Microsoft supera estimativas com Azure a crescer 48% e investimento abaixo do previsto



O BCP “está pronto para ajudar” e “fortemente empenhado” na resolução da crise da habitação e já tem um alvo perfeitamente identificado: projetos de promoção imobiliária a custos acessíveis, adiantou esta quarta-feira o CEO, Miguel Maya.
Em declarações aos jornalistas, na apresentação de resultados relativos aos primeiros nove meses do ano, o líder do BCP considerou que se trata de um “tema complexo”. “Mas o que não podemos fazer é não fazer nada”, salientou.
Nas últimas semanas, os manifestantes têm saído às ruas sobretudo em Lisboa e no Porto em protesto contra a falta de soluções para resolver a falta de casas e a escalada dos preços das habitações e rendas. Em alguns casos os protestos têm resultado em confronto e violência da polícia por causa das chamadas acampadas.
Esta quarta-feira, Miguel Maya revelou que o banco quer fazer a sua parte e adiantou que fez ajustamentos à unidade de promoção imobiliária porque identificou as áreas onde acredita que haverá uma maior procura no futuro: “O nosso foco e a nossa capacidade está muito colocada no apoio a projetos para a classe média e média baixa, projetos de habitação com custos controlados”.
“Estamos a reorganizar essa parte porque é a nossa leitura do que vai ser a procura por estas tipologias”, afirmou.
Miguel Maya assumiu que quer ser “protagonista na transformação da procura” e adiantou que já está a analisar propostas para apoiar cooperativas e também para entrar em operações que têm câmaras municipais por trás em parceria com privados.
Relativamente à linha de garantia pública para os jovens, voltou a destacar que a medida não vai resolver o problema da falta de habitação, mas tem sido importante para ajudar uma boa parte dos clientes a comprar casa. O peso da garantia pública na nova produção de crédito ronda os 44%.
O BCP anunciou esta terça-feira uma subida de quase 13% dos lucros para 873,7 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano.
(notícia atualizada às 18h39)
A FC Porto SAD, liderada por André Villas-Boas, vai pedir até 40 milhões de euros ao mercado através de um empréstimo obrigacionista a quatro anos, com uma taxa de juro fixa de 5,25% ao ano. O dinheiro serve para pagar uma dívida de 55 milhões que vence daqui a pouco mais de um mês.
O prospeto da operação, aprovado pela CMVM e comunicado pela sociedade esta quarta-feira, diz que a emissão tem um “prazo de quatro anos e um mês” e se divide em duas vias: uma oferta pública de subscrição, aberta a novo dinheiro, e uma oferta pública de troca, dirigida a quem já tem obrigações do clube.
As Obrigações FC Porto SAD 2026-2030 têm valor nominal de cinco euros e serão emitidas num número máximo de oito milhões. O prospeto da operação aponta ainda que a SAD portista pode aumentar o montante mediante adenda ao prospeto, aprovada pela CMVM e divulgada até 10 de novembro. A subscrição exige um mínimo de 500 obrigações, ou seja, 2.500 euros.
A taxa de 5,25% é o piso do empréstimo obrigacionista e pode subir até aos 6% com os resultados desportivos alcançados pela equipa principal na Liga Portuguesa e na Liga dos Campeões.
Os juros brutos são pagos a 18 de maio e a 18 de novembro de cada ano, e cada obrigação “será reembolsada ao seu valor nominal, numa prestação única”, a 18 de dezembro de 2030, lê-se no prospeto.
A taxa de 5,25% é o piso do empréstimo e pode subir com os resultados desportivos. A FC Porto SAD revela que a partir de 18 de novembro de 2027, o juro será majorado “de forma permanente e irreversível” em 0,15 pontos percentuais por cada “acesso à fase de liga da UEFA Champions League” e em 0,10 pontos por cada “conquista do título de campeão nacional”. Contam as épocas de 2026/27 a 2028/29 e o teto é 6% ao ano. A taxa nunca desce abaixo da base.
Na oferta de troca, quem tem obrigações FC Porto SAD 2023-2026 recebe uma obrigação nova por cada uma que entregue, mais 0,15625 euros de juros corridos por título, antes de impostos e comissões. A subscrição decorre entre as 8h30 de 2 de novembro e as 15h00 de 13 de novembro, hora a partir da qual as ordens deixam de poder ser alteradas ou revogadas.
Os resultados são apurados a 16 de novembro, a liquidação e a admissão à negociação dos títulos na Euronext Lisboa, sujeita a decisão da Euronext, estão previstas para 18 de novembro. Se a procura exceder a oferta, há rateio.
A SAD azul e branca justifica a oferta de subscrição para obter fundos “para reembolsar as Obrigações FC Porto SAD 2023-2026”, num total de 55 milhões de euros, emitidas a 7 de junho de 2023 e com vencimento a 7 de dezembro de 2026. Já a troca permite “substituir parte da sua dívida com vencimento em 2026 por dívida com vencimento em 2030”.
A receita líquida estimada desta operação é de 38,6 milhões de euros, já depois de descontado cerca de 1,12 milhões de euros em comissões. O Haitong Bank coordena a emissão e, segundo o prospeto, “nem o coordenador global nem os colocadores prestam qualquer garantia de colocação ou tomada firme”.
O documento indica ainda que “não existem garantias especiais” e que, em caso de insolvência, os titulares das obrigações serão “credores comuns, não beneficiando de qualquer subordinação ou privilégio creditório especial”.
O capital próprio individual da SAD era negativo em 164,7 milhões de euros a 30 de junho de 2026, e a certificação legal de contas refere “uma incerteza material que pode colocar dúvidas significativas sobre a capacidade da entidade em se manter em continuidade”. O conselho de administração diz considerar “que a melhoria dos resultados económicos e financeiros vai acontecer nos próximos exercícios”. A assembleia geral que vai tratar a situação está marcada para 30 de outubro.
O BCP registou lucros de 873,7 milhões de euros até setembro, mais 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado, com o resultado a ser impulsionado pela atividade internacional e pelo crescimento da margem financeira (à boleia do crédito). Um desempenho que levou o banco a ser mais ambicioso em relação ao plano estratégico.
“Foram nove meses bastante difíceis”, declarou o CEO Miguel Maya no início da conferência de imprensa de apresentação dos resultados. “Às vezes até parece que são normais, mas vivemos tempos excecionais“, acrescentou.
Em Portugal, o banco lucrou 727,9 milhões, mais 11,2% em termos homólogos. Mas foi o negócio fora de portas onde o resultado mais subiu: cresceu 21,8% para 281 milhões de euros, um desempenho para o qual foi decisivo do Bank Millennium na Polónia, detido em cerca de 50,1% pelo banco português e cujo lucro disparou quase 30% para 259,7 milhões, perante a redução dos problemas com o tema dos créditos em francos suíços.
O BCP tem como maiores acionistas da Fosun e a Sonangol, com cerca de 20% cada, sendo que os restantes 60% estão dispersos na bolsa. Nos últimos meses cresceram os rumores de uma potencial saída do grupo chinês, que poderia ser colmatada com a entrada o Estado português, da seguradora Ageas e até por um reforço da petrolífera estatal angolana.
Sobre este tema, Miguel Maya sublinhou que ambos acionistas estão satisfeitos com a evolução do banco e que está mais preocupado em garantir que “o BCP é um bom investimento para pequenos acionistas e grandes acionistas”.
Em termos de negócio, a margem financeira, que corresponde à diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos, cresceu 5,8% para 2,3 mil milhões de euros.
Miguel Maya salientou que a evolução da margem assentou em grande medida no incremento da base de recursos e de crédito. A carteira de empréstimos acelerou 7,8% para 66,2 mil milhões de euros, adianta o banco, dos quais 45,9 mil milhões correspondem à atividade nacional.
Em Portugal, o crédito à habitação subiu mais de 10% para 23,2 mil milhões, “devido a uma crescente procura, impulsionada sobretudo pelos incentivos estatais dirigidos aos jovens, e também ao aumento do montante médio de empréstimos, acompanhando a subida dos preços no mercado imobiliário.”
No que toca aos recursos de clientes, cresceram 7,1% para 116,3 mil milhões a nível de todo o grupo, sendo que 77,2 mil milhões corresponde ao negócio doméstico.
As comissões em Portugal subiram 4,1% para 484,5 milhões de euros entre janeiro e setembro, impulsionadas pelas operações de mercados (títulos e fundos de investimento).
Os custos subiram quase 6% para 2,3 mil milhões de euros a nível do grupo — em Portugal aceleraram quase 14% para 1,13 mil milhões.
O BCP chegou a setembro com uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de perto de 15%, acima da meta definida no plano estratégico até 2028. Mas Miguel Maya anunciou uma nova ambição para o retorno aos acionistas: aponta agora para um ROE igual ou superior a 17,5% neste prazo.
A subida da rentabilidade deve-se ao crescimento do volume de negócios, com o banco a apontar agora para 200 mil milhões de euros, mais 10 mil milhões em relação ao plano inicial.
Em relação à distribuição de resultados, Miguel Maya reafirmou o rácio de payout de 90% através de dividendos e recompras de ações, meta que já havia sido revista.
(notícia atualizada pela última vez às 18h54 com mais informação)

Kospi. O principal índice acionista da Coreia do Sul registou a melhor sessão em três meses com o entusiasmo de regresso ao setor da inteligência artificial (IA).
A fabricante de chips SK Hynix apresentou resultados acima do esperado e as ações aceleraram 11%, animando os investidores sul-coreanos e não só. Wall Street também abriu em alta, num dia em que Alphabet e Microsoft — “dois importantes barómetros de sustentabilidade do ecossistema de IA”, consideram os analistas da sala de mercados do BCP — também vão reportar contas.
O índice Kospi fechou em alta de 6,63%, para 6.012,44 pontos, nesta quarta-feira.
Foi a melhor sessão desde 31 de julho, quando registou o melhor desempenho da sua história ao escalar 18%.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
Na base desta subida estão os ganhos registados entre as tecnológicas a à boleia da IA depois do acumular das dúvidas nas últimas semanas em torno da sustentabilidade dos pesados investimentos no setor.
A fabricante de semicondutores SK Hynix viu os lucros multiplicarem por sete no trimestre terminado em setembro, atingindo os 83,3 biliões de won (55,7 mil milhões de euros), superando as estimativas dos analistas.
Adicionalmente, a empresa apresentou um plano de retorno aos acionistas de 100 biliões de won (68 mil milhões de euros) este ano, entre dividendos e recompras de ações.
Os bons resultados da SK Hynix acabaram por contagiar outras tecnológicas do setor da IA que nas últimas semanas estavam a ser pressionadas. A Samsung disparou 9%.
Do outro lado do Atlântico, o índice tecnológico americano Nasdaq também sobe. A fabricante de chips de memória Micron Technology acelera mais de 5%. A Sandisk avança 5,2%. Nvidia, AMD e Marvel avançam entre 0,5% e 3%.
Além da Reserva Federal, que deverá manter as taxas de juro, o foco dos investidores vai estar virado para a Alphabet e Microsoft, que apresentam contas após o fecho da bolsa americana. Espera-se que ambas as empresas apresentem um crescimento acelerado nos seus serviços de cloud.
A Alphabet acelera 1,3% depois da notícia de que a OpenAI está a planear comprar chips de IA à Google.
Os investidores irão estar sobretudo atentos aos planos de investimento à procura de sinais de retorno, numa altura em que aumentam os receios quanto à sustentabilidade do endividamento por causa da subida das taxas de juro.
A procura continua forte, mas com o investimento em infraestruturas ainda a acelerar, o mercado está cada vez mais focado no que toda esta despesa irá produzir em última análise. Quanto mais cético o mercado se torna em relação aos retornos da IA, mais difícil se torna justificar o atual ritmo de gastos.
A divulgação do prospeto S-1, documento que antecede a entrada em bolsa, pela Anthropic, que detém o modelo Claude, na segunda-feira 28 de outubro, está a “reacender o entusiasmo” em torno da inteligência artificial (IA), afirma o analista da ActivTrades, Henrique Valente.
Este entusiasmo está refletido no avanço em 126 pontos do índice bolsista norte-americano Nasdaq na manhã desta quarta-feira 28 de outubro, adianta. “A publicação do prospeto S-1 da Anthropic, em preparação para a sua entrada em bolsa, ajudou a reacender o entusiasmo em torno da inteligência artificial, também alimentado por novos anúncios de financiamento e pelos resultados dos fabricantes de semicondutores”, referiu o analista.
No prospeto, a Anthropic revela que vai entrar em bolsa através do índice bolsista Nasdaq, com o símbolo ANT. Também foi divulgado que a empresa teve um prejuízo de 80,7 mil milhões de dólares (72,4 mil milhões de euros) nos primeiros seis meses do ano, quase o dobro face ao prejuízo de 41,9 mil milhões de dólares (37,6 mil milhões de euros) registado em 2025.
“A nossa receita foi de 16,3 mil milhões de dólares (14,6 mil milhões de euros) nos seis meses findos em 30 de junho de 2026, um aumento em relação aos 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros) registados nos seis meses findos em 30 de junho de 2025. O nosso prejuízo operacional foi de 693 milhões de dólares (622,3 milhões de euros) nos seis meses findos em 30 de junho de 2026, uma redução em relação aos 2,1 mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) registados nos seis meses findos em 30 de junho de 2025”, assinalou.
O documento mostra ainda que no final de setembro a empresa detentora do Claude tinha mais de 11.900 clientes com um volume de negócios igual ou superior a 100.000 dólares (89 mil euros) nos últimos doze meses, face aos mais de 950 do período homólogo. “Além disso, à medida que os clientes incorporam o Claude nos seus fluxos de trabalho mais críticos e iniciativas de crescimento, muitos expandem rapidamente as suas implementações para níveis de faturação mais elevados. Em 30 de setembro de 2026, tínhamos mais de 1.900 clientes com um volume de negócios igual ou superior a um milhão de dólares (900 mil euros) nos últimos doze meses e aproximadamente 250 clientes com um volume de negócios igual ou superior a 10 milhões de dólares (8,9 milhões de euros) nos últimos doze meses”, acrescentou.
A empresa explicou que este crescimento nos clientes é justificado pelo cada vez maior das soluções da Anthropic. “O valor que o Claude oferece aos clientes contribuiu para a nossa taxa de retenção de receitas líquidas de aproximadamente 900% em 30 de setembro de 2026”, assinalou. Foi ainda revelado que a receita aumentou 1.368% em termos homólogos nos três meses que acabaram em 30 de junho de 2026, enquanto que as despesas de computação e infraestruturas aumentaram 300% no mesmo período temporal.
O entusiasmo nos mercados de capital com a Anthropic espalhou-se a outras regiões. “Na Ásia, a SK Hynix e a Samsung Electronics chegaram a subir cerca de 8% esta manhã (28 de outubro). Na Europa, a ASML ganhou 2,8% na sessão de ontem (27 de outubro). Nos Estados Unidos, a Broadcom avançou 4% e a CoreWeave valorizou 7,9%, enquanto o Nasdaq Composite terminou a sessão [de 27 de outubro] com uma subida de aproximadamente 1,2%”, descreveu o analista da ActivTrades Europe.
Agora o foco está na reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed), marcada para esta quarta-feira 28 de outubro, onde se decidirá o caminho das taxas de juro, acrescentou. “A expectativa dominante é de manutenção das taxas de juro no intervalo de 3,75% a 4,00%, após a subida de setembro. Sem atualização do dot plot nesta reunião, o foco estará no comunicado e na conferência de imprensa de Kevin Warsh, às 18h30. Perante a relutância do presidente da Fed em dar indicações explícitas sobre a trajetória futura das taxas de juro, os investidores procurarão sobretudo perceber se a pausa poderá prolongar-se ou se a persistência da inflação deixa aberta a porta a uma nova subida em dezembro”, conclui Henrique Valente.
O principal índice da Bolsa de Tóquio, o Nikkei, fechou hoje 28 de outubro a subir 1,08%, impulsionado pelo renovado otimismo em relação à inteligência artificial (IA), que contribuiu para o fecho em alta de Wall Street na sessão anterior.
O indicador, que agrupa os 225 títulos mais representativos do mercado japonês, subiu 685,82 pontos, fechando nos 63.954,19 pontos.
O índice mais abrangente, o Topix, que inclui as empresas do segmento principal — as de maior capitalização —, registou uma queda de 0,14%, ou 5,66 pontos, fechando nas 3.991,71 unidades.
O mercado de Tóquio foi também influenciado pelas subidas na Bolsa sul-coreana, com grande peso dos títulos tecnológicos, cujo principal índice, o Kospi, subiu hoje 6,63% após o anúncio de lucros recorde da empresa de chips SK hynix nos resultados trimestrais de setembro.
A fabricante japonesa de memórias Kioxia disparou em Tóquio 13,76%, enquanto a empresa do setor dos semicondutores Disco subiu 5,14%.
O grupo de telecomunicações e investimento SoftBank, considerado um dos principais investidores em IA a nível mundial, registou um crescimento de 4,65%.
O setor automóvel encerrou com resultados mistos. A Toyota, o maior fabricante de veículos do Japão, registou uma queda de 1,64%, e a rival Honda perdeu 1,45%. No entanto, a fabricante Nissan conseguiu valorizar-se em 0,04%.
A Sony, referência no setor da eletrónica e do entretenimento, registou uma queda de 2,78%, enquanto a Fast Retailing, empresa-mãe da popular cadeia de lojas de roupa Uniqlo, perdeu 0,33% na sessão de hoje.

A Bolsa de Lisboa abre a sessão desta quarta-feira 28 de outubro com uma quebra de 0,20% para os 9.234,77 pontos.
As maiores descidas na bolsa portuguesa vão para a Jerónimo Martins que quebra 1,71% para 17,81 euros, seguida pela Corticeira Amorim que desvaloriza 1,44% para os 6,85 euros, e a EDP Renováveis que desce 0,88% para os 12,46 euros.
No vermelho está ainda a EDP, a Navigator, a Mota-Engil, a Galp Energia, os CTT, e a REN.
A negociar no verde está a Teixeira Duarte que sobe 0,35% para os 0,42 euros, seguida pela Sonae que avança 0,23% para os 2,13 euros, e a NOS valoriza 0,20% para os 5,10 euros.
No verde está ainda a Ibersol.
As principais bolsas europeias abriram na sua maioria no vermelho. O DAX (Alemanha) valoriza 0,04% para os 25.600,05 pontos, o CAC 40 (França) avança 0,02% para os 7.888,57 pontos, e o FTSE 100 (Reino Unido) desce 0,23% para os 10.662,19 pontos.
O AEX (Países Baixos) quebra 0,33% para os 1.136,12 pontos, o IBEX 35 (Espanha) desce 1% para os 18.969,71 pontos, e o FTSE MIB (Itália) desvaloriza 0,10% para os 49.577,50 pontos.
O petróleo está a negociar em alta com o brent a subir 1,37% para os 110,91 dólares e o crude valoriza 1,53% para os 101,43 dólares.
O euro está a cair 0,04%, face ao dólar, para os 1,11256 dólares e o euro sobe 0,09%, face à libra, para as 0,83715 libras.
Em Banguecoque, na Tailândia, convidado para falar nas reuniões do FMI, Kevin Warsh voltou a demonstrar sintomas da alergia que tem ao forward guidance, ou seja, não ofereceu sinais sobre o que o banco central que lidera, a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos, poderá decidir em relação às taxas de juro nas próximas reuniões. Para Warsh, o mistério serve para dar flexibilidade à Fed, remover previsibilidade sobre as suas ações e obrigar os agentes dos mercados a depender menos do banco central. Há momentos, no entanto, como a reunião do Federal Open Market Committee (FOMC, comité de política monetária) que termina esta quarta-feira, em relação aos quais o consenso dos analistas, investidores e até decisores é tão forte que o silêncio de Warsh serve apenas para concordar com a certeza.
A reação imediata ao resultado surpreendente do índice de preços no consumidor subjacente (sem energia ou bens alimentares) de setembro, de 0,3% em relação ao mês anterior, foi de elevar as probabilidades de um aumento das taxas de juro em outubro para mais de 50%, recordaram os analistas do banco de investimento neerlandês ING. “Mas isso não durou muito tempo e comentários dos vice-presidentes da Fed, Philip Jefferson e Michelle Bowman, e do governador Chris Waller, que indicavam que não havia pressa em decidir sobre o próximo passo de política monetária, acalmaram rapidamente os mercados”.
“O facto de Kevin Warsh ter posteriormente optado por não realçar as probabilidades de uma intervenção, em Banguecoque, ao contrário do que aconteceu no simpósio de Jackson Hole antes do aumento de setembro, reduziu ainda mais as probabilidades percebidas de uma intervenção”.
Esta terça-feira, nos mercados de futuros, segundo a ferramenta CME Fedwatch, essa probabilidade do banco central aumentar as taxas de juro em 25 pontos base (pb) para 4%-4,25% na reunião de quarta-feira já desceu para 7,2%, tendo atingindo 64% no final de setembro. Na última reunião, a 16 de setembro, a Fed quebrou uma pausa que durava desde o final do ano passado, com um aumento de 25 pb.
Entre os economistas, a opinião é praticamente idêntica. Uma esmagadora maioria, 94 em 100 inquiridos numa sondagem da Reuters realizada entre 16 e 20 de outubro, espera que o banco central mantenha o custo do dólar inalterado. Além do panorama económico e financeiro, a grande proximidade das ‘midterms’ norte-americanas dá mais força ao cenário de pausa, com a Fed a procurar resguardar-se de qualquer acusação de que uma decisão sua possa ter efeito eleitoral.
![]()
Rogier Quaedvlieg, senior US economist no banco ABN-AMRO reconhece que a inflação de setembro se revelou mais forte do que o esperado, mas explicou que, ao contrário de agosto, quando a surpresa positiva se concentrou de forma invulgar, revelou pressões de preços mais generalizadas. Os preços da energia estão a repercutir-se cada vez mais em categorias como as tarifas aéreas; os preços dos veículos subiram e a inflação relacionada com a tecnologia manteve-se elevada, adiantou, e é improvável que o relatório tenha dado ao Fed a confiança de que a inflação está a regressar de forma sustentável aos 2%.
A preocupação da Fed reside menos no choque energético inicial — que a política monetária não pode impedir — do que na sua potencial propagação. “Os aumentos persistentes dos custos dos fatores de produção aumentam o risco de as empresas repercutirem esses custos nos consumidores e, em última análise, de a inflação mais elevada se refletir nos salários”, explicou, vincando que uma política restritiva constitui uma garantia contra esses efeitos de segunda ordem.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
“Ainda assim, há razões para não reagir de forma exagerada a dois resultados elevados“, salientou Quaedvlieg. “A amplitude da inflação continua a melhorar, sugerindo que a recente aceleração ainda não se transformou num processo de inflação generalizado e, além disso, alguns dos fatores que atualmente impulsionam a inflação das despesas dos consumidores parecem destinados a atenuar-se, em particular a contribuição invulgarmente elevada do software e, um pouco mais tarde, dos chips de memória”.
Para o economista do ABN-AMRO, se a inflação continuar a justificar novas medidas de aperto monetário, o relatório do mercado de trabalho de setembro explica por que razão esse aperto não tem de ocorrer imediatamente. O número de empregos aumentou apenas 29 mil, a par de revisões em baixa de 60 mil nos dois meses anteriores e a média de três meses desceu para cerca de 50 mil. “Os dados do mercado de trabalho aliviam em grande parte a pressão para um aumento imediato das taxas de juro e a Reserva Federal pode dar a si própria mais seis semanas para avaliar se a recente força da inflação representa uma pressão persistente ou apenas mais um pico temporário”.
Os mercados obrigacionistas também continuam a fazer parte do trabalho da Fed, referiu Matthew Ryan, head of market strategy na Ebury, uma fintech de sistemas de pagamento e gestão de risco cambial controlada pelo Banco Santander e pela gestora de fundos Centerbridge Partner. Recordou que a taxa de rendibilidade das Treasuries a 10 anos atingiu um máximo de 24 anos, de 5,35% a 8 de outubro, antes de recuar, mas salientou que os custos de financiamento permanecem elevados e continuam a tornar mais restritivas as
condições financeiras.
“A queda das obrigações francesas e as oscilações nas ações relacionadas com a IA reforçaram a sensação de fragilidade nos mercados a nível mundial“, vincou Ryan. “Este não é um momento óbvio para a Fed arriscar agravar uma onda de vendas e, com as eleições intercalares a uma semana de distância, pensamos que a maioria dos membros do comité ficará satisfeita por esperar”, argumenta.
Mas os investidores não devem confundir uma pausa com uma mudança de rumo, alertou Jenny Zeng, diretora de investimento (CIO) global em obrigações na Allianz Global Investors (GI). A economia dos EUA manteve-se notavelmente resiliente perante taxas mais elevadas, a inflação voltou a acelerar, o mercado de trabalho mantém-se aquecido e o consumo e o investimento empresarial continuam a impulsionar o crescimento, recordou. Os preços mais elevados da energia e os fortes investimentos relacionados com a inteligência artificial (IA) contribuem para o impulso inflacionista.
“Na nossa opinião, isto significa que a Fed ainda tem trabalho a fazer“, vincou, adiantando que “a Fed pode fazer uma pausa em outubro, mas não acreditamos que o ciclo de aperto monetário tenha terminado”.
A visão da Allianz GI – de uma pausa agora e um novo aumento de 25 pontos base na reunião de 9 dezembro – é o cenário central para a grande maioria de economistas e investidores. Na sondagem da Reuters, todos os 100 inquiridos apontaram para essa mexida pelo banco central na última reunião do ano, enquanto nos mercados a ferramenta CME Fedwatch mostra uma chance de 75,5%.


Nova Iorque abriu a sessão em terreno misto, na véspera da decisão da Reserva Federal norte-americana sobre as taxas de juro.
O índice Dow Jones é o único a registar ligeiras perdas, com um recuo de 0,07% para 52.323,48 pontos. O S&P500 aumenta 0,14% para 7.686,25 pontos e o Nasdaq ganha 0,30% para 26.247,81 pontos.
A Goldman Sachs sobe 1,56%, a Caterpillar gana 1,62%, a J&J aumenta 0,41%, a Merck&Co aumenta 0,22% e a Verizon avança 0,14%. Em contraciclo, a Sherwin-Williams perde 3,44%, a Boeing desce 1,35%, a Salesforce derrapa 1,17%, a Travelers desliza 0,84% e a Honeywell recua 1,06%.
O analista de mercados do Millennium Investment Banking, Ramiro Loureiro, afirma que “Wall Street deverá arrancar em alta, a avaliar pelo comportamento que se regista no mercado de futuros sobre os principais índices de ações de Nova Iorque a cerca de uma hora do início de sessão, que esta semana tem lugar às 13h30m de Lisboa. Num dia com muitas contas empresariais para digerir, de destacar as reações mais entusiasmadas aos números da Sofi e da Polaris, que contrastam com a resposta negativa da Paypal. Isto em véspera da Fed se pronunciar sobre a sua política monetária”
No mercado do petróleo o texano WTI desce 0,25%, fixando o preço do barril nos 101,51 dólares e o Brent recua 0,05% para 110,70 dólares. O gás natural perde 1,82% para 2,967 dólares.
No mercado cambial o euro deprecia 0,27% face ao dólar, fixando-se nos 11144 dólares.

O Julius Baer, um dos principais grupos bancários privados da Suíça, especializado em gestão de património, referiu esta terça-feira 27 de outubro que os riscos de curto prazo nos metais preciosos “parecem inclinados” para o lado negativo, mas a perspetiva de longo prazo “continua a ser atrativa”. Pelo que mantém a sua visão “construtiva” para o ouro e “neutra” para a prata. No mercado cambial o cenário base é de fraqueza do dólar a longo prazo.
“A pressão sobre os metais preciosos persiste, mas não é claro o que está a levar à queda dos preços. Uma possível causa das vendas pode ser a necessidade de os investidores chineses angariarem dinheiro em resposta à repressão do capital offshore”, referiu o Head Next Generation Research do Julius Baer, Carsten Menke.
“Os preços do ouro caíram para perto dos 4.000 dólares/onça, e a prata rompeu a barreira dos 55 dólares/onça. Embora a trajetória da tendência não tenha mudado significativamente desde o pico dos preços no início do ano, não é claro para nós o que está por detrás da recente queda. Normalmente, existe uma forte correlação entre os preços e os stocks de produtos fisicamente lastreados. A compra destes produtos eleva os preços, e a venda reduz-nos. Dito isto, tem havido uma notável desconexão recentemente, particularmente para o ouro”, referiu.
“As reservas de produtos de ouro lastreados fisicamente aumentaram cerca de 70 toneladas desde o verão, enquanto os preços caíram mais de 13%. Também não observámos vendas significativas por parte de investidores especulativos no mercado de futuros. Além disso, os factores habituais, como um dólar norte-americano mais forte ou rendimentos mais elevados dos títulos do Tesouro dos EUA, têm estado ausentes nos últimos dias”, continua.
Carsten Menke salienta que uma “possível fonte de vendas” poderá ser a dos investidores chineses, que são forçados a angariar capital devido à “repressão” do país ao capital offshore. “O pagamento de impostos pode levar à liquidação de parte das suas posições em metais preciosos, criando uma fonte de pressão vendedora que não é imediatamente visível. Esta é uma tese baseada nas últimas notícias disponíveis, no momento da onda de vendas e na pressão mais ampla sobre os ativos chineses. Teriam estas vendas o potencial de levar os metais preciosos a uma queda duradoura? Provavelmente não”, acrescenta. “No entanto, poderiam alastrar para o mundo ocidental, levando os investidores a desfazerem-se também das suas posições”, reforça.
O Head Next Generation Research do Julius Baer, relativamente ao ouro, defende que uma queda abaixo dos 4.000 dólares/onça “provavelmente desencadearia” algumas vendas. “Os riscos de preço no curto prazo parecem estar inclinados para a baixa, mas ainda vemos um cenário de longo prazo bastante promissor. Tanto o ouro como a prata devem ser sustentados pelas preocupações com o endividamento e o peso das taxas de juro nos Estados Unidos. Embora o ouro também beneficie das compras dos bancos centrais, uma forte fonte estrutural de procura, o mesmo não se aplica à prata. Mantemos a nossa visão construtiva para o ouro e neutra para a prata”, diz.
Já o economista do Julius Baer, David A. Meier, refere que a política francesa “desencadeou uma forte reprecificação” do euro, que “parece estar interrompida” por agora. “A fraqueza do dólar a longo prazo continua a ser o nosso cenário base, mas o caminho para a recuperação do euro pode ser árduo. O franco suíço continua sustentado pelos riscos da zona euro, no meio de possíveis obstáculos decorrentes de uma reprecificação da taxa de juro suíça”, assinala.
“Na segunda quinzena de setembro, o euro sofreu uma pressão significativa devido às preocupações políticas em França. Um alargamento expressivo dos spreads das obrigações do governo francês em relação às obrigações alemãs refletiu a crescente inquietação com os futuros desenvolvimentos políticos e fiscais”, descreve. “Contudo, apesar da contínua ampliação dos spreads em Outubro, o euro tem-se mantido em grande parte lateralizado, sugerindo que os investidores reagiram decisivamente quando os riscos políticos começaram a ganhar destaque”, refere.
“Os mercados de opções fornecem provas deste ajustamento: as reversões de risco do euro moveram-se acentuadamente a favor da protecção contra quedas, atingindo níveis verificados antes da mudança radical na política orçamental da União Europeia (UE)”, salienta o economista. “Desde então, a procura por hedge adicional diminuiu. Um padrão semelhante é visível nos dados de posicionamento especulativo, sugerindo que os investidores adotaram agora uma postura de cautela”, explica.
Face a este contexto o Julius Baer refere que a sua meta de 1,15 para o par euro/dólar norte-americano a três meses “parece ambiciosa”. A instituição salienta que “continua a esperar uma fraqueza do dólar norte-americano a longo prazo”, mas alerta que uma recuperação do euro “pode agora revelar-se mais difícil”.
As dificuldades do euro foram acompanhadas por uma “força renovada” do franco suíço, sublinha. “No início do ano, o franco passou por um período de menor valorização devido à sua crescente desvantagem em relação às taxas de juro, enquanto a sensibilidade aos preços da energia limitou o seu apelo como porto seguro durante o conflito de Hormuz”, diz.
“No entanto, o franco continua a servir como uma proteção fiável contra riscos específicos da zona euro, como ilustrado pela sua dissociação dos diferenciais de taxas durante os acontecimentos recentes. Olhando para o futuro, o franco poderá desvalorizar modestamente se as expectativas em relação às taxas suíças forem reavaliadas. Esperamos ainda que o Banco Nacional Suíço (SNB) mantenha as taxas até meados do próximo ano, enquanto os mercados ainda antecipam uma normalização mais rápida. Qualquer fraqueza resultante do franco deverá ser menos pronunciada do que a implícita na nossa previsão atual de 0,95 para o par euro/franco suíço a três meses”, conclui.
O Julius Baer manteve esta terça-feira 27 de outubro a sua recomendação neutra para as ações europeias e a sua inclinação para as ações cíclicas, incluindo uma visão positiva sobre os bancos europeus. No rendimento fixo o destaque vai para a pressão sobre as obrigações francesas.
“Os preços elevados do petróleo, o aumento dos rendimentos e o enfraquecimento do sentimento impulsionaram uma rotação de ações cíclicas para ações defensivas. Embora a rotação sugira que os investidores estão a posicionar-se cada vez mais para um ambiente de fim de ciclo, os dados de atividade e lucros permanecem mais consistentes com as condições de meio de ciclo”, referiu o Action Strategy Research da Julius Baer, Nenad Dinic.
Este refere ainda que o “desempenho inferior” das ações europeias em relação às ações americanas alargou-se desde meados de setembro, à medida que os preços do petróleo subiram acima dos 100 dólares/barril e a venda global de obrigações pressionou as yields (juro pago) para cima.
“Os sectores financeiro e industrial europeus caíram 6,8% e 4,4%, respetivamente, em relação aos seus picos de meados de setembro, enquanto os sectores de bens de consumo não cíclicos e de saúde subiram 9,0% e 8,4%. No geral, as ações cíclicas europeias tiveram um desempenho inferior ao das ações defensivas em 13,7% desde o início do quarto trimestre, a maior queda desde março de 2020”, assinalou. “Embora a rotação sugira que os investidores estão a posicionar-se cada vez mais para um cenário de fim de ciclo, os dados de atividade e lucros permanecem mais consistentes com as condições de meio de ciclo”, acrescentou.
Os dados preliminares do PMI de outubro “continuam a apontar” para uma expansão na zona euro (exceto em França), enquanto as revisões dos lucros para as ações europeias se mantêm em “terreno positivo”. Os resultados do terceiro trimestre do Stoxx Europe 600 [índice bolsista europeu] “apontam” para um crescimento sólido de 25% em termos homólogos (12% excluindo petróleo e gás), assinalou.
“A época de resultados do terceiro trimestre entrou na sua semana mais movimentada, com 25 bancos europeus a divulgarem os seus resultados, o que proporciona o teste mais claro no curto prazo para verificar se a queda foi excessiva”, considera o Action Strategy Research da Julius Baer. “Neste contexto, mantemos a nossa posição neutra em relação às ações europeias em geral, mas vemos razões para manter uma inclinação para as ações cíclicas. Se os lucros se mantiverem resilientes, as yields atingirem o pico, os preços do petróleo recuarem e o alargamento dos spreads soberanos se mantiver restrito à França, os bancos e outros sectores cíclicos ligados ao investimento terão margem para recuperar. A nível nacional, as nossas perspetivas permanecem inalteradas desde as alterações de rating em maio. Mantemos a nossa recomendação de Sobreponderação para Espanha e Itália, Neutra para a Alemanha e Subponderação para França e Reino Unido”, acrescentou.
No que diz respeito ao rendimento fixo o analista chefe de rendimento fixo do Julius Baer, Dario Messi, assinalou que outubro trouxe uma “pressão renovada” sobre os títulos do governo francês e “focos de fragilidade” no crédito das empresas. “No entanto, as recentes vendas de ações relacionadas com a inteligência artificial (IA) também serviram como um importante lembrete: apesar dos ventos contrários estruturais, as obrigações de alta qualidade com boa duração podem ainda proporcionar uma estabilidade valiosa para a carteira”, acrescentou.
“Os mercados obrigacionistas continuam em movimento no primeiro mês do último trimestre de 2026, com desenvolvimentos distintos em todos os segmentos”, assinalou. A principal preocupação “continua a ser com as vulnerabilidades” dos títulos do governo francês. “Os spreads em relação às yields das obrigações do governo alemão aumentaram, mas o stress ainda não desencadeou uma resposta política significativa”, referiu. “O ponto crítico não foi aparentemente atingido, deixando os títulos franceses vulneráveis. O crédito empresarial também apresenta focos de fragilidade. Embora estas áreas de fragilidade permaneçam contidas, reforçam a nossa preferência pela qualidade nas carteiras de crédito”, alerta.
É ainda dito que outubro mostrou que as obrigações “ainda podem desempenhar um papel valioso” através das suas características de cobertura. “As obrigações de longa duração têm enfrentado ceticismo porque o seu efeito estabilizador tem sido inconsistente este ano”, explica.
“A correlação entre ações e obrigações mudou decisivamente desde 2022, e os obstáculos estruturais mantêm-se. No entanto, as correlações não contam toda a história. Os raros episódios de receios de abrandamento da IA e as consequentes quedas nas ações sugerem que as obrigações mantêm propriedades úteis de proteção, como as últimas semanas demonstraram mais uma vez”, considera o analista.
Dario Messi salienta que isto faz “sentido” económico. “Uma desaceleração da IA reduziria as necessidades de investimento – enfraquecendo um importante motor de crescimento – ao mesmo tempo que tornaria os consumidores mais cautelosos e contribuiria para a desinflação. Em síntese, assemelhar-se-ia a uma desaceleração típica da procura agregada, o ambiente em que a duração tende a ter o melhor desempenho. Tal desaceleração não é o nosso cenário base de curto prazo. No entanto, a dívida de alta qualidade com maturidade intermédia continua a ser um estabilizador de carteira significativo, com um rendimento inicial atrativo que aumenta o seu apelo”, conclui.
A Bolsa de Brasil (Bovespa) encerrou a sessão de segunda-feira 26 de outubro a cair 13,88% para os 176.608 pontos, na sequência da vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais de domingo 25 de outubro contra Flávio Bolsonaro. Durante a sessão existiram paragens nas negociações devido à dimensão das desvalorizações.
Entre as ações da bolsa brasileira mais penalizadas estiveram a Magazine Luiza que quebrou mais de 58%, a Vamos Locacao desceu mais de 56% e Hapvida desvalorizou mais de 54%. Ou seja estas cotadas perderam mais de metade da sua capitalização num único dia.
Destaca-se ainda as quedas assinaláveis no setor da banca. Aqui inclui-se a desvalorização superior a 29% do Banco do Brasil, a descida de mais de 24% do Banco BTG, e a quebra superior a 21% do Banco Bradesco. O Itau Unibanco desvalorizou mais de 13%. Já o Santander quebrou mais de 4%.
Entre as quedas assinala-se também a descida superior a 10% da Engie Brasil, a Petrobras caiu mais de 6%, e a Telefonica Brasil e a Tim desvalorizou mais de 5%.
Mas no meio das desvalorizações houve cotadas a subir. Destaca-se a subida superior a 10% da Suzano, a valorização superior a 8% da Embraer, e a Weg On subiu mais de 4%.
“A sessão desta segunda-feira 26 de outubro foi marcada por extrema volatilidade e forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, refletindo a reprecificação dos ativos após a definição do cenário político”, disse a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, citada pela Globo.
