O Banco do Japão (BoJ) decidiu hoje manter a taxa de juro de referência de curto prazo em 1,25%, o nível mais elevado em quase 31 anos no país asiático.
Na reunião de dois dias dedicada à política monetária, o BoJ optou por não alterar a taxa, depois de a ter aumentado de 1% para 1,25% em setembro, num contexto de insistência dos Estados Unidos para que o Japão demonstre aos mercados o seu compromisso com a sustentabilidade orçamental e com a subida das taxas de juro.
Por uma maioria de oito votos contra um, o banco central nipónico manteve as taxas inalteradas, considerando que a inflação subjacente se encontra, de forma geral, num nível compatível com o objetivo de estabilidade de preços de 2%.
Perante este cenário, o banco central reiterou que manterá a orientação de aumento gradual das taxas de juro e ajustará a política monetária em função da evolução da atividade económica, dos preços e das condições financeiras.
No entanto, no relatório de perspetivas económicas divulgado hoje, o BoJ alertou para o risco da inflação subjacente ultrapassar a meta de 2%, devido à crescente disponibilidade das empresas para aumentarem salários e preços, bem como a outros fatores suscetíveis de impulsionar a inflação.
Segundo dados divulgados na semana passada pelo Governo japonês, a inflação homóloga, excluindo os produtos alimentares frescos, aumentou para 2,1% em setembro, face aos 1,7% registados em agosto, situando-se ligeiramente acima do objetivo de 2% definido pelo banco central.
O BoJ considerou que a economia japonesa continuará a crescer moderadamente, embora a um ritmo mais lento, apoiada pelas medidas governamentais para responder ao aumento dos custos da energia provocado pelo conflito no Médio Oriente e pelo crescimento da procura mundial associada à inteligência artificial (IA).
Além disso, o banco central do país anunciou que irá acelerar a partir de janeiro de 2027 o ritmo de venda dos fundos negociados em bolsa, acumulados durante os programas de estímulo monetário como parte dos esforços para reduzir gradualmente a carteira destes ativos. A medida foi aprovada por unanimidade pelos membros da comissão de política monetária.
A decisão do BoJ surge depois de na quarta-feira a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos ter optado igualmente por manter as taxas de juro inalteradas, no intervalo entre 3,75% e 4%. O Banco Central Europeu (BCE) também manteve esta quinta-feira as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez em, respetivamente, 2,5%, 2,65% e 2,9%.
Neste vídeo, Pedro Fugas, Country Tax & Law Leader da EY Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde, explica como a colaboração entre especialistas de diferentes áreas da EY permite responder aos desafios dos clientes de forma mais integrada, estratégica e eficaz.
A Binance, maior plataforma mundial de negociação de criptomoedas, revelou hoje que o ataque de cibersegurança de que foi alvo tem um impacto estimado em 6,3 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros).
Em comunicado divulgado no seu portal oficial, a empresa explicou que as investigações preliminares apontam para a possibilidade de os atacantes terem comprometido o computador portátil de um engenheiro de operações, conseguindo aceder a um dos sistemas da plataforma e executar levantamentos não autorizados.
A Binance afirmou não ter encontrado, até ao momento, provas de que as chaves privadas das suas carteiras digitais tenham sido comprometidas e prometeu divulgar um relatório técnico detalhado após a conclusão da investigação.
A empresa indicou que trabalhou com parceiros do setor para congelar cerca de 3.000 milhões de dólares (2.700 milhões de euros) em ativos afetados, embora ainda não tenha determinado o valor definitivo das perdas nem quanto poderá recuperar.
A plataforma garantiu que cobrirá todos os eventuais prejuízos através do fundo de proteção dos utilizadores, conhecido pela sigla SAFU, e de recursos próprios, assegurando que os fundos dos clientes estão protegidos.
Como medida de precaução, a Binance suspendeu temporariamente os depósitos e levantamentos, revogou as autorizações de acesso comprometidas e solicitou a colaboração das autoridades e de empresas especializadas no rastreio de transações com criptomoedas.
A plataforma anunciou que atualizará a prova de reservas após a conclusão das medidas corretivas.
O incidente provocou quedas nas principais criptomoedas, com a bitcoin a recuar mais de 3%, para cerca de 77.400 dólares (69.190 euros), enquanto o éter e a BNB também registaram perdas, segundo o portal especializado CoinDesk.
Nos mercados de futuros, as liquidações de posições alavancadas atingiram 1,5 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros), segundo a mesma fonte.
Fundada em 2017, em Xangai, leste da China, pelo empresário Changpeng Zhao, a Binance transferiu as operações para fora da China após as restrições impostas por Pequim à negociação de criptomoedas, passando a operar internacionalmente sem uma sede central única.
O ranking das escolas, divulgado esta madrugada com a análise dos resultados dos exames nacionais e do desempenho dos estabelecimentos de ensino, domina as primeiras páginas dos jornais desta sexta-feira, 30 de Outubro de 2026. As classificações voltam a evidenciar as diferenças entre escolas públicas e privadas e as assimetrias territoriais, com vários títulos a aprofundarem os factores que influenciam os resultados e os casos de estabelecimentos que conseguiram inverter posições desfavoráveis.
O ranking das escolas, divulgado esta madrugada com a análise dos resultados dos exames nacionais e do desempenho dos estabelecimentos de ensino, domina as primeiras páginas dos jornais desta sexta-feira, 30 de Outubro de 2026. As classificações voltam a evidenciar as diferenças entre escolas públicas e privadas e as assimetrias territoriais, com vários títulos a aprofundarem os factores que influenciam os resultados e os casos de estabelecimentos que conseguiram inverter posições desfavoráveis.
O ranking das escolas, divulgado esta madrugada com a análise dos resultados dos exames nacionais e do desempenho dos estabelecimentos de ensino, domina as primeiras páginas dos jornais desta sexta-feira, 30 de Outubro de 2026. As classificações voltam a evidenciar as diferenças entre escolas públicas e privadas e as assimetrias territoriais, com vários títulos a aprofundarem os factores que influenciam os resultados e os casos de estabelecimentos que conseguiram inverter posições desfavoráveis.
Ante la magnitud de la catástrofe de Toledo, se debe antes que nada transmitir el dolor y nuestra solidaridad con los afectados, pero al tiempo debemos ampliar el foco de lo sucedido para contemplar el funcionamiento del sistema ferroviario español en su conjunto y especialmente el modelo de Alta Velocidad que nació en 1992 con el Madrid-Sevilla y que en 2020 dio un paso más con el proceso de liberalización del servicio de pasajeros. Este sistema ferroviario transportó el año pasado a más de 547 millones de viajeros, de los que 44,5 millones eligieron para ello la Alta Velocidad (AV). La Red Ferroviaria de Interés General de España se compone de 15.678 km de vías (más que kilómetros de autovías y autopistas tenemos), de los que 4.000 km se dedican a AV, el país con la red más extensa del mundo tras China.
De la misma manera que en la red de Rodalies de Catalunya, que se lleva la palma, en la línea de alta velocidad Madrid-Sevilla, donde se produjo el miércoles el fatídico accidente entre un AVE y un Iryio que por el momento se ha saldado con 69 víctimas mortales, también se han dado robos de cableado ferroviario, con la consecuente afectación al servicio. Especialmente problemático ha sido este verano, donde se dio una oleada de sabotajes.
La EPA del tercer trimestre ha confirmado unas previsiones de crecimiento del empleo relativamente sólidas, que hay que extender al PIB. Para este, el FMI (World Economic Outlook de octubre) ha situado sus expectativas para el 2026 y el 2027 en un 2,5% y un 1,8% respectivamente, una mejora que se suma a la del Banco de España, que las ha aumentado hasta el 2,6% para el 2026 y 2,2% para el 2027. En suma: crecimientos todavía elevados con clara tendencia a la moderación, reflejando las dificultades de los mercados exteriores y aquellas para continuar aumentando las entradas turísticas, tras la fortísima recuperación posterior al colapso del 2020. Y ello en el contexto de un área del euro con modestos avances en PIB y complejas perspectivas electorales en el 2027.
Acumular patrimonio no es algo que ocurra de la noche a la mañana. Requiere tiempo, constancia y, a ser posible, una buena capacidad de ahorro los primeros años. Para conseguirlo, los millonarios utilizan la regla 7-4-3 que habla del tiempo necesario para alcanzar distintos objetivos de inversión hasta ser 'rico'.
Eso sí, esta regla ni es universal ni hay que entenderla al pie de la letra. Todo depende del punto de partida, capacidad de ahorro, perfil como inversor y objetivos de cada persona.
Qué es la regla 7-4-3 y cómo funciona
La regla 7-4-3 es una forma sencilla de visualizar cómo puede acelerarse el crecimiento del patrimonio a medida que pasan los años. El economista y divulgador financiero Jordi Llàtzer la explica a partir de un ejemplo con cifras concretas.
El punto de partida son 25.000 euros de ahorro a lo que suma aportaciones de 500 euros al mes y una rentabilidad media del 10% anual (en línea con el rendimiento medio histórico de la bolsa sin descontar inflación ni gastos). Con esas condiciones, Llàtzer calcula que hacen falta alrededor de siete años para alcanzar los primeros 100.000 euros. Es el primer número de la regla y también la etapa de crecimiento más lento.
A partir de ahí llega el número 4. Con un patrimonio cercano a los 100.000 euros y aumentando las aportaciones a medida que también crecen los ingresos, el siguiente objetivo de doblar el capital y llegar a 200.000 euros puede alcanzarse en unos cuatro años. Sin ese incremento del ahorro mensual y con los mismos 500 euros, se tardarían 5 años y 1 mes para doblar el patrimonio.
El último tramo es el 3: partiendo de 200.000 euros, aportando 1.000 euros al mes y manteniendo la misma rentabilidad, serían necesarios aproximadamente tres años para llegar a los 300.000 euros. De nuevo, si mantuvieses la aportación de 500 euros al mes tardías algo más en alcanzar el objetivo, pero no mucho más. En concreto, sumarías esos 300.000 euros en tres años y cuatro meses.
Por eso, más que unos plazos exactos, el 7-4-3 sirve para representar cómo se va acortando el tiempo necesario para alcanzar cada nuevo objetivo.
Por qué el patrimonio empieza a crecer cada vez más rápido
La razón por la que el tiempo para llegar al siguiente escalón se acorta es que el capital sobre el que se obtiene la rentabilidad aumenta. En otras palabras, que los intereses se calculan sobre una cantidad superior cada vez. En números: con una rentabilidad del 10%, 25.000 euros generarían 2.500 euros en un año; sobre 100.000 euros, 10.000 euros al año; y 300.000 euros, 30.000 al año. La aportación mensual sigue ayudando, pero su peso relativo es cada vez menor frente al crecimiento de la propia inversión. Por eso se tarda menos en pasar de 200.000 a 300.000 euros que en conseguir los primeros 100.000 euros.
Llàtzer lleva este efecto más allá de los 300.000 euros. Siguiendo con el mismo supuesto del 10%, calcula que pasar de 300.000 a 400.000 euros llevaría unos tres años incluso sin realizar nuevas aportaciones. Después, el tiempo necesario para sumar otros 100.000 euros seguiría reduciéndose: alrededor de dos años y cuatro meses para pasar de 400.000 a 500.000 y menos de dos años para alcanzar los 600.000 euros.
A partir de cierto patrimonio, el dinero generado por las inversiones puede superar incluso lo que una persona es capaz de aportar con su salario. Una aportación de 500 euros al mes son 6.000 euros anuales. Con una rentabilidad del 10%, bastaría un patrimonio de 60.000 euros para igualar esa cifra y, con 100.000 euros invertidos, el crecimiento teórico sería ya de 10.000 euros al año. Si aportases 1.000 euros al mes, el punto de equilibrio estaría en torno a los 120.000 euros. A partir de ahí, el capital acumulado empieza a hacer una parte cada vez mayor del trabajo.
La regla 7-4-3 no es una fórmula exacta
Esta regla no es universal ni exacta porque depende de varios factores: capital inicial, capacidad de ahorro y rentabilidad de la inversión. Ese 10% del ejemplo puede servir como referencia histórica a largo plazo, pero no significa que la inversión vaya a crecer un 10% todos los años. El MSCI World acumula una rentabilidad bruta anualizada del 9,87% desde finales de 1987, pero por el camino ha tenido años como 2022, cuando cayó un 17,73%, y otros como 2023, cuando subió un 24,42%.
Una rentabilidad menor también alargaría los plazos. Por ejemplo, con un 7% anual y manteniendo las aportaciones de 500 euros al mes, pasar de 25.000 a 100.000 euros llevaría aproximadamente siete años y siete meses, frente a los seis años y medio del ejemplo al 10%. Por eso, el 7-4-3 sirve más para entender cómo se acelera el crecimiento del patrimonio que como un calendario que vaya a cumplirse de forma exacta.
Qué puede impedir que funcione la regla 7-4-3
En concreto, Llàtzer señala tres riesgos para este sistema que no tienen tanto que ver con la propia regla, como con nuestra propia conducta:
Abandonar cuando el crecimiento todavía parece lento. Es lo que denomina el “valle de la desesperación”, ese periodo en el que llevas meses o años aportando dinero, pero todavía no aprecias una diferencia tan grande como esperabas.
Buscar atajos para acelerar el crecimiento del patrimonio. Llàtzer pone como ejemplo las meme coins y las acciones muy especulativas, donde es posible ganar mucho dinero, pero también perderlo todo o casi todo.
Aumentar los gastos al mismo ritmo que los ingresos, porque una de las palancas que utiliza la propia regla 7-4-3 para reducir los plazos pierde fuerza es precisamente ahorrar más según aumenta el salario.
En la práctica, la regla 7-4-3 no permite saber cuándo alguien llegará al millón, pero sí resume bien la dinámica que hay detrás. Al principio pesan más el ahorro y las aportaciones; con el paso del tiempo, si la inversión crece, el capital acumulado va ganando peso y puede acelerar la creación de patrimonio.
Helena Rohner cumple treinta años siendo una referencia de la joyería de nuestro país y lo celebra con una exposición en el Museo Nacional de Arte Decorativas que acaba de abrir su puertas hasta el 31 de enero. En ella la creadora canaria bucea en su archivo, redescubre su propia historia y nos descubre un universo de referencias familiares que han acabado proyectadas en joyas que han conquistado hasta a la mismísima Julianne Moore, que se empeñó en lucir uno de sus collares en la película de Pedro Almodóvar «La habitación de al lado». Lo último ha sido ver a Glenn Close llevando también piezas suyas en «La bola negra».
¿Qué ha aprendido al revisar treinta años de carrera?
Me he encontrado cosas que no recordaba. Es curioso que ver que todo lo que hiciste al principio con la madera o el esmalte sentó unas bases de un ADN que continuaría treinta años después. Veo que las piezas se han ido sofisticando y madurando, pero veo una línea coherente.
¿Hace lo que apetece o lo que debe?
He hecho lo que creía. Con la porcelana pensaban que se rompería y con la madera que se iba a despegar. Con el ácido poliláctico me decían que era plástico y tuve que explicar que es artesanía. A veces hago cosas que debo, porque soy empresaria, pero me mantengo fiel a mí misma. Es la libertad también que te da tu propia empresa.
¿En qué le marca ser canaria?
Canarias tiene una cualidad muy rotunda: el mar es duro y frío, la tierra volcánica… no es el Mediterráneo. Es todo muy contundente y claro. Estar tan cerca de una naturaleza así te hace más humilde y honesta y tus propuesta no están tan decoradas, son más esenciales.
Y siendo suiza, ¿relojes?
Nunca he hecho… nunca me lo han pedido, pero nunca se sabe.
¿Cuánto le ha influenciado la familia?
Mi padre era un hombre de negocios y eso me influyó: soy diseñadora, pero también empresaria. Él hacía marionetas y el olor de la madera siempre lo he tenido por ahí. Mi madre es tejedora y tiñe con plantas naturales: de ahí viene el color. Mi hijo Lucas vino con acondroplastia, pero en general cuando tienes hijos aprendes a valorar cada momento de crecimiento, vuelves a empezar y ves que todo lo que dabas por sentado es una cosa que se da por hecho y no tiene por qué ser así. Eso también pasa en el diseño.
¿De dónde viene su interés por innovar con los materiales?
Por pura curiosidad. Tuve la suerte de tener profesores en Florencia y Londres que eran más artistas que joyeros, que me apoyaron a encontrar lo que yo buscaba, pero considero que es algo que también ha venido de mis padres. Mi padre decía que yo era muy sutil y tenaz. Además, me aburro y necesito aprender. Ahora estoy con el vidrio, viendo hasta dónde puedo llegar.
Ha colaborado con gente como Paul Smith o a David Delfín.
Lo de Paul Smith llegó tras un desfile de la firma. Una amiga estilista me invitó a conocerlo y le enseñé tres anillos. Directamente me dijo que los quería para hombre. Fue cliente veinticinco años. Con David fue porque nos llevábamos muy bien y yo a todo lo que me pedía le decía «vale».
¿Una mujer lo tiene más difícil?
Yo creo que dentro del mundo de la joyería sí. El joyero clásico es hombre, pero las mujeres hemos despuntado mucho más. Creo que tenemos una sensibilidad especial. Cuando llegué a Madrid me veían como la del hobby, pero cuando los pedidos eran de mil piezas la cosa cambió. Me gusta mucho Vivianna Torun Bülow, Chelo Sastre o Elsa Peretti… todas mis referencias son mujeres.
Los controladores del centro de coordinación de Atocha (Madrid) ordenaron al AVE 2080 que siguiera un protocolo equivocado antes de que el miércoles embistiera al Iryo 6076 en la localidad toledana de Urda, causando al menos 69 muertos y 58 heridos. Así se desprende del libro de normas del maquinista de Renfe y de los testimonios recabados por este diario de tres expertos con experiencia en el manejo de la línea de alta velocidad que une Madrid y Sevilla.
Todo se quedó antiguo de repente: la visita al cardiólogo, la revisión de la caldera de gas, la cita con la fisio o el podólogo. Se quedó antigua la partida de cartas de los miércoles, la comida familiar de los jueves, el vermut con los amigos de los viernes y hasta el texto que tenía uno preparado para esta esquina del periódico se quedó de súbito obsoleto. Al principio, cuando apenas sabíamos, las cosas se iban quedando antiguas muy despacio, pero después de los primeros muertos la vida entera se quedó de golpe suspendida, antigua, igual que el tráfico rodado y los semáforos y el mobiliario urbano. La tarta de cumpleaños que tenías que recoger también se quedó antigua, se infartó, lo mismo que el siglo XXI. En los hospitales, los niños nos nacían antiguos y velábamos en los tanatorios cadáveres pretéritos.
Isabel Díaz Ayuso quiere lanzar una especie de maldición. Es una decisión premeditada. Fría. Mira a Manuela Bergerot, la portavoz de Más Madrid en la Asamblea regional, que no encabezará la lista electoral de su partido en las próximas elecciones. Luego, a Mar Espinar, su homóloga del PSOE, en la misma situación. Y lanza su profecía: “Este, desde luego, es el último debate de toda su vida política como portavoces”. Son las palabras de una superviviente que ha visto caer a casi todos sus rivales. Solo la presidenta regional ha conseguido cabalgar la silla eléctrica de la política madrileña —siempre entrecruzada con la nacional— desde que accedió al poder por primera vez, allá por agosto de 2019. La lista de caídos, a la que se acaba de sumar el delegado del Gobierno, Francisco Martín, dimitido por no entrar en las listas electorales socialistas para las generales, es larga y multifactorial. Hay políticos de PSOE, Más Madrid, Podemos, Vox o Cs. Y también del propio PP. A la espera de las elecciones autonómicas de 2027, lo único seguro es que en el Madrid de Ayuso, por ahora, solo resiste la propia Ayuso.
Ganó Luiz Inácio Lula da Silva en la segunda vuelta de las elecciones de Brasil cuando nadie lo esperaba, y la remontada tuvo tintes épicos. Consiguió lo más difícil, movilizar a los más perezosos y convencer a los indecisos para que le dieran su voto. En esa batalla tuvo una gran importancia la campaña por redes sociales, destinada a llegar a los más jóvenes y que estuvo en manos de un también joven “general”, tal como lo llamó Lula el domingo al valorar su victoria: André Janones, diputado y antiguo cobrador de autobús. Se dedicó a dirigir un ejército de colaboradores para inundar la esfera digital con un torrente de mensajes a favor de Lula hasta el punto de romper la burbuja de la izquierda y llegar a otra gente. También, y un poco a la vieja manera, colaboraron para que Lula ganara unos cuantos músicos. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque y Geraldo Azevedo grabaron una canción que defendía las políticas sociales y ambientales del legendario político y que contenía el eslogan Bora, Lula. Con ese vamos, Lula,dale, Lula, respondían haciendo un juego de palabras al Fora Lula que abanderó su adversario, Flávio Bolsonaro. Y, por lo que se ve, fueron más convincentes.