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Banco do Japão alcança meta de inflação, mas sinaliza aumento de juros

30 October 2026 at 13:41

O Banco do Japão manteve as taxas de juros inalteradas nesta sexta-feira (30), mas declarou vitória em uma batalha de quase 14 anos para atingir sua meta de inflação e sinalizou vigilância contra os riscos de alta nos preços, sugerindo que o próximo aumento dos juros poderia ocorrer já em dezembro.

Com a inflação subjacente tendo atingido aproximadamente a meta de 2% do Banco do Japão, o banco central deve se concentrar em mantê-la em torno desse nível, afirmou, sugerindo que sua política monetária entrou em uma nova fase, mais restritiva, aberta a aumentos nos juros a cada poucos meses.

Embora tenha evitado se comprometer antecipadamente com um ritmo fixo de aumentos dos juros, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que a autoridade monetária japonesa debaterá os juros em cada reunião — incluindo a próxima, em dezembro —, ciente de que sua política monetária entrou na nova fase focada nos riscos de inflação.

“É importante ancorar a inflação subjacente em torno de nossa meta. Isso não significa que vamos simplesmente ficar parados esperando. Ajustaremos a política monetária conforme apropriado para que a inflação subjacente fique ancorada em torno de 2%”, afirmou ele em uma coletiva de imprensa.

Essa mudança generalizada nas perspectivas alinha o Banco do Japão com seus homólogos dos Estados Unidos e da Europa, que estão de olho em aumentos dos juros no curto prazo para combater os riscos inflacionários decorrentes da expansão da inteligência artificial e do choque energético causado pela guerra no Irã.

Na reunião de dois dias encerrada nesta sexta-feira, o Banco do Japão manteve sua taxa básica de juros em 1,25%, em uma decisão amplamente esperada, evitando aumentos consecutivos para dedicar mais tempo à análise dos efeitos dos aumentos anteriores nas condições de crédito.

O membro da diretoria de linha dura, Hajime Takata, discordou da decisão de manter os juros, propondo, sem sucesso, um aumento para 1,5%.

Em uma medida surpreendente que marca um afastamento ainda maior da política monetária ultra-flexível, o Banco do Japão anunciou que acelerará suas vendas de fundos negociados em bolsa a partir de janeiro, passando dos atuais 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes (US$ 5,5 bilhões) por ano.

“Vimos a necessidade de examinar um pouco mais os riscos econômicos e de preços, bem como as condições financeiras”, disse Ueda, quando questionado sobre por que o Banco do Japão decidiu manter os juros estáveis.

“Mas a inflação subjacente atingiu níveis consistentes com nossa meta de preços. As condições financeiras permanecem acomodativas. Existem vários riscos de alta. Portanto, devemos estar atentos ao risco de a inflação ultrapassar nossa meta”, disse ele, mantendo vivas as expectativas de um aumento em dezembro.

Entenda por que os juros caem nos EUA e sobem no Brasil

Portagens devem aumentar 3,8% em 2027

By: ZAP
30 October 2026 at 13:40
As portagens das autoestradas poderão aumentar 3,82% em 2027, a confirmar-se a estimativa da taxa de inflação homóloga para outubro, sem habitação, divulgada esta sexta-feira pelo INE, acrescida dos 0,1% de compensação às concessionárias. A fórmula que estabelece a forma como é calculado o aumento do preço das portagens em cada ano está prevista no decreto-lei n.º 294/97 e estabelece que a variação a praticar em cada ano tem como referência a taxa de inflação homóloga sem habitação no continente verificada no último mês para o qual haja dados disponíveis antes de 15 de novembro. De acordo com os dados

Preços dos alimentos vão subir 18% em dois anos, diz Banco Mundial

30 October 2026 at 12:03

Após um período de retração nos preços, 21% registrados entre 2022 e 2025, os mercados agrícolas devem enfrentar dois anos de alta nos preços internacionais.

A combinação de conflitos geopolíticos, custos elevados da energia com alta do barril de petróleo, restrições logísticas além dos riscos climáticos com a previsão do El Niño forte deve reduzir a oferta de alguns produtos e sustentar as cotações em 2026 e 2027 e impactar os preços.

A avaliação é do Banco Mundial e está no relatório “Commodity Markets Outlook” divulgado em outubro.

As projeções do banco indicam que os preços dos alimentos devem acumular alta de aproximadamente 18% no período. Sendo 10% em 2026 e mais 7% em 2027.

No mercado de grãos o impacto deve ser maior. A estimativa apresentada no relatório é de valorização de 14% neste ano e mais 9% no próximo. Ou 23% em dois anos.

Caso haja uma intensificação dos conflitos geopolíticos e perdas de safra ficarem acima do esperado, por cauda do El Niño, esses indices poderão ser ainda mais altos. Com os preços dos alimentos disparando 12% a mais e as cotações dos grãos 20% acima dessa referência.

O trigo está entre os produtos com maior impacto na alta dos grãos

O Banco Mundial projeta avanço de 28% em 2026 e mais 14% em 2027 para o trigo por causa da redução da produção mundial e dificuldades de exportação de importantes fornecedores.

A produção global deve ser 3% menor na safra 2026/2027. No Estados Unidos a redução projetada é de 23%; no Canadá queda de 12%, na Austrália queda de 25% na produção.

A oferta mundial também sofre influência das dificuldades logísticas por causa das tensões no Mar Negro. A região é estratégica para o comércio internacional de grãos, especialmente o trigo.

Para o milho o relatório projeta um aumento de 10% nos preços em 2026 e de mais 5% em 2027; e redução de aproximadamente 3% na produção mundial.

Para a soja, o cenário combina valorização das cotações e demanda crescente por matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis. Mesmo com a perspectiva de uma safra global recorde, os preços da oleaginosa devem subir 18% em 2026 e mais 5% em 2027.

O movimento tende a ser mais intenso nos derivados. Para o farelo, as estimativas são de valorização de 18% e 10%, respectivamente.

E para o óleo de soja tem alta projetada de 39% neste ano e de 11% em 2027. O desempenho dos preços dos óleos vegetais está diretamente relacionado à demanda por biocombustíveis. Com os preços da energia, e do petróleo, mais elevados aumenta a competitividade de matérias-primas agrícolas utilizadas na produção dos combustíveis renováveis.

O óleo de palma também deve acompanhar esse movimento, com aumentos projetados de 14% em 2026 e 10% em 2027.

O Banco Mundial destaca que a disponibilidade global de grãos na safra 2026/27 deve ser a segunda maior já registrada. E essa oferta pode limitar a intensidade das altas.

Bebidas: Café e Cacau

Em contraponto à alta generalizada dos grãos para o setor de bebidas o Banco Mundial aponta o recuo de 24% nos preços das soft commodities este ano e leve alta de 3% em 2027.

A acomodação dos preços se deve a recuperação das safras, da maior oferta global de café e cacau, após um ciclo de preços historicamente elevados provocados pela redução da oferta da matéria-prima no mercado internacional.

As incertezas com o El Niño

Além dos conflitos e das restrições comerciais, o clima aparece como um dos principais fatores de risco para o mercado agrícola.

O Banco Mundial alerta para a possibilidade de um El Niño muito intenso, com potencial para comprometer a produção de diferentes commodities agrícolas. A combinação entre eventos climáticos adversos e dificuldades de transporte pode ampliar a pressão sobre a oferta mundial.

O relatório trabalha com um cenário-base que não considera uma intensificação significativa dos conflitos que afetam o abastecimento global. Entretanto, caso ocorram simultaneamente uma escalada das tensões no Oriente Médio, novas interrupções no comércio de grãos pelo Mar Negro e um El Niño mais severo, os preços dos alimentos poderão ficar 12% acima do projetado no cenário de referência em 2027.

Nesse cenário adverso, o petróleo do tipo Brent, pode se manter na média de US$ 105 o barril no próximo ano.

Energia e fertilizantes ampliam a pressão sobre os custos

Para o produtor rural, o cenário exige atenção não apenas às cotações das commodities, mas também à evolução dos custos de produção.

O relatório projeta aumento médio de 14% nos preços dos fertilizantes em 2026. A valorização reflete, principalmente, a alta registrada pela ureia no início do ano. Para 2027, a expectativa é de retorno dos preços aos níveis de 2025, com a redução dos custos de energia e a melhora da disponibilidade de amônia e enxofre.

A energia é outro componente relevante dessa equação. O Banco Mundial estima alta de 32% nos preços do segmento energético em 2026, revertendo três anos consecutivos de queda. O petróleo Brent deve alcançar média de US$ 91 por barril, ante US$ 69 em 2025. Para 2027, a projeção é de recuo para US$ 79.

A elevação dos combustíveis tem efeito sobre toda a cadeia agropecuária, do transporte de insumos e produtos agrícolas às operações de máquinas e equipamentos. Quando persistente, também pressiona os custos de produção e a logística de comercialização.

A conclusão do Banco Mundial é que a trajetória das commodities agrícolas não depende exclusivamente do volume produzido nas safras. Custos com energia, fertilizantes, logística, transporte internacional e condições climáticas terão influência direta sobre a formação dos preços.

Estimativas para o Brasil

Para o Brasil, que é um importante produtor e exportador de alimentos, o banco destaca que a valorização internacional nos preços das commodities pode representar oportunidades de aumento nas receitas. Porém, o efeito sobre a rentabilidade dependerá da relação entre preços de venda, custos de produção, câmbio e disponibilidade de insumos.

A perspectiva de uma oferta global ainda elevada de grãos também merece atenção. Mesmo com a valorização projetada para soja, milho e trigo, a existência de estoques e a capacidade de produção de grandes fornecedores podem limitar movimentos mais intensos.

O cenário, portanto, combina perspectiva de preços internacionais mais altos com riscos relevantes para a produção e a comercialização.

Para o agronegócio, acompanhar a evolução dos custos e das condições de oferta será tão importante quanto observar as cotações nas bolsas internacionais.

Inflação em França sobe para 3,4% em outubro e PIB cai 0,1% no 3º trimestre

30 October 2026 at 11:58

A inflação homóloga em França subiu três décimas em outubro, para 3,4%, um máximo desde dezembro de 2023, e o produto interno bruto francês contraiu 0,1% no terceiro trimestre, anunciou hoje o instituto nacional de estatística francês (INSEE).

Segundo dados provisórios do INSEE, a aceleração da inflação homóloga em outubro deveu-se principalmente ao aumento dos preços do gás e do petróleo.

Num comunicado, o INSEE sublinha que os preços da energia aceleraram pelo quarto mês consecutivo em outubro, principalmente devido aos produtos petrolíferos e gás, que subiram concretamente 24,1% em relação ao mesmo mês de 2025, contra 21,3% em setembro.

A subida da inflação também foi impulsionada pelos serviços, com um aumento homólogo de 2,7% em outubro, contra 2,4% em setembro, especialmente devido ao aumento dos preços nos serviços de alojamento e transporte.

Já os alimentos progrediram 1,2% em termos homólogos em outubro, menos duas décimas que em setembro, e isso por uma desaceleração do aumento dos produtos frescos, que de qualquer forma se manteve forte (8%, contra 9,5% em setembro).

A inflação harmonizada homóloga de França, que é a que serve para as comparações com outros países europeus, subiu para 3,8% em outubro, com base nos dados provisórios, mais quatro décimas do que em setembro.

Em relação ao produto interno bruto (PIB) francês, que recuou 0,1% no terceiro trimestre, depois de estagnar no segundo e de cair 0,2% no primeiro trimestre, o INSEE refere que se deveu à retração dos investimentos e à deterioração do comércio externo.

A formação bruta de capital fixo, que mede o investimento, voltou a recuar, com uma queda de 0,6%, após diminuir 0,5% no segundo trimestre, segundo o INSEE.

Inflação em Espanha mantém-se nos 4,9% em outubro

30 October 2026 at 08:46
Espanha

Os preços em Espanha subiram 4,9% em outubro, comparando com o mesmo mês de 2025, segundo uma estimativa divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol.

Se se confirmar a estimativa, a taxa de inflação em Espanha em outubro foi igual à registada no mês anterior (setembro).

Esta é a taxa mais alta de inflação no país desde fevereiro de 2023, mês em que atingiu os 6%, segundo os dados do INE.

Quanto à inflação subjacente (sem a energia e os produtos alimentares frescos, tradicionalmente os mais voláteis do cabaz de compras), o INE estima que foi de 3,1% em outubro, a mesma registada em setembro.

Segundo o INE, a evolução dos preços este mês deveu-se, sobretudo, aos combustíveis, que “diminuíram mais do que em outubro de 2025”.

Espanha tem em vigor descontos de 20 cêntimos por litro no gasóleo e de cinco cêntimos na gasolina desde o início de setembro.

O governo espanhol anunciou no final de agosto um desconto de 20 cêntimos por litro no gasóleo, após este combustível ter aumentado 15,7% em julho.

Por outro lado, o desconto na gasolina foi reduzido de 10 cêntimos por litro em agosto para 5 cêntimos por litro em setembro.

Estes descontos fazem parte de um plano de resposta ao impacto da guerra no Médio Oriente em vigor desde março e que o Governo de Espanha reformulou no final de junho.

Fed mantém taxa de juros e decisão pode representar erro crasso

29 October 2026 at 20:09

O custo de vida é o tema número 1 para os eleitores que se dirigem às urnas, mas o Fed (Federal Reserve) observou o persistente problema de inflação dos Estados Unidos na quarta-feira (28) e optou por não fazer nada a respeito. Pelo menos nas próximas seis semanas, de qualquer forma.

Apesar de os preços ao consumidor terem subido 3,7% no último ano e de o indicador de inflação preferido do Fed permanecer teimosamente 50% acima da meta do banco central, a decisão de manter as taxas de juros estáveis era amplamente esperada.

Isso porque alterar as taxas é um instrumento contundente que pode causar sérios danos à economia quando mal utilizado ou aplicado no momento errado.

“As taxas de juros penetram em todas as brechas”, disse o presidente do Fed, Kevin Warsh, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. “Elas afetam tudo.”

Os banqueiros centrais elevaram as taxas pela primeira vez em mais de três anos no mês passado, e querem aguardar um pouco para ver como a economia responde antes de golpeá-la novamente com outro aumento de juros.

“Garantir a estabilidade de preços e monitorar a inflação não é sobre uma data fixa no calendário ou um dado isolado”, disse Warsh. “É sobre garantir que tenhamos objetivos claros e a política monetária correta.”

Warsh afirmou estar encorajado com a redução nas expectativas de inflação desde que o Fed elevou as taxas em setembro.

Ao esperar, porém, o Fed também está assumindo um risco significativo. O banco central arrisca repetir um erro semelhante ao de 2021, quando presumiu que o monstro da inflação encarando diretamente a economia poderia ser derrotado simplesmente sendo ignorado. (O Fed estava desastrosamente errado).

Desta vez pode ser realmente diferente, e não agir com pressa pode se mostrar uma decisão acertada.

Ou pode forçar o banco central a aplicar à economia uma espécie de terapia de choque em dezembro, que poderia ter sido evitada com um aumento de juros em outubro.

Por que o Fed não elevou os juros?

Empregos. Elevar as taxas aumenta os custos de empréstimo das empresas, deixando-as com menos dinheiro para contratar.

Este pode ser um momento perigoso para mexer no mercado de trabalho: a economia dos EUA criou apenas 29.000 empregos em setembro, bem abaixo das expectativas. E o relatório de setembro mostrou que a economia criou 60.000 empregos a menos nos dois meses anteriores do que se acreditava anteriormente.

O mercado de trabalho não está de forma alguma em mau estado, mas tem se mostrado instável. A economia dos EUA perdeu 10.000 empregos em julho e em sete dos últimos 16 meses. Embora o desemprego permaneça em um saudável 4,2%, os economistas descrevem a economia como “baixa contratação, baixa demissão”.

Em outras palavras, sua posição pode não estar em risco, mas se você deixar seu emprego, pode ter dificuldade em encontrar um novo.

Mercados. Os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram desde o último aumento de juros do Fed, com os rendimentos dos títulos atingindo em determinado momento as máximas de várias décadas.

Os rendimentos recuaram um pouco desde então, retornando ao patamar em que estavam em meados de setembro, mas os rendimentos dos títulos ainda relativamente altos podem ajudar a dar cobertura ao Fed, pois têm um efeito semelhante ao da taxa dos fundos federais, desacelerando a economia e a inflação.

O Fed também não gosta de surpreender os investidores – mesmo na nova era de “mantê-los adivinhando” de Warsh. O mercado havia precificado uma chance de 91% de que o Fed manteria as taxas, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME, e um aumento poderia ter levado os mercados a um reequilíbrio doloroso.

Timing. A decisão do Fed também pode ter sido influenciada, pelo menos em parte, pela eleição que se aproxima. Narayana Kocherlakota, ex-presidente do Fed de Minneapolis, disse ao meu colega Matt Egan que o Fed hesitou em aumentar as taxas na quarta-feira porque queria se isolar das críticas do presidente Donald Trump. Mas o Fed, ao longo de sua história, mudou as taxas muitas vezes justamente quando os eleitores se dirigiam às urnas, observou também minha colega Elisabeth Buchwald.

Por que manter as taxas pode ser um erro?

O erro “transitório”: O Fed normalmente não intervém quando choques de oferta, como a crise energética induzida pela guerra com o Irã, causam inflação. Eles são notoriamente temporários, difíceis de prever e insensíveis a mudanças nas taxas.

Mas os choques de oferta às vezes levam a problemas maiores que o Fed pode ajudar a resolver. O Fed deveria saber disso: acabou de passar por isso.

Quando a economia emergiu da pandemia, o Fed cometeu um erro em relação à inflação, declarando-a resultado de um choque de oferta “transitório” relacionado à guerra Rússia-Ucrânia e aos enormes gargalos nas cadeias de suprimentos.

O problema acabou se tornando o mais significativo de uma geração em termos inflacionários. O Fed, pego de surpresa, foi forçado a elevar as taxas em um ritmo histórico – três altas consecutivas de três quartos de ponto percentual.

No fim, o Fed conseguiu reduzir a inflação descontrolada a níveis mais administráveis, mas não antes de os preços ao consumidor atingirem o pico de uma taxa anual de 9,1%, a mais alta em quatro décadas.

Desta vez pode não ser diferente: a inflação já está se espalhando para outras partes da economia.

Particularmente preocupante no relatório de inflação ao consumidor de setembro foi a surpreendente recuperação nos custos de moradia e aluguel, um contribuidor significativo para a inflação que havia arrefecido na primavera e no verão.

E o custo de outros serviços também subiu mais do que o esperado – preços que tendem a aumentar (e permanecer altos) à medida que estúdios de yoga, serviços de jardinagem e similares cobram mais de seus clientes para compensar seus custos crescentes.

Também impulsionando a inflação: os investimentos em data centers e em tecnologia que alimenta a IA empurraram a economia para o limite – e talvez tenham contribuído para seu superaquecimento.

Os preços de eletricidade, materiais de construção, mão de obra e tecnologia pessoal, como smartphones e laptops, todos subiram como resultado.

Mais guerra? Essa alta nos preços de energia pode piorar antes de melhorar. Trump sinalizou fortemente (e a CNN noticiou) que os Estados Unidos e Israel poderiam escalar a guerra com o Irã após as eleições de meio de mandato, potencialmente elevando ainda mais os preços do petróleo.

Seria imprudente para o Fed tomar uma decisão com base em um rumor. E os preços de energia podem cair rapidamente.

Por exemplo, o anúncio do governo Trump de um cessar-fogo energético com a Rússia se manteve surpreendentemente bem, aumentando dramaticamente a quantidade de diesel produzida pela Rússia nas últimas semanas, o que poderia reduzir significativamente os preços globais do diesel – caso a Ucrânia continue a se abster de seus ataques de drones às refinarias russas.

Mas a prolongada alta nos preços de energia já está elevando os preços em toda a economia, e esperar para voltar a aumentar as taxas pode colocar o Fed em desvantagem.

Sapos em água fervente. As altas de juros funcionam com efeito retardado, e mudanças mais bruscas nas taxas podem ter efeitos deletérios sobre o sistema financeiro, os mercados e a economia. Esse sapo econômico tende a permanecer na panela quando o calor é aumentado gradualmente.

Se as escaladas na guerra do Irã e na guerra Rússia-Ucrânia forem retomadas, isso poderia colocar o Fed em uma posição difícil, obrigando-o a elevar as taxas ainda mais do que o esperado em sua próxima reunião em dezembro – potencialmente em meio ponto, em uma espécie de ajuste compensatório.

As massivas e sucessivas altas de juros ao longo de 2022 levaram o mercado de ações à sua maior queda anual desde a crise financeira e paralisaram o mercado imobiliário. Mas a economia não entrou em recessão – um feito que o Fed raramente conseguiu quando eleva as taxas de juros.

Não é uma aposta que muitos economistas estejam ansiosos para fazer novamente.

Entenda por que Trump acusa diretora do Fed de “fraude hipotecária”

 

Petróleo e câmbio sugerem inflação mais elevada no Brasil, diz XP

27 October 2026 at 23:36

Caio Megale, economista-chefe da XP, avaliou que as movimentações recentes do câmbio e do petróleo sugerem pressões inflacionárias mais elevadas no Brasil.

Em entrevista ao CNN Money, ele destacou que as projeções de inflação, especialmente para 2027, estão se deteriorando em razão de fatores externos e domésticos combinados.

Petróleo e câmbio como vetores de pressão inflacionária

Com o petróleo sendo negociado em torno de US$ 110 o barril, reforça-se o risco de inflação generalizada no mundo, segundo Megale.

Além disso, os preços de alimentos também subiram. No mercado doméstico, o destaque foi a taxa de câmbio, que passou de uma faixa entre R$ 5,05 e R$ 5,10 para cerca de R$ 5,30 a R$ 5,40. Segundo o economista, essa depreciação cambial, somada ao aumento de custos externos, “sugere inflação mais elevada em 2027”.

Outros fatores também foram mencionados como fontes de pressão sobre os preços. Megale citou o fim da escala de trabalho 6×1, que, segundo estudos, pode gerar custos adicionais de ajuste para as empresas no curto prazo, elevando o custo dos serviços em 2027.

Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estaria revisando a pesquisa de orçamento familiar, uma vez que os serviços — setor com inflação mais alta — vêm ganhando maior participação na cesta de consumo dos brasileiros.

“Tudo isso está sugerindo um desafio maior para o Banco Central atingir a meta de 3%”, disse o economista.

Decisão do Copom e possível pausa nos cortes de juros

Diante desse cenário, Megale avaliou que o Banco Central ainda deve entregar um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) prevista para a semana seguinte à entrevista, mas sinalizou que a instituição deveria deixar a porta mais aberta para uma eventual pausa em dezembro.

“A minha impressão é que o Banco Central ainda entrega, na semana que vem, um corte de 0,25”, afirmou, acrescentando que “já vão deixar a porta bem mais aberta em dezembro” caso a deterioração das expectativas continue.

O economista ponderou que uma pausa nos cortes seria tecnicamente defensável, dado que as expectativas de inflação já estão acima da meta e continuam subindo. Por outro lado, ele ressaltou que a economia está desacelerando — com indicadores de vendas no varejo, produção industrial e de serviços apontando nessa direção — e que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre poderia ser negativo.

“Juros de 13%, 13,5%, com uma inflação que roda em torno de 4%, 5%, ainda é um juro real muito elevado”, ponderou Megale.

Risco de frustração no ciclo de cortes

Questionado sobre a possibilidade de o ciclo de cortes ser frustrado, como ocorreu em um ciclo anterior em que a Selic chegou a 15%, Megale reconheceu o risco, mas apontou diferenças relevantes no cenário atual.

Segundo ele, a desaceleração econômica atual parece mais consistente do que a observada naquele período, quando a economia reacelerou fortemente após sinais iniciais de arrefecimento. “Agora a gente, de fato, pelo menos do lado do crescimento econômico, parece bem claro que há uma virada no ciclo”, disse.

No entanto, Megale alertou que, se o petróleo continuar subindo, se a política fiscal caminhar na direção de mais despesas e se o câmbio depreciar ainda mais — chegando próximo a R$ 6,00 —, o cenário de frustração poderia se concretizar. Com os dados disponíveis no momento da entrevista, sua avaliação era de que o Banco Central deveria aguardar a dissipação dos choques inflacionários antes de retomar cortes mais expressivos.

“A impressão é que nós temos uma onda de inflação aqui agora, o Banco Central dá uma segurada, espera essa onda passar”, concluiu.

Subsídio ao combustível e perspectivas para o preço da gasolina

Sobre o subsídio ao diesel e à gasolina, Megale afirmou que não havia, em seu cenário-base, projeção de alta nos preços dos combustíveis. Ele explicou que o aumento do petróleo gera maior arrecadação, o que ajuda a financiar o subsídio.

O próprio governo já havia sinalizado a continuidade do benefício para o ano seguinte. Contudo, o economista advertiu que manter os preços da gasolina fora da paridade internacional por um período prolongado não seria sustentável caso o petróleo permanecesse acima de US$ 100 o barril.

“Se ficar claro que o preço do petróleo não vai voltar para os 70, 80 que todo mundo esperava e vai ficar acima de 100, aí a gente tem que aceitar custos mais elevados de combustíveis”, afirmou.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Ingresso do Parque Nacional de Fernando de Noronha sobe 2,34% a partir de domingo

27 October 2026 at 12:35

O ingresso para o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha terá um reajuste de 2,34% a partir do próximo domingo (1º). A atualização tarifária foi anunciada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e repassa a inflação acumulada nos últimos 12 meses, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE).

Novos valores das tarifas

Com a correção aplicada pelo órgão ambiental, a tabela de preços do parque passa a vigorar com as seguintes tarifas:

  • Brasileiros: R$ 196,50 (valor com desconto de 50%).
  • Estrangeiros: R$ 393,00 (tarifa integral sem abatimento).
  • Validade do bilhete: Garante o acesso às áreas de visitação por até dez dias.

Critérios de isenção e atendimento

As regras de gratuidade permanecem inalteradas e beneficiam perfis específicos de visitantes e residentes:

  • Por faixa etária: crianças com menos de 12 anos e idosos brasileiros com 60 anos ou mais.
  • Por vínculo territorial: moradores de Fernando de Noronha, seus parentes de primeiro grau e trabalhadores credenciados para serviços na ilha.

Esclarecimentos sobre normas de acesso e orientações a turistas podem ser consultados diretamente com a gestão do parque pelo canal de atendimento via WhatsApp no número (81) 99453-2674.

© Divulgação

O grande destaque são os voos diretos de São Paulo (GRU) e Recife (REC) para Fernando de Noronha (FEN), que estarão operacionais durante as primeiras férias de verão

A inflação pôs ovos e papel higiénico nas máquinas de garra no Japão

By: AFP
23 October 2026 at 13:40
À medida que a inflação pesa sobre os orçamentos das famílias japonesas, os grandes espaços de jogos na periferia das principais cidades estão a instalar máquinas de garra com ovos, arroz, detergente para a roupa e outros bens de primeira necessidade. Estes espaços combinam a aquisição de produtos essenciais com o entretenimento, permitindo que as famílias se divirtam sem sentirem que têm de escolher entre comprar os bens de que necessitam e desfrutar de um dia de lazer. Minae Kamata, uma dona de casa de 25 anos, conta que consegui ganhar o prémio após apenas duas tentativas, a 100 ienes

Mais de 50% dos portugueses perderam poder de compra

15 October 2026 at 11:54
Inquérito a 2.000 adultos residentes nos 18 distritos de Portugal continental conclui que "aumento do custo de vida tem vindo a influenciar o poder de compra e o bem-estar económico das famílias".

© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Estudo foi desenvolvido pela Deco, Universidade Católica e Mercadona

OE27. Difícil de compreender não atualização de impostos

15 October 2026 at 11:38
Ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Sérgio Vasques considera difícil compreender que os impostos sobre veículos e álcool não sejam atualizados em 2027 e beneficiem de um desagravamento real.

© TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

O professor da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa considera vantajoso a iniciativa do Orçamento do Estado para 2027 ser uma proposta "descarnada de tudo aquilo que possa ser contencioso e controverso em matéria fiscal"
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