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Valor Dogecoin: o que sustenta o preço de uma moeda sem limite de emissão

O dogecoin nasceu em dezembro de 2013 como uma brincadeira com um meme de internet e se tornou uma das criptomoedas mais conhecidas do mundo. Ao contrário do bitcoin, ele não tem limite máximo de unidades, e essa característica muda a forma de analisar seu preço.

Uma consulta rápida por dogecoin valor leva a painéis como o da Binance, que mostra a cotação do DOGE em tempo real ao lado do volume negociado em 24 horas, da capitalização de mercado e da quantidade de moedas em circulação. Esses três indicadores dizem mais sobre o ativo do que o preço isolado.

O ponto de partida é a oferta. Como novas moedas entram no mercado todos os dias, o valor do dogecoin depende de uma demanda crescer pelo menos no mesmo ritmo de emissão.

Como funciona a emissão do dogecoin?

O dogecoin cria um novo bloco a cada minuto, e cada bloco gera 10 mil DOGE como recompensa ao minerador. Essa recompensa é fixa desde 2015 e não tem dados para acabar.

Na prática, cerca de 5 bilhões de novas moedas chegam ao mercado por ano. O número absoluto se mantém estável, mas o peso diminui relativo com o tempo: à medida que o total em circulação cresce, a mesma quantidade nova representa uma fatia cada vez menor do estoque.

CaracterísticaDogecoin
Tempo de blococerca de 1 minuto
Recompensa por bloco10 mil DOGE, consertar
Limite máximo de senão existe
Mineraçãoprova de trabalho com algoritmo Scrypt

Esse modelo foi escolhido para manter a moeda útil em pagamentos. Uma oferta que cresce de forma previsível, desestimula o acúmulo puro e incentiva a circulação, que era uma proposta original dos criadores.

Por que a inflação do dogecoin é diferente da inflação do real?

A emissão do dogecoin é definida por código e conhecido por qualquer pessoa com antecedência. A inflação de uma moeda nacional depende de política monetária, juros, câmbio e choques de preços, e muda conforme a economia.

No Brasil, essa incerteza aparece nas revisões semanais feitas por economistas, como mostrada a reportagem do DM sobre o mercado elevando a projeção de inflação para 2026 . No dogecoin, a taxa de crescimento da oferta não sofre revisões: ela só cai, ano após ano, pela própria matemática do sistema.

Essa diferença não torna o dogecoin uma reserva de valor estável. O preço do DOGE é muito mais volátil do que o real, porque a demanda oscila com o humor do mercado e com o interesse nas redes sociais. O que é previsível é a oferta, não a cotação.

O que faz a demanda pelo dogecoin crescer?

A demanda pelo dogecoin vem de três fontes principais: a comunidade, o uso em pagamentos e a liquidez nas corretoras.

A comunidade é o traço mais marcante da moeda desde o início. Ainda em 2014, apoiadores do DOGE arrecadaram recursos para levar a equipe de bobsled da Jamaica aos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, episódio que consta na história da criptomoeda e ajudou a construir sua imagem de moeda bem-humorada e solidária.

O uso em pagamentos se apoia nas taxas baixas e nas confirmações rápidas. Gorjetas para criadores de conteúdo, doações e pequenas compras online estão entre os usos mais citados pela comunidade.

A liquidez completa ou quadro. Por estar entre as criptomoedas mais negociadas, o DOGE tem livros de ofertas profundas, o que permite comprar e vender sem grandes diferenças entre o preço pedido e o preço pago.

Como a mineração mesclada protege a rede?

O dogecoin usa mineração mesclada com o litecoin desde 2014. Isso significa que os mineradores de uma rede podem validar blocos do outro ao mesmo tempo, sem gastar energia extra.

Essa solução aumentou a segurança do dogecoin numa fase em que a rede ainda era pequena e vulnerável a ataques. Hoje, a capacidade de processamento dedicada à moeda é muito maior do que ela dependeria apenas dos próprios mineradores.

Para o investidor, a segurança da rede é um fator indireto, mas importante. Uma blockchain difícil de atacar dá mais confiança a quem guarda ou recebe a moeda.

O que observar antes de analisar o preço do DOGE?

Três indicadores ajudam a ler o valor do dogecoin com mais investimentos: capitalização de mercado, volume diário e crescimento da oferta.

A capitalização mostra o tamanho do ativo em relação às outras criptomoedas. O volume indica se há interesse real de compra e venda. Já o crescimento da oferta, sempre conhecido de antemão, mostra quanto a demanda precisa avançar para que o preço se mantenha.

Quais são os pontos-chave sobre o valor do dogecoin?

O preço do DOGE resulta do encontro entre uma oferta previsível e uma demanda assustadora. Os pontos abaixo resumem o que pesa nessa questão:

  1. A rede emite 10 mil DOGE por bloco, sem limite máximo de moedas.
  2. O ritmo relativo dessa emissão cai a cada ano, à medida que o estoque total cresce.
  3. A demanda depende da comunidade, do uso em pagamentos e da liquidez nas corretoras.
  4. A mineração mesclada com o litecoin reforça a segurança da rede.

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Metais preciosos: “Perspetiva de longo prazo continua a ser atrativa”, realça Julius Baer

O Julius Baer, um dos principais grupos bancários privados da Suíça, especializado em gestão de património, referiu esta terça-feira 27 de outubro que os riscos de curto prazo nos metais preciosos “parecem inclinados” para o lado negativo, mas a perspetiva de longo prazo “continua a ser atrativa”. Pelo que mantém a sua visão “construtiva” para o ouro e “neutra” para a prata. No mercado cambial o cenário base é de fraqueza do dólar a longo prazo.

“A pressão sobre os metais preciosos persiste, mas não é claro o que está a levar à queda dos preços. Uma possível causa das vendas pode ser a necessidade de os investidores chineses angariarem dinheiro em resposta à repressão do capital offshore”, referiu o Head Next Generation Research do Julius Baer, Carsten Menke.

“Os preços do ouro caíram para perto dos 4.000 dólares/onça, e a prata rompeu a barreira dos 55 dólares/onça. Embora a trajetória da tendência não tenha mudado significativamente desde o pico dos preços no início do ano, não é claro para nós o que está por detrás da recente queda. Normalmente, existe uma forte correlação entre os preços e os stocks de produtos fisicamente lastreados. A compra destes produtos eleva os preços, e a venda reduz-nos. Dito isto, tem havido uma notável desconexão recentemente, particularmente para o ouro”, referiu.

“As reservas de produtos de ouro lastreados fisicamente aumentaram cerca de 70 toneladas desde o verão, enquanto os preços caíram mais de 13%. Também não observámos vendas significativas por parte de investidores especulativos no mercado de futuros. Além disso, os factores habituais, como um dólar norte-americano mais forte ou rendimentos mais elevados dos títulos do Tesouro dos EUA, têm estado ausentes nos últimos dias”, continua.

Carsten Menke salienta que uma “possível fonte de vendas” poderá ser a dos investidores chineses, que são forçados a angariar capital devido à “repressão” do país ao capital offshore. “O pagamento de impostos pode levar à liquidação de parte das suas posições em metais preciosos, criando uma fonte de pressão vendedora que não é imediatamente visível. Esta é uma tese baseada nas últimas notícias disponíveis, no momento da onda de vendas e na pressão mais ampla sobre os ativos chineses. Teriam estas vendas o potencial de levar os metais preciosos a uma queda duradoura? Provavelmente não”, acrescenta. “No entanto, poderiam alastrar para o mundo ocidental, levando os investidores a desfazerem-se também das suas posições”, reforça.

O Head Next Generation Research do Julius Baer, relativamente ao ouro, defende que uma queda abaixo dos 4.000 dólares/onça “provavelmente desencadearia” algumas vendas. “Os riscos de preço no curto prazo parecem estar inclinados para a baixa, mas ainda vemos um cenário de longo prazo bastante promissor. Tanto o ouro como a prata devem ser sustentados pelas preocupações com o endividamento e o peso das taxas de juro nos Estados Unidos. Embora o ouro também beneficie das compras dos bancos centrais, uma forte fonte estrutural de procura, o mesmo não se aplica à prata. Mantemos a nossa visão construtiva para o ouro e neutra para a prata”, diz.

Cenário base do Julius Baer é de um dólar fraco a longo prazo

Já o economista do Julius Baer, David A. Meier, refere que a política francesa “desencadeou uma forte reprecificação” do euro, que “parece estar interrompida” por agora. “A fraqueza do dólar a longo prazo continua a ser o nosso cenário base, mas o caminho para a recuperação do euro pode ser árduo. O franco suíço continua sustentado pelos riscos da zona euro, no meio de possíveis obstáculos decorrentes de uma reprecificação da taxa de juro suíça”, assinala.

“Na segunda quinzena de setembro, o euro sofreu uma pressão significativa devido às preocupações políticas em França. Um alargamento expressivo dos spreads das obrigações do governo francês em relação às obrigações alemãs refletiu a crescente inquietação com os futuros desenvolvimentos políticos e fiscais”, descreve. “Contudo, apesar da contínua ampliação dos spreads em Outubro, o euro tem-se mantido em grande parte lateralizado, sugerindo que os investidores reagiram decisivamente quando os riscos políticos começaram a ganhar destaque”, refere.

“Os mercados de opções fornecem provas deste ajustamento: as reversões de risco do euro moveram-se acentuadamente a favor da protecção contra quedas, atingindo níveis verificados antes da mudança radical na política orçamental da União Europeia (UE)”, salienta o economista. “Desde então, a procura por hedge adicional diminuiu. Um padrão semelhante é visível nos dados de posicionamento especulativo, sugerindo que os investidores adotaram agora uma postura de cautela”, explica.

Face a este contexto o Julius Baer refere que a sua meta de  1,15 para o par euro/dólar norte-americano a três meses “parece ambiciosa”. A instituição salienta que “continua a esperar uma fraqueza do dólar norte-americano a longo prazo”, mas alerta que uma recuperação do euro “pode agora revelar-se mais difícil”.

As dificuldades do euro foram acompanhadas por uma “força renovada” do franco suíço, sublinha. “No início do ano, o franco passou por um período de menor valorização devido à sua crescente desvantagem em relação às taxas de juro, enquanto a sensibilidade aos preços da energia limitou o seu apelo como porto seguro durante o conflito de Hormuz”, diz.

“No entanto, o franco continua a servir como uma proteção fiável contra riscos específicos da zona euro, como ilustrado pela sua dissociação dos diferenciais de taxas durante os acontecimentos recentes. Olhando para o futuro, o franco poderá desvalorizar modestamente se as expectativas em relação às taxas suíças forem reavaliadas. Esperamos ainda que o Banco Nacional Suíço (SNB) mantenha as taxas até meados do próximo ano, enquanto os mercados ainda antecipam uma normalização mais rápida. Qualquer fraqueza resultante do franco deverá ser menos pronunciada do que a implícita na nossa previsão atual de 0,95 para o par euro/franco suíço a três meses”, conclui.

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