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Received — 29 October 2026 ⏭ O Jornal Económico

Utentes já podem consultar estado do registo no SNS através da aplicação e do portal

29 October 2026 at 21:00

Os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) já podem verificar a tipologia do seu registo no Registo Nacional de Utentes (RNU) através da aplicação e do portal SNS 24, anunciou hoje a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

A medida, desenvolvida em articulação com a Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), visa reforçar a transparência e permitir que cada cidadão consulte a sua situação administrativa sem necessidade de se deslocar a uma unidade de saúde.

Segundo a ACSS, a tipologia do registo no RNU assume particular relevância por influenciar a aplicação das regras de inscrição nos cuidados de saúde primários, a elegibilidade para atribuição de equipa de saúde familiar e o financiamento dos cuidados prestados.

O sistema contempla atualmente cinco tipologias de registo: registo atualizado, registo atualizado não residente, registo em curso, registo incompleto e registo histórico.

A entidade explicou que os utentes com a classificação de “registo em curso” ou “registo incompleto” devem promover a regularização dos dados em falta junto de uma unidade de cuidados de saúde primários ou hospitalares do SNS, mediante a apresentação da documentação necessária. A atualização presencial é exigida para confirmar a identidade do utente e garantir a proteção da informação.

A ACSS esclarece ainda que a classificação de “registo atualizado não residente” — referente a cidadãos portugueses a residir no estrangeiro com os dados completos — não retira o direito de acesso aos cuidados de saúde do SNS nem a respetiva cobertura financeira, embora exclua a elegibilidade para a atribuição ou manutenção de médico de família.

A disponibilização desta funcionalidade sucede à integração, em setembro de 2026, de novos indicadores sobre o RNU no Portal da Transparência do SNS, permitindo acompanhar a evolução dos registos por região, unidade local de saúde, grupo etário e nacionalidade.

BPI e Fundação la Caixa apoiam 24 projetos sociais com 1,1 milhões de euros

29 October 2026 at 20:45

O BPI e a Fundação la Caixa atribuíram 1.124.150 euros a 24 projetos de instituições sociais no âmbito da 11.ª edição do Prémio Solidário, com o objetivo de melhorar as condições de vida de 1.839 pessoas em situação de vulnerabilidade.

Os vencedores foram anunciados esta quinta-feira numa cerimónia realizada na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. A edição de 2026 contou com 101 candidaturas, que solicitaram um financiamento global de 5,1 milhões de euros. As iniciativas selecionadas vão receber, em média, cerca de 46.840 euros cada.

As propostas contempladas abrangem áreas como a capacitação e integração profissional de desempregados de longa duração, migrantes e refugiados, além de programas de reinserção social de pessoas reclusas e ex-reclusas. Estão também previstos apoios à autonomia de jovens em acolhimento residencial, respostas para pessoas em situação de sem-abrigo, ações focadas na saúde mental, promoção da saúde materna e apoio à parentalidade.

Entre os projetos distinguidos figuram instituições de vários pontos do país e regiões autónomas, designadamente nos distritos de Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Setúbal, Bragança, Faro, Viseu e na Região Autónoma da Madeira.

Desde o lançamento do Prémio Solidário, em 2016, a iniciativa já apoiou 256 projetos com um investimento acumulado de 9,7 milhões de euros, beneficiando mais de 46.800 pessoas. O galardão integra os Prémios BPI Fundação la Caixa, que em 2026 dispõem de uma dotação global de cinco milhões de euros distribuída pelas categorias Infância, Solidário, Seniores e Capacitar.

Savannah conclui trabalhos geotécnicos no Bloco Este do projeto de lítio do Barroso, em Boticas

29 October 2026 at 19:17

A Savannah Resources concluiu no início desta semana os trabalhos de reconhecimento geotécnico e hidrogeológico no Bloco Este do Projeto Lítio do Barroso, onde será instalada a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.

A informação foi hoje comunicada ao mercado pela empresa, que adianta que a campanha, que decorreu de forma contínua ao longo de cerca de cinco meses, permitiu recolher informação técnica detalhada sobre as características dos terrenos e as condições hidrogeológicas, essencial à engenharia e à preparação das futuras infraestruturas.

De acordo com o comunicado, foram abrangidos 276 pontos de observação, incluindo 189 poços de reconhecimento, de que resultaram centenas de amostras enviadas para ensaios geotécnicos em laboratórios certificados.

Realizaram-se ainda 32 sondagens para piezómetros, para medir e acompanhar os níveis de água, e 30 sondagens geotécnicas, para caracterizar as condições das fundações das futuras instalações e a qualidade dos materiais que poderão ser utilizados em construção.

A campanha envolveu mais de 40 trabalhadores da Savannah e mobilizou, em média, cerca de 30 profissionais por dia.

Para além destes, contou com a participação de quatro empresas portuguesas – uma local na limpeza florestal e movimentação de terras, uma empresa regional na segurança no trabalho e duas empresas nacionais nos serviços especializados de perfuração geológica e geotécnica e de vigilância de equipamentos e pessoas.

Somando a estes serviços os de restauração, alojamento e outros do dia-a-dia, terão sido aplicados, em menos de meio ano, bem mais de 500 mil euros em serviços diretos na economia local, refere a empresa.

Os trabalhos prolongaram-se por coincidirem com o Verão, período de maior risco de incêndio rural definido pelas autoridades locais, com a altura em que as operações e horários foram adaptados em conformidade com as restrições em vigor.

Citado no comunicado, o CEO da Savannah, Emanuel Proença, considera que “a conclusão desta campanha representa mais um passo concreto no desenvolvimento do Projeto Lítio do Barroso”.

“Relativamente à contestação ao projeto dos últimos dias, por sermos da região, sabemos que a mesma não representa o sentimento local. Nós vemos no dia a dia a cada vez maior aceitação do Projeto por todos aqueles que acolheram a via do diálogo, vemos o interesse que as pessoas têm no Projeto e nas oportunidades que ele está já a criar nas comunidades. Mais de 2.000 candidatos a novos empregos, e 50 novas vagas para preencher nos próximos meses, reforçam a grande responsabilidade que temos em mãos”, acrescentou.

Empresa diz que protesto não paralisou trabalhos

No mesmo comunicado, a Savannah rejeita acusações e esclarece factos sobre os trabalhos, sublinhando que, ao contrário do referido nos últimos três dias, o protesto dos últimos dias não paralisou trabalhos.

Conforme a empresa foi esclarecendo, não estavam previstas intervenções no local dos protestos, encontrando-se o programa já concluído nessa área, tendo as operações prosseguido noutras frentes de trabalho, de acordo com o planeamento definido.

A Savannah reafirma que a sua atuação no local ocorreu ao abrigo da Servidão Administrativa concedida pelo Estado português.

Com a conclusão da campanha, a empresa dispõe agora de informação geotécnica e hidrogeológica adicional para apoiar as soluções de engenharia do Bloco Este do Projeto Lítio do Barroso.

PSI avança impulsionado por Jerónimo Martins e BCP. Europa fecha maioritariamente em alta em dia de BCE

29 October 2026 at 17:12

A bolsa lisboeta encerrou a sessão desta quinta-feira em terreno positivo, num dia marcado pelo otimismo generalizado nos mercados acionistas europeus, enquanto os investidores digeriam as decisões de política monetária e os dados macroeconómicos mais recentes. O índice PSI avançou 0,80%, fixando-se nos 9.319,57 pontos.

No índice nacional, o destaque positivo foi para a Jerónimo Martins, que liderou os ganhos ao valorizar 2,58% para 18,29 euros, seguida pelo BCP, que subiu 1,33% para 1,1050 euros. Ambas apresentaram contas do terceiro trimestre esta quarta-feira.

Do lado negativo, a Mota-Engil foi a única cotada a registar uma variação negativa relevante, cedendo 0,26% para 4,614 euros, num dia em que a generalidade dos títulos portugueses acompanhou a tendência altista europeia.‌

A nível europeu, o otimismo foi a tónica dominante, com a maioria dos principais índices a encerrar em alta. O índice pan-europeu Stoxx 600 registou um acréscimo de 0,82%, num movimento impulsionado pela expetativa em torno das decisões dos bancos centrais. O EuroStoxx 50, que agrega as maiores empresas da zona euro, fechou nos 6.212,35 pontos, uma subida de 0,72%.

Entre as principais praças, o DAX alemão destacou-se com um ganho de 1,45% para 26.076,22 pontos, seguido pelo CAC 40 francês, que avançou 1,05% para 7.970,00 pontos. O FTSE 100 britânico subiu 0,30% para 10.726,28 pontos, enquanto o FTSE MIB italiano registou um acréscimo de 0,39% para 50.017,50 pontos. A exceção foi o IBEX 35 espanhol, que contrariou a tendência e fechou em ligeira baixa de 0,16% para 18.852,69 pontos.‌

No seu habitual comentário de fecho, o Millennium investment banking destaca que “a generalidade das praças europeias encerrou em alta, num dia marcado por muitas contas empresariais e pelas decisões de política monetária do BCE. O Banco Central Europeu agiu como esperado e manteve as taxas de juro inalteradas, mas a grande surpresa foi o anúncio de saída antecipada da presidente Christine Lagarde, que ocorrerá a 7 de fevereiro de 2027″.

“O organismo afirmou que a inflação subjacente permanece amplamente estável, enquanto os efeitos totais do choque energético continuam a manifestar-se, reafirmando o seu compromisso de garantir que a taxa de inflação se estabilize na sua meta de médio prazo de 2%/ano”, acrescenta o analista do BCP. 

“De resto, a notar o disparo da Soitec, depois de notas de mercado darem conta de uma potencial compra da Lumentum pela Marvell Tecnology, mostrando apetite pelo setor de fotónica para data centers. Em Portugal BCP e Jerónimo .Martins reagiram positivamente a contas e lideraram os ganhos no PSI. Na vizinha Espanha o IBEX foi castigado pela Banca, onde as contas do BBVA mostraram fraqueza no mercado doméstico”, concluiu o analista Ramiro Loureiro.

A sessão foi assim pautada pela cautela dos investidores face às decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e da Reserva Federal (Fed) dos EUA. O BCE optou por manter as taxas de juro inalteradas, em linha com as expectativas, mas o anúncio de que a presidente Christine Lagarde deixará o cargo antecipadamente, em fevereiro de 2027, introduziu um elemento de incerteza adicional no mercado.

Os economistas antecipam agora uma nova subida das taxas de juro por parte da Fed na reunião de dezembro, o que, a concretizar-se, poderá encerrar o atual ciclo de aperto monetário. A atenção dos investidores voltar-se-á, nas próximas sessões, para os indicadores de inflação e de atividade económica, que serão cruciais para aferir a trajetória futura da política monetária a nível global.

O contexto macroeconómico continua a ser desafiante. Os elevados preços da energia, as tensões fiscais e políticas em França e a desaceleração do crescimento do PIB na zona euro, que poderá ter abrandado para 0,2% no terceiro trimestre, continuam a condicionar as perspetivas. A inflação na zona euro acelerou para 3,8% em setembro, pressionada pela subida dos preços do petróleo e do gás, o que aumenta o risco de novas pressões inflacionistas e coloca o BCE numa posição delicada, dividido entre a necessidade de conter a inflação e a deterioração das perspetivas de crescimento.

No mercado energético, os preços do petróleo registaram um recuo, com o Brent a cair 0,7% para 114,50 dólares por barril e o WTI a descer 1% para 101,74 dólares. Esta descida surge após ganhos recentes e num contexto de elevada volatilidade geopolítica.

No mercado de dívida soberana, as yields das obrigações de referência a 10 anos registaram um movimento generalizado de descida. A yield da dívida alemã (Bund) recuou para 3,349%, uma descida de 4,38 pontos base, enquanto a de Portugal caiu para 3,833%, menos 7,91 pontos base. Em França, a yield a 10 anos situou-se em 4,892%, e nos EUA, a yield do Treasury a 10 anos desceu para 4,994%.

CMVM: Ativos sob gestão em capital de risco sobem 24% para 12,7 mil milhões de euros em 2025

29 October 2026 at 15:13

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) publicou o “Relatório sobre a Atividade de Capital de Risco 2025”, que confirma o crescimento sustentado do setor em Portugal.

No final do ano, 86 entidades gestoras administravam organismos de investimento alternativo (OIA) de capital de risco, mais 6 (+8%) do que em 2024. O número de fundos de capital de risco (OIA) em atividade aumentou 20%, para 417, enquanto os ativos sob gestão subiram 24%, para 12,7 mil milhões de euros. O número de participantes cresceu igualmente 20%, para 20.496, dos quais 84% eram investidores não profissionais.

Os ativos permanecem concentrados nos fundos de maior dimensão. Os OIA com 100 milhões de euros ou mais representavam apenas 7% do total, mas detinham cerca de 38% dos ativos sob gestão. Em contraste, os fundos com menos de 2 milhões de euros correspondiam a cerca de 15% do universo e detinham menos de 1% do volume.

As estratégias continuaram dominadas por private equity (236 OIA, cerca de 69% dos ativos) e venture capital (168 OIA, cerca de 27%). O investimento em fases iniciais (seed capital, start-up e early stage) avançou 37%, para 2.849 milhões de euros. O capital destinado à expansão das empresas subiu no mesmo ritmo, para 3.988 milhões de euros. O investimento em turnaround aumentou 14%, para 771 milhões de euros.

As aquisições de participações sociais representaram 71% do valor total das transações. Foram registadas 1.073 operações de alienação, das quais 31% geraram mais-valias face ao valor de aquisição e 35% face ao valor em carteira.

No plano da supervisão, a CMVM destacou uma ação temática centrada nos requisitos de elegibilidade e nas práticas de comercialização, que originou a Circular 007/2026, publicada a 21 de outubro. A autoridade manteve o foco nos sistemas de governo e controlo interno, incluindo prevenção de conflitos de interesses, funções de conformidade e auditoria interna (no âmbito de uma ação coordenada pela ESMA), relatórios de autoavaliação e prevenção do branqueamento de capitais.

A atividade de capital de risco continua a ser uma prioridade de supervisão, garante o regulador que remete para a “esperada transposição das Diretivas (UE) 2024/927 e 2024/2994, que implicarão alterações ao Regime da Gestão de Ativos e ao Regulamento da CMVM n.º 7/2023, as entidades gestoras deverão avaliar a adaptação dos seus processos”.

A CMVM diz que o relatório visa reforçar a transparência e incentivar práticas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do mercado de capitais português.

Grupo BC muda de marca para BC Technologies e afirma-se como processador tecnológico com IA para banca

29 October 2026 at 14:45

O Grupo BC anunciou hoje a mudança da sua marca para BC Technologies, uma reestruturação que, segundo a empresa, reflete a transformação dos últimos anos para se tornar um processador tecnológico líder, impulsionado por Inteligência Artificial, no mercado hipotecário e de crédito.

A nova BC Technologies posiciona-se como fornecedora de software ao longo de todo o ciclo de vida hipotecário e de crédito, assegurando processos críticos para instituições financeiras na Península Ibérica e na América Latina.

A BC Technologies é uma plataforma tecnológica e fornecedora de software líder nos mercados hipotecário e de crédito da Península Ibérica e da América Latina, com soluções potenciadas por IA.

Em comunicado a tecnológica explica que ao longo das últimas décadas, o grupo desenvolveu uma plataforma de software que se tornou o sistema operativo dos mercados hipotecário e de crédito nestas duas regiões. Atualmente, a plataforma é utilizada por mais de 50 mil clientes e parceiros e suporta cerca de 500 mil transações por ano.

No centro desta operação está o SDoc — a camada de infraestrutura do grupo, na qual bancos, notários e conservatórias executam os seus fluxos de trabalho num ambiente único e orquestrado. Segundo a empresa, o SDoc está a tornar-se o sistema de registo de referência do setor, com adoção em rápido crescimento entre as principais instituições financeiras, após um investimento plurianual.

“A plataforma da BC Technologies combina um profundo conhecimento dos processos e dados do setor dos serviços financeiros com uma compreensão detalhada dos fluxos de trabalho complexos e dos quadros regulamentares, construída ao longo de relações de uma década com os clientes”, refere o comunicado. As capacidades de IA agêntica estão cada vez mais integradas, com foco na automatização, precisão, eficiência, conformidade regulamentar e segurança.

O grupo inclui também empresas de elevado crescimento como a iAhorro, a principal plataforma digital de intermediação hipotecária em Espanha, e a Liquitty, principal processador de crédito baseado em software na Colômbia.

A mudança de marca reflete uma transformação em curso conduzida pelo CEO do Grupo, Benjamin Ruiz-Larrea, que assumiu o cargo em 2025, dando continuidade ao trabalho de Xavier Costa, que permanece no grupo como membro do Conselho de Administração.

“Somos o sistema operativo dos nossos clientes no setor dos serviços financeiros, proporcionando rapidez, precisão, fiabilidade, segurança e certeza regulamentar sem paralelo nos seus processos hipotecários e de crédito mais críticos. A marca BC Technologies reflete a transformação do nosso modelo de negócio e a oportunidade que vemos de oferecer aos nossos clientes soluções centradas na tecnologia, à medida que a IA está a transformar os serviços financeiros”, afirmou Benjamin Ruiz-Larrea.

“A BC Technologies é um excelente exemplo de uma empresa líder numa categoria que está a evoluir com sucesso o seu modelo de negócio para uma plataforma centrada na tecnologia. Estamos entusiasmados por apoiar o Benjamin e a equipa enquanto continuam a expandir a oferta tecnológica e a acelerar a adoção da IA, alcançando efeitos positivos para clientes de primeira linha”, disse Christian Lucas, Managing Partner da Silver Lake e Presidente do Conselho de Administração da BC Technologies.

Mais de 40% dos portugueses continuam a poupar menos do que antes e mais jovens poupam mais

29 October 2026 at 14:15

Mais de quatro em cada dez portugueses com conta bancária continuam a poupar menos do que anteriormente, apesar de se registarem sinais de melhoria face ao ano anterior, segundo dados do estudo Basef Banca da Marktest divulgados por ocasião do Dia Mundial da Poupança, assinalado a 31 de outubro.

De acordo com o estudo, 41,4% dos portugueses bancarizados afirmavam, no final de 2025, estar a poupar menos do que antes. Apesar de continuar a ser o grupo mais representativo, este indicador melhorou em relação a 2024, quando 45,7% dos inquiridos reportavam uma redução da capacidade de poupança.

Em sentido contrário, aumentou a percentagem de portugueses que conseguiram reforçar as suas poupanças. Em 2025, 19,5% dos inquiridos afirmavam poupar mais do que anteriormente, acima dos 17,6% registados no ano precedente.

Os restantes participantes dividiam-se entre aqueles que mantiveram o mesmo nível de poupança, representando 31,5% da amostra, e os que não souberam ou preferiram não responder à questão, correspondente a 7,6%.

A análise por faixas etárias evidencia diferenças significativas nos hábitos de poupança. Entre os jovens dos 15 aos 24 anos com conta bancária, 34,9% afirmavam estar a poupar mais do que antes, tornando este o grupo com maior propensão para reforçar as poupanças.

No extremo oposto encontram-se os portugueses com mais de 64 anos, entre os quais apenas 13,3% disseram conseguir aumentar o montante poupado.

Segundo a Marktest, estes resultados sugerem que os consumidores mais jovens demonstram uma maior predisposição ou capacidade para reforçar as suas poupanças, contrastando com as gerações mais velhas, que continuam a enfrentar maiores dificuldades para aumentar o aforro.

Os dados resultam do estudo Basef Banca, uma análise regular da Marktest que acompanha os comportamentos financeiros e a relação dos portugueses com o sistema bancário.

DBRS destaca “fortes” resultados do BCP e antecipa lucro em 2026 acima do de 2025

29 October 2026 at 14:06

A Morningstar DBRS considerou que o BCP apresentou um “conjunto forte de resultados” no terceiro trimestre e nos primeiros nove meses de 2026, com o lucro líquido consolidado a subir 12,6% em termos homólogos, para 873,7 milhões de euros. A agência prevê que o resultado de 2026 fique “confortavelmente” acima do de 2025 e que continue a melhorar em 2027.

Segundo a análise da vice-presidente das Instituições Financeiras Europeias da DBRS, Maria Parra, o terceiro trimestre foi o melhor período do ano até agora, ajudado pela aceleração da margem financeira e por encargos mais leves em outros resultados operacionais, depois de as contribuições obrigatórias terem penalizado o primeiro semestre.

“O BCP reportou um conjunto forte de resultados no 3.º trimestre e nos primeiros nove meses de 2026. O lucro líquido subiu 12,6% em termos homólogos, e o 3.º trimestre foi o melhor trimestre do ano até agora”, escreve Maria Parra, vice-presidente das Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS, no comentário sobre os resultados.

A atividade doméstica “voltou a impulsionar o crescimento dos lucros”, enquanto a redução dos encargos com risco legal associado às hipotecas em francos suíços na Polónia “continuou a elevar a contribuição das operações internacionais”.

Em Portugal, o lucro cresceu 11,2% para 727,9 milhões de euros, sustentado por uma margem financeira que avançou 13,9% em termos homólogos apoiada por um saudável crescimento do crédito, particularmente nas hipotecas, depósitos mais baratos e uma maior contribuição da carteira de dívida soberana”, segundo a analista.

Em Portugal, o lucro aumentou 11,2% em termos homólogos, com a margem financeira a crescer 13,9%, “apoiada por um saudável crescimento do crédito, particularmente no crédito à habitação, depósitos mais baratos e uma maior contribuição da carteira de dívida soberana”, segundo a analista.

As comissões também aumentaram, com destaque para o bancassurance e a gestão de ativos. Embora os custos tenham subido com o investimento em tecnologia, as receitas cresceram mais depressa, levando o rácio de eficiência em Portugal para abaixo de 33%, enquanto o custo do risco se manteve contido.

Polónia compensa margens mais baixas

Ao nível do grupo, o crescimento da margem financeira foi parcialmente travado pela redução das margens na Polónia, na sequência dos cortes de juros do banco central. Ainda assim, “o Bank Millennium registou uma forte subida do lucro, em grande parte porque os encargos relacionados com francos suíços caíram substancialmente”.

A agência sublinha, no entanto, que o resultado polaco foi penalizado por “uma taxa de imposto bancário mais elevada e novas provisões para litígios de proteção do consumidor”. Moçambique “contribuiu menos, num contexto local difícil”.

Já a qualidade dos ativos “continuou a melhorar, com o stock de crédito não produtivo a cair 9,8% em termos homólogos, principalmente através de vendas de carteiras e amortizações”, afirma a DBRS, que considera que “a capitalização permanece robusta”.

A DBRS espera que a margem financeira em Portugal continue a crescer, apoiada pela expansão do crédito, por uma balança bem coberta e pela subida das taxas Euribor após o mais recente aumento de juros do BCE. Prevê ainda crescimento moderado das comissões e um custo do risco contido.

Na Polónia, a redução continuada dos encargos ligados aos créditos em francos suíços deverá compensar a normalização gradual do custo do risco, à medida que o banco expande o crédito empresarial.

“De um modo geral, vemos o BCP bem posicionado para cumprir o seu plano estratégico 2025-2028”, conclui a analista, destacando que o banco estima agora um retorno sobre capital próprio de “pelo menos 17,5% em 2028, muito acima da meta original de mais de 13,5%”.

Como riscos principais, a agência aponta um choque geopolítico que afete a atividade económica e a capacidade de pagamento dos clientes através de preços de energia e juros mais elevados, nova volatilidade nos mercados de dívida soberana europeia e o risco de litígios contínuo na Polónia.

 

Banco de Portugal formaliza acordo para novo edifício sede em Entrecampos que permite poupança de 35 milhões

29 October 2026 at 12:30
novo crédito à habitação

O Banco de Portugal (BdP) e a Fidelidade formalizaram esta semana a alteração ao contrato-promessa de compra e venda para a futura sede do banco central em Entrecampos, que passa a incidir sobre o edifício A1 e os espaços comerciais adjacentes, que estão no A3, e que será destinado à construção de um auditório, em vez dos edifícios A2 e A3, previsto no contrato inicial. O BdP estima que a mudança permita poupar cerca de 35 milhões de euros face ao projeto anterior.

Isto porque, o projeto inicial (aprovado no mandato de Mário Centeno, contrato-promessa com a Fidelidade em maio de 2025), previa a aquisição dos edifícios A2 e A3 por cerca de 192 milhões de euros (core & shell), para uma área bruta de construção aproximada de 32.000 m². Ao passo que o projeto revisto (anunciado em julho de 2026 pelo governador Álvaro Santos Pereira) – que passa pela alteração para o edifício A1 + auditório adjacente ao edifício A3 – tem um preço de investimento de 165,09 milhões de euros para uma área bruta de construção de 27.000 m².

A redução de cerca de 27 milhões de euros no preço de aquisição acompanha a diminuição de área. Mas o valor total do investimento estimado no novo projeto é de 225 milhões de euros o que traduz uma poupança estimada de 35 milhões, sublinhou o Banco de Portugal.

Isto porque aos 165,09 milhões acrescem outros custos, nomeadamente com a preparação técnica do imóvel para a instalação das equipas do BdP, que elevam o valor global de investimento estimado para 225 milhões de euros. Contas feitas, a poupança de 35 milhões resulta da comparação entre as duas soluções em termos equivalentes, depois de somados os restantes custos.

Este valor inclui já essa preparação técnica, pelo que não é diretamente comparável com o montante divulgado anteriormente para os edifícios A2 e A3. Parte significativa será financiada com o resultado da alienação de património imobiliário do banco central.

O sinal de cerca de 57 milhões de euros, equivalente a 30% do valor da versão anterior, foi mantido na nova versão do contrato.

O banco central estima poupanças operacionais anuais em cerca de 10 milhões de euros por ano face aos custos que têm hoje nos quatro edifícios, o que acresce à poupança estimada de 35 milhões de euros.

Em comunicado, o BdP indica que a alteração permite uma otimização do projeto em termos de localização, segurança e investimento, sem comprometer os objetivos traçados em 2025.

A concretização final da transação (entrega do edifício pela Fidelidade ao BdP) está prevista para o final do primeiro semestre de 2028, antes do fit-out (capacitação técnica). Depois o Banco procede à capacitação técnica do edifício e estima que a mudança para a nova sede seja feita até junho de 2030.

A área bruta de 27.000 metros quadrados não implica uma perda equivalente de espaço de escritório. Ao passar de duas torres para uma, o BdP deixa de duplicar núcleos de elevadores, escadas e áreas de circulação, pelo que a redução da área útil de escritórios será de cerca de metade da diferença de 5.000 metros quadrados.

O edifício A1 deverá acolher a totalidade dos trabalhadores de Lisboa, cerca de 1.400, atualmente dispersos por quatro localizações na capital. Ficam de fora o Museu do Dinheiro e os serviços de tesouraria e de atendimento ao público, que permanecem nas instalações da Baixa de Lisboa, cuja missão de aproximação à comunidade será, segundo o BdP, aprofundada.

O auditório será instalado nos espaços comerciais situados abaixo do edifício A3, entretanto adquiridos à Fidelidade. Ficará separado do A1, a poucos metros, com ligação por uma zona exterior coberta. Esta solução permite ceder o auditório a entidades externas sem afetar o perímetro de segurança do banco.

O BdP reitera que a concentração dos escritórios numa única localização permitirá reduzir custos operacionais em mais de 10 milhões de euros por ano, em linha com a opção inicial contratada. Esta poupança acresce à de 35 milhões de euros no investimento. Na prática, resulta sobretudo do fim das rendas dos edifícios da Castilho e da República e da redução dos custos de funcionamento, segurança, limpeza, manutenção e deslocações entre edifícios.

Na sequência do aditamento, o contrato mantém as condições essenciais acordadas em 2025, entre as quais a alteração do uso dos espaços comerciais, que depende da Câmara Municipal de Lisboa. Se não for aprovada, o BdP não fica obrigado a concretizar a compra.

Os serviços do BdP estão atualmente instalados, em regime de arrendamento, no edifício Álvaro Pais (antigo edifício Marconi), para onde se mudaram após deixarem o edifício da Almirante Reis. A mudança definitiva para Entrecampos está prevista para o primeiro semestre de 2030, depois da entrega do edifício, em 2028, e de cerca de dois anos de trabalhos de preparação técnica.

Em julho, o governador afirmou que a decisão de alterar o projeto foi tomada por unanimidade pelo Conselho de Administração. Álvaro Santos Pereira defendeu então que o projeto de Entrecampos é a melhor solução para o banco central, mas que era possível melhorá-lo face ao acordado na governação de Mário Centeno. Disse ainda que a mudança ajudaria a evitar custos desnecessários e ineficiências e a incentivar o trabalho em equipa.

Christine Lagarde anuncia que deixa presidência do BCE em fevereiro de 2027

29 October 2026 at 10:13

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, vai deixar o cargo a 7 de fevereiro de 2027, anunciou esta quinta-feira a instituição, antecipando em vários meses o fim do mandato que estava previsto terminar apenas no final de outubro do próximo ano.

Num comunicado citado pela Reuters, o BCE revelou que “Christine Lagarde informou hoje o Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, de que deixará o seu cargo em 7 de fevereiro de 2027”.

A saída de Lagarde põe fim a meses de especulação sobre uma possível partida antecipada da responsável francesa, que lidera o banco central da zona euro desde novembro de 2019. O seu mandato terminaria oficialmente em outubro de 2027.

Segundo a Reuters, os rumores sobre uma saída antes do final do mandato intensificaram-se nos últimos meses, numa altura em que Lagarde era apontada como uma forte candidata a assumir funções no Fórum Económico Mundial.

O anúncio surge poucas horas antes de o BCE divulgar a sua mais recente decisão de política monetária. A instituição deverá anunciar a decisão sobre as taxas de juro às 13h15 GMT desta quinta-feira, seguindo-se a habitual conferência de imprensa de Christine Lagarde às 13h45 GMT.

As taxas de juro diretoras deverão permanecer inalteradas, segundo as expectativas, com a taxa de depósito a permanecer em 2,5%, depois de dois aumentos efetuados neste ano.

A saída antecipada de Lagarde abre agora a questão sobre quem irá suceder-lhe na liderança do BCE, uma das instituições mais influentes da economia europeia, numa fase em que a política monetária continua a ser determinante para o controlo da inflação e para o crescimento económico da zona euro.

BY Venture Partners abre sede europeia em Lisboa e fecha fundo de 53,5 milhões para startups de IA

29 October 2026 at 09:00

A sociedade de capital de risco BY Venture Partners, com sede no Dubai, escolheu Lisboa para instalar o seu primeiro escritório na Europa e anunciou hoje o fecho do terceiro fundo, no valor de 53,5 milhões de euros, dedicado a empresas nativas de inteligência artificial (IA).

Em comunicado, a gestora refere que o Fundo III é ancorado pelo Dubai Future District Fund e conta com a participação de investidores institucionais e de ‘family offices’, entre os quais a Multi Lane, a Transmed Capital e o Indriss Family Office, da Arábia Saudita. Com este fundo, os ativos sob gestão da BY Venture Partners passam para mais de 178,4 milhões de euros.

O veículo vai investir sobretudo até um milhão de dólares (cerca de 860 mil euros) por empresa, entre as fases ‘pre-seed’ e Série A, em ‘startups’ de IA que estejam a “reinventar os fluxos de trabalho das empresas” e que tenham ambição de crescer à escala global desde o início.

O Fundo III já realizou 15 investimentos, num portfólio previsto de 40 empresas, entre as quais a PQShield, a Cosyne, a Isometric, a Huspy e a Invisible.

Apesar das raízes no Médio Oriente, a BY Venture Partners investe em 16 mercados, com dois terços do capital aplicado fora da região do Médio Oriente e Norte de África (MENA), na América do Norte e na Europa.

O escritório de Lisboa arranca com duas contratações locais na área de investimento. A sociedade tinha já apoiado, em fases iniciais, empresas europeias como a Onfido, a PQShield e a Huspy.

“A Europa forma alguns dos melhores talentos tecnológicos do mundo, mas os fundadores europeus enfrentam muitas vezes uma barreira quando tentam chegar ao capital internacional e a uma escala comercial global”, afirmou o sócio Sohrab Jahanbani, citado no comunicado, para quem o reforço da aposta europeia com o ‘hub’ de Lisboa é “uma evolução natural”.

Já o sócio-fundador Ghaith Yafi destacou o interesse da gestora em cidades como Madrid, Londres, Paris e Berlim, que “avançam rapidamente no desenvolvimento de software nativo de IA”, e disse que o fundo está “bem encaminhado para ficar entre os 10% melhores” do seu segmento.

Por sua vez, o sócio-fundador Abdallah Yafi sustentou que Lisboa e o ecossistema ibérico “deixaram de ser polos regionais emergentes” e passaram a ser “verdadeiras rampas de lançamento” para a inovação em IA e ‘deep tech’.

A BY Venture Partners é liderada por quatro sócios – Ghaith Yafi, Abdallah Yafi, Rami Jisr e Sohrab Jahanbani –, todos com experiência como empreendedores. Segundo a gestora, os Fundos I e II ajudaram a “produzir” quatro unicórnios, e a sociedade tem um ‘Founder Net Promoter Score’ de 87.

BBVA supera os 9.000 milhões de euros de lucro nos primeiros nove meses de 2026

29 October 2026 at 08:51

O BBVA alcançou um resultado líquido atribuível de 9.066 milhões de euros entre janeiro e setembro de 2026, superando pela primeira vez a fasquia dos 9.000 milhões em período acumulado de nove meses.

O valor representa um crescimento de 13,6% face ao período homólogo (+11,4% a taxas de câmbio constantes), impulsionado pelo desempenho das receitas recorrentes, com destaque para a margem financeira e as comissões.

O lucro por ação subiu a um ritmo ainda mais elevado — 17,5% — beneficiando das recompras de ações efetuadas nos últimos 12 meses, que reduziram o número de títulos em circulação em 4,4%, para 5.511 milhões.

O Grupo bancário espanhol mantém uma combinação de crescimento e rentabilidade que se destaca no panorama europeu. A atividade creditícia cresceu 20,4% em euros constantes nos últimos 12 meses, com os empréstimos e antecipações a clientes a atingirem 540.767 milhões de euros. No mesmo período, os depósitos de clientes aumentaram 14,5%, para 539.563 milhões de euros.

A rentabilidade sobre capital tangível (ROTE) fixou-se em 22%, o rácio de eficiência de 37,9% posiciona o banco como líder no setor, e a solidez da posição de capital reflete-se num rácio CET1 de 12,21%, acima dos requisitos regulamentares.

Margem financeira acelera em todas as geografias

O grupo que está presente em Portugal com uma sucursal disse que o bom desempenho do período assentou sobretudo na margem de juros, que totalizou 23.243 milhões de euros, um aumento de 20,8% interanual — 17,8% a taxas de câmbio constantes.

O BBVA tem essencialmente filiais no México, Turquia, Colômbia, Perú e Argentina.

As comissões líquidas somaram 6.909 milhões de euros, mais 13,8% do que no mesmo período de 2025.

No terceiro trimestre isolado, o banco registou um resultado atribuído de 3.015 milhões de euros, novamente acima dos 3.000 milhões, apesar de ligeiramente inferior ao trimestre anterior, num contexto de subida das despesas de exploração e dos saneamentos creditícios.

A margem bruta consolidada alcançou 32.072 milhões de euros nos nove primeiros meses, mais 18,2% interanual, enquanto o margem líquido subiu 18,6%, para 19.903 milhões de euros.

Os indicadores de risco de crédito mantiveram-se estáveis: o custo do risco situou-se em 1,44%, a taxa de mora em 2,6% e a taxa de cobertura em 84%. As despesas de exploração cresceram 17,4% interanual, refletindo a expansão da atividade e o impacto cambial, mas a eficiência operacional do banco continua a ser referência no setor.

O BBVA encerrou setembro com 986.191 milhões de euros em ativos totais — 21,3% acima do nível de há um ano —, um património líquido de 62.568 milhões de euros e uma capitalização bolsista de 136.725 milhões de euros, que subiu 45,2% em 12 meses.

O banco tem atualmente 84 milhões de clientes ativos em todo o mundo.

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