Audi anuncia fábrica para os EUA e é crucificada na Alemanha


O Bitcoin registrou alta nesta terça-feira, 27, aguardando os resultados e sinalizações da reunião do Comitê de Política Monetária do Fed (Federal Reserve), nos Estados Unidos.
Por volta das 16h24 (em Brasília), o Bitcoin avançava 0,71%, a US$ 80.640,01, enquanto o Ethereum subia 0,9%, a US$ 2.340,19, de acordo com a plataforma Coinbase.
Os preços da principal criptomoeda continuaram oscilando dentro de uma faixa limitada, assim como na véspera. O FxPro observa que a falta de força acontece apesar do “momento positivo” nas ações.
“A impressão é de que os compradores estão concentrados em sustentar os ativos principais, enquanto as vendas se espalham por um número crescente de setores, incluindo o de criptomoedas”, afirma a corretora, explicando que essa movimentação pode indicar que o bull market está perdendo força.
Já na avaliação da IG, os investidores aguardam mais clareza com a decisão de política monetária do Fed de amanhã e, por isso, estão “relutantes” em comprar bitcoins. Com mais de 90% de chances por uma manutenção das taxas de juros, de acordo com a ferramenta do CME Group, as expectativas são pelas sinalizações dos dirigentes.
De acordo com a corretora, o Fed poderia aliviar essa cautela do mercado se sinalizasse uma política monetária menos restritiva, enquanto um tom mais duro aumentaria o risco de novas quedas.
Na mesma linha, a corretora de criptomoedas Gravity Team aponta que o Fed será determinante para o apetite institucional do bitcoin, assim como indicadores econômicos dos EUA como o índice de preços de gastos com consumo (PCE), previsto para quinta-feira.
“O bitcoin está lidando com as incertezas em torno das ações e do petróleo, além do custo de financiamento em dólares … esta semana é sobre a forma como as instituições planejam suas estratégias diante dessas condições”, afirma.
*Com informações de Dow Jones Newswires.
O ouro encerrou em alta nesta terça-feira (27) diante de uma queda dos preços de petróleo à espera da decisão de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) nos EUA, na quarta-feira (28).
Na Comex, divisão de metais da Nymex (bolsa de Nova York), o ouro para dezembro encerrou em alta de 0,90%, a US$ 4.074,6 por onça-troy. A prata subiu 0,32%, a US$ 54,513 por onça-troy.
O metal dourado chegou a recuar durante a manhã, mas oscilou e passou a subir, sem chegar a fazer movimentos intensos durante a sessão.
A alta do metal aconteceu em meio a queda do petróleo diante de sinais contraditórios no cenário geopolítico do Oriente Médio: enquanto os houthis realizaram novos ataques na Arábia Saudita, o Irã sinalizou que pode aceitar um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Para o Sucden Financial, o foco do mercado passa a ser a reunião do Comitê de Política Monetária, do Fed – que começou nesta terça e vai até quarta-feira –, e os resultados do índice de PCE (preços de gastos com consumo) nos EUA, na quinta-feira.
A expectativa do mercado é por uma manutenção nas taxas de juros pelo Federal Reserve. De acordo com a corretora, dada a expectativa por uma alta apenas em dezembro, a queda dos rendimentos aliviou parte da pressão imediata no ouro, mas sem eliminar completamente a restrição das taxas de juros.
Em contrapartida, o Commerzbank avalia que a fraqueza recente do ouro é “surpreendente”, levando em conta que “as expectativas para as taxas de juros nos EUA diminuíram um pouco”. Assim, o banco alemão avalia que, “desde que as surpresas sejam limitadas”, a reunião do Fed pode ocasionar uma reação limitada no ouro.
Uma pesquisa da Reuters mostrou que a previsão do mercado para o preço do ouro em 2026 caiu pelo segundo trimestre consecutivo com os altos rendimentos dos títulos dos Treasuries, pela valorização do dólar e pela expectativa de que as taxas de juros permaneçam elevadas por mais tempo.
O petróleo fechou em queda nesta terça-feira (27) estendendo as perdas da véspera, diante de sinalizações contraditórias no Oriente Médio. Mercado assimila ainda relatos de que a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) planeja manter inalterada suas metas de produção para dezembro.
Negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), o petróleo Brent para janeiro fechou em queda de 1,20% (US$ 1,33), a US$ 109,41 o barril. O petróleo WTI para dezembro recuou 1,83% (US$ 1,86), a US$ 99,90 o barril, na Nymex.
A commodity ainda tentou uma recuperação nas primeiras horas do dia, mas voltou a cair ainda durante a manhã, apesar de permanecer próximo da faixa de US$ 100 o barril.
Enquanto, de um lado, representantes do Irã afirmam estarem dispostos a firmar um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, os Houthis do Iêmen realizaram novos ataques à Arábia Saudita.
Ainda assim, para o BOK Financial, a correção acontece diante das notícias de que novas negociações com o Irã e entre a Rússia e a Ucrânia parecem estar se concretizando.
“Embora a perspectiva de paz em ambas as regiões esteja mantendo alguma pressão de baixa sobre os preços no curto prazo, o fato é que a oferta global está restrita e há uma crescente presença militar dos EUA no Golfo Pérsico”, pondera.
Mesmo assim, o Commerzbank avalia que a situação no Oriente Médio permanece “tensa”. Para o banco alemão, novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã podem acontecer após as eleições de meio de mandato, enquanto o resultado do pleito em Israel pode “ser significativo para futuros desdobramentos na guerra”.
Na mesma linha, a Jefferies afirma que a geopolítica permanece como foco dos mercados, diante das preocupações de que os EUA podem considerar outra rodada de bombardeios após as eleições.
No radar, fontes ouvidas pela Reuters afirmam que a Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) deve manter as metas de produção em dezembro.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira que o país vai receber uma remessa de 1 milhão de barris de petróleo da Venezuela e que outros bilhões de barris devem ser enviados aos americanos.
*Com informações de Dow Jones Newswires.
As bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira (27) sustentadas pela queda do petróleo em meio a esforços diplomáticos no Oriente Médio e pelo avanço de ações de semicondutores.
Londres destoou, pressionada pelo setor bancário após balanço decepcionante do HSBC. Investidores também acompanharam resultados corporativos e aguardam decisões de juros nos EUA e na zona do euro.
Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,75%, a 10.686,54 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,77%, a 25.606,65 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,51%, a 7.887,14 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,90%, a 49.627,95 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,69%, a 19.164,40 pontos. Em Lisboa, o , a 9.253,58 pontos. As cotações são preliminares.
A confiança do consumidor francês caiu de 85 para 80 em outubro, menor nível desde junho de 2013, em meio à crise política e fiscal. Paralelamente, pesquisa do BCE apontou aperto das condições para empréstimos a empresas na zona do euro.
A Pimco prevê juros estáveis na reunião do Banco Central Europeu na quinta-feira, mas projeta alta em dezembro.
Em Londres, o HSBC cedeu 6% após registrar crescimento do lucro trimestral abaixo do esperado, arrastando os bancos. A Reckitt Benckiser também figurou entre as maiores baixas, com queda de 4,9%.
Em sentido oposto, a holandesa BE Semiconductor saltou 11,6% depois de a americana Applied Materials anunciar a ampliação de sua participação na empresa para cerca de 20%.
O otimismo com IA ( inteligência artificial), renovado pelos planos de abertura de capital da Anthropic, também favoreceu ASML (+2,8%), ASM International (+5,2%), Infineon (+5,3%) e STMicroelectronics (+7,3%). O subíndice tech subiu 2,1% no Stoxx 600.
Na Alemanha, a Suss Microtec perdeu 4,5%, enquanto a Mercedes-Benz (-3,7%) cortou sua projeção de rentabilidade para o ano diante da fraqueza do mercado chinês e de custos maiores. Na Suíça, a Novartis elevou suas projeções anuais, apesar de contratempos em estudos clínicos e subiu 0,9%.
Após queda na véspera, as ações de empresas europeias que são expostas ao Brasil tinham desempenhos mistos. Em Madri, o Santander subiu 0,9% e a Telefonica, 1,5%. Em Lisboa, a Galp fechou praticamente estável em dia também de baixa do petróleo.
*Com informações da Dow Jones Newswires
O presidente-executivo do PayPal, Enrique Lores, expressou nesta terça-feira (27) uma confiança crescente na recuperação da empresa de pagamentos, que já vem ocorrendo há anos, à medida que cortes de custos e margens em expansão ajudaram a impulsionar um aumento na previsão de lucro anual.
A empresa, que se tornou sinônimo de pagamentos digitais durante a pandemia, tem enfrentado dificuldades para reconquistar a confiança dos investidores nos últimos anos, em meio à concorrência cada vez mais acirrada da Apple, do Google e de novos rivais do setor de fintech.
O PayPal traçou um amplo plano plurianual para otimizar operações, cortar custos e melhorar as margens, a fim de enfrentar essas pressões e impulsionar o preço de suas ações.
“O progresso que temos observado reforça nossa convicção na estratégia. Ao olhar para o futuro, estou cada vez mais confiante no potencial de crescimento dos lucros do PayPal”, disse Lores aos analistas em uma teleconferência após a divulgação dos resultados.
Ele assumiu o comando no início deste ano, depois que o conselho demitiu Alex Chriss devido ao ritmo das mudanças e da execução.
O PayPal agora espera um lucro ajustado para o ano inteiro de cerca de US$ 5,60 por ação, em comparação com sua previsão anterior e as expectativas dos analistas de US$5,38, de acordo com estimativas compiladas pela LSEG.
A empresa afirmou estar no caminho certo para atingir US$ 700 milhões em economia bruta de custos até o final de 2026, impulsionada pelo corte de mais de 2.000 postos de trabalho e uma redução de mais de 25% nos cargos gerenciais.
Esforços para simplificar as operações, otimizar seu portfólio e acelerar a adoção de inteligência artificial — incluindo o uso de chatbots com IA para dar suporte ao atendimento ao cliente — também estão apoiando as iniciativas de gestão de custos, afirmou o PayPal.
A empresa estabeleceu a meta de garantir pelo menos US$ 1,5 bilhão em economia bruta em ritmo anual nos próximos dois a três anos.
A margem operacional ajustada, um indicador-chave para os investidores, aumentou 16 pontos-base, chegando a 18,8% no terceiro trimestre.
No início deste ano, a Reuters informou, citando fontes, que o PayPal havia recebido uma oferta de aquisição de US$ 60,50 por ação da Stripe e da empresa de private equity Advent International, uma proposta que muitos analistas descreveram como “baixa”.
A oferta, que avaliava o PayPal em cerca de US$ 53 bilhões, teria sido considerada inadequada pelo conselho e representava uma fração da avaliação de aproximadamente US$ 360 bilhões que a empresa alcançou em seu auge, em 2021.
No terceiro trimestre, o lucro ajustado da empresa ficou em US$ 1,45 por ação, superando as estimativas de US$ 1,31. A receita de US$ 8,6 bilhões nos três meses encerrados em 30 de setembro ficou um pouco abaixo das estimativas de US$ 8,7 bilhões.
O S&P 500 e o Nasdaq subiam nesta terça-feira (27), à medida que a queda nos preços do petróleo impulsionava o apetite pelo risco antes da decisão de política monetária do Federal Reserve, nesta semana, enquanto os investidores também avaliavam uma série de resultados financeiros importantes das empresas.
Às 12h12 (horário de Brasília), o Índice Dow Jones mostrava estabilidade, aos 52.360,95 pontos. O S&P 500 subia 0,49%, para 7.714,75 pontos, enquanto o Nasdaq Composite tinha alta de 0,87%, para 26.397,69 pontos.
Espera-se que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas na quarta-feira, após um aumento no mês passado, embora os mercados estejam precificando pelo menos mais dois aumentos até meados de 2027, já que os principais indicadores de inflação permanecem elevados nos EUA na esteira do conflito no Oriente Médio.
O petróleo Brent recuava pela segunda sessão consecutiva em um pregão volátil, embora ainda se mantivesse próximo de seu nível mais alto desde o final de abril.
A queda de mais de 2% nas ações da fabricante de tintas Sherwin-Williams, após resultados trimestrais abaixo do esperado, pesava sobre o Dow Jones.
Já as ações de megacapitalização e de crescimento apresentavam desempenho misto. As ações da Tesla subiam quase 3%, consolidando o ganho de mais de 5% registrado na sessão anterior.
As ações de fabricantes de chips subiam pelo terceiro dia consecutivo após algumas semanas difíceis, enquanto as empresas de nuvem CoreWeave e Nebius também estavam sendo negociadas com fortes altas.
A Meta caía depois que a empresa aumentou sua maior captação de recursos de capital da história para US$ 97,5 bilhões, a fim de financiar a expansão da IA. A iniciativa também atraiu interesse de até US$ 5 bilhões no total por parte da Nvidia, da Advanced Micro Devices e da Broadcom.
O plano surge em um momento em que as crescentes preocupações com a viabilidade dos gastos financiados por dívida, diante do aumento dos custos de empréstimos, têm pesado sobre as negociações relacionadas à IA.
Nesse contexto, os investidores agora estarão atentos aos resultados financeiros das gigantes da tecnologia Alphabet, Microsoft e Amazon.com no final desta semana, em busca de indícios de que os pesados investimentos em IA estão se traduzindo em crescimento.
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O desarranjo no mercado após as eleições de 2026 foi visto como “natural” pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, à medida que os investidores apostavam na vitória da oposição. Apesar disso, Durigan diz esperar por “racionalidade” a partir desta terça-feira (27) após choque eleitoral.
“Sem grandes oscilações, essa é a minha expectativa. Até porque se você compara o dólar no mundo hoje, o Brasil está um pouco na contramão, o dólar está se valorizando no resto do mundo, o que mostra já uma reação doméstica e uma acomodação de expectativa por aqui”, afirmou o ministro.
Na última segunda-feira (26), após da confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o principal indicador do mercado de ações, o Ibovespa, despencou mais de 13%. O dólar, por sua vez, seguiu o movimento contrário e alcançou a maior alta diária dos últimos 23 anos.
Nesta manhã, porém, a queda arrefeceu e o Ibovespa ensaiava uma recuperação do tombo visto na véspera, enquanto a moeda americana cedia mais de 1%.
Segundo Durigan, o governo federal dialogou com o mercado financeiro depois das eleições para se estabelecer “parâmetros de racionalidade”. “Ontem a gente teve uma troca de posição, o mercado estava apostando em um determinado candidato”, explicou.
Ainda com a queda histórica, o Ibovespa acumula alta anual superior a 9%.
Durigan ainda confirmou a possibilidade de uma nova recompra de títulos do Tesouro. “Eu falei com o secretário hoje de manhã e disse para ele que, na medida em que tiverem colocadas as condições e as necessidades de fazer intervenção, eu teria autorizado. Então, deve ter sim”, finalizou.
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As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta terça-feira (27), após ganhos em Nova York, liderados por um rali de ações de inteligência artificial, e com investidores à espera de balanços corporativos e decisões de juros.
O índice sul-coreano avançou 3,09% em Seul, para 5.638,34 pontos, impulsionado pelas gigantes de chips Samsung Electronics (+4,2%) e SK Hynix (+5,2%).
A SK Hynix divulga seu balanço do terceiro trimestre na quarta-feira (28), um dia antes de a Samsung apresentar seus resultados. A Samsung estimou lucro operacional recorde no último trimestre de 107,4 trilhões de won (US$ 80 milhões), quase oito vezes maior do que um ano antes.
Em outras partes da Ásia, o Nikkei subiu 1,73% em Tóquio, para 63.268,37 pontos, enquanto o Taiex registrou leve ganho de 0,12% em Taiwan, no retorno de feriados.
Na China continental, o pregão foi negativo, com baixa de 1,33% do Xangai Composto, para 3.648,30 pontos, e queda de 2,55% do Shenzhen Composto, para 2.132,02 pontos, após dados mostrarem desaceleração no crescimento do lucro industrial chinês.
Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,73%, para 23.041,32 pontos. A ação local do banco britânico HSBC, que divulgou lucro abaixo do esperado, tombou 5,6%.
Ontem, as bolsas de Nova York encerraram com altas de 0,3% a 0,8%, à medida que o pedido de IPO da Anthropic reavivou o entusiasmo com ações ligadas à IA.
Investidores também aguardam decisões de juros nos EUA, na zona do euro e no Japão nos próximos dias. Não há, porém, expectativa de ajustes nesta semana.
Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em alta moderada de 0,46%, com o S&P/ASX 200 a 8.850,10 pontos.
O dólar abriu em baixa ante o real nesta terça-feira (27), depois de ter disparado mais de 8% na sessão anterior e ter a maior alta diária em 23 anos. Às 09h (de Brasília), a moeda americana tinha queda de 0,20%, cotada a R$ 5,3960.
O avanço do dia anterior foi sustentado pela reação negativa do mercado à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que agora segue para o seu quarto mandato e se tornou o presidente mais votado da história.
Na segunda (26), o dólar disparou 8,36% frente ao real, fechando a R$ 5,4066. A moeda americana chegou a superar R$ 5,60 durante a manhã, mas desacelerou a alta ao longo do pregão. O avanço foi o maior desde 5 de março de 2003, quando o dólar subiu 10,4%.
O valor de fechamento ainda foi o mais alto desde 2 de janeiro deste ano.
Em atualização
*Com informações da Reuters
Na superfície, os mercados parecem estáveis. As ações estão próximas de recordes históricos, e os títulos estão mais ou menos onde estiveram nos últimos dois meses.
Mas olhando por baixo do capô, é possível ver sinais de que os investidores estão ficando cada vez mais nervosos — principalmente por causa da IA.
Desta vez, a ansiedade não é porque a IA vai nos matar a todos (isso foi MUITO no mês passado). A preocupação mais recente: a IA pode ser um atoleiro financeiro.
E se o ar começar a sair da bolha da IA, isso pode ameaçar derrubar a base que sustenta o boom econômico americano.
O mercado de ações é tão grande e diversificado que às vezes é útil para os investidores medi-lo de maneiras criativas, comparando duas medições para descobrir se há uma tendência que os números principais não conseguem mostrar.
Por exemplo, é possível medir o índice de referência S&P 500 de várias maneiras. A forma mais comum é ponderar cada ação pelo seu valor de mercado — dando às gigantescas empresas de tecnologia, avaliadas em trilhões de dólares, considerável influência sobre as altas e baixas do mercado de ações.
Mas se você observar o S&P 500 de outra forma, ponderando cada ação igualmente, às vezes é possível obter uma imagem mais clara de como o mercado está se saindo entre os setores.
A ponderação igualitária das ações garante que empresas de setores menores não sejam ofuscadas por empresas gigantes, como as de Big Tech.
Ao comparar essas duas medições em 22 de outubro, o resultado foi seriamente bizarro — tão estranho que havia acontecido apenas duas vezes antes nas últimas três décadas.
O índice principal, ponderado pelo valor de mercado, caiu 1,2%. Mas o índice de ponderação igualitária ganhou 0,5%. Desde 1995, essa enorme divergência entre as duas medições havia ocorrido apenas duas vezes antes: em 14 de abril de 1999 e em 30 de março de 2000, observou James Reilly, economista sênior de mercados da Capital Economics.
O que isso significa? Uma pista pode ser encontrada em outra coisa estranha que aconteceu naquele mesmo dia.
Também na quinta-feira, o rendimento dos Treasuries de 10 anos freou bruscamente e entrou em reversão, caindo abaixo de 5% e registrando a maior queda em um único dia desde 10 de março de 2023 — o dia em que o Silicon Valley Bank implodiu.
Assim, os investidores estavam retirando dinheiro da tecnologia e direcionando-o para os Treasuries e ações não tecnológicas em um ritmo histórico.
É um sinal de que a IA está deixando algumas pessoas em Wall Street um tanto nervosas.
Os títulos vinham caindo (e os rendimentos, como consequência, vinham subindo para máximas de várias décadas) por três razões principais:
A guerra no Irã provocou uma forte retomada da inflação, cortando o fornecimento mundial de petróleo e combustível e fazendo os preços dispararem.
Os investidores em títulos, diante da inflação em alta, passaram a exigir rendimentos maiores para compensar a parcela de seus investimentos que a inflação vinha corroendo.
Enquanto isso, a dívida dos Estados Unidos disparou para US$ 40 trilhões, e seu déficit orçamentário saltou para US$ 2 trilhões no último ano fiscal.
Políticos de todo o espectro político continuam a defender políticas populistas, incluindo redução de impostos e aumento de gastos, sem dar aos investidores qualquer esperança de que uma onda de responsabilidade fiscal tome conta de Washington em breve.
Isso significa que o Tesouro precisará continuar tomando empréstimos — em grande volume, inundando o mercado com títulos.
E os enormes investimentos em IA têm sustentado o crescimento econômico sustentado dos Estados Unidos nos últimos anos. Mas a infraestrutura necessária para alimentar a IA é cara — cerca de US$ 1 trilhão por ano e em crescimento.
As empresas de tecnologia estão captando enormes quantias de dinheiro de investidores, na forma de títulos, disputando a demanda por outras dívidas, incluindo os Treasuries.
Nada disso mudou fundamentalmente.
Na verdade, a guerra no Irã, a inflação e os problemas com a dívida podem estar prestes a piorar ainda mais. Os preços do petróleo estão nas máximas de quatro anos, e os preços dos combustíveis estão explodindo em algumas partes dos Estados Unidos.
E o presidente Donald Trump sinalizou que a custosa guerra no Irã está prestes a ganhar novo impulso após as eleições de meio de mandato.
Mesmo nesse cenário, os títulos do governo, que os investidores viraram as costas por meses, de repente voltaram a ser populares.
Recentemente, os investidores começaram a fazer perguntas sérias sobre a parte de IA desse tripé que vinha sustentando os rendimentos dos títulos. Essa perna instável da IA deixou as pessoas preocupadas.
E quando os traders ficam nervosos, eles correm para casa em busca de segurança. E o lar mais seguro do planeta oferece a segurança do dólar americano e dos Treasuries.
Se estamos no meio de uma mudança de paradigma, o ponto de virada pode ter começado com a CoreWeave.
A empresa neocloud, que aluga poder computacional para empresas de IA, é movida a dívida. Seus custos de empréstimo dispararam para impressionantes 15% no início deste mês, à medida que os investidores ficaram preocupados com suas perspectivas financeiras.
Isso supera em muito sua taxa de retorno sobre os investimentos.
Em outras palavras: a CoreWeave está perdendo muito dinheiro e pode não conseguir pagar sua dívida.
A CoreWeave pode ser um caso isolado — ou pode não ser. Uma reportagem do Wall Street Journal sobre o rascunho do pedido de IPO da Anthropic mostrou um prejuízo de quase US$ 81 bilhões no primeiro semestre de 2026 — no ritmo de superar o recorde do maior prejuízo anual já registrado por uma empresa de capital aberto (caso a Anthropic abra capital este ano).
A Meta informou que gastou US$ 2 bilhões a mais em caixa do que produziu no terceiro trimestre, fazendo suas ações despencarem 7% na quinta-feira.
Os balanços instáveis da IA levantaram questões sobre todo aquele esquema de financiamento circular que os investidores há muito questionam, mas que o setor e muitos traders varreram para debaixo do tapete.
Se cada empresa de tecnologia está investida em cada empresa de tecnologia, será que tudo isso não passa de um castelo de cartas altamente alavancado? E o que acontece quando uma dessas cartas cai?
Assim, alguns traders estão fazendo uma pausa para repensar o quanto Wall Street tem valorizado a IA — e se esses níveis de endividamento são sustentáveis.
“O que estamos vendo é uma volatilidade elevada em torno de algo que parece, se sente e cheira como uma bolha”, disse Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM US.
O que não está claro é por quanto tempo esse esfriamento da IA vai durar.
A Nasdaq está no meio de uma queda de 6% ao longo de duas semanas, mas já passamos por esse caminho antes, com investidores ficando nervosos em torno de temporadas de resultados passadas, temendo que as empresas de tecnologia estejam gastando demais com IA — apenas para reinvestir dinheiro em ações de IA quando algumas empresas reportam sinais de demanda sustentada.
E mesmo que a bolha da IA estourasse, isso não significaria necessariamente que a economia afundaria junto com ela, observou Reilly. Cada bolha financeira tem seu próprio caráter distinto.
Nos últimos anos, economistas descreveram a economia como estando em uma “recessão rotativa”, à medida que vários setores prosperaram e outros entraram em colapso, equilibrando-se mutuamente e impedindo que toda a economia entrasse em recessão.
Desta vez pode ser o mesmo. Ou diferente. Ninguém sabe.
Então o mercado ficou um pouco fora de controle. Os rendimentos dos títulos despencaram. E o mercado de ações fez algo que só aconteceu três vezes desde 1995.
Pode ser o início de algo — ou pode ser apenas mais um obstáculo no caminho.
O resultado do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu o mercado.
A resposta veio na operação dos ativos nesta segunda-feira (26): o dólar registrou a maior alta diária em 23 anos, os juros futuros tiveram alta de quase dois pontos e a Bolsa teve de paralisar suas operações na abertura do que foi o pior pregão desde a pandemia.
Por outro lado, chama atenção um desempenho que pode soar contraintuivo: na contramão, o VIX Brasil – indicador usado como “termômetro do medo” do mercado brasileiro – chegou a cair 40% ao longo do dia. No fim dos negócios, apurava perda de 38,59%.
A reeleição de Lula para um quarto mandato pode ter frustrado as expectativas do mercado financeiro e forçado o desmonte de posições construídas em torno da tese Flávio Bolsonaro. Mas o VIX apura que a volatilidade caiu. O choque inicial ainda deve ressoar pelos próximos dias, mas o mercado deve se assentar e voltar a se pautar em fundamentos e no noticiário, seja ele corporativo ou político.
“A forte reação do mercado nesta segunda-feira reflete o fato de que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva não estava totalmente precificada pela maior parte dos agentes financeiros. Nas semanas que antecederam o segundo turno, o Ibovespa registrou expressiva alta embalado pela expectativa de que Flávio Bolsonaro sairia vencedor”, observa Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
“Essa aposta fez com que muitos fundos e investidores institucionais se posicionassem de forma otimista para um cenário que acabou não se concretizando nas urnas, tornando o ajuste de preços não apenas previsível diante do choque de expectativas, mas também devido à urgência operacional no desmonte rápido das carteiras.”
Após o primeiro turno, o mercado viveu uma euforia que levou o Ibovespa a renovar recordes com a vitória parcial de Flávio. Comparando com a duração do primeiro movimento, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, afirma que o pessimismo ainda deve durar “por enquanto”.
“A lua de mel do otimismo do mercado financeiro no pós-primeiro turno durou uns 15 dias aproximadamente”, relembra.
O movimento imediato de queda – pelo que Nossig chama de “liquidação forçada de posições” – tende a perder força à medida que o “choque inicial” do resultado eleitoral é absorvido, explica a analista.
A volatilidade cai à medida que as eleições acabam e sabe-se concretamente quem será o próximo presidente. A incerteza não é anulada, de modo que o mercado deve seguir buscando pistas sobre qual vai ser a postura do petista em seu próximo governo.
A expectativa gerada em torno de Bolsonaro era movida pela esperança dos investidores em uma política fiscal mais rígida. Com Lula, espera-se continuidade de uma economia pautada no impulso com gastos públicos.
Mas os analistas ouvidos pela reportagem apontam que agora, antes de concretizar novas estratégias, o mercado deve esperar para observar o que será de fato sinalizado pelo governo. Desse modo, a Bolsa deve entrar em um período de oscilação tática e consolidação de preços.
Olivia Carneiro, economista e mestre pela Universidade de Chicago, ressalta que algum resquício de especulação eleitoral deve seguir nesse período de transição de mandatos. Com um Congresso mais à direita, o mercado deve fazer os cálculos sobre a governabilidade de Lula 4 e a continuidade – ou não – de medidas de impacto para a economia.
Nesse sentido, Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, pondera sobre o impacto inflacionário que algumas propostas devem ter no próximo ciclo – e consequentemente nas expectativas do mercado -, como o fim da escala 6×1. O analista coloca também na ponta do lápis o efeito que o El Niño pode gerar sobre o preço dos alimentos.
Para além disso, Carneiro vê um cenário global ainda com muitas incertezas – como os preços de energia, a guerra no Irã e crises de dívida, inflação e juros altos por diversos países -, fazendo o mercado ficar sem novos impulsos claros e evidentes para se movimentar.
Porém, mesmo com exterior desfavorável, o Ibovespa vem conseguindo colher espólios em 2026. Apesar da queda de 13,88% na ressaca da eleição, o principal indicador do mercado acionário brasileiro acumula alta de 10,32% no ano. Desde 2023, a alta é de mais de 60%.
Ainda assim, é consenso no mercado de que o ânimo dos investidores “vai depender da postura do Lula daqui para frente”, enfatiza Olivia Carneiro.
Construir credibilidade fiscal junto do mercado financeiro vai requisitar do presidente mais do que discurso, segundo Alex Agostini. Ele nota que “nada será suficiente” para os agentes econômicos sem a indicação de um nome forte e vindo de fora do Partido dos Trabalhadores para o Ministério da Fazenda.
A novo chefe da equipe econômica deverá ser alguém “técnico e pró-mercado”, resume.
“Para que haja trégua, precisa indicar nome forte à Fazenda. Não só ortodoxo, mas um aristocrata, que conhece as demandas do mercado financeiro e do setor privado. E para que a credibilidade seja duradoura, o governo vai ter de formar corpo junto do centrão para aprovar suas medidas”, pontua o economista-chefe da Austin.
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As empresas listadas na B3 perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira (26), em meio à forte queda das ações brasileiras após o resultado das eleições presidenciais.
O valor de mercado consolidado das companhias passou de R$ 5,684 trilhões na sexta-feira (23) para R$ 4,950 trilhões nesta segunda-feira, uma retração de 12,91%, segundo levantamento da Elos Ayta.
Os dados ainda mostram que o montante perdido pelas companhias listadas na B3 equivale a 98,4% do valor de mercado da maior empresa estatal do Brasil, a Petrobras.
A queda ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que vinham se posicionando para uma vitória de Flávio, especialmente após o senador liderar a apuração no primeiro turno.
No mesmo dia, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a recuar mais de 17%, em uma sessão marcada por forte volatilidade e pelo acionamento do mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas acentuadas.
A desvalorização ocorreu em um único pregão e reverteu os ganhos acumulados pelas companhias nas semanas anteriores, período em que a Bolsa vinha operando em patamares elevados.
A perda desta segunda-feira também reverteu a valorização acumulada pelas empresas brasileiras nas semanas anteriores, que operava em patamares elevados. Entre 2 e 23 de outubro, o valor de mercado consolidado da B3 havia avançado R$ 409 bilhões, passando de R$ 5,275 trilhões para R$ 5,684 trilhões.
Com a queda, esse ganho foi mais do que anulado. O valor de mercado das companhias ficou R$ 325 bilhões abaixo do registrado em 2 de outubro, no último pregão antes do primeiro turno das eleições.
Entre o encerramento de 2025 e a sexta-feira (23), o valor de mercado das empresas listadas na B3 havia crescido R$ 972 bilhões, passando de R$ 4,712 trilhões para R$ 5,684 trilhões.
Com a perda registrada nesta segunda-feira, 75,5% dessa valorização foi eliminada. Apesar do tombo, o valor de mercado consolidado da Bolsa permaneceu acima do registrado no fim de 2025.
O dólar disparou 8,36% frente ao real nesta segunda-feira (26), fechando a R$ 5,4066 e registrando a maior alta diária em 23 anos.
A moeda americana chegou a superar R$ 5,60 durante a manhã, mas desacelerou a alta ao longo do pregão. O avanço foi o maior desde 5 de março de 2003, quando o dólar subiu 10,4%.
O valor de fechamento ainda foi o mais alto desde 2 de janeiro deste ano.
O Ibovespa também registrou forte queda. O principal índice da bolsa brasileira recuou 13,88%, aos 176.608,23 pontos, na maior perda percentual diária desde 16 de março de 2020, quando caiu 13,92%, quando teve início a pandemia de Covid-19.
Durante o pregão, o índice chegou a cair mais de 17%, aos 169.516,43 pontos. A forte queda levou ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte oscilação.
Os juros futuros também dispararam após o petista superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. As taxas dos contratos de DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam em alta, superior a 250 pontos-base em alguns vencimentos.
O movimento reflete um ajuste em relação às quedas registradas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, além das preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.
*Com informações da Reuters