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Received — 30 October 2026 ⏭ O Jornal Económico

Miguel Maya e três administradores executivos vendem 7,7 milhões de ações do por cerca de 8,3 milhões

30 October 2026 at 18:47

Quatro administradores executivos do BCP, incluindo o presidente executivo, Miguel Maya, e o administrador financeiro, Miguel Bragança, venderam 7,7 milhões de ações do banco, num valor total de cerca de 8,35 milhões de euros, segundo um comunicado enviado ao mercado esta sexta-feira.

De acordo com as notificações de transações de dirigentes, Miguel Maya vendeu três milhões de ações ao preço de 1,08399 euros, o que perfaz cerca de 3,25 milhões de euros. O CFO, Miguel Bragança, alienou 1,2 milhões de títulos a 1,08388 euros, num total de aproximadamente 1,3 milhões de euros.

Também João Nuno Palma, vice-presidente da Comissão Executiva, vendeu 1,5 milhões de ações a 1,08387 euros (cerca de 1,63 milhões de euros), e Maria José Campos, vogal da Comissão Executiva, vendeu dois milhões de ações a 1,08381 euros, ou seja, cerca de 2,17 milhões de euros. Todas as operações foram realizadas em Lisboa.

O banco esclarece, em comunicado, que, após estas operações, estes administradores mantêm, a título individual, uma posição em ações do BCP de valor superior a duas vezes a respetiva remuneração fixa anual bruta. Para este cálculo, são contabilizadas as ações já atribuídas, mas cuja entrega está diferida, nos termos da política de remuneração em vigor.

O BCP adianta que a Comissão Executiva consultou previamente o Conselho de Remunerações e Previdência, uma vez que a decisão de reduzir a exposição ao título resultou exclusivamente de os administradores considerarem imprudente, para si próprios e para o banco, que a ação BCP tivesse um peso excessivo nos seus patrimónios mobiliários individuais.

Segundo o comunicado, o Conselho de Remunerações e Previdência considerou legítimas as motivações apresentadas e recomendou que eventuais operações fossem realizadas nos 30 dias seguintes à apresentação pública de resultados, para garantir “máxima transparência” e evitar interpretações inadequadas sobre a motivação das vendas.

O banco sublinha que o entendimento assenta na necessidade de assegurar um alinhamento patrimonial relevante e continuado entre os interesses dos administradores executivos e os de longo prazo do banco, dos acionistas e dos restantes stakeholders, reconhecendo, ao mesmo tempo, a importância de uma adequada diversificação do património pessoal dos gestores, num quadro de transparência, previsibilidade e adequada perceção pelo mercado.

O BCP conclui que a atuação agora observada respeita “em tudo”, nos termos, na forma e no tempo, as recomendações do Conselho de Remunerações e Previdência.

As ações do banco caíram 2,49% para 1,08 euros.

François Edouard Drion é o novo CEO do Crédit Agricole Auto Bank

30 October 2026 at 18:36

O Crédit Agricole Auto Bank anunciou em comunicado uma mudança de liderança na sua estrutura executiva: François Edouard Drion, atual Diretor-Geral e CEO da Agos em Itália, foi nomeado novo Chief Executive Officer do Grupo CA Auto Bank. A tomada de posse oficial está agendada para o dia 1 de fevereiro de 2027.

François Edouard Drion sucede a Giacomo Carelli, responsável por liderar marcos históricos da instituição — como a transição de FGA Capital para FCA Bank em 2015 e a criação do CA Auto Bank e da Drivalia em 2023. Carelli transitará para a empresa-mãe Crédit Agricole Personal Finance and Mobility (CAPFM), onde assumirá o cargo de Global Head of Automotive, Mobility, Insurance and Services.

Com 59 anos, François Edouard Drion é graduado pelo Sciences Po Paris e possui pós-graduação em Finanças pela Universidade Paris Dauphine. Conta com uma vasta trajetória de cerca de três décadas no setor bancário e financeiro internacional, com passagens pelo BNP Paribas onde foi Head of Retail Banking para o Médio Oriente e CEO do BNP Paribas na Argélia; pelo Crédit Agricole (ingressou no Grupo como CEO do Crédit Agricole Sérvia e passou em 2011 para o cargo de CEO do Crédit Agricole Egito).

A transição totalmente interna visa reforçar a posição do CA Auto Bank no mercado europeu e guiar o plano de crescimento rentável e sustentável da instituição.

O novo CEO fala da experiência na gestão bancária “adquirida nos mercados internacionais e, mais recentemente, em Itália com a Agos” e diz que o seu objetivo agora é “desenvolver ainda mais o posicionamento do CA Auto Bank na Europa, trabalhando em sinergia com os nossos parceiros e apoiando as redes de vendas e os clientes finais através de soluções financeiras e de mobilidade eficazes”.

Stéphane Priami, Diretor-Geral Adjunto do Crédit Agricolee Presidente do CA Auto Bank, destacou a relevância do banco nos objetivos de médio prazo do Grupo, elogiando também a liderança de Giacomo Carelli e dando as boas-vindas ao novo executivo.

O Crédit Agricole Auto Bank é detido a 100% pelo Crédit Agricole Personal Finance & Mobility.

Sindicato da Hotelaria do Sul protesta em hotéis de Lisboa no dia 2 de novembro

30 October 2026 at 18:35

O Sindicato do Trabalho na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul vai realizar, no próximo dia 2 de novembro, uma ação de protesto “porta-a-porta” junto a vários hotéis de Lisboa para exigir aumentos salariais e o desbloqueio da contratação coletiva.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, 30 de outubro, o sindicato afeto à CGTP explicou que a iniciativa se insere numa campanha nacional da Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) contra os baixos salários e pela negociação dos contratos coletivos.

A estrutura sindical denunciou que o setor da hotelaria continua marcado por “baixos salários, precariedade e perda de poder de compra”, apontando um contraste entre o crescimento do turismo e a degradação das condições de trabalho.

De acordo com o comunicado, o Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) dos hotéis do Centro-Sul encontra-se “bloqueado desde 2004”, situação que o sindicato atribui à “reiterada indisponibilidade da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP)” para negociar a revisão do documento.

A ação de protesto vai consistir numa rota com concentrações junto às entradas de diversas unidades hoteleiras na zona da Avenida Fontes Pereira de Melo e áreas envolventes, com o intuito de alertar hóspedes e clientes para a situação laboral no setor e apelar à intervenção dos grupos hoteleiros junto da associação patronal.

As concentrações estão programadas para decorrer ao longo da manhã do dia 2 de novembro, entre as 08h30 e as 12h00, em estabelecimentos como o Evolution Lisboa Hotel, Sheraton Lisboa Hotel e Spa, America Diamond’s Hotel, HF Fenix Urban, Ibis Styles Lisboa Centro Marquês de Pombal, Sana Lisboa e Eurostars Lisboa Parque.

Samba Digital fecha 1.º semestre com lucro líquido de 53 mil euros em queda

30 October 2026 at 18:34

A Samba Digital SGPS, empresa de marketing desportivo internacional cotada no Euronext Growth Lisbon, registou no primeiro semestre de 2026, com um volume de negócios de 3,304 milhões de euros e um lucro líquido de 53 mil euros que compara com 239 mil euros um ano antes.

As contas consolidadas são apresentadas em euros; a evolução do volume de negócios expresso em dólares inclui o efeito cambial sobre a contribuição da atividade francesa.

Face ao primeiro semestre de 2025, o volume de negócios aumenta 15,2 %, o EBITDA passa de −331 mil euros para +559 mil euros e o resultado líquido de −490 mil euros para +53 mil euros, o que permite ao Grupo regressar a resultados operacional e líquido positivos, embora permaneça abaixo dos níveis do S1 2025.

O volume de negócios atingiu os 3,304 milhões de euros, o que representa uma quebra de 2,0% face ao primeiro semestre de 2025. No entanto, após conversão, este valor equivale a 3,858 milhões de dólares, registando um crescimento de 5,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Além disso, verificou-se um crescimento de 15,2% em euros face ao segundo semestre de 2025.

“A maior parte do aumento dos custos decorre da abertura do escritório de Atlanta, destinado a reforçar a estrutura comercial e operacional nos Estados Unidos, e da passagem de vários colaboradores-chave em França, anteriormente trabalhadores independentes, para o regime de trabalho por conta de outrem”, lê-se no comunicado.

O EBITDA situou-se em 559 mil euros, com uma margem de 16,9%, e o resultado operacional foi positivo em 165 mil euros. No semestre homólogo, o EBITDA tinha sido de 769 mil euros e o resultado líquido de 239 mil euros.

No segundo semestre de 2025, a empresa tinha registado EBITDA negativo de 331 mil euros e um prejuízo líquido de 490 mil euros.

A companhia atribui a redução da rentabilidade face ao ano anterior ao reforço da estrutura operacional, nomeadamente com a abertura do escritório de Atlanta, nos Estados Unidos, e com a integração de vários colaboradores-chave em França no regime de trabalho por conta de outrem.

Estes movimentos visam fortalecer a gestão das atividades americanas e garantir a continuidade das competências do grupo.

As depreciações e amortizações subiram 26,8%, para 394 mil euros, refletindo os investimentos nas ferramentas tecnológicas, incluindo a plataforma FanSight, infraestrutura de inteligência de mercado desenvolvida pela Samba Digital para o setor do desporto.

A FanSight ajuda clubes, ligas e federações a compreender os seus públicos e mercados internacionais, cruzando dados digitais com critérios económicos e comerciais.

O grupo está a explorar a sua utilização para identificar potenciais parceiros de patrocínio e a avançar na integração com ferramentas de inteligência artificial, com conectores já operacionais com Claude e ChatGPT.No primeiro semestre, a Samba Digital celebraram novos contratos com o CF Montréal e os Houston Texans e renovaram colaborações com o Paris Saint-Germain, Chelsea FC, World Rugby e Kansas City Chiefs.

A taxa de renovação para a época 2026-2027 situou-se em 97%.Após o encerramento da subsidiária brasileira, o grupo estuda o reagrupamento das atividades operacionais sob a Samba Digital US, através de uma eventual entrada em espécie ou venda da Samba Digital France pela sociedade-mãe portuguesa.

Em 30 de junho de 2026, a caixa e equivalentes de caixa ascendiam a 647 mil euros e os capitais próprios consolidados a 24,77 milhões de euros.

Lucro da ExxonMobil sobe 52% para 30.485 milhões até setembro

30 October 2026 at 17:46

A petrolífera norte-americana ExxonMobil registou lucros de 34.121 milhões de dólares (cerca de 30.485 milhões de euros à taxa de câmbio atual) até setembro deste ano, um aumento de 52% face ao período homólogo.

As receitas da empresa atingiram os 314.319 milhões de dólares (cerca de 281.262 milhões de euros) nos primeiros nove meses deste ano, um aumento de 25% face a igual período do ano passado.

Já os custos e outras deduções aumentaram 23%, atingindo os 266.692 milhões de dólares (cerca de 238.644 milhões de euros).

A divisão de ‘upstream’ (pesquisa e extração) contribuiu com 20.752 milhões de dólares (cerca de 18.564 milhões de euros) para o resultado líquido alcançado, o que representa uma subida de 16%, enquanto os produtores de energia geraram 11.372 milhões de dólares (cerca de 10.173 milhões de euros), um aumento de 182% em relação ao período homólogo.

Por seu turno, o segmento de produtos químicos atingiu um resultado líquido de 1.976 milhões de dólares (cerca de 1.767 milhões de euros), um aumento de 82,7%, enquanto a área dos produtos denominados “especializados” registou um resultado de 2.892 milhões de dólares (cerca de 2.587 milhões de euros), um aumento de 33%.

Entre julho e setembro, a ExxonMobil registou um lucro de 15.413 milhões de dólares (cerca de 13.788 milhões de euros), mais do que o dobro do valor do ano anterior, enquanto o volume de negócios ascendeu a 113.164 milhões de dólares (cerca de 101.237 milhões de euros), um aumento de 32,6%.

A petrolífera viu a sua dívida líquida reduzir-se em 11.000 milhões de dólares (cerca de 9.840 milhões de euros) nos últimos 12 meses, situando-se em 22.100 milhões de dólares (cerca de 19.770 milhões de euros) a 30 de setembro.

Além disso, anunciou um dividendo de 1,07 dólares (0,96 euros), a pagar a 10 de dezembro a todos os acionistas que estejam registados até ao fecho de mercado do dia 16 de novembro.

“Trimestre após trimestre, acumulam-se as provas de um negócio mais sólido. Estamos a melhorar tanto a qualidade da nossa carteira como a nossa capacidade de otimização. […] Os mercados irão mudar, mas estamos posicionados para continuar a fornecer a energia e os produtos de que o mundo necessita, ao mesmo tempo que geramos crescimento e valor a longo prazo para os nossos acionistas”, afirmou o presidente e diretor executivo da empresa, Darren Woods, citado no mesmo comunicado.

Europa fecha em baixa pressionada por tecnologia e energia. PSI recua com tombo do BCP

30 October 2026 at 17:12

As ações europeias encerraram em território negativo nesta sexta-feira, 30 de outubro, com os investidores a digerirem uma nova vaga de resultados dececionantes no setor tecnológico e a escalada dos preços do petróleo, num clima de crescente tensão geopolítica.

Em Lisboa, o índice PSI acompanhou a tendência europeia e fechou a cair 0,47%, para 9.276,13 pontos, com 11 dos seus 16 títulos em terreno negativo. A sessão foi marcada por uma correção generalizada, com o BCP a liderar as perdas ao recuar 2,49% para 1,0775 euros, depois de várias casas de investimento terem revisto as suas avaliações.

O Oddo BHF e o UBS subiram o preço-alvo do BCP e veem as ações do banco a valorizar até 24,9%. Já a AlphaValue cortou o preço-alvo para 0,80 euros e manteve a recomendação de “vender”, o que traduz uma descida de 27,6%.

A Mota-Engil também esteve sob pressão, cedendo 1,99% para 4,522 euros, enquanto a EDP Renováveis desvalorizou 1,03% para 12,50 euros. Do lado dos ganhos, a NOS destacou-se com uma subida de 2,36% para 5,21 euros, num movimento contrário ao mercado, e a Jerónimo Martins valorizou 0,93% para 18,46 euros. A Galp conseguiu terminar em alta de 0,63% para 20,78 euros, beneficiando diretamente da subida do crude.

No resto da Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,38%, para 646,64 pontos. O EuroStoxx 50, que agrega as maiores empresas da zona euro, foi o mais penalizado, ao cair 1,23% para 6.131,02 pontos.

Entre os principais índices, o alemão DAX perdeu 0,85% para 25.818,75 pontos, arrastado pelo mau desempenho de pesos-pesados como a Siemens Energy e a Infineon. O italiano FTSE MIB encerrou com uma queda de 1% para 49.500 pontos, interrompendo uma série de cinco sessões consecutivas de ganhos. O espanhol IBEX 35 caiu 1,09% para 18.652,90 pontos. Já o FTSE 100 britânico conseguiu escapar à correção e fechou praticamente inalterado, com uma ligeira subida de 0,07% para 10.729,78 pontos, enquanto o francês CAC 40 recuou 0,01% para 7.969,42 pontos.‌

O ambiente de aversão ao risco foi alimentado por uma verdadeira “razia tecnológica” do outro lado do Atlântico. Os investidores procuraram refúgio em setores mais defensivos, como o farmacêutico e o alimentar, depois de resultados fracos da Intel e da Amazon terem gerado um pessimismo generalizado no setor. Este sentimento transbordou para a Europa, penalizando fortemente as cotadas ligadas à tecnologia e semicondutores.‌

No mercado de energia, os preços do petróleo registam fortes subidas, com o Brent do Mar do Norte a negociar acima dos 117 dólares por barril e o WTI a superar os 103 dólares. Esta subida foi impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas. A Ucrânia retomou os ataques com drones contra refinarias russas, atingindo três instalações e um complexo químico, no que constitui o maior ataque desde a trégua energética anunciada unilateralmente por Donald Trump.

Entretanto, a Rússia deverá manter a sua proibição de exportação de diesel, prolongando as restrições que já vigoram para os produtores até 31 de outubro, num esforço para estabilizar o mercado interno e que continua a limitar a oferta global.

Esta sexta-feira começa a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G20 em Atlanta, que decorre até 31 de outubro, e onde os conflitos na Ucrânia e as tensões no Médio Oriente dominam as discussões.

No mercado obrigacionista, a procura por ativos de refúgio levou a um alívio nas yields das principais dívidas soberanas. A yield das Bunds alemãs a 10 anos recuou 1,6 pontos base para 3,355%, enquanto a dívida portuguesa a 10 anos se manteve em 3,834%.

Em França, a OAT a 10 anos subiu para 4,95%, pressionada pela subida do petróleo.

Nos Estados Unidos, a yield do Treasury a 10 anos caiu 8,5 pontos base para 4,902%, o valor mais baixo em sete semanas.

Num comentário ao fecho do dia, o Millennium investment banking destacou que “a razia tecnológica arrasta as bolsas e os investidores procuram refúgios”, sublinhando a rotação para setores defensivos e a pressão sentida pelos principais índices europeus.

AICEP traz a Lisboa conferência europeia que reúne principais consultores de investimento mundial em 2027

30 October 2026 at 17:06

Lisboa vai receber, em outubro de 2027, a Conferência Europeia da Site Selectors Guild, uma associação que reúne alguns dos mais influentes especialistas internacionais em estratégia de localização de investimentos. O evento decorrerá nos dias 21 e 22 de outubro e contará com o apoio da AICEP, reforçando a projeção de Portugal junto dos decisores que aconselham empresas em processos de investimento e expansão internacional.

A conferência reunirá consultores internacionais, agências de promoção de investimento e líderes empresariais de vários países europeus para debater as principais tendências que estão a influenciar as decisões de localização de novos projetos de investimento à escala global.

Segundo a AICEP, a escolha de Lisboa reflete o crescente reconhecimento de Portugal como destino competitivo para o investimento estrangeiro. Entre os fatores valorizados pela Site Selectors Guild destacam-se a conectividade internacional, a disponibilidade de talento qualificado, o dinamismo do ecossistema de inovação e a cooperação entre o setor público e privado.

“Queremos que Portugal seja uma escolha de confiança para as empresas que procuram investir, inovar e crescer à escala global. Acolher a Conferência Europeia da Site Selectors Guild é uma oportunidade para mostrar, junto de quem aconselha essas decisões, o talento, a capacidade de inovação e de execução que o país oferece”, afirmou a presidente da AICEP, Ana Casaca.

A responsável acrescentou que a agência continuará a acompanhar os investidores desde a decisão de localização até à implementação e expansão dos projetos. “É assim que queremos crescer em conjunto: empresas mais competitivas a partir de Portugal e uma economia mais forte, com mais oportunidades para as pessoas e os territórios”, disse.

Também Larry Gigerich, chairman da Site Selectors Guild e executive managing director da Ginovus, justificou a escolha da capital portuguesa, destacando que Lisboa reúne “muitas das características que hoje definem os territórios mais competitivos”, nomeadamente talento, inovação, qualidade de vida, conectividade e uma abordagem colaborativa ao crescimento económico.

Durante os dois dias de trabalhos, os participantes terão acesso a sessões especializadas, encontros de networking e oportunidades de contacto direto com consultores responsáveis por aconselhar empresas em projetos de investimento e expansão em dezenas de mercados.

Nos últimos anos, Portugal tem vindo a captar investimento internacional em áreas como indústria avançada, tecnologias digitais, energias renováveis, ciências da vida e serviços de valor acrescentado. Para a AICEP, a realização da conferência em Lisboa representa uma oportunidade para aumentar a visibilidade do país junto dos profissionais que influenciam decisões de investimento corporativo em vários mercados internacionais.

A agência considera que o evento contribuirá para reforçar o posicionamento de Portugal como plataforma de inovação, conhecimento e crescimento sustentável, num momento em que a captação de investimento estrangeiro continua a ser uma das prioridades da estratégia económica nacional.

Prestação da casa sobe em novembro nos contratos com Euribor a 3, 6 e 12 meses, alerta Deco Proteste

30 October 2026 at 16:52

A prestação da casa vai subir em novembro para créditos com taxa Euribor a três, seis e 12 meses que sejam revistos nesse mês, segundo as simulações feitas pela Deco Proteste para a agência Lusa.

As simulações da Deco Proteste baseiam-se num cenário com um financiamento de 150.000 euros a 30 anos e um ‘spread’ (margem de lucro comercial) de 1%.

Baseando-se nestas condições, os contratos com Euribor a 12 meses revistos em novembro passam a pagar 736,94 euros, mais 89,31 euros do que pagavam desde novembro de 2025.

Os contratos com Euribor a seis meses sobem 44,24 euros, para 713,96 euros, face ao fixado em maio.

Já os contratos a três meses passam a pagar mais 17,62 euros em relação ao valor apurado em agosto, ou seja, 684,92 euros.

A taxa Euribor subiu hoje a três e seis meses e desceu a 12 meses face a quinta-feira, terminando outubro com a média mensal inalterada no prazo mais curto, a avançar no intermédio e a descer no mais longo.

A média mensal da Euribor em outubro manteve-se em 2,635% a três meses e subiu 0,053 pontos para 2,975% a seis meses. Já a média da Euribor a 12 meses desceu 0,008 pontos para 3,239%.

A média da Euribor considerada para efeitos de revisão de um empréstimo de taxa variável é a do mês anterior ao da assinatura do contrato de crédito.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a agosto indicam que a Euribor a seis meses representava 40,3% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,03% e 24,27%, respetivamente.

UE cobra a partir de domingo nova taxa de 2 euros sobre encomendas de fora do bloco

30 October 2026 at 16:04

A União Europeia vai passar a cobrar, a partir deste domingo, uma nova taxa de dois euros sobre qualquer encomenda proveniente de fora do bloco, para atenuar o impacto do comércio ‘online’, designadamente chinês, no mercado europeu.

Esta taxa vai ser cobrada a qualquer encomenda que vier de fora da União Europeia (UE), independentemente do seu valor, e acresce a outra tarifa, de três euros, que a Comissão Europeia já tinha começado a aplicar em julho para encomendas de menos de 150 euros.

A taxa de dois euros vai ser cobrada por categoria de artigos e não por encomenda, o que significa que, na compra de cinco ‘t-shirts’, apenas se aplica uma única taxa de dois euros (por pertencerem à mesma categoria).

No entanto, se a encomenda incluir artigos de três categorias diferentes, como um relógio, camisolas e joias, será cobrada uma taxa total de seis euros.

A medida vai começar a ser aplicada a poucas semanas de começarem as épocas de saldos do ‘Black Friday’ e do ‘Cyber Monday’, mas a UE defende que o custo da taxa deve ser suportado pelas plataformas e não pelo consumidor final.

Não está, contudo, prevista qualquer medida para impedir que as plataformas repercutam o valor desta taxa no preço dos seus produtos.

A Comissão Europeia salienta que, atualmente, continuam a chegar cerca de cinco milhões de encomendas por dia à Europa, a grande maioria proveniente de plataformas chinesas como a Temu, a AliExpress ou a Shein.

Esse volume de encomendas está a colocar sob pressão as autoridades aduaneiras, numa altura em que o executivo comunitário estima que cerca de 60% das encomendas provenientes de fora da UE não cumprem os requisitos comunitários.

Nos últimos meses, por exemplo, a Comissão Europeia aplicou multas à AliExpress e à Temu por falhas na verificação dos riscos associados a produtos que vendem nas suas plataformas, como brinquedos para bebés, joias ou carregadores com elevados riscos de segurança.

O objetivo da taxa é, assim, cobrir os custos adicionais que as autoridades aduaneiras estão a ter com este volume de encomendas, dando-lhes a capacidade para fiscalizarem melhor as encomendas provenientes de fora do bloco e garantir que respeitam as regras europeias.

Ao contrário da taxa aplicada em julho – que só ficará em vigor até 2028, quando entrar em vigor o novo sistema aduaneiro europeu – esta nova taxa é permanente.

OE2026: Pagamentos em atraso caem para 617,5 milhões até setembro

30 October 2026 at 16:00

Os pagamentos em atraso das entidades públicas totalizaram 617,5 milhões de euros entre janeiro e setembro, menos 384,6 milhões de euros face ao mês anterior, foi hoje anunciado.

“No final de setembro, os pagamentos em atraso das entidades públicas ascenderam a 617,5 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 384,6 milhões de euros face ao mês anterior”, lê-se na síntese de execução orçamental, hoje divulgada pela Entidade Orçamental (antiga DGO – Direção-Geral do Orçamento).

O documento ressalva que não é possível calcular a variação homóloga, tendo em conta que a definição de pagamentos em atraso foi alterada em junho.

Para a variação mensal contribuíram, sobretudo, as áreas da saúde (-364,9 milhões de euros), da Administração Central (-13,7 milhões de euros), excluindo o subsetor da Saúde, e das Entidades Públicas Reclassificadas (-13,1 milhões de euros).

Transações continuam a cair em Portugal, de acordo com TTR Data

30 October 2026 at 16:00

Nos primeiros nove meses deste ano, o capital mobilizado no mercado transacional em Portugal caiu 45%, face a igual período do ano passado, para 7,8 mil milhões de euros, de acordo com os dados da TTR Data. O número de operações reduziu-se em 27%, para 379.

É um prolongamento da tendência de quebra verificada desde o início do ano.

No terceiro trimestre houve 120 operações de fusões e aquisições (M&A, na sigla inglesa), anunciadas ouconcluídas, no valor de 4,7 mil milhões de euros, insuficientes para compensarem a quebra acumulada.

O recuo em Portugal contrasta com a evolução do Sul da Europa. No primeiro semestre, o valor das fusões e aquisições na região aumentou 37%, para 147,7 mil milhões de euros, apesar de o número de negócios ter diminuído 6%, para 1.858. São dados de um relatório da Forvis Mazars e da Mergermarket. O crescimento foi impulsionado por grandes transações.

Segundo o mesmo estudo, no mesmo período, em Portugal, o capital mobilizado limitou-se a 800 milhões de euros de valor anunciado, contra os 6,3 mil milhões um ano antes, o que decorre do efeito Novobanco. O número de operações caiu 37%, para 82.

O peso das operações excecionais marcou 2025. A aquisição do Novobanco pelo francês BPCE, anunciada por 6,4 mil milhões de euros, inverteu os indicadores de um ano que, sem esse negócio, teria apresentado uma quebra acentuada.

A Mergermarket identificou 33 potenciais operações em Portugal, em 12 setores, num universo de 608 oportunidades sinalizadas no Sul da Europa.

“Embora o mercado português de M&A registe um número de transações menor, a verdade é que existem muitas oportunidades”, afirma Filipa Matias, senior manager de Transaction and Advisory Services da Forvis Mazars em Portugal. Acrescenta que a atividade nas operações de pequena e média dimensão “continua presente, embora seja menos visível nos dados de transações com valores divulgados”.

“Há muito capital disponível, não há é, se calhar, tantas oportunidades”, afirmou Rui Corrêa Henriques, responsável pelo Corporate and Investment Banking do Santander em Portugal, ao Jornal Económico em setembro. O banqueiro antecipa uma recuperação no prazo de seis a 18 meses.

Os resultados do estudo da Forvis Mazars e da Mergermarket não são diretamente comparáveis com os da TTR Data, por utilizarem critérios diferentes, mas confirmam que o número de negócios caiu e que faltam grandes operações.

Estrangeiros compram

Segundo a TTR Data, Espanha foi o país que mais investiu em Portugal até setembro, com 28 operações, e também foi o principal destino do investimento português, com 37 negócios, e no Reino Unido, com nove.

As compras estrangeiras no setor de tecnologia e internet recuaram 16% em termos homólogos.

Entre os negócios destacados pela Forvis Mazars no primeiro semestre está o investimento no grupo de mediação de seguros Sabseg, numa operação global de 600 milhões de euros envolvendo a Miura Partners e o reforço da posição da Schroders, de 2% para 20%. Seguiu-se a aquisição do Caesar Park, em Sintra, pela Catterton Management e pela Cedar Capital Partners, por 140 milhões.

Portugal Ventures conclui saída da Perceive3D após aquisição pela Smith+Nephew

30 October 2026 at 11:54
Banco do Fomento

A Portugal Ventures anunciou a conclusão do desinvestimento na Perceive3D, empresa portuguesa de tecnologia médica adquirida integralmente pela multinacional britânica Smith+Nephew em 2020. O anúncio, divulgado a 29 de outubro, surge na sequência da autorização pela agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) do sistema TESSA, desenvolvido a partir da tecnologia da startup.

Fundada por João P. Barreto e Rui Melo, a Perceive3D nasceu como spin-off da Universidade de Coimbra e dedica-se ao desenvolvimento de soluções de visão por computador, inteligência artificial e realidade aumentada aplicadas à cirurgia minimamente invasiva. A sua plataforma de navegação para artroscopia permite transpor o planeamento pré-operatório para o contexto cirúrgico em tempo real, com o objetivo de aumentar a precisão dos procedimentos.

Esta tecnologia deu origem ao TESSA — Tracking Enabled Spatial Surgery Assistant —, atualmente integrado no portefólio da Smith+Nephew. Segundo o comunicado, a primeira aplicação clínica do sistema destina-se à reconstrução artroscópica do ligamento cruzado anterior do joelho, numa abordagem de navegação intra-articular que a empresa designa por «Cirurgia Espacial». A autorização da FDA foi concedida através da via regulatória De Novo.

A Portugal Ventures, sociedade de capital de risco do Grupo Banco Português de Fomento, investiu na Perceive3D em 2013, quando a empresa se encontrava na fase pre-seed. Ao longo dos anos, apoiou o desenvolvimento tecnológico, a proteção da propriedade intelectual, a validação clínica e os primeiros projetos-piloto hospitalares.

A aquisição pela Smith+Nephew, em 2020, permitiu acelerar o desenvolvimento industrial e regulatório da tecnologia, de acordo com a nota de imprensa. O comunicado não divulga o valor da aquisição, o montante investido pela Portugal Ventures ou o retorno obtido com a operação, nem detalha as condições da conclusão do desinvestimento agora anunciada.

Para Marco Neves, presidente do conselho de administração da Portugal Ventures, a integração da tecnologia num grupo internacional e a autorização regulatória nos Estados Unidos demonstram o papel do investimento na valorização da investigação científica. «Ver esta tecnologia integrada num líder global como a S+N e agora validada pela FDA confirma o impacto que o capital de risco pode ter na transformação de ciência em inovação», afirma, citado no comunicado.

João P. Barreto, fundador e diretor executivo e científico da Perceive3D, destaca a complexidade do percurso entre a investigação inicial e a chegada ao mercado. “Levar uma tecnologia médica com esta complexidade e sofisticação de TRL 1 a TRL 9, ou seja, dos princípios científicos básicos até à introdução no mercado, foi uma experiência única e com poucos precedentes em Portugal”, refere.

O responsável salienta ainda o contributo da Universidade de Coimbra, da Portugal Ventures, enquanto principal investidor, e da Smith+Nephew, que adquiriu a tecnologia antes da sua comercialização.

Também o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, considera que a autorização constitui um reconhecimento da investigação desenvolvida na instituição. O percurso da Perceive3D, afirma, demonstra “como o conhecimento produzido na nossa instituição pode transformar-se em inovação com impacto global”.

APFN considera que OE2027 continua a penalizar famílias com filhos e exige critério per capita no Estado

30 October 2026 at 11:53

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) considerou hoje que a Proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) mantém a penalização sobre quem tem filhos e defendeu a adoção do critério per capita de forma transversal em todas as políticas públicas.

No parecer emitido sobre a Proposta de OE2027, a APFN defende que “cada filho vale um” e que a equidade fiscal tem de assentar no rendimento por pessoa, aplicando-se não só ao IRS, mas também à habitação, energia, prestações sociais, saúde e mobilidade.

A associação reconhece a inclusão de algumas medidas no documento, nomeadamente a atualização dos escalões do IRS acima da inflação, o reforço da dedução a partir do terceiro filho e o alargamento da licença parental. Contudo, classifica estas opções como “passos simbólicos e avulsos” que falham em corrigir a injustiça estrutural.

Segundo a APFN, as famílias numerosas têm rendimentos semelhantes aos dos restantes agregados, com a diferença de que o mesmo montante precisa de sustentar mais pessoas. A organização sublinha que tratar de forma igual famílias com o mesmo rendimento, mas com número diferente de dependentes, ignora o aumento de custos com alimentação, vestuário, habitação, energia e educação.

“Uma criança não é uma fração de adulto nem um elemento acessório do agregado. É uma pessoa inteira com necessidades próprias que o rendimento da família tem de sustentar por inteiro”, refere a associação, alertando que o Estado está a “sufocar o rendimento disponível de quem decide ter filhos”.

Lembrando que os dados do Inquérito à Fecundidade do Instituto Nacional de Estatística indicam que as famílias portuguesas desejam ter mais filhos e não o fazem sobretudo por limitações financeiras, a APFN apela aos grupos parlamentares para que corrijam o documento durante a discussão na especialidade.

Entre as medidas propostas pela associação para o IRS estão a tributação com base no rendimento per capita ou a dedução de um mínimo de existência por filho, a fixação de limites de despesas dedutíveis por pessoa e a atualização das deduções à taxa da inflação acumulada.

Na habitação, a organização pede a eliminação do teto de três filhos no IMI Familiar e critérios per capita na isenção de IMI, no IMT e no Porta 65 Jovem. A APFN reclama ainda a aplicação da taxa reduzida de IVA a todo o consumo de eletricidade, um abono de família universal, maior flexibilidade na licença parental e a revisão do ISV e do IUC para veículos de maior lotação a partir dos três filhos.

Empresas alemãs prevêem elevar preços perante a pressão dos custos de energia, aponta Ifo

30 October 2026 at 08:56

As empresas alemãs prevêem aumentar os preços nos próximos meses, pressionadas pelo forte avanço das cotações de petróleo e gás natural. Segundo o Instituto Ifo, o indicador de expectativas de preços subiu de 23,0 para 25,9 pontos entre setembro e outubro de 2026, sinalizando que a inflação deve continuar em alta tanto nos preços ao produtor quanto aos consumidores.

“As empresas estão a reagir ao forte aumento nos preços do petróleo bruto e do gás natural, que atingiram no segundo semestre de outubro seu nível mais alto desde 2022”, afirmou Timo Wollmershäuser, chefe de previsões do instituto, num comunicado divulgado nesta sexta-feira.

“Nos próximos meses, a inflação continuará a subir tanto para os preços de produtor quanto para os preços ao consumidor”, refere o instituto alemão.

O avanço do indicador foi generalizado entre os setores da economia alemã.

Na indústria de transformação, o salto foi particularmente pronunciado: o indicador cresceu para 27,2 pontos, contra 22,0 em setembro.

No retalho, as expectativas de preço subiram de 31,5 para 32,2 pontos, enquanto entre os prestadores de serviços para o consumidor o índice avançou de 15,1 para 17,7 pontos.

Na construção civil, o indicador permaneceu praticamente estável, recuando levemente de 16,2 para 16,1 pontos. Apenas entre os prestadores de serviços para o setor empresarial houve algum alívio na pressão sobre os preços, com uma queda do indicador de 23,4 para 22,3 pontos.

Os dados reforçam a preocupação de que a recuperação recente nos preços da energia possa reavivar as pressões inflacionárias na maior economia da Europa, após um período de maior estabilidade nos custos ao longo dos últimos anos.

ASF quer apresentar proposta de adesão automática a planos de pensões até março de 2027

30 October 2026 at 07:55

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) espera apresentar até ao final do primeiro trimestre do próximo ano uma proposta para introduzir em Portugal um sistema gradual de adesão automática a planos complementares de reforma (auto-enrollment), anunciou o presidente do regulador dos seguros, Gabriel Bernardino.

A medida pretende reforçar a poupança para a reforma através da inscrição automática dos trabalhadores em planos de pensões profissionais, com contribuições que poderão ser reduzidas e com a possibilidade de desistência voluntária. O responsável adiantou que a ASF está a trabalhar no tema e mantém contactos com o Governo, sublinhando que o objetivo é ultrapassar a inércia na decisão de poupar.

Gabriel Bernardino afirmou que a ASF está a trabalhar no tema e que “tem falado, naturalmente, com o Governo”. O objetivo, explicou, é trazer os sistemas complementares de pensões “para outro nível de que muito necessitamos”.

A criação de um sistema de acompanhamento de pensões, que reúna num único local informação sobre a pensão pública, os fundos de pensões profissionais e as poupanças individuais, é outra das prioridades. A ASF quer ainda modernizar os Planos Poupança Reforma (PPR), distinguindo de forma mais clara os produtos que privilegiam a garantia de capital daqueles que procuram maior rendibilidade, com riscos mais elevados.

As propostas foram apresentadas na sessão de lançamento do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma, desenvolvido pela ASF em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa.

Poupar, sim, mas pouco

Os dados do primeiro inquérito do Observatório mostram que apenas 28% dos portugueses detêm pelo menos um produto específico de poupança de longo prazo para a reforma, embora 45% afirmem poupar ativamente para esse objetivo.

Entre os jovens adultos, a proporção com produtos específicos desce para 17%, apesar de 69% considerarem que se deve começar a poupar antes dos 30 anos.

A falta de recursos financeiros é a principal razão apontada por quem não poupa, indicada por 55% dos inquiridos. Outros 27% dizem nunca ter pensado no assunto ou considerar prematuro fazê-lo.

Gabriel Bernardino defendeu também a determinação de incentivos fiscais estáveis e mais favoráveis para os aforradores de menores rendimentos, bem como a criação de produtos adequados a pequenas poupanças. Contribuições mensais de 20 ou 50 euros, acumuladas durante 30 a 40 anos, podem representar um complemento importante na reforma, afirmou.

O presidente da ASF destacou ainda a necessidade de reforçar a transparência sobre os custos dos produtos financeiros, através da análise do chamado value for money, que avalia a relação entre os custos suportados e os benefícios obtidos pelo consumidor. O objetivo é permitir que os aforradores conheçam a rendibilidade líquida das aplicações, depois de comissões e impostos, e percebam se conseguem superar a inflação.

Portugal apresenta uma taxa de poupança dos particulares de 12,2% no quarto trimestre de 2025, situando-se abaixo da média da União Europeia (13,9%), num contexto marcado pelo envelhecimento demográfico e pelo facto de o valor médio das pensões da Segurança Social em 2024 (7.665 euros) se encontrar abaixo do limiar de risco de pobreza (8.679 euros).

No final de 2025, os ativos dos regimes complementares de segurança social ascendiam a 33,2 mil milhões de euros, divididos entre o segundo e terceiro pilares, embora as rendibilidades medianas a dez anos destes produtos (entre 0,9% e 2,0%) tenham ficado aquém da inflação média de 2,1% registada no mesmo período.

O Observatório revela que a rendibilidade mediana anualizada a dez anos foi de 0,9% nos PPR sob a forma de seguros ligados a fundos de investimento (unit-linked); de 2% nos seguros não ligados e de 1% nos PPR constituídos sob a forma de fundos de pensões.

A ASF está também a trabalhar, no âmbito do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, numa proposta de regulação da hipoteca inversa, destinada sobretudo a pessoas idosas cujo património está concentrado em imóveis.

O reforço dos sistemas complementares de reforma, defendeu Gabriel Bernardino, deverá complementar, e não substituir, o sistema público de pensões.

“É bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos” aos credores do BES

30 October 2026 at 07:01

Luís Máximo dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal que cessa esta sexta-feira funções, acredita que é possível que em 2027 já haja condições para começar fazer pagamentos aos credores comuns do BES, ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. Anuncia ainda que há mudanças significativas em curso na lei bancária e diz que o Fundo de Resolução terá condições para pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos no fim deste ano ou início do próximo.

Terminou o mandato a 20 de junho e sai nesta sexta-feira. Passou mais de dez anos na administração do Banco de Portugal (BdP). Que balanço faz do que fez e ficou por fazer?

O balanço essencial é o de ter contribuído para um processo de grande melhoria do Banco. Melhorou o desempenho das missões centrais do Banco de Portugal, mas também a organização, os recursos tecnológicos e as políticas para reter talento. O Banco é hoje uma instituição mais próxima da comunidade a vários níveis, mais ligada à academia e à sociedade, e com um projeto para permitir que mais colaboradores aproveitem as condições das delegações regionais e das agências.

O Banco é liderado por um governador – lidei com três – e tem um conselho de administração que funciona de forma colegial. Somos todos, em alguma medida, responsáveis pelo que de bom ou de menos bom acontece na instituição e a evolução nestes dez anos é bastante positiva. A situação do setor bancário em 2016 era muitíssimo mais negativa. O mérito primordial é das instituições supervisionadas, que limparam balanços, racionalizaram recursos e ajustaram o modelo de negócio. Mas o novo quadro regulatório pós-crise e uma atuação supervisora muito mais efetiva também contribuíram. Os resultados recentes da avaliação do FMI (FSAP) são gratificantes, tanto para o sistema bancário como para a ação do Banco enquanto supervisor, na prevenção do branqueamento de capitais e na gestão de crises, onde se inclui a resolução.

O dossier Novobanco foi a tarefa mais difícil? Não será também uma medalha ver o banco que saiu das cinzas do BES a ser comprado pelo francês BPCE?

Medalha não tenho, porque não fui condecorado [risos]. O mais difícil foi fazer aplicar, com rigor, o acordo de capital contingente, defendendo o interesse público ao longo de todo o processo, em especial na aplicação rigorosa do contrato, e procurando minimizar os pagamentos que tínhamos de fazer ao abrigo do CCA [Mecanismo de Capital Contingente]. Não me lembro de nenhum acordo deste tipo aplicado em Portugal, e isto nem sequer é típico das funções de um banco central. Obrigou a uma minúcia e a um rigor enorme e convocou competências particulares, que foi possível reunir com uma equipa dedicada constituída no departamento de resolução.

O Acordo de Capitalização Contingente teve um impacto público significativo, porque falamos de verbas muito avultadas, assentes nas contribuições das instituições financeiras para o fundo e em empréstimos do Estado e das próprias instituições. Houve muita incompreensão, o que é natural. O escrutínio foi muito exigente, mas acabou por ajudar-nos a cumprir a missão, porque tivemos de verificar ao pormenor o racional das nossas decisões e de como as fundamentávamos. O Estado será reembolsado, e as instituições também.

Os meus mandatos ficam marcados pelas questões da resolução, o que é normal por serem os temas mais mediáticos, mas houve muitas outras coisas. Por exemplo, quando tive o Departamento de Supervisão Comportamental, integrou-se no perímetro da supervisão os intermediários de crédito, vários milhares, o que foi um grande desafio. Significou trazer todo um setor para o perímetro da supervisão.

Compensou ter havido o mecanismo de capital contingente?

Em 2017 não havia modo de encontrar alguém disposto a comprar o Novobanco sem um mecanismo como este. Não foi um apoio direto às perdas de um conjunto de ativos (que aliás se verificou serem bem maiores do que aquilo que foi despendido), era um mecanismo original, no sentido em que estava limitado ao menor de dois valores, entre as perdas desses ativos e o necessário para manter determinados rácios de capital no Novobanco. Sem ele, a venda não existia. O balanço final acaba por ser positivo para o país.

A venda do Novobanco foi um bom negócio para o Fundo de Resolução e para o Estado?

Aderimos [o FdR] a uma venda que a Lone Star promoveu e há pouco balizei o meu contributo no Novobanco como a defesa do interesse público na aplicação do mecanismo de capital contingente [antes da venda ao BPCE] e em todas as fases do processo, incluindo a venda final. Mas é objetivo que o valor obtido ultrapassou as melhores expectativas, o que é muito positivo. E o comprador ser uma grande instituição bancária de um mercado, o francês, que não tinha uma presença extraordinária em Portugal, abre novas possibilidades de interconexão para a economia portuguesa. O desfecho final foi positivo.

Em 10 anos também teve de lidar com um contencioso gigantesco…

Em 2016, os processos contra o Banco de Portugal eram da ordem do milhar. Claro que os processos, por causa do contencioso das medidas de resolução, tiveram um peso importante aqui. Não é normal um banco central ter um contencioso tão extenso, e alguns com ramificações no Tribunal Europeu e noutras ordens jurídicas, como Espanha e Reino Unido. As decisões que fomos tomando foram sendo avaliadas por tribunais, que no fundo é o escrutínio mais imparcial possível…

O Banco de Portugal ganhou os processos?

Todos não, mas quase todos, e sem dúvida os mais importantes: aqueles em que se procurava responsabilizar o Banco por falhas de supervisão e os do contencioso da resolução. Como por exemplo a retransmissão das obrigações do Novobanco para o BES.

Noutro plano, nos processos contraordenacionais, em que tivemos de aplicar sanções com todas as garantias, nos universos BES e Banif, as decisões judiciais confirmaram no essencial as posições do Banco. Se não fosse assim teria sido mais difícil.

A resolução devia ter saído da órbita do Banco de Portugal?

Não acho que esse fosse uma boa solução. A decisão de fazer do Banco de Portugal a autoridade nacional de resolução foi acertada e recentemente até foi estendida às contrapartes centrais. Seria muitíssimo pior lidar com uma instituição nova, sem recursos, quando o Banco tem os recursos humanos e o conhecimento para o fazer.

Quando é que o Fundo de Resolução vai pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos?

Tencionamos pagar no final de 2026 ou início de 2027.

Essa receita decorre da venda do Novobanco?

Também, mas não apenas. Temos ainda os dividendos da Oitante, rendimentos das aplicações dos recursos do fundo e, naturalmente, as contribuições do setor bancário, que se mantém.

Vamos cumprir os contratos e, ao reembolsar capital, deixamos de pagar os juros que teríamos se mantivéssemos a dívida, o que significa um ganho substancial, na ordem das dezenas de milhões de euros.

Os empréstimos não foram contratualizados todos na mesma data nem têm todos as mesmas regras, e alguns passam a pagar juros em 2027. O aspeto central é que temos recursos reunidos para pagar entre 1,7 mil e 1,9 mil milhões, o que melhora a situação líquida do fundo e evita que sejamos onerados com juros. Não é ainda a dívida toda, há muito trabalho a fazer. O Estado será reembolsado e as instituições também.

Qual é o impacto nas contas do fundo da liquidação desses 1,9 mil milhões de euros?

Posso-lhe dizer que a liquidação de 1,9 mil milhões de euros permite uma poupança bruta anual de juros de 67,8 milhões de euros. Em contrapartida, há uma perda de rendibilidade de 42,6 milhões associada à amortização, porque o montante aplicado passa a ser inferior ao atual. A poupança líquida estimada para o Fundo de Resolução é, assim, de 25,2 milhões.

Há bocado perguntou-me o que ficou por fazer, aqui está uma coisa que ficou por fazer, neste domínio da resolução: reembolsar os empréstimos, embora, como já disse, isto não ficou feito, mas ficou bem preparado. Portanto, estamos em condições de o fazer, mas o reembolso não foi ainda efetivado. Até agora só pagámos juros e ainda não começámos a reembolsar capital, o que acontecerá no fim de 2026 e início de 2027.

A segunda coisa que ficou por fazer foi o reembolso aos credores do BES ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. As compensações também ficam por resolver. Já constituímos uma provisão…

Os 630 milhões valor da provisão para cumprir o princípio “no creditor worse off” no BES é uma estimativa realista e quando será pago aos credores?

Constituímos essa provisão sabendo que mais cedo ou mais tarde teria de haver este pagamento, porque é um pilar essencial da legalidade da resolução. Quando um credor recebe menos na resolução do que teria recebido numa liquidação, tem de ser compensado. Uma avaliação independente estimou que os credores comuns receberiam 31,7% do seu crédito se o BES tivesse ido para liquidação em agosto de 2014.

Teoricamente teria de se esperar pelo fim da liquidação do BES, mas houve um movimento por parte dos credores no sentido de que, sendo já reconhecido como privilegiado (o crédito do Fundo de Resolução), podem estar reunidos os pressupostos para que a compensação se exerça. Na provisão usámos um critério de prudência, que não quer dizer que seja o valor final, pode ser menos. Mas as contas têm de ter total transparência, e para isso era fundamental que, ao registar a receita decorrente da venda do Novobanco, também se constituísse essa provisão.

O pagamento está sujeito a requisitos que têm de ser verificados em concreto para cada crédito. A única garantia é que receberão, sem dúvida, aqueles que em que se verificarem todos os requisitos previstos na lei.

O que sucederá no momento em que a autoridade de resolução entender que estão verificados todos os pressupostos. Isto é, que sejam reconhecidos como credores comuns e que esteja fixado o montante. Terá de haver um procedimento regulamentar. Fizemos uma consulta pública e acabámos de receber as respostas.

Portanto não darei uma data específica, mas é bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos a alguns. Isto é uma decisão tomada credor a credor, e cada um vai cumprindo os requisitos recebe.

Impulsionou um Código da Atividade Bancária que não saiu da gaveta. Qual era a sua importância?

O atual RGICSF é de 1992 e tem centenas de alterações: é uma manta de retalhos, quase indecifrável em alguns aspetos. O CAB era uma verdadeira reforma da legislação do setor financeiro. O trabalho começou em 2019, com a ideia de revogar o RGICSF e substituir por esse código. Politicamente não foi possível, houve dissoluções do parlamento, mudanças de Governo e o Código tinha de passar pela Assembleia da República.

Mas nem tudo se perdeu. No contexto da transposição da CRD VI há elementos importantes que estavam previstos no CAB e que poderão manter-se no novo RGICSF, como a organização do diploma, o sentido codificador, a sequência das normas e o regime da tramitação eletrónica dos processos contraordenacionais. Há aspetos, quer de forma, quer de substância, que irão agora integrar o novo RGICSF. Portanto, não será um novo código, mas será um novo RGICSF.

A união bancária é essencial para remover obstáculos às fusões transfronteiriças. A concentração bancária deve ser promovida?

As fusões transfronteiriças têm toda a gente a favor, exceto quando lhes toca a eles… Portugal é até um bom exemplo. A venda do Novobanco ao BPCE foi uma operação transfronteiriça e correu bem. Acho que a concentração bancária não se pode fazer por decreto. Percebo que os bancos europeus tenham de ser grandes à escala da União e à escala mundial, e a dimensão conta para ser mais competitivo, mas tem de nascer do mercado, das sinergias que as instituições encontrem entre si. Não deve ser uma política de cima para baixo, até porque temos de salvaguardar a concorrência, hoje a uma escala mais ampla do que a dos mercados nacionais. Para isso existem a Comissão Europeia e as autoridades nacionais de concorrência.

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