❌

Normal view

Operação da PM interdita vias no Rio, afeta 20 linhas de ônibus e termina com coletivo incendiado

29 October 2026 at 23:50

*Com informações do G1

Uma operação da Polícia Militar na comunidade da Primavera, no Complexo da Serrinha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, provocou interdições em vias de Madureira e Irajá nesta quinta-feira (29). A ação também afetou a circulação de 20 linhas de ônibus e foi marcada pelo incêndio de um coletivo. Um suspeito morreu durante confronto com policiais.

A Avenida Ministro Edgard Romero, em Madureira, foi fechada temporariamente em dois momentos ao longo do dia. Moradores relataram intenso tiroteio na região. De acordo com o Centro de Operações Rio (COR-Rio), a via foi liberada às 16h20, mas novas interdições poderiam ocorrer sem aviso prévio.

Durante a ação, criminosos sequestraram uma carreta e a atravessaram na avenida. Um ônibus da linha 685 também foi usado como barricada no local. Agentes da PM atuaram na retirada do veículo. Mais tarde, a Rio Ônibus informou que um coletivo da linha 774 foi utilizado para bloquear a Rua Conselheiro Galvão.

Em Irajá, a Avenida Monsenhor Félix foi interditada nos dois sentidos, nas proximidades da Avenida Pastor Martin Luther King Júnior. Um ônibus da linha SV774 foi incendiado na altura do número 454, perto da estação de metrô de Irajá. Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros estiveram no local. Após o controle das chamas, a via foi totalmente liberada às 18h22.

Transporte público

Segundo a Rio Ônibus, 20 linhas tiveram impactos na circulação na região. Os coletivos precisaram alterar os itinerários durante as interdições.

As linhas afetadas foram:

- 355 – Madureira x Praça Tiradentes
- 685 – Terminal Margaridas x Méier
- 712 – Irajá x Cascadura
- 721 – Vila Cruzeiro x Cascadura
- 774 e SV774 – Madureira x Jardim América
- 775 – Madureira x Jardim América
- 785 – Marechal Hermes x Cascadura
- 918 – Bangu x Bonsucesso
- 926 – Senador Camará x Penha
- 928 – Marechal Hermes x Bonsucesso
- 940 – Madureira x Ramos
- 975 – Madureira x Fundão
- 737 – Santíssimo x Cascadura
- 790 e SV790 – Campo Grande x Cascadura
- 778 – Cascadura x Pavuna
- 298 – Acari x Castelo
- 639 – Jardim América x Saens Peña
- SV777 – Padre Miguel x Madureira

Durante a tarde, quatro linhas do BRT também operaram com intervalos irregulares. Às 17h10, as linhas 31, entre o Terminal Alvorada e Vicente de Carvalho; 42, entre Madureira e Galeão; 43, entre Santa Efigênia e o Terminal Fundão; e 46, entre Alvorada e Penha, voltaram a circular normalmente.

Operação na Serrinha

De acordo com a Polícia Militar, a operação tem como objetivos combater o grupo criminoso que atua na região, cumprir mandados de prisão e recuperar veículos roubados.

Um suspeito morreu durante confronto com policiais. Equipes do serviço de inteligência também detiveram um homem e apreenderam um fuzil e drogas, cuja quantidade ainda não havia sido contabilizada. Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) participaram da ação.

Ainda segundo a PM, a comunidade da Serrinha permanecerá ocupada por tempo indeterminado.

Dois homens foram presos e tiveram armas apreendidas. Eles foram identificados como Gabriel Fogli de Souza Pinto Ribeiro, conhecido como Atentado, e Matheus William Cassiano dos Santos, chamado de Da Nike.

Em razão da operação, uma unidade de Atenção Primária à Saúde da região manteve os atendimentos, mas suspendeu temporariamente as atividades externas, incluindo as visitas domiciliares.

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

 

© CARLOS ELIAS JUNIOR/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Ônibus da empresa Caprichosa foi incendiado em frente a comunidade da Malvina em Irajá, em retaliação à operação da PM em Madureira, nesta quinta-feira (29).

Não devíamos precisar de capacetes

30 October 2026 at 00:13

Lembro-me dos capacetes. Eram de construção civil, pintados com as cores dos nossos cursos. Levávamo-los para as manifestações porque já sabíamos que podíamos precisar de proteger a cabeça. Alguns partiram-se sob os bastões da polícia.

As imagens das intervenções policiais nos protestos pela habitação, em Lisboa e no Porto, fizeram-me regressar aos anos 90. Fui dirigente da Associação Académica de Coimbra, com o pelouro da Cultura, aparentemente mais pacífico, e participei no movimento estudantil contra as propinas durante os governos de Cavaco Silva. Entre outras aprendizagens, tornámo-nos especialistas na fuga e na corrida. Uma competência que não devia fazer parte da formação cívica de ninguém.

É fácil reduzir aquela luta ao «Não pagamos!». Mas a questão era maior do que uma propina. Estava em causa quem podia estudar, pagar um quarto, alimentar-se e passar vários anos sem ganhar dinheiro. Contestávamos um sistema em que as oportunidades continuavam demasiado dependentes dos meios da família.

Hoje, reconheço uma inquietação semelhante na luta pela habitação: estudar, trabalhar, cumprir o que se espera e, ainda assim, não conseguir construir uma vida autónoma. As épocas são diferentes. A sensação de encontrar uma porta fechada é familiar.

Não estou nas acampadas. A minha vida e as minhas circunstâncias são outras. Não conheço todos os participantes nem subscrevo necessariamente as suas propostas. Mas não preciso de estar numa manifestação para defender o direito de quem lá está. Seria incoerente ter exigido esse direito para mim e relativizá-lo agora porque já não sou eu a precisar de o exercer.

O direito à manifestação não depende de concordarmos com a mensagem, o método ou o incómodo que provoca. Numa democracia, protestar é tornar visível um conflito que as instituições ainda não resolveram. Inclui ocupar o espaço público, perturbar rotinas e exigir atenção. Os limites existem quando estão em causa outros direitos ou há violência concreta, não quando o protesto se torna inconveniente.

A polícia invoca ordens de dispersão desobedecidas. Os manifestantes denunciam violência. Importa esclarecer os factos e apurar responsabilidades. Mas uma ordem desobedecida não dispensa a pergunta essencial: era necessária a força usada? Era adequada ao risco? Foi limitada ao indispensável? A proporcionalidade não é um detalhe técnico. É o princípio que impede que a desobediência seja tratada como autorização para qualquer resposta.

A autoridade policial não se mede apenas pela capacidade de dispersar uma multidão. Mede-se também pela capacidade de distinguir resistência, desobediência, ameaça e violência, de escolher a resposta menos lesiva e de justificar a sua necessidade. Quanto maior o poder de usar a força, maior o dever de explicar o seu uso.

Não defendo agressões, destruição ou intimidação. Os polícias têm direito à segurança e quem pratica violência deve responder pelos seus atos. Mas quem exerce a força em nome do Estado tem uma responsabilidade acrescida. Proteger agentes e manifestantes não são objetivos incompatíveis. Uma polícia profissional deve conseguir fazer ambas as coisas sem transformar uma manifestação inteira num alvo.

Lembro-me também dos protestos dos bombeiros junto ao Parlamento, perto do meu local de trabalho. Do fogo, da circulação condicionada, da tensão. Não pretendo equiparar operações diferentes, mas pergunto que critérios justificam respostas policiais tão distintas. Esses critérios devem ser objetivos, públicos e compreensíveis. E quando a força é usada, deve haver fiscalização independente e consequências se os limites forem ultrapassados. Sem isso, a confiança transforma-se em obediência por medo.

Uma manifestação incomoda. Ocupa espaço, interrompe rotinas e obriga a olhar para um problema. Esse incómodo faz parte da democracia. A ordem pública não pode ser confundida com silêncio, nem a normalidade do trânsito ou do comércio valer mais do que a liberdade de expressão e de reunião. Manter a ordem é permitir que os direitos coexistam, não eliminar o que mais perturba.

A habitação exige decisões económicas difíceis, investimento e políticas eficazes. Exige também confiança nas instituições. Uma confiança que enfraquece quando a resposta a um problema social passa a ser dominada por imagens de bastões e pessoas feridas, sem explicações convincentes sobre a necessidade da intervenção e os limites da força utilizada.

A minha geração teve voz. Esta também merece ser ouvida. Não tenho de concordar com tudo o que diz para defender que possa dizê-lo, de forma pacífica e sem medo. Nem tenho de aceitar qualquer comportamento para exigir que a resposta do Estado seja necessária, adequada e proporcional.

Há mais de trinta anos, levávamos capacetes para uma manifestação. Não devíamos precisar de voltar a fazê-lo.

Presidente de Colombia ordenó militarizar Cúcuta por violencia

30 October 2026 at 00:04

Bogotá, 29 oct (Prensa Latina) El presidente de Colombia, Abelardo de la Espriella, ordenó hoy la militarización de Cúcuta con carácter inmediato, en medio de la escalada de violencia que sacude a esa urbe fronteriza con Venezuela.

The post Presidente de Colombia ordenó militarizar Cúcuta por violencia first appeared on Noticias Prensa Latina.

Vereadora do Paraná é investigada por declarações contra nordestinos

29 October 2026 at 23:50

A vereadora Salete Kronbauer (PP), de Nova Santa Rosa, no Oeste do Paraná, provocou polêmica após declarações contra nordestinos e baianos durante uma sessão da Câmara Municipal, na segunda-feira (26/10), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu não quero mais ver um nordestino, um baiano, vindo aqui na nossa cidade”, afirmou a parlamentar na tribuna.

Durante o discurso, Salete criticou eleitores de Lula, associou o resultado das eleições ao recebimento de benefícios sociais e chegou a defender uma divisão territorial do Brasil. A vereadora também mencionou possíveis cortes em programas sociais e afirmou que eleitores poderiam enfrentar dificuldades para conseguir alimentos.

Após a repercussão, Salete divulgou uma nota de retratação, reconheceu que suas declarações foram inadequadas e pediu desculpas. A manifestação ocorreu depois que o vídeo da sessão circulou nas redes sociais e gerou críticas de parlamentares e entidades.

O Ministério Público do Paraná solicitou a abertura de um inquérito, instaurado pela Polícia Civil, para investigar possíveis crimes de discriminação e preconceito. O caso também motivou uma representação que pede a cassação do mandato da parlamentar. A Câmara Municipal de Nova Santa Rosa deve analisar o pedido nos próximos dias.

The post Vereadora do Paraná é investigada por declarações contra nordestinos appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

❌