Recém-separada de Vini Jr, Virginia Fonseca vem mostrando aos seus mais de 56 milhões de seguidores como anda a vida de solteira.
Após passar uns dias em Miami (e registrar visitas a lojas badaladas, passeios de barco, dançando com notas de dólares penduradas ao seu corpo), ela agora está em Nova York, onde se vestiu de coelhinha para uma festa de Halloween na noite desta sexta (30).
Virginia Fonseca curte festa de Halloween em Nova York
Virginia aparece de corpo inteiro, em imagens horizontais e verticais, em close, e também deitada em uma cama (com um produto de sua empresa, a Wepink estrategicamente posicionado ao lado). A festa de música eletrônica Circoloco, no Brooklyn, era o destino da influenciadora.
Suas fotos acumulam mais de 1,5 milhão de visualizações e 22 mil comentários, um deles do jogador brasileiro Kauã Elias, que hoje atua no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.
Jogador comenta publicação de Virginia
Kauã deixou dois emojis nos comentários: um rosto suspirando e outro com olhos de coração. Virginia passou a segui-lo minutos depois.
Kauã Elias deixou dois emojis nos comentários | Foto: Reprodução
A Turquia planeja emplacar uma meta global para aumentar a eletrificação na COP31, a conferência das Nações Unidas sobre mudança climática que acontecerá no país em novembro. Entretanto, não está claro se as fontes renováveis devem liderar a expansão.
O objetivo é consumir 35% da energia mundial na forma de eletricidade até 2035, um salto em relação aos 23,4% registrados no ano passado. Esse deve ser um dos grandes temas da cúpula na cidade de Antália, embora o tema não faça parte da agenda de negociações entre quase 200 países.
O assunto integra a chamada Agenda de Ação, coordenada pela presidência turca da conferência, que reúne ações voluntárias do setor privado. Em formato inédito na história das COPs, a Austrália irá chefiar a parte diplomática do evento.
Combustíveis fósseis ainda dominam a geração de eletricidade
Mais da metade da eletricidade produzida no planeta em 2025 teve origem nos combustíveis fósseis, os principais causadores do aquecimento global: o carvão forneceu 33,6%, e o gás natural, 21,3%. A fonte hidráulica ocupa a terceira posição, com 14%, seguida por nuclear (8,9%), eólica (8,4%) e solar (8,3%).
Umit Sahin, chefe do Programa de Mudanças Climáticas do Centro de Políticas de Istambul, diz que a meta da COP31 não deve abrir espaço para países aumentarem o uso de energia nuclear ou gás natural.
“É preciso deixar evidente que o compromisso de eletrificação serve para estimular o abandono gradual, justo e ordenado dos combustíveis fósseis”, afirma.
Taha Arvas, diretor-geral da Epias, a operadora do mercado de energia da Turquia, diz que a redução de preço ajudou a impulsionar as renováveis, mas argumenta que ainda não é possível ter segurança energética sem fósseis.
“A população não se importa com as metas de carbono, ela quer eletricidade”, diz. “Se não há eletricidade, ninguém quer saber das desculpas: se o sol não brilhou, se não choveu ou ventou o suficiente.”
Turquia mantém dependência de combustíveis fósseis
A queima de combustíveis fósseis | Foto: AFP
Rodeada pelas guerras na Ucrânia e no Irã, a Turquia importa 95% do gás natural e 65% do carvão que consome. Apesar do aumento das renováveis, que respondem por 56% da geração nacional de energia, as emissões de gases-estufa do setor energético duplicaram de 2000 a 2024, devido à expansão da demanda.
O país tem a meta de se tornar neutro em carbono até 2053 e alcançar 120 GW (gigawatts) de renováveis até 2035, partindo dos 43 GW atuais. Entretanto, não há um plano doméstico para reduzir o uso de carvão.
“Somos agnósticos quanto ao tipo de energia negociado em nosso mercado, mas acreditamos que, se ele for eficiente e transparente, a adesão às energias renováveis continuará crescendo”, afirma Arvas.
Sahin diz que a presidência turca tenta reduzir a dependência de fósseis pelo lado da demanda, ao estimular a eletrificação, e que o tema estava ausente da agenda das COPs. “O país é bastante conservador ou tradicional na política doméstica. Na política internacional, é progressista quando o assunto é eletrificação”, afirma.
Ozlem Katisoz, coordenadora para a Turquia no braço europeu da Climate Action Network, uma das principais organizações de clima, afirma que a sociedade civil pressionará pela inclusão de renováveis na meta. “Será um dos grandes focos, visto que as presidências da Turquia e da Austrália querem priorizar a eletrificação na COP.”
Alkim Bag, diretora do Centro de Transição Energética Shura, sediado em Istambul, diz que o assunto é relevante em nível internacional e também para o país-sede da conferência.
“A Turquia chegou a um marco importante na descarbonização da oferta, mas, em termos de eletrificação, não avançamos muito: há vários anos, a taxa permanece em torno de 22%”, afirma.
Fontes poluentes lideram a geração de eletricidade no país, com 33% vindos do carvão e 23% do gás natural em 2025. “Propusemos a eletrificação para reduzir os combustíveis fósseis, e essa ligação deveria estar mais explícita.”
Brasil defende eletrificação baseada em renováveis
A eletrificação da energia no Brasil | Foto: Divulgação
No Brasil, o índice de eletrificação da energia em 2025 foi de 20,9%, e 86,6% da eletricidade nacional vem de renováveis, segundo a Empresa de Pesquisa Energética.
Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética, diz que o debate sobre a eletrificação precisa incluir indústrias e avançar para além de carros elétricos.
“Na realidade brasileira, só faz sentido a eletrificação passar de 20,9% para 35% se for com renováveis e se isso se traduzir em ganho de competitividade para a economia”, afirma. “A gente não precisa fazer por fazer.”
Santos diz que a tensão geopolítica atual é um dos motivos para a Turquia priorizar essa pauta: “Eles escolheram um tema em que tem algum tipo de convergência, onde é possível ter alguma conversa”.
Roteiro para reduzir uso de fósseis segue em discussão
Por enquanto, não há sinal de discussões sobre petróleo em Antália. A presidência brasileira da COP30, realizada em Belém (PA) em 2025, deve divulgar nas próximas semanas o roteiro para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
O documento sofreu resistência de países petroleiros e acabou excluído do acordo da cúpula na Amazônia.
Sahin diz que a Turquia e a Austrália têm a responsabilidade de elevar a importância do roteiro e continuar os trabalhos. “A transição para o fim dos combustíveis fósseis é benéfica para a economia turca, principalmente por reduzir a dependência de importações e mitigar o impacto da alta dos preços de petróleo e gás.” (Gabriel Gama/FOLHAPRESS)
Em 5 de dezembro do ano passado, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, declarou ao canal oficial do clube no Youtube: “Se eu tiver que gastar R$ 1 bilhão para continuar ganhando a p… toda, eu posso gastar”. Passado um ano, a realidade é totalmente diferente. O dirigente mudou a rota, adotou um discurso “pés no chão” e planeja 2027 sem altos gastos, rechaçando compras e mirando jogadores livres no mercado.
O recado foi dado na reunião do Conselho Deliberativo ocorrida nesta semana. Na ocasião, admitiu erros na gestão que levaram à previsão do clube fechar o ano no vermelho com um déficit de R$ 40 milhões, ao contrário dos R$ 180 milhões e superávit previstos.
Flamengo prioriza jogadores livres no mercado
A estratégia de mercado do ano que vem é trazer jogadores livres de mercado seduzindo-os com as propostas salariais. Bap acredita que muitos clubes passarão por dificuldades financeiras em função do veto do Governo Federal às bets, algo que irá forçar uma readequação orçamentária às agremiações que não estão estabilizadas.
Ainda na reunião, o presidente do Flamengo admitiu que terá que vender atletas para compensar o prejuízo deste ano. O dirigente justificou o déficit e citou o negócio desfeito de Plata ao Dínamo de Moscou, transação que renderia R$ 60 milhões. Bap destacou também a venda não realizada dos naming rights do Maracanã e a compra milionária de Lucas Paquetá (R$ 315 milhões) no início do ano.
Desempenho esportivo também pesou nas contas
Outro ponto que contribuiu para o Flamengo fechar o ano no vermelho foi o desempenho esportivo. O clube foi vice na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, foi eliminado de maneira precoce na fase de segundo avos da Copa do Brasil e caiu nas semifinais da Libertadores.
Bap quer atingir 45 milhões de euros (R$ 272 milhões) em vendas de jogadores, algo que, em sua concepção, vai equilibrar as contas.
Na ocasião da reunião do Conselho Deliberativo, o ex-presidente Rodolfo Landim criticou a administração da temporada e se apresentou como um opositor que promete ser uma “pedra no sapato” de Bap durante sua gestão. (Alexandre Araujo/Bruno Braz/FOLHAPRESS)
Fenômeno das redes sociais, a cozinheira italiana Silvana Bini, conhecida como Nonna Silvi, morreu aos 85 anos na madrugada deste sábado (31), em sua casa em Montespertoli, na província de Florença.
Silvana começou a viralizar aos 81 anos, quando seu neto Gabriele resolveu gravar vídeos da avó preparando receitas tradicionais de seu país e passou a publicá-los nas redes sociais.
O jeito espontâneo de conversar, as brincadeiras e as broncas que dava em quem sugeria fazer modificações no preparo dos pratos típicos da Toscana transformaram Silvana em uma celebridade digital, com mais de 4 milhões de seguidores no Instagram.
Reconhecimento nas redes sociais
O reconhecimento também veio com premiações. Em 2025, recebeu o título de Criadora do Ano no TikTok Awards. Em maio de 2026, participou como jurada do programa Celebrity Chef, apresentado por Alessandro Borghese.
Família anuncia morte
A morte de Nonna Silvi foi anunciada de forma tocante por seus familiares no Instagram na manhã deste sábado (31). “A essa hora você não viu mais nossos vídeos. A razão é uma doença súbita que, em apenas vinte dias, levou a avó Silvi”, começava o texto, publicado no perfil da influenciadora.
Na mensagem, escrita por um de seus netos, seus seguidores são informados que ela morreu em casa, “rodeada pelo amor da sua família, com os filhos e netos ao seu lado, até ao seu último suspiro”. Silvi, ainda de acordo com o post, permaneceu lúcida até o fim.
“Boa viagem, vovó. Ensina a fazer doces mesmo lá em cima”, termina o texto de despedida.
Celebrado neste sábado (31), o Dia Mundial da Poupança pode ser uma oportunidade para observar o espaço que a caderneta ainda ocupa nas finanças dos brasileiros.
Mesmo com a concorrência de aplicações de renda fixa que podem oferecer retornos maiores, a poupança concentrava R$ 952,9 bilhões em recursos de investidores do varejo tradicional e do varejo alta renda em agosto de 2026, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
A permanência desses recursos na poupança está relacionada a fatores que envolvem tradição, familiaridade e percepção de segurança.
“O brasileiro tem um apego emocional à poupança. Ela faz parte da tradição financeira e transmite uma sensação de segurança, simplicidade e facilidade de acesso ao dinheiro”, afirma Adriana Vieira, planejadora financeira pela Planejar.
Juliana Daitx, coordenadora de investimentos da Unicred Porto Alegre, diz que a decisão de manter dinheiro na caderneta tem mais relação com o comportamento do que com a matemática.
“A poupança ainda é a principal referência e o primeiro investimento da maioria dos brasileiros e, querendo ou não, se torna um investimento tradicional”, diz.
Segundo Daitx, a liquidez, a isenção de Imposto de Renda e a ausência de decisões sobre prazo, indexador ou emissor também contribuem para que os recursos permaneçam na aplicação por anos.
Juros elevados aumentam custo de oportunidade
Em um cenário de juros elevados, porém, deixar o dinheiro na poupança pode representar um maior custo de oportunidade. Quando a taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial), enquanto aplicações como CDBs e títulos públicos pós-fixados podem acompanhar mais diretamente os juros do mercado.
“Com juros elevados, o custo de oportunidade de manter recursos na poupança aumenta”, afirma Adriana. Segundo ela, aplicações conservadoras podem oferecer retornos superiores mesmo depois de descontado o Imposto de Renda, embora a comparação deva considerar também a liquidez e os riscos de cada alternativa.
A poupança é isenta de IR para pessoas físicas, enquanto CDBs e outros investimentos tributáveis têm cobrança sobre os rendimentos.
Saques superaram depósitos em R$ 9,35 bilhões
Saques na Caderneta de poupança foram maiores que os de depósito | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Em setembro, os saques na caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 9,35 bilhões, segundo dados divulgados pelo BC (Banco Central). No mês, os clientes depositaram cerca de R$ 339 bilhões e retiraram aproximadamente R$ 348 bilhões. O rendimento de R$ 6,5 bilhões da aplicação no período compensou parte da saída de recursos.
O movimento pode refletir tanto a busca dos investidores por aplicações mais rentáveis, em um cenário de juros elevados, quanto a necessidade de recorrer às economias para pagar despesas e quitar dívidas, diante da pressão sobre o orçamento das famílias.
A compra de imóveis também pode explicar parte dos saques. Segundo as especialistas, a facilidade de acesso a alternativas de renda fixa pelo celular contribui para a migração de recursos, mas não é possível atribuir todas as retiradas a uma troca de investimento.
“Há dois movimentos. O primeiro é a migração: juros reais elevados e a facilidade de investir pelo celular levaram parte dos poupadores para CDBs com liquidez diária, títulos isentos e Tesouro Direto. O segundo é o uso da reserva: com o orçamento das famílias pressionado e o endividamento alto, muita gente recorre à poupança para pagar contas e dívidas”, afirma Juliana.
Quando vale a pena manter dinheiro na poupança?
A caderneta ainda pode ser útil para manter pequenas quantias destinadas a pagamentos e despesas próximas, quando a facilidade de movimentação é prioridade.
Adriana, planejadora financeira, afirma que a aplicação pode fazer sentido para recursos que serão usados em gastos pontuais, mas recomenda diferenciar esse dinheiro da reserva de emergência. Para essa finalidade, há alternativas conservadoras que podem combinar liquidez e rentabilidade maior.
Antes de trocar de aplicação, o investidor deve observar as condições de resgate e os riscos envolvidos. CDBs, por exemplo, têm cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) dentro dos limites previstos. Fundos de investimento não contam com essa garantia e podem ter prazos de resgate diferentes. Já os títulos públicos têm risco associado ao governo federal.
A escolha depende, portanto, da finalidade do dinheiro. Mais do que abandonar a poupança, especialistas recomendam avaliar se a aplicação continua adequada ao prazo, à necessidade de acesso aos recursos e aos objetivos de cada poupador. (Júlia Galvão/FOLHAPRESS)
Rodrigo Carvalho, correspondente da Globo em Londres, vai substituir a apresentadora Maju Coutinho na bancada do Fantástico. Coutinho entrará em licença-maternidade a partir de janeiro, quando deverá dar à luz seu primeiro filho, chamado Malik.
Carvalho já havia apresentado o Fantástico por uma temporada, no final do ano passado. Agora, seu período será mais longo. Ele vai dividir a bancada com Poliana Abritta, atual colega de Coutinho no programa dominical.
Gravidez de Maju Coutinho
Maju Coutinho deixará de apresentar o Fantástico temporariamente | Foto: Bob Paulino/TV Globo
Coutinho, de 48 anos, terá o bebê com o artista visual Agostinho Paulo Moura, com quem está desde 2009. “Mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular”, escreveu Maju ao revelar a gravidez.
O petróleo Brent, referência global, encerrou esta sexta-feira (30) no maior preço desde o início de maio. A alta é uma resposta do mercado a uma possível nova escalada do conflito no Irã após o fim das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
No dia, o contrato de petróleo de janeiro, o mais negociado do Brent, fechou em alta de 2,07%, cotado a US$ 113,10 patamar mais alto desde o dia 1º de maio. A sessão que encerrou as negociações do mês de outubro também marcou uma valorização mensal de 14,32%, a maior desde julho.
O contrato de dezembro do WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, fechou o dia com alta de 0,93%, a US$ 102,95. A alta mensal foi de 13,86%.
“Os operadores continuarão focados nos fluxos de petróleo do Oriente Médio e na provável escalada por parte dos Estados Unidos e das forças aliadas”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial.
O ataque a um petroleiro no estreito de Hormuz nesta sexta amparou as preocupações do mercado. O ataque foi realizado por meio de dispositivos explosivos acoplados por uma pequena embarcação, informou o UKMTO, o serviço britânico de segurança marítima.
Não ficou claro imediatamente quem ordenou o ataque, que foi o primeiro bem-sucedido conhecido na via navegável usando minas-ventosa explosivos fixados ao casco de um navio a partir de uma pequena embarcação desde o início da guerra EUA-Israel com o Irã, em fevereiro, segundo fontes do setor.
Maior probabilidade de uma escalada
Os EUA ordenaram que funcionários públicos não essenciais e seus familiares deixassem a Arábia Saudita a partir de 23 de outubro devido a riscos de segurança, informou a embaixada dos EUA em Riad nesta sexta, citando ataques houthis a aeroportos civis e outras infraestruturas críticas.
Os militantes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, afirmaram na véspera que haviam atacado vários locais na Arábia Saudita, incluindo a grande refinaria de petróleo de Ras Tanura, a refinaria de Rabigh e uma unidade de produção em Abqaiq, de propriedade da petrolífera estatal Saudi Aramco.
Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita também informou ter interceptado um míssil de cruzeiro lançado pelos houthis em direção à região oeste do reino.
Enquanto isso, mediadores do Qatar retornaram a Teerã nesta sexta como parte de esforços coordenados para chegar a um acordo entre os EUA e o Irã, disse à Reuters uma autoridade a par das negociações.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (29) que o vice-presidente J.D. Vance havia entrado em contato com o Irã para ajudar o país a obter suprimentos médicos, depois que a mídia norte-americana noticiou que Vance havia escrito ao principal responsável pela segurança de Teerã para retomar as negociações de paz.
O Irã recebeu uma carta de Vance, mas ainda não respondeu a ela, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, acrescentando que Teerã quer que os EUA atendam às suas condições e que “qualquer posição que contradiga esse quadro é inaceitável”.
Os preços do petróleo podem se tornar ainda mais voláteis nas próximas semanas devido às recentes eleições em Israel e às eleições de meio de mandato nos EUA em 3 de novembro, de acordo com um relatório do Saxo Bank.
A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner foi às suas redes sociais na noite deste domingo (25) parabenizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição.
“Parabéns, primeiro ao povo brasileiro, que hoje protagonizou um autêntico 17 de Outubro eleitoral”, afirmou a líder, atualmente em prisão domiciliar após ser condenada por corrupção. A data é uma referência ao dia em que, em 1945, uma multidão foi às ruas pedir a liberação do general Juan Domingo Perón.
E continuou: “Depois, a você, companheiro presidente Lula, que, em sua sétima eleição presidencial, soube despertar em seus compatriotas o sentimento e o sentido necessários para vencer esta batalha”.
Milei não se pronunciou
O atual presidente argentino e adversário de Cristina, Javier Milei, não se pronunciou sobre o resultado, assim como os demais líderes latino-americanos. O ultraliberal apenas republicou postagens que sugeriam uma fraude no processo eleitoral brasileiro, sem provas. (Daniela Arcanjo/FOLHAPRESS)
A virada de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro, que parecia improvável até as vésperas do segundo turno, é mais uma proeza de um político que se acostumou a acumular feitos históricos. O petista derrotou o senador do PL, segundo projeção do Datafolha.
Primeiro operário a virar presidente da República, detentor da maior aprovação de um chefe do Executivo no país (em 2010, ao final do segundo mandato), único a ser eleito depois de um período na cadeia e primeiro a vencer o ocupante do cargo (Jair Bolsonaro, em 2022).
A reversão de um resultado adverso na primeira etapa, inédita no país até este domingo (25), aumenta a coleção, ampliando ao mesmo tempo duas marcas conquistadas por Lula na eleição passada: o potencial recorde de votos absolutos e a condição de único a ser eleito presidente quatro vezes.
Ao final do quarto mandato, completará 16 anos no poder, estendendo a condição que já detém de segundo com mais tempo no cargo, atrás somente de Getúlio Vargas, que governou por 18 anos e seis meses, em dois períodos diferentes (1930-1945 e 1951-1954).
Como os mandatos de Getúlio foram frutos primeiro de um golpe (a chamada Revolução de 30), depois de uma eleição indireta (1934) e em seguida de outro golpe (da ditadura do Estado Novo, 1937-1945), tendo o líder gaúcho sido eleito pelo voto direto em apenas uma ocasião (1950, no governo abreviado em 1954 por seu suicídio), Lula é o presidente que governou por mais tempo o país sob a democracia, escolhido pelos brasileiros.
Em se tratando de Lula, é arriscado cravar, mas é muito provável que seja o seu último mandato. Aos 80 anos, quase 81 (completa em 27/10), terá 85 ao final da nova gestão, em 2030. Como foi reeleito, não poderá concorrer novamente daqui a quatro anos. Em 2034, terá 89, idade elevada até para quem diz pretender viver até os 120 anos.
Luiz Inácio Lula da Silva falando para milhões de metalúrgicos numa assembleia na Ford em 1984 |Foto: Clovis Cranchi/Estadão Conteúdo/Arquivo
Da infância humilde à liderança sindical
Uma réplica da casa em que o Presidente Lula passou sua infância em Caetés, no sertão do Agreste Pernambuco | Foto: San Costa/TV Globo
Superar grandes adversidades é, no caso de Lula, um traço que vem da infância. Sétimo dos oito filhos de um casal de lavradores pobres, Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, a Lindu, Luiz Inácio da Silva nasceu em Garanhuns, no agreste de Pernambuco no distrito de Caetés, hoje emancipado.
Quando a mãe estava grávida dele, Aristides migrou para São Paulo em busca de emprego. Aos 7 anos, o garoto embarcou com a mãe e os irmãos num caminhão pau de arara para se juntar ao chefe que abandonara a família, numa viagem de 13 dias.
Viveram em Santos até Lindu se separar de Aristides, um homem violento e alcoólatra que durante seu período paulista sem a esposa já tinha constituído outra família.
A jornada de dona Lindu para cuidar sozinha da prole na cidade grande serviria de inspiração para Lula, que até hoje cita a mãe como sua heroína, modelo de virtude e referência moral.
Ainda menino, enquanto estudava, Lula foi vendedor de laranja, amendoim e tapioca, auxiliar de tinturaria, telefonista, engraxate e office boy. Aos 14 anos, consegue seu primeiro emprego fixo, na fábrica de parafusos Marte. Aos 15, entra num curso de torneiro mecânico no Senai, que lhe garante a profissão na qual trabalhou pelos anos seguintes: metalúrgico.
Aos 17 anos, como disse no debate da Globo, perdeu o dedo mindinho da mão esquerda num acidente com uma prensa quando era torneiro mecânico na metalúrgica Independência.
Lula casou-se pela primeira vez aos 23 anos, com a operária Maria de Lourdes, que morreria grávida de oito meses vítima de hepatite o bebê também morreu. Teve sua primeira filha, Lurian, em 1974, de uma relação com a enfermeira Miriam Cordeiro, enquanto namorava com Marisa Letícia Rocco Casa.
Casou pela segunda vez ao final deste mesmo ano com Marisa, com quem teve outros três filhos biológicos (Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio), além de adotar o primogênito dela (que também era viúva), Marcos Cláudio.
Lula começou a participar de reuniões e atividades no Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1969, levado pelo irmão Frei Chico. Seis anos depois, em 1975, foi eleito presidente da entidade.
Tornou-se conhecido nacionalmente ao liderar greves de trabalhadores no ABC paulista no final dos anos 70, nos estertores da ditadura. Foi um líder sindical pragmático. “No sindicato, adorava encher a boca pra falar: não gosto de política e não gosto de quem gosta de política. Daí eu descobri que não dava pra fazer nada fora da política”, relembrou anos depois.
Com a projeção nacional do movimento, a ditadura fechou o cerco sobre o sindicato, que sofreu intervenções do governo. Em 1980, Lula foi preso com base na Lei de Segurança Nacional.
No mesmo ano, já ciente da necessidade de participar da política institucional, funda o Partido dos Trabalhadores, reunindo sindicatos, setores progressistas da Igreja Católica, movimentos sociais e universitários e intelectuais de esquerda como Antonio Candido, Mário Pedrosa, Lélia Abramo e Sérgio Buarque de Holanda.
Em 1982, para disputar sua primeira eleição (ao governo de São Paulo), acrescenta em cartório o apelido Lula ao sobrenome. Termina em quarto lugar. Em 1986, é eleito deputado federal constituinte (o mais votado do país), com 651,7 mil votos.
Três derrotas antes da primeira vitória presidencial
Lula e Fernando Collor no debate em 1989 | Foto: Reprodução/Editoras Bloch
A trajetória vencedora de Lula como presidente foi precedida por três tentativas frustradas de chegar ao Planalto. Na primeira, em 1989 perdeu para Fernando Collor (PRN) no segundo turno; em 1994 e 1998, foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no primeiro turno.
Em 2002, a estratégia de ampliar alianças, escolhendo o empresário José Alencar (PL) como vice; acalmar o mercado, com a publicação da Carta ao Povo Brasileiro pela qual se comprometeu a honrar contratos e equilibrar as contas públicas; e profissionalizar a campanha, contratando o publicitário Duda Mendonça, foi exitosa. Com 52,8 milhões de votos (61,3%), venceu José Serra (PSDB) no segundo turno.
Vídeo: Lula chora em discurso após a vitória eleitoral de 2002.
Primeiro mandato e o escândalo do mensalão
Lula elegeu o combate à fome como prioridade e lançou o programa Fome Zero, embrião do Bolsa Família. Na economia, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, manteve a política da era FHC, baseada no chamado tripé macroeconômico (metas de inflação, austeridade fiscal e câmbio flutuante).
O final do primeiro mandato foi abalado pelo escândalo do mensalão, um esquema de compra de apoio parlamentar no Congresso que derrubou o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Lula recuperou a popularidade e se reelegeu em 2006, ao vencer Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno. Seu segundo mandato foi marcado por grandes obras de infraestrutura e forte crescimento (média de 4,6%/ano), apesar da crise internacional de 2008.
O bom momento da economia se refletiu em popularidade aqui e alhures. Em 2009, o presidente dos EUA, Barack Obama, brincou com a situação. “Esse é o cara. Eu adoro esse cara. O político mais popular do mundo.” Em 2010, ao final do mandato, Lula teve índices de aprovação acima de 80% (Datafolha, 83%; Ibope, 87%), recorde histórico para um presidente.
Fez a sucessora, a ministra Dilma Rousseff, reeleita em 2014, que sofreria impeachment, com o vice Michel Temer assumindo o cargo.
Prisão, anulação das condenações e retorno ao Planalto
Alvo da Operação Lava Jato, Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e preso por ordem do juiz Sergio Moro quando liderava as pesquisas para a eleição de 2018. Passou 580 dias preso até ter suas condenações anuladas pelo STF.
Solto em novembro de 2019, foi eleito presidente pela terceira vez em 2022, ao derrotar Jair Bolsonaro por 50,9% a 49,1%, a margem mais estreita da história.
Em seu terceiro mandato, teve como bandeira a reconstrução de país após a gestão Bolsonaro. A pobreza e a fome diminuíram, e a renda e o emprego melhoraram. Por outro lado, a dívida pública e os juros aumentaram, pressionando as contas do governo. Conseguiu aprovar no Congresso a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala de trabalho 6 x 1.
Sua gestão esteve envolvida no escândalo de descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados do INSS que começaram no governo Temer, continuaram sob Bolsonaro e cresceram sob Lula, quando a PF e a CGU desbarataram o esquema. Com a repercussão do caso, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, foi demitido.
Em 2022, Lula se casou pela terceira vez, com a socióloga Rosângela da Silva, a Janja. (Fabio Victor/FOLHAPRESS)
O vice-presidente e candidato à reeleição junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin, chegou para votar em um colégio em Morumbi, na zona Sul de São Paulo, às 12:10 deste domingo (25).
Ele veio acompanhado de sua esposa, Lu Alckmin, do candidato ao governo de São Paulo derrotado nas urnas, Fernando Haddad, e de Simone Tebet, Tabata Amaral e Marina Silva.
Após a votação, Alckmin disse que está “muito confiante devido ao movimento que viu nos últimos dias”.
“Mulheres, homens, a melhor idade impressionante a presença de todos nas ruas. Ficamos muito confiantes, animadíssimos, pois cresceram as redes cresceram as ruas e nós vamos garantir a democracia que é onde o povo é ouvido” disse aos jornalistas no colégio Santo Américo.
Alckmin destaca participação dos jovens
Alckmin citou que dia 25 de outubro é o dia Nacional da Juventude e também o dia Nacional da Democracia, e elogiou a presença jovem no segundo pleito.
“O futuro começa hoje, e ele se chama juventude. Os jovens geram um grande exemplo, ocupando as ruas de maneira espontânea, alegre, dando um exemplo de amor ao próximo”, disse.
Segundo ele, as eleições estão com um sentimento semelhante ao do movimento Diretas Já, no final dos anos 1980, quando milhares foram às ruas em defesa da democracia. “Nesse segundo turno vimos no Brasil inteiro cidades pequenas no interior e capitais, todo mundo nas ruas defendendo a democracia que é interpretada hoje, pelo presidente Lula.”
Vice-presidente repudia ataques a apoiadores de Lula
Ele também repudiou os ataques violentos contra apoiadores do presidente Lula ontem, em que a vereadora de Montes Claros do PT Iara Pimentel, e o engenheiro Marcelo Rocha, em Santos, foram agredidos.
“Foi um ataque covarde apenas por manifestarem sua opinião política”, disse. (Ana Bottallo/FOLHAPRESS)
A brasileira Rebeca Andrade garantiu a medalha de ouro na final do salto do Mundial de ginástica artística, disputada na manhã deste sábado (24), em Roterdã, na Holanda. Foi a terceira conquista da ginasta no aparelho, na volta da medalhista olímpica à competição após três anos.
Rebeca fez saltos de 14,400 e 14,133 e terminou com média 14,466. A prata foi de Claire Pease (EUA), e o bronze, de Skye Blakely (EUA).
A brasileira também ganhou o ouro no salto no Mundial de Kitakyushu, no Japão, em 2021, e no da Antuérpia, na Bélgica, em 2023. A brasileira havia passado à final com a melhor nota do classificatório, na segunda-feira (19). Na ocasião, somou 14,400 no primeiro salto, o Duplo Twist Yurchenko, e 14,266 no segundo, quando fez acrobacia chamada Lopez.
Rebeca chega a dez medalhas em Mundiais
Com a medalha, Rebeca chega a dez pódios em Mundiais, em quatro participações. Antes, tinha três ouros (dois no salto e um no individual geral, em Liverpool, em 2022), quatro pratas e dois bronzes.
O Brasil ainda terá mais uma chance de medalha em Roterdã, com Flávia Saraiva, na final da trave, no domingo (25), a partir das 10h (horário de Brasília). O SporTV2 transmite. Ouro no aparelho na etapa da Hungria da Copa do Mundo, em setembro, Flávia passou à decisão com a terceira melhor nota.
Retorno após período de descanso
Rebeca não competia oficialmente desde 2024, após a participação nos Jogos de Paris e no Campeonato Brasileiro, em julho e setembro. Ela também ficou de fora do Mundial de 2025, em Jacarta, na Indonésia. A ginasta disse na época que o ano seria dedicado à saúde física e mental.
O técnico Francisco Porath chamou o período de “destreinamento ativo”, e afirmou que os compromissos mais importantes viriam em 2026, quando começa a valer a classificação olímpica.
A volta da brasileira às competições ocorreu em junho deste ano, com o ouro no salto no Pan-Americano de ginástica artística, no Rio de Janeiro. Em setembro, ela ficou com a prata na trave na etapa da Hungria da Copa do Mundo, atrás de Flávia. Maior medalhista olímpica da história do Brasil, Rebeca tem seis pódios: dois ouros, três pratas e um bronze.
Ginasta deixou de disputar o solo
Em agosto de 2025, a ginasta anunciou que não disputaria mais o solo, aparelho em que foi ouro olímpico em Paris e medalhista nos Mundiais de 2022 (bronze) e 2023 (prata). A decisão foi motivada por dores e pela necessidade de preservar a saúde após cinco cirurgias no joelho, a primeira delas depois de uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, em 2015.
“O solo é o aparelho que mais causa impacto”, disse então. “Sei que vocês amam quando faço solo, mas ainda posso mostrar muito nos outros aparelhos.”
Brasil fica fora do pódio por equipes
O Brasil ficou no quinto lugar por equipes no mundial ginástica artística | Foto: Melogym/CBG
O Mundial de Roterdã teve diferentes resultados para o restante da delegação. Na quarta-feira (21), o Brasil ficou em quinto lugar na final por equipes, com 159,730 pontos, e não garantiu vaga antecipada nos Jogos de Los Angeles 2028. China, Estados Unidos e Japão levaram ouro, prata e bronze. Rebeca competiu no salto e na trave.
Por ter chegado à final, a seleção feminina está no Mundial de 2027, em Chengdu, na China, que distribuirá mais nove vagas para os Jogos. Na sexta-feira (23), Flávia Saraiva ficou em 12º lugar, e Lorrane Oliveira, em 21º, na final do individual geral.
Entre os homens, o Brasil não avançou a nenhuma final, algo que não acontecia desde 2010. A equipe terminou o classificatório em 19º lugar, após a queda de Arthur Nory na barra fixa. (Geovana Oliveira/FOLHAPRESS)
Apoiadores do presidente Lula (PT) levaram à concentração para a caminhada deste sábado (24), em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, cartazes em resposta à expressão “nove dedos”, usada por Flávio Bolsonaro (PL) para atacar o petista durante o último debate presidencial, realizado pela Globo na noite de sexta-feira (23).
Um dos cartazes traz a frase “Somos todos 9 dedos mãos limpas”, acompanhada de desenhos de mãos com quatro dedos. Outros manifestantes também exibem mensagens semelhantes na orla, que já reúne uma multidão de apoiadores.
Flávio pediu desculpas
Flávio pediu desculpas após usar a expressão capacitista, em referência ao dedo que Lula perdeu em um acidente de trabalho em 1964.
Camisas da seleção brasileira
Além do tradicional vermelho, predominante entre bandeiras, camisetas e acessórios, muitos participantes também vestem a camisa da seleção brasileira, símbolo frequentemente associado a manifestações bolsonaristas nos últimos anos.
A caminhada está prevista para começar às 10h, com concentração na altura do Posto 5, na avenida Atlântica. (Aléxia Sousa/FOLHAPRESS)
O split payment previsto na reforma tributária terá pouco impacto no caixa das empresas brasileiras e pode ajudar a reduzir a alíquota dos novos impostos, segundo economistas ouvidos pela Folha.
Eles utilizam como base dados sobre prazos de pagamento nas operações entre duas empresas. Essa questão é fundamental para definir quando haverá ou não o recolhimento antecipado dos novos tributos na liquidação financeira da operação.
O split se tornou tema da campanha eleitoral, e a entrada em vigor está prevista para o segundo semestre de 2027. Seu uso será opcional e somente em transações entre empresas.Split payment terá pouco impacto no caixa das empresas
A ferramenta garante que os tributos pagos pelo comprador sejam recolhidos e devolvidos a ele na forma de um crédito.
Prazo de pagamento limita impacto do split payment
O economista Gustavo Madi, responsável na consultoria LCA por estudos na área de tributação, afirma que a maior parte das operações entre pessoas jurídicas (B2B) tem prazo de pagamento ao fornecedor acima de 60 dias, ou seja, superior ao vencimento do tributo último dia útil do mês seguinte à venda.
“Se o pagamento da fatura é posterior ao vencimento do tributo, o split não tem nenhum papel, porque o fornecedor já terá feito o desembolso do imposto antes de receber o dinheiro, tal como é hoje”, afirma.
“Quando o pagamento for feito, o agente bancário consulta a Receita, olha como está a situação daquela nota e fala: ‘O tributo já foi pago, não preciso fazer nada.’ Isso é o que vai acontecer com mais frequência, ou seja, impacto nenhum.”
Ele cita um relatório da Coface (Companhia Francesa de Seguros para o Comércio Exterior) que aponta que o prazo médio de pagamento no Brasil é de 66 dias.
Levantamento feito pelo advogado e economista Eduardo Fleury, ex-consultor do Banco Mundial, mostra um prazo médio de recebimento de 41 dias somente nas operações de grandes indústrias com fornecedores, segundo dados coletados junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Nas vendas do comércio e serviços para pessoas físicas que não serão alcançadas pela ferramenta de split em desenvolvimento o prazo supera 50 dias. Ele também cita relatório da Allianz Trade que calcula um tempo médio de 62 dias em todos os tipos de operação.
Fleury afirma que os números mostram que pagar o imposto antes de receber os recursos do comprador já é uma realidade no sistema tributário atual, e isso não vai mudar com a reforma. Na maioria dos casos, o split funcionará apenas como garantia de recolhimento do tributo em caso de inadimplência do fornecedor.
Ele lembra também que, nas operações parceladas, o que pode ser antecipado será o tributo sobre o valor da primeira prestação.
“Trabalhamos com empresas grandes e o que vemos são prazos bem superiores a esses. O que vai acontecer na prática é que o split payment vai ter pouco efeito no B2B. Vai ser uma exceção quando acontecer”, afirma.
Efeito sobre o caixa das empresas
Nas transações B2B com pagamento à vista ou com prazos mais curtos, haverá um efeito de caixa negativo para quem vende, mas “simetricamente positivo” para quem compra, devido à antecipação do crédito tributário referente àquela aquisição, segundo Madi, da LCA.
Se a empresa estiver no meio de uma cadeia de produção, ela terá antecipação do crédito pelas aquisições e do tributo sobre as vendas, com efeitos opostos sobre o caixa. “O impacto é muito menor do que o que se tem dito, pelo menos para a maioria das empresas”, afirma o economista.
Ele destaca ainda que o recolhimento antecipado não retira recursos da economia, pois todo tributo recolhido no B2B se torna automaticamente crédito para o comprador. “A Receita não vai reter dinheiro e ficar trabalhando com ele. A apuração e ressarcimento de crédito está programada para ser uma coisa muito rápida. Então é dinheiro na mão de uma empresa ou na mão da outra.”
Regra de crédito é principal mudança da reforma
Eles lembram que a principal mudança trazida pela reforma não é o split, mas a regra que vincula o crédito do adquirente ao pagamento do tributo pelo fornecedor, mudança que busca combater fraudes e deve resultar em uma alíquota menor no futuro.
Para implementar essa regra é necessário que as empresas possam utilizar o split ou a guia de recolhimento pelo adquirente, que está pronta para ser utilizada em janeiro, quando começa a cobrança dos novos tributos.
O tributarista José Andrés Lopes da Costa, professor da Escola de Direito do Rio de Janeiro da FGV, diz que a questão do float tributário período no qual a empresa opera com os tributos pagos pelos clientes- se tornou um “mito” e não representa valores tão relevantes nas operações B2B.
Ele afirma que, do ponto de vista econômico, o split reduz custos de transação, de fiscalização e de compliance, o número de fraudes e tem um reflexo positivo na alíquota que todos pagam.
“Quando você enfraquece esse mecanismo de arrecadação, de fiscalização e de compliance tributário, você pressiona a alíquota para cima. Então é o benefício de alguns, que é o ‘float’, contra o malefício de muitos, porque você tem uma alíquota mais alta para toda a sociedade.” (Eduardo Cucolo/FOLHAPRESS)
Um míssil inflável estampado com uma frase que pede que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, faça um ataque nuclear contra o Brasil foi levado a ato em apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste domingo (18), na avenida Paulista, em São Paulo.
O objeto inflável branco trazia escrita a frase em inglês “Trump nuke Brazil”, algo como “Trump, ataque o Brasil”. O termo “nuke” é usado com o sentido de atacar com armas nucleares. Ele foi visto sendo carregado por pessoas vestindo verde e amarelo, mas os autores não foram identificados.
Nas redes sociais, políticos de esquerda criticaram o objeto. Guilherme Boulos (PSOL), ministro da Secretaria Geral, disse que vídeos nas redes sociais que o ação era “inacreditável” e uma “incedência”. A deputada federal Erika Hilton (PSOL) disse que era em “escândalo”, e a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) chamou os manifestantes de “vendidos”.
Histórico de objetos infláveis em manifestações
Manifestações políticas da última década têm um histórico de objetos infláveis levados às ruas. Entre eles, uma peça de cinco metros de altura com formato fálico, nas cores verde e amarela, levada a uma manifestação bolsonarista em 7 de setembro de 2021, na mesma avenida Paulista.
O objeto foi apelidado de “piroca verde e amarela”, mas se tratava também de um míssil, que trazia na base a frase “braço forte, mão amiga”, lema do Exército Brasileiro. O grupo responsável pelo objeto, composto por artistas e não-artistas, preferiu se manter em anonimato em entrevista à Folha de S.Paulo na época.
Outras peças infláveis já fizeram sucesso em manifestações políticas recentes. Entre elas, o “Pato da Fiesp”, uma estrutura de pato amarelo de cerca de dez metros de altura posicionada em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na mesma via paulistana, em 2015, para demonstrar a insatisfação com o aumento de impostos do governo federal.
O boneco ganhou versões menores, levadas à frente do Congresso Nacional, em Brasília, e a protestos em outras cidades pelo país. Outro boneco que ficou popular foi o pixuleco, que retratava Lula (PT) vestido com roupas listradas de preto e branco, em alusão à roupa de presidiários.
Este último foi criado em 2015 por integrantes do Movimento Brasil Limpo, da oposição, e levado a manifestações pelo país. O nome pixuleco fazia referência ao termo usado pela Operação Lava Jato para descrever as propinas pagas em esquemas de corrupção investigados na época.
Míssil aparece em meio a debate sobre influência dos EUA
O míssil no ato deste domingo (18) surge em momento em que se discute a interferência dos Estados Unidos nas eleições para a presidência do Brasil deste ano, cujo segundo turno ocorre no dia 25. Trump já havia afirmado estar acompanhando as eleções “de perto”.
Nas últimas semanas, a Meta IA, ferramenta de inteligência artificial da Meta dona do Instagram, Facebook e WhatsApp se recusava a criar imagens com “Vote Lula”, mas atendia a pedidos semelhantes relacionados a Flávio. Em outra falha encontrada, o perfil oficial de Lula ficou impossibilitado de impulsionar postagens feitas no feed do Instagram em 9 de outubro.
O presidente Lula (PT) afirmou que quer os votos de 100% dos presidiários, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do adversário do petista, Flávio Bolsonaro (PL). O chefe do Executivo havia perguntado o motivo para o senador ter se posicionado contra a prisão de Bruno Delaroli, policial militar responsável pela bala perdida que matou a menina Ana Clara Machado, de cinco anos, no Rio de Janeiro.
Flávio, no entanto, não respondeu a pergunta e rebateu: “Lula, com você, a criminalidade explodiu no Brasil. Inclusive, você pode responder por que 73% dos presidiários votaram em você?”, e o petista disse: “Eu quero 100% dos votos dos presidiários, até do seu pai”.
Condenação de Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por participar de um plano de golpe de Estado para impedir que Lula assumisse a Presidência da República. O ex-presidente se encontra em prisão domiciliar. (Anna Júlia Lopes/FOLHAPRESS)
O ator americano Michael Forest, conhecido por interpretar o deus grego Apolo na série “Jornada nas Estrelas”, morreu aos 97 anos, na última quarta-feira. A causa da morte não foi informada.
Ele nasceu Gerald Michael Charlebois em Dakota do Norte, nos Estados Unidos, em 1929, e vivia numa instituição de repouso para idosos em Nevada nos últimos anos. A morte foi confirmada por um amigo numa publicação no Facebook.
Forest era conhecido como um homem de porte atlético e tinha um currículo extenso como ator coadjuvante no cinema e televisão, que iniciou na década de 1950.
Carreira no cinema e na televisão
Além de participações em séries e novelas que inclui ainda “Além da Imaginação” e “The Dick Van Dyke Show”, atuou em diversos filmes do ator e diretor Roger Corman e emprestou a voz a projetos de animação, animes e videogames.
Como dublador, participou de títulos como “Power Rangers” e “World of Warcraft”. Ele era fluente em italiano e dublou centenas de filmes nos anos em que morou em Roma, além de atuar em produções de outros países da Europa.
Entre seus inúmeros papéis, estão particapações em “A Besta da Caverna Assombrada”, “Atlas” e “Náufrago”.
Vida pessoal
Forest foi casado com a atriz Diane Hale por 52 anos, até a morte dela, em 2022. Não há informações se eles tiveram filhos juntos.
A quantidade de adolescentes internados em estabelecimentos socioeducativos fechados caiu mais da metade nos últimos dez anos. O debate sobre redução da maioridade penal de 18 para 16 anos ganhou força na última semana, com o governo Lula (PT) aderindo publicamente à ideia às vésperas da votação do segundo turno das eleições.
Eram 26,8 mil menores de idade nessas condições em 2015. Em 2025, apontam dados agregados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número caiu para 12,2 mil, redução de 54,5%.
Os dados consideram adolescentes em regime de internação, internação provisória, internação sanção, semiliberdade e medida protetiva. O Fórum observa que a redução de internados ocorre ano a ano desde 2016, e teve certa estabilidade entre 2023 e 2025 (2,5% de alta entre 2023 e 2024, e 1,2% entre 2024 e 2025).
A internação em estabelecimento socioeducativo, como a Fundação Casa, em São Paulo, é a medida mais grave prevista no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Além dos casos provisórios, a internação pode ser aplicada em três circunstâncias: quando o ato é cometido mediante violência ou grave ameaça, nos casos de reincidência ou de descumprimento de medida anteriormente imposta, como prestação de serviços à comunidade.
Os dados por estado apontam que quase metade da população de adolescentes internados está em São Paulo, com 5.200 em 2025. O Rio de Janeiro aparece em segundo no ranking, com 966. Em termos proporcionais à população, a taxa é mais elevada no Acre (134,3 por 100 mil habitantes), Espírito Santo (119,4) e Distrito Federal (102,1).
A maior parte, conforme o Levantamento Nacional do Sinase, citado pelo Fórum, é formada por meninos, (93,4%). O dado aponta que 73,7% dos adolescentes se autodeclaram negros.
É uma medida adotada em casos graves e sobretudo quando o ato infracional é análogo a um crime considerado hediondo, como homicídio qualificado, feminicídio, latrocínio ou a tentativa dele, entre outros.
A retração de internações, portanto, pode significar que há menos adolescentes cometendo atos graves ou sendo responsabilizados por eles.
A legislação hoje não permite que menores de 18 anos sejam encaminhados a presídios comuns.
“Os atos infracionais com maior incidência entre os adolescentes que cumprem medida em meio fechado são roubo (29,1%) e tráfico de drogas (27,9%), atos relacionados à obtenção de bens ou renda”, aponta Thais Carvalho, consultora do Fórum em texto que acompanha o anuário de 2026.
“Ainda que a população esteja vivenciando um contexto de medo guiado pela percepção de insegurança e, por isso, busque soluções alinhadas à mais punição, como a redução da maioridade penal, não estamos diante de um cenário em que adolescentes e jovens sejam os principais autores de crimes violentos e de situações de vulnerabilidade. Pelo contrário, eles comumente são as principais vítimas”, acrescenta.
Lula defende redução da maioridade penal para crimes hediondos
Lula em entrevista na TV Globo discute sobre a redução da maioridade penal | Foto: Reprodução/TV Globo
Na quinta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se disse favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
A afirmação do petista veio ao mesmo tempo em que o governo tenta evitar uma derrota na PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, que seria votada no Senado nesta quinta, mas acabou adiada.
A oposição tenta emplacar no texto uma emenda do senador Rogério Marinho (PL-RN) que reduz a maioridade para 16 anos no caso de crimes comuns e para 14 nos crimes hediondos.
O PT ensaiou apoiar a redução da idade mínima à responsabilização penal, mas acabou inicialmente desautorizado pelo governo. No mesmo dia, na quinta, em entrevista à TV Globo, Lula acenou com apoio à medida.
“Meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, é que para todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade”, disse o petista.
O problema, segundo ele, é que “a PEC não estava discutindo isso”. A chamada da PEC da Segurança é voltada à discussão da definição dos órgãos estatais no campo da segurança pública, com o governo federal buscando mais espaço para agir em áreas que hoje competem a municípios e estados.
Mudança de posição ocorre às vésperas do segundo turno
A redução da maioridade é uma pauta que o presidente historicamente criticou.
Em 2007, ele afirmou ser mais barato e efetivo manter jovens na escola do que na cadeia. Em 2015, por sua vez, disse que apoiar a redução da maioridade equivaleria a cometer um crime contra o futuro do país. A guinada se dá no contexto eleitoral, com a disputa do segundo turno.
Lula tentará uma recondução à cadeira do Palácio do Planalto no próximo domingo (25) após ter largado atrás do adversário Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
“A esquerda brasileira sempre foi refratária a duas coisas na área criminal: redução da maioridade e aumento de penas. O fator eleitoral altera essa posição”, diz o advogado Lenio Streck, professor de direito da Unisinos (Universidade do Vale do Rio Sinos).
A mesma avaliação faz o advogado Daniel Gerber, mestre em processo penal, para quem a guinada a favor da proposta trata “muito mais de uma movimentação eleitoral do que de uma iniciativa voltada à segurança pública”.
“Talvez, em benefício da dúvida, o partido tenha se dado conta de que suas bandeiras, neste específico assunto, já não dialogam com a sociedade”, afirma. Pesquisa Datafolha mostra que oito em cada dez brasileiros concordam com a redução da maioridade penal.
Especialista aponta problemas na proposta
Gerber vê problemas de outra natureza na ideia de se reduzir a maioridade apenas para determinados crimes. Segundo ele, uma medida nesse sentido “fere todo e qualquer princípio da teoria geral do crime”.
“É inviável imaginarmos que uma pessoa seja apta a ser punida por crimes extremamente graves, mas não por crimes menores. A responsabilidade penal repousa na consciência da ação praticada”, afirma.
“Ou ele tem consciência e responde por qualquer ato que pratique ou a consciência não está completa e não pode responder por nenhum”, diz. (André Fleury Moraes/FOLHAPRESS)
Um motorista foi preso após atropelar um idoso que participava de um ato pró-Lula no centro de Belo Horizonte na tarde deste sábado (17).
O homem de 45 anos, que não teve o nome divulgado, dirigia um Volkswagen Up amarelo e avançou o sinal vermelho em direção ao grupo de manifestantes. O homem de 67 anos foi atingido e precisou ser levado ao hospital. O estado de saúde dele não foi informado.
Nas imagens gravadas por quem estava no local é possível ver que o motorista fugiu sem prestar socorro.
A polícia prendeu o homem em flagrante sob suspeita de tentativa de homicídio. De acordo com nota enviada pela Polícia Civil de Minas Gerais ao UOL, o condutor foi levado para a delegacia e ouvido por meio da 2ª Central Estadual do Plantão Digital.
Deputada pede investigação
A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG), que estava no local, disse que pedirá uma investigação do caso. Ela é presidente da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
“Muito grave o que aconteceu em Belo Horizonte. Bolsonarista atropelou manifestante em um ato de mulheres com Lula”, disse a deputada em vídeo publicado em rede social.
Atos pró-Lula pelo país
Atos a favor da reeleição do presidente Lula estão acontecendo em todo o país desde o final do primeiro turno. O objetivo é mobilizar votos para reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno com 47% dos votos, contra 45% do petista.
A aposentada Elizabete Oliveira Gregório, 72, é eleitora de Lula (PT) desde a primeira vez em que o ex-metalúrgico se candidatou à Presidência, em 1989. Nascida numa pequena cidade do Paraná, ela diz que teve contato com os ideais do atual presidente quando se mudou para Guarulhos, em São Paulo.
“Meu esposo sempre falava muito que ele era trabalhador, uma pessoa pobre igual todo mundo”, ela conta, admitindo que, apesar de não entender muito de política à época, repetiu o voto do marido, nesta e nas eleições seguintes, acreditando na confiança que ele depositava no sindicalista.
Elizabete mora em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, desde a década de 1990. Com 330 mil habitantes, a periférica cidade é um dos dez maiores colégios eleitorais de Minas Gerais e tem se destacado, nos últimos anos, como um município-chave para observar as idas e vindas da polarização hoje corrente no país.
Antigo reduto petista que deu ampla vantagem a Lula e a Dilma Rousseff (PT) nas eleições de 2002 a 2014, Ribeirão das Neves tem apresentado um movimento de gangorra em relação aos últimos posicionamentos políticos da maioria de seus habitantes e seguido, à risca, o cenário das eleições nacionais.
Jair Bolsonaro (PL) venceu por lá em 2018, eleito em segundo turno com 59,59% dos votos válidos, e Lula retomou a dianteira do PT em 2022, por uma estreita margem de 50,63%. No primeiro turno deste ano, a cidade escolheu Flávio Bolsonaro (PL), que marcou 46,53% dos votos válidos, ante 43,93% de Lula.
Elizabete, que é evangélica, diz nunca ter mudado de opinião. Ela guarda a lembrança da primeira vez que foi ao banco, para fazer um empréstimo e adquirir um cartão de crédito, conquista que dedica à gestão do petista. “Eu creio que, se ele ganhasse agora, seria bom como foi das outras vezes”, diz.
Eleitores mudam de posição e criticam governos
Lula também foi o candidato escolhido em 2022 por Marcelo Augusto, 23. Ele é comerciante numa loja de roupas e atualmente faz curso de barbeiro. “Foi meu pior arrependimento. O cara não fez nada”, ele diz.
No primeiro turno das eleições deste ano, votou em Flávio, escolha que pretende manter para o segundo. “Não é que ele seja meu candidato favorito, mas eu acho melhor dar uma chance pra ele, que está chegando agora, do que deixar o PT, que não fez nada nesses 20 anos de governo”, explica, citando ainda a repercussão dos escândalos do mensalão e do Banco Master.
Marcelo acredita que a polarização política na cidade se dá porque muitas pessoas não sabem por que votam, e cita o próprio exemplo -ele diz que votou no Lula no último pleito por influência da mãe, que vê no petista um bom presidente.
“Eu acredito que muitas pessoas não estudam e não procuram saber em quem estão votando, e vão muito na onda dos outros”, ele diz, definindo-se hoje como uma pessoa de extrema direita.
Ele justifica a posição afirmando ser contra algumas bandeiras que entende serem defendidas pela esquerda, como a questão do aborto e pautas relacionadas à defesa da diversidade de gênero e orientação sexual.
Marcelo também é crítico à PEC do fim da escala 6×1, promulgada nesta sexta-feira (16) após aprovação por ampla maioria na Câmara e no Senado. “Um descanso a mais sim, mas eu sou a favor do poder de compra. Não adianta a pessoa ter um dia de folga e não ter condições de comprar nada”, afirma.
Na sua opinião, um eventual governo Flávio tem chance de ser melhor do que a gestão de seu pai, Jair. “Tomara, porque, se também não for, daqui a quatro anos, eu voto em outra pessoa. Eu sou desse jeito.”
Ele assume a vontade de entrar para a política no futuro e diz que suas principais bandeiras seriam o combate à corrupção e à criminalidade.
A escolha por Flávio é a mesma da freelancer Cynthia Miriam, 45, que afirma nunca ter votado no PT. “O governo Bolsonaro parece que deixou o Brasil com dinheiro no cofre, né? Quem sabe não acontece o mesmo?”, diz.
Abstenção e votos nulos refletem insatisfação
Já Lael Chaves, 32, se considera uma pessoa de centro e disse que não votou em ninguém no primeiro turno, decisão que ele afirma manter para o segundo. “Como uma forma de protesto”, explica.
Ele trabalha com sua bicicleta como entregador de uma plataforma de delivery, e conversou brevemente com a reportagem em uma pausa entre pedidos.
“Entra político, sai político e o país está sempre pior”, ele afirma. “A inflação está sempre aumentando e o poder de compra do brasileiro diminuindo, seja nas gestões de esquerda ou de direita.”
Ele considera que as propostas de ambos os presidenciáveis funcionam como fachada para que os candidatos defendam interesses pessoais. “Eu sou contra a classe política atual, não tem ninguém que me represente”, diz, citando Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos (Missão), que ficou em quarto lugar no primeiro turno.
A justificativa se assemelha às razões da estudante de direito Tainá dos Santos, 22, para votar nulo em todos os cargos eletivos, do Executivo e do Legislativo, desde que esteve apta a participar do processo, aos 16 anos.
“Tem essa opinião das minhas colegas, sempre falando comigo da importância da política e do voto feminino, mas, apesar de me importar com questões feministas, eu nunca quis escolher alguém e nunca me dei esse trabalho”, ela conta. “É uma opinião normal, a minha.”
Ela questiona como o seu voto, 1 entre os 158,7 milhões de eleitores brasileiros, poderia influenciar a porcentagem alcançada pelos candidatos em primeiro turno. “Será que o meu voto mudaria alguma coisa? Eu cheguei à conclusão de que não e pretendo continuar assim, votando nulo.”
Ela conta que a sua família é bastante ligada às questões políticas. “Aqueles votantes doentes, sabe?”, ela diz, contudo, afirmando não saber se eles pendem mais para o PT ou o PL.
“Nunca quis participar dessas conversas, que sempre acabam em discussão. Não gosto de violência e dessas trocas que são muito invasivas”, diz a estudante.
Apoiadores de Lula defendem reeleição
Estudantes realizam ato a favor da reeleição de Lula | Foto: Reprodução
Outros estudantes realizaram um ato a favor da reeleição de Lula na noite de quinta-feira (15) e passaram a tarde no centro comercial da cidade convocando público para a manifestação.
A artista e assistente social Nádia Nascimento, 37, era uma das que estavam panfletando e balançando a bandeira do petista numa das principais vias do município, confiante na virada do atual presidente. “Estou hoje aqui, no meu dia de folga, porque acredito na democracia.”
Ela afirma que a direita desconstruiu Ribeirão das Neves, cidade que, na sua avaliação, funciona por meio de políticas públicas para a população. Segundo Nádia, isso ocorre desde a eleição do prefeito Junynho Martins, então pelo PSC, em 2016. Ele foi reeleito pelo DEM em 2020. Hoje, a cidade é governada por Túlio Raposo (PP).
“Nessas eleições, acho que Neves infelizmente deu uma mancada. A população que votou na direita foi um pouco ingrata”, ela diz.
Neste ano, 45.450 pessoas deixaram de votar no primeiro turno na cidade, o que representa uma taxa de abstenção de 20,79%. Os votos em branco somaram 3,05% do eleitorado, enquanto 3,58% anularam o voto.
Eleitor ainda não decidiu voto no segundo turno
Nei de Lima, 43, não revelou o voto no pleito deste ano, mas diz que votou em Bolsonaro em 2018 e em Lula nas eleições de 2022, escolha que reverbera a maioria conquistada pelos candidatos na cidade nos respectivos pleitos.
“Votei no Bolsonaro porque achei que ia ter uma mudança, o PT já estava no controle do país há alguns anos”, conta o motorista de aplicativo. “Como não teve uma mudança significativa, votei no Lula de novo na última eleição.”
Neste segundo turno, ele ainda não sabe em quem vai votar. Do último governo Lula, diz estar insatisfeito com o valor do salário mínimo e com as altas taxas de feminicídio, que no primeiro trimestre deste ano atingiram um novo patamar recorde. “Dá pra melhorar nesses quesitos”, ele opina.
Na sua opinião, Flávio poderia representar uma mudança frente ao que já está posto. “Mas se essa mudança vai ser pra melhor a gente só vai ver depois.” (Gabriel Araújo/FOLHAPRESS)
O advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes contra a Previdência e amigo do candidato Flávio Bolsonaro (PL), recebia minutas de decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e de manifestações do MPF (Ministério Público Federal) antes da publicação, aponta investigação da Polícia Federal, segundo reportagem do UOL.
A reportagem afirma que o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares era um dos interlocutores de Tomaz. Em 2019, Soares era citado pelo entorno do então presidente Jair Bolsonaro (PL) como favorito para ser indicado à Procuradoria-Geral da República e como ligado a Flávio, o que o procurador negava.
Segundo o UOL, os investigadores suspeitam que Tomaz recebeu documentos vazados do STJ por meio de Soares, além de outros interlocutores.
Ainda de acordo com a reportagem, a apuração da PF aponta que o escritório alterava a estratégia conforme os documentos que recebia.
Em nota, Tomaz negou “categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em manifestações”. “Sua atuação sempre observou a legislação e as prerrogativas da advocacia, valendo-se exclusivamente das vias institucionais e processuais legítimas. As insinuações divulgadas são infundadas, distorcem o exercício regular da profissão e configuram desinformação”, afirmou o advogado.
Tomaz também disse que “causa estranheza” que um material sigiloso, “ignorado até mesmo pela defesa, venha a público de forma seletiva em pleno período eleitoral e mencione terceiros sem nenhuma relação com os fatos investigados”. “Serão adotadas as providências cabíveis para obter acesso ao relatório, demonstrar a improcedência das alegações e identificar a origem do vazamento”, afirmou.
A campanha de Flávio também foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre as suspeitas contra Tomaz. A reportagem não conseguiu ainda localizar Soares.
Viagens de Flávio Bolsonaro
Reportagem da Folha de S.Paulo publicada na quinta (15) mostrou que uma holding de apostas online de Willer Tomaz pagou voos entre Portugal e França em 2025 para o candidato à Presidência pelo PL, de acordo com uma investigação da Polícia Federal.
Willer é investigado sob a acusação de fazer repasses financeiros de dinheiro obtido em fraudes contra a Previdência no escândalo do INSS. Junto com Jorge Barbosa Dias, ele é dono da Rede Loto, a primeira bet a conseguir uma licença de operação no país ainda em 2023, emitida pelo governo fluminense.
Questionado pela Folha de S.Paulo sobre as viagens, Flávio Bolsonaro disse que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade.
Segundo a investigação, ao menos três trechos de viagem em jato executivo foram contratados para Flávio e Willer por meio da Cathedral, empresa registrada na Ilha da Madeira. Única acionista da Rede Loto, a Cathedral tem como sócios Willer e Dias.