A Igreja Matriz de Lagoa recebe, no próximo dia 1 de novembro, pelas 18h00, um concerto especial que junta o organista Ricardo Toste e a harpista Rebeca Csalog.
A Festa do Cinema Francês estará em Faro, no auditório do IPDJ, nos dias 22, 23, 29 e 30 de outubro, para celebrar a “riqueza, diversidade e vitalidade” do cinema francófono.
A sessão de abertura decorre no dia 22 de outubro, às 21h30, com o filme A Comédia Francesa (De la Comédie-Française), de Bertrand Usclat e Martin Darondeau, uma das comédias francesas mais populares do ano. O filme leva o público aos bastidores da mais prestigiada instituição teatral francesa, La Comédie-Française.
No dia 29 de outubro, às 21h30, é apresentado Adeus, Mundo Cruel (Adieu monde cruel) de Félix de Givry, um filme que parte do bullying sofrido por Otto, um adolescente de 14 anos.
A Festa do Cinema Francês em Faro termina com O Canto das Florestas (Le chant des forêts), de Vincent Munier, um documentário sobre a relação entre ação humana e natureza, onde três gerações percorrem o mesmo território, numa experiência de observação da natureza.
Junta de Freguesia de Monchique e a Paróquia local promovem os espectáculos, com entrada livre.A direção técnica está a cargo da artista musical Svetlana Bakushina, oriunda da Sibéria e radicada no Algarve.
José Manuel Oliveira
Numa iniciativa da Junta de Freguesia de Monchique, com o apoio da Paróquia, realiza-se de 17 de Outubro a 07 de Novembro, nesta localidade do interior algarvio e sempre a partir das 16h00, o 5º. Festival de Música de Câmara VilaNova, cuja direção técnica está a cargo de Svetlana Bakushina. Oriunda da Sibéria e radicada no Algarve, esta artista musical é uma conhecida pianista, compositora e cineasta.
Três concertos na Igreja Matriz de Monchique, em Outubro, e um, a 07 de Novembro, na sala Manuel Martins da Junta de Freguesia
Os quatro concertos juntam, em dias diferentes, guitarra portuguesa, violoncelo, guitarra clássica e canto lírico. Todos os espetáculos que decorrem durante o mês de Outubro realizam-se na Igreja Matriz de Monchique. A 7 de Novembro será na sala Manuel Martins, na Junta de Freguesia.
Em comunicado enviado aos órgãos de informação, a Junta de Freguesia de Monchique indica que Ricardo Martins dá início ao Festival ao subir ao palco no dia 17 de Outubro, com uma atuação de guitarra portuguesa, enquanto a 24 será a vez de Seibas Gamboa, em violoncelo, e Juan León em guitarra clássica. Já no dia 31, “Michele Tomaz e Denise Yamaoca encerram o mês com canto lírico a duas vozes”, acrescenta a nota de imprensa. Todos os espectáculos que decorrem em Outubro têm lugar na Igreja Matriz de Monchique, com entrada livre.
Este festival teve início há cinco anos com a designação de VilaNova, numa alusão à designação de Monchique, mencionado no alvará de D. José I, de 16 de Janeiro de 1773, aquando da criação do concelho
No último dia do Festival VilaNova, 7 de Novembro, a música sobe a palco aberto, também com início pelas 16h00. “A única condição imposta aos participantes, quer sejam amadores, estudantes ou profissionais é que toquem música de câmara e se inscrevam, por SMS, através do telemóvel 925 130 231”, refere a Junta de Freguesia de Monchique.
Este festival teve início há cinco anos com a designação de VilaNova, numa alusão à designação de Monchique, mencionado no alvará de D. José I, de 16 de Janeiro de 1773, aquando da criação do concelho, esclarece a autarquia serrana.
Presidente da Junta de Freguesia de Monchique, José Gonçalo Duarte: “Festival traz ao Algarve uma oportunidade de usufruir de música de câmara de grande qualidade num espaço com ótimas condições acústicas, que é a nossa Igreja Matriz.”
E “permite uma grande proximidade entre os intérpretes e os ouvintes.”
“Este festival traz ao Algarve uma oportunidade de usufruir de música de câmara de grande qualidade num espaço com ótimas condições acústicas, que é a nossa Igreja Matriz”, sublinha o presidente da Junta de Freguesia de Monchique, José Gonçalo Duarte.
Por outro lado, lembra que este género musical se desenvolveu na Europa a partir do século XVII, tendo alcançado “o seu auge nos períodos barroco e classicismo.” E “permite uma grande proximidade entre os intérpretes e os ouvintes”, conclui o autarca.
O Teatro Municipal António Pinheiro celebra o seu 109.º aniversário no dia 24 de outubro com um programa cultural especial que une música, fotografia e memória coletiva.
Pedro Abrunhosa vai protagonizar uma verdadeira maratona musical no Algarve, com a realização de três concertos consecutivos no Teatro das Figuras, em Faro.
São Brás de Alportel distinguiu David Mendonça pelo seu percurso artístico e pela projeção na música portuguesa. O vocalista de Os Vizinhos recebeu o Voto de Louvor no Espaço Memória da Câmara Municipal, no dia 14 de outubro.
A Biblioteca Municipal de Loulé e o seu polo de Quarteira recebem, no próximo sábado, dia 17, um conjunto de atividades dirigidas aos mais novos e às suas famílias, com propostas que aliam a música, a expressão artística e a leitura, promovendo o desenvolvimento infantil e o gosto pelos livros desde a primeira infância.
O programa inclui sessões de sensibilização musical para bebés e crianças, um atelier de pintura inspirado na obra do autor e ilustrador francês Hervé Tullet e duas iniciativas dedicadas à partilha de histórias em família.
A manhã começa com a atividade “Pequenos sons, grandes sorrisos”, dinamizada por Ricardo Jorge, com sessões às 10h00, para bebés dos 0 aos 30 meses, e às 11h00, para crianças dos 2 anos e meio aos 5 anos. Ambas decorrem na Biblioteca Municipal de Loulé e destinam-se a crianças acompanhadas por um adulto.
A experiência musical assume um papel importante no desenvolvimento infantil, sobretudo nos primeiros anos de vida. Através de conteúdos adequados, do contacto com diferentes estímulos sonoros e da exploração sensorial, os bebés e as crianças são convidados a observar, imitar e experimentar, desenvolvendo capacidades físicas, cognitivas, sociais e emocionais.
Cada sessão tem uma duração aproximada de 40 minutos, sendo permitida a participação de cada bebé ou criança numa única sessão por professor.
Também na manhã de sábado, às 10h30, a Biblioteca Municipal de Loulé acolhe um atelier de pintura inspirado na obra de Hervé Tullet, dinamizado por Joana Charneco.
Pensada para crianças dos 4 aos 10 anos, acompanhadas por um adulto, esta atividade propõe uma experiência artística livre, divertida e interativa. A partir de algumas das obras do autor e ilustrador francês, os participantes são convidados a explorar cores, formas e movimentos, através da pintura e do desenho, contribuindo para a criação de uma grande obra coletiva.
Num ambiente onde não há respostas certas ou erradas, o atelier pretende estimular a imaginação, a experimentação e a criatividade, valorizando a expressão individual e a criação em conjunto.
A tarde é dedicada à leitura e à descoberta de histórias. Às 15h30, a Biblioteca Municipal de Loulé promove mais uma sessão da “Hora do Conto para Pais e Filhos”, dirigida a famílias, com a leitura do livro “Vem aí o lobo!”, de Émile Jadoul.
Às 16h00, o programa prossegue no Polo da Biblioteca Municipal em Quarteira, com a iniciativa “Conta-me um conto”, que apresenta a história “As emoções do pequeno gato ansioso”, de Audrey Bouquet e Fabien Öckto Lambert. A sessão convida miúdos e graúdos a partilharem momentos de leitura e a descobrirem histórias que dão espaço à imaginação e à expressão das emoções.
A participação nas atividades está sujeita a inscrição prévia, através do e-mail biblioteca@cm-loule.pt
Recorde-se que, até 29 de outubro, o edifício-sede da Biblioteca Municipal de Loulé recebe a Exposição “E em vez do medo? Arteopatia – A arte como cura”.
Através da arte podemos transformar o medo em coragem, criatividade e expressão. Esta exposição reúne trabalhos realizados por alunos do 5º, 6º, 7º e 8º anos da EB 2, 3 São Pedro do Mar, Quarteira, no âmbito do projeto Ponto de Encontro do Plano Nacional das Artes, desenvolvido pela Biblioteca Municipal de Loulé e o Agrupamento de Escolas Dra. Laura Ayres, Quarteira.
Partindo da pergunta “E em vez do medo”, os alunos exploram emoções, medos, e estratégias para os enfrentar, através de mapas mentais, cartazes e criações artísticas. O percurso culminou na construção de “Caixas Cura para o Medo”, objetos que traduzem, de forma criativa e simbólica, diferentes formas de lidar com aquilo que nos assusta.
Com esta programação, a Biblioteca Municipal de Loulé reforça a sua aposta na promoção da leitura, da criatividade e do desenvolvimento infantil, proporcionando experiências culturais e educativas que aproximam os livros, a música e as artes das crianças e das suas famílias.
No dia 10 de outubro, a exposição fotográfica “Olhão antes e depois” iniciou o seu percurso por quatro espaços do concelho, convidando a comunidade a descobrir as transformações da cidade através da fotografia.
A mostra coloca lado a lado imagens históricas de Olhão e recriações fotográficas realizadas por jovens olhanenses, num diálogo entre gerações que revela o que mudou e o que permanece na identidade da cidade.
Com curadoria de Luís Torres e integrada nas comemorações do Bicentenário da Câmara Municipal de Olhão, esta iniciativa valoriza o património, a memória coletiva e a criatividade dos jovens do concelho.
A exposição está patente até 13 de novembro, nos Mercados Municipais de Olhão, no Ria Shopping, na Escola Secundária Dr. Francisco Fernandes Lopes e na Casa Municipal da Juventude Hugo Charrão, de acordo com os respetivos horários de funcionamento.
Uma oportunidade para revisitar o passado, olhar o presente e descobrir a história de Olhão através de diferentes gerações.
Hoje, sábado, 17 de outubro, pelas 15h00, Ricardo Seabra apresenta a conferência “Loulé medieval: a escrita no município”, no âmbito do ciclo “LOULÉ na linha do tempo”, que acontece no Arquivo Municipal de Loulé Professor Joaquim Romero Magalhães.
A relevância da escrita durante toda a História tem uma importância colossal. As informações preciosas sobre as gerações passadas, na sua multiplicidade de perspetivas, seja o cariz político, económico e/ou social, enformam os trabalhos de diversos historiadores sobre vários campos de pesquisa.
A abordagem nesta conferência incidirá sobre a escrita no Município de Loulé na Idade Média, não só sobre os diversos oficiais da escrita, mas também que tipo de escrita, para quem se escrevia e a vasta tipologia de documentos. Dessa forma, o conferencista tentará vislumbrar o Município de Loulé neste período, mostrando através da escrita dos textos o que é mais importante na sociedade: a vida das gentes louletanas.
Ricardo Seabra é Professor Auxiliar no Departamento de História, Artes e Humanidades da Universidade Autónoma de Lisboa. É investigador integrado do CIDEHUS.UAL e colaborador do CITCEM. A sua pesquisa centra-se principalmente no Tabelionado Régio medieval, na vertente política, económica e social, e na Diplomática Notarial.
Os Bubba Brothers recebem a segunda nomeação consecutiva nos Vicious Music Awards, agora para Melhor DJ Internacional. O projeto algarvio venceu na Categoria Portugal na sua primeira candidatura.
A 27.ª Festa do Cinema Francês apresenta três filmes no auditório do IPDJ, em Faro. «O Canto das Florestas» tem uma sessão exclusiva para escolas às 10h00 do dia 23 de outubro.
Da herança têxtil da Covilhã à criação de esculturas tridimensionais, Ana Rita Arruda transforma fibras de lã em peças que desafiam os limites do artesanato e da arte contemporânea. Depois de uma carreira na tradução, encontrou na feltragem a sua verdadeira vocação, dedicando-se à exploração das formas orgânicas, à experimentação artística e à formação de novas gerações.
Aligação de Ana Rita Arruda aos têxteis nasceu entre memórias familiares, tradições artesanais e o fascínio pelas cores e texturas dos tecidos. Natural da Covilhã, cidade profundamente marcada pela indústria têxtil, cresceu num ambiente onde o saber-fazer manual ocupava um lugar especial. A avó materna, professora de trabalhos manuais no antigo liceu de meninas da cidade, dominava técnicas como o bordado, o croché, o tricô e a costura, transmitindo-lhe, desde cedo, a proximidade com este universo criativo. Em criança, Ana Rita sonhava ser estilista. Fascinava-a a diversidade de tecidos e a possibilidade de transformar materiais em peças únicas. O percurso profissional, porém, começou longe das artes têxteis. Formou-se em Línguas e trabalhou durante vários anos como tradutora e intérprete de neerlandês, alemão e inglês, sem nunca abandonar por completo o interesse pelos trabalhos manuais. A mudança decisiva surgiu através do encontro com uma artista têxtil neerlandesa que, ao conhecer os trabalhos que Ana Rita desenvolvia nos tempos livres, reconheceu o seu potencial e a convidou a aprender uma nova técnica de feltragem. A experiência revelou-se determinante: em apenas três anos, deixou a tradução para se dedicar a tempo inteiro à criação artística. Hoje, a feltragem é a base de um trabalho que transforma fibras de lã soltas em esculturas sólidas e formas tridimensionais.
Sem necessidade de tecnologia complexa, o processo depende sobretudo das mãos, da água, do sabão e de um trabalho físico persistente. Através da fricção, as fibras entrelaçam-se e compactam-se, dando origem a materiais resistentes e a formas surpreendentes. Trata-se de uma técnica ancestral, preservada em diferentes tradições artesanais, nomeadamente na Mongólia, em Marrocos e na Turquia, que Ana Rita reinventa através de uma linguagem artística contemporânea. No seu ateliê, no Porto, encontra o espaço ideal para experimentar materiais, desenvolver ideias e explorar novas possibilidades. As suas criações inspiram-se frequentemente nas estruturas e formas da natureza: intestinos, ondas de água, moluscos e líquenes são algumas das referências que alimentam o seu imaginário. O resultado são peças de forte expressão orgânica, onde o contraste entre materiais, texturas e acabamentos assume um papel central.
A lã, de aparência baça e suave, pode combinar-se com superfícies brilhantes ou elementos de maior rigidez, criando esculturas que oscilam entre o acolhedor e o inquietante, o familiar e o misterioso. Algumas parecem quase vivas, evocando formas animais ou organismos que poderiam existir num universo desconhecido. Por detrás da aparente delicadeza destas obras está um processo exigente, que requer tempo, experimentação e capacidade de superar obstáculos. Para Ana Rita, criar implica investigar, inventar e aceitar que o erro faz parte do caminho até à concretização de uma peça.
Os desafios variam consoante a dimensão e a complexidade do trabalho. Se as peças mais pequenas exigem precisão e atenção ao detalhe, as esculturas de grandes dimensões colocam dificuldades físicas consideráveis. Quando molhada, a lã pode tornar-se extremamente pesada, chegando uma única peça a atingir os 15 quilos. Dobrar, movimentar e organizar o material exige, por isso, técnicas específicas e, em determinados projetos, a colaboração de assistentes.
Entre os trabalhos que marcaram o seu percurso está O Caos e a Diva, criado para o New Hand Lab, na Covilhã. Instalado numa antiga fábrica, este espaço conjuga património industrial têxtil, criação artística e colaboração entre profissionais. A obra de Ana Rita explora o conceito matemático do caos através de uma forma entrelaçada que evoca uma borboleta, cruzando a feltragem tradicional com o tufting, técnica que permite inserir fios numa superfície com recurso a ferramentas específicas. A criação artística não esgota a atividade de Ana Rita Arruda.
A formação e a partilha de conhecimento ocupam também um lugar importante no seu percurso. Ao longo dos anos, colaborou com instituições como a Escola Secundária Soares dos Reis e a Escola Secundária António Arroio, contribuindo para aproximar os estudantes das possibilidades expressivas das artes têxteis. Quando começou a trabalhar com feltragem, a oferta formativa nesta área em Portugal era praticamente inexistente. Perante essa realidade, assumiu o compromisso de divulgar a técnica, promover a aprendizagem e contribuir para a criação de uma comunidade em torno desta prática artística, levando-a a escolas e universidades. O seu trabalho demonstra que as técnicas tradicionais não têm de permanecer confinadas ao passado. Pelo contrário, podem constituir um ponto de partida para novas linguagens, cruzamentos disciplinares e formas de expressão. O futuro de Ana Rita Arruda passa pela participação em exposições, novos projetos e residências artísticas, incluindo uma experiência prevista na Estónia. Entre as áreas que pretende continuar a explorar está a ligação entre o têxtil e a tecnologia, nomeadamente através da soft robotics, ou robótica suave, procurando novas possibilidades de integração com a feltragem. Entre formações, encomendas personalizadas para arquitetos e colaborações multidisciplinares, a artista continua a alargar os horizontes de uma matéria-prima tão antiga quanto versátil. Na sua obra, a lã deixa de ser apenas um material associado à tradição para assumir novas formas, volumes e significados. O percurso de Ana Rita Arruda mostra como a memória artesanal pode alimentar a inovação e como, através da experimentação e da persistência, uma fibra natural se pode transformar numa expressão singular da arte contemporânea.
Há coisas que não se aprendem na escola. A classe, por exemplo. Não estou a falar daquela classe que vem no boletim de notas, nem da classe económica do avião, embora esta última já tenha pouca coisa de classe e muito de económica. Falo da outra. Da classe de saber estar, saber vestir, saber comer, saber trabalhar, saber respeitar e, sobretudo, saber viver em comunidade. E, meus amigos, essa classe anda pelas ruas em vias de extinção.
Comecemos pela roupa, que é um assunto delicado. Não porque cada um não tenha o direito de vestir o que quiser, que tem, e muito bem. Mas há uma diferença entre vestir aquilo de que gostamos e vestir aquilo que calhou estar mais à mão. Há também uma coisa chamada ocasião. Parece simples, mas pelos vistos já exige formação. Uma noite de marchas não é uma gala do fado. Uma gala do fado não é o jantar dos chicharros. E o jantar dos chicharros, por muito importante que seja — e sabemos que é — também não é propriamente a cerimónia de entrega dos Óscares. Cada momento tem o seu ambiente, a sua roupa, o seu bocadinho de bom senso. Não é preciso ir buscar um alfaiate a Paris para aparecer bem vestido, mas também não é necessário aparecer numa gala do fado com o mesmo entusiasmo têxtil com que se vai comprar pão ao domingo de manhã. Roupa cara não dá classe. Se desse, bastava comprar a etiqueta. Classe é saber o que vestir, quando e como.
Depois temos a classe à mesa. Ah, a mesa… Essa grande prova de carácter. Basta haver um almoço ou jantar comunitário e lá aparece o arquiteto do prato. A pessoa chega ao buffet e começa a construir uma obra que desafia as leis da gravidade: arroz, massa, batatas, carne, salada, sobremesa, mais um bocadinho de tudo porque “é só para provar”. O prato fica tão cheio que já não é um prato, é um condomínio. E depois, com toda a serenidade, olha para a travessa e pergunta: “Ainda há mais?”. Classe é perceber isso. É não encher o prato como se amanhã fechassem os supermercados. É servir o que se vai comer, voltar depois se ainda houver e, sobretudo, lembrar que há outras pessoas à mesa. Porque comunidade também é isto: não sermos sempre nós primeiro.
E depois há a classe na profissão, que é outra espécie em vias de extinção. Sobretudo quando aparecem câmaras, fotógrafos, entrevistas e aquela maravilhosa oportunidade de mostrar ao mundo que também estávamos lá. Parece que, mal aparece uma máquina fotográfica, desenvolve-se em algumas pessoas uma espécie de atração magnética pelo enquadramento. Há uma câmara? Lá vai alguém passar à frente. Há um fotógrafo agachado a tentar conseguir uma imagem? É precisamente por ali que alguém decide atravessar. Há uma entrevista a decorrer? É o momento perfeito para passar mesmo atrás do entrevistado, de preferência devagar, para garantir que fica bem registado. Meus amigos, não é preciso. Todos conseguimos o melhor plano. Acreditem. Não precisamos de estragar a fotografia ou a imagem do colega para conseguirmos a nossa. Há espaço para todos, há trabalho para todos e, no fim, todos queremos a melhor imagem. E às vezes, claro, acontece. Estamos longe em pensamentos, distraídos, preocupados com outra coisa, a tentar resolver cinco problemas ao mesmo tempo e, quando damos por nós, já atravessámos a frente da câmara de alguém. Acontece. E sabem o que se faz? “Desculpa.” E segue-se a vida. Pedimos desculpa. Simples. É uma palavra pequenina, mas tem uma classe enorme.
Aliás, talvez o problema seja mesmo esse: perdemos o hábito das palavras simples. Obrigado. Desculpa. Com licença. Faça favor. Não é preciso muito mais para uma comunidade funcionar melhor. Mas hoje parece que até pedir licença é uma afronta. Há pessoas que entram numa fila como se tivessem comprado prioridade vitalícia. Chegam depois de toda a gente, olham para a fila, fazem uma cara de quem acabou de descobrir uma injustiça histórica e começam lentamente a aproximar-se da frente. E ninguém sabe exatamente como aconteceu, mas cinco minutos depois já estão três pessoas atrás de quem estava primeiro. Na estrada é igual. O pisca parece ter-se tornado um acessório opcional. Dar passagem é visto como um ato de generosidade extraordinária. E agradecer quando alguém nos deixa passar? Isso então já é quase diplomacia internacional.
Também nas redes sociais a classe anda desaparecida. Toda a gente tem opinião sobre tudo, o que é perfeitamente legítimo. O problema é que agora parece obrigatório insultar quem discorda. Antigamente dizia-se: “Não concordo consigo.” Hoje, antes de chegarmos à parte do “não concordo”, já fomos informados sobre a nossa inteligência, a nossa família, a nossa profissão e, se houver tempo, até sobre os nossos antepassados. Discordar não é faltar ao respeito. Faltar ao respeito é achar que só podemos ter razão se o outro for tratado como um idiota.
E depois há aquela necessidade permanente de competir. “Eu fiz.” “Eu fiz melhor.” “Eu tenho.” “Eu tenho mais.” “Eu conheço.” “Eu conheço melhor.” “Eu estive lá.” “Eu estive lá três vezes.” Há pessoas que não conversam, fazem classificações. Até o jantar dos chicharros pode transformar-se numa competição internacional de quem conhece mais gente, quem tem a melhor mesa, quem tirou a melhor fotografia e quem conseguiu chegar mais perto da banda. E, no meio disto tudo, esquecemo-nos de uma coisa muito simples: ninguém está a entregar medalhas. Embora muitos só queiram andar de medalhinha no peito. Classe é também perceber que o outro tem falhas, aceitar as suas imperfeições e compreender que ninguém é perfeito. É saber respeitar, sem julgar, e ter empatia mesmo quando não concordamos. A classe não está no carro que conduzimos, na roupa que vestimos, no dinheiro que temos ou no tamanho da casa. Está na maneira como tratamos os outros. Está em saber esperar. Está em saber ouvir. Está em não interromper. Está em deixar comida para quem vem atrás. Está em perceber que há ocasiões diferentes e que não precisamos de aparecer sempre vestidos como se tivéssemos acabado de sair de uma sessão. Está em respeitar os outros e a forma de ser dos outros. Talvez a maior classe de todas seja perceber que não somos mais importantes do que os outros. Que o nosso trabalho vale, mas o trabalho dos outros também. Que a nossa fotografia é importante, mas a fotografia do colega também. Que queremos comer, mas os outros também. Que gostamos de estar bem vestidos, mas não precisamos de transformar cada jantar numa passadeira vermelha. Que podemos ter opinião sem precisar de esmagar a opinião alheia.
Classe não custa dinheiro. Não se compra numa loja, não vem numa marca e não se mede pelo tamanho da carteira. Vem de casa, aprende-se com os outros e demonstra-se nos pequenos gestos: num “bom dia”, num “obrigado”, num “desculpa” e no respeito por quem nos rodeia. Classe é saber estar, saber trajar e respeitar os trajes do nosso folclore. É não falar nem bater com os talheres no prato enquanto alguém discursa. É não passar à frente da câmara dos outros para conseguir a melhor fotografia. Classe é também saber organizar festas comunitárias sem amontoar tudo. Às vezes, mais simples é mais bonito, mais elegante e mais barato. Menos excessos, mais bom gosto. No fundo, todos podemos comer, vestir bem e aparecer na fotografia. Mas nem todos percebemos que a verdadeira classe está na atitude, no respeito e na educação.
E já agora: menos com menos dá mais. Menos vaidade, menos exagero e menos exibicionismo dão mais classe, mais respeito e uma comunidade onde dá gosto estar. Ainda!. Sejam felizes.