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Droga. Suspeito de tráfico de 17 anos detido junto a escola

Para além do jovem detido por tráfico de droga, com 11,88 gramas de haxixe em seis doses, foi identificado um outro jovem, também de 17 anos, por suspeita de consumo de estupefacientes.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A detenção aconteceu quando os polícias detetaram um grupo de pessoas "a consumir substâncias estupefacientes na via pública"
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Bulos, refuerzo policial y comerciantes en alerta por altercados en Madrid: “Hay preocupación, pero nos dicen que no hay que alarmarse”

La policía no baja la guardia ante la posible réplica de los graves altercados de Barcelona del 24 de octubre, que se saldaron con 130 detenidos, muchos menores, y numerosos daños en comercios, mobiliario y vehículos. Se trató de una protesta anónima convocada por las redes sociales bajo el nombre de Blocus que reunió a medio centenar de jóvenes que se dedicaron al pillaje y a la guerrilla urbana. La policía monitoriza desde entonces una posible segunda convocatoria para este sábado 31 de octubre en Madrid, en la zona centro. Supuestamente, este llamamiento se ha anulado, pero tanto la Policía Nacional como la Municipal mantienen el despliegue previsto que incluye un operativo de 200 agentes de Unidad de Intervención Policial (antidisturbios) en el centro y 1.700 policías municipales en diferentes puntos de la ciudad y en el transporte urbano.

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© Rodrigo Jimenez (EFE)

Agentes de la Policía Nacional desplegados hace 11 días en Madrid.
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França. "Quem quer revolução é vítima de si próprio"

Major General Arnaut Moreira avisa que o colapso da polícia em França abre caminho para a revolução. Afirma ainda que a busca por igualdade fomenta nos revolucionários vítimas da sua própria revolta.

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Operação "Todos os Santos" da GNR nas estradas até domingo

Operação visa reduzir a sinistralidade, garantir a fluidez do trânsito e apoiar todos os utentes das vias no dia de "Todos os Santos", quando muitas pessoas se deslocam até aos cemitérios.

© SOPA Images/LightRocket via Gett

A GNR avisa que durante o período da operação está prevista uma grande intensidade de tráfego rodoviário e, por isso, recomenda aos automobilistas uma condução prudente
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Após denúncia de estupro, jovem vira alvo de ataques na Bahia

A família de uma jovem, de 19 anos, moradora de Rio Real, no norte da Bahia, vem tentando provar que ela foi estuprada pelo chefe, um empresário, de 46 anos, que está preso desde o dia 17 de outubro. A garota era funcionária do homem. Embora Adeilson Bomfim Barros e Silva permaneça detido por força de um mandado de prisão preventiva, a mãe da jovem, a recepcionista Jucineide Silva Araújo, 38, afirma que o caso está longe de ser resolvido, já que a filha vem sofrendo retaliação na cidade.Segundo ela, o fato piorou após a divulgação de um vídeo em que a suposta vítima aparece em uma situação amistosa com o empresário e saindo da empresa com ele, durante o turno de trabalho. O registro teria sido feito no mesmo dia em que o crime foi noticiado no Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (NEAM) de Rio Real. A imagem foi publicada nas redes sociais e segue sendo compartilhada. O crime teria ocorrido no dia 9 deste mês, nas dependências da empresa de Adeilson, a GM Solution, onde a jovem trabalhava desde abril como consultora de venda. Além dos registros feitos pelas câmeras de segurança da própria empresa, imagens de outro estabelecimento comercial, onde suspeito e a jovem teriam ido, na manhã do dia do fato, também está sendo compartilhada. "Hoje, mesmo, a gente foi na delegacia, prestou queixa novamente. Porque estão repostando o vídeo e difamando ela [vítimas]. Na verdade, estão acabando com ela. Não posso falar sobre o vídeo", explicou Jucineide.O que conta a mãe Em conversa com o A TARDE, Jucineide contou que a filha recebeu uma proposta de emprego por parte de Adeilson por meio de uma rede social. "Ele mandou convite no Instagram, ela aceitou e ele falou que tinha uma proposta de emprego pra ela. E aí foi onde ela começou a trabalhar. Tinha cinco meses que ela  estava trabalhando nessa empresa”, lembrou a senhora. Ela relembra que, no dia do fato, recebeu uma ligação do namorado da filha pedindo que ela fosse até a empresa porque havia acontecido alguma coisa com a jovem. "O namorado da minha menina me ligou. Aí falou assim: ‘olhe, vá no trabalho de Renata* [nome fictício], está acontecendo algo muito estranho, ela me ligou desesperada e me chamou’. Larguei meu emprego e fui até o emprego dela. Quando eu cheguei lá, estava fechado”, contou. Câmeras de segurança de estabelecimento comercial teria registrado carro do suspeito com vítima dentro - Foto: Reprodução “Bati, bati, bati na porta, ninguém me atendeu. Quando eu olhei na frente, procurei a moto dela e não estava. Ela foi pra casa. Quando cheguei em casa, ela me contou que ele tinha abusado dela”, completou.Após a situação, mãe e filha foram à Neam registrar ocorrência. Na delegacia, elas foram encaminhadas a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Depois foram orientadas a ir ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) em Alagoinhas para fazer exame de corpo de delito. Investigação segue em cursoA delegada Débora Ferro, titular da Neam, apura o crime. Ao A TARDE, ela explicou que o caso segue sob investigação e, inclusive, aguarda a análise do vídeo que está sendo compartilhado nas redes. O material já foi juntado aos autos do inquérito policial."Quer revitimizar mais ainda a vítima. Ser mulher não é fácil", afirmou a delegada ao ser questionada sobre o teor do vídeo. Ainda de acordo com Ferro, além do estupro, o empresário é investigado também pelo crime de importunação sexual contra outra funcionária. “Tem mais uma outra [funcionária] também que foi vítima. Por enquanto, só essas duas. Possivelmente tem mais vítimas. Mas o pessoal também tem medo, vergonha de denunciar e não compareceu ainda”, avaliou a delegada, ao revelar que encaminhou relatório ao Ministério Público do Estado (MP/ BA) e aguarda denúncia. Nesta quinta-feira, 29, Adeilson foi encaminhado ao Conjunto Penal de Feira de Santana (CPFS), após seu defensor, Ricardo Almeida, ter negado o pedido de revogação da prisão preventiva. Outra acusação A jovem Luiza Oliveira, de 20 anos, acusa o empresário de importunação sexual. Sem temer represália, ela procurou a polícia para denunciar o fato após saber o que tinha acontecido com a outra funcionária. Ela trabalho com o homem por 15 dias. "Inicialmente, ele entrou em contato comigo para a gente fazer entrevista de emprego. No início, eu estranhei um pouco porque ele falava mais sobre a vida dele do que do trabalho em si. No terceiro dia de treinamento, no dia que aconteceu o ocorrido, ele me pediu um "Ele viu que eu não ia me levantar, então me puxou pelo meu braço e começou a me alisar, me apalpar, me beijar no pescoço, tentou beijar meus seios, colocar a mão dentro da minha calça, tentou introduzir a mão na frente. Nessa hora, eu tenho um alarme que é programado todo dia para o mesmo horário, que é o horário que eu tomo meu remédio, tocou, ele se assustou e me soltou. Peguei minhas coisas e fui embora”, relembrou a moça. Outra ex-funcionária de Adeilson, Marta Reis, também conversou com o A TARDE. Ele revelou que, embora não tenha sido vítima de nenhum crime sexual, está sofrendo represália na cidade e nas redes sociais pelo simples fato de ter apoiado as colega colega, com quem trabalhou por dois meses. "O próprio Adeilson disseminou que eu estou por trás de tudo isso. Nesse caso, não sou vítima do fato, nem de tentativa. Entro na história por ser amiga dela [Renata*]. Quem me conhece sabe que sempre levanto causas feministas e não me calaria, acontecendo do meu lado", afirmou ela, revelando que também já registrou ocorrência na delegacia. Leia Também: POLÍCIA Suspeito de atear fogo na namorada grávida é preso três dias após crime na Bahia SAIBA QUAIS SÃO OS BAIRROS Ônibus param de circular em dois bairros de Salvador após situações de violência DECISÃO JUDICIAL Policial civil espancado por PMs no carnaval receberá R$ 100 mil de idenização O que diz a defesa de AdeilsonPor meio de nota, o advogado Ricardo Almeida afirmou que, por se tratar de um procedimento que tramita sob segredo de Justiça, não irá se manifestar sobre as acusações. Ele ressaltou ainda que seu cliente está preso inocentemente em decorrência de uma falsa acusação.Almeida também questionou a manutenção da prisão preventiva do empresário e declarou que a medida contraria os princípios constitucionais da presunção de inocência e da excepcionalidade da prisão cautelar. Segundo ele, não cabe ao acusado provar sua inocência para responder ao processo em liberdade. "Surgiram provas audiovisuais que demonstram, de forma clara, que a versão apresentada pela acusação não corresponde ao que de fato aconteceu. Ainda assim, entendeu-se que o acusado deve permanecer preso enquanto se verifica a idoneidade desse material. A dúvida, que no processo penal deve favorecer o réu, está sendo usada contra ele", reafirmou o advogado."Enquanto isso, um homem que nunca havia sido preso suporta o constrangimento ilegal de uma prisão injusta. A defesa confia que o Judiciário saberá corrigir esse equívoco e seguirá adotando todas as medidas cabíveis para restabelecer a liberdade de seu cliente", concluiu.

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2h. Polícias ameaçam regressar aos protestos

Depois de mais de mil agentes se terem manifestado em Lisboa, polícias ameaçam novos protestos se Governo não avançar com propostas. Ainda, escolas privadas continuam a liderar os rankings do ensino.

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Suspeito de atear fogo na namorada grávida é preso três dias após crime na Bahia

O jovem de 18 anos suspeito de atear fogo na própria namorada, em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, foi preso nesta quinta-feira, 29 três dias após o crime. A vítima, identificada como Paloma da Silva Gomes, de 21 anos, está grávida e permanece internada em estado grave.O suspeito, Saymon Santos Silva, estava sendo procurado pela polícia desde segunda-feira, 26, quando ocorreu a agressão. Ele se apresentou espontaneamente em uma delegacia, acompanhado de um advogado, onde foi cumprido o mandado de prisão que havia sido expedido contra ele.Saymon permaneceu em silêncio durante o depoimento. Ele está à disposição da Justiça e deverá passar por audiência de custódia nos próximos dias.Vítima descobriu gravidez durante internaçãoPaloma está internada no Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, após sofrer queimaduras de segundo e terceiro graus em aproximadamente 30% do corpo.A gravidez foi revelada pela jovem aos médicos e familiares durante a internação. Segundo a família, ela já passou por procedimentos cirúrgicos e continua em estado grave, sem previsão de alta. Leia Também: SAIBA QUAIS SÃO OS BAIRROS Ônibus param de circular em dois bairros de Salvador após situações de violência DECISÃO JUDICIAL Policial civil espancado por PMs no carnaval receberá R$ 100 mil de idenização POLÍCIA Homem descumpre medida protetiva e agride ex-mulher na Estrada das Barreiras Crime aconteceu quando jovem tentava deixar relacionamentoA tentativa de feminicídio ocorreu na segunda-feira, 26, no bairro Morada Real, em Vitória da Conquista. De acordo com familiares, Paloma estava arrumando as malas para deixar a casa onde vivia com o namorado quando foi atacada.Segundo a irmã da vítima, Letícia da Silva, o suspeito jogou um líquido inflamável nas costas da jovem e, em seguida, utilizou um isqueiro para provocar as chamas.“Foi pelas costas. Jogou álcool de posto de gasolina. Ela pensou que era água, ele pegou o isqueiro e jogou fogo nela. Ela falou que teve que se socorrer sozinha. Só com o segundo balde de água que apagou o fogo. A roupa ficou toda grudada no corpo”, relatou Letícia.Mesmo ferida, Paloma conseguiu tentar apagar o fogo por conta própria. Inicialmente, ela foi socorrida para o Hospital Geral de Vitória da Conquista, mas precisou ser transferida para Salvador devido à gravidade das lesões.Família relata histórico de agressõesPaloma e Saymon mantinham um relacionamento havia pelo menos um ano. Segundo familiares, a jovem vivia uma relação abusiva e já havia sofrido agressões físicas anteriores atribuídas ao suspeito.O caso é investigado como tentativa de feminicídio.

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Ônibus param de circular em dois bairros de Salvador após situações de violência

Moradores de dois bairros de Salvador ficaram sem transporte público nesta quinta-feira, 29, após episódios de violência e protestos que comprometeram a circulação dos ônibus. A suspensão do serviço atingiu Mirantes de Periperi, no Subúrbio Ferroviário, e Vale das Pedrinhas, no Complexo do Nordeste de Amaralina.De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), a falta de condições de segurança impossibilitou a continuidade da operação nas duas localidades.Em Mirantes de Periperi, os ônibus foram impedidos de acessar o terminal, enquanto os veículos que já estavam no local não conseguiram sair devido a uma manifestação de moradores. O protesto ocorreu após uma ação policial que terminou com um homem morto e outro preso.Já no Vale das Pedrinhas, a circulação foi interrompida em meio a novos episódios de violência na região. O bairro havia enfrentado recentemente quatro dias consecutivos sem ônibus, também por questões de segurança.Entenda o que aconteceu em cada bairroMirantes de Periperi: morte em ação policial provoca protestoUma operação policial realizada na tarde desta quinta-feira, 29. terminou com um homem morto e outro preso em Mirantes de Periperi. A vítima, identificada como Reginaldo, foi baleada durante a ação e encaminhada ao Hospital do Subúrbio, mas não resistiu aos ferimentos.Na mesma operação, Nerisvaldo Jesus de Macedo foi preso em flagrante. Segundo informações preliminares, ele já havia sido detido em 2023, em uma ocorrência que resultou na apreensão de drogas e três fuzis.Após a intervenção policial, moradores bloquearam o acesso ao bairro com pneus e outros objetos incendiados. A manifestação provocou congestionamento e impediu a entrada e saída dos ônibus.Equipes da 18ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foram acionadas para auxiliar na liberação da via, enquanto o Corpo de Bombeiros atuou no controle das chamas. Leia Também: MAIS SAÚDE BYD e Governo da Bahia se unem para concluir Hospital dos Olhos da OSID DECISÃO JUDICIAL Policial civil espancado por PMs no carnaval receberá R$ 100 mil de idenização VLT NO FERIADÃO VLT funcionará durante feriadão; confira horários Vale das Pedrinhas: homem é baleado durante confronto com a PMNo Complexo do Nordeste de Amaralina, um homem foi baleado na perna durante uma troca de tiros com policiais militares na tarde desta quinta-feira (29), na localidade conhecida como Campo do Natureza.Segundo o tenente-coronel Batalha, equipes do 30º Batalhão de Polícia Militar (BPM) realizavam incursões na região quando foram recebidas a tiros por suspeitos. Os militares reagiram e, durante o confronto, um dos homens acabou ferido.O suspeito foi socorrido pelos próprios policiais e levado ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde recebeu atendimento médico.Durante a ocorrência, foram apreendidas drogas e um carregador de pistola calibre 9 mm. A arma que teria sido utilizada no confronto não foi encontrada.

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1h. Benfica vence Gil Vicente e chega à final four da Taça

O Benfica junta-se a Sporting, FC Porto e Famalicão na final four da Taça da Liga. Ainda, polícias prometem voltar aos protestos se o Governo não apresentar propostas de valorização salarial.

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Não devíamos precisar de capacetes

Lembro-me dos capacetes. Eram de construção civil, pintados com as cores dos nossos cursos. Levávamo-los para as manifestações porque já sabíamos que podíamos precisar de proteger a cabeça. Alguns partiram-se sob os bastões da polícia.

As imagens das intervenções policiais nos protestos pela habitação, em Lisboa e no Porto, fizeram-me regressar aos anos 90. Fui dirigente da Associação Académica de Coimbra, com o pelouro da Cultura, aparentemente mais pacífico, e participei no movimento estudantil contra as propinas durante os governos de Cavaco Silva. Entre outras aprendizagens, tornámo-nos especialistas na fuga e na corrida. Uma competência que não devia fazer parte da formação cívica de ninguém.

É fácil reduzir aquela luta ao «Não pagamos!». Mas a questão era maior do que uma propina. Estava em causa quem podia estudar, pagar um quarto, alimentar-se e passar vários anos sem ganhar dinheiro. Contestávamos um sistema em que as oportunidades continuavam demasiado dependentes dos meios da família.

Hoje, reconheço uma inquietação semelhante na luta pela habitação: estudar, trabalhar, cumprir o que se espera e, ainda assim, não conseguir construir uma vida autónoma. As épocas são diferentes. A sensação de encontrar uma porta fechada é familiar.

Não estou nas acampadas. A minha vida e as minhas circunstâncias são outras. Não conheço todos os participantes nem subscrevo necessariamente as suas propostas. Mas não preciso de estar numa manifestação para defender o direito de quem lá está. Seria incoerente ter exigido esse direito para mim e relativizá-lo agora porque já não sou eu a precisar de o exercer.

O direito à manifestação não depende de concordarmos com a mensagem, o método ou o incómodo que provoca. Numa democracia, protestar é tornar visível um conflito que as instituições ainda não resolveram. Inclui ocupar o espaço público, perturbar rotinas e exigir atenção. Os limites existem quando estão em causa outros direitos ou há violência concreta, não quando o protesto se torna inconveniente.

A polícia invoca ordens de dispersão desobedecidas. Os manifestantes denunciam violência. Importa esclarecer os factos e apurar responsabilidades. Mas uma ordem desobedecida não dispensa a pergunta essencial: era necessária a força usada? Era adequada ao risco? Foi limitada ao indispensável? A proporcionalidade não é um detalhe técnico. É o princípio que impede que a desobediência seja tratada como autorização para qualquer resposta.

A autoridade policial não se mede apenas pela capacidade de dispersar uma multidão. Mede-se também pela capacidade de distinguir resistência, desobediência, ameaça e violência, de escolher a resposta menos lesiva e de justificar a sua necessidade. Quanto maior o poder de usar a força, maior o dever de explicar o seu uso.

Não defendo agressões, destruição ou intimidação. Os polícias têm direito à segurança e quem pratica violência deve responder pelos seus atos. Mas quem exerce a força em nome do Estado tem uma responsabilidade acrescida. Proteger agentes e manifestantes não são objetivos incompatíveis. Uma polícia profissional deve conseguir fazer ambas as coisas sem transformar uma manifestação inteira num alvo.

Lembro-me também dos protestos dos bombeiros junto ao Parlamento, perto do meu local de trabalho. Do fogo, da circulação condicionada, da tensão. Não pretendo equiparar operações diferentes, mas pergunto que critérios justificam respostas policiais tão distintas. Esses critérios devem ser objetivos, públicos e compreensíveis. E quando a força é usada, deve haver fiscalização independente e consequências se os limites forem ultrapassados. Sem isso, a confiança transforma-se em obediência por medo.

Uma manifestação incomoda. Ocupa espaço, interrompe rotinas e obriga a olhar para um problema. Esse incómodo faz parte da democracia. A ordem pública não pode ser confundida com silêncio, nem a normalidade do trânsito ou do comércio valer mais do que a liberdade de expressão e de reunião. Manter a ordem é permitir que os direitos coexistam, não eliminar o que mais perturba.

A habitação exige decisões económicas difíceis, investimento e políticas eficazes. Exige também confiança nas instituições. Uma confiança que enfraquece quando a resposta a um problema social passa a ser dominada por imagens de bastões e pessoas feridas, sem explicações convincentes sobre a necessidade da intervenção e os limites da força utilizada.

A minha geração teve voz. Esta também merece ser ouvida. Não tenho de concordar com tudo o que diz para defender que possa dizê-lo, de forma pacífica e sem medo. Nem tenho de aceitar qualquer comportamento para exigir que a resposta do Estado seja necessária, adequada e proporcional.

Há mais de trinta anos, levávamos capacetes para uma manifestação. Não devíamos precisar de voltar a fazê-lo.

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Vereadora do Paraná é investigada por declarações contra nordestinos

A vereadora Salete Kronbauer (PP), de Nova Santa Rosa, no Oeste do Paraná, provocou polêmica após declarações contra nordestinos e baianos durante uma sessão da Câmara Municipal, na segunda-feira (26/10), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu não quero mais ver um nordestino, um baiano, vindo aqui na nossa cidade”, afirmou a parlamentar na tribuna.

Durante o discurso, Salete criticou eleitores de Lula, associou o resultado das eleições ao recebimento de benefícios sociais e chegou a defender uma divisão territorial do Brasil. A vereadora também mencionou possíveis cortes em programas sociais e afirmou que eleitores poderiam enfrentar dificuldades para conseguir alimentos.

Após a repercussão, Salete divulgou uma nota de retratação, reconheceu que suas declarações foram inadequadas e pediu desculpas. A manifestação ocorreu depois que o vídeo da sessão circulou nas redes sociais e gerou críticas de parlamentares e entidades.

O Ministério Público do Paraná solicitou a abertura de um inquérito, instaurado pela Polícia Civil, para investigar possíveis crimes de discriminação e preconceito. O caso também motivou uma representação que pede a cassação do mandato da parlamentar. A Câmara Municipal de Nova Santa Rosa deve analisar o pedido nos próximos dias.

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