Governo aprova diploma que regula novas regras para desbloquear heranças indivisas

As más notícias fazem mais barulho, mas o mundo também avança com o que acontece de positivo. É verdade que todos os dias somos confrontados com guerras, crises e incertezas que nos fazem duvidar do caminho que a humanidade está a seguir. É natural. O medo prende a atenção, e as manchetes sabem disso. Mas, muitas vezes longe dos holofotes, há conquistas silenciosas que mudam milhões de vidas.
Há doenças que estão prestes a desaparecer da face da Terra. Há mais crianças a nascer e conseguirem sobreviver para crescer, vivemos mais anos e há menos pessoas a viver na pobreza extrema. O próprio planeta dá sinais de recuperação. Nada disto aconteceu por acaso. É o resultado do trabalho persistente de cientistas, médicos, voluntários, governos e comunidades que nunca desistiram.
Olhar para estes avanços não significa ignorar o que ainda está por fazer. Significa recusar a ideia de que nada muda e saber que há razões para sermos gratos. E a ciência garante que este olhar também nos faz bem: quem cultiva a gratidão tende a dormir melhor, a sentir menos ansiedade e até a viver mais tempo. Não se trata de ver o mundo cor-de-rosa, mas de treinar o olhar para reconhecer o que está bem, mesmo quando tanto parece estar mal.
Para quem um dia deixou Portugal em busca de uma vida melhor, a gratidão não é um conceito estranho. Antes pelo contrário, sentimos gratidão pelos sacrifícios dos que vieram antes de nós, pelas oportunidades que este país nos abriu e por uma comunidade que continua a saber dar as mãos, sempre que é necessário.
Com o aproximar do Dia de Ação de Graças, resolvemos deixar-vos alguns números que provam que, sim… apesar de tudo, ainda há tanto a agradecer.
A esperança em números
Uma doença quase a desaparecer
Em 2025 registaram-se apenas 10 casos humanos da doença do verme-da-Guiné em todo o mundo. Em 1986 eram cerca de 3,5 milhões por ano. Poderá ser a segunda doença humana erradicada, depois da varíola.
Fonte: The Carter Center
Vidas salvas por uma vacina
59 milhões é o número estimado de vidas salvas pela vacina do sarampo entre 2000 e 2024. No mesmo período, as mortes pela doença caíram 88%.
Fonte: Organização Mundial da Saúde
Mais crianças a crescer
A mortalidade de crianças com menos de cinco anos caiu 60% desde 1990. Nessa altura, uma em cada 11 crianças não chegava aos cinco anos. Hoje é uma em cada 27.
Fonte: UNICEF / ONU (UN IGME)
Mais vida para viver (+27 anos)
Em 1950, a esperança de vida média no mundo era de 46 anos. Hoje ronda os 73.
Fonte: Nações Unidas, World Population Prospects
1,5 mil milhões fora da pobreza extrema
Em 1990 havia cerca de 2,3 mil milhões de pessoas a viver em pobreza extrema. Em 2024 eram 817 milhões, apesar de a população mundial ter crescido.
Fonte: Banco Mundial / Our World in Data
Um planeta com mais 85,6% de energia limpa
Esta foi a parte da nova capacidade elétrica instalada no mundo em 2025 que veio de fontes renováveis. Os 692 gigawatts acrescentados nesse ano são um recorde.
Fonte: Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA)
O céu a sarar-se
A camada de ozono está a recuperar. Deverá voltar aos níveis de 1980 por volta de 2040 na maior parte do mundo e em 2066 sobre a Antártida.
Fonte: Organização Meteorológica Mundial
E porque faz bem agradecer? Gratidão que prolonga a vida
Um estudo de Harvard acompanhou quase 50 mil mulheres com uma média de 79 anos. As que se sentiam mais gratas tinham menos 9% de risco de morrer nos quatro anos seguintes do que as menos gratas. A ligação mais forte foi com as doenças cardiovasculares.
Fonte: Universidade de Harvard, JAMA Psychiatry (2024)
Mais energia para o corpo
Num estudo clássico, um grupo de pessoas escreveu todas as semanas aquilo por que estava grato. Ao fim de nove semanas, faziam quase mais hora e meia de exercício por semana do que o grupo que anotava os seus aborrecimentos. Também se sentiam mais otimistas e mais satisfeitas com a vida.
Fonte: Emmons & McCullough, Journal of Personality and Social Psychology (2003)
Menos ansiedade e menos tristeza
Uma revisão de 64 ensaios clínicos concluiu que práticas simples de gratidão, como um diário ou uma carta de agradecimento, melhoram a saúde mental. Os participantes tinham menos 7,8% de sintomas de ansiedade e menos 6,9% de sintomas de depressão do que quem não fazia estas práticas.
Fonte: Diniz et al., revista Einstein (2023)
MS
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Foi uma noite de festa, mas também de memórias. O First Portuguese Canadian Cultural Centre celebrou os seus 70 anos no sábado, 26 de setembro de 2026, numa grande gala realizada no salão da LiUNA Local 183, na Wilson Avenue, em Toronto.
A sala encheu-se de dirigentes associativos, empresários, professores, antigos alunos, famílias, amigos e representantes políticos que se juntaram para assinalar sete décadas de história de uma instituição que marcou várias gerações da comunidade portuguesa.

Entre abraços e reencontros, muitos dos presentes aproveitaram a ocasião para recordar pessoas, momentos e histórias vividas no First Portuguese. Para muitos, a celebração foi tanto uma homenagem à instituição como às pessoas que, ao longo dos anos, ajudaram a construí-la.
A animação da noite esteve a cargo da Karma Band, enquanto pequenas bancas e vendedores deram também movimento à gala. Mas a cultura portuguesa teve um dos seus momentos mais especiais com a atuação do Rancho Folclórico da Nazaré de Toronto, considerado o rancho português mais antigo do Canadá e criado no seio do First Portuguese.

A presença do rancho trouxe à celebração música, dança e tradição, mas também uma ligação simbólica às origens da instituição e às gerações que ajudaram a manter vivas as tradições portuguesas no Canadá.
Entre os momentos mais marcantes da noite estiveram os testemunhos de pessoas que continuam profundamente ligadas ao First.
Irene Mendes falou do prazer de continuar a frequentar a instituição “estou muito contente por estar aqui. Venho ao First com frequência e gosto muito de estar aqui. A minha mãe também gosta muito. Gosto sobretudo do ambiente, das pessoas e da convivência.”

Aos 98 anos, Laurinda da Conceição também marcou presença e resumiu o sentimento de muitos: “Os portugueses gostam muito de estar aqui. Eu também gosto, sobretudo pela convivência, pelas pessoas e pelo ambiente. É um lugar onde nos sentimos bem e onde gostamos de estar juntos.”
Durante a gala, Laurentino Esteves, conselheiro do conselho das comunidades portuguesas, destacou o caráter pioneiro do First Portuguese: “Estamos a celebrar uma associação pioneira, com 70 anos de história e de serviço à comunidade.”
José Eustáquio, presidente da ACAPO, recordou a sua ligação pessoal à instituição desde a infância e destacou a influência que o First teve na comunidade. “O First Portuguese fez parte da minha vida desde muito cedo. Cresci neste bairro e acompanhei de perto a história da instituição.”
O empresário e filantropo Manuel DaCosta recordou igualmente os primeiros imigrantes e o papel da instituição na construção da comunidade”celebrar os 70 anos do First Portuguese é celebrar também uma parte importante da história da comunidade portuguesa. Esta associação acompanhou o crescimento da nossa comunidade e ajudou muitos dos primeiros imigrantes a estabelecerem-se no Canadá.”

Manuel DaCosta destacou ainda a sua admiração pelos pioneiros e recordou o seu envolvimento na preservação do edifício da instituição “tenho uma admiração muito grande pelos pioneiros e pelo trabalho que fizeram. Quando tive a oportunidade de ajudar a preservar o edifício do First, senti que estava também a salvar um pedaço da história portuguesa em Toronto. É algo de que me orgulho.”
A professora Celina de Melo, que dedicou cerca de 40 anos ao First, emocionou-se ao recordar os antigos alunos. “O First foi uma parte muito importante da minha vida. Ganhei uma família muito grande.”
Julie Dzerowicz, deputada federal por Davenport, destacou o papel do First Portuguese no apoio às diferentes gerações da comunidade, enquanto Vítor Silva, coordenador do Partido Socialista para o Círculo Fora da Europa, salientou a importância social das associações portuguesas no estrangeiro e o seu contributo para a ligação entre Portugal e as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O atual presidente, César Fernandes, encerrou a mensagem de futuro com um apelo à continuidade: “Espero que a instituição continue por muitos mais anos e que haja pessoas preparadas para dar continuidade ao trabalho.”
No final, a gala dos 70 anos deixou mais do que fotografias e discursos. Deixou reencontros, abraços e a sensação de que, para quem passou pelo First Portuguese, aquela noite era também uma celebração da sua própria história.
MB/MS