Ricardo Ribeiro

A voz de Ricardo Ribeiro é daquelas que, uma vez ouvida, jamais se esquece. Uma das figuras incontornáveis do Fado contemporâneo, o fadista tem levado a identidade e a emoção da música portuguesa a palcos de todo o mundo, conquistando públicos com a autenticidade e a intensidade da sua interpretação. Distinguido com vários discos de ouro e inúmeros prémios, prepara-se agora para subir ao palco da 3.ª Gala Anual Magellan Coração de Portugal, no próximo dia 7 de novembro de 2026, para uma atuação que promete celebrar a alma portuguesa. Informações e bilhetes disponíveis em magellangala.ca.
A propósito deste encontro especial com o público, Ricardo Ribeiro concedeu-nos uma breve entrevista, na qual partilha as suas experiências, a emoção de cantar além-fronteiras e a paixão profunda que o une ao Fado — uma música que atravessa gerações, encurta distâncias e continua a levar Portugal no coração de quem a escuta.
(Milenio Stadium) Esta ida ao Canadá surge num momento de maturidade da tua carreira. Quais são as tuas principais expectativas para esta viagem e para o encontro com o público canadiano?
(Ricardo Ribeiro) Bom, é uma alegria voltar ao Canadá, não é? E, portanto, é um país em que eu viveria se não vivesse em Portugal, se me dessem a escolher onde viver, eu viveria com certeza no Canadá. Por isso, é um motivo de grande alegria e depois porque… enfim, cantar para um público que não é propriamente o nosso público habitual é sempre um desafio, mas também um motivo de muito, muito entusiasmo e de muita alegria. Vai ser um concerto maravilhoso, eu espero.
(MS) O público no estrangeiro costuma acolher os fadistas com um carinho muito próprio. Sentiste alguma diferença na preparação deste repertório específico para o Canadá?
(RR) Bom, o fado é um fenómeno que acontece, e a música em especial para mim é uma coisa que acontece. Eu não tenho as coisas muito pré-definidas nem muito pré-estabelecidas para fazer. É evidente que tenho um alinhamento pré-definido, mas no momento muitas vezes coloco canções e fados que não estavam no alinhamento. Portanto, eu prefiro as coisas com alguma espontaneidade e com uma verdade que só no momento é que pode sair.
(MS) Na tua opinião, o que é que a música portuguesa pode levar de novo para a cultura do Canadá nesta fase da tua carreira?
(RR) Bom, o que é que pode levar de novo eu não sei. Eu acho que o que nós podemos levar de novo somos nós próprios, não é? E a maneira como interpretamos as palavras e as melodias. Não é propriamente só a música portuguesa em si, mas é também cada instrumentista e cada cantor, cada solista, cada artista que leva a sua personalidade e o seu caráter para cima de um palco. Portanto, tudo isso pode ser novo.
(MS) Que significado pessoal tem para ti ver a tua arte ser reconhecida num contexto internacional que celebra a lusofonia e o intercâmbio cultural?
(RR) É algo muito emotivo e muito especial. É porque a diversidade é a organização do próprio cosmos, não é? E, portanto, um mundo sem diversidade não se conseguiria… era impossível viver. Nenhuma estrela é igual à outra, nenhuma árvore é igual à outra e nenhum homem é igual ao outro. E, portanto, essa diversidade e esta forma com que… com que vamos para o estrangeiro e como somos acolhidos é, de facto, uma coisa extraordinária.
(MS) Quando cantas para a comunidade portuguesa no estrangeiro, sentes uma responsabilidade acrescida por estares a transportar um pedaço de Portugal até eles?
(RR) Bom, cantar para a comunidade portuguesa é algo extraordinário, mas também de muita responsabilidade, porque eu acho que os portugueses quando estão fora são mais exigentes e querem mais de nós. Mas não num sentido de carga, mas sim no sentido de profundidade e de verdade. E é isso que eu tento levar para todos.
(MS) Que mensagem de esperança e ligação cultural gostarias de deixar aos portugueses que vivem e trabalham no Canadá?
(RR) Deixar-lhes um abraço profundo de amizade e dizer-lhes que não desistam deste país, porque isto é uma seara bonita de trigo maduro, é uma terra morena que queima no verão, é uma terra serena dos perdidos amantes, mas é uma terra pequena, mas deste povo tão grande.
(MS) No concerto, palco da 3.ª Gala Anual Magellan Coração de Portugal, o que gostarias que a comunidade portuguesa e o público em geral levassem no coração depois de te ouvir cantar?
(RR) Emoção e verdade.
No próximo dia 7 de novembro, na 3.ª Gala Anual Magellan Coração de Portugal, Ricardo Ribeiro levará ao Canadá muito mais do que a sua voz: levará a alma de um Fado que não conhece fronteiras e continua a unir Portugal à sua diáspora. Com um percurso marcado pela autenticidade e uma interpretação que dispensa artifícios, o fadista promete transformar o palco num espaço de encontro entre culturas, memórias e emoções. Porque, no universo de Ricardo Ribeiro, o Fado não se limita a cantar-se: sente-se, vive-se e partilha-se. E quando a voz se cala, fica aquilo que verdadeiramente importa: a emoção de uma música que nos toca por dentro e nos lembra, onde quer que estejamos, de onde vimos.
Paulo Perdiz/MS

















