Trump diz que não "se vai meter" no que diz respeito a Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos com a família após uma viagem via Argentina e Equador.

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos com a família após uma viagem via Argentina e Equador.

A Assembleia Geral da ONU pediu, por esmagadora maioria, pelo fim do embargo econômico imposto há décadas pelos Estados Unidos a Cuba, mas uma campanha de pressão dos EUA levou vários países a se oporem à resolução nesta quarta-feira ou a se absterem pela primeira vez em anos.
Os resultados mostraram que 130 nações votaram a favor da resolução, 25 se abstiveram e 17 países, incluindo os EUA e Israel, votaram contra. No ano passado, a votação havia sido de 165 a 7, com 12 abstenções. Vários países ocidentais, incluindo Alemanha e Itália, se abstiveram pela primeira vez em muitos anos.
A votação da ONU tem peso político, mas somente o Congresso dos EUA pode suspender o embargo da era da Guerra Fria. A Assembleia Geral da ONU, composta por 193 membros, vem adotando a resolução anualmente há mais de três décadas — exceto em 2020, durante a pandemia da Covid.
“Estou satisfeito por tantos países agora, incluindo grandes economias como a Coreia, a Alemanha e outros, terem mudado sua posição”, disse o enviado dos EUA à ONU, Mike Waltz, aos repórteres após a votação.
“A diplomacia leva tempo, mas agora que o número de países que mudaram de posição triplicou, esperamos que isso só continue a crescer”, disse ele.
As tensões entre as duas nações na ONU se intensificaram antes da votação, incluindo discussões acaloradas entre diplomatas cubanos e norte-americanos na ONU na semana passada, bem como gritos e empurrões no plenário da Assembleia Geral na terça-feira.
Nesta quarta-feira, Waltz acusou um diplomata cubano de “agredir um diplomata norte-americano” durante as discussões de terça-feira, acrescentando que Richard Tur de la Concepción, primeiro-secretário da missão de Cuba na ONU, será expulso dos EUA.
“Esse primeiro secretário cubano estará hoje em um avião saindo do país de volta a Havana”, disse Waltz a repórteres na ONU.
A missão de Cuba na ONU não respondeu imediatamente às perguntas sobre a expulsão.
Os EUA mantêm um embargo comercial contra Cuba há mais de 60 anos, e o governo do presidente norte-americano Donald Trump vem intensificando a pressão, após ter recorrido às Forças Armadas em janeiro para destituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou no X, após a votação, que “o governo dos EUA está mais uma vez isolado em sua tentativa de continuar sufocando o povo cubano e submetendo-o a um ato de punição coletiva e genocídio”.
“Nem seus pretextos mais insanos, nem suas pressões, nem o circo midiático prevalecerão sobre a força dos fatos e da verdade”, disse ele.
Os Estados Unidos têm votado contra as resoluções da ONU desde 1992, mas se abstiveram pela primeira vez em 2016, durante o governo do ex-presidente Barack Obama, quando Washington e Havana estreitaram suas relações.
Cuba atribuiu às sanções dos EUA a crise em que o país se encontra atolado, a pior recessão econômica em décadas, caracterizada pela escassez de bens básicos, infraestrutura em colapso e inflação galopante.
No mês passado, Trump afirmou na ONU que Cuba era um Estado falido e que a liberdade chegaria à nação insular.
A rede elétrica de Cuba sofreu um colapso total no mês passado, mergulhando a ilha na escuridão e deixando milhões de pessoas sem energia elétrica.
Apagão e bloqueio de petróleo: O que está acontecendo em Cuba?
Depois de se declarar “presidente eleito” do Brasil após fugir para os Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro recuou e postou versão alterada da carta em sua conta no X. Ele se declara como “líder do Brasil” na segunda versão do documento.

Flávio foi derrotado nas urnas por Lula (PT) no último domingo (25).
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirmava na primeira versão da carta divulgada.
Segundo a carta, o senador anuncia que pretende liderar a oposição brasileira do exterior e volta a dizer, sem provas, que houve fraude na eleição de domingo, além de criticar o STF (Supremo Tribunal Federal) e agradecer ao presidente americano, Donald Trump, por acolher sua família no país.
Flávio desembarcou em Miami nesta quarta após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião privado que fez escala no Equador. A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. O senador nega irregularidades.
A declaração golpista representa uma reviravolta, já que o senador afirmou, na véspera, que desistiria de anular a eleição e que não iria fugir do país.
No domingo, Lula venceu Flávio por uma diferença de 4,43 milhões de votos. Apesar de tanto a campanha do PT como a do PL ter pedido a prorrogação da votação por duas horas no dia da eleição, o candidato derrotado acabou questionando posteriormente a medida determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin, com aval posterior de Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado à Suprema Corte por Jair Bolsonaro.
Apenas 34 mil votos —0,03% do total— foram registrados após as 17h deste domingo (25).
No pronunciamento divulgado nesta quarta, Flávio afirma que não pretendia deixar o país, mas que decidiu viajar para escapar do que descreveu como uma perseguição política.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, disse.
Ele confirmou que está acompanhado da família nos Estados Unidos e agradeceu a Trump e ao governo americano por oferecerem, segundo suas palavras, uma segurança jurídica que não existe mais no Brasil.
“Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança”, afirmou.
O presidente americano disse na noite de terça-feira (27) que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, apesar de afirmar que não sabia seu paradeiro. Uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo americano concederia vistos a Flávio e seus familiares.
O candidato derrotado também agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, pela “coragem, senso de justiça e legalidade”. O senador passou pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos.
Ao contestar novamente o resultado das urnas, Flávio concentrou suas críticas na decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação no segundo turno. Ele acusou o STF de interferir nas competências do TSE e afirmou que a mudança teria beneficiado Lula, contrariando os dados que apontam para uma diferença mínima na quantidade de votos.
“A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, declarou.
O crescimento do número de votos recebidos por um candidato entre dois turnos não configura, porém, nenhuma evidência de fraude eleitoral.
Flávio também acusou a campanha de Lula de abuso de poder político e econômico, além de utilização da máquina pública em favor da reeleição, e afirmou que essas supostas irregularidades justificariam a cassação da chapa Lula-Alckmin. Ele não apresentou provas das acusações no pronunciamento.
O senador dedicou parte do discurso a atacar o Judiciário, que acusou de atuar para silenciar a oposição. Sem citar nominalmente Alexandre de Moraes, fez referências ao magistrado e afirmou que as medidas judiciais adotadas contra ele fazem parte de um suposto plano de perseguição política.
“Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada”, afirmou.
Flávio disse acreditar que a apreensão de seus passaportes seria apenas o primeiro passo de uma sequência de medidas que poderia incluir tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e condenação judicial.
A decisão de Moraes determinou a entrega dos documentos em uma investigação que envolve a relação do senador com o advogado Willer Tomaz. A medida não equivale a uma ordem de prisão.
Ao justificar sua decisão de permanecer fora do Brasil, Flávio estabeleceu paralelos com personalidades históricas e líderes políticos que atuaram no exílio, entre eles Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí e os opositores venezuelanos Juan Guaidó e Edmundo González.
O senador também afirmou que pretende assumir a liderança da oposição brasileira a partir dos Estados Unidos e fez um apelo direto a parlamentares e governadores aliados, com menção especial ao senador Rogério Marinho (PL-RN), a quem chamou de seu candidato à presidência do Senado.
“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirmou.
O discurso indica que Flávio pretende manter uma atuação política ativa mesmo fora do território brasileiro, com pronunciamentos regulares e articulação de aliados.
“Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos”, disse.
O senador não detalhou quais seriam as medidas dessa estratégia nem esclareceu se pretende solicitar asilo político aos Estados Unidos. Também não estabeleceu uma previsão de retorno ao Brasil.
No encerramento, afirmou que sua saída do país não representa o fim de sua atuação política.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre.”
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Cofundadora do sindicato United Farm Workers e autora do lema "Sí, se puede", Huerta marcou décadas de luta pelos direitos dos trabalhadores agrícolas nos Estados Unidos.

© Getty Images

Nas redes sociais, o comitê, ligado aos democratas, fez um comparativo entre a atual política migratória estadunidense aplicada a pessoas que fogem de conflitos e o tratamento concedido a Flávio e à família Bolsonaro.
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“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.
“Aparentemente, fugir da violência não qualifica [o migrante a entrar nos Estados Unidos]. Negar resultados eleitorais, sim”, continuou o post, ao citar que o Departamento de Estado planeja conceder vistos a Flávio e sua família.
Em perfil no Instagram, o parlamentar democrata Joaquin Castro afirmou que “perder as eleições não é motivo para asilo”, referindo-se à derrota de Flávio na candidatura ao cargo de presidente da República no último domingo (26).
“Ainda assim, o governo Trump está concedendo refúgio a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No Brasil, ele está sob investigação por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e foi ordenado a entregar seus passaportes”, postou.
Para Castro, o governo Trump deve explicações ao Congresso norte-americano “por seu papel em ajudar [Flávio] Bolsonaro a fugir do Brasil, violando a legislação brasileira”.
Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas chegaram nesta quarta-feira (28) a Miami depois de cruzarem a fronteira brasileira com a Argentina e pegarem voo rumo aos Estados Unidos. A aeronave privada chegou a fazer uma parada no Equador.
Na terça-feira (27), um aliado próximo de Flávio e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador havia fugido para os Estados Unidos. Flávio descumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes à Polícia Federal.
Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais após ser intimado pelo Judiciário, Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria no país para, segundo ele, organizar a oposição contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial, por mais de 4,4 milhões de votos.
Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro, juntamente com o advogado Willer Tomaz, amigo dele. Ambos negam qualquer irregularidade.
A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e liderar a oposição brasileira do exterior.
Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil
Melissa Ann Smith foi encontrada a 27 de outubro de 1974, com sinais de abuso sexual e tortura. Mais de cinco décadas depois, uma nova tecnologia de análise de ADN permitiu às autoridades do Utah, nos Estados Unidos, associar Ted Bundy ao homicídio da adolescente.


O Governo norte-americano concedeu vistos de entrada a Flávio Bolsonaro e à sua família após a fuga do Brasil, revela a “Reuters”.
O candidato pela direita às eleições presidenciais brasileiras fugiu do país para não cumprir com uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar o seu passaporte. Flávio Bolsonaro chegou a garantir que não fugiria do país e que iria ficar para lutar contra a decisão do STF, que criticou duramente.
As autoridades argentinas confirmaram na quarta-feira que Bolsonaro e a sua família tinham entrado no país na terça-feira à noite através de uma fronteira terrestre na província de Misiones com documentos válidos. Depois, apanharam um avião privado rumo ao Equador.
Flávio Bolsonaro está a ser investigado pela justiça brasileira por suspeitas de lavagem de dinheiro e fugas de divisas e também por possíveis irregularidades envolvendo apostas desportivas, segundo a “CNN Brasil”.
Lula da Silva venceu as eleições com 52%, mais de 64 milhões de votos, contra 48% de Flávio Bolsonaro com quase 60 milhões.
Flávio Bolsonaro não concedeu derrota para Lula da Silva e chegou a anunciar que iria procurar anular o resultado devido a irregularidades. Mas o seu Partido Liberal acabou por reconhecer a vitória de Lula na segunda-feira.
“Quando pediram para eu entregar meu passaporte eu entreguei. Ele deveria ter entregue. Mas lamentavelmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lamber-botas dos EUA”, criticou o presidente Lula da Silva.
A fuga de Flávio Bolsonaro apanhou de surpresa o seu próprio gestor de campanha. “Estamos surpreendidos porque discutimos a necessidade de Flávio, dados os 60 milhões de votos que recebemos, para assumir o seu papel como líder da oposição”, disse o senador Rogério Marinho.
Donald Trump considerou “terrível” o resultado das eleições brasileiras e garantiu que aprovaria a entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA.
A agência noticiosa revela que não é claro neste momento onde estão Bolsonaro e a sua família.
O Departamento de Estado norte-americano confirmou que iria conceder vistos para a sua entrada nos Estados Unidos.
Uma coisa é certa neste momento. A fuga de Bolsonaro vai aprofundar a divisão existente entre as duas maiores nações, em termos de habitantes, do continente americano.
Lula da Silva tem acusado Washington de colidir com os Bolsonaros para regressarem ao poder.
A “Reuters” revelou recentemente uma campanha do Departamento de Estado para promover o regresso dos Bolsonaros ao poder.
“Eu estou sabendo agora que o meu adversário foi embora. Veja, eu perdi eleições para o Collor. Eu fiquei no Brasil. Eu perdi eleição para o Fernando Henrique Cardoso duas vezes, eu fiquei no Brasil. O Alckmin perdeu para mim, ficou no Brasil. O Serra perdeu para mim e ficou no Brasil. Eu fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país. Quando fui acusado tive muito convite para fugir do Brasil, ir para embaixada, eu resolvi ficar aqui no Brasil e resolvi me entregar na Polícia Federal para desmascarar meus investigadores. Quem não deve não teme”, disse Lula da Silva na terça-feira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que aprovaria a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país e classificou como “terrível” a maneira como o resultado das eleições presidenciais brasileiras foi alcançado.
“Bem, eu teria aprovado. Acho que são boas pessoas”, disse Trump ao ser questionado por um repórter na madrugada desta quarta-feira (28).
O presidente americano também voltou a criticar a eleição brasileira, afirmando que o resultado foi obtido de maneira “muito estranha” e que considerou o processo “terrível”.
“A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Recebeu avaliações ruins. Veja só o que aconteceu com o mercado deles”, afirmou.
A afirmação acontece horas após um assessor confirmar à CNN que Trump autorizou a entrada do senador no país após a derrota nas eleições presidenciais.
Autoridades do governo Trump estavam cientes, na segunda-feira (26), de que Bolsonaro tinha cerca de 24 horas para entregar seu passaporte, e deixaram claro ao candidato brasileiro que sua entrada nos EUA seria permitida, disse o assessor.
Uma fonte brasileira próxima a Flávio afirmou que o senador temia ser preso no Brasil. Ele está sendo investigado por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Uma pessoa a par da situação disse à CNN, na tarde desta terça-feira (27), que Flávio chegou aos EUA com sua mulher e filhas. Não está claro onde ele desembarcou.
Não se sabe, no momento, se Trump e Bolsonaro conversaram diretamente por telefone antes da partida do político brasileiro.
A decisão do senador acontece após a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira.
Ainda na manhã desta terça-feira, a PF acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga de Flávio. O senador teria até as 11h para entregar os documentos à PF, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o que não ocorreu.
Com isso, a corporação cancelou tanto o passaporte comum como o diplomático, destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração.
O STF determinou a entrega dos passaportes e seus cancelamentos após receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra Flávio por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A medida também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse em uma entrevista na internet que apoiava a saída do Brasil de Flávio caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a fuga do senador.
“Fico imaginando o que tem na consciência um cidadão que acabou de perder as eleições e foge do seu país. […] Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, disse o petista.
Lula disse, em celebração do seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, que “lamenta a falta de respeito de Flávio com seus eleitores e com a democracia”.
O petista disse que permaneceu no país após derrotas para Fernando Collor, em 1989, e para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Afirmou ainda que quando acusado, à época da operação Lava Jato, teve convites para deixar o Brasil, mas permaneceu para “provar a inocência”.
“Quando pediram meu passaporte, eu entreguei. E ele deveria ter entregado. Mas infelizmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles, a primeira é a devoção aos Estados Unidos”.
Na celebração, o presidente disse que as plataformas digitais, incluindo a Meta, o mercado financeiro e o governo dos Estados Unidos atuaram contra a sua reeleição. Voltou ainda a afirmar que “o Brasil não é quintal de ninguém”.
(Com informações de Jussara Soares e Danilo Moliterno, da CNN Brasil, Max Saltman, Alayna Treene, Kevin Liptak, Julia Vargas Jones, Jennifer Hansler, da CNN e da Reuters)
A politização da justiça no Brasil tem sido percebida há muitos anos, mas foi turbinada pela polarização que ocupa o Supremo Tribunal Federal (STF) com nomes radicalmente ligados aos expoentes dos dois polos, que se dizem extremos mas se confundem no método de tentar se manter no poder. De tal maneira que as eleições deste ano contaram com uma guerra descarada na suprema corte nacional, entre as alas petista e bolsonarista, como se os integrantes da cúpula do Judiciário fossem representantes declarados dos líderes e dos partidos a que são relacionados.
A votação no segundo turno da eleição presidencial corria, como de praxe, sem maiores problemas em quase todo o país, quando solicitações do PT e do PL, endossadas por entrevista relâmpago de Lula, levaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e demanda por prolongamento em duas horas do tempo para os eleitores votarem, por dificuldades no transporte ou devido às condições climáticas. O presidente do TSE, Kassio Nunes, resolveu não resolver nada, e o caso foi parar no STF. Quando o ministro Cristiano Zanin atuou para atender as duas partes em disputa, a maioria das urnas já havia sido digitalmente lacrada, e não poderiam ser reabertas. Poucas foram alcançadas pela decisão, o que se traduziu em 35 mil votos digitados entre as 17h e as 19h.
Na primeira declaração pública após saber da derrota por mais de 4 milhões de votos de diferença para Lula, Flávio Bolsonaro aproveitou a patinada das supremas cortes para dizer que pediria a anulação da eleição. Depois mudou de ideia, cogitando a impugnação da chapa vencedora, não se sabe sob quais alegações. A vitória de Lula foi reconhecida pelo partido de Flávio, o PL, por aliados como o governador Tarcisio de Freitas, de São Paulo, pelos presidentes da maioria dos países do mundo, inclusive da direita na América do Sul, à exceção de Milei da Argentina.
Mas a legitimidade do processo democrático brasileiro voltou a ser alvejada pela justiça metida na política: minutos depois da oficialização do resultado, o ministro do STF Alexandre de Moraes, responsabilizado pela prisão do pai de Flávio, Jair Bolsonaro, emitiu ordem de apreensão dos passaportes do candidato que poderia ter sido eleito presidente da República, pouco antes. Mesmo que a medida fosse justificável, pelas suspeitas e provas levantadas, o timing não poderia ser mais desastroso.
Enrolado na investigação do Banco Master, com ligações suspeitas com Daniel Vorcaro, Moraes pode ter conseguido, numa canetada só, manchar a vitória de Lula, inflamar a divisão radical no país, definir de vez o grau irremediável de politização do STF, aprofundar a crise institucional no Judiciário e, claro, entregar como um presente a narrativa que Flávio Bolsonaro queria para sair do Brasil e se mudar para os Estados Unidos como asilado por Donald Trump, que já deu sinais para pôr em dúvida a democracia brasileira apesar de “gostar de Lula”, como disse.
A debandada de Flávio e sua família do país suscita muitas perguntas e abre diversas possibilidades na política. Do ponto de vista institucional, no entanto, deixa uma certeza: a reforma no Judiciário, começando pelo STF, torna-se claramente inadiável, para salvar a democracia de um poder fora de controle.


© Thiago Lucas
O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos após sua derrota nas eleições presidenciais, informou um assessor do presidente americano à CNN.
Autoridades do governo Trump estavam cientes, na segunda-feira (26), de que Bolsonaro tinha cerca de 24 horas para entregar seu passaporte, e deixaram claro ao candidato brasileiro que sua entrada nos EUA seria permitida, disse o assessor.
Os EUA estão emitindo vistos para Bolsonaro e sua família, informaram anteriormente duas autoridades americanas à CNN.
Uma fonte brasileira próxima a Flávio afirmou que o senador temia ser preso no Brasil. Ele está sendo investigado por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Uma pessoa a par da situação disse à CNN, na tarde desta terça-feira (27), que Flávio chegou aos EUA com sua mulher e filhas. Não está claro onde ele desembarcou.
Não se sabe, no momento, se Trump e Bolsonaro conversaram diretamente por telefone antes da partida do político brasileiro.
A decisão do senador acontece após a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira.
Ainda na manhã desta terça-feira, a PF acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga de Flávio. O senador teria até as 11h para entregar os documentos à PF, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o que não ocorreu.
Com isso, a corporação cancelou tanto o passaporte comum como o diplomático, destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração.
O STF determinou a entrega dos passaportes e seus cancelamentos após receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra Flávio por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A medida também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse em uma entrevista na internet que apoiava a saída do Brasil de Flávio caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a fuga do senador.
“Fico imaginando o que tem na consciência um cidadão que acabou de perder as eleições e foge do seu país. […] Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, disse o petista.
Lula disse, em celebração do seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, que “lamenta a falta de respeito de Flávio com seus eleitores e com a democracia”.
O petista disse que permaneceu no país após derrotas para Fernando Collor, em 1989, e para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Afirmou ainda que quando acusado, à época da operação Lava Jato, teve convites para deixar o Brasil, mas permaneceu para “provar a inocência”.
“Quando pediram meu passaporte, eu entreguei. E ele deveria ter entregado. Mas infelizmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles, a primeira é a devoção aos Estados Unidos”.
Na celebração, o presidente disse que as plataformas digitais, incluindo a Meta, o mercado financeiro e o governo dos Estados Unidos atuaram contra a sua reeleição. Voltou ainda a afirmar que “o Brasil não é quintal de ninguém”.
(Com informações de Jussara Soares e Danilo Moliterno, da CNN Brasil, Max Saltman, Alayna Treene, Kevin Liptak, Julia Vargas Jones, Jennifer Hansler, da CNN)
O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu nesta terça-feira (27) que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado norte-americano.
“O país (Venezuela) se tornará próspero e, quem sabe, talvez em breve ele se torne um próspero 51º estado. É possível. Vamos fazer isso acontecer. Vamos torná-lo o 51º estado. E, em vez de um presidente, teremos uma eleição para governador. O que acha? Pois é”, afirmou durante um comício na cidade de Corpus Christi, no Texas.
Trump também afirmou que a Venezuela possui vastas reservas de petróleo e que grandes empresas do setor estão investindo bilhões de dólares no país.
“Quero agradecer à Venezuela, onde nossa relação se tornou muito, muito boa — excelente, na verdade. Bilhões e bilhões de dólares estão sendo investidos agora, por parte das maiores empresas de petróleo — muitas delas vindas do Texas — em todo o território venezuelano”, afirmou o presidente americano.
Trump fez as declarações diante de um navio ancorado ao largo da costa, o qual, segundo ele, transportava um milhão de barris de petróleo provenientes da Venezuela.
O presidente americano acrescentou que o petróleo venezuelano seria refinado no Texas e afirmou que a carga foi obtida sem custo algum para os contribuintes norte-americanos.
Trump também disse que os preços da gasolina e do diesel cairiam para os consumidores dos EUA, e elogiou os militares norte-americanos pelo que descreveu como uma vitória contra a Venezuela.
Em maio, Trump fez uma publicação retratando o país como 51° estado dos Estados Unidos.
O post, feito na rede social Truth Social, mostrava um mapa com parte da América do Sul, com o país preenchido nas cores da bandeira americana.

Por ter foro privilegiado na Corte, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, é alvo de duas investigações criminais que tramitam no STF.
De acordo com as investigações, o nome do senador foi citado por uma secretária de Willer, que teria informado ao advogado sobre o cancelamento de uma conta ligada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e investigada pela Polícia Federal (PF).
Na semana passada, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz.
As medidas foram tomadas após a PF descobrir que o advogado viajou para Miami, nos Estados Unidos, após ser alvo, em agosto, de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias.
O senador também é alvo de um inquérito que investiga os pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à torna após o site The Intercept revelar que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.
Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito e também passou a ser investigado.
Apesar de não ter sido eleito para o cargo de presidente da República, Flávio manterá mandato de senador até o dia 1° de fevereiro.
A tendência é que as duas investigações continuem em tramitação no Supremo após o fim do mandato.
De acordo com a atual jurisprudência da Corte, a competência do STF para julgar ex-parlamentares continua após o encerramento do mandato nos casos em que os crimes estiverem ligados à função pública.
Nesta terça-feira (27), o investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, publicou uma postagem nas redes sociais relatando que Flávio Bolsonaro teria chegado aos Estados Unidos, em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A possível fuga de Flávio, menos de 48 horas após perder as eleições presidenciais, também foi confirmada pela agência de notícias Reuters.
Ontem (26), um dia após a derrota na disputa presidencial, o senador foi proibido de deixar o Brasil e intimado pela PF a entregar todos seus passaportes em 24 horas. O prazo terminou na manhã de hoje, e os documentos não foram entregues, por isso foram cancelados.
O ex-subsecretário de Turismo do México Simón Levy, aliado do governo dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (27) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) já chegou ao território norte-americano. Em publicação na rede social X, Levy atribuiu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a articulação para a chegada do parlamentar ao país.
“Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o Secretário de Estado dos EUA @SecRubio [Marco Rubio, secretário de Estado do governo Trump]. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula”, escreveu Levy.
A declaração foi publicada após notícias de que o senador, derrotado pelo presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), havia deixado o Brasil com a família.
A informação de que Flávio viajou aos Estados Unidos também foi confirmada à agência Reuters por um aliado do parlamentar e uma fonte do governo norte-americano.
Até a publicação das primeiras notícias sobre o paradeiro do senador, não havia confirmação oficial do trajeto percorrido por ele nem da suposta participação do governo Trump na operação. Levy não apresentou provas públicas da alegada articulação de Rubio.
A possível saída do país ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) em um prazo de 24 horas. A medida foi adotada no contexto de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.


© Andressa Anholete/Agência Senado

© AFP/Getty Images

Nenhuma autoridade oficial do Brasil ou dos EUA, entretanto, confirma saída de Flávio do país.
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"Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o Secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula", escreveu.
A postagem foi feita por volta das 15h30. Em outra publicação, menos de 30 minutos depois, Levy acrescentou que essa fuga recebeu o nome de Operação Alba.
Levy é empresário e advogado e se autodescreve publicamente como um aliado próximo e alguém que serve a Donald Trump e ao movimento MAGA [Make America Great Again, no inglês].
A Agência Brasil procurou a assessoria de Flávio, mas não recebeu retorno. O senador não chegou a entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão está em segredo de justiça e foi tornada pública pelo senador em suas redes sociais. A ordem judicial faz parte do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF por lavagem de dinheiro. Por causa do descumprimento, os passaportes do parlamentar foram cancelados diretamente pela PF.
A medida foi anunciada numa publicação na rede social Truth Social, sem data de implementação definida.
