raining a barrage of scornful adjectives down on the conquered candidate.

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© Photograph: Adriano Machado/Reuters

© Photograph: Adriano Machado/Reuters

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Democratas pedem explicações do governo Trump por fuga de Flávio Bolsonaro

30 October 2026 at 12:50

Um grupo de 25 deputados democratas pedem explicações do governo Trump sobre o papel do Departamento de Estado na fuga do senador e ex-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos.

Em uma carta obtida pela CNN Brasil, os parlamentares destacam que o “povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em saber se recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira”.

Eles também consideram que a transparência é especialmente importante diante de eventos que envolvem “um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais delicadas e a aplicação coerente das políticas de imigração e diplomáticas dos EUA”.

Os democratas relataram que a viagem de Flávio a Miami aconteceu após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que exigia do senador a entrega de seus passaportes.

Os democratas afirmam que é “particularmente preocupante a informação de que um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos concederiam vistos ao senador Bolsonaro e a membros de sua família e permitiriam sua entrada no país”. Essa informação foi confirmada pela CNN Brasil na terça-feira (27).

Na carta, o grupo diz que os acontecimentos que levaram Flávio e sua família até os Estados Unidos “levantam questões significativas sobre o processo decisório do Departamento [de Estado], seu conhecimento da ordem do tribunal brasileiro [STF] e se algum funcionário do governo dos EUA prestou assistência antes ou depois da emissão dessa ordem”.

A questão central é direta: o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da restrição judicial brasileira reportada à sua saída?

Carta assinada por 25 deputados democratas dos EUA

Em seguida, os parlamentares exigem que o Departamento de Estado responda por escrito a 15 questionamentos.

Flávio Bolsonaro chega aos EUA após derrota na eleição
Senador Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida • 28/10/26 – Reuters/Eva Marie Uzcategui

Veja as perguntas feitas por democratas ao governo Trump sobre a fuga de Flávio:

  1. Quando o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA em Brasília ou qualquer outra missão diplomática americana tomou conhecimento pela primeira vez de que o Supremo Tribunal Federal do Brasil havia ordenado que o senador Bolsonaro entregasse seus passaportes e restringido sua possibilidade de deixar o Brasil?
  2. Algum funcionário do governo dos EUA recebeu, analisou ou discutiu uma cópia da ordem judicial antes da suposta saída do senador Bolsonaro do Brasil?
  3. Antes de autorizar ou facilitar qualquer visto ou arranjo de viagem, o Departamento de Estado verificou se o senador Bolsonaro estava legalmente autorizado a deixar o Brasil?
  4. O Departamento de Estado sabia que o senador Bolsonaro havia deixado de cumprir o prazo imposto pelo tribunal para entregar seus passaportes? Em caso afirmativo, quando o Departamento tomou conhecimento desse descumprimento e quais ações, se houve, se seguiram?
  5. O Departamento de Estado emitiu, aprovou, acelerou, renovou ou de outra forma facilitou um visto para o senador Bolsonaro ou para qualquer membro de sua família durante este período eleitoral?
  6. Um alto funcionário do Departamento de Estado teria sido citado dizendo que o Departamento concederia vistos ao senador Bolsonaro e à sua família e permitiria sua entrada nos Estados Unidos. Quem autorizou essa decisão?
  7. Vistos foram aprovados ou outros arranjos relacionados à imigração foram feitos antes de o Departamento de Estado tomar conhecimento da ordem do tribunal brasileiro? Em caso afirmativo, o Departamento reconsiderou, suspendeu ou revisou esses arranjos depois de saber da ordem?
  8. Algum funcionário do Departamento de Estado, da Embaixada dos EUA, da Casa Branca ou outro representante do governo dos EUA se comunicou, direta ou indiretamente, com o senador Bolsonaro, sua família, advogados, assessores políticos ou intermediários a respeito de viagem aos Estados Unidos?
  9. Algum funcionário do governo dos EUA auxiliou em arranjos de voo, documentação de viagem, transporte, acesso a aeroportos, agendamentos consulares, planejamento de entrada ou outros arranjos logísticos relacionados à saída ou chegada reportada do senador Bolsonaro?
  10. O Departamento de Estado coordenou ações com o DHS (Departamento de Segurança Interna), o CBP (Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras), o USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração) ou qualquer outra agência federal a respeito da chegada prevista do senador Bolsonaro? Em caso afirmativo, descreva a natureza e o momento dessa coordenação.
  11. O Departamento de Estado consultou o Departamento de Justiça ou qualquer outra agência federal sobre as implicações de facilitar a entrada de uma figura política estrangeira que teria deixado seu país em violação de uma ordem judicial?
  12. O Departamento de Estado considerou as possíveis consequências diplomáticas para as relações EUA-Brasil, incluindo a possibilidade de que a assistência ao senador Bolsonaro fosse percebida como interferência nos processos judiciais ou nos assuntos políticos internos do Brasil?
  13. O Departamento de Estado recebeu algum pedido das autoridades brasileiras a respeito da localização, da situação de viagem ou de uma possível entrada do senador Bolsonaro nos Estados Unidos? Em caso afirmativo, como o Departamento respondeu?
  14. Qual foi a base legal para emitir ou aprovar vistos para o senador Bolsonaro e sua família? Quais classificações de visto e critérios de elegibilidade foram considerados, e o Departamento avaliou as investigações criminais em andamento envolvendo o senador Bolsonaro ao tomar essa decisão?
  15. Algum funcionário do governo dos EUA localizado na Argentina ou no Equador coordenou ações com o senador Bolsonaro sobre seu itinerário de viagem?

O grupo exige que o governo Trump responda até o dia 13 de novembro e solicita que o Departamento de Estado disponibilize funcionários apropriados para prestar esclarecimentos aos gabinetes dos deputados.

Segundo a CNN Brasil apurou, a carta foi uma iniciativa das deputadas Sydney Kamlager-Dove, eleita pelo estado da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada. Entre os signatários estão oito membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, incluindo o deputado Gabe Amo, vice-líder democrata no comitê.

Os deputados estão na reta final de seus mandatos, já que todas as 435 cadeiras da Câmara estão em disputa nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro. Dos 25 congressistas que assinaram o documento, 21 estão concorrendo à reeleição.

Os signatários são Sydney Kamlager-Dove (Califórnia), Dina Titus (Nevada), Greg Casar (Texas), Glenn F. Ivey (Maryland), Jasmine Crockett (Texas), Jonathan L. Jackson (Illinois), Pramila Jayapal (Washington), Nydia M. Velázquez (Nova York), Adelita S. Grijalva (Arizona), Rashida Tlaib (Michigan), Eleanor Holmes Norton (Distrito de Columbia), James P. McGovern (Massachusetts), Mike Quigley (Illinois), Mark Pocan (Wisconsin), Greg Stanton (Arizona), Jesús G. “Chuy” García (Illinois), Yassamin Ansari (Arizona), Deborah K. Ross (Carolina do Norte), Stephen F. Lynch (Massachusetts), Lois Frankel (Flórida), Sean Casten (Illinois), Chellie Pingree (Maine), Gabe Amo (Rhode Island), Delia C. Ramirez (Illinois) e Joaquin Castro (Texas).

Eleições nos EUA: O que muda se Trump perder a maioria no Congresso?

PL busca se reorganizar após fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil; entenda

30 October 2026 at 12:22

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos abriu uma frente de incertezas no PL (Partido Liberal) e na direita brasileira. Aliados do senador ainda buscam respostas sobre quem vai conduzir as articulações do grupo daqui para frente.

Há um consenso de que a fuga de Flávio dificulta as interações e negociações, inclusive com a própria bancada do PL. A perspectiva atual é de que seu papel deve se concentrar mais em dar orientações gerais do que cuidar dos meandros das articulações em Brasília.

Capital político em risco

Para parte dos aliados, trata-se de um capital político de quase 60 milhões de votos subutilizado ou até esfacelado. Correligionários de Flávio ainda esperam um sinal mais claro de como se posicionar, especialmente após a visita do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Uma reunião da sigla prevista para a semana seguinte deve servir para esclarecer os rumos do partido. Valdemar da Costa Neto já deixou claro que é preciso tocar o partido para frente.

Parte do PL defende o caminho da moderação, distante do teor golpista da carta atribuída a Flávio, especialmente num momento em que o partido precisa preservar a unidade e evitar que as incertezas sobre a família Bolsonaro contaminem outras articulações políticas, como as eleições para as presidências da Câmara e do Senado.

Disputas no Centrão e ambições no Senado

Enquanto isso, partidos do Centrão já negociam a definição dos comandos e a distribuição de espaços nas duas casas do Congresso. Uma das incógnitas é o quanto a crise vai afetar as ambições à presidência do Senado por parte de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.

Marinho segue demonstrando apoio ao senador ao sustentar a tese de perseguição política, mas é um dos que desaprovam qualquer questionamento sobre a integridade das eleições.

O grupo de Flávio também precisa administrar a repercussão dos episódios envolvendo a carta de teor golpista. Na quinta-feira (29), um aliado do senador chegou a atribuir à inteligência artificial a inclusão do termo “presidente eleito” e o uso do brasão antigo do Brasil em uma das versões divulgadas da carta.

Outro fator relevante é que, segundo o jornal The New York Times, um dos principais assessores de Donald Trump na Casa Branca, Jason Miller, providenciou o jato que Flávio usou para voar até Miami, nos Estados Unidos.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Governo Trump não pretende apoiar Flávio como líder do Brasil, diz Reuters

30 October 2026 at 11:35

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende apoiar a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ser o líder legítimo do Brasil, apesar de ter ajudado o candidato derrotado à Presidência a chegar aos EUA após anos de apoio a ele e a seu pai, afirmaram na quinta-feira (29) uma autoridade norte-americana e outra pessoa a par do assunto.

Trump disse que a eleição brasileira de domingo pareceu “manipulada”, mas ressaltou que não ofereceu apoio algum na disputa. Trump também declarou que se dá bem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que garantiu a reeleição por cerca de 3,5 pontos percentuais, contrariando as pesquisas de intenção de voto.

A autoridade norte-americana e a pessoa a par do assunto, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que Trump não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro, mesmo que o governo tenha permitido sua entrada no país, embora tenham dito que o presidente pode mudar de ideia.

A postura do governo Trump sugere que o presidente pode estar relutante em provocar uma nova crise nas relações com o Brasil, que passaram por altos e baixos nos últimos meses.

Partida logo após a eleição

Uma terceira autoridade norte-americana, também falando sob condição de anonimato, disse que o capital político de Flávio diminuiu agora que ele está no autoexílio. Muitos conservadores no Brasil que esperavam que ele liderasse a oposição nos próximos anos criticaram a fuga.

A Casa Branca encaminhou um pedido de comentário ao Departamento de Estado, que não respondeu. O governo brasileiro e um representante de Flávio Bolsonaro também não responderam aos pedidos de comentário.

O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está preso por tentativa de golpe para permanecer no poder após perder a disputa pela reeleição em 2022.

Algumas autoridades brasileiras, também falando sob condição de anonimato, disseram à Reuters que a partida de Flávio ajuda Lula ao enfraquecer a oposição conservadora no Congresso.

A viagem do senador aconteceu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que ele entregasse seu passaporte, atendendo a um pedido da Polícia Federal, que o investiga por um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O pedido da polícia ocorreu poucos minutos após a declaração da vitória de Lula, uma sequência de eventos que alguns conservadores apontaram como evidência de motivação política.

Apoiadores do governo Lula destacam que, dias antes da eleição, o irmão de Flávio, Eduardo, sugeriu publicamente que Flávio deveria deixar o Brasil caso perdesse. Eduardo, ex-deputado federal que vive nos EUA, foi condenado pelo STF em junho por tentar obter interferência do governo Trump no julgamento de seu pai.

Autoridades argentinas informaram que Flávio Bolsonaro, sua esposa e duas filhas atravessaram uma ponte rumo ao norte da Argentina às 22h50 de terça-feira, antes de embarcarem em um avião fretado às 23h30. Flávio e sua família voaram então para Miami, via Equador.

Não está claro como o senador viajou de sua casa em Brasília até a ponte, a 1.300 km de distância, nem como saiu do Brasil sem o conhecimento das autoridades alfandegárias brasileiras. Mas, durante essa viagem, Flávio Bolsonaro entrou em contato com várias autoridades norte-americanas a respeito de sua partida, segundo uma dessas autoridades.

Jason Miller, um assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina, disse a pessoa a par do assunto – informação também revelada pelo jornal The News York Times. Durante a viagem de Flávio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, recomendou a Trump que a entrada do senador fosse permitida, o que o presidente aprovou, segundo a autoridade norte-americana.

Durante o voo de duas etapas de Flávio, autoridades do Departamento de Estado se empenharam para determinar a melhor via legal para a entrada dele e de sua família, discutindo o assunto com funcionários do Departamento de Segurança Interna. Por fim, as autoridades norte-americanas concederam a eles “parole humanitária” na fronteira, um status temporário concedido a indivíduos quando há questões humanitárias urgentes ou um interesse público significativo em jogo, acrescentou a autoridade.

Em uma carta aberta publicada no X na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro se autoproclamou “o presidente eleito”. Em seguida, excluiu essa versão e a atualizou com outra carta, na qual afirmava ser o “líder” legítimo do Brasil.

A fuga de Flávio foi o capítulo mais recente de um período tumultuado na política brasileira e nas relações entre os EUA e o Brasil.

Mesmo tendo atacado a forma como o Brasil conduziu a eleição, Trump se absteve de criticar Lula.

“Gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, disse Trump aos repórteres na segunda-feira. “Só acho que a eleição deixou uma péssima impressão.”

El gobernador de São Paulo emerge como figura de la derecha brasileña tras la fuga de Flávio Bolsonaro

30 October 2026 at 09:30

La fuga hacia Estados Unidos del ultraderechista brasileño Flávio Bolsonaro ha dejado a la extrema derecha brasileña perpleja y descabezada. En la búsqueda a toda prisa de un nuevo líder opositor al gobierno de Luiz Inácio Lula da Silva sobresale un nombre: el del recién reelecto gobernador del estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de 51 años. Era el favorito de la élite económica y de la derecha menos radical para ser el aspirante a la presidencia en estas elecciones, pero el expresidente Jair Bolsonaro, preso por golpismo, truncó esas expectativas hace casi un año, cuando, desde la cárcel, decidió que su sucesor sería su primogénito.

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© Diego Vara (REUTERS)

Tarcisio de Freitas habla en un evento de campaña, junto a Flávio Bolsonaro, en Porto Alegre, el 14 de octubre.

Lula tenta evitar que caso Bolsonaro vire crise diplomática com Trump

30 October 2026 at 08:52

O presidente Lula (PT) decidiu não se envolver no enredo político da fuga de Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato derrotado ao Planalto, para os Estados Unidos.

A avaliação no Planalto é de que uma intervenção do petista seria despropositada, porque Flávio está a desgastar-se com a história e, por isso, não haveria sentido em arriscar uma crise diplomática com o presidente americano, Donald Trump, por causa do adversário político.

A determinação foi mantida mesmo depois de os jornais americanos The Wall Street Journal e The New York Times afirmarem que Trump ajudou Flávio a fugir para os EUA.

O jato particular em que Flávio viajou foi providenciado, segundo as duas publicações, por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca —informação também sustentada por um aliado de Flávio à Folha.

Miller estreitou laços com a família Bolsonaro quando esteve no comando da Gettr, rede social conservadora. Em setembro de 2021, chegou a ser interrogado pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília, em investigação sobre atos golpistas conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após participar de conferência organizada por Eduardo Bolsonaro, na qual também se encontrou com Jair Bolsonaro, então presidente da República.

Flávio partiu rumo aos Estados Unidos após ser intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26) a entregar seus passaportes —ele é alvo de inquérito que apura seu envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro com bets. O senador passou pela Argentina e Equador antes de chegar ao território norte-americano.

Auxiliares de Lula têm repetido que eventuais providências relacionadas à fuga de Flávio cabem ao poder judicial, não à Presidência da República. O chefe do governo tem demonstrado, em conversas internas, que prefere dedicar o seu tempo a outros assuntos –ele acaba de ser reeleito e precisa apurar a sua nova gestão. Também tenta evitar que as negociações sobre o tarifaço fiquem ainda mais difíceis.

Um integrante do alto escalão diz que a fuga foi tão absurda que não deveria ser elemento com potencial de desencadear qualquer crise para Lula.

O governo brasileiro pretende preservar a relação comercial com os Estados Unidos e manter as negociações em curso, mesmo com as notícias que ligam o governo americano à fuga de Flávio. A avaliação interna é de que não convém colocar o episódio no centro da relação entre os dois governos.

Como mostrou a Folha, aliados do petista avaliam que Flávio Bolsonaro tenta atrair Lula para uma armadilha para sabotar a relação entre o petista e Trump, descrita como boa por ambos. Por esse raciocínio, o candidato derrotado busca provocar o presidente brasileiro para que ele tome uma atitude ou dê uma declaração que estresse sua relação com o presidente americano.

Na quarta-feira (28), o senador do PL divulgou uma carta em que se proclamava “verdadeiro presidente do Brasil”. Depois, atualizou o documento e referiu-se a si mesmo como “líder do Brasil”. Ele afirma, sem apresentar prova nenhuma, que a eleição brasileira foi fraudada. Na segunda (26), Flávio havia dito que desistiria de anular a eleição na Justiça e declarou que não fugiria do país.

Trump até o momento não reconheceu explicitamente a vitória de Lula e disse que a eleição brasileira foi uma vergonha. Apesar disso, ele afirma que conversará com o brasileiro. De acordo com Trump, o próprio Lula pediu que ele não tomasse lado na disputa.

A orientação dada aos auxiliares de Lula é não alimentar uma polêmica em torno da fuga de Flávio e manter uma postura pragmática. Integrantes do governo avaliam que Lula saiu fortalecido da reeleição e não precisa cobrar de Trump o reconhecimento da vitória, ainda não expressado pelo presidente americano.

Na avaliação de um auxiliar do Planalto, cobrar publicamente o reconhecimento poderia transmitir uma imagem de fragilidade que o Brasil não precisa assumir. Um diplomata do Itamaraty afirma que, neste momento, as providências relacionadas à saída de Flávio do país cabem ao Judiciário, e não ao presidente da República.

O governo também considera relevante o fato de partidos de diferentes espectros políticos, inclusive o PL, terem reconhecido a vitória de Lula. Outro reconhecimento considerado importante pelo governo foi o do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.

O grupo político do chefe do governo brasileiro diz acreditar que a ida do adversário para o exterior tende a dispersar seu eleitorado. No domingo (25), Flávio Bolsonaro teve 59,8 milhões de votos para presidente da República e perdeu para Lula por 3,6 pontos percentuais.

Diversos aliados de Lula relataram à Folha a avaliação de que a fuga de Flávio Bolsonaro é benéfica para o presidente reeleito. Em seu aniversário de 81 anos, o petista citou o episódio como um dos mais vergonhosos da história do Brasil.

A análise é de que o senador abandonou um património eleitoral imenso e desorganizou a oposição, que agora precisará construir uma nova opção de poder –ou seja, um nome forte e incontestável no seu campo político para disputar a próxima eleição presidencial contra o grupo de Lula.

‘Rats run away’: Facing criminal probe, Flávio Bolsonaro flees Brazil to U.S. after loss to Lula

By: A A
30 October 2026 at 08:39

By Brett WILKINS

“This reveals the DNA of Bolsonarism,” said one critic. “Bolsonarism is made of cowardice.”

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Just one day after vowing he would remain in Brazil to disprove allegations of money laundering, corruption, and other crimes, far-right Brazilian Sen. Flávio Bolsonaro followed in his disgraced father’s footsteps by fleeing to the United States after losing a presidential election.

Bolsonaro, his wife Fernanda Bolsonaro, and their two daughters, ages 14 and 12, left Brazil for an unknown location in the United States, according to initial reporting by Isadora Teixeira at the Brasília-based news site Metrópoles, which was subsequently confirmed by other Brazilian and international media.

The Argentinian site Infobae reported that Bolsonaro and his family may have crossed into Argentina—which is run by his ally, far-right President Javier Milei—and then traveled to the US in a private jet. It is not known where the family went in the US.

Bolsonaro’s brother, Eduardo Bolsonaro, lives in Texas while facing criminal punishment in Brazil after trying to use the Trump administration to pressure Brazilian authorities over the prosecution of his father, former President Jair Bolsonaro, who last year was convicted of conspiring to violently remain in power following leftist President Luiz Inácio Lula da Silva’s 2022 election win.

Flávio Bolsonaro, a 45-year-old senator representing Rio de Janeiro, was defeated by Lula in Sunday’s second-round election, but refused to accept the results and groundlessly demanded an annulment. The following day, Supreme Court Justice Alexandre de Moraes ordered the seizure of Bolsonaro’s passport. He was supposed to have turned in the document Tuesday, but he didn’t.

US President Donald Trump also cast doubt on the election’s outcome, saying the contest appeared to be “rigged.”

Jair Bolsonaro also fled to the United States while refusing to acknowledge his own 2022 defeat, which occurred during the administration of former President Joe Biden.

Like Trump, Bolsonaro incited a violent insurrection in his nation’s capital following his loss.

Unlike Trump, Bolsonaro was held accountable for his crimes, and, in addition to a 27-year prison sentence—now being served under house arrest—is banned from running for any political office for the rest of the decade.

Now, with Trump back in the White House and Secretary of State Marco Rubio in charge at Foggy Bottom, Bolsonaro and his relatives are set to be issued US visas, a senior State Department official told The Associated Press.

The younger Bolsonaro’s flight—which may have been aided by his obtaining an Italian passport in 2023—contradicts his pledge on Monday, when he said, “I have never thought about leaving the country” and “I will hand over my passports and defend myself against this travesty.”

He was referring to de Morães’ order to surrender his passport amid accusations of corruption, money laundering, tax evasion, and foreign currency violations.

Bolsonaro is also the subject of an inquiry pertaining to the millions of dollars he raised from a disgraced banker implicated in a massive corrupt plot to finance a biopic of Jair Bolsonaro.

The senator has not been charged and denies any wrongdoing.

Bolsonaro’s flight stands in stark contrast to Lula, who spent 580 days in prison after being convicted in corruption cases stemming from the sprawling Operation Car Wash investigation.

In 2021, Brazil’s Supreme Federal Court annulled Lula’s convictions on procedural grounds, ruling that the court in Curitiba lacked jurisdiction over the cases and separately finding that former judge Sergio Moro had acted with bias in one of them. The decisions restored Lula’s political rights and eligibility to run for office, paving the way for his 2022 presidential victory over Bolsonaro.

Lula responded to the senator’s departure by saying, “Unfortunately, the Bolsonaro family is like that.”

“Brazil is his second homeland,” the president continued, accusing Bolsonaro of “bootlicking in the United States.”

Secretary-General of the Brazilian Presidency Guilherme Castro Boulos ripped Bolsonaro, saying: “Leaders face things head-on! Rats run away!”

“It is a shameful thing, which should make Brazilian society as a whole reflect, especially those who supported and voted for Flávio Bolsonaro,” Boulos asserted. “He slapped his supporters in the face and left them on the side of the road.”

“Almost 60 million Brazilians trusted him as political leadership to run the country, and 24 hours later, he flees,” he continued. “And it’s no use coming up with this talk of persecution, of dictatorship. He ran away because he must.”

“This reveals the DNA of Bolsonarism,” Boulos added. “Bolsonarism is made of cowardice.”

Erika Hilton, a member of the Chamber of Deputies—the lower house of Brazil’s Legislature—representing São Paulo for the Socialism and Liberty Party, weighed in on social media, calling Bolsonaro “a traitor to the homeland.”

In the United States, Congressman Joaquin Castro (D-Texas) said on X that “losing an election is not grounds for asylum.”

“Yet the Trump administration is giving Flávio Bolsonaro safe haven in the United States,” he continued. “The Trump administration owes Congress answers on its role helping Bolsonaro flee Brazil in contravention of Brazilian law.”

Mark Weisbrot, co-director of the Center for Economic Policy and Research (CEPR), told Common Dreams:

Trump is now the most corrupt president in US history, raking in billions from his presidency. It’s no surprise when the most powerful corrupt authoritarian government in the hemisphere uses international law designed to protect the persecuted to shield another corrupt authoritarian government from criminal prosecution. Perhaps this is what is meant by the Trump-led ‘Shield of the Americas.’

Francesca Emanuele, senior international policy associate at CEPR, noted that “the United States has long served as a destination for numerous right-wing Latin American political figures who fled their home countries while facing corruption allegations, criminal investigations, or accusations of grave human rights violations, including crimes against humanity.”

“The list is extensive,” she added, “ranging from former presidents such as Panama’s Ricardo Martinelli and Bolivia’s Gonzalo Sánchez de Lozada to dictators such as Nicaragua’s Anastasio Somoza.”

Emanuele also contrasted the actions of the Bolsonaros and Lula, arguing that the latter’s decision to remain in Brazil “reflected a commitment to the Brazilian people and a determination to defend his rights through the country’s own institutions, even when those institutions failed to uphold them.”

“Rather than leaving Brazil,” she told Common Dreams, “Lula stayed, fought to clear his name, and continued his political struggle alongside the people he sought to represent.”

Original article:  www.commondreams.org

Flávio Bolsonaro dificilmente controlará direita dos EUA, diz especialista

30 October 2026 at 07:28

A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de iniciar uma liderança política fora do Brasil gerou análises sobre os limites e os riscos dessa estratégia.

Para Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, ao WW, a iniciativa é calculada, mas enfrenta obstáculos estruturais significativos.

Poder exige presença física, diz especialista

O principal obstáculo apontado por Gabiati é a dificuldade de exercer influência política à distância. Para ele, o poder se constrói a partir de vínculos de confiança, e esses vínculos dependem de contato presencial.

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“O poder se exerce a partir de vínculos de confiança, e a confiança só se constrói estando fisicamente e presencialmente para apertar uma mão e fechar um acordo”, declarou.

“Neste momento, eu duvido que o Flávio tenha essa capacidade”, completou.

Gabiati avalia que a movimentação não foi uma decisão isolada de Flávio, mas sim uma escolha negociada dentro do núcleo familiar.

“Isso aqui não foi só uma escolha do Flávio, foi uma escolha negociada com Jair e com Eduardo, talvez até com Carlos”, afirmou.

Segundo ele, esse grupo toma decisões em conjunto, ainda que nem sempre de forma plenamente racional.

O especialista também traçou um paralelo com a líder venezuelana María Corina Machado, que exerceu liderança política de fora de seu país.

No entanto, Gabiati fez questão de ressaltar que o Brasil está muito longe de ser uma Venezuela, apesar dos atritos institucionais existentes.

“A partir desse movimento dos Bolsonaro, o Brasil ganha sua Corina Machado versão brasileira”, disse.

PL sem liderança pode perder poder institucional

Outro ponto destacado por Gabiati diz respeito ao Partido Liberal.

Com 121 deputados, o partido detém a maior bancada da Câmara, superando até mesmo o PFL no auge de sua força, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando contava com 105 deputados.

No entanto, o cientista político alerta que esse poder eleitoral pode se perder sem uma liderança capaz de coordená-lo. “O grande problema aqui é que o PL tem a maior bancada da Câmara, mas hoje não tem líder”, afirmou.

Segundo ele, sem capacidade de coordenação, todo esse poder eleitoral corre o risco de não se converter em poder institucional na Câmara e no Senado.

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