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Flávio Bolsonaro turbina anúncios na Meta com suspeita de uso irregular de IA

O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) aumentou — e muito — a quantidade de dinheiro gasto com impulsionamentos nas redes da Meta nessa reta final das eleições. A Agência Pública apurou que na última terça-feira, dia 20 de outubro, a campanha do bolsonarista veiculou mais de meio milhão de reais com anúncios nessas plataformas.

Nessa última cartada, a campanha também está apostando em anúncios micro direcionados para os eleitores — chegando a fazer vídeos direcionados para bairros específicos de quem mora na cidade de São Paulo.

Nessa outra leva de anúncios, todos veiculados em sequência entre ontem, 22 de outubro e hoje, 23 de outubro, o apresentador diz, ao lado de Flávio Bolsonaro, para:

“Você que mora em Higienópolis, é com você que que eu quero falar hoje”.

“Você que mora no Brooklin, é com você que que eu quero falar hoje”.

“Você que mora no Grajaú, é com você que que eu quero falar hoje”.

Ao todo, a reportagem contou ao menos 26 vídeos, cada um direcionado a um morador de bairro diferente de São Paulo. Em apenas um deles, o direcionado a moradores de Higienópolis, a campanha pagou mais de R$ 150 mil para impulsionar o conteúdo. O bairro, um dos mais caros da capital paulista, foi palco de uma manifestação pró-Flavio no último final de semana.

Os vídeos têm indícios de terem sido alterados por Inteligência Artificial, visto que o apresentador fala todas essas apresentações realizando o mesmo movimento — o que indicaria o uso desse tipo de ferramenta. A reportagem, contudo, não encontrou nenhum alerta feito pela campanha de que houve esse tipo de interferência, o que é previsto pelas regras do TSE.

Além disso, há um outro problema. As regras eleitorais proíbem impulsionamento de material eleitoral usando imagens de pessoas públicas ou candidatos alteradas por IA das 17h de quinta-feira, dia 22 de outubro, até o pós votação.

Como explica Cynthia Picolo, Diretora executiva do Laboratório de Políticas Públicas e Internet – LAPIN, “o TSE proíbe, nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao término da votação, a publicação, republicação ou impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por IA que usem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas, mesmo quando o uso de IA estiver devidamente identificado”. As regras podem ser consultadas aqui.

A reportagem teve acesso à veiculação dessa propaganda na noite de quinta, ou seja, depois do período. A biblioteca de anúncios da Meta também indica que a propaganda foi veiculada até hoje, dia 23.

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“O TSE permite determinados usos de IA na propaganda eleitoral. Desde que sejam respeitadas essas obrigações, essas restrições previstas nas próprias regulamentações do TSE. Já o deepfake na propaganda eleitoral é proibido, mesmo que haja identificação de conteúdo que foi gerado por IA. E essa decisão, inclusive, que proibiu o uso de deepfake é bem recente. O que a gente vê, de forma bem contraditória, é o uso massivo de conteúdo sintético, inclusive de imagem, voz, som”, complementa Picolo.

O TSE já havia se manifestado à Pública de que “não se manifesta sobre casos concretos, que podem vir a ser objeto de análise pela Justiça Eleitoral”.

Reportagem do Intercept mostrou que a campanha de Flávio pagou R$ 600 mil para a empresa Elytron, que tem sistema que usa inteligência artificial para manipulação política em eleições.

A reportagem procurou a assessoria do candidato para se posicionar. O espaço segue aberto. A assessoria do apresentador também foi procurada.

Flavio abre bolso para propagandas na Meta

O gasto recente de Flávio na Meta é surpreendente até para os padrões da própria campanha. Em comparação, quando se pega todo o período eleitoral, desde 4 de agosto, a Meta já veiculou R$ 8,5 milhões de anúncios da campanha do bolsonarista. Isso dá uma média de R$ 110 mil por dia. Nesta reta final, com o aumento dos gastos, a campanha do bolsonarista está pagando quase cinco vezes esse valor por dia.

Os dados sobre valores pagos para anúncios que a Meta divulga vão sendo atualizados diariamente. Eles são diferentes do que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresenta, que são atualizados de acordo com a prestação de contas de cada campanha. Esses dados também mostram um aumento de gastos recentes da campanha de Flávio. Apenas na última quarta-feira, dia 21 de outubro, foi informado ao TSE R$ 1 milhão gasto em impulsionamento de conteúdos nas redes da Meta. No dia anterior, a campanha do bolsonarista já havia declarado outro R$ 1 milhão.

O movimento de anúncios de Flávio é bem diferente da campanha de reeleição de Lula (PT). No total, o petista já veiculou ainda mais anúncios que Flávio na Meta, segundo os dados da plataforma, com R$ 13,4 milhões desde 4 de agosto. O movimento da campanha de Lula nesta reta final, contudo, é diferente, e tem gasto bem menos nos últimos dias.

No dia 20 de outubro, que é o último com dados disponíveis, a campanha de Lula veiculou cerca de um terço dos anúncios pagos pela de Flávio. Na última semana com dados disponibilizados, Lula gastou pouco mais da metade que o concorrente.

O aumento dos gastos da campanha de Flávio coincide com um período no qual a campanha de Lula tem conseguido mais engajamento nas redes sociais. Segundo o Estadão, Lula teve mais engajamento nas redes da Meta (Instagram, Facebook e Threads) durante todo o segundo turno, com três vezes mais que o concorrente bolsonarista. A situação é o inverso do primeiro turno.

Relatório do NetLab UFRJ levantou indícios de que os custos para alcançar eleitores na Meta variam entre concorrentes. A pesquisa estimou que PT pode estar pagando de 33% a 43% a mais para alcançar o mesmo número de pessoas que o PL.

Os públicos das duas campanhas também são diferentes. Enquanto Lula mira mais jovens, sendo que a maior faixa do público é a dos 30 anos, Flávio mira mais velhos — os 60+ são o maior público em porcentagem.

A campanha de Lula também mira mais as mulheres que a de Flávio. Enquanto o petista gastou um terço dos anúncios apenas para o público feminino, Flávio segmentou cerca de 9% dos anúncios para essa audiência.

Após a publicação, a assessoria da Elytron procurou a reportagem e afirmou que a empresa não está relacionada “à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública”. Segundo a assessoria, “a empresa atua no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, e não oferece, não executa nem autoriza esse tipo de prática para nenhum cliente, nacional ou internacional, incluindo a campanha do senador Flávio Bolsonaro.”. Leia a resposta completa aqui.

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Justiça eleitoral muda até 4 vezes ao dia local de votação às vésperas do 2° turno

Na última semana, o número de seções de votação alteradas pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) entre o primeiro e o segundo turno mudou drasticamente. No dia 17 de outubro, eram 4352 alterações de seção eleitoral. No dia 19, o número caiu para 2033 seções alteradas. No dia 20, um levantamento feito pela Agência Pública contou 453 alterações em 22 estados. 

Nesta quinta-feira, 22, às 11h27, eram 300 as seções alteradas e, às 15h25, passaram a 314 as modificações. Sim, as mudanças podem ocorrer de 4 em 4 horas e são anunciadas, em turnos, no sistema de informações eleitorais do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  

A Pública comparou nos últimos dois dias, as seções de votação cuja alteração estava prevista na tabela do TSE no dia 20 de outubro, com o número de votos obtidos, nessas urnas, pelos dois candidatos que avançaram para o segundo turno da eleição presidencial: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). 

Nas 453 seções cuja alteração estava prevista, Lula venceu em 249, Bolsonaro em 202 e em duas houve empate. Em números absolutos, o presidente Lula recebeu 51.890 votos nessas seções e o adversário, 43.282. A abstenção foi semelhante à apurada nacionalmente, que chegou a 21,08%: 29.311 eleitores deixaram de comparecer às urnas (21,59% do total). 

As 453 seções, juntas, têm apenas 135.742 eleitores, 0,08% do total. Pouco diante dos 158,7 milhões de eleitores do país, mas pode ser muito em um cenário em que os dois candidatos estão em empate técnico na maior parte das pesquisas eleitorais. 

Na nota mais recente no site do TSE sobre o assunto, publicada na quinta-feira, a corte se exime do problema e diz que exigiu dos TREs o preenchimento de um formulário para informar as mudanças e que o TSE “não solicita” as alterações, definidas pelos TREs em virtude de questões climáticas, problemas na estrutura dos prédios e para garantir a segurança de eleitoras e eleitores. 

No início desta semana, o Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais divulgou um comunicado em que se comprometeu a manter o eleitorado informado sobre os locais de votação do 2º turno das Eleições 2026. 

De acordo com os dados da quinta-feira, 22 de outubro, , divulgados às 15h45, o TRE de Minas Gerais liderava as alterações, com 50 seções modificadas de local em diferentes partes do Estado (eram 119 no dia 20). Em segundo, estava o Pará, com 32, e em terceiro o Piauí, com 29 mudanças. O número de estados afetados caiu de 22 para 20 nos últimos dois dias. 

São Paulo é o quarto estado com mais mudanças. Na última terça-feira, dia 20,  eram 31 seções alteradas. Na pesquisa de quinta-feira à tarde, 22, eram 27 alterações, entretanto, três seções tinham sido trocadas. Elas estavam localizadas na EMEI Lourdes Heredia, e passaram para a CEI Indir Jabaquara, ambas localizadas na região do Jabaquara, na capital paulista.

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Más condições de escola e problema climático

Uma das principais mudanças em São Paulo foi a substituição da Escola Estadual Conselheiro Ruy Barbosa pelo Recanto Nossa Senhora de Lourdes, no Horto Florestal, com 12 seções no endereço. Em entrevista à CBN, alunos da escola contaram que o espaço alaga completamente em caso de chuva, o que pode danificar as urnas eletrônicas. 

Na cidade de Confresa, no Mato Grosso, por exemplo, fortes chuvas e ventos danificaram a cobertura de uma escola utilizada como local de votação. Após uma avaliação técnica, o imóvel foi interditado preventivamente, e as oito seções eleitorais que funcionavam no local precisaram ser transferidas.

Em Santa Catarina, circulou a informação que 65 locais de votação foram alterados. As mudanças ocorreram antes do primeiro turno devido a questões emergenciais, como problemas de estrutura e clima. A informação continuou circulando e, para o segundo turno, o TRE local teve que esclarecer que as mudanças do primeiro turno estavam mantidas para o segundo. 

Como saber se o local de votação mudou?

Para checar se o seu local de votação mudou, o TSE recomenda duas opções: consulta no aplicativo e-Título ou no menu Autoatendimento Eleitoral do Portal do TSE, na aba onde votar. Segundo o TSE, as alterações realizadas pelos TREs têm reflexo imediato nesses canais oficiais. 

Caso opte pelo autoatendimento eleitoral, você precisará estar com o título de eleitor nas mãos ou o CPF. O sistema pede ainda a data de nascimento e o nome da mãe, que deve ser inserido completo, conforme consta no título. 

Para descobrir as últimas atualizações sobre seções de votação alteradas, acesse o sistema: https://sig.tse.jus.br/, em seguida clique em Estatísticas da eleição > Eleitorado da eleição > Capilaridade > Seções alteradas. 

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Brazil Prepares High-Security Logistics For Runoff Vote

The Superior Electoral Court enforces free public transport mandates and monitors vote access nationwide.

The Brazilian presidential campaign has entered its final stage ahead of the runoff vote scheduled for October 25, 2026. Incumbent President Luiz Inácio Lula da Silva faces Senator Flávio Bolsonaro, a candidate for the Liberal Party (PL), after a competitive first-round election on October 4, 2026.

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The general election results established a narrow margin between the top two candidates. In the first round of voting, Senator Flávio Bolsonaro finished first, securing 47.03 percent of valid votes, or 56,103,033 ballots. Incumbent President Lula da Silva finished second, receiving 45.16 percent, or 53,870,724 ballots.

Turnout remained consistent with historical participation figures, reaching approximately 79 percent of registered voters. Lula maintained a structural lead throughout the Northeast region, winning majorities in key states such as Bahia, Pernambuco, and Ceará.

Economic indicators and social policy debates formed the primary foundation for candidate speeches throughout the first round. In campaign speeches, President Lula highlighted the accomplishments of his current administration, citing expanding employment rates, social assistance programs, and inflation control measures implemented since 2023.

Flávio Bolsonaro focused his campaign speeches on public security concerns, national debt levels, and economic challenges, presenting his platform as a continuation of conservative governance under his father, former President Jair Bolsonaro, who remains legally barred from holding office.

Street Mobilization and Electoral Propaganda Networks

Campaign operations shifted toward intensive physical rallies and structured broadcast messaging during the runoff period. The Workers’ Party (PT) and its broader political coalition centered their ground mobilization around major urban centers and traditional working-class strongholds.

Popular social movements, including the Landless Workers Movement (MST) and the Homeless Workers Movement (MTST), along with trade union confederations such as the Unified Workers’ Central (CUT), coordinated door-to-door canvassing operations and public rallies in major metropolitan areas including São Paulo, Rio de Janeiro, and Salvador.

Flávio Bolsonaro’s ground strategy relied heavily on state-level executive endorsements and conservative municipal networks. Key allies, including re-elected conservative governors from São Paulo, Minas Gerais, and Rio de Janeiro, organized regional logistics to boost conservative voter turnout.

Flávio Bolsonaro’s campaign speeches during street rallies emphasized hardline public security measures, moral issues, and support for the agribusiness sector, utilizing alliances with conservative caucus members in Congress to secure local political support.

Broadcast media exposure operated under the free electoral advertising time framework regulated by the Superior Electoral Court. The regulations ensured equal daily broadcast time across television and radio networks for both finalists during the runoff window.

Parallel to traditional broadcast propaganda, digital media networks expanded rapidly. Both campaign organizations directed significant funding toward micro-targeted online advertising and social media distribution channels to capture voters outside traditional media formats.

Digital outreach strategies diverged between the two operational teams. Lula’s digital apparatus utilized organized volunteer networks, endorsements from cultural figures, and policy fact sheets distributed through verified messaging channels.

The Flávio Bolsonaro campaign relied on decentralized messaging channels, emphasizing direct-to-voter video distribution, security rhetoric, and critiques of government institutions.

WHO'S THE REAL THIEF? LULA CHALLENGES BOLSONARO TO SHOW RECORDS

Ahead of Brazil’s presidential election, Brazilian President Lula da Silva publicly challenged rival Flávio Bolsonaro to open his bank accounts, release his phone records, and let the Brazilian people decide who… pic.twitter.com/U6Ge0yOV6A

— Sovereign Media (@sov_media) October 21, 2026

Meta, Disinformation, and Electoral Defense

The Superior Electoral Court (TSE) established strict administrative parameters to govern political content across major social networks, focusing heavily on Meta’s platforms, Facebook, Instagram, and WhatsApp.

Electoral judicial resolutions prohibited paid digital political advertising in the final 48 hours leading up to the October 25 vote, restricted automated messaging software, and required tech platforms to execute judicial content removal mandates within expedited timeframes.

Monitoring reports submitted to electoral authorities by digital rights watchdogs and research institutes identified recurring patterns in content dissemination across Meta’s channels.

Independent audits logged instances of dark ads, unverified allegations targeting electoral integrity, and micro-targeted digital campaigns deployed in private messaging groups.

Meta adjusted its content moderation operations in Brazil to comply with TSE directives, expanding its ad library transparency protocols and updating content review procedures.

The company reported the removal of non-compliant posts and the deactivation of unauthorized bulk-messaging networks. Despite these technical platform adjustments, electoral oversight bodies noted that closed messaging networks remained a primary vector for unverified political narratives due to end-to-end encryption limitations.

Broad Coalitions, Strategic Endorsements, and Voter Demographics

The transition from the October 4 first round to the October 25 runoff required both campaigns to expand beyond their primary ideological bases.

President Lula da Silva maintained a broad front coalition uniting left-wing parties with center-right political figures. Vice President Geraldo Alckmin returned as Lula’s running mate, reinforcing ties with business sectors and moderate electors, while key cabinet figures and allied governors led outreach campaign efforts aimed at consolidating anti-far-right voter segments.

Senator Flávio Bolsonaro expanded his campaign footprint by consolidating conservative regional power structures and legislative blocks. Selecting PL lawmaker Alfredo Gaspar as his vice-presidential running mate, a former prosecutor and public security secretary from Alagoas, Flávio Bolsonaro sought to bolster his law-and-order platform while solidifying backing among conservative lawmakers in Congress.

Flávio’s runoff effort secured endorsement commitments from conservative state governors, agribusiness associations, and international right-wing figures, reinforcing his position across traditional conservative strongholds.

Incumbent President Lula retained consistent lead margins among female voters, lower-income households earning up to two minimum wages, residents in the Northeast region, and older age demographics.

Conversely, Flávio Bolsonaro maintained stronger support metrics among male voters, higher-income earners, Evangelical Christian voters, and electors situated in the agribusiness-heavy South, Southeast, and Center-West regions.

Both campaign organizations directed their final operational focus toward undecided voters and middle-income suburban districts in the key battleground states of Minas Gerais, Rio de Janeiro, and São Paulo.

Lula's campaign says Instagram, Facebook, and WhatsApp are muffling the left days before the October 25 vote. Meta blames glitches.https://t.co/qdSD2z01ny pic.twitter.com/SfYhdxpi4L

— The Brazilian Report (@BrazilianReport) October 20, 2026

Debate Performances, Fact-Checking, and Media Coverage

The televised presidential debates between incumbent President Lula da Silva and Senator Flávio Bolsonaro emerged as decisive turning points during the three-week runoff window. Major media coalitions organized direct face-to-face encounters, allowing the candidates to present competing vision frameworks for Brazil’s governance.

During the live broadcast exchanges, President Lula focused his arguments on economic stability, job creation, and social progress achieved during his term, emphasizing the expansion of public investments, inflation control, and environmental protection initiatives.

Lula confronted Flávio Bolsonaro on fiscal proposals, judicial integrity, and the anti-democratic precedents associated with the far-right movement.

In response, Flávio Bolsonaro framed his candidacy around conservative public security policies, government austerity, and tax reforms. Flávio heavily criticized the economic administration’s public debt metrics and targeted the federal judiciary, presenting his campaign as a necessary alternative to political continuity.

Mainstream media coverage focused heavily on candidate posture, tone, and strategic attempts to appeal to the estimated 10 percent of undecided voters heading into the final days of the race.

Brazil’s top electoral court has said it will fine Meta $200,000 a day until it can prove that president Luiz Inácio Lula da Silva and his far-right challenger Flávio Bolsonaro get equal treatment on its platforms.

Last week, a judge at Brazil’s top electoral court ruled that… pic.twitter.com/AWLGPT6mKT

— Novara Media (@novaramedia) October 21, 2026

Election Day Execution, Institutional Resilience, and Regional Impact

Supervised directly by the Superior Electoral Court (TSE), voting logistics across all 26 states and the Federal District rely on fully digitized electronic voting machines (urnas eletrônicas) to ensure rapid processing and secure transmission of total ballots.

To facilitate maximum democratic access, federal judicial rulings mandated free public transportation (passe livre) across capital cities, while electoral inspectors monitored security forces to prevent voter transportation disruptions or targeted law enforcement checkpoints.

Following the October 4 first round, where Flávio Bolsonaro led with 47.03 percent (56,104,503 votes) against Lula’s 45.16 percent (53,879,538 votes), both organizations focused their final operational pushes on key battleground states like Minas Gerais, Rio de Janeiro, and São Paulo.

The outcome of the October 25 vote carries far-reaching geopolitical implications across Latin America and the broader global stage. A victory for President Lula would ensure the continuation of active multilateral diplomacy, regional integration through BRICS and CELAC, and strong federal commitments to Amazonian environmental conservation.

Conversely, a victory for Flávio Bolsonaro would mark a significant resurgence for the continental far-right, shifting Brazil’s diplomatic alignment toward conservative international blocs and introducing sweeping changes to domestic fiscal and environmental policy frameworks.

Sources: Brasil de Fato – Agência Brasil – Gov.br – O Globo – Folha de S.Paulo – O Estado de S.Paulo – El País – CNN Brasil – EFE – Instituto Tricontinental – La Base América Latina – Diario Re

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Flávio Bolsonaro está nu como o rei da fábula

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O mais bonito foi ver as manifestações nas ruas, algumas com centenas de milhares de pessoas, como a que tomou doze quarteirões da Av. Paulista e coloriu Copacabana de ponta a ponta. Foi a nossa vez de vestir o verde amarelo (com ou sem estrelinhas) e sair em defesa do nosso país, ameaçado por uma extrema direita com uma tentativa golpista no currículo e agora fortalecida pelo apoio subalterno dos Bolsonaro aos planos expansionistas de Donald Trump.

A presença maciça da juventude — da UNE aos fandoms — nos atos que se repetiram em pelo menos 80 cidades brasileiras nesse 2º turno, trouxe um sopro de renovação política quase inesperado em uma campanha pelo quarto mandato de um presidente de 80 anos de idade. Energia que se transformou em eficiência inédita da centro-esquerda nas redes sociais, apesar das evidências concretas de jogo sujo por parte das Big Techs e do TSE de Nunes Marques e André Mendonça para prejudicar a campanha de Lula.

Isso sem falar no episódio lamentável do governo Tarcísio de Freitas, com a PM repetindo um artifício usado na véspera do 2º turno da primeira eleição presidencial direta depois da ditadura — se em 1989, vestiu os sequestradores de Abílio Diniz com as camisetas do PT para exibir para a imprensa dias antes do pleito; agora faz o mesmo com suspeitos de tráfico de drogas detidos e fotografados ostentando camisetas novas com dizeres da campanha de Lula e a sigla da associação dos professores. 

Mas, ao contrário das milícias digitais da extrema direita, a campanha da centro-esquerda nas redes, privilegiou a empatia – foram muitos os posts autocríticos sobre a arrogância ou falta de compreensão na comunicação com a direita – e se apoiou em fatos reais para apontar o risco da candidatura de extrema direita à soberania, à democracia, aos direitos constitucionais e às conquistas sociais, a mais recente delas, o fim da jornada 6×1. Tanto que o “dá um google” se tornou argumento para a campanha de Lula.

Mas essas pautas passaram longe ou foram deturpadas em manchetes de jornais e escaladas da TV durante todo o 1º turno, quando as empresas jornalísticas se ocuparam de vazamentos seletivos de processos que estavam com o ministro André Mendonça, engajado na campanha de Flávio, e de críticas ao governo Lula até em relação a medidas de óbvio interesse público, como a proibição das bets (essa prejudicial aos seus negócios).

Enquanto isso, o jornalismo independente se unia na investigação da interferência de Trump e das Big Techs promovida pelo lobby bolsonarista, dissecava as relações movidas a dinheiro e favores de Flávio e seu entorno político com Daniel Vorcaro, revelava o impacto da influência nefasta de Flávio nos hospitais federais do Rio durante a pandemia, apontava bens, favores e recursos sem origem clara e alertava para o risco de eleger envolvidos com a recente tentativa de golpe, agora impulsionados pelo “amigo” americano.

Piauí, Intercept, ICL, Repórter Brasil e tantos outros veículos independentes, como a própria Agência Pública, produziram conteúdos decisivos para entender o que realmente está em jogo nestas eleições. Iniciativas como o Revelando, uniram artistas e jornalistas e deram sentido aos fatos levantados pelos jornalistas, e denúncias embasadas foram transformadas em munição por líderes digitais para desnudar a real personagem por trás da fala escorregadia de Flávio Bolsonaro. Celebridades, influencers, personalidades de todos os campos do conhecimento se uniram ao movimento contra a extrema direita, engrossando o caldo anti-fascista e resgatando nossa identidade política e cultural.

Se as empresas de jornalismo perderam o rumo na tentativa de equiparar bananas com donuts, os eleitores engajados e informados pela imprensa independente fizeram questão de mostrar as diferenças fundamentais entre os candidatos. Do Dark Horse às regalias de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos Estados Unidos, dos lucros astronômicos do escritório de advocacia de Flávio enquanto ele exercia o mandato como senador às ligações perigosas com o advogado Willer Tomaz, jogos online e com o careca do INSS. 

Revelações de arrepiar até quem toma Flávio pelo valor de face, como homem de família e evangélico, caso de mulheres e religiosos conservadores. O que estarão dizendo agora diante da mais recente revelação da Piauí, que coloca Flávio em uma lancha no lago Paranoá em um churrasco com garotas de programa e lobistas de farmacêuticas indianas em plena pandemia? Aposto que Michelle tem usado muito o WhatsApp.

Também vieram notícias de balançar os corações endurecidos de medo que acreditam na extrema direita de Flávio para combater o crime. Logo ele, o homem das milícias — a ponto de enviar uma emenda parlamentar para um miliciano envolvido no assassinato de Marielle Franco —, além das relações perigosas de seus aliados políticos com o CV e o PCC.

Sem falar no caso da menina Ana Clara, assassinada há 6 anos por um PM, que se mantém livre até hoje pela atuação de Flávio como advogado. Quem pode acreditar no candidato diante da falta de compaixão com o sofrimento da família da criança?

Medos e anseios compreendidos principalmente pela juventude na campanha de Lula e explicados com clareza notável se converteram nas redes em defesa firme da democracia, da liberdade, do ensino público, do SUS, do Bolsa Família, do reajuste do salário mínimo, dos direitos indígenas, das mulheres, da Amazônia e do futuro das novas gerações, com apoio das informações trazidas pelo jornalismo que não se deixou cegar pela “imparcialidade”.

E a sociedade agora pressiona a própria imprensa, caso da exigência de checagem no debate da Globo, que acabou sendo aceita a contragosto pela emissora (vamos ver como vai ser porque também há pegadinhas nesse caminho; a Lupa, Aos Fatos e o ICL, entre outros, também farão checagem).

Como tantos vêm dizendo e não posso deixar de falar, descobrimos em nós mesmos uma energia e uma inteligência para resistir que será importante se Lula vencer, e crucial se uma derrota nos colocar na mira da extrema direita e dos Estados Unidos. Por enquanto celebro a beleza da união entre jornalismo a serviço do interesse público e a população que valoriza o diálogo e as conquistas sociais, frutos de uma história tão sofrida que não pode ser esquecida. Boa votação no domingo!

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Por que tantos brasileiros votam em Flávio Bolsonaro?

Segurança pública, rejeição à pauta woke e valorização dos costumes ajudam a explicar a força eleitoral da direita brasileira.

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O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 provocou uma onda de análises na esquerda brasileira. Com Flávio Bolsonaro à frente de Lula na votação, muitos comentaristas voltaram a procurar explicações no comportamento dos evangélicos, no conservadorismo moral e na influência das lideranças religiosas. Esses fatores têm importância, mas não explicam tudo. Uma parcela significativa do eleitorado demonstra insatisfação com prioridades culturais da esquerda e, sobretudo, com a percepção de que o Estado perdeu capacidade de garantir segurança à população.

A segurança pública ocupa posição central nesse debate. Segundo levantamento Nexus/BTG divulgado em julho de 2026, 30% dos entrevistados identificaram violência, criminalidade ou segurança pública como o principal problema do país. A preocupação é especialmente relevante entre eleitores que apoiam Flávio Bolsonaro, para os quais o combate ao crime constitui uma das principais expectativas em relação ao próximo governo.

A situação do Rio de Janeiro ilustra a dimensão concreta desse problema. Um estudo do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF e do Instituto Fogo Cruzado estimou que, em 2024, aproximadamente quatro milhões de pessoas na Região Metropolitana viviam sob controle ou influência de grupos armados. Isso correspondia a 34,9% da população da região. Facções criminosas e milícias exercem formas de poder territorial que afetam a circulação, as atividades econômicas e a vida cotidiana dos moradores. Algumas estimativas apontam que entre 60% e 70% do território do Rio de Janeiro é atualmente controlado pelo crime organizado.

Nesse contexto, discursos que enfatizam direitos sociais, soberania nacional e política externa podem perder força eleitoral quando não oferecem respostas convincentes à insegurança cotidiana. Lula tem defendido o enfrentamento do crime organizado por meio da integração das forças de segurança, da investigação financeira e da retomada de territórios. E isso só está acontecendo agora, após quatro anos de absoluta negligência na questão de segurança, com o crime organizado alcançando recordes históricos de expansão territorial.

Flávio, por sua vez, aposta em uma abordagem mais punitiva, incluindo o enquadramento de facções como organizações narcoterroristas. A disputa envolve diferentes concepções de segurança, mas também a capacidade de cada candidato de transmitir determinação diante do problema. Se considerar estes grupos terroristas ajuda ou não no combate ao crime é uma longa discussão, mas sem dúvidas a mera classificação com terroristas já agrada uma parcela substancial da população que vive sob o (verdadeiro) terror desses criminosos.

Existe ainda uma dimensão cultural que a esquerda frequentemente subestima. Parte do eleitorado rejeita o vocabulário político associado à agenda woke e interpreta determinadas iniciativas progressistas como tentativas de impor novas normas de comportamento. A decisão draconiana do Supremo Tribunal Federal reconhecendo “transfobia” como “crime equiparável ao racismo” tem gerado, naturalmente, reações extremamente negativas. Afinal, parece absolutamente normal que milhões de brasileiros rejeitem uma decisão que literalmente pode colocar na cadeia (e já está colocando) por até cinco anos pessoas que erram pronome de tratamento durante comunicação com indivíduos trans.

O descontentamento cultural é muitas vezes irresponsavelmente ignorado nas análises políticas. Muitos analises insistem em ver os eleitores como máquinas em busca do benefício material constante, dispostas a sacrificar seus valores imateriais em troca de migalhas assistencialistas – que é tudo que até agora o governo PT conseguiu dar ao povo brasileiro. Mas essa análise é equivocada. Para muitos brasileiros, questões relacionadas à educação dos filhos, à religião e aos limites da intervenção estatal fazem parte de suas prioridades políticas. Esses eleitores obviamente tendem a votar na oposição num cenário nacional onde hospitais estatais universitários – com apoio do establishment esquerdista – promovem bloqueio hormonal e outras formas de “intervenções não-cirúrgicas” em “crianças trans”.

Para desespero dos analistas acadêmicos desconectados da realidade nacional, a política externa ocupa um espaço limitado na experiência diária da maioria da população. As relações com os Estados Unidos, a atuação brasileira nos BRICS e a posição diplomática sobre a Palestina são temas relevantes, mas dificilmente substituem preocupações imediatas como violência urbana e pautas culturais.

A votação de Flávio Bolsonaro deve ser compreendida a partir dessa combinação de fatores, sem atribuir a milhões de eleitores uma motivação única. Segurança pública, valores tradicionais, insatisfação com o governo e rejeição a determinadas pautas progressistas podem convergir em um mesmo voto. Se a esquerda quiser melhorar sua popularidade, o caminho correto é através da revisão de seus erros, não da invenção de falsos motivos para o crescimento da direita.

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Bernie Sanders and Democratic lawmakers demand answers from Meta over alleged favoritism toward Bolsonaro in Brazil election

Independent Senator Bernie Sanders and 12 Democratic members of Congress on Thursday asked Meta CEO Mark Zuckerberg to explain the alleged unequal treatment by his main platforms (Instagram, Facebook and WhatsApp) of the campaigns of Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva and far-right Senator Flávio Bolsonaro, who are facing off Sunday in the second round of Brazil’s presidential election. The final stretch of the campaign, tense amid polls predicting a technical tie, has been marked by alleged technical errors at Meta that have generally harmed the leftist leader.

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© CARLOS RAMIREZ (EFE)

Bernie Sanders at an event in Houston (Texas), part of his campaign tour across the United States.
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Operation Comeback: Rhian and Julia’s push to deliver victory for Lula and Brazil’s left

Julia de Oliveira Szöke and Rhian Silva, history students at the University of São Paulo (USP), campaigning for Lula to win, this Wednesday at the faculty.

They went into the first round of Brazil’s presidential election full of optimism. They were enormously confident that the veteran Luiz Inácio Lula da Silva would secure a first-round victory. In fact, even an outright win did not seem far-fetched to them. But election night on October 4 ended in colossal disappointment for 23-year-old Rhian Silva, for Julia de Oliveira Szöke, 25, both history students, and for the Brazilian left as a whole. Shocked, Silva allowed himself only a brief period of mourning before springing into action after Lula called for mass mobilization.

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L’economia del Brasile alla vigilia della nuova presidenza

Il Brasile torna al voto domenica per il ballottaggio tra Lula e Flávio Bolsonaro. Hanno idee molto diverse in economia. Dovranno fare i conti con una situazione che vede disoccupazione e povertà in calo, ma redditi fermi, inflazione e tensioni con gli Usa.

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Quem aprovou o crédito de Flávio? BRB silencia, e três diretores da época são alvo da PF

Três integrantes da Diretoria Colegiada do Banco de Brasília (BRB) que estavam à frente da instituição quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) obteve um financiamento de R$ 3,1 milhões para comprar uma mansão em Brasília tiveram sua atuação investigada pela Polícia Federal (PF) por suposta gestão fraudulenta no caso Banco Master. 

Segundo um documento obtido pela Agência Pública via Lei de Acesso à Informação (LAI), dos nove diretores eleitos pelo Conselho de Administração do BRB em 28 de maio de 2020, o então presidente, Paulo Henrique Costa; a diretora executiva de Gestão de Pessoas e Administração, Cristiane Maria Lima Bukowitz; e o diretor executivo de Rede e Canais, Dario Oswaldo Garcia Júnior, são suspeitos de terem cometido gestão fraudulenta em operações ligadas à compra de carteiras de crédito do Banco liquidado que pertenceu a Daniel Vorcaro.

O documento obtido pela reportagem permitiu identificar que a composição da diretoria colegiada eleita para o mandato 2020/2022 é a mesma que estava à frente do banco público em janeiro de 2021, quando o crédito para a compra da mansão foi concedido ao senador e à sua esposa, Fernanda Bolsonaro. Cinco anos após a contratação do empréstimo, o financiamento voltou a ser investigado, dessa vez pela PF. Os detalhes foram inicialmente divulgados pelo jornal O Globo.

As informações sobre o trio investigado constam do processo do caso Master, cujo sigilo foi parcialmente levantado em setembro, como mostrou o Valor Econômico e foi confirmado pela Pública. Segundo a PF, os diretores identificados tinham direito a voto nas deliberações que levaram à compra das carteiras da instituição por Daniel Vorcaro e que aprovaram o negócio. Costa é o único preso e suspeito de ter recebido propina, por meio de imóveis, para atuar em favor do Master no banco distrital, o que é considerado a maior fraude bancária da história do país. 

A Pública procurou os ex-diretores com questionamentos relacionados ao crédito para o senador e sua esposa, mas apenas a defesa do então presidente do BRB, Paulo Henrique respondeu: “o financiamento dado ao Senador, seguiu-se toda a governança do banco, que tem contrato de financiamento em condições idênticas aos demais postulantes, ou seja, não lhe foi conferida rigorosamente nenhuma vantagem”.

Como mostra o documento, a Diretoria Colegiada do BRB é o órgão executivo responsável pela administração dos negócios do banco, nos termos e limites estabelecidos pelo estatuto da instituição. Entre as funções da diretoria estão a gestão de operações e a tomada de decisões financeiras dentro de suas alçadas. Segundo o próprio BRB, “todas as decisões no âmbito do banco e dos comitês da instituição financeira são colegiadas.”

Segundo servidores ouvidos pela reportagem, financiamentos que ultrapassam os limites das instâncias inferiores são submetidos à Diretoria Colegiada. A Pública tentou confirmar se foi o caso do crédito ao senador Flávio Bolsonaro – e se a decisão foi tomada em conjunto pelos diretores, incluindo os investigados pela PF, ou por uma única instância. O BRB não respondeu. Sem essas informações, não é possível afirmar se o financiamento passou por deliberação conjunta da Diretoria Colegiada ou foi aprovado por uma instância isolada. 

  • Sala de estar da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
    Sala de estar da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
  • Mansão comprada por Flávio Bolsonaro
    Mansão comprada por Flávio Bolsonaro
  • Piscina da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
    Piscina da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
  • Mansão comprada por Flávio Bolsonaro
    Mansão comprada por Flávio Bolsonaro
  • Piscina da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
    Piscina da mansão comprada por Flávio Bolsonaro
  • Mansão comprada por Flávio Bolsonaro
    Mansão comprada por Flávio Bolsonaro

Debate da Band relembrou Mansão de Flávio

A mansão do senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, foi um dos assuntos abordados no debate da Band no último domingo, 18 de outubro. Ao comparar o próprio patrimônio ao do adversário, o presidente-candidato Lula questionou Flávio sobre a origem dos recursos utilizados na compra do imóvel. “Esse cidadão, que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de R$ 10 milhões.”

O tema surgiu a partir de uma pergunta de Lula. “Mas me explica como é que você comprou uma casa de R$ 10 milhões com salário de senador?”. Flávio respondeu que comprou o imóvel “com trabalho”. Lula rebateu: “Eu sou presidente há 12 anos e tenho um apartamento de 190 m² de R$ 1,5 milhão”, afirmou. Na mesma fala, o petista relacionou a compra da mansão do adversário ao BRB, banco investigado no caso Master.

Quitação antecipada da Mansão de Flávio

A compra da mansão ocorreu em janeiro de 2021 e foi vendida ao senador por R$ 5,97 milhões pelo empresário Juscelino Sarkis, filho do pioneiro de Brasília Simão Sarkis, dono do grupo Sarkis. Simão foi um dos principais doadores da campanha vitoriosa de Michelle Bolsonaro (PL-DF) ao Senado: em 8 de setembro, Sarkis doou R$ 100 mil à ex-primeira-dama que se elegeu pelo PL com 938 mil votos.

O imóvel de 1,1 mil metros quadrados, com piscina, academia e spa, fica no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, área nobre da capital. Segundo a escritura do imóvel obtida pela Pública, Flávio e Fernanda pagaram cerca de R$ 2,9 milhões com recursos próprios, por meio de depósitos. Os outros R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB, com prazo de 30 anos.

O valor da casa era mais do que o triplo do patrimônio declarado por Flávio à Justiça Eleitoral em 2018, de R$ 1,74 milhão, como mostrou o Estadão à época.

Para obter o crédito, o casal declarou renda mensal conjunta de R$ 36.957,68, conforme revelou a Folha de S.Paulo. Um simulador do próprio BRB, disponível à época, indicava, para aquela modalidade e aquele valor de financiamento, uma renda mínima de aproximadamente R$ 46.401,25 – cerca de R$ 9,4 mil a mais do que o declarado.

O financiamento previsto para 30 anos durou apenas três, porque o senador quitou a dívida com seis pagamentos extras, entre R$ 198 mil e R$ 997 mil, que somaram R$ 3,4 milhões – o último em março de 2024. Procurado à época, Flávio disse que os recursos tinham origem lícita, sem detalhar de onde vieram.

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A operação levou o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) a instaurar uma investigação. A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) também ajuizou ação contra o banco, seu então presidente, Paulo Henrique Costa, o senador, e a esposa. Ela pediu a anulação do contrato, sob o argumento de que o crédito foi concedido em desacordo com as regras internas do BRB.

Na contestação, a defesa de Flávio afirmou que a renda do senador não se limita ao salário do Senado, porque ele “atua como advogado, empresário e empreendedor, por muitos anos”, e que Fernanda exerce a odontologia em consultórios no Rio de Janeiro e em Brasília. Os advogados classificaram as suspeitas como “uma falácia criada por adversários políticos e desafetos”. 

O BRB, por sua vez, afirmou no processo que as condições oferecidas a Flávio também estavam disponíveis a outros clientes e que a análise considerou quatro rendas líquidas registradas no cadastro – uma da atividade parlamentar e as demais de caráter privado. “Para análise do financiamento imobiliário, o valor da prestação dos proponentes não ultrapassou 30% do rendimento líquido, mesmo estando previsto em lei que o comprometimento não pode ser superior ao limite de 40%”, disse o banco. O BRB também argumenta que a quitação comprova que não houve prejuízo aos cofres públicos. O MPDFT concluiu que não houve irregularidades.

Da esquerda para a direita: Allan Guerra, Paulo Henrique Costa, Flávio e Fernanda, em janeiro de 2021
Da esquerda para a direita: Allan Guerra, Paulo Henrique Costa, Flávio e Fernanda, em janeiro de 2021

BRB se recusa a informar como a decisão foi tomada

Resta saber quem, no BRB, deu o aval ao crédito do senador – e se os diretores hoje investigados participaram da decisão. Um deles, no entanto, o presidente do BRB à época, Paulo Henrique Costa, aparece em foto com Flávio, Fernanda e um tabelião de Brasília, Allan Guerra, na própria mansão, no final de janeiro de 2021. A imagem foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim. 

A reportagem procurou duas agências do banco e solicitou informações sobre o trâmite de aprovação de financiamentos acima de R$ 3 milhões. Segundo um servidor do BRB, pedidos desse porte passam pelas instâncias superiores de governança do banco, como o Comitê de Crédito. “No caso de a solicitação do financiamento ultrapassar os limites das instâncias inferiores, a Diretoria Colegiada é a responsável pela deliberação”, explicou. Questionado sobre quais seriam esses limites, o servidor afirmou “não saber os valores”.

Um segundo servidor disse, sob reserva, que detalhes sobre o financiamento de Flávio Bolsonaro não estão disponíveis para consulta no BRB. “O sistema é sigiloso com pouquíssimas pessoas com acesso”, disse.

A Pública também procurou o BRB para perguntar quantos financiamentos imobiliários nas mesmas condições oferecidas a Flávio foram concedidos entre 2020 e 2021, como são analisadas as operações milionárias e quais procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) são aplicados às quitações antecipadas de grande porte. Até a publicação, o banco não respondeu. Caso se manifeste, a reportagem será atualizada.

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Datafolha mostra empate absoluto entre Lula e Flávio Bolsonaro a três dias da eleição

A corrida pela Presidência da República alcançou um cenário de igualdade numérica na reta final do segundo turno. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22/10) atribuiu 50% dos votos válidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 50% ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A eleição ocorrerá no domingo (25/10).

O levantamento confirmou a redução da diferença entre os candidatos ao longo das últimas semanas. Na primeira rodada do segundo turno, Flávio registrou 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Na pesquisa seguinte, os percentuais passaram para 51% e 49%, respectivamente. Agora, ambos aparecem com 50%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O instituto ouviu 2.520 eleitores em 154 municípios, entre terça-feira (20/10) e quinta-feira (22/10). O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09709/2026.

O presidente alcançou 46% das intenções de voto no cenário que considera todos os entrevistados, um ponto acima dos 45% registrados na semana anterior. Flávio permaneceu com 47%, enquanto os votos brancos e nulos recuaram de 6% para 5%. Os indecisos continuaram em 2%.

As oscilações ocorreram dentro da margem de erro e não permitem afirmar que houve mudança efetiva na preferência do eleitorado. A pesquisa representa o comportamento dos entrevistados no período da coleta, sem antecipar o resultado das urnas.

Entre os entrevistados que declararam participação na votação de 4 de outubro, Flávio alcançou 51% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 49%.

O recorte destacou a importância da participação eleitoral no segundo turno, após uma abstenção superior a 21% na primeira etapa da disputa. A capacidade de atrair eleitores ausentes poderá alterar a composição do eleitorado que comparecerá às urnas.

Na modalidade espontânea, sem apresentação prévia dos nomes dos concorrentes, Flávio obteve 47% das intenções de voto, ante 46% de Lula. Os percentuais repetiram os resultados da semana anterior.

O número de entrevistados sem candidato definido nessa modalidade passou de 3% para 4%. Apesar disso, 94% dos participantes afirmaram que já decidiram em quem votar.

Entre os eleitores de Lula, esse índice chegou a 96%. No grupo de apoiadores de Flávio, alcançou 95%.

Embora as intenções de voto estejam numericamente empatadas, a percepção sobre o desfecho da eleição apresentou diferença expressiva.

Segundo o Datafolha, 53% dos entrevistados acreditam na vitória de Flávio Bolsonaro, enquanto 39% esperam a reeleição de Lula. Outros 8% não souberam responder.

A expectativa dos entrevistados sobre quem vencerá não corresponde à intenção de voto nem constitui previsão estatística do resultado eleitoral.

A pesquisa também investigou as razões que orientam o voto. Para 73% dos entrevistados, a decisão decorre da preferência pelo candidato escolhido. Outros 18% afirmaram que pretendem votar principalmente para impedir a vitória do adversário.

Entre os eleitores de Lula, 81% apontaram a preferência pelo presidente como principal motivação, contra 13% que declararam voto de oposição a Flávio.

No eleitorado do senador, 65% afirmaram escolher o candidato por considerá-lo a melhor opção, enquanto 23% indicaram a intenção de derrotar Lula.

O levantamento identificou diferenças regionais importantes. No Sudeste, região que concentra 42% do eleitorado nacional, Flávio registrou 51% das intenções de voto totais, contra 41% de Lula.

No Sul, o senador alcançou 58%, enquanto o presidente apareceu com 33%. Entre os evangélicos, os percentuais foram de 69% para Flávio e 26% para Lula.

O presidente manteve vantagem no Nordeste, com 65% das intenções de voto, ante 30% do adversário. Entre os eleitores de menor renda, Lula registrou 54%, contra 39% de Flávio. No segmento de menor escolaridade, os índices foram de 53% e 40%, respectivamente.

Flávio ampliou sua presença entre as mulheres, grupo que representa 51% do eleitorado. O senador passou de 40% para 44% das intenções de voto, enquanto Lula permaneceu com 49%.

Entre os homens, que correspondem a 49% dos eleitores, o presidente avançou de 40% para 44%. Flávio oscilou de 52% para 50%.

Os resultados indicaram aproximação numérica entre os candidatos nos dois segmentos, embora as variações isoladas não comprovem mudanças fora da margem de erro.

A rodada do Datafolha ocorreu após uma sequência de acontecimentos políticos que marcaram a campanha presidencial.

Lula intensificou a divulgação de medidas governamentais, entre elas a antecipação do Bolsa Família. A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado também integrou o debate político da reta final.

Flávio concentrou parte de sua estratégia na campanha eleitoral, nas críticas ao governo e nas mobilizações de rua associadas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Os dois candidatos participaram do debate promovido pela Band no domingo (18/10), marcado por confrontos diretos e acusações recíprocas.

Lula e Flávio chegaram à disputa decisiva após um primeiro turno de diferença reduzida. O senador conquistou 47,03% dos votos válidos em 4 de outubro, enquanto o presidente recebeu 45,16%.

A igualdade numérica identificada pelo Datafolha nesta quinta-feira reforçou o cenário de disputa equilibrada a três dias da votação. O resultado definitivo dependerá dos votos depositados nas urnas no domingo (25/10).

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‘Leilão às avessas’: vitória de Flávio consolidaria interferência dos EUA no Brasil

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A duas semanas do segundo turno das eleições brasileiras, o norte-americano Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde dos Estados Unidos e expoente do movimento antivacina, esteve no Rio de Janeiro para casar seu filho, Conor Kennedy. A noiva era a cantora Giulia Be, que, apesar de ter declarado voto em Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, é membro de outro clã da direita, a família Marinho, ligada aos Bolsonaro. Seu pai, Paulo Marinho, foi um dos principais nomes da campanha de Jair em 2018 e é suplente de Flávio no Senado. 

A cerimônia religiosa foi na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no centro do Rio de Janeiro, onde Dom Pedro I e Dom Pedro II foram coroados. Com pompa e circunstância, a celebração ganhou cobertura internacional. 

Apenas uma semana depois do casamento, em São Paulo, apoiadores de Flávio Bolsonaro carregaram um míssil inflável com os dizeres “Trump nuke Brazil” (Trump, faça um ataque nuclear ao Brasil), em mais uma demonstração de subserviência ao governo de Donald Trump.

Casamento de direita reúne André Marinho (ao centro) e Robert Kennedy Jr. (à esquerda) no Rio de Janeiro, duas semanas antes das eleições

Os dois eventos revelam a crescente proximidade da extrema direita brasileira com a norte-americana. Uma eventual vitória de Flávio representaria a consolidação do projeto por trás da Doutrina Donroe, que promove o retorno do domínio norte-americano sobre a América Latina, na opinião do cientista político Guilherme Casarões, da Florida International University.

“A Doutrina Monroe, a original do século 19, tinha como ideia básica proteger o hemisfério americano dos interesses europeus e consolidar a hegemonia dos EUA. O que o Trump tenta fazer agora é justamente revitalizá-la com características novas, que se baseiam não só na imposição de um certo poderio militar e de relações econômicas, mas também envolvem a construção de uma aliança ideológica nas Américas”.

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Terras raras: do fundo do poço para o bolso de Trump Jr.

No início de abril, André Marinho, o irmão da noiva do casamento no Rio, esteve nos EUA, onde se encontrou com o vice-presidente americano, J.D. Vance. O encontro foi articulado por Robert Kennedy Jr.. Na ocasião, Marinho disse ter tratado com Vance da expansão do crime organizado no Rio de Janeiro e das conexões de facções criminosas com redes internacionais.

De lá pra cá, uma profusão de digitais dos EUA apareceu nas articulações do bolsonarismo para as eleições de 2026, da abertura de uma filial brasileira da Rockbridge, rede de financiadores da extrema direita criada por Vence, ao financiamento do filme “Dark Horse”, realizado por meio de um fundo estabelecido no Texas.

Na frente econômica, chamou atenção o documento produzido por André Marinho com as possíveis vantagens de uma administração de Flávio Bolsonaro para o governo e os negócios da família Trump. O “Prosperity Partnership”, de autoria do irmão da noiva, mostra como os EUA explorariam terras raras – elementos químicos essenciais para a produção de ímãs de alta potência em turbinas, eletrônicos e armamento – em mais um governo de extrema direita no Brasil.

Revelado pelo jornalista Guilherme Amado, o plano foi elaborado em março deste ano, cerca de duas semanas antes de Marinho viajar aos EUA para se reunir com Vance. Marinho negou que o documento, com a capa “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”, tivesse relação com a campanha bolsonarista.

Segundo o “Prosperity Partnership”, um novo governo Bolsonaro “posicionará o Brasil como o principal fornecedor e polo de processamento de minerais críticos alinhado ao Ocidente no Hemisfério Ocidental”; não tornará o país “dependente” de cadeias de processamento chinesas; e, por fim, “se alinhará com os Estados Unidos na construção de um sistema de abastecimento paralelo”. O documento também fala em “aceleração no processo regulatório”, em consonância com o programa de governo de Flávio Bolsonaro, que, ao tratar do tema, promete “licenciamento ágil e técnico”.

Procurado pela reportagem, Marinho afirmou que o “assunto é superado exatamente por não haver qualquer consequência prática na realidade”. Em seguida, mandou nota em que disse que “o estudo foi elaborado por iniciativa exclusivamente pessoal, como um exercício hipotético de análise de cenários. Não se tratava de proposta oficial nem foi produzida a pedido de qualquer campanha, autoridade ou organização.”

Marinho disse ainda que não enviou o material à “campanha de Flávio Bolsonaro, a autoridades ou organizações americanas, nem foi objeto de qualquer reunião ou tratativa”. Completou que seu encontro com Vance, em abril de 2026, “não teve qualquer relação com esse estudo”.

Acesso facilitado a recursos naturais

As ideias do apoiador de Flávio e mais novo integrante da família de Robert Kennedy Jr. se alinham aos pilares econômicos da Doutrina Donroe, fundamentados no acesso facilitado dos EUA a recursos naturais de países latino-americanos.

A doutrina vem sendo aplicada com êxito por Trump na Venezuela. Após intervir militarmente no país vizinho, multinacionais americanas e empresários alinhados a Trump já conseguiram contratos para exploração de petróleo e, em agosto, o governo dos EUA anunciou um acordo que garante ao país a concessão, por 100 anos, para extrair barris de 17 campos de petróleo venezuelanos.

Já na Argentina, um decreto do presidente Javier Milei revogou a lei que impunha restrições à compra de terras por estrangeiros. Apesar da resistência popular e nos tribunais, a Suprema Corte do país primeiro confirmou a decisão de Milei, mas agora reverteu o entendimento.

O desequilíbrio de poder entre os EUA e os países latino-americanos levanta dúvidas sobre o futuro da exploração de terras e recursos naturais com o fortalecimento da Doutrina Donroe. Casarões destaca que, em um cenário de “subserviência ao governo norte-americano”, caso Flávio vença a eleição, “pode ser que os países da América do Sul, sobretudo Brasil e Argentina, mas também Colômbia e Chile, entrem numa espécie de corrida para o fundo do poço. Um leilão às avessas, com uma dinâmica de quem cede mais [aos EUA]”.

O fundo 1789 Capital, que tem como sócio Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, já investiu na norte-americana Vulcan Elements, que, por sua vez, faz parte de uma cadeia de empresas envolvidas no Projeto Caldeira, de exploração de terras raras no sul de Minas Gerais.

A Pública mostrou que outra empresa envolvida no projeto, a australiana Meteoric, responsável pela extração de minério, assinou um memorando com a canadense Ucore, que garantiu investimentos do Departamento de Defesa dos EUA para desenvolvimento de uma planta de separação de terras raras.

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Milícia e mortes de crianças 

Não menos importante para o governo Trump é a afinidade com a abordagem bolsonarista ao combate ao tráfico de drogas. Em maio de 2026, dias depois do encontro de Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca, o governo dos EUA designou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Esta é considerada uma das principais vitórias de Flávio Bolsonaro, que atribuiu a si a reivindicação.

Por outro lado, as conexões de Flávio com a milícia e o caso da menina Ana Clara, morta por um tiro de fuzil de um policial em Niterói (RJ), em 2021, por enquanto passam ao largo das discussões sobre segurança entre a extrema direita. Além de defender o policial autor da morte da menina em Niterói, em 2021, Flávio também já justificou o assassinato de outra criança, dessa vez nos EUA. Tamir Rice, de 12 anos, brincava com uma arma de brinquedo num parque de Cleveland, em 2014, quando foi morto pela polícia.

“Os policiais chegaram para abordar esse menor, que estava com a arma na cintura, e disseram: ‘Mãos ao alto!’ O menino meteu a mão na arma e a puxou apontando para os policiais. Ele foi alvejado na hora, como tem que ser”, disse em 2007, em discurso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando era deputado estadual.

“A imprensa brasileira ou grande parte dela trata isso como um erro grave porque morreu uma criança. O fato é, sim, lamentável. Quem não se incomoda com isso? E se fosse uma arma de verdade?”, completou.

O Brasil não faz parte do Escudo das Américas, que reúne pelo menos 13 países da região, sob liderança dos EUA. O grupo foi criado em março de 2026 e reúne governos aliados de Trump, com o propósito de se tornar uma espécie de Otan da região para enfrentar o crime organizado.

Em outubro, o The New York Times revelou que os EUA já estão enviando centenas de soldados para treinar e realizar exercícios com forças locais na América Latina, com o argumento de combater o narcotráfico na região. Há presença militar americana no território de países signatários da aliança, como Panamá, Colômbia e Equador.

Casarões aponta a contradição entre a postura bolsonarista receptiva ao intervencionismo norte-americano e o pensamento militar que a família sempre disse defender, que, paradoxalmente, defende a mesma soberania que se tornou bandeira de Lula nesta eleição:

“Depois do golpe de 1964, mesmo os militares tinham muitos problemas em aceitar qualquer tipo de presença ou ingerência militar norte-americana no Brasil. Os novos tempos têm convidado a família Bolsonaro a fazer uma coisa muito distinta daquilo que eles supostamente defendem, que é o legado dos militares no Brasil.” 

Agendas espelhadas no Legislativo

No novo Congresso brasileiro, eleito no primeiro turno, algumas das figuras mais votadas também emulam pautas trumpistas e de candidatos que concorrem nas eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para 3 de novembro, menos de dez dias depois do segundo turno brasileiro. O pleito vai renovar toda a Câmara dos Deputados e 35% do Senado norte-americano.

Anúncio do Partido Republicano acusa candidato democrata do estado de Ohio de apoiar mudança de sexo para menores de idade

Eduarda Campopiano (PL), a deputada estadual mais votada de São Paulo, não acredita em feminicídio. Lucas Pavanato (PL), o mais votado para a Câmara Federal pelo mesmo estado, apostou no pânico moral dos banheiros trans, assim como Nikolas Ferreira (PL), reeleito para a Casa com recorde de mais de 3 milhões de votos.

Nos EUA, as discussões sobre atletas trans e tratamento para transição de gênero em menores fazem parte da agenda moral de vários candidatos conservadores. Pesquisa do FactCheck.org, ONG ligada à Universidade da Pensilvânia, identificou mais de US$ 100 milhões em gastos pelo Partido Republicano com pelo menos 200 anúncios desde 1º de agosto, com as palavras “mudança de sexo”. Somente nas eleições para o Senado, os gastos superaram US$ 77 milhões.

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The Amazon at a crossroads: Brazilians’ vote also decides the rainforest’s future

When nearly 159 million Brazilians go to the polls to elect a president on Sunday, they will also be deciding the fate of the world’s largest rainforest. The Amazon, a climate regulator and a key bulwark against global warming, with the largest freshwater reserves on Earth and natural riches still unknown in many cases, faces two completely opposite models for its future in this election. Yet the issue has been almost absent from the campaign.

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© Bruno Kelly (REUTERS)

Wildfires in deforested areas of the Brazilian Amazon in Autazes, Amazonas, on October 12.
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Luana Piovani detona Roberto Justus após apoio a Flávio Bolsonaro: “Desprezo”

Luana Piovani se tornou uma das famosas mais “ativas” na disputa presidencial deste ano. Na quarta-feira (21), a atriz não escondeu sua indignação ao ver que Roberto Justus havia declaro voto em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições.

A loira compartilhou um vídeo do empresário em que ele conta estar preocupado com o futuro do País. “Venho aqui como pai, como avô, como empresário e como cidadão brasileiro preocupado com o futuro do meu País”, declarou ele.

Em seus stories do Instagram, Piovani afirmou que Justus é uma “péssima influência” para as mulheres da família. “Que bela bosta, Roberto Justus! Minha preguiça por você já tem outro nome: desprezo. Sempre péssima influência, pras moças tudo [sic] que te cercam”, disse.

A atriz ainda aproveitou para fazer menção a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. De acordo com mensagens obtidas ela Polícia Federal, os empresários discutiram, desde 2024, um investimento na SteelCorp, empresa da qual o apresentador é sócio.

Nas conversas, um empréstimo que poderia ser convertido em participação na companhia. Uma negociação que envolvia R$ 143 milhões e uma proposta de recompra de R$ 130 milhões. No entanto, a operação enfrentou dificuldades e gerou cobranças de Roberto.

“Vai chupar o saco do Vorcaro e passar vergonha que é o que você merece”, completou a atriz.

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O ecocídio por trás de Flávio Bolsonaro

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O engenheiro florestal Argemiro Teixeira Leite-Filho, do INPE,  que há anos tem estudado os impactos do desmatamento da Amazônia sobre as chuvas que alimentam o Sudeste e o Centro-Oeste cunhou um termo que explica o risco do crescimento econômico a qualquer custo – o agrossuicídio. 

O que esta palavra explica é como a perda da floresta influi diretamente na quantidade de água que cai sobre as maiores lavouras e pastagens do país. Provou com análises de imagens de satélite que, nas partes mais desmatadas de Rondônia e Mato Grosso, o clima está mais seco. Ou seja, aqueles produtores que derrubaram e queimaram por ganância, no longo prazo estão perdendo seu principal insumo – a água. Sem os rios voadores criados pela umidade da floresta, o agronegócio, considerado o motor econômico do Brasil, pode se tornar inviável.

Ao ouvir as propostas do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), tenho convicção de que o Brasil pode cometer um suicídio ecológico. Por trás de seus discursos que prometem simplificar a vida do empreendedor e do produtor rural, há uma mensagem de que um eventual governo vai liberar geral: pode desmatar que não haverá multas, pode garimpar que não haverá fiscalização, pode grilar que terra roubada vai ser regularizada.

Foi o que aconteceu no governo de Jair Bolsonaro. O antigo presidente perseguiu os fiscais do Ibama e congelou a cobrança de multas por crimes ambientais. As áreas de garimpo ilegal cresceram 92% em quatro anos, como mostrei em uma coluna há duas semanas. Muitas outras boiadas passaram e o resultado deste projeto destrutivo se revelou nas taxas de desmatamento: no governo Bolsonaro as derrubadas na Amazônia aumentaram 59,6%.

Nas redes de desinformação bolsonaristas há uma tentativa de emplacar a mentira de que foi no governo Lula que aconteceu a tragédia dos garimpos na Terra Indígena Yanomami. Ou ainda que, nestes últimos anos, o desmatamento bateu recordes. Apenas dando um google, pode-se checar estes dados e comprovar que políticos aliados de Flávio seguem mentindo sem pudor. 

Foi a fiscalização do Ibama e do Exército do atual governo que conseguiu expulsar os garimpeiros do território Yanomami. Foi no governo Lula que as derrubadas voltaram a cair. Na semana passada, tivemos a ótima notícia de que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado chegou ao nível mais baixo da história. 

É possível dizer que, durante o governo de Bolsonaro, o Brasil estava caminhando a passos largos para um ecocídio. Este também é um termo já existente. É utilizado como um conceito que embasa processos levados à Corte Penal Internacional. Juristas e ONGs buscam neste momento imputar responsabilidade a governos e empresas que, com suas atividades destrutivas, tornam a vida no planeta insustentável. 

Pense nas mudanças climáticas. Nunca estivemos num momento tão crítico no balanço entre o clima e a saúde humana. Nesta semana, por exemplo, uma análise de dados sobre a frequência e intensidade das ondas de calor revelou que, enquanto nos anos 1960 havia em média cinco eventos de calor extremo no mundo, no ano passado foram 102 episódios de “tempestades de calor”. Frente a este cenário de emergência, o que encontramos em Flávio Bolsonaro? Um negacionista desonesto que repete a ladainha de Trump que o mundo está esfriando. É uma postura ultrajante e perigosa. O Brasil, país que detém a maior floresta tropical úmida do planeta, não pode aderir a um governo que feche os olhos para a emergência climática.

Se já temos indícios de que a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal estão sofrendo com a falta de chuvas, um projeto de poder bolsonarista, que não respeita as regras ambientais, apenas nos empurra para a beira do abismo. Não é exagero pensar que o suprimento de água, energia e mesmo a disponibilidade de comida barata estão diretamente ameaçadas pela eleição de Flávio Bolsonaro.

É muito grave sua afirmação de que, caso eleito, não vai demarcar novas terras indígenas. Se o Brasil ainda tem florestas preservadas e rios limpos, isso se deve em grande parte ao cuidado que os povos indígenas tiveram com seus territórios. Privá-los do que já é garantido pela Constituição já seria um crime de violação aos seus direitos. Mas promover a destruição e a invasão destes territórios é algo que afetará a todos os brasileiros, desta e das futuras gerações.

A mensagem de que a nossa legislação ambiental será desmontada já está clara nos discursos de Flávio Bolsonaro e seu programa de governo. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo do dia 9 de outubro, ele pretende revisar o papel do Ibama, do ICMBio e da Funai para facilitar a aprovação de novos empreendimentos. Já em evento nesta segunda (19/10) no Pará, prometeu fazer um programa para regularizar a propriedade de terras sem titularidade. Em outras palavras: anistiar grileiros que tomaram as florestas preservadas e as queimaram impunemente.

Os projetos autoritários que seguem ganhando espaço ao redor do mundo têm em comum uma utopia da refundação da sociedade. O conservadorismo como tal é uma promessa de futuro que olha para o passado. Assim avançou a plataforma MAGA (Make America Great Again), de Donald Trump, que se aproveita do desespero econômico gerado pela perda de competitividade americana frente à China para apelar aos desempregados.

Junto a esta falsa promessa de um passado glorioso, há um canto de ódio que promete a terra arrasada. A destruição e a guerra como uma forma de forjar a nação. Você já viu isso por aqui não viu? De maneira igualmente grotesca, a motosserra de Javier Milei traz essa mensagem: vamos destruir tudo. E agora infelizmente, a Argentina está pagando o preço com mais pobreza e caos econômico.

Se os impactos na economia de uma tática suicida como essa já estão se provando desastrosos, é importante alertar para o que isso pode representar para o meio ambiente. Uma plataforma de governo similar à que foi liderada no governo de Jair Bolsonaro levará o país a um colapso ambiental. Um voto como esse é um ecocídio.

Para saber mais

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Flávio Bolsonaro visita o pai em Brasília na véspera de debate com Lula na TV Globo

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) esteve com o pai, Jair Bolsonaro, na manhã desta quinta-feira (22), em Brasília. O senador, que disputa a Presidência da República, chegou pouco antes das 8h ao condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.

O encontro durou aproximadamente uma hora. Flávio deixou o local sem falar com jornalistas e não comentou o motivo da visita.

A reunião ocorreu um dia antes do debate entre o candidato do PL e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. O confronto televisivo está previsto para três dias antes do segundo turno.

Esta é a terceira vez que pai e filho se encontram desde o fim da restrição de 90 dias às visitas a Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Condenação de Jair Bolsonaro e compromissos de Flávio

O ex-presidente foi condenado pelo STF, em 2025, a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Desde agosto do ano passado, ele está preso e cumpre prisão domiciliar no Distrito Federal.

A agenda oficial de Flávio Bolsonaro indica que ele permanece em Brasília nesta manhã, sem compromissos públicos previstos. Para a noite, o senador tem uma transmissão ao vivo marcada para as 19h.

Leia também

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As eleições brasileiras que poderiam ser em Portugal ou na EU

Eleições no Brasil, EUA e UE: esquerda identitária e direita antissistema desviam o debate do essencial — soberania e redistribuição de riqueza.

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As eleições brasileiras têm sido férteis na expressão dos estereótipos eleitorais mais comuns que, na sua esmagadora maioria, são responsáveis pelo acentuado resvalamento para uma política superficial, estéril em debate de soluções efectivas para o futuro colectivo, mas profundamente rica em estética carnavaleira, mais liberal ou mais conservadora, em acesa maledicência e numa tendência exacerbada para o insulto fácil ou até para as mais vis ofensas pessoais.

Nada que não se conheça dos EUA e da forma conservadora, tacanha, acanhada e recuada como aí é discutida a política nacional, em que uma e outra barricada evitam debater os assuntos realmente fracturantes, classificados de «radicais»; nem nada que não se conheça da velha Europa, cuja perda de qualidade da classe política em nada difere, hoje, do que se passa no Brasil, na Argentina ou noutras paragens marcadas pela submissão dos principais dirigentes políticos ao imperialismo anglo-sionista, ao poder imenso da oligarquia ou, em última análise, à necessidade de conciliação das políticas caseiras para com a agenda internacional do imperialismo.

Enquanto olhamos para uma esquerda apanhada, não raras vezes, pelo identitarismo individualista e liberal, assim desviada dos locais de trabalho, do chão de fábrica, dos dramas da exploração, que estão na base dos problemas mais profundos com os quais se debate a maioria da população, constatamos também uma direita que funciona como o outro lado da moeda: ao liberalismo nos costumes de parte da esquerda (a liberal), a direita responde com o conservadorismo; às promessas de justiça social da esquerda (a liberal), a direita responde com mais liberalismo e até “ultraliberalismo”. Uma e outra acabam por falar muito pouco do que interessa realmente, centrando-se muitas vezes em assuntos acessórios, mais ligados à estética do que à essência.

Não obstante, com um olhar atento, podemos sempre desenterrar o que se esconde por trás de um e outro panfletarismo. Uma das mais importantes temáticas em confronto hoje nas sociedades ocidentais – ou ocidentalizadas, como é o caso do Brasil, da América Latina e da Europa Latina – consiste na tensão entre soberania e submissão ao imperialismo anglo-sionista. Se, na Europa – nos casos de Portugal, Espanha ou Itália –, essa tensão é mediada por uma UE já submetida, que tende a funcionar como uma camada protectora das tensões nacionais e uma vez levantada a questão da soberania, a tendência é, das duas uma, ou vê-la como uma extensão da soberania europeia, o que esconde o real problema, ou vê-la como uma tentativa de discussão da saída da UE, o que ainda é visto como um tabu em alargados círculos de um campo ou outro; no Brasil, essa tensão fica mais exposta, uma vez que não existe uma União Americana para mediar as relações externas do país para com os EUA e Israel, os grandes representantes do imperialismo anglo-sionista.

E, neste caso, é interessante verificar que, do lado bolsonarista, de onde se poderia esperar a proposta nacionalista, tal não sucede, ou sucede muito residualmente, pois, mesmo quando sucede, a tentativa é desmascarada pelo excessivo apoio que as redes sociais norte-americanas dão à candidatura de Bolsonaro, ou pelas constantes ingerências de Trump e dos seus apaniguados no processo eleitoral brasileiro. Por muito que a direita quisesse mostrar-se como defensora da nação e da sua independência, o efusivo apoio dos EUA à candidatura em causa faria cair a máscara, pois os EUA – e Israel – nunca apoiariam com tanta veemência e de forma tão expressa quem não lhes fosse dócil. A omissão de Lula nos comandos algorítmicos de Silicon Valey acaba por denunciar qual dos dois candidatos é mais dócil aos interesses dos EUA.

Já do lado de Lula da Silva, aí sim, têm surgido as propostas mais demarcadas em matéria de defesa da soberania, mesmo que alguma dessa intensidade possa depois colidir com os ditames pragmáticos da realpolitik, ditados pela necessidade de conciliar com um centrão marcadamente pró-imperialista. De qualquer das formas, esta linha demarcadora existe, e parece-me pouco crível que alguém, no pleno uso das suas faculdades mentais, possa escolher um protegido de Trump para a defesa dos interesses soberanos do Brasil, em vez de um experiente conciliador, mesmo que não revolucionário.

Sabendo da importância que esta questão tem, depois, para a gestão e utilização soberana dos recursos endógenos e a sua afectação a um plano de desenvolvimento independente, parece-me de difícil defesa a escolha de Bolsonaro, no caso de pesar, nessa escolha, a questão soberana. Tal como na UE, também não é na direita que os soberanistas têm encontrado as melhores práticas, talvez com excepção de Viktor Orbán — que governou a Hungria durante dezasseis anos, até às eleições de abril de 2026 —, mas mais por necessidade de alinhamento com a Rússia e a China, em consequência das escolhas da UE em matéria energética e industrial, do que por necessidade de construção de um projecto de nação realmente soberano. Aliás, se mais provas fossem necessárias, tivemos o total alinhamento de Orbán com o sionismo para percebermos que o desencontro para com a UE era apenas tático, e não uma questão de fundo ou de defesa da soberania nacional. Nem por um momento Orbán renunciou à NATO nem se afastou de Israel e do sionismo — factores que usou como plataformas de sustentação contra a burocracia de Bruxelas. A submissão a Trump, essa, também foi explícita e verbalizada com o fulgor de quem via nele “um enviado de deus”!

Já no caso de Meloni, Babis e outros, a questão é a mesma: muita conversa, mas, no final, o mesmo alinhamento, o que deixa antever para onde virão a virar os partidos como a AfD. Perante as questões fundamentais, também estas alinharão, ou pela submissão a Bruxelas, ou pela submissão directa ao sionismo e ao imperialismo dos EUA. Outros, como Meloni, conseguem fazer um meio-caminho que, no final, tem as mesmas consequências sociais. No que conta realmente, os jovens continuam a deparar-se com o desemprego, a não conseguir casa, as infraestruturas a degradar-se, os direitos laborais sob ataque cerrado e os salários em desvalorização acelerada face ao aumento brutal do custo de vida. Não existe um local onde esta «nova direita» esteja implantada e sentada nas cadeiras do poder, onde isto não se passe.

Daí que subsista um outro paralelo importante entre as eleições brasileiras e o que se passa na Europa e no Ocidente em geral: quer no Brasil, quer nos EUA, quer na Europa, esta «nova direita» utiliza também a agenda identitária como linha divisória em relação à esquerda. Supostamente, a «esquerda» – liberal, acrescento eu – seria responsável por uma decadência dos costumes e dos valores culturais e religiosos, pela decadência social e moral dos defensores desta deriva «wokista».

Ora, esta demarcação tem funcionado como justificação para muitos que, tendo-se apresentado como críticos do sionismo, defensores da multipolaridade, anti-imperialistas e defensores das soberanias do Sul Global, vêm agora usar este suposto «wokismo» da esquerda para justificar a eleição de um representante da submissão ao imperialismo como Bolsonaro. Esta demarcação tem um problema: mais «wokista» do que o «wokista» é aquele que faz do wokismo a coisa mais importante da política, seja quando se está a favor, seja quando se está contra.

À esquerda, muitos não são capazes de identificar nas pautas excessivamente identitárias uma agenda individualista, fraccionária e fragmentadora das classes trabalhadoras, com origem nos próprios EUA, cujos serviços de manipulação de massas transformaram o ser «woke» (alerta para as injustiças sociais) numa espécie de panfletarismo identitário que extraiu ao movimento «woke» a dimensão classista e de redistribuição justa da riqueza que possuía e lhe deu uma panóplia de identidades em troca, transformando a preocupação com a igualdade, a justiça social e a liberdade – uma preocupação materialista e universalista – numa preocupação tribalista, individualista e, acima de tudo, desconectada da dimensão material, ou seja, da dimensão da justa redistribuição da riqueza produzida pelo trabalho.

Mas, à direita, quando se utiliza essa deriva tribalista e individualista como linha divisora, nega-se também o que distingue, de facto, a esquerda da direita. É que na matriz histórica que distingue esquerda de direita está a riqueza: quem a domina e como é repartida. De um lado, quem defende que a propriedade e a riqueza não devem ser a medida da liberdade e da iniciativa política e que todos os seres humanos devem ter direito a uma vida digna (universalismo) e, do outro, à direita, a plutocracia fisiocrática, ou seja, a ideia de que a liberdade e a capacidade de intervenção política devem medir-se pela riqueza que se tem. Daí que os sufrágios liberais assentassem numa lógica censo-censitária – ou seja, identitária –, em que o que contava era a riqueza que se tinha, se era homem e se sabia ler e escrever, e não fosse a luta, nomeadamente a das mulheres sufragistas, a conseguir alcançar o que hoje designamos por «sufrágio universal» e ainda estaríamos assim. Julgo que também as terão acusado de «wokistas», nos termos em voga na altura!

Assim, de lá para cá, ou seja, desde o momento fundador da dicotomia «esquerda–direita» da Revolução Francesa, a direita se empenha mais do lado da conservação da propriedade nas mãos de quem a tem, e a esquerda mais do lado da democracia real, da democracia económica, social e cultural, negando a ideia de que os ricos tenham de permanecer ricos e que os pobres tenham de permanecer pobres — em jeito de tradução, o que chamamos de progressismo universalista, por oposição ao progressismo individualista, o qual tende sobretudo para as questões da identidade individual.

Assim, quando esta direita embarca na lógica antiwokista, fazendo desta agenda o aspecto mais importante da discussão política, como se o que importasse realmente não fossem as coisas que nos permitem viver, sustentar, alimentar e fruir o nosso corpo e espírito, esta direita fá-lo apenas com uma intenção: desviar a atenção para uma questão superficial, para que nas propostas em discussão não entre o que lhe é mais caro: a redistribuição justa da riqueza e a democracia económica, social e cultural. Assim, o que mais lhe importa permanece indiscutível e as eleições transformam-se num carnaval de bandeirinhas do contra e a favor. Quem escolhe onde vota por causa do wokismo de outro é tão wokista quanto ele.

Mas não se ficam por aqui as semelhanças. Outra é a questão da segurança e do combate ao crime: à direita, propaga-se a ideia de que o crime se combate com violência brutal; à esquerda, defende-se que, enquanto houver pobreza, não será possível erradicar o crime. Ora, não é preciso ser muito inteligente para perceber que a primeira proposta falha nos locais onde mais se dela fala: nos EUA. Nenhum país tem mais prisioneiros comuns — também poucos terão mais prisioneiros políticos —, nenhum país gasta tanto em suposto combate ao crime, nenhum país desenvolvido tem tanto crime. Porque, nos EUA, os viveiros do crime comum, os guetos negros e latinos, onde vivem populações desesperadas, desprovidas de condições básicas de emprego, de educação e de serviços públicos essenciais, continuam sobrelotados e cada vez mais empobrecidos. Ora, esse é apenas o crime do desesperado, o que surge na televisão.

Outra forma de crime e que também constitui um paralelo na agenda direita/esquerda, é a questão da corrupção. Se esta «nova direita» faz bandeira da corrupção e a esquerda pouco fala dela, também é verdade que, quando eleita, esta «nova direita» faz tudo menos acabar com a corrupção. Não é preciso ir mais longe do que Trump para constatarmos um caso de corrupção empedernida. E quem do bolsonarismo esperava o fim da corrupção também ficou a praguejar no deserto: o governo Bolsonaro foi, ele próprio, um antro de corrupção. Talvez se devesse começar por discutir que, para acabar com a corrupção, é preciso acabar com o que a origina: a imensa disparidade na distribuição da riqueza, que faz com que uns possam usar o seu imenso poder económico para obter do poder político o que lhes falta em legitimidade eleitoral. Este crime, o de colarinho branco, sendo até mais insidioso e originando as causas profundas do outro, não surge tão amiúde nas televisões.

Na imigração temos, talvez, a única das grandes diferenças entre as eleições na América Latina, no Brasil e nos países do capitalismo avançado. Mas a imigração surge também como uma forma de identitarismo superficial da direita. Quanto mais a «nova direita» fala de «excesso de imigração», mais esquece que quem emprega esses imigrantes são os mesmos que a financiam e apoiam, que os imigrantes vêm trabalhar nos sectores económicos com os salários mais baixos, explorados pelos patrões mais retrógrados e conservadores — base social da direita radical —, e que o patronato só recorre à imigração como último recurso, porque a sua agenda antilaboral fez com que os trabalhadores não tenham hoje condições para projectar um futuro com estabilidade, porque os jovens, vítimas da transformação da habitação em especulação imobiliária, deixaram de poder programar um futuro em família e porque os pais e as mães, vítimas dos horários desregulados impostos pelo patronato e consagrados em lei pela direita, não têm tempo para a sua família.

O mais grave é que, quanto mais negam as condições materiais necessárias, mais dizem defender a família e os respectivos valores. Uma clara mostra de hipocrisia e cinismo, que nega as causas profundas do problema — um problema que afecta todo o Ocidente. É mais fácil, como têm feito, negar que a crise da natalidade está intrinsecamente ligada ao sistema vigente. Sabem onde não havia crise da natalidade? Nos países socialistas do leste. Países industrializados, letrados e bem alimentados, que duplicaram as suas populações em 70 anos. Hoje, tomados pelo capitalismo, encontram-se na lenga-lenga dos países do capitalismo avançado. Daí não sairão até que mudem as características fundamentais de um sistema económico que não apenas não dá tempo à mulher para ter filhos, como destrói a coesão familiar com a desregulação do trabalho e, consequentemente, da vida.

Ora, o que é mais interessante deste debate político é que os que há uns anos, os que diziam não haver direita e esquerda, que os políticos eram todos iguais, são agora os que vêm dizer que a salvação está nesta «nova direita» e são os que se acirram quando lhes dizemos que esta «nova direita» nada tem de «nova» e que, ao invés, tresanda a fascismo clássico.

Nunca são fascistas, mas submetem-se ao sionismo e ao império anglo-sionista; não são fascistas, mas usam da demagogia e do discurso fácil usados pelo fascismo clássico; não são fascistas, mas usam das bandeiras de massas como o fez o fascismo clássico; não são fascistas, mas usam a religião e a suposta degradação dos costumes para desviar as atenções do essencial, como o fez o fascismo clássico; não são fascistas, mas chegados ao poder privatizam, atacam direitos laborais e fecham serviços públicos essenciais, como fez o fascismo clássico; não são fascistas, mas atacam o conhecimento, desvalorizam o estudo e o empenho individual, como fazia o fascismo clássico; não são fascistas, mas desconsideram a experiência política, o percurso individual e colectivo, como fazia o fascismo clássico, para desconsiderar as instituições; não são fascistas, mas assumem um discurso racialista, xenófobo, supremacista e ultra-individualista, como fazia o fascismo clássico; não são fascistas, mas são todos anticomunistas, antissocialistas e contrários ao progresso social, como era o fascismo clássico; não são fascistas, mas são apoiados pela oligarquia e pelo patronato mais retrógrado, bem como pelo imperialismo, como era o fascismo clássico.

Não são fascistas, mas cheiram, voam, cantam e vociferam como os fascistas…

Chamem-lhe o que quiserem, mas uns «anos 30» do século XXI, armados de IA e de redes sociais? Não, obrigado! Não podemos esperar diferente de quem tem os mesmos patrões e quer mandar nos mesmos empregados…

Espero que, depois, me poupem ao adágio repetitivo do «fomos enganados».

FONTES E NOTAS DE VERIFICAÇÃO

Encarceramento nos EUA — os EUA têm a maior população prisional do mundo (cerca de 2 milhões de pessoas) e a maior taxa de encarceramento de qualquer democracia; em taxa por habitante, apenas El Salvador, Cuba e Turquemenistão a superam (World Prison Brief / Prison Policy Initiative, 2026). https://eji.org/news/u-s-remains-world-leader-in-number-of-people-incarcerated/

Jair Bolsonaro — condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão (11 de setembro de 2025) por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado democrático de direito; cumpre pena desde 25 de novembro de 2025. https://apublica.org/especial/o-julgamento-de-jair-bolsonaro/ ; https://checamos.afp.com/doc.afp.com.A2V88ZQ

Donald Trump — condenado em maio de 2024 por 34 crimes de falsificação de registos comerciais; em janeiro de 2025 foi-lhe aplicada uma liberdade incondicional (sem pena de prisão nem multa), com recursos ainda pendentes em 2026. https://www.bbc.co.uk/news/articles/c4g3m95ykzko ; https://www.axios.com/2026/08/28/trump-hush-money-conviction-appeal

Viktor Orbán — a Hungria é membro da NATO e Orbán foi aliado próximo de Netanyahu e de Israel; nas eleições de abril de 2026, Péter Magyar pôs fim a 16 anos de governo de Orbán. https://apnews.com/article/hungary-israel-euro-2024-soccer-1514e137b54b18a1fed8be8b6cd89b19 ; https://www.ynetnews.com/article/hjef3yqnbx

Sufrágio — em Portugal, o voto censitário só foi extinto em 1968; as mulheres obtiveram um direito de voto limitado em 1931 e a igualdade plena apenas com a Constituição de 1976. https://www.europeana.eu/pt/stories/votes-for-women ; https://arquivomunicipal.lisboa.pt/fileadmin/arquivo_municipal/difusao/publicacoes/cadernos/Cad04.pdf

Origem do termo «woke» — inglês afro-americano, com registos desde os anos 1920–1940, popularizado a partir de 2014 pelo movimento Black Lives Matter. https://www.merriam-webster.com/wordplay/woke-meaning-origin ; https://www.latimes.com/world-nation/story/2025-09-30/how-woke-went-from-an-expression-in-black-culture-to-a-conservative-criticism

Origem dos termos «esquerda» e «direita» — disposição dos deputados na Assembleia Nacional Constituinte francesa, em 1789. https://observador.pt/opiniao/a-grande-dicotomia-o-que-ainda-separa-a-esquerda-da-direita/

Criminalidade — a taxa de homicídios dos EUA (≈6,4 por 100 mil habitantes) é muito superior à dos restantes países desenvolvidos, mas inferior à do Brasil (≈22–23) ou do México (≈25); por essa razão, o texto original «nenhum país tem tanto crime» foi ajustado para «nenhum país desenvolvido tem tanto crime». https://www.unodc.org/documents/data-and-analysis/gsh/2023/GSH_2023_LAC_web.pdf

 

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Erika Hilton, lawmaker: ‘There could be a coup in Brazil. This time within the law, not like that horror show’

Deputy Erika Hilton in her campaign office in São Paulo, October 13.

While the keynote speaker is closing the rally, her own fans are waiting for her at the back exit. Dozens of young people press onto the road, cell phones in hand. As she appears among the crowd, pandemonium breaks out. There are excited screams — everyone wants a selfie. The lawmaker walks confidently on stiletto heels. Escorted by three bodyguards, her straight, caramel-colored hair stands out in the throng. She twists her body to pose with this person and that one. She smiles. She advances slowly, head held high, toward the black car, followed by her own cameraman. “Erika, Erika, Erika…,” they chant. Erika Hilton, 33, steps into the armored vehicle and disappears into this drizzly São Paulo night.

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Erika Hilton at a Workers Party rally in Largo da Batata  on October 13, 2026.Erika Hilton posters at a Workers Party rally in Largo da Batata on October 13.Erika Hilton greets her supporters at the Workers’ Party rally.The deputy at the rally.Erika Hilton during an interview in Largo da Batata on October 13.Hilton next to a painting in her office.
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Flávio condiciona abertura de sigilos a dados de Marcola, e Lula aceita exigência

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) impôs uma condição para divulgar seus dados pessoais e financeiros: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também deverá autorizar o acesso às informações de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-assessor petista. A exigência foi apresentada nesta quarta-feira (21/10), e a campanha de Lula anunciou que aceitará a proposta.

O senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz do presidente, afirmou que Lula não apresenta resistência às exigências do adversário, desde que Flávio cumpra o compromisso de abrir seus próprios registros. A manifestação será protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22/10), às 11h. Camilo desafiou o candidato do PL a apresentar a autorização no mesmo horário.

Durante compromisso em Belo Horizonte, o presidente reagiu às condições impostas pelo adversário e utilizou uma comparação com o jogo de cartas. “Eu pedi para o Flávio abrir o sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentira e trucou 6. Eu vou meter o 9 na cara dele amanhã”, declarou.

Segundo a Polícia Federal (PF), Marcola recebeu recursos da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante tentativas de negociação de contratos com o governo federal que não se concretizaram. Os envolvidos afirmam que os valores corresponderam a empréstimos pessoais.

Na petição encaminhada ao TSE, a defesa de Flávio afirmou que o candidato aceita disponibilizar informações dos últimos 20 anos, inclusive de familiares e empresas vinculadas a seu nome. Também declarou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Em troca, o senador exigiu acesso a registros de auxiliares que utilizaram aparelhos à disposição do presidente, empresas relacionadas aos filhos de Lula, dados do Instituto Lula e despesas do cartão corporativo. A lista também inclui entradas de Roberta Luchsinger nos palácios presidenciais e compromissos da primeira-dama, Janja.

Camilo Santana questionou a ausência da Alcazar Holding entre os dados oferecidos por Flávio. Segundo a PF, o parlamentar possuía acesso operacional relevante, na condição de usuário master, a uma conta bancária da empresa, da qual o advogado Willer Tomaz é sócio. A exclusão desse acesso foi solicitada em maio de 2025. Os envolvidos negam o compartilhamento de conta.

Lula apresentou a proposta inicial durante o debate da Band, no domingo (18/10), e a formalizou na Justiça Eleitoral na terça-feira (20/10). O presidente ofereceu acesso aos próprios dados e aos de familiares e empresas, desde que o adversário adotasse medida equivalente. O processo ficou sob relatoria do ministro André Mendonça.

O candidato do PL participou de um evento de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Diante de apoiadores, imitou a voz do presidente, questionou a existência de seu telefone celular e fez acusações contra Lulinha, sem apresentar provas no trecho do discurso relatado.

Flávio e aliados também atacaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. Parlamentares do PL defenderam a possibilidade de impeachment de integrantes da Corte na próxima legislatura. O presidenciável acusou Lula de depender de Moraes para vencer a eleição e prometeu indicar ministros contrários às drogas e ao aborto.

O senador afirmou que ministros do Supremo desejam autorizar o aborto, em referência à ação apresentada pelo PSOL em 2017, que discute a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana de gestação. A declaração expressa a interpretação política do candidato sobre um processo ainda sem conclusão.

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Bet Blaze funcionou em endereço de empresas ligadas a Willer Tomaz, investigado pela PF

Um relatório de análise da nuvem associada ao celular do advogado Willer Tomaz de Souza, produzido pela Polícia Federal (PF), revela que a Foggo Entertainment Ltda, empresa responsável pelas operações da plataforma de apostas Blaze no Brasil, utilizou o mesmo endereço comercial que já havia sido registrado anteriormente por empresas ligadas a Willer Tomaz e a seus ex-sócios. Tomaz ganhou manchetes de todo o país em agosto devido a seu processo contra a própria Blaze, tentando reaver R$ 163 milhões que teria apostado na plataforma, o que chamou a atenção da PF e do Ministério da Fazenda por suspeita de lavagem de dinheiro.

O imóvel localizado na Alameda Prudente de Moraes, nº 86, no bairro Mercês em Curitiba, consta nos registros cadastrais da Foggo Entertainment — CNPJ que recebeu transferências milionárias enviadas por Willer — e já havia sido sede da RioPag S/A, processadora de pagamentos de apostas da Loterj, além de outras sociedades vinculadas a um ex-sócio de Willer.

A análise do iCloud do aparelho celular e Willer Tomaz foi possível a partir de quebra de sigilo autorizada pela Justiça após operação de busca e apreensão contra o advogado e empresário no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS. A apuração da PF aponta que o advogado realizou diversas transferências bancárias fracionadas e sistemáticas de R$ 100 mil para a conta da Foggo Entertainment. Ao rastrear a estrutura societária e operacional da empresa de apostas, os investigadores identificaram a sobreposição de endereços entre a operadora da Blaze e a Riopag S.A.

Para os investigadores, a coincidência de endereços “reduz a força de uma leitura puramente casual e justifica aprofundar a investigação sobre eventuais vínculos societários, comerciais ou operacionais entre o investigado, antigos parceiros e a estrutura responsável pela atividade de apostas”.

Uma das suspeitas da PF é que a plataforma de apostas não fosse utilizada apenas para apostas recreativas, mas como meio de circulação intensiva, pulverização do dinheiro e eventual retorno de capital. A análise dos extratos de Willer Tomaz revelou movimentações diárias na plataforma que chegaram a superar R$ 35 milhões em dias específicos, acumulando registros contábeis de perdas na ordem de R$ 40,83 milhões entre junho e outubro de 2025.

Com o cruzamento do endereço em Curitiba e a identificação de saques em cassinos no exterior, as autoridades buscam determinar se as perdas registradas na conta de apostas eram efetivas ou se retornavam ao patrimônio do grupo por meio de estruturas empresariais interpostas.

Dinheiro que circula em várias etapas/empresas

Até o momento, o “amigo advogado” de Flávio Bolsonaro (PL) tem negado ser sócio ou acionista de várias empresas, inclusive as ligadas à operação de bets que funcionavam legalmente no estado do Rio de Janeiro até a primeira semana de outubro. No entanto, um email extraído do iCloud do aparelho celular do empresário, enviado pelo próprio Willer Tomaz para a instituição Magnum Bank, indicam, segundo a PF, “o controle ou vínculo de fato” de Tomaz sobre uma longa lista de empreendimentos, incluindo a RioPag S/A, que opera o meio de pagamento de prêmios da Loterj desde 2023.

Na mensagem em questão, Willer “declara ser sócio ou acionista” de uma lista de companhias, incluindo Rio Pag S/A e Embrasis. “Inclusive daquelas em que seu nome não consta formalmente do quadro societário”, escreve a PF.

Materiais obtidos pela Agência Pública e o relatório da PF ajudam a desenhar a estrutura entre as companhias ligadas à RioPag até chegar a Tomaz, um arranjo que envolve empresas atualmente registradas no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.

Certidões emitidas pelas Juntas Comerciais do Distrito Federal e do Rio de Janeiro mostram que a RioPag tem uma única acionista, uma empresa atualmente chamada Capital Pretium S/A (antes chamada de Pixs Holding SA). Por sua vez, a Capital Pretium também possui apenas uma sócia, a Empresa Brasileira de Sistemas de Computação (Embrasis S/A). Até 6 de outubro de 2026, quando houve alteração de diretoria e do estatuto social da empresa, os dois únicos acionistas da Embrasis S/A eram Willer Tomaz (82,5%) e sua irmã, Christine Tomaz de Souza (17,5%).

Oficialmente, o advogado amigo de Flávio Bolsonaro não exerceu papel de gestão ou direção em nenhuma delas. A PF conseguiu estimar o fluxo financeiro entre a teia de empresas até que o dinheiro chegasse a Willer Tomaz. Segundo a investigação, a RioPag repassava aproximadamente 15% de seus recursos à atual Capital Pretium. A Pretium passava à Embrasis cerca de 90%, enquanto a Embrasis, dos irmãos Christine e Willer Tomaz, fazia o repasse “quase integral”, segundo a PF, de seus volumes financeiros.

Segundo relatórios mensais apresentados pela RioPag ao governo do Rio de Janeiro obtidos pela Pública, entre março de 2024 (quando assumiu o controle da operação) e agosto de 2026, a RioPag registrou mais de R$ 185 milhões em receitas. O valor dizia respeito a serviços como o pagamento de prêmios de produtos lotéricos, de bilhetes de ‘raspadinha’ a apostas esportivas (bets). A PF identificou ainda que Willer teria recebido ao menos R$ 67,7 milhões da Embrasis ao longo de 2024, conforme declaração de Imposto de Renda Pessoa Física reproduzida no relatório da operação.

Para SPA, Blaze não cumpriu requisitos para o combate à lavagem de dinheiro

Willer Tomaz de Souza foi a pessoa com o “maior volume total de depósitos” em bets no país em 2025, segundo uma nota técnica assinada em 1º de outubro de 2026 pelo subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Ainda assim, WTS, como é citado no documento, teria sido enquadrado pela Blaze como um cliente de risco “médio” ao invés de risco “crítico”. O exemplo é utilizado para ilustrar uma série de “indícios de infrações administrativas” por parte da bet – entre as quais constam “ausência de seleção e análise de operações suspeitas” de lavagem de dinheiro.

“Uma rápida pesquisa em fontes abertas na internet mostra que o cliente já esteve detido sob suspeita de corrupção”, aponta a pasta, que alega que Willer Tomaz deveria ter sido avaliado como um cliente de risco “crítico” para que fossem tomadas “medidas especiais importantes” como “comunicações ao Coaf” em relação às movimentações do advogado.

Segundo a nota técnica, o amigo de Flávio Bolsonaro “girou cerca de R$ 5 bilhões em apostas no período, e somou quase R$ 200 milhões acumulados em saques” na Blaze somente naquele ano. Para a SPA, tais valores “deveriam ao menos haver passado por seleção e análise, ainda que a análise concluísse pela ausência de indícios” de lavagem de dinheiro.

Para a Fazenda, “operações do mesmo cliente [Willer] também chamam a atenção” pelo volume de dinheiro movimentado, pela frequência da movimentação e também pela multiplicidade de operações simultâneas. De acordo com a nota técnica assinada pelo subsecretário Carlos Renato Xavier de Resende, as operações poderiam ser enquadradas em práticas proibidas pela legislação que regulamentou a atividade das bets no país – tais como “possível uso de ferramenta automatizada” e “depósitos ou saques em curto espaço de tempo, sugerindo fracionamento ou dissimulação”.

Houve diversas situações em que múltiplos depósitos ou saques ocorreram num curtíssimo espaço de tempo, como, por exemplo, um mesmo dia (30/10/2025) em que foram realizados cinco depósitos de R$ 500 mil em uma mesma hora da manhã, outros cinco do mesmo valor em uma mesma hora da tarde, e outros quatro do mesmo valor em uma mesma hora da noite, totalizando R$ 7 milhões em depósitos em um único dia”, segundo a SPA. A pasta aponta ainda que, no dia seguinte, houve “doze saques de R$ 500 mil realizados em um espaço de 18 minutos”
somando R$ 6 milhões.

A nota técnica destaca ainda que a Blaze “falhou em evidenciar uma devida avaliação do perfil econômico desse cliente [Willer Tomaz]” e que “a observação do extrato de operações dele (em especial os vários depósitos e saques em períodos curtíssimos descritos anteriormente) levantam a possibilidade – sujeita a análise, naturalmente – de operações estruturadas (aquelas em que as movimentações financeiras são divididas em várias partes menores, visando-se a não disparar gatilhos de alerta e/ou chamar a atenção dos responsáveis pelo monitoramento, fiscalização ou persecução criminal)”.

Para basear seus argumentos, a SPA afirma que a Blaze comunicou ao Coaf a existência de apenas sete operações suspeitas na plataforma em 2025 e outras nove em 2026, e nenhuma delas envolvia valores acima de R$ 15 mil.

“Chama a atenção o fato de uma empresa identificar, selecionar, analisar e comunicar ao Coaf atividade atípica em operações de valores comparativamente irrisórios, enquanto a atividade de um cliente que fez 629 apostas individuais de valor igual ou superior a R$ 500 mil (cada uma) ao longo de um ano (sendo quatro delas de R$ 1 milhão, e 394 delas de exatos R$ 500 mil) – o cliente sobre cuja atividade se discorreu anteriormente – sequer tenha sido objeto de análise pela mesma empresa”, segundo a nota técnica da Fazenda.

Procurado pela Pública, a assessoria de imprensa de Willer Tomaz informa que “todos os pontos levantados repetem informações já divulgadas e reiteradamente esclarecidas nas últimas semanas”: “Requentá-los às vésperas do segundo turno, a partir de dados sigilosos vazados, tem o evidente propósito de interferir no processo eleitoral. O advogado Willer Tomaz não cometeu nenhuma irregularidade. Nunca dividiu conta bancária com o senador Flávio Bolsonaro, tema que já motivou queixa-crime por difamação; as viagens foram convites entre famílias, sem contrapartida; e as questões de natureza pessoal estão sob análise dos tribunais.”

A Foggo Entertainment afirma que “esclarece que atua em estrita conformidade com a legislação e a regulação vigentes, adotando políticas rigorosas e contínuas de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD), monitoramento de transações e comunicação de operações atípicas aos órgãos competentes”. Em nota à Pública, a companhia reitera de forma categórica que “Willer Tomaz atuou exclusivamente na condição de cliente da plataforma, não possuindo qualquer tipo de participação societária, direta ou indireta, vínculo de controle, ou ingerência na gestão da empresa. 

Em respeito às questões de sigilo, além da legislação de privacidade e proteção de dados, bem como aos ritos legais, a Blaze não comenta detalhes operacionais de clientes nem investigações em andamento, reafirmando que permanece à disposição das autoridades e órgãos reguladores para prestar todos os esclarecimentos necessários.”

O advogado Willer Tomaz ao lado do senador Flávio Bolsonaro
O advogado Willer Tomaz ao lado do senador Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro e a conta de holding

Ainda no âmbito da operação Sem Desconto, a PF mapeou uma rede de relações operacionais, financeiras e pessoais entre o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. Os apontamentos  apresentados no relatório mostram desde a inclusão do senador como usuário com plenos poderes em conta bancária empresarial até o custeio de viagens familiares em aeronaves privadas por uma offshore vinculada a negócios de apostas esportivas.

De acordo com o relatório, Flávio Bolsonaro esteve cadastrado com perfil de usuário master na conta bancária da Alcazar Holding mantida junto ao Banco Santander. A condição permitia o gerenciamento da conta até 22 de maio de 2025, quando uma secretária do escritório de Willer Tomaz encaminhou e-mail à instituição financeira solicitando expressamente a remoção do acesso do parlamentar e do próprio advogado.

A Alcazar Holding detinha, inclusive, 33,33% do capital social da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade proprietária de um jato executivo Legacy 650. A Fraction ganhou projeção pública por ter sido utilizada como pagadora em operações de cessão de ativos vinculadas a investigações sobre o Banco Master e o grupo Viking Participações, ambos de Daniel Vorcaro.

Os arquivos examinados pela PF expõem, ainda, um histórico de deslocamentos internacionais realizados em conjunto por integrantes das famílias de Willer Tomaz e de Flávio Bolsonaro. Os relatórios de voos em jatos executivos para destinos como Cascais (Portugal) e Nice (França), apontam que a aquisição de passagens e a logística de transporte foram intermediadas pela Cathedral Holding.

Segundo a PF, a Cathedral Holding não atuava apenas na esfera patrimonial ou no custeio de despesas pessoais do grupo. A empresa figura no organograma do grupo de Willer Tomaz como sócia da Rede Loto Ltda – primeira operadora a obter credenciamento junto à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para explorar apostas esportivas no estado por meio do domínio BestBet.

Conversas secretas e limpeza na Googlesfera

O relatório da PF com base no iCloud do aparelho celular do advogado Willer Tomaz registra ainda que Flávio Bolsonaro era um dos contatos favoritados pelo advogado no aplicativo Confide. A plataforma é um aplicativo que oferece troca de mensagens privadas de vida curta, que desaparecem após pouco tempo, sem histórico aparente no aparelho.

Os peritos identificaram ainda planilhas e comprovantes de pagamentos efetuados por Willer Tomaz a prestadores de serviços encarregados de remover reportagens e desindexar links do buscador Google. A ideia era tentar controlar o que a plataforma apresentava entre os resultados ao público que buscasse os nomes de Willer Tomaz ou do amigo Flávio Bolsonaro, evitando conteúdos negativos ou indesejados pelo empresário.

Entre os conteúdos que deveriam ser excluídos estava uma reportagem que abordava a atuação política de Flávio Bolsonaro em relação ao projeto de lei dos jogos de azar e sua presença em reuniões com operadoras de cassinos em Las Vegas.

A Pública buscou a equipe de Flávio Bolsonaro, que não respondeu aos questionamentos até o momento. Em caso de resposta, este espaço será atualizado.

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Flávio Bolsonaro’s Campaign Uses AI to Engineer Fake Support

Flávio Bolsonaro at a rally for his presidential campaign. Photo: JOTA.

Digital models modified Flávio Bolsonaro’s event photography to artificially expand audiences and simulate support from female voters.


The Brazilian presidential election has become an arena for modern, dirty digital tactics. Senator Flávio Bolsonaro, representing the Liberal Party (PL), has centered his campaign strategy around coordinated digital reach and automated content production.

RELATED: UN Experts Raise Concerns Over Meta’s Handling of Political Expression During Brazil Elections

Rather than working as a traditional political campaign of physical rallies, the operation relies heavily on digital distribution infrastructure across social media platforms.

Flávio’s strategy operates through two main mechanisms. First, the campaign uses synthetic consensus tools, automated social media accounts, AI image generation, and digital avatars to simulate organic public backing.

Second, the campaign benefits from algorithmic distribution asymmetries on digital platforms, which amplify far-right material while placing system restrictions on competing political content.

Collected evidence by independent researchers, journalism networks, and electoral authorities indicates that systemic digital manipulation and platform-level infrastructure played a decisive role in shaping voter perception and electoral engagement in Brazil.

Industrial Bot Networks

A core component of Flávio Bolsonaro’s digital strategy involves the commercial purchase of automated networks designed to manufacture artificial public support.

An investigation by The Intercept Brazil revealed that Flávio Bolsonaro paid Elytron, a cybersecurity firm, to carry out data collection and voter identification to spread rumors and create fake accounts.

These automated tools operate primarily across WhatsApp, Instagram, and X, generating synchronized posts and artificial engagement to bypass standard organic distribution patterns.

This infrastructure uses astroturfing techniques to alter online public discourse. By deploying thousands of automated accounts programmed to post identical messaging scripts, the campaign artificially inflates engagement metrics, pushes specific political hashtags into regional trending lists, and floods comment sections on public news pages.

This creates a false impression of widespread popular momentum, designed to sway undecided voters through perceived consensus.

Technical evaluations submitted during electoral court proceedings reveal the scope of these automated operations. Data presented to electoral monitors shows coordinated account clusters posting at frequencies humanly impossible without software automation.

🚨 BREAKING: Flávio Bolsonaro paid R$600,000 to a company that offered AI to manipulate elections, according to Intercept Brasil. pic.twitter.com/eFcRp74vNw

— Pop Core (@TheePopCore) October 16, 2026

Deepfakes, AI Avatars, Demographic Manipulation

Various social organizations and media outlets have denounced the deployment of AI image and video generation tools as another facet of Flávio Bolsonaro’s digital strategy.

A prominent example occurred during campaign launch events, where the campaign broadcast an AI-generated digital avatar of former president Jair Bolsonaro endorsing his son’s candidacy. This technique allowed the campaign to maintain the political presence of the former president Bolsonaro in public events despite judicial rulings restricting his direct participation in political activities.

In addition, the campaign used AI tools to manipulate visual documentation of campaign gatherings. Documented instances show event photography processed through image generation models to alter crowd compositions.

These AI modifications included scaling up crowd sizes to exaggerate physical attendance and digitally swapping male attendees with female faces. The primary objective of this demographic engineering was to simulate broader support among female voters, a demographic group where polling data consistently showed lower support for the candidate.

An investigation by a Brazilian media outlet identified more than 50 TikTok videos altered using AI, specifically on-the-street interviews in which subjects claimed they would vote for Flávio Bolsonaro. These videos garnered over 7 million views, yet in only 18% of them did the platform indicate that the individuals featured were AI-generated.

While Brazilian law prohibits the use of AI-generated videos in political campaigns, it is difficult to determine when such content is created by third parties with no direct affiliation to the campaigns.

Due to a lack of female supporters, Brazilian presidential candidate Flávio Bolsonaro has resorted to using AI to transform middle-aged men into attractive young women.

This AI-generated creation has been dubbed the "Bolsonaro Bombshell." pic.twitter.com/ap1ecKou9K

— Vatnik Soup (@vatniksoup) October 20, 2026

Disinformation and Aggressive Public Discourse

Flávio Bolsonaro’s public communications strategy relies heavily on coordinated attack campaigns directed against President Luiz Inácio Lula da Silva and the Workers’ Party (PT).

The Flávio campaign’s public messaging routinely utilizes sensationalist allegations and targeted attacks. Online networks affiliated with the campaign circulate manufactured claims regarding public safety, economic stability, and social values, framing the current administration in terms of moral crisis.

On Sunday the 18th, the public debate between the two candidates took place, and Flávio Bolsonaro spent most of his time attacking Lula during his turns to speak.

Throughout the debate, Flávio was sarcastic and mocking toward President Lula; he attempted to intimidate him physically, to which Lula responded by moving away, stating that he did not want to be near either Flávio or the Bolsonaro family.

Furthermore, when the discussion turned to public safety, Flávio claimed that Lula is the preferred candidate of organized crime, pointing out that Lula received a large number of votes from within the country’s prisons. Lula replied, “I want 100% of them to vote for me -even your father,” a reference to the fact that Jair Bolsonaro is currently incarcerated.

This aggressive messaging strategy directly impacts the broader political environment. By flooding public discourse with inflammatory claims, the campaign creates heightened polarization, distracts from substantive legislative evaluations, and systematically delegitimizes established democratic processes and electoral monitoring bodies.

Hundreds of Brazilians protested outside Meta’s São Paulo offices, accusing the technology giant of limiting President Luiz Inácio Lula da Silva’s campaign reach while boosting far-right candidate Flávio Bolsonaro, just six days before the presidential runoff. The demonstration… pic.twitter.com/KRAxExFjMO

— teleSUR English (@telesurenglish) October 20, 2026

Meta’s Structural Bias in the Campaign

The Brazilian presidential race was shaped by asymmetries within Meta’s platforms, including Instagram, WhatsApp, and Facebook.

Filings submitted to the Superior Electoral Court (TSE, in Spanish) by President Luiz Inácio Lula da Silva’s legal team documented clear disparities in how content from both campaigns was handled by the different platforms.

A primary issue involved Meta’s generative AI features. When users requested campaign materials incorporating Lula’s official ballot number, 13, the system repeatedly rejected the prompts, citing political content restrictions. Conversely, identical requests containing Flávio Bolsonaro’s candidate number, 22, were routinely processed, generating promotional material for the far-right campaign.

In other instances, the AI tool inserted Bolsonaro’s electoral number into completely unrelated image requests. Following formal complaints, the Superior Electoral Court ordered Meta to ensure equal treatment. Meta attributed these outcomes to technical errors and implemented broad restrictions on political image generation.

Internal Meta communications revealed that technical errors caused Lula’s official Instagram profile to be excluded from platform search results and recommendation engines, while Flávio Bolsonaro’s profile remained fully discoverable and actively recommended to users. Furthermore, internal technical escalations confirmed that temporary account restrictions had hindered the reach of Lula’s messaging assets.

WHO'S THE REAL THIEF? LULA CHALLENGES BOLSONARO TO SHOW RECORDS

Ahead of Brazil’s presidential election, Brazilian President Lula da Silva publicly challenged rival Flávio Bolsonaro to open his bank accounts, release his phone records, and let the Brazilian people decide who… pic.twitter.com/U6Ge0yOV6A

— Sovereign Media (@sov_media) October 21, 2026

Regulatory Imperatives and Popular Sovereignty

The execution of Flávio Bolsonaro’s digital presidential campaign illustrates the evolving mechanics of far-right electoral operations.

By combining commercial bot procurement, generative AI deepfakes, coordinated public attacks, and platform-level algorithmic advantages, the campaign constructed a heavily synthetic media environment designed to influence voter perception.

These developments underscore the limitations of existing legal and regulatory frameworks in addressing digital campaign manipulation. While judicial interventions by the Superior Electoral Court forced technical corrections, reactive oversight remains insufficient to counteract real-time automated suppression and algorithmic imbalance.

Protecting democratic processes requires structural regulatory reform, including mandatory algorithmic transparency, strict auditing of generative AI systems, and clear accountability standards for global technology corporations operating within national borders.

Exposing the mechanics of digital manipulation through independent research and data-driven journalism remains essential to safeguarding electoral integrity against automated distortion and platform bias.

Sources: Brasil de Fato – Agência Brasil – Gov.br – O Globo – Folha de S.Paulo – O Estado de S.Paulo – El País – CNN Brasil – EFE – Instituto Tricontinental – La Base América Latina – Diario Red – The Intercept – El Salto

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