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Crise climática exige mudança na estratégia das grandes marcas

Durante a COP30, em Belém, a conferência que reuniu o mundo para discutir o clima, um em cada quatro atendimentos nos ambulatórios do evento esteve ligado a pessoas sofrendo com o calor, segundo a pesquisadora Carla Mayumi. “As pessoas viveram, literalmente, na pele o que é o tema do evento”, disse a cofundadora da Talk Inc.

Para Carla, o episódio é símbolo de uma virada. Durante anos, sustentabilidade nas empresas foi sinônimo de mitigação: reduzir emissões, compensar carbono, publicar metas de longo prazo. Agora, além disso, entra em cena outra palavra. “Não é mais mitigar. Passamos do termo mitigar. Agora é adaptação”, afirmou.

A mudança está registrada nos próprios resultados da conferência. A decisão final da COP30 prevê triplicar o financiamento para adaptação nos países em desenvolvimento até 2035, e a presidência brasileira lançou, com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um mutirão global contra o calor extremo. Para as marcas, sustenta Carla, a consequência é imediata: a crise climática deixa de ser assunto só do relatório anual de ESG e passa a definir o que se vende, quando, onde e como.

Para mostrar isso, ela apresentou o estudo “Fora da Estação”, feito pela Talk, com dezenas de exemplos de empresas que já estão se adaptando. A seguir, os principais.

O custo humano do calor

O ponto de partida é a dimensão social da crise. Segundo os dados apresentados por Carla, 62% dos brasileiros dizem que a mudança climática afeta muito a comunidade onde vivem. Em pesquisa da Talk com um instituto dedicado ao clima, divulgada cerca de um mês antes do evento, 33% relataram que eles ou alguém da família direta tiveram problema cardíaco ou de pressão associado ao calor extremo, e 40% mencionaram problemas respiratórios causados por fumaça ou poluição.

Nos grupos de pesquisa, contou Carla, apareciam histórias de quem mudou de cidade para fugir do calor ou de quem, no Rio de Janeiro, acorda de madrugada para pôr gelo na frente do ventilador e conseguir dormir. O impacto chega à economia: ela citou uma estimativa atribuída à Organização Internacional do Trabalho de R$ 6,8 bilhões em horas não trabalhadas no Brasil por afastamentos ligados ao calor, cerca de 1% do PIB.

O Japão foi o exemplo de como esse custo vira regulação. Desde junho de 2025, empregadores japoneses são obrigados a adotar protocolos contra a insolação em locais de trabalho com calor intenso, sob pena de multa de até 500 mil ienes. No Brasil, lembrou Carla, o iFood já orienta seus entregadores sobre como se proteger em dias de calor extremo, com itens como balaclava e protetor solar. “Então, é uma questão de saúde pública, é uma questão econômica”, resumiu.

Cadeias produtivas sob pressão

Os efeitos mais visíveis para o consumidor começam no campo. O exemplo mais didático citado por Carla foi o do chocolate. Entre 2023 e 2024, chuvas fora de época seguidas de seca na África Ocidental, região que concentra a maior parte da produção mundial de cacau, derrubaram safras em países como Gana e fizeram o preço da matéria-prima mais que dobrar. Os fabricantes reagiram aumentando preços ou reduzindo o teor de cacau, e ganharam espaço nas prateleiras os produtos rotulados como “sabor chocolate”. “Tudo começou por uma questão climática”, disse.

O risco climático também já virou produto financeiro. Carla citou os seguros agrícolas paramétricos, que pagam indenização automaticamente quando um indicador previsto em contrato, como temperatura ou volume de chuva, ultrapassa um limite. Segundo dados da FGV Agro mencionados por ela, esse tipo de seguro dobrou de tamanho em um ano no Brasil.

Na alta gastronomia, a adaptação virou conceito. O Tuju, restaurante paulistano com três estrelas do Guia Michelin, abandonou o cardápio organizado pelas quatro estações e passou a trabalhar com quatro menus guiados pelo regime de chuvas: Umidade, Chuva, Vendaval e Seca. A mudança ganhou força quando o El Niño impediu que julho secasse em São Paulo e a temporada de cogumelos durou quase o dobro do normal. “Esse cardápio talvez tenha mudado antes de chegar um dado num relatório para vocês”, observou Carla. “Muitas vezes são esses mercados mais premium que puxam algumas tendências.”

Frescor como atributo de produto

Do lado da demanda, a adaptação aparece em produtos que prometem conforto térmico. A moda foi, segundo Carla, um dos primeiros setores a sentir o efeito: coleções deixaram de ser desenhadas a partir das estações e das regiões, e a peça leve pensada para o Norte e o Nordeste passou a ser vendida também no Sudeste. Tecidos que esquentam menos começam a aparecer em grandes varejistas.

Na beleza, a brasileira Ricca lançou o Ice Mist, spray corporal que promete reduzir a sensação térmica em até 6 °C e que, segundo Carla, esgotou no e-commerce depois de viralizar nas redes. Na Coreia do Sul, a rede Olive Young registrou em julho de 2026 alta de 1.870% nas buscas por produtos refrescantes com controle de oleosidade e de 160% nas buscas por “cooling spray”, em relação a julho de 2025.

A lista de Carla incluiu colchões que se ajustam à temperatura de cada lado da cama, coletes refrescantes para pets, e até automóveis. A Nissan testou no Aeroporto de Haneda, em Tóquio, uma tinta de resfriamento desenvolvida com a empresa Radi-Cool que, segundo a montadora, reduz em cerca de 5 °C a temperatura interna do carro. “Refrescância, frescor, temperatura passam a fazer parte do desenvolvimento de produtos e marcas”.

A previsão de Carla é que etiquetas de “conforto térmico” se multipliquem e se diversifiquem, assim como já aconteceu com proteção solar ou impermeabilidade. “Daqui a uns cinco anos, vamos chutar, a pessoa vai estar comprando um carro e vai escolher essa ou aquela marca porque uma promete que resfria mais ou que não esquenta tanto no calor”, projetou.

A loja como abrigo

Os exemplos mais radicais vieram do Japão. A rede de shoppings Aeon criou espaços de refrescância, e uma loja da Muji montou uma área de resfriamento dentro do próprio shopping. Segundo Carla, cerca de 1.200 lojas no país foram designadas por prefeituras como abrigos oficiais contra o calor, parte de uma rede de “cooling shelters” que o governo japonês passou a estimular.

“O ponto de venda como ponto de refúgio climático. Olha quanto insight interessante pode nascer de uma ideia dessas”, disse. A mesma lógica vale para o que se vende ali: a Otsuka Pharmaceutical, dona da Pocari Sweat, criou o Ice Slurry, uma bebida semicongelada com eletrólitos, feita para baixar a temperatura do corpo, voltada ao consumo de massa. Carla a comparou, rindo, ao picolé de saquinho brasileiro.

Campanhas que leem o termômetro

Na comunicação, o clima virou gatilho de mídia. A Heineken lançou no inverno europeu de 2026 a campanha “You’re Getting Warm”, com painéis digitais acionados pela temperatura em cidades como Londres, Manchester, Amsterdã e Toronto: quando o frio aperta, as telas indicam a distância até o pub parceiro mais próximo. No Brasil, a Calçados Mundial veiculou um anúncio digital que troca a imagem conforme o clima do dia, com bota no frio e sandália no calor. Carla também exibiu um case da Brahma no Paraguai construído a partir do calor, que classificou como “genial”.

O esporte deu outro exemplo. Na Copa do Mundo de 2026, a Fifa instituiu pausas de cerca de três minutos para hidratação em cada tempo de todos os jogos, que rapidamente se tornaram espaço publicitário disputado pelas marcas. E a cultura acompanha: segundo o Climate Reality Check, teste da consultoria Good Energy, 31% dos filmes elegíveis indicados ao Oscar de 2026 abordaram a mudança climática de alguma forma, um recorde, contra 10% no ano anterior.

Sustentabilidade de baixa tecnologia

Depois de tantos exemplos tecnológicos, Carla encerrou com um projeto que vai na direção oposta. A Casa de Mainha, reforma feita pelo arquiteto pernambucano Zé Vágner na casa da mãe, em Feira Nova, no Agreste de Pernambuco, venceu em 2026 o prêmio Building of the Year, do site ArchDaily, na categoria Casas. O projeto usa uma linha de cobogós na fachada oeste, elemento vazado tipicamente brasileiro que deixa o ar circular, além de ventilação cruzada, mão de obra e materiais locais.

“A gente tem um back to basics, uma casa que simplesmente deixa ventilar melhor e protege as pessoas do calor”, disse Carla, ao destacar que o projeto concorreu com propostas ultramodernas. O caso resume uma ideia central da palestra: adaptação nem sempre exige inovação cara. Soluções vernaculares, baratas e de baixo impacto ambiental também são respostas à crise climática, e podem ser vantagem competitiva.

O papel do marketing

Ao final, Carla mostrou um mapa com os setores já afetados, de decoração e casa a agronegócio, eletrônicos, alimentação, eventos e esporte, e deixou espaço em branco para cada executivo completar com o próprio negócio. A tarefa, segundo ela, é voltar a ouvir o consumidor: que incômodo ele está sentindo, que atividade mudou de horário, que roupa, bebida ou comida ele passou a procurar.

É também, disse, um alerta para o diagnóstico. Uma queda nas vendas pode ter causa climática, e não de preço ou de produto. “Às vezes é que mudou a ocasião de consumo”, explicou, porque o consumidor passou a fazer a mesma atividade em outro horário do dia para fugir do calor. “O dado não tem imaginação, então o dado precisa de vocês”.

Ela concluiu com uma reflexão: o que já mudou na vida dos clientes e ainda está sendo tratado como tendência, quando já é presente? Para quem trabalha com marcas, sustentabilidade deixou de ser só compromisso com o futuro e passou a ser leitura do agora.

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Nizan Guanaes quer usar IA para levar propaganda ao interior do País

Nizan Guanaes passou a vida criando campanhas para os maiores anunciantes do país. Agora quer falar com quem nunca contratou uma agência. Ele contou que está lançando a própria inteligência artificial voltada à publicidade, e que o alvo não é a grande empresa.

“Eu quero ser a camiseta Hering, eu quero ser o jeans, coisas que são simples para o povo”, disse. “Eu quero ser a Shopee, eu quero ser a Zara. Eu quero ser o basicão.”

A comparação com marcas de massa resume a ambição do projeto. Em vez de sofisticação, acesso. Nizan descreveu como público as cidades pequenas e médias que ficaram fora do radar do mercado publicitário, citando lugares da Bahia, sua terra natal, como Trancoso e Belmonte, “onde nasceu meu tio”, e até “uma cidade próspera dentro do interior do Amapá, só que ela não tem acesso ao mercado publicitário”.

Sem jargão, em “brasileiro”

Para ele, o pequeno empresário não precisa de mais ferramentas sofisticadas. Precisa de algo que entenda. “Ele não quer complexidade. E ele não quer os termos da propaganda”, afirmou. “Então, primeiro, simples. Eu não vou nem falar português, vou falar brasileiro.”

A preocupação com a linguagem é o centro do discurso. Nizan disse que, enquanto as agências globais copiavam a cultura americana, ele preferiu falar a língua local, e criticou campanhas pensadas para júris de festival e não para o consumidor. Como exemplo do que chama de “a língua do povo”, citou slogans que improvisa para negócios populares, como o de uma funerária (“Por esse preço, nem morto”) e o de uma sorveteria de frutas naturais.

Quando a equipe de tecnologia que desenvolve a ferramenta perguntou qual era o briefing, a resposta foi uma personagem: “Imagina Dona Maria. Eu quero vender para o povão.”

O preço de um Big Mac

O modelo de negócio acompanha o discurso. “Eu vou ter o mesmo preço de um Big Mac”, disse Nizan na entrevista. Para explicar o que o produto vai entregar, ele recorreu ao jingle clássico do sanduíche, aquele que lista hambúrguer, alface, queijo e molho: a ideia é oferecer o essencial, sem acessórios.

A ferramenta não substitui a N Ideias, sua consultoria. Questionado se o novo projeto seguiria a lógica de equipe enxuta da empresa, que tem 12 profissionais, Nizan foi categórico: “Não.” Na divisão que ele desenha, a consultoria segue cuidando de problemas complexos, com estratégia sob medida feita por pessoas. A inteligência artificial fica com o volume e o básico, para quem hoje não tem nada.

É uma separação que ajuda a entender como um dos publicitários mais conhecidos do País enxerga a tecnologia: a máquina democratiza o acesso, mas não ocupa o lugar do pensamento estratégico.

Aprender fazendo

Na entrevista, Nizan rejeitou o tom apocalíptico que costuma cercar a IA. Comparou o temor atual às previsões que acompanharam a chegada do motor a combustão, quando se dizia que os cavalos ficariam sem função, e da eletricidade, vista por alguns como o fim do mundo. Na leitura dele, o desafio é de adaptação das pessoas, não de resistência à tecnologia.

Ele também admitiu que o projeto é uma aposta. “Eu quero aprender gastando dinheiro. Se não der certo, vai ser o curso mais caro que eu já tive na vida. Mas eu estou aprendendo. Aprendendo, fazendo.”

Autenticidade como ativo

A conversa partiu de uma pergunta sobre um paradoxo do momento: as redes sociais vêm valorizando conteúdos autênticos justamente quando a produção automatizada se multiplica. Nizan não respondeu diretamente sobre autenticidade, mas o projeto que descreveu conversa com essa questão.

Ao insistir na simplicidade e na língua de quem compra, ele coloca a autenticidade na mensagem e não na ferramenta. Nessa lógica, o que torna uma comunicação verdadeira não é ter sido feita por pessoa ou por máquina, e sim soar como quem a recebe.

“E fazer esses produtos terem sentido para os consumidores”, resumiu, ao descrever o objetivo do projeto. A direção, porém, já está clara: tecnologia para o básico, gente para a estratégia e o povo como briefing.

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Campanha da S&TG para a Médis é finalista dos Effie Awards Europe

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By: + M

A campanha “Menopausa – Ouvir Ajuda”, da Stream and Tough Guy (S&TG) para a Médis, chegou à shortlist dos Effie Awards Europe 2026. O trabalho, com planeamento de meios da Arena Media, chega à competição europeia depois de conquistar três Ouros e o Grand Effie nos Effie Portugal 2025. É a única portuguesa na corrida. 

“A presença na shortlist dos Effie Awards Europe reconhece a ambição de um projeto que coloca a menopausa no centro da conversa sobre saúde, dando visibilidade a uma fase da vida das mulheres que continua a ser frequentemente pouco discutida”, comenta em comunicado a S&TG. A campanha “Ouvir Ajuda” reforça, assim, “o papel da comunicação na abordagem de temas relevantes para a sociedade e na construção de uma relação mais próxima entre as marcas e as pessoas”, conclui a agência por João Ribeiro e Duarte Durão

A passagem à fase europeia foi garantida pela conquista do Grand Effie nacional, que permite à campanha competir na edição europeia dos prémios.

Os Effie Awards Europe assinalam este ano o 30.º aniversário. Segundo a organização, a edição de 2026 registou um número recorde de participações, com 132 trabalhos finalistas, avaliados por um júri internacional composto por cerca de 350 profissionais de 33 países.

Os vencedores das distinções de Bronze, Prata e Ouro, bem como o Grande Effie Europe, serão anunciados a 3 de dezembro, em Bruxelas.

Organizados pela European Association of Communications Agencies (EACA), em parceria com a Kantar e outros parceiros da indústria, os Effie Awards Europe distinguem campanhas e estratégias de marketing e comunicação com base na sua eficácia. Pode aceder aqui à shortlist completa.

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TV aberta: o que ainda prende milhões ao ecrã?


Todos os dias, mais de 7 milhões de pessoas veem televisão em Portugal e dedicam-lhe, em média, mais de cinco horas. São números que dificilmente se conciliam com a ideia, tantas vezes repetida, de que a televisão está a perder relevância.

Num ambiente mediático cada vez mais fragmentado, a capacidade de reunir audiências em escala continua a ser um dos principais ativos do meio. Mais do que acumular contactos dispersos ao longo do dia, a televisão consegue concentrá-los num mesmo momento, criando impacto em torno de um conteúdo, de uma história ou de um acontecimento. É uma força particularmente relevante para as marcas, que procuram não apenas visibilidade, mas também atenção, contexto e alcance.

Seria, no entanto, um erro interpretar estes dados como uma vitória da televisão linear sobre o digital.

Atualmente, mais de 50% dos portugueses utilizam serviços de streaming e 42,2% subscrevem pelo menos uma plataforma. Estes hábitos não significam necessariamente substituição; revelam, antes, uma expansão do consumo audiovisual. Para quem está do outro lado do ecrã, as fronteiras entre televisão, streaming, vídeo online e redes sociais são cada vez menos relevantes. O que importa é poder aceder aos conteúdos pretendidos, no dispositivo e no momento mais convenientes.

É por isso que devemos deixar de pensar na televisão apenas como um canal de distribuição e começar a entendê-la como um ecossistema de conteúdos. A emissão linear continua a estar na base de grandes momentos coletivos — informação, entretenimento, desporto ou acontecimentos em direto —, mas vive hoje em articulação com plataformas digitais, aplicações, redes sociais, podcasts, newsletters e experiências presenciais.

A audiência não desapareceu: distribuiu-se por mais pontos de contacto e os operadores estão a acompanhá-la ao longo dessa jornada. Neste novo contexto, a força da televisão não reside apenas no alcance. Reside também na qualidade do ambiente que oferece.

Num ecossistema saturado de estímulos, em que a atenção é disputada segundo a segundo, as marcas precisam de contextos relevantes, seguros e reconhecíveis.

Precisam, igualmente, de transparência. A televisão dispõe de métricas produzidas por entidades externas e sujeitas a auditoria, uma vantagem particularmente importante quando uma parte crescente do investimento digital continua dependente de métricas proprietárias e de ecossistemas fechados. Existe, portanto, uma necessidade de visão integrada e transversal de audiências. O consumo é fluído, o acesso aos conteúdos é fluído e continuamos a medir em silos! E sem uma medição única, o mercado continua a jogar com regras diferentes.

A televisão desempenha ainda um papel que vai além da eficácia publicitária. Ao longo de décadas, ajudou a construir referências culturais, memória coletiva e uma linguagem partilhada.

É essa dimensão cultural que explica a ligação dos portugueses aos conteúdos locais e a capacidade do meio para gerar confiança, notoriedade e conversa social.

Segundo os resultados do último estudo “Meaningful Media”, do Havas Media Network, ae televisão continua a ser o meio com maior credibilidade e o mais procurado como fonte de informação. Os canais televisivos são também, quase a par dos motores de busca, os que os portugueses consideram mais indispensáveis, principalmente a partir dos 35 anos, garantindo uma relevância percebida inequívoca. A televisão é ainda o meio onde a publicidade capta mais atenção e um dos que representa menos incómodo quando expõe o consumidor aos anúncios.

Os grandes momentos televisivos permanecem pontos de encontro num quotidiano cada vez mais individualizado, mesmo quando são vistos em dispositivos diferentes ou prolongados noutras plataformas.

A Connected TV torna esta evolução especialmente evidente. Ao combinar a força emocional e a qualidade do ambiente televisivo com capacidades de segmentação e medição associadas ao digital, abre uma nova fase para o planeamento de media.

Estima-se que o streaming possa representar cerca de 40% do investimento mundial em televisão até 2030, enquanto 82% dos anunciantes planeiam aumentar o investimento em Connected TV.

O futuro não será, portanto, uma escolha entre televisão e digital, mas a integração de ambos. Para as marcas, o desafio é acompanhar esta transformação sem confundir fragmentação com perda de relevância. Num mercado em que a televisão portuguesa continua a oferecer escala, métricas robustas e um custo competitivo, abandonar o meio em nome de uma ideia abstrata de modernidade pode significar abdicar de alcance, contexto e eficácia. Ao mesmo tempo, limitar a estratégia à emissão linear seria ignorar a forma fluida como as pessoas consomem vídeo.

A televisão tem, por isso, menos um problema de audiência do que um problema de perceção. O que ainda prende milhões ao ecrã não é um formato imutável, mas a capacidade de contar histórias, criar referências comuns e gerar atenção qualificada. O ecrã pode mudar, o consumo pode ser linear ou on demand e a jornada pode atravessar várias plataformas. Enquanto a televisão souber evoluir de canal para ecossistema, continuará a ocupar um lugar central na vida das pessoas e nas estratégias das marcas.

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Gigante chinesa rompe contrato com Mbappé após comentários sobre ‘memes’ de Mao Zedong

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By: Lusa

O grupo chinês de bebidas Dongpeng anunciou o fim da colaboração com o futebolista francês Kylian Mbappé, do Real Madrid, após o jogador ter admitido que se diverte com imagens humorísticas que o comparam a Mao Zedong.

A Dongpeng Beverage Group, através da sua conta oficial e da marca Bu Shui La, divulgou comunicados na rede social chinesa Weibo para confirmar a rutura imediata das relações comerciais com o jogador, invocando uma política de “tolerância zero perante comportamentos que firam os sentimentos nacionais”.

A empresa não especificou, contudo, os acontecimentos que motivaram a decisão.

Nos últimos meses, anúncios protagonizados pelo futebolista francês a promover as bebidas da marca Bu Shui La surgiram frequentemente em paragens de autocarro, veículos de transporte público e elevadores de cidades chinesas, sobretudo durante o verão, por ocasião do Mundial de futebol de 2026.

Nos comunicados, que apresentam o mesmo selo corporativo da empresa-mãe, a Dongpeng limita-se a manifestar a sua “firme oposição”, sem identificar qualquer incidente específico, num contexto de forte censura nas redes sociais chinesas.

Na China, as sátiras dirigidas a antigos líderes e figuras históricas associadas ao Partido Comunista Chinês (PCC) podem ser punidas ao abrigo da legislação que criminaliza a “difamação de heróis e mártires”.

O anúncio da Dongpeng surge após a divulgação de uma resposta de Mbappé numa entrevista recente, quando foi questionado sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, conhecida como meme.

“Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos”, afirmou o jogador, sem mencionar especificamente qualquer dirigente chinês.

Nos últimos meses, tornou-se popular nas redes sociais uma montagem que sobrepõe o rosto do avançado do Real Madrid a um retrato de Mao Zedong, fundador da República Popular da China, utilizada por adeptos para satirizar o futebolista francês.

A rescisão do contrato com Mbappé junta-se a uma série de controvérsias recentes envolvendo clubes do futebol espanhol na China.

Em setembro, órgãos de comunicação social oficiais chineses criticaram o Real Madrid após a publicação de uma mensagem nas redes sociais que mencionava conjuntamente o Nepal e a região chinesa do Tibete, na sequência de inundações.

A formulação foi considerada “incorreta” pela imprensa chinesa, por colocar os dois territórios no mesmo plano.

Em abril, o FC Barcelona pediu desculpa na China após a divulgação de uma imagem com a bandeira de Taiwan numa página gerida por terceiros e associada à sua academia internacional.

Em fevereiro deste ano, o Real Madrid divulgou na rede social Weibo um pedido de desculpas atribuído ao defesa Dean Huijsen, após o jogador ter republicado na sua conta de Instagram um conteúdo considerado racista e ofensivo para os cidadãos asiáticos.

Televisão estatal chinesa suspende transmissão da Liga espanhola

Também a televisão estatal chinesa CCTV suspendeu, desde segunda-feira, as transmissões de jogos da Liga espanhola de futebol, após declarações do avançado do Real Madrid sobre esta imagem humorística.

Segundo o jornal chinês The Paper, que cita fontes ligadas à estação pública, a medida entrou em vigor na noite de segunda-feira e inclui também a retirada de todos os anúncios e vídeos protagonizados pelo futebolista francês.

A decisão junta-se às anunciadas por várias empresas chinesas, incluindo também as empresas de laticínios Mengniu e Milkground, que comunicaram o fim da cooperação comercial com Mbappé, manifestando rejeição por comportamentos que firam os sentimentos do povo chinês.

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“Muito prazer”. Regina lança nova imagem


A Regina está a renovar a sua oferta de chocolates com o lançamento de nove novas tabletes, uma identidade visual atualizada e a campanha “Muito prazer”, que terá presença em televisão, outdoor e digital. A operação pretende reposicionar a marca com uma linguagem mais contemporânea e sofisticada, colocando o prazer de consumo no centro da comunicação. A Nossa é responsável pela parte criativa e a Iniciative é a agência de meios.

A renovação abrange a identidade visual, com o azul Regina a ganhar protagonismo, numa tentativa de reforçar o reconhecimento da marca e a identificação dos produtos no linear.

“Esta gama representa muito mais do que o lançamento de nove tabletes. É a expressão de uma nova etapa para Regina”, afirma Francisco Pinho da Costa, head of marketing & product, citado em comunicado. O responsável destaca a ambição de apresentar propostas mais diferenciadoras e sofisticadas, mantendo a qualidade do chocolate como eixo da oferta.

A campanha “Muito prazer” dá expressão à nova fase da marca através de uma assinatura que joga com a apresentação de uma Regina renovada e com o prazer associado ao consumo dos chocolates. O plano de meios prevê presença nos principais canais generalistas de televisão e uma campanha nacional de outdoor, complementadas por ações nas redes sociais e em meios digitais.

A estratégia inclui ainda uma componente de influenciadores, com perfis como Joana Marques, Rebeca Caldeira e Catarina Gouveia, e comunicação nos pontos de venda, já com a nova identidade visual.

A marca não detalha o investimento associado ao lançamento nem a distribuição prevista para a nova gama.

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30 dias, 30 denúncias de publicidade não identificada por influencers

A DECO INFORMA…

DECO alerta para feeds de redes sociais inundados de conteúdos comerciais não identificados como publicidade pelos influencers.

Como a DECO já havia denunciado há pouco mais de um ano , apesar do marketing de influência dominar o ambiente digital e estar cada vez mais profissionalizado, é reduzido o número de influencers que identifica corretamente a natureza comercial dos conteúdos que publica e rara a utilização das etiquetas de “parceria remunerada” disponibilizadas pelas plataformas digitais de forma a tornar claro que se trata de um anúncio.

O exercício realizado pela DECO demonstra como o scroll nas redes sociais está carregado de conteúdos comerciais de influencers que preferem apresentar os conteúdos como sugestões desinteressadas e experiências pessoais e que exploram, cada vez mais, setores e produtos que trazem outro tipo de complexidade e de potenciais danos.

Entre publicidade mais banal a hotéis, marcas de roupa e cosméticos, com códigos de desconto e sorteios à mistura, está cada vez mais presente também a publicidade não identificada a suplementos alimentares, sem a sua identificação enquanto tal e a procedimentos estéticos, incluindo aplicação de injetáveis como botox.

A grande maioria das denúncias está a ser encaminhada para a Direção Geral do Consumidor, Comércio e Serviços – DGC, mas também a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica – ASAE e a Entidade Reguladora da Saúde – ERS receberam denúncias no seu âmbito de competências.

A DECO vê com preocupação que a natureza comercial dos conteúdos continue de forma reiterada a não ser identificada e que as publicações de influenciadores cada vez mais explorem áreas como a saúde e alimentação e promovam a publicidade a produtos e serviços potencialmente mais problemáticos a diferentes níveis.

Defende, por isso, mais fiscalização e que produtos e serviços que trazem maiores riscos exigem regras mais apertadas, apelando à introdução de um conjunto de restrições que melhor proteja os consumidores nos canais digitais e não só.

Para mais informação ou denúncias, contacte a equipa da DECO através de deco@deco.pt, whatsapp  966 449 110 ou 21 371 02 00.

A DECO Algarve, sugere que para ler o artigo anteriormente publicado clique aqui.

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30 dias, 30 denúncias de publicidade não identificada por influencers

A DECO INFORMA… DECO alerta para feeds de redes sociais inundados de conteúdos comerciais não identificados como publicidade pelos influencers. Como a DECO já havia denunciado há pouco mais de um ano, apesar do marketing de influência dominar o ambiente digital e estar cada vez mais profissionalizado, é reduzido o número de influencers que identifica […]

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O marketing não acaba quando o cliente compra!

Há algo bastante curioso na forma como muitas empresas abordam o marketing: investem tempo, dinheiro e um esforço considerável para atrair novos clientes, mas, no momento em que alguém finalmente faz uma compra, a relação parece chegar a um fim abrupto.   O cliente comprou. A venda está concluída. Missão cumprida! Passemos ao próximo. Bora […]

O conteúdo O marketing não acaba quando o cliente compra! aparece primeiro em Barlavento.

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