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Assessor de Trump teria ajudado a organizar viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA

Jornais dos Estados Unidos apontaram a participação de pessoas ligadas aos governos de Donald Trump e Javier Milei na articulação da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de familiares para os Estados Unidos.

O Wall Street Journal publicou na noite de quarta-feira (28) que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, ajudou a conseguir o avião particular utilizado no transporte da família. Segundo o jornal, Santiago Caputo, um dos principais assessores do presidente argentino, Javier Milei, também participou da operação.

De acordo com a publicação, após cruzar a fronteira do Brasil com a Argentina, o carro de Flávio foi escoltado pela Polícia de Segurança Aeroportuária argentina até o controle de imigração do Aeroporto Internacional das Cataratas do Iguaçu.

O jornal informou ainda que Caputo manteve contato direto com Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado. No aeroporto, um jato particular da empresa Baires Fly aguardava a família.

New York Times também aponta participação de assessor da Casa Branca

Nesta quinta-feira (29), o New York Times também publicou informações sobre o envolvimento de Jason Miller na viagem. Segundo o jornal, Eduardo Bolsonaro atuou como contato direto entre o assessor americano e os responsáveis pela articulação.

A publicação afirma que o plano começou a ser organizado na segunda-feira (26).

Miller voltou a integrar temporariamente a equipe da Casa Branca em setembro. Ele já havia trabalhado como um dos principais assessores de Trump durante o primeiro mandato e nas duas campanhas presidenciais do republicano.

Em 2021, Miller esteve no Brasil e se encontrou com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o então deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ao embarcar de volta aos Estados Unidos, foi detido para prestar depoimento por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito que investigava manifestações antidemocráticas.

Trump autorizou entrada de Flávio nos Estados Unidos

O presidente Donald Trump confirmou que autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. O senador e seus familiares receberam uma autorização temporária, geralmente utilizada em situações humanitárias. Esse tipo de permissão permite que a pessoa permaneça no país enquanto regulariza sua situação migratória.

O Departamento de Estado americano não confirmou qual será o tipo de visto concedido ao senador. Segundo informações divulgadas pela imprensa dos Estados Unidos, o governo pretende acelerar o processo para a concessão do status de residente permanente, conhecido como green card.

Esse é o mesmo tipo de autorização concedido a Eduardo Bolsonaro. Para a maioria dos imigrantes, o processo de obtenção da residência permanente pode levar anos.

Trump chama eleição brasileira de “grande vergonha” e afirma que Lula pediu neutralidade

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou nesta quinta-feira (29) como uma “grande vergonha” a eleição que reconduziu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência. O republicano afirmou que não apoiou nenhum dos candidatos porque, segundo ele, Lula pediu que mantivesse a neutralidade.

Ao comentar o resultado, Trump evitou responder diretamente quem venceu a disputa e disse que acompanhou o processo sem tomar partido. O presidente americano também citou a reação do mercado financeiro brasileiro após a votação para justificar sua avaliação negativa sobre a eleição.

© Jacquelyn Martin/Estadão Conteúdo

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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Malafaia chama filhos de Bolsonaro de “jumentos” e “amadores babacas”

Em uma conversa reservada com aliados, o pastor Silas Malafaia chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “jumentos”. A mensagem, revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo UOL, foi enviada pelo líder evangélico após a divulgação de uma carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual ele se colocou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e acusou o sistema eleitoral de fraude sem apresentar provas. “Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu o pastor.

Na mesma mensagem, Malafaia afirmou que Donald Trump já retirou o apoio à família Bolsonaro. “Trump já tirou o apoio. ‘Deixei ele vir para América, mas não me meto nessa questão’. Um bando de amadores babacas”, declarou o pastor, reproduzindo uma suposta fala do presidente dos Estados Unidos. A referência é à chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos na última terça-feira (27/10), após deixar o Brasil.

A carta de Flávio foi divulgada horas após ele chegar a Miami, na Flórida. Minutos depois da primeira versão, o senador publicou uma versão editada do texto em seu próprio perfil nas redes sociais, na qual se denominou “líder do Brasil”. As acusações de fraude na eleição presidencial foram mantidas. O candidato derrotado citou a decisão do STF que prorrogou o prazo de votação por duas horas e afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não apresentou respostas críveis.

Não é a primeira vez que Malafaia critica publicamente os filhos de Bolsonaro. Em agosto de 2025, um dia após o anúncio do aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o pastor chamou o deputado Eduardo Bolsonaro de “babaca” em uma mensagem de áudio enviada ao ex-presidente. Na ocasião, ele afirmou que poderia gravar um vídeo para criticar o deputado, mas que ainda não havia feito isso por consideração a Jair Bolsonaro.

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Jato usado em fuga é de empresa citada em caso de corrupção do governo Milei

O avião de luxo usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para viajar aos Estados Unidos com a família na manhã de ontem pertence à Baires Fly S.A., empresa envolvida em uma investigação sobre propinas e fraudes em compras públicas de medicamentos e materiais médicos no governo do presidente argentino, Javier Milei.

A Baires Fly aparece em uma investigação iniciada em 2025 que se tornou um dos principais escândalos do governo da Argentina. Entre 2023 e outubro de 2025, um grupo teria atuado na Agência Nacional para a Deficiência (Andis, na sigla em espanhol), órgão federal responsável por políticas destinadas a pessoas com deficiência, para fraudar licitações, direcionar contratos e pagar propinas em compras de medicamentos e equipamentos médicos.

Segundo a investigação, uma rede de farmácias e intermediários tinha acesso privilegiado a informações de funcionários da Andis, o que lhe permitia obter contratos direcionados em troca de pagamentos ilícitos. O diretor do órgão no período analisado, Diego Spagnuolo, é apontado como chefe da organização criminosa e suspeito de ter recebido propinas. Ele já foi advogado de Milei e era considerado próximo ao presidente.

Spagnuolo foi demitido em agosto de 2025, após a divulgação de áudios em que mencionava pagamentos ilícitos a Karina Milei, irmã do líder argentino.

Em um dos áudios, Spagnuolo acusa a irmã de Milei e Eduardo "Lule" Menem, então subsecretário de Gestão Institucional da Secretaria-Geral da Presidência, de cobrar até 8% do faturamento de empresas farmacêuticas para que obtivessem contratos com o governo. O esquema renderia cerca de US$ 800 mil (R$ 4,3 milhões) por mês.

Spagnuolo afirma que Karina Milei ficaria com a maior parte do dinheiro, entre 3% e 4%. Ele teria tomado conhecimento do esquema após se encontrar com Eduardo Menem, braço direito da secretária-geral da Presidência e primo de Martín Menem, presidente da Câmara dos Deputados. Na ocasião, teria ouvido que precisaria contratar determinados funcionários.

Em outro momento, Spagnuolo teria sido orientado a fazer negócios com uma empresa específica. "Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem o problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina", afirma o ex-chefe da Andis em um dos áudios vazados para a imprensa. Ele também teria se encontrado com o presidente Milei para relatar o caso, o que foi negado pelo governo à época.

A investigação também apura se a Baires Fly foi usada por pelo menos cinco redes de farmácias e empresas de saúde para receber dinheiro de propinas e convertê-lo em créditos para serviços de aviação oferecidos pela companhia de táxi aéreo. Desde 2023, essas empresas teriam transferido o equivalente a cerca de R$ 3,5 milhões à Baires. Segundo os investigadores, o objetivo seria dar aparência legal a recursos ilícitos.

A empresa também aparece em conversas do empresário Sergio Mastropietro. A Procuradoria investiga a relação dele com a Baires Fly, formalmente registrada em nome do empresário Luis Grande.

A reportagem tentou contato com a companhia pelos canais informados em seu site oficial, mas não obteve retorno. Até aqui, não houve condenações. Pelo menos outras 18 pessoas são investigadas.

LUXO

Flávio Bolsonaro embarcou para os EUA em um jato Gulfstream G400, que fez uma escala no Equador antes de seguir para Miami. Segundo o site da Baires Fly, a aeronave atinge até 935 km/h, tem autonomia de 7.040 quilômetros e capacidade para 13 passageiros. Entre as comodidades estão seis camas, cozinha, cafeteira, serviço de comissário de bordo e refeições gourmet.

Em seu site, a Gulfstream descreve a aeronave como um jato executivo de grande porte, projetado para viagens internacionais com velocidade, autonomia e conforto. Segundo a fabricante, o modelo foi desenvolvido para transportar empresários, executivos e outros passageiros em voos de longa distância.

Há aviões do mesmo modelo à venda por valores entre R$ 48 milhões e R$ 187 milhões, a depender do ano de fabricação, das atualizações e do estado das aeronaves. O custo do fretamento da viagem foi estimado entre R$ 414 mil e R$ 1 milhão, dependendo das taxas e do trecho percorrido.

Segundo a companhia, "o projeto prevê uma cabine espaçosa, com até duas áreas e meia de convivência, dez janelas panorâmicas, cozinha e banheiro". "O espaço pode ser organizado para reuniões, refeições, descanso e pernoite."

© Marta Lavandier/AP Photo/Estadão Conteúdo

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami
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Tarcísio se distancia de Flávio, reconhece vitória de Lula e diz que é preciso seguir em frente

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (28) que é preciso respeitar o resultado das eleições presidenciais e seguir em frente. Em entrevista exclusiva ao jornal Estadão, ele disse compreender a indignação do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas defendeu o respeito ao processo democrático.

A declaração foi dada após Flávio divulgar uma carta na qual se apresentou inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Em uma versão editada após a primeira publicação, o senador substituiu a expressão por “líder” do Brasil.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou Tarcísio ao Estadão.

Flávio Bolsonaro questiona resultado das eleições

O manifesto de Flávio Bolsonaro foi enviado pelo blogueiro Paulo Figueiredo. No texto, o senador se dirigiu à população brasileira e à comunidade internacional e agradeceu ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Flávio classificou o resultado do segundo turno como “fraude eleitoral”, mas não apresentou provas para sustentar a acusação. O discurso remete às contestações feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após as eleições de 2022.

Na votação de domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Governador defende oposição dentro das instituições

Na entrevista, Tarcísio também afirmou que o momento exige responsabilidade e a construção de uma oposição capaz de exercer seu papel político sem desrespeitar as instituições democráticas.

“O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia”, declarou.

Na terça-feira (27), o governador já havia publicado um vídeo reconhecendo o resultado eleitoral e defendendo uma “oposição vigilante” ao governo eleito. Embora não tenha citado Lula nominalmente na gravação, Tarcísio repetiu seis vezes a frase “a eleição passou”.

O governador também é uma das vozes contrárias à iniciativa de Flávio Bolsonaro de pedir a anulação do pleito.

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)
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Flávio Bolsonaro volta atrás e retira afirmação de que é "o verdadeiro presidente eleito" do Brasil

Nos EUA, o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) recuou e apagou a carta em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e publicou uma nova versão do texto, na qual substituiu a expressão por “o líder do Brasil”. Na primeira postagem do texto, publicada nesta quarta-feira (28), o parlamentar se dirigia ao povo brasileiro e à comunidade internacional reivindicando a condição de presidente eleito. 

Outra diferença entre as versões é a troca dos brasões. Na primeira vez que a carta foi divulgada, Flávio usou uma versão das Armas Nacionais com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, utilizada no início do período republicano.

Na nova versão, o documento passou a ter o brasão com a inscrição “República Federativa do Brasil”, nome oficial adotado após a mudança estabelecida em 1968.  

O pronunciamento acontece após a fuga do candidato derrotado para os Estados Unidos. após a decisão que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25). Flávio afirma estar nos Estados Unidos com a família e diz que pretende liderar a oposição brasileira a partir do exterior.

A mudança também ocorre em meio à determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse seus passaportes em até 24 horas. A ordem incluía os documentos brasileiro e italiano. Após o descumprimento da determinação, o passaporte brasileiro foi cancelado pela Polícia Federal.

Pronunciamento

Na carta, Flávio Bolsonaro afirma ser o verdadeiro presidente eleito do Brasil e acusa Lula, o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de envolvimento em uma suposta fraude eleitoral. Ele questiona a prorrogação do horário de votação no segundo turno e acusa o governo de abuso de poder político e econômico durante a campanha.

O senador também acusa o Judiciário de promover perseguição política contra ele, seu pai, Jair Bolsonaro, e outros aliados. Afirma que não havia mandado de prisão contra ele e que deixou o Brasil para proteger a família e escapar do que classifica como um regime de exceção.

Na carta, agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo apoio.

Flávio compara sua situação à de figuras históricas que deixaram seus países para enfrentar regimes autoritários e anuncia que liderará a oposição brasileira a partir do exterior.

Ele pede que a comunidade internacional não normalize a situação política do Brasil e convoca apoiadores e parlamentares aliados a mobilizarem a oposição por meios pacíficos e legítimos.

Ao final, afirma que sua luta continuará até que o Brasil, segundo ele, volte a ser um país livre.

 

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© FREDERICO BRASIL/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O senador Flávio Bolsonaro (PL) resolveu ir para os Estados Unidos após perder a eleição para Lula
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Renan Santos critica “oposição EAD” de Flávio Bolsonaro após fuga aos EUA

O ex-candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, criticou nesta quarta-feira (28/10) a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua chegada aos Estados Unidos. Em vídeo publicado nas redes sociais, Renan questionou a decisão do adversário de deixar o Brasil e anunciar uma atuação política a partir do exterior. “Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD”, declarou.

No documento, Flávio se apresentou como “presidente da República”, contestou o resultado das eleições e alegou, sem apresentar provas, que a votação teria sido fraudada. O senador também criticou o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), por sua atuação no processo eleitoral.

Renan lembrou que o próprio Flávio apoiou a indicação de Zanin à Corte. Outro ponto abordado foi a decisão de atuar politicamente a partir dos Estados Unidos. Renan questionou a comparação com governos que se organizaram no exílio em outros momentos históricos. Para ele, a situação brasileira é diferente, uma vez que o Partido Liberal continua funcionando normalmente, com representação no Congresso Nacional e participação nas instituições políticas.

Renan também comparou a iniciativa ao movimento liderado pelo opositor venezuelano Juan Guaidó, que reivindicou a Presidência da Venezuela. Durante a manifestação, o ex-candidato criticou a relação da família Bolsonaro com Donald Trump e avaliou que o presidente americano poderá deixar de apoiar Flávio caso a aproximação deixe de atender aos seus interesses políticos e econômicos.

Embora tenha ressaltado que também faz oposição ao presidente Lula, Renan afirmou não considerar que a iniciativa de Flávio represente uma ameaça à democracia brasileira. O ex-candidato também criticou a possibilidade de que a atuação política de Flávio nos Estados Unidos contribua para pressionar o Brasil por meio de medidas comerciais. Ao encerrar, Renan defendeu que as lideranças políticas permaneçam no país e assumam as consequências de suas decisões. “Eu tô aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações aqui. Gostaria que o Flávio também o fizesse, mas isso demandaria dele ser um líder, coisa que ele não é”, afirmou.

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Após fuga do Brasil, Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito em carta a aliados

Em carta enviada a aliados nesta quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, contestou o resultado das eleições e afirmou que pretende continuar atuando politicamente a partir dos Estados Unidos, para onde levou a família. No documento, ele acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política e diz que não pretende abandonar seus apoiadores.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, escreveu Flávio no início da carta. Ao longo do texto, o senador sustenta que houve fraude eleitoral no segundo turno e questiona a decisão que prorrogou o horário de votação. Ele também acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter sido beneficiado por irregularidades, sem apresentar, no documento, provas que sustentem as alegações.

O senador afirma que deixou o Brasil por considerar que não teria segurança jurídica no país e que não pretende submeter a família ao que classifica como perseguição. “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, declarou.

Senador agradece a Trump e Milei

Na carta, Flávio agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, a quem atribui coragem e compromisso com a liberdade. Ele também agradece ao povo americano por acolher sua família e afirma que está em segurança nos Estados Unidos.

O senador compara sua saída do Brasil à trajetória de figuras históricas que deixaram seus países em períodos de conflito político, citando Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. Também menciona opositores do governo venezuelano, como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, para defender sua atuação no exterior.

Flávio diz que liderará oposição dos Estados Unidos

No documento, o senador afirma que pretende se dirigir regularmente aos brasileiros nos próximos dias e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição. Ele diz que continuará atuando politicamente mesmo fora do país e que pretende representar apoiadores que, segundo ele, não teriam liberdade para se manifestar no Brasil.

“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, escreveu. Ao final, Flávio afirma que a luta política continuará até que o país volte a ser, em suas palavras, “um país livre”.

A carta foi divulgada em meio a medidas judiciais relacionadas aos documentos de viagem do senador. A Polícia Federal (PF) informou que os passaportes comum e diplomático brasileiros foram cancelados por decisão judicial e que Flávio foi intimado a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades, o que não ocorreu no prazo estabelecido.

A PF também esclareceu que as restrições relacionadas aos documentos de viagem não caracterizam, por si só, a condição de foragido nem autorizam prisão. Segundo a corporação, não há registro oficial de saída do senador do Brasil pelos postos brasileiros de controle migratório.

Confira na íntegra

CARTA À NAÇÃO BRASILEIRA ???????? 28.10.26 https://t.co/TkWzSVjbp0 Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 28, 2026

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© Marta Lavandier/AP Photo/Estadão Conteúdo

Flávio Bolsonaro desembarca em Miami
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PF diz que Flávio Bolsonaro não é considerado foragido e não há previsão de prisão

A Polícia Federal (PF) esclareceu que o senador Flávio Bolsonaro (PL) não é considerado foragido apenas por estar sujeito a restrições relacionadas a seus documentos de viagem. Em nota divulgada nesta quarta-feira (28), a corporação afirmou que essas medidas, por si só, não autorizam a prisão, a vigilância permanente ou a adoção de outras medidas cautelares.

O esclarecimento ocorre após a PF informar que o senador não entregou, no prazo de 24 horas, eventuais passaportes de outras nacionalidades. Flávio foi intimado na manhã de segunda-feira (26) a apresentar os documentos, mas, segundo a corporação, a determinação não foi cumprida.

Passaportes brasileiros foram cancelados

De acordo com a PF, os passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil foram cancelados por decisão judicial. Também foi inserido um alerta migratório no sistema SONAR. A corporação informou que não há registro oficial de saída do senador do país pelos postos brasileiros de controle migratório.

A Polícia Federal investiga as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais. A Petição nº 16.877/DF, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz.

Na nota, a corporação também informou que havia solicitado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no domingo (25), medidas cautelares que incluíam a apreensão de passaportes, a proibição de deixar o país e a restrição de contato com outros investigados, após identificar risco de saída do Brasil.

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Flávio Bolsonaro desembarca em Miami
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Advogado diz que Flávio descumpriu combinado de entregar passaporte e alega surpresa com fuga

O advogado Tracy Reinaldet, que atua na defesa do candidato à Presidência derrotado Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta quarta-feira, 28, que foi pego de surpresa com a fuga dele para os Estados Unidos. Segundo o advogado, em uma reunião entre Flávio, a equipe jurídica e aliados na segunda, 26, havia ficado combinado que Flávio entregaria seus passaportes à Polícia Federal (PF).

"Em momento algum dessa reunião foi sequer cogitada a possibilidade de o senador Flávio deixar o País. A reunião terminou combinando de, na terça-feira, ontem, pegar o passaporte dele e entregá-lo à Polícia Federal. Todos da reunião foram surpreendidos com a notícia de que ele teria deixado o País", declarou, em entrevista à CNN.

Defesa afirma que tentou contato com o senador sem sucesso

Reinaldet disse que, durante o encontro, o jurídico teria recomendado a Flávio que reconhecesse a derrota no pleito presidencial e de que havia pontuado que a defesa do senador seria "simples" - Flávio é investigado em um inquérito sobre suas relações com o empresário Willer Tomaz.

O advogado falou ter tentado contato com Flávio Bolsonaro desde a terça, 27, mas que ainda não foi atendido: "Preciso conversar com ele, tentar entender o que o fez sair do País. Confesso que estou tão perdido nesta história como a imprensa. Ontem, tentei contato com o senador Flávio e não consegui conversar com ele."

Reinaldet questiona relatoria de Moraes no inquérito

Reinaldet chamou o inquérito envolvendo Flávio e Willer como "heterodoxo" e defendeu que o processo esteja sob a relatoria do ministro André Mendonça, não de Alexandre de Moraes.

Ele argumenta que parte das informações foi obtida por uma quebra de sigilo no âmbito da investigação das fraudes do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que está com Mendonça. "De onde as informações chegaram à PF? Pelo que se sabe, essas informações foram obtidas da quebra de sigilo temático da nuvem do iCloud do Willer", falou.

Ele disse ainda haver comprovação de que não teria havido transferências das empresas de Willer para Flávio.

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Flávio Bolsonaro desembarca em Miami
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Democratas condenam decisão de Trump de conceder visto a Flávio

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O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nas redes sociais, o comitê, ligado aos democratas, fez um comparativo entre a atual política migratória estadunidense aplicada a pessoas que fogem de conflitos e o tratamento concedido a Flávio e à família Bolsonaro.

Notícias relacionadas:

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.

“Aparentemente, fugir da violência não qualifica [o migrante a entrar nos Estados Unidos]. Negar resultados eleitorais, sim”, continuou o post, ao citar que o Departamento de Estado planeja conceder vistos a Flávio e sua família.

Em perfil no Instagram, o parlamentar democrata Joaquin Castro afirmou que “perder as eleições não é motivo para asilo”, referindo-se à derrota de Flávio na candidatura ao cargo de presidente da República no último domingo (26).

“Ainda assim, o governo Trump está concedendo refúgio a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No Brasil, ele está sob investigação por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e foi ordenado a entregar seus passaportes”, postou.

Para Castro, o governo Trump deve explicações ao Congresso norte-americano “por seu papel em ajudar [Flávio] Bolsonaro a fugir do Brasil, violando a legislação brasileira”.

Entenda

Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas chegaram nesta quarta-feira (28) a Miami depois de cruzarem a fronteira brasileira com a Argentina e pegarem voo rumo aos Estados Unidos. A aeronave privada chegou a fazer uma parada no Equador.

Na terça-feira (27), um aliado próximo de Flávio e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador havia fugido para os Estados Unidos. Flávio descumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes à Polícia Federal.

Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais após ser intimado pelo Judiciário, Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria no país para, segundo ele, organizar a oposição contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial, por mais de 4,4 milhões de votos.

Lavagem de dinheiro

Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro, juntamente com o advogado Willer Tomaz, amigo dele. Ambos negam qualquer irregularidade.

A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e liderar a oposição brasileira do exterior.

Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

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Relação de Flávio com Willer Tomaz motivou PF a cancelar passaportes

A Polícia Federal cancelou os passaportes de Flávio Bolsonaro (PL) após ele não entregar os documentos, conforme determinado judicialmente. Segundo delegados ouvidos pelo analista de Segurança Pública Elijonas Maia, o risco de fuga, alertado previamente pela corporação, se confirmou com a ida de Flávio aos Estados Unidos.

No domingo (25), logo após o resultado das eleições, a Polícia Federal encaminhou um pedido ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes informando o risco de fuga de Flávio Bolsonaro.

Entre os elementos apresentados pela corporação, estavam o poder econômico de Flávio e sua relação com Willer Tomaz, advogado que também se encontrava fora do Brasil e que é investigado no mesmo inquérito por suposta lavagem de dinheiro e suposta evasão de divisas.

A PF incluiu ainda no pedido uma declaração feita por Eduardo Bolsonaro em um podcast, na sexta-feira (23), na qual ele afirmou apoiar a saída de Flávio do Brasil caso este perdesse as eleições, o que de fato ocorreu.

“Os delegados dizem o seguinte: o risco de fuga se confirmou, algo que avisamos antes”, relatou Elijonas durante o Live CNN desta quarta-feira (28).

Críticas à PF

A determinação judicial previa que Flávio entregasse seus passaportes brasileiros à Polícia Federal, que os cancelaria, além de também entregar o passaporte italiano. No entanto, o governo brasileiro não pode cancelar o documento italiano sem autorização do governo da Itália.

Segundo confirmado pela CNN, Flávio entrou na Argentina com o passaporte italiano e nos Estados Unidos com o passaporte diplomático.

A situação gerou críticas à Polícia Federal, uma vez que Flávio conseguiu sair do Brasil mesmo com a determinação de entrega dos documentos e proibição de viagem.

De acordo com Elijonas, havia uma ala dentro da Polícia Federal favorável a uma medida mais gravosa, como uma busca e apreensão na residência de Flávio para recolher os passaportes. Essa medida, contudo, não foi autorizada por Alexandre de Moraes.

O caso se soma a uma lista de outros investigados que também deixaram o Brasil, entre eles os ex-deputados Carla Zambelli e Alexandre Ramagem, e o jornalista Allan dos Santos. A cúpula da PF ressalta que avisou ao Supremo Tribunal Federal sobre o risco de fuga antes que ele se concretizasse.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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PL tem divisão interna sobre fuga de Flávio Bolsonaro

A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil provocou divisões internas no Partido Liberal, com integrantes da sigla adotando posições distintas sobre o episódio e seus possíveis desdobramentos políticos.

Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Live CNN, enquanto uma ala do partido foi pega de surpresa pela iniciativa, outra já a esperava de alguma forma.

De acordo com a analista, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, figura descrita como pragmática dentro do partido, teria ficado “chateado” com os acontecimentos.

A avaliação interna é de que o PL precisará se reorganizar e caminhar para um tom mais moderado, distanciando-se do radicalismo que marcou a sigla nos últimos anos com a amplitude do bolsonarismo.

Reorganização do PL e disputa pela presidência do Senado

O pragmatismo de Valdemar Costa Neto já mira um plano para 2027: tornar o partido ainda mais competitivo para conquistar a presidência do Senado Federal.

A avaliação interna é de que ainda é possível reunir apoio suficiente para viabilizar a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), mesmo diante das articulações de Davi Alcolumbre (União-AP), que estaria se reorganizando para se manter na função e já contabilizaria 41 votos a seu favor.

Segundo Isabel Mega, a saída de Flávio Bolsonaro do país pode, paradoxalmente, beneficiar os senadores do PL na tentativa de atrair parlamentares do chamado Centrão.

A avaliação é de que parlamentares que poderiam caminhar com Davi Alcolumbre, mas que entendem que ele pode barrar pautas utilizadas por eles nas eleições ao Senado Federal, podem se sentir sensibilizados a votar em Rogério Marinho.

Isso porque Alcolumbre é visto pelo bolsonarismo como aliado a Alexandre de Moraes, o que, na leitura interna, inviabilizaria o encaminhamento de pedidos de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Críticas internas e expectativas frustradas

Ainda de acordo com a apuração, parlamentares do PL fizeram críticas a Flávio Bolsonaro sob reserva, afirmando que a decisão de deixar o Brasil era “muito ruim para o partido” e muito negativa para a imagem da sigla.

A avaliação era de que seria preciso “perder com honra, não com esperneio”, com Flávio ocupando uma posição de liderança da oposição ao governo Lula a partir do Brasil.

Havia, inclusive, uma expectativa de que Flávio Bolsonaro, com o fim de seu mandato de senador previsto para o final do ano, pudesse se instalar na sala anteriormente utilizada por Jair Bolsonaro na sede do PL em Brasília, assumindo o comando da oposição.

Com a fuga, esse cenário foi descartado. Valdemar Costa Neto passou a aparecer ao lado de Michelle Bolsonaro (PL), com quem tem afinidade declarada e que terá mandato pela frente, enquanto Flávio Bolsonaro não terá.

Direita busca reposicionamento

Isabel Mega destacou ainda que o restante da direita também aproveita o momento para tentar assumir as rédeas da ala ideológica que, segundo ela, “dividiu o Brasil ao meio” com o bolsonarismo, tido como extrema direita.

A avaliação é de que outros setores da direita apostam no enfraquecimento da família Bolsonaro e do bolsonarismo para retomar uma postura mais pragmática junto aos demais partidos.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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Argentina poderia ter barrado entrada de Flávio, avalia especialista

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, na madrugada de quarta-feira (28), que Flávio Bolsonaro (PL) estava na Argentina e que autorizaria a entrada do parlamentar em território americano. A declaração gerou uma série de dúvidas jurídicas sobre a situação internacional do senador, que teria descumprido uma decisão judicial ao deixar o Brasil.

Em entrevista ao CNN Novo Dia, a especialista em Direito Internacional Priscila Caneparo analisou os aspectos legais do caso, abordando desde a possibilidade de concessão de asilo político nos Estados Unidos até a viabilidade de a Argentina ter impedido a entrada de Flávio Bolsonaro em seu território.

Asilo político: uma decisão discricionária

Segundo Priscila Caneparo, o asilo político é uma concessão feita de forma discricionária pelo Estado, independentemente do cumprimento de requisitos formais, quando uma pessoa supostamente sofre perseguição política ou ideológica em seu país de origem.

“Existe a possibilidade, sim, dos Estados Unidos conceder esse asilo político para o Flávio Bolsonaro”, afirmou a especialista. No entanto, ela ressaltou que não há fundamentação jurídica robusta que ampare essa concessão no caso específico.

“A gente começa a falar que justamente o instituto talvez esteja sendo desvirtuado pela interpretação do Donald Trump, mas a gente não pode intervir na soberania dele fazer essa concessão ou não”, ponderou.

Caneparo também esclareceu que a eventual autorização de permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos não dependeria do Congresso americano, mas sim de uma decisão do Executivo.

Ainda assim, a especialista sinalizou que uma possível mudança na composição do Congresso poderia gerar pressão política sobre Trump. “Se esse Congresso começar a pressionar o Donald Trump em outras frentes e falar que deveria ser retirada essa concessão de asilo político, a gente pode observar uma porta aberta para essa reversão”, explicou.

Argentina poderia ter impedido a entrada

Ao ser questionada sobre a situação jurídica de Flávio Bolsonaro na Argentina, Priscila Caneparo foi categórica ao afirmar que o país vizinho teria argumentos legais para ter barrado sua entrada.

A especialista destacou que, embora não houvesse um mandado de prisão contra o senador, ele teria descumprido duas determinações judiciais: a entrega do passaporte brasileiro e a proibição de sair do Brasil. “É inegável que ele descumpriu uma decisão judicial. Essa proibição justamente caracteriza a fuga dele”, declarou.

Caneparo apontou dois possíveis fundamentos para que a Argentina impedisse o ingresso de Flávio em seu território. O primeiro seria a situação migratória irregular, em razão da suspensão do passaporte brasileiro.

O segundo seria o descumprimento de uma medida cautelar e de um provável pedido de cooperação encaminhado à Argentina. “De uma forma ou de outra, a Argentina teria argumentação para não possibilitar que o Flávio ingressasse no território”, concluiu a especialista, acrescentando que o mesmo raciocínio se aplicaria ao Equador.

Cooperação jurídica internacional em xeque

Outro ponto debatido foi a dificuldade de cooperação jurídica entre Brasil e Estados Unidos no âmbito das investigações que envolvem Flávio Bolsonaro.

Foram mencionadas duas investigações em curso: uma relacionada a suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de empresas de apostas, e outra ligada ao caso “Dark Horse”, que envolve suspeitas de remessa de recursos para um fundo nos Estados Unidos para o financiamento de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Foi destacado que a Polícia Federal brasileira solicitou às autoridades norte-americanas informações sobre o fundo Havengate, que teria recebido recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”, sem obter retorno até o momento.

A especialista em Direito Internacional avaliou que, caso o Congresso americano passe a ter maioria democrata, poderá haver pressão para o cumprimento de tratados de cooperação internacional, especialmente o mecanismo de comunicação espontânea, que facilita a troca de informações entre os dois países com foco em crime organizado transnacional e corrupção.

“Vamos ver como vai se dar a semana que vem as midterms nos Estados Unidos, e aí a gente crava se a cooperação vai ser efetiva ou não”, afirmou a especialista.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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Após fugir do Brasil, Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou nos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das filhas, após fugir do Brasil e descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de sair do país. O jatinho particular utilizado pela família pousou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, nesta manhã.

Flávio deixou o território brasileiro por via terrestre na noite de terça-feira (27), cruzando a fronteira com a Argentina. De lá, embarcou em uma aeronave particular que fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos. O trajeto evitou o espaço aéreo brasileiro, segundo dados do serviço de monitoramento FlightAware.

A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a apreensão dos passaportes do senador e proibi-lo de deixar o país. Até a última atualização das informações divulgadas pela imprensa, Flávio não havia se manifestado sobre a chegada aos Estados Unidos.

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Aeronave com Flávio Bolsonaro e família pousa nos Estados Unidos

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O avião que deixou o Equador com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a família a bordo pousou pouco antes das 10h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (28) no aeroporto Opa-Locka, em Miami, nos Estados Unidos.

De acordo com o site de monitoramento de voos em tempo real Flight Aware, a viagem durou cerca de quatro horas.

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Flávio, a esposa e as filhas cruzaram a fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones.

Às 23h30, a família embarcou em um avião privado rumo a Guayaquil, no Equador. As informações foram confirmadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina.

A plane believed to be carrying Brazilian Senator Flavio Bolsonaro lands at Opa Locka Executive Airport near Miami, Florida, US, October 28, 2026. REUTERS/Eva Marie Uzcategui A plane believed to be carrying Brazilian Senator Flavio Bolsonaro lands at Opa Locka Executive Airport near Miami, Florida, US, October 28, 2026. REUTERS/Eva Marie Uzcategui
Aeronave Gulfstream G400, com o senador Flávio Bolsonaro e a família pousam no Aeroporto Opa Locka próximo a Miami, na Florida - REUTERS/Eva Marie Uzcategui/Proibida reprodução

Na terça-feira (27), um aliado próximo de Flávio Bolsonaro e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador havia fugido para os Estados Unidos. Flávio descumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais após ser intimado pelo Judiciário, Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria no país para, segundo ele, organizar a oposição contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo (26) ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial, por mais de 4,4 milhões de votos.

Lavagem de dinheiro

Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro, juntamente com o advogado Willer Tomaz, seu amigo. Ambos negam qualquer irregularidade.

A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e liderar a oposição brasileira do exterior.

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Trump diz que aprovaria entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA e questiona eleição brasileira novamente

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na madrugada desta quarta-feira (28), que aprovou a concessão de visto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que estaria a caminho do país com a mulher e duas filhas. "Não sei onde ele está. Ouvi dizer que ele está na Argentina. Mas eu certamente aprovaria [o ingresso de Flávio no país com a família]", afirmou.

Ao desembarcar na Base Aérea de Maryland, após participar de um comício no Texas, Trump disse voltou a questionar a eleição presidencial no Brasil, dizendo que foi "muito estranha", mas ressaltou que não se envolveu no pleito. "A maneira como eles chegaram ao resultado foi terrível", disse o líder americano. "Mas eu não estava envolvido. É o Brasil, um outro país."

Trump fala da relação com a família Bolsonaro

Trump disse que conhece Flávio "um pouco" e que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem afirmou conhecer "muito bem", foi "tratado muito mal". Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, em Brasília, após ter sido condenado a mais de 27 anos de detenção por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

No fim da noite da terça-feira (27), Flávio e a família cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) à cidade argentina de Puerto Iguazú, de onde embarcaram em um jato privado rumo a Guayaquil, no Equador. As informações foram reveladas na madrugada desta quarta pelo órgão de migração argentino.

O site argentino Infobae informou que o destino final do avião é os Estados Unidos e que haveria apenas uma parada para reabastecimento em Guayaquil. A rota da aeronave evita sobrevoar o território brasileiro. A família esteve a bordo de um jato Gulfstream G400 de prefixo LV-JQW, ainda de acordo com o Infobae.

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após ter descumprido a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes. O senador é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em um inquérito que também mira o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.

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© Colagem: Julia Demaree Nikhinson/Associated Press/Estadão Conteúdo; Frederico Brasil/TheNews2/Estadão Conteúdo

Donald Trump e Flávio Bolsonaro
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STF nega ter ordenado buscas em endereços de Flávio Bolsonaro

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O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta quarta-feira (28) nota em que nega a existência de operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) tendo como alvo endereços ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recém-derrotado na eleição para a Presidência da República. 

“É falsa a informação veiculada sobre a existência ou o cumprimento de qualquer mandado de busca e apreensão direcionado ao senador Flávio Bolsonaro ou a seus endereços. Não há nenhuma decisão judicial nesse sentido, tampouco realização de diligência policial ou de busca e apreensão.” 

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A manifestação do STF foi divulgada após surgirem na imprensa, nesta quarta, notícias de que a PF estaria realizando uma operação na mansão de Flávio no Lago Sul, bairro de alto padrão em Brasília. 

Dois dias após perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conseguiu se reeleger com uma margem de mais de 4,4 milhões de votos no segundo turno, Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil por via terrestre e embarcou em um jatinho particular com destino aos Estados Unidos. 

Passaporte

A fuga ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes ter proibido o senador de deixar o país e determinado a apreensão dos passaportes de Flávio. A decisão foi tomada após a PF ter informado a chance concreta de fuga do parlamentar do país, logo após a apuração do resultado da eleição. 

Na segunda (27), dia seguinte ao pleito, Flávio foi abordado por agentes da PF e intimado a entregar seus passaportes (o regular e o diplomático), ao sair da residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado. 

A abordagem foi relatada pelo próprio parlamentar em vídeo publicado nas redes sociais, no qual ele afirmou que cumpriria a decisão judicial e que nunca pensou em deixar o país. Ele disse que enfrentaria as acusações a que responde no STF.

Na terça (27), porém, Flávio fugiu pela fronteira com a Argentina, violando a proibição de deixar o país. 

A decisão de apreensão do passaporte de Flávio foi tomada por Moraes no âmbito de um inquérito relatado pelo ministro em que o parlamentar é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, junto com o advogado e amigo próximo Willer Tomaz, que também deixou o país rumo aos EUA, ainda antes da eleição. 

Inquéritos

Mesmo com a fuga, os inquéritos aos quais Flávio responde no Supremo continuam a tramitar. Além da investigação relatada por Moraes, o parlamentar também é alvo de um inquérito no caso do Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça. 

Neste caso, ele é investigado por ter pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, o equivalente a R$ 134 milhões, supostamente para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai.

A solicitação da quantia foi identificada pela PF em mensagens extraídas do celular apreendido de Vorcaro. O áudio com o pedido de dinheiro foi revelado pelo site The Intercept Brasil. 

Flávio Bolsonaro reconheceu a autoria do áudio e das mensagens trocadas com Vorcaro, mas nega irregularidades no pedido de financiamento, afirmando ter se tratado de uma captação de recursos privados, sem nenhuma ilegalidade. 

 

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Avião com Flávio Bolsonaro e família segue para Miami

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A aeronave que deixou o Equador com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a família a bordo segue, neste momento, para o aeroporto de Miami, nos Estados Unidos. De acordo com o site de monitoramento de voos em tempo real Flight Aware, o avião deve pousar em solo estadunidense por volta das 10h20 no horário de Brasília.

Flávio, a esposa e as filhas cruzaram a fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. Às 23h30, a família embarcou em um avião privado rumo a Guayaquil, no Equador. As informações foram confirmadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina.

Notícias relacionadas:

Na terça-feira, um aliado próximo de Flávio Bolsonaro e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador fugiu para os Estados Unidos. Flávio descumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais após ser intimado pelo Judiciário, Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria no país para, segundo ele, organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo (26) ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial.

Lavagem de dinheiro

Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro, juntamente com o advogado Willer Tomaz, seu amigo. Ambos negam qualquer irregularidade.

A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e que iria liderar a oposição brasileira.

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