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“É bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos” aos credores do BES

Luís Máximo dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal que cessa esta sexta-feira funções, acredita que é possível que em 2027 já haja condições para começar fazer pagamentos aos credores comuns do BES, ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. Anuncia ainda que há mudanças significativas em curso na lei bancária e diz que o Fundo de Resolução terá condições para pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos no fim deste ano ou início do próximo.

Terminou o mandato a 20 de junho e sai nesta sexta-feira. Passou mais de dez anos na administração do Banco de Portugal (BdP). Que balanço faz do que fez e ficou por fazer?

O balanço essencial é o de ter contribuído para um processo de grande melhoria do Banco. Melhorou o desempenho das missões centrais do Banco de Portugal, mas também a organização, os recursos tecnológicos e as políticas para reter talento. O Banco é hoje uma instituição mais próxima da comunidade a vários níveis, mais ligada à academia e à sociedade, e com um projeto para permitir que mais colaboradores aproveitem as condições das delegações regionais e das agências.

O Banco é liderado por um governador – lidei com três – e tem um conselho de administração que funciona de forma colegial. Somos todos, em alguma medida, responsáveis pelo que de bom ou de menos bom acontece na instituição e a evolução nestes dez anos é bastante positiva. A situação do setor bancário em 2016 era muitíssimo mais negativa. O mérito primordial é das instituições supervisionadas, que limparam balanços, racionalizaram recursos e ajustaram o modelo de negócio. Mas o novo quadro regulatório pós-crise e uma atuação supervisora muito mais efetiva também contribuíram. Os resultados recentes da avaliação do FMI (FSAP) são gratificantes, tanto para o sistema bancário como para a ação do Banco enquanto supervisor, na prevenção do branqueamento de capitais e na gestão de crises, onde se inclui a resolução.

O dossier Novobanco foi a tarefa mais difícil? Não será também uma medalha ver o banco que saiu das cinzas do BES a ser comprado pelo francês BPCE?

Medalha não tenho, porque não fui condecorado [risos]. O mais difícil foi fazer aplicar, com rigor, o acordo de capital contingente, defendendo o interesse público ao longo de todo o processo, em especial na aplicação rigorosa do contrato, e procurando minimizar os pagamentos que tínhamos de fazer ao abrigo do CCA [Mecanismo de Capital Contingente]. Não me lembro de nenhum acordo deste tipo aplicado em Portugal, e isto nem sequer é típico das funções de um banco central. Obrigou a uma minúcia e a um rigor enorme e convocou competências particulares, que foi possível reunir com uma equipa dedicada constituída no departamento de resolução.

O Acordo de Capitalização Contingente teve um impacto público significativo, porque falamos de verbas muito avultadas, assentes nas contribuições das instituições financeiras para o fundo e em empréstimos do Estado e das próprias instituições. Houve muita incompreensão, o que é natural. O escrutínio foi muito exigente, mas acabou por ajudar-nos a cumprir a missão, porque tivemos de verificar ao pormenor o racional das nossas decisões e de como as fundamentávamos. O Estado será reembolsado, e as instituições também.

Os meus mandatos ficam marcados pelas questões da resolução, o que é normal por serem os temas mais mediáticos, mas houve muitas outras coisas. Por exemplo, quando tive o Departamento de Supervisão Comportamental, integrou-se no perímetro da supervisão os intermediários de crédito, vários milhares, o que foi um grande desafio. Significou trazer todo um setor para o perímetro da supervisão.

Compensou ter havido o mecanismo de capital contingente?

Em 2017 não havia modo de encontrar alguém disposto a comprar o Novobanco sem um mecanismo como este. Não foi um apoio direto às perdas de um conjunto de ativos (que aliás se verificou serem bem maiores do que aquilo que foi despendido), era um mecanismo original, no sentido em que estava limitado ao menor de dois valores, entre as perdas desses ativos e o necessário para manter determinados rácios de capital no Novobanco. Sem ele, a venda não existia. O balanço final acaba por ser positivo para o país.

A venda do Novobanco foi um bom negócio para o Fundo de Resolução e para o Estado?

Aderimos [o FdR] a uma venda que a Lone Star promoveu e há pouco balizei o meu contributo no Novobanco como a defesa do interesse público na aplicação do mecanismo de capital contingente [antes da venda ao BPCE] e em todas as fases do processo, incluindo a venda final. Mas é objetivo que o valor obtido ultrapassou as melhores expectativas, o que é muito positivo. E o comprador ser uma grande instituição bancária de um mercado, o francês, que não tinha uma presença extraordinária em Portugal, abre novas possibilidades de interconexão para a economia portuguesa. O desfecho final foi positivo.

Em 10 anos também teve de lidar com um contencioso gigantesco…

Em 2016, os processos contra o Banco de Portugal eram da ordem do milhar. Claro que os processos, por causa do contencioso das medidas de resolução, tiveram um peso importante aqui. Não é normal um banco central ter um contencioso tão extenso, e alguns com ramificações no Tribunal Europeu e noutras ordens jurídicas, como Espanha e Reino Unido. As decisões que fomos tomando foram sendo avaliadas por tribunais, que no fundo é o escrutínio mais imparcial possível…

O Banco de Portugal ganhou os processos?

Todos não, mas quase todos, e sem dúvida os mais importantes: aqueles em que se procurava responsabilizar o Banco por falhas de supervisão e os do contencioso da resolução. Como por exemplo a retransmissão das obrigações do Novobanco para o BES.

Noutro plano, nos processos contraordenacionais, em que tivemos de aplicar sanções com todas as garantias, nos universos BES e Banif, as decisões judiciais confirmaram no essencial as posições do Banco. Se não fosse assim teria sido mais difícil.

A resolução devia ter saído da órbita do Banco de Portugal?

Não acho que esse fosse uma boa solução. A decisão de fazer do Banco de Portugal a autoridade nacional de resolução foi acertada e recentemente até foi estendida às contrapartes centrais. Seria muitíssimo pior lidar com uma instituição nova, sem recursos, quando o Banco tem os recursos humanos e o conhecimento para o fazer.

Quando é que o Fundo de Resolução vai pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos?

Tencionamos pagar no final de 2026 ou início de 2027.

Essa receita decorre da venda do Novobanco?

Também, mas não apenas. Temos ainda os dividendos da Oitante, rendimentos das aplicações dos recursos do fundo e, naturalmente, as contribuições do setor bancário, que se mantém.

Vamos cumprir os contratos e, ao reembolsar capital, deixamos de pagar os juros que teríamos se mantivéssemos a dívida, o que significa um ganho substancial, na ordem das dezenas de milhões de euros.

Os empréstimos não foram contratualizados todos na mesma data nem têm todos as mesmas regras, e alguns passam a pagar juros em 2027. O aspeto central é que temos recursos reunidos para pagar entre 1,7 mil e 1,9 mil milhões, o que melhora a situação líquida do fundo e evita que sejamos onerados com juros. Não é ainda a dívida toda, há muito trabalho a fazer. O Estado será reembolsado e as instituições também.

Qual é o impacto nas contas do fundo da liquidação desses 1,9 mil milhões de euros?

Posso-lhe dizer que a liquidação de 1,9 mil milhões de euros permite uma poupança bruta anual de juros de 67,8 milhões de euros. Em contrapartida, há uma perda de rendibilidade de 42,6 milhões associada à amortização, porque o montante aplicado passa a ser inferior ao atual. A poupança líquida estimada para o Fundo de Resolução é, assim, de 25,2 milhões.

Há bocado perguntou-me o que ficou por fazer, aqui está uma coisa que ficou por fazer, neste domínio da resolução: reembolsar os empréstimos, embora, como já disse, isto não ficou feito, mas ficou bem preparado. Portanto, estamos em condições de o fazer, mas o reembolso não foi ainda efetivado. Até agora só pagámos juros e ainda não começámos a reembolsar capital, o que acontecerá no fim de 2026 e início de 2027.

A segunda coisa que ficou por fazer foi o reembolso aos credores do BES ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. As compensações também ficam por resolver. Já constituímos uma provisão…

Os 630 milhões valor da provisão para cumprir o princípio “no creditor worse off” no BES é uma estimativa realista e quando será pago aos credores?

Constituímos essa provisão sabendo que mais cedo ou mais tarde teria de haver este pagamento, porque é um pilar essencial da legalidade da resolução. Quando um credor recebe menos na resolução do que teria recebido numa liquidação, tem de ser compensado. Uma avaliação independente estimou que os credores comuns receberiam 31,7% do seu crédito se o BES tivesse ido para liquidação em agosto de 2014.

Teoricamente teria de se esperar pelo fim da liquidação do BES, mas houve um movimento por parte dos credores no sentido de que, sendo já reconhecido como privilegiado (o crédito do Fundo de Resolução), podem estar reunidos os pressupostos para que a compensação se exerça. Na provisão usámos um critério de prudência, que não quer dizer que seja o valor final, pode ser menos. Mas as contas têm de ter total transparência, e para isso era fundamental que, ao registar a receita decorrente da venda do Novobanco, também se constituísse essa provisão.

O pagamento está sujeito a requisitos que têm de ser verificados em concreto para cada crédito. A única garantia é que receberão, sem dúvida, aqueles que em que se verificarem todos os requisitos previstos na lei.

O que sucederá no momento em que a autoridade de resolução entender que estão verificados todos os pressupostos. Isto é, que sejam reconhecidos como credores comuns e que esteja fixado o montante. Terá de haver um procedimento regulamentar. Fizemos uma consulta pública e acabámos de receber as respostas.

Portanto não darei uma data específica, mas é bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos a alguns. Isto é uma decisão tomada credor a credor, e cada um vai cumprindo os requisitos recebe.

Impulsionou um Código da Atividade Bancária que não saiu da gaveta. Qual era a sua importância?

O atual RGICSF é de 1992 e tem centenas de alterações: é uma manta de retalhos, quase indecifrável em alguns aspetos. O CAB era uma verdadeira reforma da legislação do setor financeiro. O trabalho começou em 2019, com a ideia de revogar o RGICSF e substituir por esse código. Politicamente não foi possível, houve dissoluções do parlamento, mudanças de Governo e o Código tinha de passar pela Assembleia da República.

Mas nem tudo se perdeu. No contexto da transposição da CRD VI há elementos importantes que estavam previstos no CAB e que poderão manter-se no novo RGICSF, como a organização do diploma, o sentido codificador, a sequência das normas e o regime da tramitação eletrónica dos processos contraordenacionais. Há aspetos, quer de forma, quer de substância, que irão agora integrar o novo RGICSF. Portanto, não será um novo código, mas será um novo RGICSF.

A união bancária é essencial para remover obstáculos às fusões transfronteiriças. A concentração bancária deve ser promovida?

As fusões transfronteiriças têm toda a gente a favor, exceto quando lhes toca a eles… Portugal é até um bom exemplo. A venda do Novobanco ao BPCE foi uma operação transfronteiriça e correu bem. Acho que a concentração bancária não se pode fazer por decreto. Percebo que os bancos europeus tenham de ser grandes à escala da União e à escala mundial, e a dimensão conta para ser mais competitivo, mas tem de nascer do mercado, das sinergias que as instituições encontrem entre si. Não deve ser uma política de cima para baixo, até porque temos de salvaguardar a concorrência, hoje a uma escala mais ampla do que a dos mercados nacionais. Para isso existem a Comissão Europeia e as autoridades nacionais de concorrência.

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La otra emergencia: urgencias saturadas y forenses al límite

La tragedia ferroviaria de Urda (Toledo) ha puesto a prueba la capacidad de respuesta de los servicios sanitarios de Castilla-La Mancha, cuyos profesionales llevan meses alertando de las dificultades que afrontan en su trabajo diario. El pasado junio, los médicos del servicio de Urgencias del Hospital Universitario de Toledo denunciaron una situación crítica por la falta de facultativos, la sobrecarga asistencial y la insuficiencia de espacios para atender a los pacientes.

Esta advertencia ha cobrado especial relevancia tras el accidente, que ha obligado a movilizar a numerosos profesionales y reorganizar la asistencia hospitalaria para atender a los heridos.

Según informó ayer Ep, Miguel Ángel Rodríguez, delegado de CSIF Sanidad Toledo y médico de Urgencias, fue el responsable de la recepción de pacientes del accidente ferroviario. A pesar de estar acostumbrado a situaciones de emergencia, calificó lo que se vivió en la mañana del miércoles como un «drama terrible», y todo ello «en una situación especialmente complicada por la saturación y falta de profesionales que arrastra el servicio de urgencias».

Este sanitario relató también que son momentos «que dejan una profunda huella emocional», al tiempo que subrayó «la movilización de todos los recursos y de todos los trabajadores en la atención a los pacientes, incluso vinieron de sus casas para ayudar en lo que pudieran».

"Siempre saturado"

El preaviso de los equipos de emergencia hizo que diera tiempo a preparar el servicio de urgencias, «siempre saturado de pacientes pendientes de ingreso», según informó la Central Sindical Independiente y de Funcionarios.

Desde esta entidad quisieron destacar a su vez que el compromiso de los empleados públicos no termina con la primera respuesta a la emergencia, ya que su labor «seguirá siendo imprescindible durante los próximos días, tanto en la atención y recuperación de las personas heridas como en el acompañamiento a las familias, la coordinación de los recursos y la recuperación progresiva de la normalidad».

Esta irrupción de la normalidad también llevó a los médicos de la Comunidad de Madrid a aparcar temporalmente sus reivindicaciones laborales. El Comité de Huelga Médica y Facultativa anunció a la Consejería de Sanidad su decisión de suspender las jornadas de paro previstas para esta semana, «por respeto a las víctimas y sus familias». La huelga había comenzado el miércoles y estaba convocada para reclamar mejoras laborales ante el bloqueo de las negociaciones con la Administración regional. Desde el momento del accidente, el comité reiteró la disposición de los profesionales a colaborar ante cualquier necesidad extraordinaria derivada del accidente, así como recordó que los servicios mínimos garantizan una cobertura del 100% en urgencias y emergencias. Además, hicieron un llamamiento a la ciudadanía para que consultara los canales oficiales sobre los puntos habilitados para donar sangre, en función de las necesidades de los servicios sanitarios.

Pero las denuncias sobre la falta de medios no se limitan únicamente a los servicios hospitalarios. El pasado abril, CSIF reclamó el cierre del Instituto de Medicina Legal y Ciencias Forenses de Toledo por las deficiencias que, según el sindicato, presentaban sus instalaciones.

Entre los problemas señalados figuraban carencias en los sistemas de filtración y ventilación, deficiencias en la gestión de residuos biológicos y escasez de equipos de protección individual. La organización sindical alertó también de que cinco trabajadores habían dado positivo en las pruebas de tuberculosis y exigió el traslado urgente a una nueva sede, inaugurada en marzo, pero que todavía no estaba operativa cuando se publicó la denuncia.

La capacidad ordinaria del Instituto de Medicina Legal y Ciencias Forenses de Toledo se sitúa en torno a los 30 cuerpos aproximadamente, por lo que han necesitado un refuerzo extraordinario para hacer frente al elevado número de fallecidos. La Unidad Militar de Emergencias (UME) ha instalado una morgue provisional junto a este centro, con el fin de ampliar la capacidad de recepción de los cuerpos.

Al cierre de esta edición, casi todos los cuerpos rescatados de los trenes siniestrados habían sido trasladados a esas dependencias. Ahora, decenas de familias esperan pruebas de ADN para poder confirmar si la persona a la que buscan ha fallecido o está en algún hospital.

Una labor que exige precisión, tiempo y recursos en medio de una tragedia que ha desbor-

dado la capacidad ordinaria de respuesta.

© PHOTOGRAPHERS

UME, bomberos y policía científica trabajan en los trenes del accidente de Toledo. David Jar
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Advogado português é mulher, tem entre 45 e 49 anos, trabalha por conta própria e maioria ganha até 2.157 euros por mês


O advogado português típico é uma mulher, tem entre 45 e 49 anos, exerce por conta própria, trabalha sozinha ou com apenas mais um colega e faz “um pouco de tudo”. Ganha entre 1.438 e 2.156 euros brutos por mês com a advocacia, trabalha frequentemente mais de nove horas por dia e, muito provavelmente, não utiliza um programa informático para gerir os processos.

É este o retrato que resulta do relatório “A Advocacia Portuguesa em 2027”, da Legau, a que o ECO/Advocatus teve acesso. Diz ainda que os advogados estão concentrados em Lisboa e no Porto e exercem em estruturas de pequena dimensão. De acordo com o relatório, 64,3% exercem de forma individual e independente e 54,1% trabalham em locais onde há apenas um ou dois advogados. O relatório conclui ainda que 68,7% consideram que a Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS) não assegura direitos adequados. Além disso, 56,1% dos pais e mães advogados inquiridos afirmaram não ter recebido qualquer apoio parental.

Este relatório assenta em fontes publicadas entre 2005 e 2026: oficiais e primárias (Ordem dos Advogados, Direção-Geral de Política de Justiça, Pordata, Diário da República, INE), académicas (pesquisa sistemática na literatura académica portuguesa em acesso aberto), internacionais (CEPEJ, Eurostat, OCDE, CCBE, WJP) e de mercado. Todas as fontes encontram-se identificadas ao longo do texto e no final do relatório.

Mais de metade ganha menos de 2.157 euros

Os rendimentos são uma das dimensões mais expressivas do retrato. No inquérito da Ordem dos Advogados de 2024, 58,1% dos respondentes declararam receber menos de 2.157 euros brutos mensais provenientes da advocacia. Um em cada quatro indicou rendimentos inferiores a 719 euros por mês. No extremo oposto, apenas 7,2% declararam ganhar mais de 7.188 euros mensais.

Quase metade dos inquiridos, 49%, considera injusta a remuneração que recebe. O relatório alerta que uma média global pode ocultar a desigualdade entre a base da profissão e os rendimentos mais elevados: a distribuição está concentrada nos escalões mais baixos, apesar de existir um grupo de profissionais com ganhos muito superiores.

A idade melhora os rendimentos, mas não elimina a precariedade económica. Entre os advogados com 20 a 29 anos, 31,4% declaram ganhar menos de 719 euros mensais com a atividade. Mesmo entre os 50 e os 59 anos, essa proporção continua perto de um quinto.

O género também marca diferenças. Embora as mulheres sejam maioritárias na profissão, estão mais representadas nos escalões de rendimento inferiores. A partir dos 2.876 euros mensais, os homens surgem em maior proporção; acima dos 7.188 euros, são cerca de três vezes mais do que as mulheres. E a diferença não é explicada por uma jornada de trabalho mais longa dos homens: as horas declaradas são semelhantes.

As avenças ajudam a perceber parte do fosso. Os homens têm-nas com maior frequência — 53,7%, contra 40,1% das mulheres — e recebem, em geral, valores superiores por essa via. Entre os profissionais com avenças, 21,2% dos homens recebem mais de 2.876 euros mensais, contra 7,1% das mulheres.

João Massano, bastonário da Ordem dos AdvogadosLusa

Uma profissão cada vez mais feminina e envelhecida

Em 2025, estavam inscritos na Ordem dos Advogados 36.458 profissionais, mais de três vezes os 11.319 registados em 1990. As mulheres representam 57% dos inscritos, tornando-se maioritárias na profissão. O escalão etário mediano situa-se entre os 45 e os 49 anos, e mais de um em cada cinco advogados tem 60 anos ou mais.

A distribuição geográfica é igualmente concentrada: cerca de 80% dos advogados estão inscritos nos Conselhos Regionais de Lisboa e do Porto. A concentração repete-se nas novas entradas na profissão. Em 2025, Lisboa registou 518 novas inscrições e o Porto 356, enquanto os conselhos regionais mais pequenos tiveram menos de 30 cada um.

Esta diferença tem consequências para a renovação da classe. Nas regiões com menos entradas, a profissão tende a envelhecer mais: segundo os dados citados no relatório, a idade média dos advogados inscritos no Conselho Regional de Évora é de 51 anos, contra 45 no Porto.

Sozinhos, generalistas e com poucos clientes

A maioria dos advogados não trabalha numa grande sociedade. De acordo com o relatório, 64,3% exercem de forma individual e independente e 54,1% trabalham em locais onde há apenas um ou dois advogados. Três em cada quatro exercem em estruturas com menos de cinco profissionais.

A prática é predominantemente generalista: 72,2% dos inquiridos descrevem a sua atividade como abrangendo várias áreas do Direito, em vez de se concentrarem numa especialidade. Este modelo de proximidade permite acompanhar diretamente os clientes e responder a problemas diversos, mas também pode significar menos recursos para investir em tecnologia, gestão e especialização.

A estrutura económica do setor revela uma realidade desigual. Em 2024, a faturação média anual de uma atividade individual de advocacia rondava os 31.800 euros. Nas sociedades de advogados, o volume de negócios médio por pessoa era bastante superior, situando-se perto dos 202 mil euros. As 30 maiores sociedades representavam cerca de um terço da faturação do setor, segundo os dados analisados pela Legau.

Jornadas longas e insatisfação com a proteção social

A remuneração não é o único problema. Quase metade dos advogados trabalha mais de nove horas por dia e cerca de um terço afirma não conseguir um equilíbrio satisfatório entre a vida profissional e a pessoal. Quase metade diz que o trabalho não lhe permite passar com a família tanto tempo quanto gostaria.

A insatisfação estende-se à proteção social. Segundo o inquérito da Ordem dos Advogados de 2024, 68,7% consideram que a Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS) não assegura direitos adequados. Além disso, 56,1% dos pais e mães advogados inquiridos afirmaram não ter recebido qualquer apoio parental.

Os estudos sobre saúde mental citados no relatório apontam também para sinais de desgaste, embora tenham amostras específicas e não representativas de toda a classe. Num estudo realizado em 2022 junto de mais de dois mil advogados ligados ao Conselho Regional de Lisboa, 52,5% apresentavam risco elevado de burnout e 16,4% tinham burnout instalado.

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Fair Play nach geopolitischem Willen. Wie der Sport zum Instrument gegen Russland wurde

Auf den ersten Blick hat diese Geschichte weder mit Deutschland noch mit Europa besonders viel zu tun. Am 31. Oktober beginnen in Dakar die Olympischen Jugendspiele, zum ersten Mal überhaupt findet damit eine olympische Veranstaltung auf afrikanischem Boden statt. Doch tatsächlich zeigt gerade Dakar ein weiteres Feld der europäischen Konfrontation mit Russland – eines, das mit Sport im eigentlichen Sinne und mit den viel beschworenen Prinzipien des „Fair Play“ inzwischen nur noch wenig zu tun hat.

Russland wird im Senegal mit lediglich 13 jungen Athleten vertreten sein. Immerhin dürfen sie wieder unter der eigenen Flagge antreten, und bei einem Sieg soll auch die russische Hymne erklingen. Nach Jahren der Verbote, neutralen Uniformen und absurden Konstruktionen, bei denen ein Sportler zwar Russe sein durfte, Russland aber möglichst nicht erwähnt werden sollte, sieht das zunächst wie eine Rückkehr zur Normalität aus.

Ist es aber nicht.

Denn diese Rückkehr erfolgt nur teilweise. Der Internationale Olympische Ausschuss hat seine bisherigen Empfehlungen gegenüber russischen Athleten inzwischen weitgehend aufgehoben. Verbindlich sind diese Entscheidungen für die internationalen Sportverbände jedoch nicht. Deshalb entsteht eine ausgesprochen merkwürdige Situation: In einer Sportart treten Russen wieder mit Flagge und Hymne an, in einer anderen bleiben sie „neutral“, in einer dritten dürfen sie weiterhin überhaupt nicht starten.

Mit sportlicher Leistung hat das alles nichts zu tun.

Ein junger Schwimmer, Judoka oder Radfahrer wird damit nicht danach beurteilt, wie schnell er schwimmt, wie gut er kämpft oder wie stark er fährt, sondern danach, welchen politischen Kurs die jeweilige internationale Föderation für richtig hält.

Das nennt sich dann gerne Autonomie des Sports. In Wirklichkeit ist es die institutionalisierte Politisierung des Sports.

Besonders deutlich wird der Widerspruch beim Vergleich mit Israel. Seit Jahren werden russische Sportler für einen Krieg sanktioniert, den sie weder begonnen haben noch beeinflussen können. Israelische Athleten dagegen treten trotz des Krieges im Gazastreifen weiterhin ganz selbstverständlich mit Nationalflagge, Hymne und Mannschaftsbezeichnung auf.

Der IOC erklärt diesen Unterschied formal damit, dass das israelische und das palästinensische Nationale Olympische Komitee die Olympische Charta einhalten. Gleichzeitig betont dieselbe Organisation inzwischen wieder ausdrücklich, dass Athleten grundsätzlich nicht für die Handlungen ihrer Regierungen verantwortlich gemacht werden dürften.

Eine ausgezeichnete Erkenntnis. Nur hätte man sie vielleicht auch schon 2022 auf russische Sportler anwenden können.

Genau darin liegt das eigentliche Problem. Nicht darin, dass israelische Athleten teilnehmen dürfen – selbstverständlich sollen sie teilnehmen. Sondern darin, dass für Russen jahrelang völlig andere Maßstäbe galten.

Entweder trägt ein Athlet Verantwortung für die Politik seines Staates – dann müsste diese Regel für alle gelten. Oder er trägt sie nicht – dann hätte man russische Schwimmer, Turner, Fechter und Jugendliche niemals kollektiv bestrafen dürfen. Eine dritte Variante gibt es eigentlich nicht. Es sei denn, die Regeln werden abhängig davon angewendet, welches Land gerade politisch bestraft werden soll. Und genau danach sieht es aus.

Der Ausschluss Russlands aus weiten Teilen des internationalen Sports war von Anfang an weniger ein sportliches Instrument als eine Form politischer Sanktion. Er sollte Russland isolieren, aus internationalen Strukturen verdrängen und zugleich demonstrieren, dass ein Land, das sich dem westlichen politischen Konsens widersetzt, selbst in Bereichen bestraft werden kann, die mit Außenpolitik überhaupt nichts zu tun haben.

Dass dabei ausgerechnet junge Sportler getroffen wurden, machte die Angelegenheit nur noch grotesker.

Gerade die Jugendspiele in Dakar zeigen nun, wie widersprüchlich das System geworden ist. Einerseits erklärt der IOC plötzlich, insbesondere junge Athleten dürften nicht für Entscheidungen ihrer Regierungen verantwortlich gemacht werden. Andererseits bleiben die Folgen der früheren politischen Entscheidungen bestehen, weil einzelne Verbände weiterhin eigene Restriktionen anwenden können.

So entsteht keine Rückkehr zum Sport, sondern ein Flickenteppich politischer Loyalitätsprüfungen.

Dazu kommt die besondere Behandlung russischer Athleten im Anti-Doping-System. Wer nach längerer Abwesenheit wieder in internationale Wettbewerbe zurückkehrt, muss mehrfach getestet worden sein, russische Anti-Doping-Programme werden zusätzlich international überwacht, und einzelne Verbände können weitere Anforderungen festlegen.

Formal lässt sich das alles mit der Vorgeschichte des russischen Dopingsystems begründen. Praktisch entsteht aber erneut eine zusätzliche Hürde, die ausschließlich eine bestimmte Nationalität betrifft. Auch hier lautet das Problem nicht, dass kontrolliert wird. Dopingkontrollen sind notwendig. Die Frage ist vielmehr, wann Kontrolle aufhört, allgemeine sportliche Regel zu sein, und wann sie zum zusätzlichen politischen Zulassungsinstrument wird.

Parallel dazu verkauft der IOC Dakar 2026 als großes historisches Projekt: die ersten Olympischen Spiele auf afrikanischem Boden, ein Fest der Jugend, Afrikas und der internationalen Verständigung. Schöne Worte.

Die finanziellen und infrastrukturellen Risiken trägt allerdings vor allem Senegal. Sportstätten müssen modernisiert, Infrastruktur geschaffen, Sicherheits- und Organisationskosten übernommen werden. Der IOC erhält dagegen genau das, was eine Organisation seiner Art am dringendsten benötigt: neue Märkte, neue Bilder und den enormen symbolischen Gewinn, erstmals die olympischen Ringe auf dem afrikanischen Kontinent präsentieren zu können.

Auch das gehört inzwischen zum modernen Olympismus: Risiken werden lokalisiert, der internationale Reputationsgewinn wird globalisiert.

Und gleichzeitig spricht man weiter von Frieden, Völkerverständigung und politischer Neutralität. Vielleicht liegt gerade darin die größte Ironie. Der Sport sollte eigentlich einer der letzten Räume sein, in denen ein Mensch nicht als Bürger eines „richtigen“ oder „falschen“ Staates betrachtet wird, sondern schlicht als Athlet. Genau deshalb existiert überhaupt die Idee des Fair Play.

Doch im Verhältnis zu Russland wurde dieser Grundsatz jahrelang außer Kraft gesetzt. Nicht weil dadurch ein Krieg beendet worden wäre. Nicht weil ein russischer Judoka Einfluss auf Entscheidungen im Kreml hätte. Nicht weil ein 17-jähriger Schwimmer die russische Außenpolitik bestimmen könnte. Sondern weil Russland bestraft werden sollte.

Und besonders in Europa wurde diese Bestrafung längst zu einem politischen Selbstzweck. Russland muss ausgeschlossen, isoliert und sanktioniert werden – selbst dort, wo der Zusammenhang zwischen Sanktion und angeblichem Ziel vollkommen verschwunden ist.

Wenn dieselben Prinzipien bei anderen Kriegen plötzlich nicht mehr gelten, bleibt am Ende nur eine Erklärung übrig: Es geht nicht um universelle Regeln. Es geht darum, gegen wen sie angewendet werden.

Spätestens dort endet Fair Play und beginnt Politik. Oder, präziser gesagt: blanke Russophobie im Sportdress.

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Los controladores de Atocha ordenaron seguir el protocolo equivocado antes del choque entre el AVE y el Iryo: “Me estaba liando”

Los controladores del centro de coordinación de Atocha (Madrid) ordenaron al AVE 2080 que siguiera un protocolo equivocado antes de que el miércoles embistiera al Iryo 6076 en la localidad toledana de Urda, causando al menos 69 muertos y 58 heridos. Así se desprende del libro de normas del maquinista de Renfe y de los testimonios recabados por este diario de tres expertos con experiencia en el manejo de la línea de alta velocidad que une Madrid y Sevilla.

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© Moncloa (Europa Press)

El Centro de Regulación de Circulación (CRC) de Adif en la estación de Madrid-Puerta de Atocha, en Madrid (España), a 14 de enero de 2021.
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Preguntas y respuestas sobre el accidente de Urda: lo que explican y lo que no los audios entre los maquinistas y el centro de control

Los trenes siniestrados en las inmediaciones de Urda (Toledo).

Los audios de las conversaciones entre el centro de mando de la estación de Atocha y los maquinistas de los trenes siniestrados este miércoles cerca de Urda (Toledo), apuntan, como sostuvo desde el primer momento el Ministerio de Transportes, a un fallo humano. Pero un análisis pormenorizado con expertos, entre ellos, maquinistas, de esas grabaciones y la compleja jerga de siglas y acrónimos que manejan, hablan de un error mucho más extendido, que alude directamente al sistema.

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El mundo editorial busca cómo marcar las líneas rojas en el uso de la IA

Casetas de libros en Sant Jordi en Barcelona.

La discusión en torno al uso de la inteligencia artificial en la producción editorial se centraba hasta hace unos meses en el ámbito de habla hispana en la regulación de su uso para la confección de portadas, de textos de contraportada, o en su empleo en traducciones y en audiolibros. Los contratos entre editoriales y autores, a menudo supervisados por agentes literarios, han tratado de asegurar que, tras la automatización, implícita en el uso de la nueva y cambiante herramienta, siempre había un humano que revisaba y firmaba el trabajo, que asumía la autoría en los aspectos formales de ese artefacto llamado libro. “Nuestra postura ha sido contraria al uso de IA en portadas o contraportadas o audiolibros y hemos incluido cláusulas en este sentido en los contratos”, explica Mónica Martín de la agencia MB. “Con nuestros autores tenemos una relación de confianza, con frecuencia revisamos varios borradores de una misma obra. No tenemos nada estipulado contractualmente con ellos sobre la IA”.

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Un usuario prueba la aplicación Pangram de detección de texto generado con IA.
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Las llamadas entre Atocha y los maquinistas antes del choque de Urda, explicadas frase a frase

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Pocas horas después del accidente de Urda se han difundido tres audios: uno recoge la conversación entre el Centro de Regulación de Circulación (CRC) de Adif, ubicado en Atocha, y el maquinista del tren AVE 02080. Era Antonio Acedo Meneses, que falleció en el choque. Las otras dos grabaciones son llamadas entre ese mismo centro y la maquinista del Iryo. No fueron las únicas: el puesto de mando de Atocha presumiblemente contactó con todos los trenes afectados por el fallo que pararía a los accidentados.

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Fuentes

Las principales fuentes de normativa utilizadas para analizar los audios han sido el Reglamento de Circulación Ferroviaria (RD 664/2015), texto consolidado del BOE, y los modelos oficiales de telefonema del LZB que incluye; el Libro de Normas del Maquinista, Grupo Renfe; Libro de Telefonemas Adif.

En la realización de esta información se han utilizado agentes de inteligencia artificial para calcular las velocidades de los trenes y su posición aproximada. Los datos de geolocalización de trenes de Renfe proceden de los datos que publica la operadora en tiempo real y su histórico ha sido recopilado por la página web Retrasómetro, que utiliza datos públicos GTFS de Renfe.

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La gran experta en brecha salarial: "Las profesiones feminizadas tienen el doble de probabilidades de ser afectadas por la IA"

La gran experta en brecha salarial: "Las profesiones feminizadas tienen el doble de probabilidades de ser afectadas por la IA"

Emanuela Pozzan, especialista de la Organización Internacional del Trabajo, habla de que los resultados en el mercado laboral dependen de desigualdades acumuladas en el tiempo, y advierte: "Las competencias asociadas a las mujeres son invisibles a la hora de fijar los salarios"

No te dejes engañar: si no ves la brecha salarial a los 25 te la encontrarás a los 40 (salvo que hagamos algo para evitarlo)

El negacionismo alcanza también a la brecha salarial de género: a pesar de la evidencia acumulada, quienes se empeñan en negar su existencia ignoran los datos y retuercen las pruebas. El V Congreso Internacional sobre Brecha Salarial celebrado recientemente en Bilbao puso sobre la mesa el diagnóstico actual y algunas de la políticas con las que distintos territorios intentan atajarla. Emanuela Pozzan fue una de las ponentes: especialista principal en igualdad de género y no discriminación de la Organización Internacional del Trabajo (OIT), Pozzan defiende que la brecha debe verse como un cruce de desigualdades que debe abordarse, por tanto, desde diferentes ámbitos al mismo tiempo.

¿Cómo ha evolucionado la brecha salarial de género en los últimos años, especialmente en Europa?

En general, se han logrado avances, pero han sido demasiado lentos. Las últimas estimaciones de la OIT muestran que las mujeres con empleo asalariado siguen ganando, de media, alrededor de un 18% menos que los hombres a nivel mundial. En la UE, la brecha salarial no ajustada se redujo del 13,7% en 2019 al 11,1% en 2024. Eso significa que los ingresos brutos medios por hora de las mujeres son un 11,1% inferiores a los de los hombres. Es importante destacar que se trata de una brecha salarial por hora sin ajustar. Es decir, no se trata de que una mujer y un hombre que realizan exactamente el mismo trabajo reciban una remuneración diferente, sino que es una cifra que refleja la estructura más amplia del mercado laboral: los puestos de trabajo que desempeñan las personas, los sectores en los que trabajan, la jornada laboral, el acceso a puestos de responsabilidad y a la progresión profesional, y la discriminación directa o indirecta.

En los últimos años, España ha mejorado sus datos, ¿qué ha hecho para que la evolución de la brecha salarial sea favorable?

España ha sido pionera en la lucha contra la brecha salarial de género mediante la creación progresiva de un marco alrededor de la transparencia salarial, los planes de igualdad, los registros y auditorías salariales, y la clasificación y evaluación de puestos de trabajo neutras en cuanto al género. La norma aprobada en 2020 reforzó el principio de igualdad de remuneración y exige a los empleadores que aborden la valoración de los puestos de trabajo. España también cuenta con una herramienta nacional de evaluación de puestos de trabajo desarrollada a través del diálogo social. Las políticas españolas en materia de salario mínimo y reformas laborales han beneficiado de manera clara a las mujeres, ya que estas siguen siendo mayoría entre los trabajadores con salarios más bajos. Evitaría atribuir la mejora de España a una única reforma, es mejor entenderla como el resultado de un conjunto de medidas que se han aplicado junto con cambios en el empleo y en la composición del mercado laboral.

España ha sido pionera en la lucha contra la brecha salarial de género. Las políticas españolas en materia de salario mínimo y reformas laborales han beneficiado de manera clara a las mujeres, ya que estas siguen siendo mayoría entre los trabajadores con salarios más bajos

¿Qué sostiene hoy la brecha salarial?, ¿por qué existe?

La brecha salarial de género persiste porque no se debe a un único factor, es el resultado acumulativo de las desigualdades estructurales a lo largo de toda la vida. Las investigaciones de la OIT indican que la brecha deriva de varios factores que interactúan entre sí: la segregación ocupacional y sectorial; el acceso desigual a puestos de trabajo mejor remunerados y a puestos de liderazgo; la distribución desigual de los cuidados no pagados; las interrupciones en la carrera profesional y las diferencias en la jornada laboral; los estereotipos de género; la discriminación; la infravaloración del trabajo realizado predominantemente por mujeres; y, en muchos países, la economía informal y la débil protección social. Por eso, el nuevo enfoque de la OIT para 2026 es deliberadamente integral: combina la medición, la legislación y su aplicación, la evaluación objetiva de los puestos de trabajo, las políticas salariales, la transparencia salarial, el diálogo social, la inspección del trabajo, la protección social, las políticas de cuidados, y las medidas contra los estereotipos y las normas sociales.

En otras palabras, no debemos limitarnos a preguntarnos '¿se remunera de forma diferente a mujeres y hombres por el mismo trabajo?', también tenemos que preguntarnos: '¿por qué realizan mujeres y hombres trabajos diferentes, por qué algunos de esos trabajos están infravalorados y se remuneran de forma diferente, y por qué las mujeres tienen menos acceso a las oportunidades mejor remuneradas?'.

Hay expertas que sostienen que la brecha salarial empieza a generarse antes de entrar en el mercado laboral, ¿por qué?

Porque los resultados en el mercado laboral se ven influidos por decisiones y oportunidades que ya están condicionadas por el género antes incluso de presentar la primera solicitud de empleo. Las niñas y los niños se enfrentan a expectativas diferentes sobre lo que constituye una carrera profesional adecuada. Estas expectativas influyen en las decisiones educativas, en las áreas de estudio, las aspiraciones profesionales y la confianza a la hora de acceder a determinadas profesiones. Posteriormente, esas decisiones interactúan con las prácticas de contratación de las empresas, el acceso a la formación y a las redes de contactos, y la disponibilidad de servicios de cuidado.

La brecha salarial de género persiste porque no se debe a un único factor, es el resultado acumulativo de las desigualdades estructurales a lo largo de toda la vida

Desde la perspectiva de la OIT, la segregación ocupacional sigue siendo una característica importante tanto de la formación como de los mercados laborales. A menudo se canaliza a las mujeres hacia ocupaciones y sectores que están peor remunerados y gozan de un estatus inferior, mientras que las políticas de cualificación no se traducen automáticamente en resultados de igualdad en el empleo. Por lo tanto, se produce el 'efecto tubería': la desigualdad puede acumularse antes del empleo y, posteriormente, ampliarse durante el empleo a través de la progresión profesional, la maternidad o paternidad, la jornada laboral y la fijación de salarios.

¿Sigue habiendo resistencia a aceptar la premisa de que la igualdad salarial implica igual remuneración por trabajo de igual valor?

Puede haber resistencia institucional y práctica, ya que este principio cuestiona formas tradicionales de valorar el trabajo. Puede exigir a los empleadores, a los interlocutores sociales y a los responsables políticos que revisen las clasificaciones de puestos de trabajo, las estructuras salariales y los supuestos sobre lo que constituye un trabajo 'valioso'. La distinción clave es entre la igualdad salarial por igual trabajo y la igualdad salarial por trabajo de igual valor. La igualdad salarial por igual trabajo plantea la siguiente pregunta: ¿Se remunera por igual a dos personas que realizan un trabajo idéntico o sustancialmente similar? La igualdad de remuneración por trabajo de igual valor plantea una pregunta más amplia: si los trabajos son diferentes, ¿tienen, no obstante, un valor comparable cuando se evalúan según criterios objetivos? Esto es esencial porque las mujeres y los hombres suelen concentrarse en ocupaciones diferentes.

El trabajo emocional, las habilidades interpersonales, la responsabilidad por el bienestar de las personas y la atención continua a los demás pueden ser sistemáticamente menos visibles a la hora de fijar los salarios

Por ejemplo, un trabajo de soporte informático y un trabajo de asistencia social a domicilio pueden parecer completamente diferentes, pero eso no nos dice si uno tiene mayor valor. Podemos evaluar los requisitos de ambos puestos —competencias, esfuerzo, responsabilidad y condiciones de trabajo— y determinar su valor relativo de forma objetiva. Por lo tanto, la igualdad de remuneración por un trabajo de igual valor no consiste únicamente en pagar lo mismo a todo el mundo. Se trata de garantizar que los diferentes trabajos no se valoren sistemáticamente de forma diferente por el mero hecho de estar tradicionalmente asociados a las mujeres o a los hombres.

¿Hay trabajos sistemáticamente infravalorados?

Sí. La OIT llama específicamente la atención sobre la infravaloración histórica de los puestos de trabajo y los sectores en los que se concentran las mujeres. La economía del cuidado (sanidad, educación, trabajo social) es uno de los ejemplos más claros. La cuestión no es necesariamente que todas las mujeres que ejercen una profesión predominantemente femenina estén mal remuneradas a título individual. Se trata de que las competencias y responsabilidades tradicionalmente asociadas a las mujeres pueden ser sistemáticamente menos visibles a la hora de fijar los salarios; por ejemplo, el trabajo emocional, las habilidades interpersonales, la responsabilidad por el bienestar de las personas y la atención continua a los demás.

Las profesiones en las que predominan las mujeres tienen casi el doble de probabilidades de verse expuestas a la IA generativa que aquellas en las que predominan los hombres; un 29% frente a un 16%

La guía de 2026 de la OIT ofrece un ejemplo especialmente llamativo de Australia, donde una revisión de la Comisión de Trabajo Justo encontró pruebas de una infravaloración por motivos de género en varios convenios colectivos dominados por mujeres, entre ellos los de profesionales sanitarios, atención comunitaria, servicios infantiles y farmacia, y, a raíz de estos hallazgos, se establecieron mecanismos para aumentar los salarios en estas profesiones mediante el diálogo social y la negociación colectiva. Precisamente por eso es importante la evaluación de puestos de trabajo: nos permite reevaluar si la forma en que se han remunerado históricamente refleja con precisión las competencias, el esfuerzo, la responsabilidad y las condiciones que realmente requieren.

¿Cómo puede afectar la inteligencia artificial a la brecha salarial de género?

La IA puede reducir o reproducir las desigualdades de género, dependiendo de cómo se gestione la transición. Las últimas investigaciones de la OIT revisten especial importancia en este sentido: las profesiones en las que predominan las mujeres tienen casi el doble de probabilidades de verse expuestas a la IA generativa que aquellas en las que predominan los hombres; un 29% frente a un 16%. Las mujeres están muy representadas en puestos de oficina, administrativos y de apoyo empresarial, donde las tareas rutinarias están más expuestas a la automatización. Al mismo tiempo, siguen estando infrarrepresentadas en las profesiones relacionadas con la IA y las STEM (ciencia, tecnología, ingeniería y matemáticas).

Sin embargo, la exposición no implica automáticamente la pérdida del empleo. En la mayoría de las profesiones, el efecto más probable es una transformación de las tareas, las competencias y las condiciones de trabajo. Por lo tanto, existen dos riesgos: las mujeres podrían verse expuestas de forma desproporcionada al desplazamiento o a la degradación laboral, al tiempo que se ven infrarrepresentadas en los nuevos puestos de trabajo mejor remunerados creados en torno a la IA. Pero también existe una oportunidad: podemos aprovechar la transición para acabar con la segregación ocupacional, invertir en las competencias digitales y en el ámbito de las STEM de las mujeres, garantizar que las mujeres participen en el diseño y la gestión de los sistemas de IA, y asegurarnos de que los cambios en las competencias y las responsabilidades se reflejen en la remuneración.

Los trabajos de cuidados son precisamente los empleos que no será posible reemplazar con automatización o inteligencia artificial, sin embargo, están mal considerados y pagados, ¿cómo cambiar eso?

El trabajo de cuidados es una infraestructura esencial para la economía, pero a menudo se infravalora, presenta malas condiciones laborales y está feminizado. El marco de las '5R' propuesto por la OIT resulta especialmente útil en este contexto: reconocer, reducir y redistribuir el trabajo de cuidados no remunerado, y recompensar y representar a los trabajadores y trabajadoras de cuidados remunerados. Esto implica invertir en servicios de cuidados accesibles, asequibles y de alta calidad; mejorar los salarios y las condiciones laborales; ampliar la protección laboral y social; reforzar la negociación colectiva y la representación de los trabajadores y trabajadoras; crear trayectorias profesionales; y animar también a los hombres a incorporarse a las profesiones relacionadas con los cuidados. La OIT vincula explícitamente la inversión en los cuidados con una mayor participación femenina en la población activa y una menor desigualdad de género.

Y hay una cuestión más amplia: la IA puede automatizar algunos componentes administrativos o rutinarios del trabajo de cuidados, pero no elimina la relación humana, la responsabilidad y las habilidades sociales que constituyen la esencia de los cuidados. En lugar de utilizar la tecnología para justificar los bajos salarios, deberíamos utilizarla para mejorar las condiciones laborales y reconocer el valor del trabajo humano que permanece.

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Menores abandonados a la intemperie en Ceuta después de que la Policía rompiera sus tiendas: "Os olvidasteis de nosotros"

Menores abandonados a la intemperie en Ceuta después de que la Policía rompiera sus tiendas: "Os olvidasteis de nosotros"

Tras el desalojo de las naves del Tarajal hace diez días, algunos menores han logrado entrar en un recurso de acogida, pero no todos han tenido la misma suerte y continúan durmiendo al raso

Militares rocían con gas pimienta a menores migrantes en Ceuta mientras caminan o vuelven de comprar comida

Cuando el pasado 18 de octubre Mohammed (nombre ficticio) subió al autobús después del desalojo de las naves del Tarajal, pensó que podría acceder a un centro de menores. Sin embargo, el chico de 17 años terminó de nuevo en la calle, esta vez sin su tienda de campaña ni las mantas con las que se protegía del frío. Diez días después ha conseguido entrar en un recurso de acogida. No todos los menores desalojados han tenido la misma suerte. 

Vivía en las naves del Tarajal desde finales de septiembre. Fue uno de los jóvenes que se trasladaron a este punto de Ceuta tras el desalojo de la playa de Benítez y en búsqueda de un lugar más seguro. Aunque entró a Ceuta el pasado 30 de julio acompañado de otros amigos de su misma edad, todos han vuelto a Marruecos. “La vida es cada vez más difícil”, contaba a este medio la semana pasada.

“Pensábamos que nos iban a registrar en la comisaría para entrar en el centro de menores. A algunos sí que los han registrado, a otros no”, explicaba. Mohammed dejó allí su tienda de campaña, las mantas que le refugiaban del frío y la ropa de abrigo. Tras el operativo de la Policía Nacional y de limpieza, se quedó sin esas pertenencias. Varios días después de aquel desalojo, lo único que lo cobijaba de la lluvia, el frío y el viento era una sudadera negra con capucha que no se quitaba ni siquiera cuando había algunos rayos de sol. 

Mohammed llevaba cuatro noches durmiendo en los alrededores de la Jefatura de Policía, en la Dirección General de la Policía en Ceuta. Primero, en la acera de enfrente del lugar donde, durante las últimas semanas, se ha filiado a muchos de los menores que actualmente se encuentran en recursos de acogida. La noche siguiente, algo más abajo, y, la tercera noche, en la propia playa de la Ribera. A todos estos días de incertidumbre los han acompañado las lluvias y el frío. “El primer día me mojé la ropa y ha tardado mucho en secar. Por las noches hace mucho viento y frío. Cada vez es más difícil dormir”, insistía. 

El 20 de octubre, Mohammed y el resto de los menores que pernoctaban en las puertas de uno de los comercios del centro de Ceuta fueron obligados a abandonar el lugar. Agentes de la Policía Nacional los trasladaron inicialmente a una calle cercana, pero las quejas de varios vecinos provocaron nuevos enfrentamientos y un segundo desalojo hacia un espacio más alejado de la comisaría. Durante este último desplazamiento se produjeron varias cargas policiales. Mohammed fue uno de los afectados.

“No tenemos donde dormir, nos pegan”

Ese mismo día acudió al servicio de Urgencias del Hospital Universitario de Ceuta acompañado por un profesional de Médicos del Mundo. Según recoge el informe médico al que ha tenido acceso elDiario.es, el menor manifestó que “ha sido agredido por la Policía Nacional dándole con una porra en la frente”. Mohammed, además, señaló que llevaba varios días con fiebre. El hospital emitió también un parte judicial, consultado por este medio, en el que figura “agresión” y se recoge que los hechos habrían ocurrido en la puerta de la policía. Mohammed recibió el alta médica esa misma noche y volvió a dormir en la calle, sin un refugio seguro. “Nadie nos quiere aquí. No tenemos donde dormir, nos pegan, no nos dejan entrar en los centros. ¿Qué hacemos?”, se preguntaba. 

Ayoub (nombre ficticio), otro de los menores de 17 años que estaba con Mohammed durante el desalojo el pasado 18 de octubre, también tuvo que acudir al Hospital Universitario de Ceuta. Según el parte judicial, al que también ha tenido acceso elDiario.es, se hace referencia a “una agresión con violencia afuera de la policía”. Ayoub también volvió a la calle. Un día después, sujetaba el papel del parte y, en la parte de atrás, dejaba ver un cartel que ponía: ‘Soy menor’. Aquella mañana seguía en los alrededores de la comisaría. “¿Por qué los mayores entraron en las carpas, allí en el Puerto, y nosotros no? Somos menores”, insistía. 

Tras los desplazamientos policiales del 20 de octubre, durante los cuales Mohammed y Ayoub denunciaron agresiones que los llevaron a recibir atención hospitalaria, ambos jóvenes, junto con otros integrantes del grupo, terminaron desplazándose a una zona todavía más alejada de la comisaría. “Nos hemos bajado aquí, a la playa, porque no quieren que estemos cerca de las calles. Vamos a dormir aquí esta noche y mañana lo volveremos a intentar”, contaba Bashir (nombre ficticio), uno de ellos, desde la playa de la Ribera. 

Tengo una cama y un lugar caliente donde dormir. Las noches son cada vez más fría. Ahora voy a descansar

Mohammed — 17 años

Esa noche, el viento de poniente sopló durante horas y se prolongó hasta bien entrada la madrugada. Los jóvenes, de entre 16 y 17 años, intentaban protegerse del frío envueltos en algunas mantas que les habían proporcionado las organizaciones que trabajan en Ceuta. Otros aseguran haber caminado hasta las barriadas de El Príncipe o Los Rosales para recoger provisiones. 

A la mañana siguiente, Brahim (nombre ficticio) temblaba. Su rostro, marcado por las ojeras de una noche en vela, parecía consumido por el cansancio. Los primeros rayos de sol de la mañana del miércoles no eran todavía suficientes para calentar su cuerpo. Brahim tiene 16 años, a punto de cumplir los 17, y se enroscaba en un edredón de felpa mientras avanzaba por la parte inferior del paseo marítimo de la playa de la Ribera. Antes de llegar a comisaría, guardó el edredón en una bolsa de plástico y se sentó en el suelo, apoyado sobre la pared, mirando al sol. Seguía tiritando.

A lo largo de la mañana, los jóvenes que unos días antes fueron desalojados del Tarajal, retomaban los cánticos y vítores que lideraban también los grupos de menores en la playa del Trampolín. “Queremos centro de menores”, gritaban. Delante, un grupo de policías vigilaba la zona. “Centro de menores, centro de menores”, insistían. Algunos de ellos, junto a un cartel que reclamaba sus derechos, participaban en una pequeña y breve manifestación por el paseo del Revellín. 

Antes de la protesta, la Policía Nacional insistía a los jóvenes con un “aquí no podéis estar, hoy no vais a poder entrar”. Uno de ellos, cansado de dormir varias noches por la zona y tras haber perdido todas sus pertenencias, denunció: “¿Otra vez? Nos decís mañana y mañana nunca hay nada. Mañana, mañana y mañana”.

“Os olvidasteis de nosotros”

Diez días después del desalojo de las naves del Tarajal, Mohammed consiguió acceder a un recurso de acogida. El pasado lunes 26 de octubre, tras esperar mañana y noche junto a los grupos de menores que entraban a filiarse, pudo ser registrado. Ahora duerme bajo un techo metalizado en uno de los centros que hay dentro de las propias naves del Tarajal, cerca de donde estaba su asentamiento improvisado. “Tengo una cama y un lugar caliente donde dormir. Las noches son cada vez más frías”, explica a este medio. “Ahora voy a descansar”, añade.

Ayoub no ha tenido la misma suerte. Continúa en una calle que es cada noche más fría. Igual que Hamza (nombre ficticio), otro menor marroquí de 17 años, que también sigue durmiendo a la intemperie. Ahora teme que los nuevos operativos policiales en barrios como Los Rosales, El Príncipe y otros puntos de Ceuta, terminen por devolverle a Marruecos. En los últimos días, la Policía Nacional ha desplegado dispositivos para localizar a personas que aún no han sido filiadas y trasladarlas al Centro de Atención Temporal de Extranjeros (CATE).

Amin (nombre ficticio), otro adolescente que también había vivido en la calle consiguió acceder a un centro de acogida la tarde del martes 27 de octubre. Antes había creado una cuenta de Instagram, para visibilizar las condiciones en las que seguían viviendo sus amigos. “Os olvidasteis de nosotros”, dice. Aunque él ya está acogido, explica que continuará visitando a sus compañeros que siguen frente a la comisaría o en otros puntos de la ciudad, documentando su situación y publicando vídeos para que no caiga en el olvido. 

En uno de los desalojos de las zonas aledañas a la comisaría en Ceuta, los menores aguantaban bajo la lluvia las próximas indicaciones policiales.
En uno de los desalojos de las zonas aledañas a la comisaría en Ceuta, los menores aguantaban bajo la lluvia las próximas indicaciones policiales.

Preguntado por elDiario.es sobre la situación de los menores que permanecen en las calles tras los desalojos del Tarajal, el Ministerio del Interior asegura que los chavales no vuelven a la calle una vez filiados. Siempre se les deriva a la ciudad autónoma o a recursos de acogida. Sin embargo, esta respuesta no aborda la situación de los jóvenes que todavía no han completado el procedimiento de filiación y que, pese a haber sido trasladados a dependencias policiales, no han accedido a ellas y han terminado nuevamente a la intemperie. 

Sobre la falta de atención a estos menores, Interior atribuye la responsabilidad de su protección a la Ciudad Autónoma. Según explican, durante los desalojos realizados en zonas como El Trampolín, Benítez o El Guano “siempre ha habido una comunicación necesaria y precisa” con la administración ceutí para que pudiera hacerse cargo de los menores localizados. El departamento sostiene, además, que el Gobierno central ha asumido labores de atención que no le correspondían ante la falta de respuesta de la Ciudad Autónoma. 

Sin embargo, Interior no ha aclarado si antes de ejecutar los desalojos se comprueba que existen suficientes plazas de acogida ni por qué los menores que todavía no han sido filiados terminan nuevamente en la calle, sin un lugar en el que refugiarse. 

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Así es el nuevo partido vasco contrario a la inmigración: "No caben toda África ni Latinoamérica en Euskal Herria"

Así piensa el nuevo partido abertzale: "No caben toda África ni Latinoamérica en Euskal Herria"

Se presentará el 9 de enero y concurrirá a las forales y municipales de 2027 con ideas como que "tener a jóvenes inmigrantes sin trabajar" en las calles es "la causa de que porcentualmente sean muy superiores los delitos, hurtos, robos con violencia, agresiones y violaciones cometidos por este colectivo"

Pradales cuestiona los “valores” que dan las “familias” y “algunas aulas” a los jóvenes tras los disturbios de Bilbao

El panorama político vasco verá nacer, próximamente, una nueva sigla. El partido, que aún no ha desvelado su nombre pero que celebrará el 9 de enero su asamblea fundacional, se define como “abertzale” y “progresista”, aunque su principal prioridad es una política migratoria “ordenada”. “No caben toda África ni Latinoamérica en Euskal Herria”, se puede leer en su programa electoral, un documento de doce puntos en euskera y en castellano. Fuentes del equipo promotor insisten en que no se trata de un proyecto espejo a la xenófoba e islamófoba Aliança Catalana de Silvia Orriols –“no somos racistas”– y añaden que quieren precisamente una alternativa de izquierdas que responda a lo que piensa la “mayoría” sobre los extranjeros para que ese nicho no lo vaya ganando la ultraderecha.

La nueva formación dice estar “en proceso de cumplir todos los trámites legales” ante el Ministerio del Interior y confía en hacerlo en “unas pocas semanas”. Será entonces cuando se anuncie el nombre del partido, así como su imagen de marca. Las personas que se han acercado a través de las redes sociales al proyecto han recibido ya un programa “provisional” con el ideario, pero igualmente el aviso de que se están haciendo controles “para que no entren personas que quieren reventar el partido desde dentro o convertirlo en otra cosa distinta”.

Está acordado ya que el 9 de enero se celebrará la asamblea fundacional, donde se elegirá a un primer “comité ejecutivo” y se aprobarán los estatutos y el programa “definitivo”. Esta sigla se presentará a las cuatro elecciones forales de mayo de 2027 –Álava, Bizkaia, Gipuzkoa y Navarra– y aspiran a llegar igualmente al mayor número posible de los más de 500 municipios de ese mismo ámbito territorial. Los simpatizantes de “fuera de Euskal Herria” ayudarán a “completar” las listas electorales en “puestos sin salida” y sin descartar que pueda después crearse “una izquierda así en todos los lugares” de los que procedan.

Eso sí, esta fuerza política defiende la soberanía de Euskal Herria y su derecho de autodeterminación. Pide también su salida de la OTAN. Pero inciden sobremanera en que defienden “la recuperación de la racionalidad en el ámbito de las políticas migratorias”. “El proceso migratorio de las últimas décadas no es una cuestión ni de solidaridad ni de necesidad, sino de explotación laboral descontrolada, división y destrucción social”, afirman.

Su tesis es que hay un “modelo migratorio neoliberal” que está “basado en la importación masiva de trabajadores extranjeros”. Esto “perjudica a todos”, creen. “Los extranjeros son tan víctimas de un modelo de inmigración masivo y descontrolado como los jóvenes y trabajadores vascos, porque ven cómo suben sus alquileres y no los sueldos por la llegada de más personas para competir en sus trabajos”, se puede leer en el argumentario. Insisten en que no hay ni “trabajo ni viviendas para todos los que quieran venir”. Es ahí donde mencionan su idea de que “no caben toda África ni Latinoamérica en Euskal Herria”.

Se dicen también “en contra de que las personas migrantes vivan de ayudas públicas sin intención de entrar en el mercado laboral”. “Tener a jóvenes inmigrantes sin trabajar en nuestras calles es la causa de que porcentualmente sean muy superiores los delitos, hurtos, robos con violencia, agresiones y violaciones cometidos por este colectivo. Es la migración descontrolada y no los migrantes la responsable de estas situaciones de precariedad y riesgo de delincuencia. Estaremos siempre con los que sufren estos delitos que nunca se pueden justificar [...]. El partido defenderá que las personas detenidas por varios delitos cometidos contra ciudadanos vascos salgan de Euskal Herria pidiendo medios judiciales para que las resoluciones sean rápidas en estos casos para evitar la impunidad, las reincidencias y la inseguridad en nuestras calles”, argumentan.

Y agregan: “El partido es partidario [sic] de un modelo migratorio solidario similar al cubano o soviético, basado en formar jóvenes estudiantes de países subdesarrollados becados para que puedan tener una formación universitaria como médicos, ingenieros, agrónomos, etc. y formación profesional técnica, sin permitir que sean explotados laboralmente y que puedan ejercer en sus países de origen, muy necesitados de personal cualificado, para contribuir así a sacarlos del subdesarrollo en lugar de explotarlos como mano de obra barata en Europa”. Sobre Rusia, además de la admiración a la URSS, abogan también por el final de la invasión en Ucrania porque “acabar la guerra permitiría que puedan volver todos los refugiados y dejar libre sus viviendas a otros trabajadores”. Pero demandan, asimismo, final de las sanciones al régimen de Vladímir Putin.

Otra referencia internacional es Austria, o más bien Viena, en este caso para las políticas de vivienda. Plantean igualmente un salario mínimo de 21.000 euros anuales y ayudas a la natalidad. “Hay que ayudar a que los jóvenes puedan formar una familia porque es necesario para mantener la identidad cultural vasca”, argumentan. Piden apoyo para “baserritarras y arrantzales”. Reclaman “igualdad material, económica y de oportunidades” para mujeres y hombres, aunque “superando las políticas de identidad que, sin abordar los problemas reales, fragmentan y debilitan la cohesión social”. El programa incluye igualmente una reivindicación de la “oficialidad de las selecciones vascas”.

A nivel orgánico, proponen una cuota anual de afiliación de 15 euros. También abogan por recortar lo que llaman “gasto político”, reduciendo “a la mínima expresión” los “cargos de confianza y asesores”, y combatiendo el “enchufismo” o las denominadas puertas giratorias. “Se evitarán a toda costa concesiones a empresas afines a partidos políticos. Para evitar la corrupción, deberían imponerse los criterios objetivos teniendo en cuenta la calidad y el dinero de los que pujen a cada adjudicación a los subjetivos de los políticos”, añaden. Plantean que sus cargos no cobren más del salario medio. Ahora es de unos 35.000 euros. “El excedente se destinará a reforzar la estructura del partido”, plantean. Se excepcionará “los cargos de mayor responsabilidad”, a los que se les permitirá “igualar” lo que perciben en la empresa privada.

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Redadas en el CETI de Ceuta y devoluciones a Marruecos pese a recursos de asilo pendientes: piden garantías al Gobierno y cunde el temor entre los migrantes

Un joven migrante en Ceuta. (Europa Press)

Organizaciones sociales como la Asociación Elín y la Coordinadora de Barrios han denunciado que el pasado 26 de octubre decenas de agentes de la Policía Nacional entraron al Centro de Estancia Temporal de Inmigrantes (CETI) de Ceuta para detener a residentes y ejecutar devoluciones a Marruecos. El operativo, indican en un comunicado, incluyó material antidisturbios y derivó en detenciones de personas que permanecían en el centro a la espera de respuestas sobre sus solicitudes de protección internacional, por lo que reclaman el cese inmediato de unas expulsiones que califican de “ilegales y carentes de garantías”.

Las intervenciones, aseguran los colectivos, continuaron en días posteriores, lo que ha extendido el miedo entre los residentes del CETI.

El principal cuestionamiento apunta al lugar y la forma en que se realizan las entregas a las autoridades marroquíes. Elín y la Coordinadora de Barrios para el Seguimiento de Menores y Jóvenes aseguran que las devoluciones se ejecutan por un paso no habilitado, fuera del puesto fronterizo oficial.

Ese mecanismo, aclaran, impide verificar la entrega de cada persona y limita derechos básicos como la posibilidad de presentar alegaciones individuales, el acceso a intérpretes y la tutela judicial efectiva.

También señalan que las personas afectadas incluyen mujeres, personas del colectivo LGTBI y ciudadanos de terceros países, entre ellos Yemen, Senegal, Sudán y Bangladesh. Perfiles que, según advierten, afrontan riesgos de violencia y malos tratos en Marruecos, en especial quienes no tienen nacionalidad marroquí.

Varios migrantes se protegen de la lluvia con telas y lonas en la ciudad autónoma. (Europa Press)

Las asociaciones sitúan un episodio previo el viernes 23 de octubre, cuando al menos 16 personas de distintas nacionalidades fueron trasladadas hacia Marruecos y permanecieron durante tres días en una zona fronteriza sin poder entrar en territorio marroquí ni regresar a España, según su relato. El grupo, en el que había personas de Senegal, Togo, Bangladesh, Costa de Marfil, Nigeria y Yemen, pasó tres días sin acceso a comida ni agua, sin información sobre su situación jurídica ni sobre el destino de sus procedimientos de asilo.

El Ministerio del Interior por su parte, sostiene que, de acuerdo con las informaciones conocidas sobre el caso, las personas devueltas no habían presentado recursos dentro de plazo. Las organizaciones lo niegan y afirman que hubo actuaciones pese a procedimientos judiciales aún abiertos.

El caso de Yaseen elevó la disputa con Interior

Uno de los expedientes señalados por las entidades corresponde a Yaseen S. A., ciudadano yemení cuya solicitud de asilo fue denegada. Su defensa había recurrido la decisión y solicitó una medida cautelarísima ante la Audiencia Nacional para evitar su devolución mientras se resolvía el procedimiento.

La abogada del migrante y de otro ciudadano yemení informó de que ambos fueron enviados a Youssoufia, una localidad situada a más de 230 kilómetros al sur de Casablanca, en Marruecos. Según la letrada, fueron privados de dinero y pertenencias, y quedaron bajo custodia de la policía marroquí por una presunta estancia irregular.

La defensa y otros abogados de la Coordinadora de Barrios habían comunicado por escrito a la Jefatura Superior de Policía de Ceuta y al CETI que no debían ser devueltos porque existía un recurso presentado. También alegaron que la denegación de protección internacional contradecía el criterio de la Oficina del Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados (Acnur).

La Audiencia Nacional acordó el pasado lunes que Yaseen permaneciera en España mientras se resolvía el recurso presentado ante su denegación de asilo. Interior, por su parte, reconoció la devolución, pero niega haber desobedecido al tribunal: sostiene que el plazo terminó el viernes y que la respuesta al recurso llegó el lunes por la tarde, con el migrante ya en Marruecos.

Interior posteriormente reconoció la vigencia de la medida cautelarísima y planteó que el ciudadano yemení se personara en el paso fronterizo para volver a entrar en España, una posibilidad que las entidades sociales consideran inviable, dadas las condiciones en las que se encuentra el hombre en Marruecos, sin dinero ni otros recursos.

Derecho de asilo y el principio de no devolución

Elín y la Coordinadora de Barrios cuestionan que se efectúen detenciones y devoluciones dentro de un recurso de acogida. A su juicio, la presencia policial en el CETI transforma un espacio destinado a atender a personas migrantes en un lugar de temor y puede disuadir a quienes necesiten solicitar asilo o acceder a servicios de protección.

Las asociaciones citan la Ley 12/2009 reguladora del derecho de asilo y el Reglamento de la Unión Europea 2024/1348, que regula los procedimientos de protección internacional y retorno, y recuerdan que las personas con recursos pendientes deben poder permanecer en España hasta que se resuelva su situación.

También invocan el principio de no devolución, recogido en la Convención de Ginebra de 1951, el Convenio Europeo de Derechos Humanos y la Carta de los Derechos Fundamentales de la Unión Europea, y que prohíbe retornar a una persona a un país donde pueda afrontar persecución, tortura o riesgos graves para su integridad.

Por todo ello, las organizaciones sociales exigen al Gobierno, al Ministerio del Interior y a la Delegación del Gobierno en Ceuta que suspendan las redadas en el CETI y detengan las devoluciones de personas con recursos judiciales pendientes o necesidades de protección. Además, solicitan que cualquier entrega a Marruecos se realice por el puesto fronterizo oficial, con registro documental, asistencia letrada, intérprete y revisión individual de cada expediente.

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Fachin devolve relatoria do caso do INSS a Mendonça e mantém Master

Logo Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta quinta-feira (29) devolver a relatoria das investigações sobre os descontos ilegais nos benefícios do INSS ao ministro André Mendonça.

Na decisão, Fachin entendeu que não há mais motivos para retenção das investigações na presidência do Supremo.

Notícias relacionadas:

Em setembro, o caso foi retirado de Mendonça após a guerra de liminares envolvendo o pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, que é citado em mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Caso Master

Fachin também decidiu que as investigações que envolvem o Banco Master vão continuam sob sua relatoria temporária pelo prazo de 90 dias, contatos a partir de 12 de setembro.

No entendimento do presidente, o caso ainda não pode ser distribuído entre os demais ministros porque envolve citações a membros da Corte.

Os processos do Master também foram retirados de Mendonça no auge da crise interna no Supremo.

A decisão de Fachin será submetida a referendo do plenário. A data do julgamento ainda não foi definida.

Enquanto o caso Master permanecer na presidência da Corte, Fachin será responsável por medidas urgentes que eventualmente foram solicitadas pela Polícia Federal (PF) ou a Procuradoria-Geral da República (PGR), como pedidos de revogação de prisões e autorizações de diligências.

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Sánchez: Destitución fulminante de Puente

Práxedes Mateo Sagasta, autor junto a Cánovas del Castillo de la sabia Constitución de 1876, dijo en una ocasión memorable: «En política, nada más difícil que destituir al amigo incompetente». A lo que Cánovas replicó: «Ni nada más arriesgado que no destituirle».

Desde la moderada objetividad y a la vista de todo lo ocurrido a lo largo del último año con alarido final en Urda, Pedro Sánchez debería destituir de manera fulminante a Óscar Puente, su gran amigo, al que nombró ministro de Transportes. No lo hizo en su momento; no parece que vaya a hacerlo ahora, a pesar de que están claros muy varios aspectos de la responsabilidad de Óscar Puente en la quiebra de nuestro sistema ferroviario. La máxima responsabilidad política, en todo caso, se deriva de la incompetencia del ministro Puente, el agresivo político de las intemperancias habladas y de los tuits incontrolados.

La destitución de Óscar Puente, aunque tarde, exoneraría de alguna forma a Pedro Sánchez. Mantenerle en el poder significa que el presidente del Gobierno asume la entera responsabilidad del desastre político de su gestión. Hay que comprender lo ocurrido en Urda y su repercusión en un periodo electoral tan ponzoñoso y virulento como el actual. Parece claro que Pedro Sánchez se esforzará por caminar con pies de plomo midiendo las reacciones de cualquier decisión que tome, porque, como decía Cánovas del Castillo, seguramente lo más arriesgado se deriva de no destituir al amigo incompetente.

La suficiencia política y la falta de mantenimiento real se encuentran en el epicentro de la destrucción de imagen del sistema ferroviario español, que fue durante años en alta velocidad la admiración del mundo entero. Ciertamente, salvo pucherazos de última hora, Pedro Sánchez tiene perdidas, conforme a las encuestas científicamente serias, las elecciones generales del 29-N. Habrá que convenir que la catástrofe de Urda le ha puesto las cosas especialmente difíciles. Una parte sustancial de la opinión pública está contrita e indignada. Y no le será fácil al presidente del Gobierno elaborar un relato cargando las culpas sobre alguien que no sea el ministro Óscar Puente.

Luis María Anson, de la Real Academia Española

© EFE

Sánchez y Puente visitan el nuevo vestíbulo de Chamartín
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Netanyahu's party claims Israeli election 'stolen' as results show him losing majority

Results released by election officials on Thursday showed Netanyahu's bloc winning 53 seats in the 120-member assembly, well below the 68 seats it had controlled at its peak in the previous parliament.

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Quando a escola faz a diferença: “Aqui ninguém deixa os alunos afogarem-se"

As dificuldades socioeconómicas podem condicionar o sucesso dos alunos. Mas há escolas que tentam garantir que “ninguém fica para trás” independentemente das “circunstâncias em que se encontram”. Em Chaves, Vila do Conde e Espinho, ficam algumas das secundárias que mais ajudaram estes alunos a ter bons resultados

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Defesa diz que 657 arquivos do celular de Vorcaro foram modificados

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A defesa de Daniel Vorcaro entregou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma perícia particular realizada no aparelho celular do ex-banqueiro, que foi apreendido pela Polícia Federal (PF) no dia 17 de novembro de 2025.

O laudo apresentado concluiu que centenas de arquivos foram criados e modificados após a apreensão do aparelho, que é a principal prova das relações de Vorcaro com políticos e das supostas irregularidades financeiras no Banco Regional de Brasília (BRB). 

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De acordo com o documento, 657 arquivos que estavam no celular foram modificados e 436 criados. 

Para os advogados de Vorcaro, a perícia demonstra que não é possível verificar a integralidade do conteúdo do celular apreendido e avaliar o alcance das alterações nos arquivos.

"É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado", declarou a defesa.

Diante das conclusões periciais, a defesa pediu ao Supremo que a PF entregue os dados originais do celular para verificação e ressaltou que a soltura do ex-banqueiro é obrigatória após as revelações do laudo particular.

"É inconcebível que Daniel Vorcaro esteja custodiado há mais oito meses, com a liberdade restringida há quase um ano, sem que haja contra ele qualquer acusação formal ou perspectiva de processo, o que torna sua soltura urgente, necessária e obrigatória", afirmou a defesa.

Segundo o pedido, o registro de modificação, isoladamente, não permite concluir que a alteração tenha sido realizada diretamente por uma pessoa. “Evidencia, contudo, que o estado do arquivo foi alterado enquanto o aparelho se encontrava sob custódia estatal”.

Indiciamento 

Vorcaro e mais 14 investigados na Operação Compliance foram indiciados pela PF nesta quarta-feira (28). De acordo como o relatório do indiciamento da Polícia Federal, o ex-banqueiro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causam prejuízos ao BRB.

"Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição", concluiu a PF.

Todos os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Outro lado 

Após o indiciamento, os advogados do ex-banqueiro negaram que as operações do BRB tenham causado prejuízo ao banco público.

Na avaliação dos advogados, um ano após o início das investigações, a PF se "limita a repetir a mesma narrativa" e não conseguiu avançar nas investigações.

"O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo", afirmou a defesa. 

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Petrobras anuncia 3ª descoberta de petróleo em poço na Foz do Amazonas

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A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (29) a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, localizado em águas ultraprofundas na costa do estado do Amapá, na Foz do Amazonas, em lâmina d’água de 2.886 metros.

“Nossa persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço, o que nos deixa ainda mais otimistas em relação ao potencial exploratório da Margem Equatorial", disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

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De acordo com a companhia, a perfuração e a aquisição de dados geológicos foram concluídas. Agora será realizada apenas a finalização das operações no poço (procedimento chamado de abandono), e a sonda seguirá para a Bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte, onde iniciará a perfuração na locação Mãe de Ouro.

A Petrobras informou que a atuação no bloco FZA-M-59 está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras, contribuindo para o atendimento à demanda energética do país.

Margem equatorial

A margem equatorial fica localizada entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte, sendo a mais nova fronteira exploratória brasileira em águas profundas e ultraprofundas.

A Petrobras já perfurou mais de 700 poços na margem equatorial. "Pelas características do óleo e pela estimativa dos volumes existentes, a Margem Equatorial desperta interesse não só da indústria brasileira, como também do mercado internacional de petróleo e gás, que vislumbra possibilidades promissoras na região", destaca a estatal.

Resultado do terceiro trimestre

Nessa quarta-feira (28), a Petrobras anunciou que a produção média de óleo, líquido de gás natural ( LGN) e gás natural no terceiro trimestre de 2026 alcançou a marca recorde de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMboed), 11,7% acima do registrado no mesmo trimestre do ano passado e 5,3% acima do resultado do segundo trimestre do ano.

O recorde deve-se, principalmente, à maior eficiência da produção em oito anos, dos navios-plataforma P-78 e P-79, no Campo de Búzios, além do topo de produção do navio-plataforma Alexandre de Gusmão, no Campo de Mero, além do menor volume de perdas por paradas para manutenções.

No trimestre, entraram em operação 12 novos poços produtores, sendo seis na Bacia de Campos e seis na Bacia de Santos. "Os excelentes resultados operacionais do terceiro trimestre, divulgados nesta quarta-feira, são outro exemplo da qualidade de nossas entregas”, destacou a presidente da Petrobras.

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