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Flávio Bolsonaro dificilmente controlará direita dos EUA, diz especialista

A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de iniciar uma liderança política fora do Brasil gerou análises sobre os limites e os riscos dessa estratégia.

Para Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, ao WW, a iniciativa é calculada, mas enfrenta obstáculos estruturais significativos.

Poder exige presença física, diz especialista

O principal obstáculo apontado por Gabiati é a dificuldade de exercer influência política à distância. Para ele, o poder se constrói a partir de vínculos de confiança, e esses vínculos dependem de contato presencial.

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“O poder se exerce a partir de vínculos de confiança, e a confiança só se constrói estando fisicamente e presencialmente para apertar uma mão e fechar um acordo”, declarou.

“Neste momento, eu duvido que o Flávio tenha essa capacidade”, completou.

Gabiati avalia que a movimentação não foi uma decisão isolada de Flávio, mas sim uma escolha negociada dentro do núcleo familiar.

“Isso aqui não foi só uma escolha do Flávio, foi uma escolha negociada com Jair e com Eduardo, talvez até com Carlos”, afirmou.

Segundo ele, esse grupo toma decisões em conjunto, ainda que nem sempre de forma plenamente racional.

O especialista também traçou um paralelo com a líder venezuelana María Corina Machado, que exerceu liderança política de fora de seu país.

No entanto, Gabiati fez questão de ressaltar que o Brasil está muito longe de ser uma Venezuela, apesar dos atritos institucionais existentes.

“A partir desse movimento dos Bolsonaro, o Brasil ganha sua Corina Machado versão brasileira”, disse.

PL sem liderança pode perder poder institucional

Outro ponto destacado por Gabiati diz respeito ao Partido Liberal.

Com 121 deputados, o partido detém a maior bancada da Câmara, superando até mesmo o PFL no auge de sua força, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando contava com 105 deputados.

No entanto, o cientista político alerta que esse poder eleitoral pode se perder sem uma liderança capaz de coordená-lo. “O grande problema aqui é que o PL tem a maior bancada da Câmara, mas hoje não tem líder”, afirmou.

Segundo ele, sem capacidade de coordenação, todo esse poder eleitoral corre o risco de não se converter em poder institucional na Câmara e no Senado.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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Americano está menos suscetível a temas fora da economia, diz especialista

O eleitor americano médio está cada vez menos receptivo a pautas que fujam do campo econômico, como questões morais, migração e conflitos internacionais. Essa é a avaliação de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da FAAP, FGV e IDP, em entrevista ao WW, sobre a disputa das midterms, eleições de meio de mandato nos Estados Unidos previstas para o dia 3 de novembro.

Para Vieira, o tema central da eleição deve ser o custo de vida crescente dos estadunidenses. Segundo o especialista, Trump tenta enfatizar que, antes de seu governo, as condições econômicas seriam ainda piores — mas quem vai arbitrar essa disputa é o eleitor comum, que hoje demonstra menor suscetibilidade a argumentos de cunho não econômico.

Foco no cotidiano e desgaste com pautas amplas

Vieira destacou uma tendência observada ao redor do mundo: a de trazer as disputas eleitorais para o foco do dia a dia das pessoas, em vez de abordar temas mais amplos. “O que Trump fez, de fato, que afeta a vida sua?”, exemplificou o especialista, reproduzindo o tipo de questionamento que figuras como Barack Obama estariam utilizando para convencer eleitores mais centristas a migrar para o lado democrata.

O conflito no Oriente Médio, por exemplo, tem impacto indireto na vida da população — principalmente pelo preço do petróleo —, mas não mobiliza o eleitorado da mesma forma que questões econômicas imediatas.

Latinos podem ser fator decisivo no Texas

Vieira também apontou que o voto latino pode representar uma grande barreira para Trump e seus aliados no Texas — não apenas na disputa para governador, mas também nas eleições para a Câmara e o Senado.

De acordo com o especialista, os latinos foram fundamentais para o retorno de Trump à Casa Branca, especialmente nos chamados swing states (Estado-pêndulo). No entanto, mesmo em estados de maioria republicana consolidada nas últimas três décadas, observa-se um movimento de abertura ao voto democrata.

O especialista explicou que, no caso dos latinos especificamente, a questão econômica cede espaço a outro fator: a atuação do ICE (agência de imigração e controle de fronteiras dos EUA), cujas ações afetaram a comunidade de maneira que muitos não esperavam. “Era algo que a comunidade não esperava que iria afetá-los”, afirmou Vieira, sugerindo que esse descontentamento pode influenciar diretamente o comportamento eleitoral desse grupo nas midterms.

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Agenda fiscal brasileira deve ser tratada como apartidária, diz economista

A agenda fiscal brasileira deve ser tratada como um movimento apartidário, voltado a trazer a gestão das contas públicas para patamares civilizatórios. A avaliação é do economista Daniel Couri, especialista em contas públicas, ao WW.

Couri destacou que, embora um ajuste fiscal seja necessário, ele não é suficiente para resolver a questão do crescimento econômico no país.

“Isso é só para colocar o endividamento dentro de patamares civilizados”, afirmou o especialista, reforçando que o ajuste representa apenas uma parte de um processo mais amplo, e não a solução definitiva.

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Situação fiscal preocupante em perspectiva global

O economista apresentou dados que ilustram a gravidade da situação fiscal brasileira em comparação internacional.

Segundo Couri, em 2026, apenas 21 países de uma lista de 180 nações terão uma dívida maior do que a do Brasil — e quase todos eles são países avançados.

Em relação aos gastos com juros, a situação é ainda mais alarmante: somente Bahrein e Egito devem gastar mais do que o Brasil nessa rubrica.

Diante desse cenário, Couri manifestou surpresa com o fato de o debate público se concentrar tanto na necessidade do ajuste em si, quando esse movimento sequer é capaz de resolver a questão do crescimento.

“Eu acho que isso deveria ser suficientemente forte para convencer o Congresso de que essa agenda é apartidária”, declarou.

A mudança na composição do Congresso Nacional, mencionada no debate, foi apontada como um fator de incerteza adicional sobre as perspectivas de avanço das reformas necessárias.

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Aliados veem Flávio radicalizado após fuga para os EUA; entenda

Aliados próximos a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o enxergam mais radicalizado após sua fuga para os Estados Unidos, executada na sequência do pedido de apreensão de seus passaportes pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Segundo a apuração da analista de Política da CNN Jussara Soares ao CNN Prime Time, a fuga de Flávio Bolsonaro teria ocorrido sem que o núcleo duro da campanha fosse comunicado, o que agravou o desconforto entre aliados e lideranças do Partido Liberal (PL).

Na última quarta-feira (28), Flávio divulgou uma carta com teor golpista em que se intitulava “verdadeiro presidente eleito do Brasil” — documento que posteriormente foi reformulado, passando a referir-se a ele como “um líder do Brasil”.

Valdemar Costa Neto toma distância da postura radical

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto reprovou publicamente a carta divulgada por Flávio.

Segundo Jussara Soares, a postura de Valdemar reflete uma estratégia deliberada de se distanciar de posicionamentos que possam gerar novos problemas judiciais ao partido.

“Fica muito clara essa distância que ele toma dessa posição radical de Flávio Bolsonaro”, afirmou a jornalista.

Ao mesmo tempo, Valdemar busca preservar a imagem do ex- presidente Jair Bolsonaro como liderança da direita.

De acordo com Jussara Soares, trata-se de um equilíbrio calculado: afagar Jair Bolsonaro, figura ainda relevante para o PL mesmo estando preso por tentativa de golpe de Estado, enquanto se distancia dos filhos, especialmente de Flávio e Eduardo Bolsonaro.

Histórico de problemas judiciais pesa na decisão

A cautela de Valdemar tem raízes no passado recente.

Em 2022, o PL foi multado em 22 milhões de reais pelo ministro Alexandre de Moraes, então à frente do TSE, em razão da contestação do resultado das urnas.

O próprio Valdemar chegou a ser investigado no âmbito da trama golpista por endossar o questionamento ao sistema eleitoral.

“Quem já passou por isso está tomando toda a cautela para evitar qualquer tipo de problema de novo”, destacou Jussara Soares.

Há ainda uma contradição de fundo que Valdemar precisa administrar: o PL elegeu, nas últimas eleições, 121 deputados, 19 senadores — com perspectiva de bancada de 28 congressistas no Senado a partir de 2027 — e seis governadores.

Questionar as urnas que produziram esses resultados expressivos seria, no mínimo, contraditório para o partido.

É nesse contexto que Valdemar opta por se distanciar das posições mais radicais adotadas por Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que mantém Jair Bolsonaro como referência política central do PL.

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Análise: Trump faz agenda dupla ao ajudar Flávio e acenar à Lula

A confirmação de que Jason Miller, assessor de presidente norte americano, Donald Trump, teria providenciado as acomodações logísticas para auxiliar na fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aos Estados Unidos levantou questionamentos sobre o impacto dessa postura na diplomacia entre os dois países.

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna explicou durante o CNN Prime Time, que o episódio revela uma estratégia dupla de Trump: por um lado, atender a inclinações ideológicas pessoais; por outro, preservar um canal institucional com o governo brasileiro.

De acordo com o analista, Trump deseja manter uma relação com o Brasil com o objetivo principal de reduzir a influência da China sobre o país.

“Ele ainda acredita que há um caminho para fazer isso em coordenação com Lula, que ele recebeu na Casa Branca em maio, sete dias antes de visitar Xi Jinping, exatamente para demonstrar que é capaz de atrair o Brasil de volta para a órbita americana”, explicou.

A proximidade entre Jason Miller e os Bolsonaros

Jason Miller é descrito como uma figura do movimento MAGA muito próxima de Trump e também dos Bolsonaros.

Sant’Anna lembrou que, em 7 de setembro de 2021, Miller esteve no Brasil para uma Conferência de Ação Política Conservadora junto à família Bolsonaro e acabou sendo interrogado pela Polícia Federal ao sair no aeroporto.

Na ocasião, ele teria telefonado para o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que lhe providenciou um advogado. “A relação deles é muito próxima. Dessa vez é ele que providencia um avião para o irmão do Eduardo Bolsonaro”, destacou o analista.

 

Sant’Anna ressaltou que Miller atua desde meados do ano como estrategista de comunicação na Casa Branca, mas não em um cargo institucional — trata-se de uma função de apoio pessoal a Trump.

O analista apontou ainda que a relação de Miller com o Departamento de Estado é “um pouco distante”, e que sua atuação é predominantemente no campo do lobby privado, tendo sido contratado, por exemplo, pelo governo indiano por 1,8 milhão de dólares para melhorar relações comerciais com os Estados Unidos.

Dimensão ideológica, não institucional

Para Sant’Anna, o envolvimento de Miller na contratação do avião demonstra que Trump preferiu manter a questão da relação com Flávio Bolsonaro “num nível mais ideológico, mais pessoal do que institucional”.

O analista ponderou que, se o Departamento de Estado tivesse se envolvido, o episódio teria uma dimensão completamente diferente.

“As relações entre Brasil e Estados Unidos no campo institucional continuam com essa fragilidade reputacional em que Trump ataca o sistema eleitoral brasileiro para não reconhecer que a direita perdeu no Brasil”, afirmou.

Sant’Anna também observou que Trump teria interesse em difundir a percepção de que a esquerda frauda eleições, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, como forma de não admitir derrotas eleitorais.

Ao mesmo tempo, o analista avaliou que Trump não considera conveniente romper com Lula. “Tudo vai depender de Lula agora, se ele consegue digerir essa relação em que a sua eleição é contestada por Trump”, concluiu Sant’Anna.

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PGR deve seguir Polícia Federal e fatiar denúncias do caso Master

A Procuradoria-Geral da República deve seguir o mesmo rito adotado pela Polícia Federal e dividir em partes o inquérito que apura fraudes envolvendo operações entre o Banco Master e o BRB. A tendência, segundo apuração do analista de política Matheus Teixeira, é que as denúncias sejam fatiadas por núcleos de investigação.

“É uma investigação muito grande, que pega uma gama de pessoas gigantesca”, descreveu Teixeira durante o CNN 360º desta quinta-feira (29).

O primeiro núcleo a ser formalizado, de acordo com Teixeira, é o relacionado ao BRB, considerado o mais adiantado na investigação. Estima-se que o rombo decorrente da operação fraudulenta de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília possa ser superior a R$ 10 bilhões.

Além desse, deverá ser constituído um núcleo político, focado nos parlamentares que mantinham relação próxima com o ex-banqueiro.

“Senadores e deputados de oposição, de situação e de centro. Independentemente da ideologia, havia atores com relação com Daniel Vorcaro“, afirmou Teixeira.

A investigação contempla ainda outros núcleos. Um deles é composto por indivíduos que executavam ações de intimidação e ameaça a adversários, liderados por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que morreu na prisão. Outro núcleo identificado é o de hackers, responsáveis por invasões a publicações e sistemas fechados.

“A tendência é que a PGR inicie uma leva de denúncias pela questão do BRB e depois vá por partes denunciando os demais envolvidos”, afirmou Teixeira.

Na quarta-feira (29), a PF indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas no inquérito que apura as supostas fraudes envolvendo a operação de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília.

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Análise: Futuro de Alexandre de Moraes depende de Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou que não pretende pautar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), em especial de Alexandre de Moraes, caso seja reeleito à presidência do Senado Federal.

Segundo a avaliação do analista de Política da CNN Matheus Teixeira ao CNN 360°, o destino de Moraes na Corte está diretamente ligado ao resultado dessa disputa.

De acordo com Teixeira, a leitura dos bastidores em Brasília é de que o futuro de Alexandre de Moraes depende, em grande medida, de quem assumirá o comando do Senado Federal.

Isso porque cabe exclusivamente ao presidente da Casa a prerrogativa de abrir ou não um processo de impeachment contra um ministro do STF.

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Contexto das acusações contra Moraes

Alexandre de Moraes é acusado de manter uma relação próxima com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, instituição envolvida em uma fraude que teria gerado um rombo superior a R$ 50 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Há ainda uma fraude no Banco Regional de Brasília que pode superar os R$ 10 bilhões, totalizando mais de R$ 60 bilhões. Além disso, a esposa de Moraes teria mantido contrato com o Banco Master, e o próprio ministro chegou a ser alvo de acusação da Polícia Federal.

No plenário do STF, o julgamento do caso foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Disputa pela presidência do Senado

Independentemente do desfecho do caso no STF, há um movimento no Senado Federal para aprovar o impeachment de Alexandre de Moraes.

Matheus Teixeira destacou que, com a composição mais à direita do próximo Senado — resultado das eleições de 5 de outubro —, nomes como Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN), ambos mais próximos a Jair Bolsonaro, também disputam a presidência da Casa e têm chances reais de vencer.

São necessários 41 votos entre os 81 senadores para vencer a eleição.

Caso Davi Alcolumbre consiga a reeleição, a tendência, segundo Matheus Teixeira, é que ele não dê início a um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes.

“Se Davi Alcolumbre conseguisse se reeleger, a chance dele abrir um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes é muito baixa”, afirmou o analista.

Por outro lado, se um candidato mais à direita assumir o comando do Senado, a probabilidade de abertura desse processo aumenta consideravelmente.

Alcolumbre já articula nos bastidores a tentativa de atrair votos da direita, compor com o governo e conquistar apoio do centrão para garantir sua reeleição.

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Base de Lula se divide sobre reforma do Judiciário

A reforma do Poder Judiciário ganhou força no cenário político brasileiro, especialmente após os escândalos que atingiram o STF (Supremo Tribunal Federal). O tema pautou as eleições presidenciais deste ano e, agora, divide os próprios aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo apuração do analista de Política Matheus Teixeira, o assunto emergiu com intensidade já no primeiro turno das eleições, impulsionado pelas denúncias contra Alexandre de Moraes.

“No segundo turno não foi diferente, os dois candidatos prometiam implementar uma reforma no Judiciário. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro (PL) falaram diversas vezes em questões nesse sentido”, afirmou Teixeira durante o CNN 360º desta quinta-feira (29).

Teixeira lembrou que Lula, que saiu vitorioso, foi o candidato que mais se viu envolvido na crise que cercou o STF ao longo do período eleitoral, sobretudo em razão do caso do Banco Master.

Críticas ao CNJ e ao CNMP

Lula fez críticas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), dois órgãos criados em 2004 durante seu próprio governo.

Na época, a proposta de criação partiu dele mesmo, com o objetivo de evitar corporativismos nos tribunais que julgavam os próprios magistrados.

Os conselhos foram estruturados com conselheiros de mandato e origem determinados, alguns oriundos da Justiça, outros do Ministério Público e outros da sociedade civil, indicados pelo Congresso Nacional.

Agora, Lula afirma que os dois órgãos não cumpriram as expectativas e precisam ser reformados.

Propostas para o STF ainda sem definição

No que diz respeito ao STF, muito se debateu sobre a criação de mandatos para os ministros e sobre mudanças no sistema de indicação. Atualmente, cabe ao presidente da República escolher sozinho o nome a ser indicado, que depois passa pelo crivo do Senado Federal.

Lula sinalizou em diversas ocasiões que poderia mudar esse modelo, mas nunca detalhou como seria feita a alteração, se pelo Congresso Nacional, por um colegiado ou por outro mecanismo.

Quanto aos mandatos, também não há nada definido: fala-se em 10, 12 ou 15 anos, ou ainda na imposição de uma idade mínima de ingresso que, combinada à aposentadoria compulsória aos 75 anos, criaria automaticamente um limite de permanência na Corte.

Divisão nos bastidores

A questão dos mandatos tem gerado questionamentos nos bastidores da base aliada.

Um dos pontos levantados é que, caso seja estabelecido um mandato de 12 anos aplicável apenas aos novos ministros, os dois indicados do ex-presidente Jair Bolsonaro (Kassio Nunes Marques e André Mendonça) permaneceriam no cargo por mais tempo do que os futuros indicados de Lula.

“A gente cria um mandato, mas o mandato não atinge quem já está lá e as pessoas que a gente indicar vão acabar saindo antes mesmo dos dois indicados do nosso adversário”, ilustrou Teixeira ao resumir o raciocínio que circula entre os aliados do presidente.

Apesar das divergências, há vontade declarada de promover mudanças tanto no sistema de indicação quanto nos mandatos.

Os aliados de Lula, no entanto, têm calculado com cautela qual formato seria mais adequado, levando em conta tanto a saúde institucional do Judiciário quanto os próprios interesses políticos, especialmente diante do crescente peso do STF no jogo político brasileiro.

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Análise: Democratas acusam Trump de “política seletiva” após receber Flávio

A chegada de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos gerou forte repercussão no cenário político americano, tornando-se um instrumento de crítica dos democratas contra o presidente Donald Trump.

Congressistas apontaram uma contradição na postura da administração Trump: ao mesmo tempo em que nega asilo a refugiados de países em conflito, estenderia um “tapete vermelho” ao ex-candidato à presidência do Brasil.

Segundo a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, no CNN 360°, que acompanhou o desdobramento do caso de Nova York, mais de duas dezenas de páginas oficiais de autoridades no Congresso e no Senado dos Estados Unidos publicaram comentários sobre a decisão da administração Trump de acolher Flávio Bolsonaro.

A analista destacou que existe uma clara coordenação de comunicação entre os democratas, que utilizam o episódio para atacar o que chamam de política imigratória seletiva.

“Eles usam esse episódio para atacar a política imigratória de Trump e dizer que ela é uma política imigratória seletiva”, afirmou Fernanda Magnotta. Os democratas citaram exemplos como Sudão e Haiti, cujos cidadãos teriam solicitado apoio humanitário e refúgio nos Estados Unidos sem terem seus pedidos reconhecidos, mesmo em casos de comprovada violência e perseguição.

Timing favorável à narrativa democrata

O episódio ocorre em um momento particularmente delicado para Trump, a apenas uma semana das eleições de meio de mandato. Magnotta observou que, embora o dia pudesse ter sido menos problemático para o governo americano — dado que dados sobre o crescimento do PIB americano no trimestre vieram acima das projeções —, a boa notícia econômica acabou sendo ofuscada pela crise gerada pela acolhida ao brasileiro.

A analista ressaltou que a questão da imigração aparece nas pesquisas como o segundo elemento de maior sensibilidade para o eleitorado americano, e que o caso Flávio Bolsonaro abriu um novo capítulo nesse debate.

“O Brasil veio parar no coração da disputa eleitoral aqui, ainda que por razões instrumentais no momento-chave”, destacou Magnotta.

Reação republicana

Do lado republicano, a resposta foi de distanciamento do tema. Segundo Magnotta, as principais lideranças do partido tentaram desviar do assunto, sugerindo que ele ficasse em segundo plano.

Enquanto isso, os democratas não pararam de explorar a narrativa, questionando como um governo tão restritivo com imigrantes poderia oferecer acolhimento a um aliado que perdeu uma eleição e contesta seus resultados.

“Muita gente dizendo que o timing favoreceu a narrativa de acusação dos democratas”, concluiu a analista.

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PF cobra superintendência do Paraná sobre fuga de Flávio na fronteira

A Polícia Federal abriu uma investigação para mapear a rota utilizada por Flávio Bolsonaro (PL) ao deixar o Brasil de forma irregular, descumprindo ordens judiciais que o impediam de sair do país e determinavam a entrega de seus passaportes.

De acordo com o analista de segurança pública Elijonas Maia, a fuga gerou cobranças internas por parte dos delegados de Brasília à superintendência da Polícia Federal no Paraná.

“Uma das frases foi a seguinte: ‘como vocês não impediram?'”, afirmou Elijonas durante o Live CNN desta quinta-feira (29).

A resposta, por sua vez, apontou para as limitações legais da atuação policial. Um delegado que trabalha na fronteira do Paraná afirmou a Elijonas que “é impossível impedir alguém que queira sair do país, só dá para impedir se você estiver ‘marcando em cima'”.

“Marcando em cima é o monitoramento por parte da inteligência ou da Polícia Federal“, explicou o analista.

Em nota oficial publicada na quarta-feira (28), a própria PF reconheceu que não pode monitorar um investigado sem uma decisão judicial que o autorize.

Fontes do Ministério da Justiça também destacaram que não havia ordem de prisão contra Flávio Bolsonaro e que brasileiros podem ingressar na Argentina apenas com o RG, sem necessidade de passaporte.

Além disso, mesmo que existisse uma ordem de prisão, a Argentina não aceita pedidos de deportação imediata. “Mas finalizam com um ponderamento, se a PF encontrasse Flávio durante o processo de fuga, ela poderia sim ter impedido”, destacou Elijonas.

A apuração indica, no entanto, que houve uma tentativa preliminar de impedir a saída de Flávio Bolsonaro, mas as autoridades não souberam localizá-lo a tempo.

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Diplomacia vê fracasso em tentativa de governo paralelo

A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se autoproclamar uma espécie de “líder paralelo” do Brasil é vista pela diplomacia brasileira como um movimento sem viabilidade jurídica ou política.

A avaliação foi apresentada pela analista de política Isabel Mega durante o Live CNN desta quinta-feira (29), após consultar diversas fontes do Palácio do Itamaraty antes e depois da veiculação das cartas assinadas por Flávio Bolsonaro.

Mega afimou que o Itamaraty, antes mesmo da publicação das cartas, já estava monitorando de perto o que estava acontecendo e já vislumbrava qual seria o caminho adotado pelo grupo bolsonarista.

Ela descreveu qual seria a postura que as fontes no Itamaraty dizem que seria dotada pela diplomacia, caso Flávio seguisse a narrativa de “governo paralelo”:

“A gente tem, por exemplo, uma justificativa para evocar a lei da reciprocidade contra os Estados Unidos, caso a gestão Donald Trump abrace muito esse discurso do bolsonarismo”, relatou.

Contexto americano e uso político do caso brasileiro

Mega apontou que a situação do bolsonarismo nos Estados Unidos tem ganhado espaço justamente por conta do contexto doméstico de Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato.

Segundo a analista, o time de Trump e Marco Rubio quer usar as eleições brasileiras para gerar uma agitação de contestação de resultado das urnas lá nos Estados Unidos também.

“Se Trump perde nessas eleições de meio de mandato, o caso brasileiro, em que ele afirma parecer que tem fraude, sem que haja qualquer prova apresentada, seja por Flávio, seja por Donald Trump, será usado no discurso”, explicou Mega.

Fontes diplomáticas também alertaram para o risco de Flávio Bolsonaro se tornar, para Donald Trump, o que Carla Zambelli representou para Jair Bolsonaro em 2022.

Na véspera do segundo turno de 2022, a ex-deputada perseguiu armada uma pessoa em São Paulo, e isso pesou negativamente junto ao eleitorado. Esse episódio, segundo a analista, é apontado por parte dos bolsonaristas como um dos fatores da derrota eleitoral daquele ano.

Comparação com Juan Guaidó

A analista destacou que a mudança significativa entre a primeira e as demais versões da carta já deu um indicativo à diplomacia brasileira de que a tentativa de instalar um governo paralelo, nos moldes do que foi feito por Juan Guaidó na Venezuela, não obteve o resultado esperado.

Na primeira das três versões da carta de teor golpista, Flávio se autointitulava “presidente eleito do Brasil”; nas versões seguintes, passou a se colocar como “verdadeiro líder do Brasil”.

Mega lembrou que Guaidó chegou a ser recebido por Bolsonaro no Palácio do Planalto e era tratado quase como um presidente pelo governo brasileiro à época. “A inspiração de Flávio Bolsonaro bebe dessa fonte”, destacou.

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Especialista vê risco de “fragmentação” da oposição após fuga de Flávio

O governo brasileiro busca dimensionar a participação dos governos da Argentina e dos Estados Unidos na saída de Flávio Bolsonaro (PL) do país, ocorrida poucos dias após sua derrota no 2º turno das eleições presidenciais. O episódio gerou repercussões tanto no cenário político interno quanto nas relações internacionais do Brasil.

Em entrevista ao CNN Novo Dia desta quinta-feira (29), o cientista político Maurício Santoro avaliou que a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil representa uma transformação profunda e acelerada no campo oposicionista.

“Nos últimos 10 anos, a família Bolsonaro foi, sem sombra de dúvida, a liderança no campo conservador brasileiro e a oposição ao governo Lula nesse terceiro mandato”, disse Santoro.

No entanto, ele ressaltou que a família se encontra hoje muito dividida geograficamente e em termos de condições políticas, com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e dois dos filhos nos Estados Unidos, além de Carlos e Michelle Bolsonaro no Senado.

“Não está claro ainda como essa coordenação vai acontecer entre os diversos integrantes da família, ou mesmo se haverá algum tipo de coordenação ou entendimento. O que pode acontecer simplesmente é uma grande fragmentação desse discurso”, afirmou Santoro.

Santoro também criticou duramente a carta publicada por Flávio Bolsonaro. Ele descreveu o conteúdo como “absolutamente desastroso”, que está afastando aliados e criando um vazio político que, na avaliação dele, será preenchido pelo governador Tarcísio de Freitas.

“É alguém que está no Brasil, ocupando um cargo importante, à frente do estado mais populoso e mais rico, e que tem se posicionado de maneira bastante moderada, respeitando a constituição e as regras democráticas”, declarou.

Participação da Argentina no plano

Santoro destacou também que a situação tem impactos negativos, não apenas para a imagem de Flávio Bolsonaro, mas também para a de Javier Milei, presidente da Argentina.

“A gente ainda não tem informações muito precisas sobre qual foi a participação do governo argentino nessa fuga, ou mesmo se houve algum envolvimento direto das autoridades argentinas, mas ter esse tipo de ingerência na política doméstica brasileira é algo muito grave”, afirmou Santoro.

Santoro destacou a relevância estratégica da Argentina para o Brasil ao analisar as possíveis consequências diplomáticas do episódio.

“A Argentina é o nosso terceiro maior parceiro comercial, só fica atrás da China e dos Estados Unidos, e é o maior destino das exportações industriais brasileiras, além de um parceiro importante no Mercosul”, explicou o especialista.

Segundo ele, o caso já gerou controvérsia dentro da política argentina, com a oposição no Congresso questionando o governo de Javier Milei e pedindo detalhes sobre o que aconteceu.

Tensões com os Estados Unidos

A presença de dois irmãos Bolsonaro em território americano também foi apontada por Santoro como mais um fator de tensão na agenda bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo o especialista, a relação entre os dois países já apresenta diversos pontos de atrito, incluindo questões comerciais, sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal, a questão das terras raras, a regulação das grandes empresas de tecnologia e a relação com a China.

Santoro acrescentou ainda que, com as eleições legislativas nos Estados Unidos se aproximando, as pesquisas indicam uma derrota do Partido Republicano.

“Se essa tendência de fato se confirmar, significa também que a vida política de Donald Trump vai ser mais atribulada nessa segunda metade de mandato”, afirmou.

Esse cenário, segundo o analista, criaria obstáculos adicionais para ações de política exterior, incluindo a imposição de novas tarifas ao Brasil, cujas exportações de carnes e café teriam impacto inflacionário nos Estados Unidos.

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Estudo da Microsoft substitui médicos humanos por IA; veja no Prompt CNN

Um estudo da Microsoft publicado na revista científica Science revelou que uma ferramenta de inteligência artificial foi mais de duas vezes mais precisa do que clínicos gerais na resolução de casos médicos complexos. A pesquisa analisou 300 problemas médicos desafiadores e comparou o desempenho da IA com o de médicos humanos.

Os resultados surpreenderam pelo alto nível de acerto da máquina.

Como funciona o “conselho” de inteligências artificiais

O sistema desenvolvido pela Microsoft opera de forma fragmentada, simulando o processo de uma junta médica.

Conforme explicou o especialista em IA e colunista da CNN Brasil Álvaro Machado Dias, durante o Prompt CNN, o mecanismo funciona de maneira semelhante ao que se vê em produções como a série Dr. House: “Tem a parte que faz as perguntas, faz essa investigação. Depois uma que pede os exames. Outra que analisa os exames e, finalmente, diferentes IAs com personalidades distintas, debatendo esses dados.”

Ou seja, diferentes módulos de IA assumem etapas distintas do processo diagnóstico, desde a investigação inicial dos sintomas até a discussão coletiva dos resultados.

Velocidade e custo como diferenciais

Além da maior precisão diagnóstica, a ferramenta também se mostrou mais rápida e mais barata do que o processo convencional.

Machado destacou que “muitas vezes uma doença exige muita velocidade e o tempo joga contra o paciente”, tornando a agilidade um fator crítico no desfecho clínico.

Em termos financeiros, enquanto os médicos que acertaram cerca de 36% dos casos gastaram aproximadamente US$ 4,7 mil em pedidos de exames, as IAs chegaram a resultados superiores com um custo de cerca de US$ 2,2 mil — menos da metade.

Segundo Álvaro Machado, isso ocorre porque “a máquina foi treinada para pedir exames mais criteriosos”, ao contrário dos médicos, que muitas vezes solicitam exames por precaução para evitar acusações de negligência.

Potencial para a saúde pública brasileira

O debate, que aconteceu durante o Prime Time, da CNN Brasil, também abordou as implicações da tecnologia para países como o Brasil, onde o acesso a especialistas é desigual, especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros urbanos.

Para o especialista, a ferramenta não deveria ser vista como uma substituta do médico, mas como uma camada intermediária de apoio: “É gente roteando com o uso de inteligência artificial de maneira mais eficiente esses pacientes.”

Na prática, a IA atuaria de forma invisível ao paciente, auxiliando na triagem, na recomendação de exames e na determinação da urgência dos casos, especialmente em áreas com déficit de especialistas, como neurologia clínica e oncologia.

Olhar médico vale mais que avaliação de IA, diz estudo

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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IA trabalha seis vezes mais que humanos; empregos estão em risco?

Um estudo interno divulgado pela Anthropic revelou que os agentes de inteligência artificial da empresa já trabalham seis horas para cada hora de um funcionário humano. O resultado direto desse avanço é queda no número de contratações.

Os agentes são ferramentas capazes de pensar e tomar decisões de forma autônoma, com pouquíssima interferência humana.

O especialista em IA e colunista da CNN Brasil Álvaro Machado Dias explicou que, nesse novo cenário, o papel do trabalhador humano se aproxima cada vez mais da gestão. “Ele faz o trabalho que era do chefe dele”, afirmou Machado.

Segundo ele, as principais funções humanas passam a ser escrever planos para que a IA execute tarefas, checar os resultados produzidos e avaliar se é possível avançar para a próxima etapa ou se são necessários ajustes no caminho.

Mudança no perfil das contratações

As empresas estão contratando menos, mas buscam profissionais com expertise técnica capaz de ser aplicada diretamente em fluxos de inteligência artificial.

“Há uma mudança no perfil das contratações e isso está mexendo com todos os departamentos”, destacou Machado.

Para ele, departamentos inteiros, como o de marketing, já não existem da mesma forma que há dois anos. Nesse contexto, profissionais iniciantes perdem espaço, pois as empresas passam a priorizar quem já chega com habilidades técnicas prontas para serem aplicadas.

Machado apontou ainda que a queda de 9% nas contratações observada no setor de tecnologia tende a se expandir para o mercado como um todo, especialmente nas economias mais avançadas.

“Mas uma hora, com certeza, chega aqui”, alertou, referindo-se ao Brasil. No país, 50% das empresas já utilizam inteligência artificial, e a perspectiva é de crescimento acelerado.

IA avança além do setor de tecnologia

Segundo o especialista, a adoção de agentes de IA em setores fora da tecnologia pode ser ainda mais fácil de implementar do que nas próprias empresas desenvolvedoras. Isso porque, quanto mais tarefas repetitivas um setor possui, maior é o potencial de automação.

Ele citou exemplos práticos: em bancos, agentes podem realizar análises de crédito verificando documentos automaticamente; em escritórios de contabilidade, podem preencher declarações de imposto de renda; e em lojas, podem atender clientes via WhatsApp e checar o inventário simultaneamente.

O ser humano como gargalo

Um dos pontos mais relevantes do debate, que aconteceu durante o Prime Time, da CNN Brasil, foi a confiança nas máquinas.

Se antes a desconfiança vinha dos erros frequentes da IA, agora o risco surge do excesso de confiança. “A desconfiança emerge porque as pessoas estão simplesmente mandando trabalho para o mundo sem checar”, afirmou Machado.

Ele destacou que a frase que circula no Vale do Silício atualmente é que “o ser humano se tornou o novo gargalo”, já que a IA gera análises, relatórios e insights em volume e velocidade que superam a capacidade humana de revisão.

Quanto ao perfil ideal do profissional nesse novo ambiente, o especialista descreveu alguém com muita velocidade e capacidade de execução, mas que não seja excessivamente detalhista. “A tendência atual é as coisas saírem com menos checagem e maior volume”, disse.

Para ele, isso implica mais incerteza e mais risco, mas, no agregado, a produtividade é multiplicada de forma significativa.

49% dos brasileiros acham que IA melhora desempenho no trabalho

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Maioria de 61 cadeiras gera governo fraco em Israel, diz especialista

A formação de um governo com apenas 61 cadeiras no Knesset, o Parlamento de Israel, é viável, mas resulta em uma administração extremamente frágil e suscetível a colapsos. A avaliação é de Samuel Feldberg, diretor acadêmico da StandWithUs Brasil, em entrevista à CNN.

Segundo Feldberg, a margem mínima de 61 cadeiras torna o governo vulnerável a qualquer dissidência interna. “Qualquer um que acorda com dor de barriga e decide não apoiar o governo, o governo cai”, afirmou.

Ele citou como exemplo o governo anterior, derrubado por uma discussão sobre a permissão de determinados alimentos nos hospitais durante a Páscoa Judaica. “Não foi nenhuma questão nuclear do Irã ou relação com os Estados Unidos ou entrega da Cisjordânia para os palestinos — uma questão alimentar, trivial, diária derrubou o governo”, destacou.

Fragilidade estrutural do sistema parlamentar israelense

Para Feldberg, um governo verdadeiramente estável em Israel precisaria de ao menos 65 ou 66 cadeiras. Ele também ressaltou que o presidente israelense não dispõe de instrumentos de coerção para influenciar o processo de formação de coalizão.

“O presidente tem que decidir para quem ele dá o mandato para formar a coalizão, mas ele não consegue trazer as partes para uma negociação e obrigá-los a formar um governo de coalizão”, explicou.

O especialista também mencionou a possibilidade de manobras legislativas após a posse dos novos membros do parlamento.

Segundo ele, a oposição, que inclui partidos árabes, poderia assumir o controle da presidência do parlamento — responsável por definir as pautas — e eventualmente legislar para impedir que candidatos sob investigação ou julgamento participem de processos eleitorais. “Isso eliminaria Netanyahu do processo eleitoral se houvesse novas eleições”, afirmou Feldberg.

O papel de Lieberman no cenário político israelense

Feldberg também traçou um perfil do ex-ministro da Defesa de Israel e líder do partido Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, descrito como uma “raposa política” com longa trajetória no parlamento e no governo israelense.

De acordo com o especialista, Lieberman surgiu como representante dos imigrantes que chegaram da União Soviética após seu desmembramento, no início da década de 1990, consolidando-se posteriormente como uma figura da direita israelense — sem, contudo, ser associado à extrema direita.

“Ele não tem nada a ver com Ben-Gvir ou com Smotrich, mas tem posições muito firmes na direita israelense”, disse.

A plataforma eleitoral de Lieberman, segundo Feldberg, sempre foi historicamente radical contra a população árabe em Israel. Sua proposta mais controversa prevê a troca de territórios com os palestinos, mantendo os assentamentos na Cisjordânia, mas entregando a um eventual Estado palestino áreas israelenses habitadas predominantemente por árabes.

“Diminui a população árabe em Israel, entregando território onde vive predominantemente a população árabe”, explicou. A proposta nunca foi aprovada nem cogitada seriamente. Vale lembrar que a população árabe israelense representa cerca de 20% do total — o equivalente, em termos proporcionais, a mais de 40 milhões de eleitores no Brasil.

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Especialista: Oposição deve aceitar bloco árabe para evitar nova votação

A oposição israelense deve ter coragem de aceitar o apoio do bloco árabe para formar um governo e evitar uma nova rodada de eleições em Israel. Essa é a avaliação de Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, em entrevista ao WW.

Segundo Zahreddine, uma nova eleição seria prejudicial à coalizão que tenta derrubar o Likud. Um dos fatores apontados pelo especialista é o esforço que a oposição fez para mobilizar eleitores israelenses que vivem fora do país.

“Para votar nas eleições de Israel, tem que voltar para Israel”, explicou, destacando que, diferentemente de outros países, os israelenses no exterior precisam retornar fisicamente ao território nacional para exercer o voto, com exceção das autoridades diplomáticas.

Riscos de uma nova rodada eleitoral

Além da possível queda no número de votos, Zahreddine alertou para outro risco: a necessidade de um governo de transição, o que significaria a continuidade de Netanyahu no poder.

Nesse cenário, o especialista avaliou que novas ações militares — contra o Irã, os Houthis ou na Cisjordânia — poderiam ocorrer com base no apelo à segurança nacional.

“O próprio Eisenkot colocou que Netanyahu não deveria brincar com a questão da segurança nesse momento ou usar a segurança como um instrumento político”, ressaltou.

Para Zahreddine, a decisão mais complexa do momento está nas mãos da oposição. “A bola está com a oposição”, afirmou, acrescentando que o Eisenkot e partidos como o Yashar e o Israel Minha Casa precisam demonstrar disposição política para aceitar os árabes como parte da coalizão.

Segundo o especialista, essa seria a única saída viável para derrubar Netanyahu sem recorrer a novas eleições, cujo resultado poderia ser ainda pior para a oposição.

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Carga tributária de 2027 ainda é desconhecida pós-reforma, diz tributarista

A carga tributária prevista para 2027 ainda é uma incógnita para empresas e contribuintes brasileiros. É o que afirma o advogado tributarista Luiz Gustavo Bichara, que em entrevista ao WW, destacou as incertezas em torno das alíquotas dos novos tributos e criticou a postura do TCU (Tribunal de Contas da União) diante do prazo para divulgação dos cálculos.

Segundo Bichara, o governo sempre indicou que a soma da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) ficaria em torno de 27% a 28%.

O Congresso chegou a editar uma norma estabelecendo um teto de 26,5%. No entanto, até o momento, os números definitivos ainda não haviam sido apresentados. O especialista estima que a alíquota possa chegar a entre 30% e 34%.

TCU divulga cálculo no último dia e gera críticas

O TCU divulgou os cálculos apenas no último dia do prazo estabelecido. Para Bichara, essa conduta representa um descaso com o contribuinte. “Isso é falta de respeito com o contribuinte”, afirmou.

“As empresas precisam fazer seus orçamentos, precisam projetar suas finanças para o ano que vem, e até hoje ninguém sabe quanto vai pagar.” O especialista foi enfático ao dizer que nem ele mesmo, como tributarista, é capaz de responder qual será a carga tributária de 2027.

CBS pode ultrapassar os 11,3% estimados

Os dados divulgados pelo TCU indicaram que a alíquota da CBS, tributo que já entrará em vigor no próximo ano, foi estimada em 11,3% — valor superior à projeção anterior de 9,2%. Bichara, porém, alertou que mesmo esse número pode estar subestimado.

Isso porque o TCU baseou seus cálculos no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), que ainda contabiliza receitas provenientes de apostas esportivas (as chamadas “bets”), segmento que, segundo o especialista, não gera mais essa arrecadação. “Só de bets tem mais ou menos uns R$ 12 bilhões faltando”, disse Bichara. “Então vai ser mais de 11,3% só na CBS.”

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Destino de Flávio após fuga e carta pode ser a inelegibilidade, diz Arko

A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos e a publicação de uma carta podem ter consequências políticas graves para o senador. Para Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, o destino de Flávio pode ser a inelegibilidade, caminho semelhante ao trilhado por Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

Em entrevista ao WW, Noronha avaliou que Flávio também corre o risco de perder a liderança da oposição. “Não é porque ele se intitula líder que ele vai efetivamente liderar a oposição dos Estados Unidos”, afirmou o analista, destacando que lideranças importantes no Brasil já se manifestaram reconhecendo o resultado declarado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Tarcísio de Freitas surge como alternativa à direita

Noronha apontou Tarcísio de Freitas (Republicanos) como o nome que tende a ocupar o espaço deixado pelos Bolsonaro na liderança da direita. “Na minha avaliação, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surge como a grande opção do campo da direita para as próximas eleições”, declarou.

Para o analista, a depender da gestão que Tarcísio realizar e dos acordos políticos que construir, ele pode se tornar a verdadeira liderança do campo conservador.

Opções dentro do clã familiar se estreitam

O analista também avaliou que a situação de Flávio reduz as opções de Jair Bolsonaro dentro do próprio clã familiar. Segundo Noronha, aliados próximos de Jair não consideram Carlos Bolsonaro (PL), senador eleito por Santa Catarina, uma alternativa viável à presidência da República.

“Resta Michelle Bolsonaro, que foi eleita senadora e que chegou a ser cogitada também para concorrer à presidência da República”, disse. Para Noronha, o movimento de Flávio de deixar o país, somado aos inquéritos e investigações em curso, deve resultar em sua inelegibilidade, assim como já ocorreu com seu pai e irmão Eduardo.

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Análise: posição de Flávio reflete estratégia do governo Trump

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, divulgou, nesta quarta-feira (28), uma carta com teor golpista questionando a legitimidade da vitória de Lula nas eleições brasileiras.

O analista de Internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, explicou durante o CNN Prime Time, que o conteúdo da carta se encaixa diretamente na estratégia política adotada pelo presidente norte americano, Donald Trump, no contexto das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

Fraude eleitoral como narrativa estratégica

O interesse imediato de Trump na versão de fraude na eleição brasileira, segundo Lourival Sant’Anna, é associar a ideia de irregularidade à vitória da esquerda.

“De imediato, o interesse de Donald Trump nessa versão de fraude na eleição do Brasil é para associar a fraude à vitória da esquerda, porque na terça-feira, provavelmente, os republicanos serão derrotados pelos democratas na eleição de meio de mandato”, afirmou o analista.

Essa derrota, ainda de acordo com Sant’Anna, deve ocorrer tanto na Câmara quanto, possivelmente, no Senado.

Trump teria preparado essa narrativa há bastante tempo, utilizando o Brasil como exemplo para reforçar a tese de que a esquerda venceria eleições por meio de fraudes — argumento que ele também aplica à sua própria derrota em 2020, que até hoje não reconhece. “Ele utiliza o Brasil para reforçar essa tese de que a esquerda vence eleições por meio da fraude”, explicou Sant’Anna.

Interesses de médio prazo em relação ao Brasil

No médio prazo, Lourival Sant’Anna aponta que a prioridade de Trump em relação ao Brasil seria reduzir a influência chinesa no país.

A eleição de Flávio Bolsonaro seria a forma mais direta de alcançar esse objetivo, mas como isso não se materializou, Trump tentaria atuar junto a Lula para obter resultados semelhantes. O analista citou como exemplo uma reunião realizada pouco antes de uma visita a Pequim, na qual Trump teria demonstrado capacidade de interlocução com o maior país da América Latina.

Caso as pressões dos democratas sobre Trump se intensifiquem — por meio de investigações, intimações e denúncias de corrupção e abuso de poder a partir das maiorias nas comissões da Câmara —, o analista avalia que Trump pode recorrer à carta da ameaça nacional proveniente do Brasil.

Isso incluiria caracterizar o país como uma não-democracia, mencionando organizações que ele classifica como narcoterroristas e a projeção chinesa sobre a América do Sul. “Toda essa percepção pode ser útil para o Trump no médio prazo”, disse Sant’Anna. Por ora, porém, Trump prefere manter uma boa relação com Lula, limitando-se a acolher Flávio e a tese de fraude eleitoral.

Enfraquecimento de Trump pode beneficiar estratégia de Flávio

Questionado sobre se um eventual enfraquecimento de Trump nas eleições de meio de mandato afetaria a estratégia de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, Lourival Sant’Anna respondeu de forma surpreendente: segundo ele, esse cenário, na verdade, reforçaria a estratégia. “Isso reforça a estratégia de Flávio Bolsonaro, porque torna o Trump mais agressivo na estratégia de concentrar o poder presidencial para se defender desses freios e contrapesos que virão do Congresso”, explicou o analista. Nesse contexto, Trump estaria ainda mais inclinado a utilizar o Brasil como alvo, caracterizando-o como uma ameaça à segurança nacional que justificaria a concentração de poder em suas mãos.

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PT vê risco de “efeito Guaidó” com Flávio Bolsonaro nos EUA

O Partido dos Trabalhadores está receoso quanto ao tratamento político que Flávio Bolsonaro (PL) receberá nos Estados Unidos após sua chegada ao país. A avaliação interna do partido é de que a presença do senador em solo americano pode ampliar a pressão internacional sobre o Brasil.

“Eles avaliam que estão muito receosos de qual será o tratamento político dado ao Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos”, afirmou o analista de Política Pedro Venceslau, durante o CNN 360º desta quarta-feira (28).

Um dos cenários monitorados pelo PT envolve uma possível equiparação ao tratamento dado ao opositor venezuelano Juan Guaidó.

Guaidó deixou a Venezuela após um processo eleitoral conturbado em 2018, foi para os Estados Unidos e chegou a ser reconhecido como presidente legítimo do país, contextando a vitória de Nicolás Maduro e obtendo também o reconhecimento de diversas outras nações.

“Claro que essa não é a situação de Flávio Bolsonaro, mas os EUA podem dar um tratamento a ele de uma liderança política internacional e, a partir disso, impor sanções ao Brasil. Eles podem exigir contrapartidas com essa justificativa e até mesmo voltar a aplicar a Lei Magnitsky”, destacou Venceslau.

De acordo com Venceslau, ainda não está claro qual seria o plano de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. A principal possibilidade é a de que ele tente atuar como uma espécie de liderança à distância, mantendo influência no cenário político brasileiro.

Venceslau também destacou que o fato de Donald Trump, até o momento, não ter reconhecido o processo eleitoral brasileiro e tê-lo criticado, pode ser um sinal de abertura para que Flávio Bolsonaro construa uma narrativa de perseguição política.

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