Ex-autarca declara que dinheiro era para apoiar famílias carenciadas

A ex-presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Conceição Cabrita, e o ex-deputado António Gameiro, começaram a ser julgados, na passada segunda feira, no Tribunal de Faro, acusados de corrupção passiva. A ex-autarca admitiu ter recebido dinheiro de um empresário local, como empréstimo, para apoiar as famílias carenciadas do concelho.
A ex-autarca, que abandonou o cargo após buscas da Judiciária, em 2021, disse ao coletivo que o empresário lhe entregava dez mil euros por mês, em notas, como empréstimo, a partir do momento em que o município já não podia apoiar as famílias necessitadas, devido ao resgate financeiro a que estava sujeito desde 2016.
Conceição Cabrita, também acusada de falsificação de documentos, prevaricação e abuso de poder, declarou em tribunal que recorreu a pedido de empréstimo ao empresário Paulo Calvinho, quando o seu salário já não dava para ajudar quem precisava. A ex-autarca que contraiu uma dívida de cerca de 200 mil euros, ao longo de ano e meio, acabou por enumerar cerca de dez famílias a quem entregava seiscentos euros mensais.
Questionada sobre a razão que a motivou respondeu: “Olhe, porque sou parva. Tenho este impulso de ajudar quem está em dificuldades. Sei que é difícil de acreditar, mas a verdade é que sempre fui assim”.
Sem mostrar consciência do valor total da dívida contraída, afirmou nunca ter beneficiado com adjudicações o referido empresário, tal como é acusada pelo Ministério Público.
Terreno em Monte Gordo
Sobre as alegadas luvas recebidas na venda do terreno frente ao Hotel Vasco da Gama, em Monte Gordo, o Ministério Público avança que António Gameiro, consultor da empresa compradora e assessor jurídico do município no negócio, terá sido veículo para o pagamento de 300.000 euros para viabilizar a compra e o projeto – compra que entretanto foi revertida – a quem a autarca teria dado indicações para que um terço desse valor fosse depositado diretamente na conta do empresário, como forma de pagamento da dívida que foi contraindo para
ajudar nos casos de emergência social.


















