15 formas de poupar nos seguros sem perder proteção

Poupar nos seguros nem sempre significa contratar a apólice mais barata, mas encontrar a proteção adequada ao melhor preço. Automóvel, habitação, saúde, vida e acidentes pessoais são áreas em que a revisão dos contratos pode permitir economias, desde que não deixe o segurado exposto a despesas que não consegue suportar.
O ECOseguros reúne 15 medidas para reduzir os custos dos seguros sem sacrificar as coberturas essenciais.
1. Compare preços com coberturas equivalentes
Pedir propostas a várias seguradoras é uma das formas mais diretas de procurar poupanças. Mas comparar apenas o prémio pode induzir em erro: duas apólices podem ter preços diferentes porque oferecem capitais, franquias, coberturas ou serviços distintos.
No automóvel, uma apólice de responsabilidade civil não equivale a outra com danos próprios, furto ou roubo e fenómenos da natureza. Na habitação, a proteção contra danos por água, fenómenos sísmicos e responsabilidade civil também pode alterar o preço.
Compare as condições contratuais, as exclusões, os limites de indemnização e os serviços incluídos. O objetivo é encontrar a proposta mais competitiva para uma proteção equivalente.
2. Acerte no capital seguro da habitação
No seguro multirriscos, o capital relativo ao edifício deve refletir o custo de reconstrução, não o valor de mercado do imóvel, que inclui o terreno e outros fatores comerciais.
Um capital excessivo pode aumentar o prémio sem proporcionar uma indemnização superior ao prejuízo. Um capital insuficiente, pelo contrário, pode levar à aplicação da regra proporcional. Esta indica que se reconstruir uma casa custar 200 mil euros, mas estiver segura por apenas 160 mil euros, o capital corresponde a 80% do necessário. Se a regra proporcional for aplicável, um prejuízo de 20 mil euros poderá resultar numa indemnização de 16 mil euros, ficando os restantes 4 mil euros a cargo do proprietário.
Para estimar o valor de reconstrução, pode recorrer ao simulador da Associação Portuguesa de Seguradores. O recheio deve ser avaliado separadamente e neste caso conta o valor de substituição dos bens segurados. Reveja também as atualizações anuais dos capitais. Estas serão automáticas por valores próximos da inflação e menos que o segurado confirme expressamente que não pretende essa atualização.
3. Ajuste as franquias à sua capacidade financeira
A franquia é a parcela do prejuízo que fica a cargo do segurado nas condições previstas no contrato. Em muitas apólices, aceitar uma franquia mais elevada permite reduzir o prémio.
Esta opção pode fazer sentido para quem tem uma reserva financeira e pretende utilizar o seguro sobretudo para prejuízos de maior dimensão. Mas é necessário comparar a poupança anual com o aumento da despesa que poderá ter de suportar num sinistro.
Uma redução de 80 euros no prémio anual pode não compensar uma franquia que aumente em 500 euros o custo de um acidente. A decisão deve considerar a frequência dos sinistros, a dimensão da franquia e a capacidade financeira do segurado.
4. Pague o prémio anual de uma só vez, quando compensa
O fracionamento mensal, trimestral ou semestral facilita a gestão do orçamento, mas pode implicar encargos adicionais. Quando existe essa diferença, o pagamento anual permite reduzir o custo total.
Peça à seguradora o preço das várias modalidades e compare o montante final, incluindo eventuais encargos de fracionamento. O pagamento integral só compensa se não obrigar a recorrer a crédito ou a comprometer despesas essenciais.
5. Cuidado com os seguros associados ao crédito à habitação
Os seguros de vida e multirriscos associados ao crédito à habitação podem representar uma despesa significativa. Vale a pena pedir propostas alternativas, sobretudo quando os prémios aumentam ou existem soluções mais competitivas no mercado.
No seguro de vida, confirme os capitais, as coberturas, as exclusões e as condições de aceitação. No multirriscos, verifique os riscos cobertos e os limites de indemnização.
Antes de mudar, confirme junto do banco se a transferência altera o spread ou outras condições do empréstimo. A poupança deve ser calculada pelo efeito global no orçamento, e não apenas pela redução do prémio.
6. Elimine duplicações de coberturas
Acidentes pessoais, assistência em viagem, proteção de compras e outras garantias podem estar incluídos em cartões de crédito, contas bancárias, seguros autónomos ou serviços associados a ginásios.
Rever estes contratos permite identificar situações em que se está a pagar mais do que o necessário. No entanto, duas coberturas para o mesmo risco nem sempre são inúteis: nos seguros que reembolsam despesas, a indemnização não pode, em regra, ultrapassar o prejuízo indemnizável; em seguros de capital, pode haver lugar ao pagamento de prestações de mais de um contrato.
Antes de cancelar, confirme o tipo de prestação, os limites e as condições de acumulação. Elimine apenas as duplicações que não acrescentam proteção relevante.
7. Aproveite os descontos por contratar vários seguros
Algumas seguradoras ou agentes oferecem descontos a clientes que concentram vários contratos na mesma companhia, como automóvel, habitação, saúde e vida.
Estes pacotes podem reduzir o custo global, mas devem ser comparados com propostas de outras empresas. Um desconto de 15% pode não compensar se os preços de base forem superiores ou as coberturas menos adequadas.
Verifique também se o benefício se mantém nas renovações ou se está limitado à primeira anuidade. A comparação deve considerar o custo total ao longo do tempo.
8. Reveja as coberturas de danos próprios no automóvel
Nem todos os veículos precisam da mesma proteção. Para um automóvel de valor reduzido, pode fazer sentido avaliar se o custo anual das coberturas de danos próprios compensa a indemnização potencial, considerando a franquia e as condições do contrato.
Num veículo recente ou de valor elevado, eliminar essas garantias pode representar um risco financeiro significativo.
A expressão “contra todos os riscos” também não significa que qualquer dano esteja coberto. São as condições da apólice que determinam as garantias, as exclusões e os limites de indemnização. Tenha atenção à cobertura “fenómenos da natureza” para se proteger de acidentes típicos de mau tempo como quedas de árvores sobre veículos estacionados.
9. Escolha o seguro de saúde pelas necessidades reais
Um prémio mais baixo pode esconder copagamentos superiores, capitais reduzidos, uma rede médica mais limitada ou períodos de carência mais longos.
Compare os limites anuais, as condições de acesso a consultas, exames, internamentos e tratamentos, bem como a rede de prestadores. Considere a utilização provável do seguro por cada membro do agregado familiar.
Antes de mudar, confirme as exclusões, as condições relativas a doenças preexistentes e a data em que a nova proteção começa. Não cancele a apólice atual sem ter a nova cobertura aprovada e ativa.
10. Ajuste o capital do seguro de vida ao objetivo da proteção
O capital de um seguro de vida deve corresponder às responsabilidades que se pretende proteger. Num contrato associado ao crédito à habitação, importa acompanhar a evolução da dívida. Noutros casos, devem ser consideradas as despesas familiares, os rendimentos que seria necessário substituir e as responsabilidades perante dependentes.
Um capital insuficiente pode deixar a família desprotegida. A mudança de seguradora exige cuidado adicional, porque a idade, o estado de saúde, as exclusões e as condições de aceitação podem alterar o preço e a proteção disponível. Não cancele um contrato antigo antes de confirmar que consegue obter uma alternativa adequada.
11. Peça uma revisão ao mediador antes da renovação
Um agente ou corretor ajuda bastante a analisar os contratos, identificar coberturas desnecessárias e procurar condições mais competitivas. A intervenção é especialmente útil quando existem vários seguros, património relevante ou alterações na situação familiar.
Peça uma revisão dos prémios, capitais, franquias, exclusões e beneficiários. O mediador deve identificar as necessidades do cliente, explicar as alternativas e prestar a assistência prevista nas suas obrigações profissionais. Comece antes da renovação, para ter tempo de analisar as propostas sem correr o risco de ficar sem proteção.
12. Aproveite as campanhas, mas calcule o custo a médio prazo
As seguradoras lançam campanhas comerciais para captar novos clientes, com descontos, mensalidades gratuitas ou vantagens na contratação de vários produtos.
Antes de aceitar, confirme a duração da promoção, as condições para manter o desconto e o preço previsto para as renovações seguintes. Uma oferta atrativa no primeiro ano pode deixar de ser competitiva quando termina o período promocional.
Compare sempre o custo total e as coberturas. Uma campanha só representa poupança efetiva se o contrato continuar a ser vantajoso depois de terminar o benefício inicial.
13. Evite declarar sinistros pequenos sem avaliar as consequências
No seguro automóvel, um sinistro da responsabilidade do segurado pode ter consequências no prémio futuro, dependendo do sistema de bónus-malus e das condições contratuais. Nos contratos com franquia, o segurado suporta ainda a parcela prevista na apólice.
Perante um dano de pequena dimensão, pode ser útil comparar o custo da reparação com a franquia e o possível impacto na renovação. Mas não se deve assumir que compensa sempre pagar diretamente ao terceiro: é necessário respeitar as obrigações de participação do acidente, os prazos e as regras do contrato.
Nunca oculte um sinistro quando existe obrigação de o comunicar. A decisão deve ser tomada com informação suficiente sobre as consequências financeiras e contratuais.
14. Previna os sinistros e mantenha a informação correta
A prevenção também pode reduzir custos. Medidas de segurança adequadas, manutenção da habitação e do veículo e cumprimento das recomendações de utilização ajudam a evitar prejuízos. Algumas seguradoras podem ainda oferecer condições diferenciadas em função das características do risco.
Na contratação, declare de forma verdadeira e completa as informações relevantes solicitadas. Omitir doenças preexistentes ou outras circunstâncias relevantes, ou simular um sinistro, pode comprometer o direito à indemnização e ter consequências legais.
Poupar através da prevenção é diferente de reduzir artificialmente o risco declarado: a primeira protege o património; a segunda pode deixar o segurado sem a indemnização de que precisa. E, é bom lembrar, a fraude aos seguros está prevista no código penal com pena até oito anos de prisão.
15. Reclame se a indemnização não estiver correta
Poupar também significa não deixar por reclamar uma indemnização que considere devida. Se discordar da decisão da seguradora, releia a apólice, confirme as coberturas e exclusões e apresente uma reclamação fundamentada à própria empresa, juntando os documentos relevantes.
Se a resposta não for satisfatória, pode recorrer ao provedor do cliente, procurar o CIMPAS, o mecanismo de resolução alternativa de litígios em seguros e apresentar uma reclamação à ASF, entidade reguladora e supervisora do setor dos seguros e dos fundos de pensões.
A ASF supervisiona o setor e pode analisar questões relacionadas com o cumprimento das regras, mas não substitui os tribunais na resolução de todos os litígios sobre indemnizações. Conhecer os seus direitos e os procedimentos disponíveis ajuda a evitar que uma cobertura contratada fique por utilizar.
O seguro mais barato pode sair caro
A poupança nos seguros deve resultar de uma melhor escolha, e não de uma proteção insuficiente. Comparar propostas equivalentes, acertar os capitais, rever franquias, eliminar duplicações e negociar antes da renovação são medidas que podem reduzir os custos sem comprometer as garantias essenciais.
O princípio é simples: não pagar por coberturas de que não se precisa, mas não eliminar aquelas que protegem contra prejuízos difíceis de suportar. O melhor seguro não é necessariamente o mais barato. É o que oferece a proteção necessária a um preço competitivo.



























