Uma perícia contratada pela defesa de Daniel Vorcaro identificou a criação e a modificação de centenas de arquivos no celular do ex-banqueiro após o aparelho ter sido apreendido pela Polícia Federal.
De acordo com o analista de Política Teo Cury, a defesa de Vorcaro quer entender o que aconteceu com o celular desde que ele foi apreendido pela Polícia Federal em novembro do ano passado. “É uma nova frente de estratégia, de ofensiva jurídica da defesa de Daniel Vorcaro”, afirmou Cury durante o Live CNN desta sexta-feira (30).
Vorcaro está preso de maneira ininterrupta desde março deste ano. Anteriormente, ele havia sido detido em novembro, depois colocado em prisão domiciliar e, mais tarde, voltou a ser preso.
Ao longo do primeiro semestre, a defesa tentou, sem sucesso, fechar acordos de delação premiada. Foram três rejeições, sendo duas pela PF e uma pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
De acordo com Cury, as autoridades avaliam que Vorcaro não tem como garantir as informações que oferecia, nem como apresentar provas ou assegurar o ressarcimento dos valores supostamente desviados no esquema.
“Ele apresentou uma série de coisas, mas a Polícia Federal falou: já consegui isso, ou já consegui sem a sua ajuda”, explicou o analista. Diante do fracasso nas negociações de delação, a perícia sobre o celular passa a ser a principal aposta da defesa para tentar anular o processo.
O argumento é o de que a prisão não pode ser mantida diante de dúvidas sobre a integridade da perícia do aparelho, que é considerado “a prova central da Operação Compliance Zero”.
A tese é a de que, se confirmadas as alterações indevidas no dispositivo, a veracidade das informações que embasam grande parte da investigação ficaria comprometida, podendo levar à anulação do caso.
O que a perícia particular indentificou
Além da criação e modificação de arquivos, o laudo elaborado pelo perito Marcos Monteiro, a pedido dos advogados de defesa, aponta ainda possíveis falhas na chamada cadeia de custódia do dispositivo. No entanto, o documento não indica quem realizou as alterações e tampouco conclui que tenha havido uma adulteração deliberada.
O celular em questão é o mesmo que foi apreendido com Vorcaro na noite de 17 de novembro, quando ele foi detido no aeroporto de Guarulhos, prestes a embarcar para os Emirados Árabes Unidos em um jatinho particular.
De acordo com a perícia particular, o maior volume de modificações teria ocorrido no dia 18 de novembro, horas após a prisão de Vorcaro. Nessa data, 657 arquivos teriam sido modificados, sendo 59 deles bancos de dados.
Além disso, outros 436 arquivos teriam sido criados no mesmo dia, entre eles 222 de preferências do sistema, 94 imagens no padrão iPhone e 5 bancos de dados. O sistema do próprio aparelho registra ainda três conexões via cabo USB nessa mesma data.
O laudo aponta ainda outras duas datas relevantes: 23 de novembro e os dias 13 e 14 de maio, quando 340 arquivos teriam sido alterados.
No total, durante todo o período em que o aparelho esteve sob custódia da Polícia Federal, a perícia contabilizou alterações ou criações de 999 arquivos, incluindo o principal banco de dados do WhatsApp, que registra histórico de conversas, chamadas, grupos e informações sobre mídias.
Essa alteração no banco de dados do WhatsApp também teria ocorrido no dia 18 de novembro.
A perícia deixa claro que não é possível identificar quem operou o celular, se houve intervenção humana intencional ou qual foi a extensão real das alterações. O documento também não permite determinar quem manuseou o aparelho entre o momento da apreensão e a chegada à perícia da Polícia Federal.
As chamadas falhas na cadeia de custódia dizem respeito justamente a esse intervalo, durante o qual o dispositivo esteve em posse das autoridades.
Com base nesse relatório, a defesa de Vorcaro apresentou dois pedidos: o acesso à íntegra dos dados do aparelho, já que afirma ter tido acesso apenas a relatórios produzidos por programas de computador, e a revogação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
A Procuradoria-Geral da República deve seguir o mesmo rito adotado pela Polícia Federal e dividir em partes o inquérito que apura fraudes envolvendo operações entre o Banco Master e o BRB. A tendência, segundo apuração do analista de política Matheus Teixeira, é que as denúncias sejam fatiadas por núcleos de investigação.
“É uma investigação muito grande, que pega uma gama de pessoas gigantesca”, descreveu Teixeira durante o CNN 360º desta quinta-feira (29).
O primeiro núcleo a ser formalizado, de acordo com Teixeira, é o relacionado ao BRB, considerado o mais adiantado na investigação. Estima-se que o rombo decorrente da operação fraudulenta de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília possa ser superior a R$ 10 bilhões.
Além desse, deverá ser constituído um núcleo político, focado nos parlamentares que mantinham relação próxima com o ex-banqueiro.
“Senadores e deputados de oposição, de situação e de centro. Independentemente da ideologia, havia atores com relação com Daniel Vorcaro“, afirmou Teixeira.
A investigação contempla ainda outros núcleos. Um deles é composto por indivíduos que executavam ações de intimidação e ameaça a adversários, liderados por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que morreu na prisão. Outro núcleo identificado é o de hackers, responsáveis por invasões a publicações e sistemas fechados.
“A tendência é que a PGR inicie uma leva de denúncias pela questão do BRB e depois vá por partes denunciando os demais envolvidos”, afirmou Teixeira.
Na quarta-feira (29), a PF indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas no inquérito que apura as supostas fraudes envolvendo a operação de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília.
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A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre irregularidades do Banco Master e indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa por crimes financeiros na venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao banco público do Distrito Federal, além de outras pessoas envolvidas na operação, incluindo ex-diretores dos dois bancos.
A PF destacou que, desse valor total, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões de ativos repassados pelo Master ao BRB, principalmente por causa da fabricação de falsas carteiras de crédito consignado.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não houve prejuízo ao BRB porque as carteiras de crédito consignado foram substituídas por outros ativos e pediu a revogação de sua prisão. A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que ele não tinha conhecimento das irregularidades nas carteiras de crédito e que cumpriu ordens do acionista majoritário (o governo do Distrito Federal) ao realizar o negócio com o Master (leia a íntegra ao final).
Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, induzir a erro investidor de operação financeira, fraudar fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Esses crimes somados têm pena mínima de 12 anos e pena máxima de 41 anos. Sua situação ainda deve ser agravada porque Vorcaro é apontado como líder da organização criminosa. Já Paulo Henrique foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.
"A vinculação de VORCARO aos fatos não decorre apenas de sua posição formal no Banco Master, mas de sua participação pessoal, reiterada e diretiva na obtenção das bases de dados, na formação e cessão das carteiras, na captação de recursos junto ao BRB, na produção posterior dos documentos de suporte e na definição das respostas apresentadas ao banco adquirente e ao Banco Central. Merece especial atenção o esforço de DANIEL BUENO VORCARO, ex-controlador do BANCO MASTER, para conferir aparência de normalidade de mercado às operações celebradas com o BRB. A versão apresentada em oitiva, entretanto, contrasta frontalmente com os elementos expostos neste relatório, os quais demonstram que as operações bilionárias foram estruturadas e executadas sem a observância de procedimentos elementares de diligência, validação de lastros, governança, conformidade e gestão de riscos exigidos pelo Sistema Financeiro Nacional", escreveu a PF.
O relatório final da PF apontou que a cessão de créditos do Master ao BRB foi maior do que o calculado inicialmente e continuou ocorrendo mesmo depois que o Banco Central barrou a venda da instituição de Vorcaro ao banco público do DF.
A PF diz que o Master cedeu ao BRB um total de R$ 17,5 bilhões de carteiras de crédito que inclui produtos de crédito consignado, empréstimo pessoal, crédito rotativo, parcelamento de faturas e outros. Essa venda de ativos ocorreu no período entre julho de 2024 e outubro de 2025, tendo continuado um mês depois que o BC barrou a transação de venda do Master.
O relatório aponta que o BRB driblou mecanismos de governança e aprovou investimentos apresentados sem lastro, com documentação preparada em planilhas de Excel com dados suspeitos de falsificação, como revelou anteriormente o Estadão.
"Sem a conferência dos lastros, não há garantia da existência dos contratos. Sem a confirmação das averbações, créditos adquiridos e precificados como consignados podem não possuir a principal característica que lhes confere valor econômico. Sem a validação dos repasses financeiros, por sua vez, até mesmo contratos legítimos podem deixar de gerar os fluxos de caixa que justificaram sua aquisição", escreveu a PF.
Operação Compliance Zero
Esse é o primeiro indiciamento de Vorcaro na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado para apurar um conjunto de crimes relacionados ao seu banco. O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), e também indicia por crimes financeiros os diretores do Master e do BRB que tiveram participação na operação.
Entre os demais indiciados estão Augusto Lima (ex-sócio do Master), Ângelo Ribeiro (ex-diretor financeiro), Luiz Antônio Bull (ex-diretor de compliance), Alberto Félix de Oliveira (ex-superintendente financeiro) e também o advogado Daniel Monteiro, que trabalhava para Vorcaro.
O documento deve ser encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para decidir se há provas suficientes para apresentar denúncia contra os envolvidos. Seria o primeiro passo para que Vorcaro se torne réu pelos crimes dos quais é acusado.
O banqueiro ficou preso por 11 dias em novembro do ano passado e depois que a investigação subiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a ser preso em março deste ano por ordem do ministro André Mendonça. Já Paulo Henrique Costa está preso desde abril.
A PF apontou que Vorcaro teve ação direta para vender carteiras de crédito consignado do Banco Master que não tinham lastro e haviam sido falsificadas por meio de uma empresa com ligações ao próprio banco, a Tirreno. No relatório, a PF também descreve a responsabilidade dos diretores dos dois bancos nesses fatos e afirma que eles tiveram participação nas operações.
Diálogos e provas colhidas pela PF indicam que o Master contava com os recursos do banco público do Distrito Federal para manter sua liquidez e não fechar as portas ao menos desde 2024.
Em uma das conversas, Vorcaro afirma que precisaria usar o "depósito compulsório" do Master para cobrir suas contas caso o BRB não aportasse recursos no banco. O compulsório é uma espécie de poupança obrigatória determinada pelo Banco Central para garantir a liquidez de um banco e dar segurança ao sistema financeiro. "Tem notícia do BRB? Se não vier vou ter que devolver a grana de sexta e vamos usar compulsório hoje", escreveu Vorcaro no dia 2 de setembro de 2024.
As vendas de carteiras de crédito consignado se intensificaram durante o ano de 2025, mas acabaram sendo freadas depois que o Banco Central barrou a venda do Master ao BRB, em setembro do ano passado. Mesmo assim, a PF detectou cessão de créditos ainda em outubro de 2025, um mês depois que o BC barrou a venda do banco de Vorcaro. O Master acabou sendo liquidado no dia 18 de novembro, quando a PF deflagrou a primeira fase da operação e realizou a prisão de Vorcaro.
A operação gerou um prejuízo bilionário ao BRB que até hoje não foi calculado com exatidão. O banco público do Distrito Federal tenta obter um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que está travado, e até hoje não divulgou o balanço de suas contas do ano passado.
A PF afirma, no relatório, que o prejuízo mínimo detectado ao BRB foi de R$ 2,7 bilhões, mas que o valor final deve ser ainda maior e depende de outros fatores analisados.
"A dimensão potencial do dano também decorre das demais carteiras negociadas no mesmo período. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB adquiriu carteiras do BANCO MASTER e do WILL BANK que totalizaram R$ 26.610.856.093,00. A ação civil registra que mais de R$ 12 bilhões em créditos considerados problemáticos ou inexistentes foram cedidos ao banco público, dos quais cerca de R$ 10 bilhões teriam sido substituídos por ativos cuja higidez e capacidade de realização permanecem sob apuração", escreveu a PF.
Nos depoimentos que prestaram na semana passada, Vorcaro e Paulo Henrique afirmaram que a operação entre os bancos não causou prejuízos e seria benéfica para eles.
Dez fases da operação
A investigação começou com foco na venda do Master ao BRB, mas acabou ampliando seu escopo após a obtenção de um grande volume de provas no telefone celular do banqueiro.
Até agora, foram deflagradas dez fases da operação, que miram temas que vão desde crimes financeiros, corrupção de agentes públicos até ações orquestradas em redes sociais para atacar adversários e instituições.
Outras frentes de apuração também estão em estágio avançado, como o inquérito sobre a cooptação de ex-servidores do Banco Central e a investigação de obstrução de Justiça e ameaças a adversários.
Com a palavra, a defesa de Daniel Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro tomou conhecimento do relatório parcial apresentado pela Polícia Federal no Inquérito nº 5026/STF, que promove o indiciamento de Daniel. Trata-se de um ato açodado e afoito, que antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado:
- Indiciamento antes do fim da investigação: no mesmo documento em que indicia, a autoridade policial pede ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para prosseguir nas apurações. Reconhece que exames periciais seguem "em elaboração", que parte do material apreendido não foi analisada e que pessoas relevantes sequer foram ouvidas. Indicia-se primeiro para investigar depois.
- Inexistência de prejuízo ao BRB: o negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo: os números citados no relatório vêm da petição inicial de uma ação indenizatória movida pelo próprio BRB, que é parte interessada, e a própria Polícia Federal reconhece que não teve acesso ao resultado da auditoria sobre os ativos entregues em substituição. A defesa já pediu, na esfera cível, a perícia que sepultará definitivamente a narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo.
- Lavagem de dinheiro sem rastreamento de recursos: o relatório imputa lavagem de capitais, mas registra que ainda está pendente a análise bancária, fiscal e patrimonial destinada a "identificar eventual proveito econômico" e "rastrear os fluxos financeiros". Imputa-se a ocultação de valores cujo caminho sequer foi examinado.
- Indiciamento frágil e absurdo: as conclusões se apoiam em leitura seletiva de mensagens e em hipóteses formuladas "em tese", e não em demonstração técnica. São operações embasadas em decisões técnicas e colegiadas das instâncias de governança de duas instituições supervisionadas pelo Banco Central. Agora são retratadas como crime sem que se tenha aferido seu resultado econômico.
- O depoimento que não vazou: Daniel Vorcaro prestou à Polícia Federal esclarecimentos decisivos sobre as operações com o BRB. Foi um depoimento esclarecedor e, curiosamente, justamente ele não foi vazado.
- Arquivamento do Inquérito e Revogação da Prisão: sem prova técnica de fraude ou de prejuízo, o indiciamento não se sustenta e o inquérito relativo às operações entre o Banco Master e o BRB deve ser arquivado. Nesse contexto, torna-se urgente e imperativa a revogação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, garantindo-se seu direito de responder em liberdade.
Com a palavra, a defesa de Paulo Henrique Costa
A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-Presidente do BRB, recebeu com surpresa o seu indiciamento pelos crimes de gestão fraudulenta e de organização criminosa. Pesa dizer que o trabalho policial submeteu os fatos às hipóteses acusatórias, quando deveria fazer o inverso.
As conversas em aplicativos de mensageria nos celulares dos integrantes do ambiente Master mostram às escâncaras que Paulo Henrique não tinha conhecimento das fraudes nas carteiras. As testemunhas, sejam as ligadas ao BRB, sejam ao Master, são convergentes nesse tema. Também foram ignorados todos os documentos carreados aos autos, inclusive por autoridades públicas, como o Banco Central.
Há prova eloquente de que foi Paulo Henrique a detectar irregularidades nas carteiras; de que ele exigiu, passo contínuo 25 bilhões de garantias; de que quando o nome da Tirreno vem à lume, as operações são suspensas; há centenas e centenas de mensagens de Paulo Henrique ao Master exigindo a substituição de ativos, na forma dos contratos, inclusive se valendo daqueles dados em garantia. Foi Paulo Henrique quem trouxe o fato ao conhecimento do Banco Central, a quem se participaram todos os passos, antes e depois da detecção da fraude.
Curiosamente, não se aponta nenhuma vantagem financeira de Paulo Henrique; a fantasiosa versão de recepção de apartamentos, na ordem de 150 milhões de reais, foi amplamente descartada, embora tenham fundamentado a prisão preventiva a que ainda está submetido, já há mais de 180 dias, sem revisão judicial, em ofensa a previsão expressa do Código de Processo Penal. Há pedido de liberdade provisória desde 12 de junho, pendente de opinião da PGR; há habeas corpus impetrado há 20, sem sequer remessa ao MPF.
Paulo Henrique seguiu as orientações do acionista majoritário de realizar operação societária com o Master, seguiu toda a governança, dividiu todos os passos com o Conselho de Administração e com o Banco Central. Sempre atuou no melhor interesse do BRB. Todas as decisões, importante frisar, eram colegiadas; o Presidente do BRB tinha alçada de zero reais. Nenhuma decisão foi tomada por ele, sozinho.
As autoridades usam enviesado microscópio na carteira de 12,2 bi - dos quais 10,5 bi foram substituídos por ativos hígidos, até sua remoção do cargo - e esquecem que a relação com o Master gerou 8 bilhões de reais de receitas; e seguem gerando, diga-se.
Quando Paulo Henrique foi erradamente removido do BRB, o banco era saudável, líquido, rentável, com marca positiva e líder em diversos segmentos; sempre cumpriu seu relevante papel de banco público. Paulo Henrique sempre leal ao BRB e defendeu seu interesse; e seguiu fazendo na relação com o Master.
Paulo Henrique e sua defesa seguem acreditando na Justiça e que a Procuradoria-Geral da República saberá reconhecer a totalidade dos elementos contidos nos autos; uma leitura idônea levará o Ministério Público Federal a descartar as hipóteses de gestão fraudulenta e a igualmente estapafúrdia conclusão de que Paulo Henrique integraria uma organização criminosa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez acusações contra Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate da TV Globo nesta sexta-feira (23/10). Ao citar o empresário Daniel Vorcaro, Lula direcionou críticas ao adversário e afirmou: “Quem é amigo do Vorcaro é você, quem é filhote do Vorcaro é você!”
Na sequência, Lula também mencionou a quantia de R$ 134 milhões e cobrou explicações do senador. “Quem pegou 134 milhões do Vorcaro que até agora não apareceu é você”, disparou o presidente, antes de completar: “Não me coloca nessa vaga comum, não”.
As declarações foram feitas durante o confronto entre os candidatos no debate eleitoral, realizado dois dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25/10). O embate sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro dominou parte do debate.
O Metrópoles publicou duas reportagens nesta quinta-feira (22/10) em que acusa o Estadão de não admitir os fatos sobre a relação do jornal com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo o portal, o jornal paulista usa as mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) quando lhe parece conveniente, mas desqualifica as mesmas conversas quando é citado.
Mensagens trocadas entre Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro, seu sócio em operações de mídia, revelam como era a relação do grupo com o Estadão. Em um dos diálogos, Carneiro tranquiliza Vorcaro: no “Estadão estamos em casa, temos crédito lá”. A conversa ocorreu em 15 de maio de 2024, após uma repórter procurar um executivo do banco. Vorcaro escreveu a Carneiro: “Nos precisamos aumentar patrocínio folha e estadao”.
Em outro trecho, no dia 21 de maio, Carneiro afirma que quem estaria no comando do Estadão seria o empresário Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Cosan. Vorcaro lamenta não ter participado do negócio: “Agora já foi. Oportunidade ímpar. De blindar lá”. Carneiro responde: “Não tem o que entrar. Ele fez tudo sozinho. Tá há 6 meses montando isso para mascarar mas é tudo Ometo”.
O Metrópoles acusa o Estadão de usar as mensagens de Vorcaro de forma conveniente e de desqualificar as conversas do mesmo Vorcaro quando citado. Segundo o portal, o jornal afirmou que as declarações de Carneiro sobre “estar em casa” e “ter créditos” seriam apenas uma tentativa do empresário de demonstrar uma influência que não tinha. O Metrópoles rebate: “Se o Estadão considera mentirosas as afirmações feitas por Flávio Carneiro sobre a relação entre o veículo, Daniel Vorcaro e Rubens Ometto, o jornal vai processar Flávio Carneiro?”.
O Metrópoles também aponta que o Estadão escondeu por dois anos as identidades dos empresários e banqueiros que participaram do socorro financeiro ao grupo, que acumulava dívida de R$ 159 milhões. Os nomes só se tornaram públicos a partir de reportagem do Metrópoles. A operação de debêntures foi realizada em março de 2024 (R$ 45 milhões) e maio de 2024 (R$ 97,5 milhões), transformando bancos e grandes empresários — como Ometto — em credores do jornal. Em troca, os novos investidores ganharam assentos no conselho de administração e passaram a ter influência editorial no veículo, que ganhou a alcunha de “Jornal dos Banqueiros”.
O portal classifica a resposta do Estadão como um “ataque mentiroso” e afirma que tudo o que publica é comprovado pelos prints das conversas do telefone de Daniel Vorcaro. “Ao demandar respostas ao jornal paulista, o Metrópoles cumpre seu dever de bom jornalismo, qual seja, ouvir o outro lado antes de publicar qualquer matéria”. O Metrópoles também rebate a acusação de que praticaria “intimidação editorial”: “Se todos os que se sentirem atingidos pelas matérias considerarem o exercício de jornalismo como método de intimidação, isso poria fim ao mais importante trabalho da imprensa: apurar, checar, comprovar e publicar notícias que desagradam aos personagens retratados”.
A direção do portal Metrópoles submetia a Daniel Vorcaro reportagens antes de serem publicadas, atendia pedidos dele de edição nos textos e sugeria matérias que pudessem favorecer os negócios do Master. As informações constam em mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro. Pelo menos 14 textos do site foram enviados previamente a Vorcaro, e 11 deles foram alterados após pedidos feitos por ele. Há também registros de duas reportagens publicadas a pedido do dono do Master.
A linha direta entre Vorcaro e a CEO do grupo Metrópoles, Lilian Tahan, foi estabelecida em 2024, mesmo ano em que o Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre Vorcaro, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”. Questionada sobre o envio de textos para Vorcaro ler, Lilian respondeu que “checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário”.
Diálogos mostram que o banqueiro orientou e editou reportagens contra Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central que apertou a fiscalização sobre o Master. Em uma das conversas, Tahan encaminhou a Vorcaro o texto de uma reportagem e perguntou: “Me diga o que acha!”. O banqueiro respondeu com sugestões de alterações, incluindo retirar menção à falência do banco e incluir informações sobre supostas divergências dentro do BC. Uma hora depois, Tahan devolveu o texto com as alterações sugeridas e avisou que seria publicado.
Mensagens também revelam negociações entre Tahan e Vorcaro sobre o patrocínio das transmissões do Campeonato Brasileiro da Série D pelo portal. A CEO apresentou o projeto ao banqueiro, que respondeu: “Pode contar comigo sempre”. Em julho, o Metrópoles anunciou acordo com a CBF para transmissão dos jogos, e o patrocínio foi firmado com o Will Bank, instituição vinculada ao Grupo Master.
Lilian Tahan afirma que o contrato de publicidade do Master com o Metrópoles não tinha nenhuma relação com a cobertura de interesse do banco. “Basta ver a quantidade de matérias publicadas pelo Metrópoles expondo a situação das empresas de Vorcaro, tais como Banco Master, Ambipar, Fictor, Oncoclínicas dentre outras”, declarou.