De Berlim a Pequim: Barcelos volta a exportar rock
A cena musical de Barcelos, que ganhou força na década de 90 com bandas de rock, continua a exportar música. Os veteranos Indignu vão dar cinco espetáculos na China em novembro e os Plaka, uma das mais recentes bandas da cidade, estão a fazer uma digressão europeia que chega na próxima quarta-feira ao Schokoladen, uma histórica sala de concertos do circuito independente de Berlim.
Depois de mais de 50 concertos em Portugal e na Galiza, os Plaka estão a realizar a sua primeira digressão europeia intitulada “Mercancías”. A banda de Barcelos iniciou a digressão, no dia 17 de outubro, no Porto, com 14 datas por cinco países. Já com sete concertos no norte de Espanha, o trio que alia funk, jazz e rock aos ritmos quentes da América do Sul e África, chega à Alemanha para uma data dupla em Berlim, seguindo depois para os Países Baixos e Suíça.
“Até agora sentimos sempre uma ótima receção do público, o que é bastante reconfortante, especialmente na Galiza, onde somos repetentes em várias cidades e onde vamos criando uma base que já nos conhece. Mas claro, o desafio é mesmo tocar em novos palcos, novos públicos e poder levar a nossa música um bocadinho mais longe”, refere Luís Masquete, baixista da banda que também é composta por Jorge “Cientista” Carvalho (bateria) e Márcio Góis (guitarra), em declarações a O MINHO.
Na viagem entre Espanha e Alemanha, o músico mostra-se entusiasmado pela estreia na capital alemã: “Estamos a caminho de Berlim onde vamos tocar no Schokoladen, sala que nos diz muito e cuja programação acompanhamos há algum tempo (com grande validação de nossa parte), pelo que ter oportunidade de lá tocar é obviamente especial”.
“Estes discos são muito ouvidos na China, muito mesmo, mais, se calhar, do que nosso país”
Em novembro, será a vez dos Indignu viajarem até à China. O quarteto formado em 2004 tem cinco datas, entre 01 e 07 de novembro, em grandes cidades do ‘gigante’ asiático, como Pequim, Xangai ou Shenzhen.
“Isto não é uma coisa que se faça todos os dias”, frisa o músico Afonso Dorido, aludindo ao número reduzido de bandas portuguesas que já tiveram oportunidade de rumar àquele país.

O guitarrista explica que o género musical da banda, post-rock, está “a ser descoberto” na Ásia e neste momento é “muito forte mesmo”. Através das plataformas digitais, os ‘Spotifys’ da China, os Indignu foram descobertos, especialmente através dos álbuns Odyssea (2013) e Ophelia (2016). “Estes discos são muito ouvidos na China, muito mesmo, mais, se calhar, do que nosso país”, refere. Ganharam seguidores ao ponto de serem convidados para fazer uma digressão em salas de média dimensão.
“Hoje em dia é muito difícil, porque há muita oferta de tudo. Mas, de vez em quando, acontecem coisas surreais”, diz, a O MINHO, o membro da banda que também é composta por Graça Carvalho (violino, sintetizadores), Ivo Correia (bateria) e Pedro Souza (baixo).
Depois de atuações em palcos na Dinamarca, Noruega, Bélgica, França, Luxemburgo e Espanha, será a primeira banda de Barcelos a dar concertos na China.
Isto depois de outros grupos da mesma cidade terem alcançado feitos também “surreais” para a realidade da música alternativa composta neste concelho do Minho. Em 2015, os Black Bombaim atuaram na Califórnia (Estados Unidos da América), depois de antes já terem passado por vários importantes palcos europeus. Em 2013, foram os primeiros portugueses a tocar no holandês Roadburn, considerado a ‘meca’ do rock psicadélico.
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