PSD entregou proposta de alteração ao OE2027 para travar cortes nas transferências para as freguesia

O PSD já entregou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2027 para garantir que nenhuma freguesia receba no próximo ano um montante inferior ao deste ano. O objetivo é impedir que 210 freguesias tenham um corte no financiamento, na sequência da aplicação das regras de distribuição das verbas.
“Viemos a verificar que, de acordo com os critérios legais, algumas freguesias iriam ter, em 2027, uma receita inferior à que tiveram em 2026. Sei que o grupo parlamentar do PSD já apresentou uma proposta para corrigir esse défice e garantir que nenhuma freguesia terá em 2027 menos orçamento do que em 2026”, disse o ministro da Economia, no final da audição no Parlamento, no âmbito da discussão na especialidade da proposta de OE2027.
A proposta de alteração incide sobre o artigo 80º que regulamenta os montantes da participação das autarquias locais nos impostos do Estado e sugere que passe a estar determinado que “a distribuição do Fundo de Financiamento das Freguesias (FFF) assegura, para cada freguesia, um montante mínimo igual ao do ano anterior”. Na proposta que foi aprovada na generalidade na quarta-feira a formulação diz que “excecionalmente, o montante distribuído para efeitos do n.º 4 do artigo 35.º da Lei n.º 73/2013, de 3 de setembro, assume em 50% a natureza de transferência de capital”.
Para garantir que existe cabimento orçamental para esta medida o PSD propõe que o montante global da subvenção geral para as freguesias seja fixado em 441.843.758 euros contra os atuais 440.108.037 euros. Estes 440 milhões correspondem a um aumento médio de 8,2%, mas o valor que cada autarquias vai receber é variável.

A situação foi denunciada pela Anafre, a 12 de outubro, explicando que com a redação inscrita na proposta do OE/2027 cerca de 210 freguesias, devido a alterações nos critérios e métodos de distribuição das verbas, teriam menos dinheiro no próximo ano. “Nas freguesias como a minha, que tem um corte de 9%, vamos ter de lidar com todos estes aumentos e ainda com um corte de 9%. E há uma freguesia, inclusive, que leva um corte de 21%”, disse então à Lusa o presidente da Anafre, Francisco Branco de Brito, também presidente da União das Freguesias de Évora.
O secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, na mesma audição, na quinta-feira, explicou que a distribuição do Fundo de Financiamento das Freguesias “resulta precisamente daquilo que foi negociado com a Associação Nacional de Freguesias e da aplicação direta da lei”. “O que está na lei das finanças locais é a distribuição dos 2,5% e foi isso que foi distribuído”, disse, sublinhando que não está na lei um aumento de 3,5% do FFF, como sugere a Anafre.








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