❌

Normal view

Acidente/Elevador: Câmara de Lisboa considera “vergonhosas” afirmações da Fidelidade

By: Lusa
28 October 2026 at 18:34

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) considerou esta quarta-feira “vergonhosas” e “lamentáveis” as afirmações da Fidelidade, seguradora da Carris, no processo de indemnização à família de uma das vítimas do acidente do elevador da Glória.

“As informações que nós ouvimos, pelo menos através da comunicação social sobre a seguradora, são vergonhosas, são lamentáveis, não se percebe e, portanto, notifiquei a seguradora, notifiquei no sentido que informei daquilo que é o nosso desconforto sobre afirmações dessa índole”, afirmou Carlos Moedas (PSD) na reunião pública de vereadores que está a decorrer nos Paços do Concelho.

O vereador do BE Ricardo Moreira (em substituição de Carolina Serrão) tinha questionado a liderança PSD/CDS-PP/IL sobre excertos retirados do processo de indemnização à família de uma vítima mortal do descarrilamento do elevador, em setembro do ano passado, em que a Fidelidade argumenta que “porque o acidente foi tão rápido, nem sequer lhes custou nada, não sofreram”, disse o bloquista.

“É uma indignidade, senhor presidente, não deixe estas vítimas sozinhas, lute por elas, tal como nós, não abandone as vítimas do elevador da Glória”, pediu Ricardo Moreira.

Também Pedro Anastácio, do PS, considerou que, “além da total falta de empatia e da crueldade que representam as declarações por parte da seguradora”, há uma questão “muito mais grave”, uma vez que “foi afirmado que era conhecida a falta de segurança do elevador e que [o descarrilamento] não era um evento imprevisível”.

“É dito que os utilizadores bem sabiam do risco, e mais, que toda a gente sabia e, se todos sabiam, a Câmara, por maioria de razão, também sabia”, salientou o socialista, defendendo que a argumentação da Fidelidade “torna a Câmara Municipal de Lisboa, a Carris, e aqui não vale a pena haver confusões porque é uma empresa 100% detida pelo município de Lisboa, e em particular o senhor presidente da Câmara, corresponsável pelo acidente”.

“Se assim é, e se toda a gente sabia, a Câmara não podia ignorar, como fez, e tinha uma obrigação de tomar medidas de impedir a circulação e nada disto foi feito”, vincou.

Carlos Moedas considerou “triste e, de certa forma, doloroso ver a que a política chegou e a politização de uma tragédia”.

“Essa politização de uma tragédia tem sido aqui uma opção política, uma estratégia do Partido Socialista, e isso é muito triste, porque afeta a vida de todos”, acusou o social-democrata.

Antes, também o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), tinha classificado as afirmações da Fidelidade como “lamentáveis”.

“O nosso desejo e a orientação, se é possível nós darmos orientação a uma seguradora, é que seja diligente, rápida e que não haja nenhuma restrição da parte da Câmara Municipal em termos de assinar os acordos”, afirmou o vice-presidente.

A Fidelidade rejeitou esta quarta-feira que esteja a recusar indemnizar as vítimas do acidente do elevador da Glória, em Lisboa, e lamentou que “algumas expressões” retiradas de peças processuais “possam ter causado sofrimento acrescido”.

Gonçalo Reis manifestou ainda a solidariedade da CML para com as vítimas do acidente de esta quarta-feira com dois comboios de alta velocidade em Espanha, bem como para com as famílias, os profissionais do setor ferroviário e as equipas de emergência.

“Nós temos de trazer confiança às infraestruturas e aos temas de transportes”, rematou.

O Ministro da Educação, o Presidente da ASF e outros governantes vão às escolas ensinar a poupar

28 October 2026 at 17:50

No dia 30 de outubro, governantes e representantes das entidades de supervisão financeira vão às escolas do Ensino Básico e Secundário para dar aulas sobre poupança e gestão de dinheiro. A iniciativa é promovida pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), em parceria com o Banco de Portugal, a CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) e ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões).

Esta é a segunda edição do programa “Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro” e, além da poupança, a iniciativa aborda temas como o orçamento familiar, a fiscalidade, os sistemas e produtos financeiros e o empreendedorismo.

Entre os participantes estão o ministro da Educação, Fernando Alexandre, que dará uma aula na Escola Secundária José Macedo Fragateiro, em Ovar, e o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, que estará na Escola Secundária Diogo de Gouveia, em Beja. Também os presidentes da ASF, Gabriel Bernardino, e da CMVM, Luís Laginha de Sousa, dinamizarão sessões no Cadaval e na Moita, respetivamente. A iniciativa conta ainda com secretários de Estado das áreas do Ensino Superior, do Orçamento e dos Assuntos Fiscais.

A par dos dirigentes governamentais e reguladores, o projeto conta com a participação de estudantes e docentes universitários de Finanças, Economia, Gestão e Contabilidade. Em articulação com os professores de Cidadania e Desenvolvimento, estudantes e docentes universitários vão partilhar conhecimentos e experiências com os alunos. As parcerias poderão prolongar-se ao longo do ano letivo, através de novas aulas e atividades.

De acordo com o MECI, a aprendizagem vai ser adaptada aos diferentes níveis de ensino. No 1.º ciclo, será abordada a importância e os objetivos da poupança, enquanto que no 2.º ciclo os alunos vão aprender formas de aplicação e remuneração das poupanças e a importância do planeamento financeiro. No 3.º ciclo, serão abordadas a diversificação dos investimentos para reduzir riscos e a proteção contra fraudes financeiras e digitais. Já no Ensino Secundário, os alunos vão comparar diferentes produtos financeiros e os riscos associados.

Os conteúdos incluem ainda a abordagem, de forma parcial, da tomada de decisões que envolvam ganhos e perdas, a distinção entre necessidades e desejos e entre rendimentos e despesas, o planeamento da poupança e dos investimentos a médio e longo prazo, e os comportamentos de proteção contra fraudes financeiras e digitais.

A iniciativa enquadra-se na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, aprovada em 2025, que reforçou a importância da literacia financeira e levou à inclusão obrigatória desta dimensão na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, em todos os anos de escolaridade.

Morreu o CEO da Aon Re, Andrew Laing

28 October 2026 at 17:31

O CEO de resseguro da Aon para o Reino Unido, Andrew Laing, morreu, anunciou a empresa na quinta-feira.

A Aon anunciou a morte de Andrew Laing, CEO da Aon Re Reino Unido.

Laing tinha assumido o cargo dedicado ao negócio de resseguro no Reino Unido em março de 2026. Trabalhava na Aon há mais de 40 anos e era também CEO da divisão global de resseguro facultativo da empresa desde 2016.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Aon afirma: “Estamos profundamente consternados com a perda de Andrew Laing, que liderava o negócio de soluções de resseguro da Aon no Reino Unido”.

“Quem conheceu Andrew recordar-se-á de muito mais do que das suas conquistas profissionais. Era dedicado à família, um colega de confiança, um mentor generoso e um amigo leal e estimado por muitos”, explica a Aon, que não adiantou a causa de morte.

Lucro da Mapfre sobe 11,5% para 924 milhões de euros até setembro

By: Lusa
28 October 2026 at 16:41

A Mapfre obteve um lucro líquido de 924 milhões de euros até setembro, mais 11,5% do que período homólogo, com um crescimento em prémios tanto no segmento Vida como no de Não Vida, foi esta quarta-feira anunciado.

Em comunicado à Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola (CNMV), a seguradora explica que os prémios subiram para 22.800 milhões, mais 2% do que em 2025, com aumentos de 11% no ramo Não Vida e de 5% no de Vida.

A área geográfica da Ibéria melhorou o lucro em 19% para 413 milhões de euros.

Em Espanha e Portugal (Ibéria), os prémios atingiram os 7.891 milhões, um aumento de 0,9%, dos quais Espanha contribuiu com 7.531 milhões (um aumento de 0,3% em relação ao ano anterior), enquanto Portugal contribuiu com 359 milhões (um aumento de 13,6%).

Os prémios do segmento Não Vida subiram 0,7% com bom desempenho em Saúde e Acidentes (4,1%) e em Automóveis (1,1%), enquanto os Seguros Gerais caíram 2,4% devido à emissão não recorrente de Empresas em 2025.

Elevador da Glória. Fidelidade nega “recusar indemnizar” as vítimas e as famílias

28 October 2026 at 16:07

A Fidelidade rejeitou “categoricamente que esteja a recusar indemnizar” as famílias e as vítimas do acidente do Elevador da Glória, depois de na passada segunda-feira ser noticiado que a seguradora contestava o valor da indemnização e que defendia que o Elevador não podia ser visto como um meio de transporte “altamente confiável” à data do acidente. A seguradora veio agora afirmar em comunicado que a distância entre os valores pedidos e as propostas apresentadas não se traduz numa recusa de pagamento.

A Fidelidade indicou ainda que já suportou diretamente ou assumiu a responsabilidade pelo pagamento de cerca de 2,5 milhões de euros em despesas e indemnizações associadas ao acidente.

Explica que “apresentou uma proposta de várias centenas de milhares de euros, fundamentada nos critérios legais e jurisprudenciais aplicáveis e validada pela Comissão Técnica Independente”, frisando que “a divergência entre o montante proposto e o reclamado não constitui uma recusa de indemnizar“.

A companhia criticou a tentativa de inflacionar os montantes, sustentando que “uma vida não pode valer mais, nem menos, em função da atenção mediática que a sua perda suscite“. No mesmo esclarecimento, detalhou que os valores invocados para a perda do direito à vida correspondem apenas a uma parcela do cálculo indemnizatório, ao qual se somam outros danos patrimoniais e não patrimoniais.

Das 16 vítimas mortais, a seguradora avança que quatro processos fecharam em acordo definitivo com as famílias, oito mantêm-se em fase negocial, dois processos estão dependentes de documentação, um processo seguiu para a via judicial, e um processo está a ser processado como acidente de trabalho, com pensões provisórias ativas.

No caso dos 24 feridos, a Fidelidade refere que mantém a assistência médica e que a fixação final das compensações depende da consolidação clínica das lesões de cada sinistrado.

Lucro da Mapfre sobe 11,5% para 924 milhões de euros até setembro

28 October 2026 at 13:19

A Mapfre obteve um lucro líquido de 924 milhões de euros até setembro, mais 11,5% do que período homólogo, com um crescimento em prémios tanto no segmento Vida como no de Não Vida, foi hoje 28 de outubro anunciado.

Em comunicado à Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola (CNMV), a seguradora explica que os prémios subiram para 22.800 milhões, mais 2% do que em 2025, com aumentos de 11% no ramo Não Vida e de 5% no de Vida.

A área geográfica da Ibéria melhorou o lucro em 19% para 413 milhões de euros.

Em Espanha e Portugal (Ibéria), os prémios atingiram os 7.891 milhões, um aumento de 0,9%, dos quais Espanha contribuiu com 7.531 milhões (um aumento de 0,3% em relação ao ano anterior), enquanto Portugal contribuiu com 359 milhões (um aumento de 13,6%).

Os prémios do segmento Não Vida subiram 0,7% com bom desempenho em Saúde e Acidentes (4,1%) e em Automóveis (1,1%), enquanto os Seguros Gerais caíram 2,4% devido à emissão não recorrente de Empresas em 2025.

7ª Conferência ECOseguros vai ser já amanhã

28 October 2026 at 06:45

É já amanhã, quinta-feira, dia 29 de outubro, que vai ter lugar a 7.ª Conferência Anual ECOseguros 2027. Vai juntar, no Centro Cultural de Belém a partir das 08h30, reguladores, seguradores, mediadores e prestadores de serviços para debater os principais desafios da atividade seguradora, da distribuição e da gestão da poupança à cibersegurança, aos grandes riscos e à sinistralidade na saúde.

Ainda se pode inscrever aqui.

A mudança tecnológica, o aparecimento de novos riscos e a transformação das necessidades dos clientes são os eixos centrais do encontro, que pretende analisar as tendências com impacto no setor segurador e as suas implicações para os negócios nos próximos anos. A supervisão, a inovação, os modelos de distribuição e a capacidade de resposta das seguradoras estarão entre os temas em discussão. Inscreva-se gratuitamente na conferência.

A sessão de abertura começa às 09h00, com António Costa, diretor do ECO.

Dez minutos depois, às 09h10, João Silva Lopes, secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, fará a abertura oficial dos trabalhos.

O programa prossegue às 09h40 com Gabriel Bernardino, presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), numa conversa dedicada à supervisão.

Às 10h10, Nuno Esteves, partner da EY Portugal para os serviços financeiros e responsável pela área de seguros, apresenta “Perspetivas para a Indústria Seguradora: Entre a Disrupção e a Criação de Valor”, numa análise às mudanças que estão a moldar o setor e às oportunidades de criação de valor.

Longevidade, poupança e novos canais de distribuição

A evolução demográfica, a proteção financeira a longo prazo e os desafios da subscrição no ramo Vida estarão em debate às 11h00. Na mesa-redonda dedicada à longevidade e à gestão da poupança participam Gonçalo Castro Pereira, vice-presidente da Gama Life, Isabel Castelo Branco, CEO do BPI Vida e Pensões, Luiz Ferraz, CEO da Prévoir, e Marta Graça Ferreira, presidente do conselho de administração da Real Vida Seguros. O painel abordará as respostas do setor às novas necessidades de proteção e poupança de longo prazo.

A distribuição de seguros será o tema seguinte, às 11h40, com o painel “Quem Vai Vender Seguros? O Ecossistema da Distribuição”. Ana Teixeira, CEO da Mudey, e Ricardo Neves, responsável pelas parcerias e canais alternativos da Zurich, vão discutir a evolução dos canais comerciais e a forma como os diferentes intervenientes se posicionam na relação com os clientes.

Os grandes riscos, o resseguro e as alterações climáticas estarão no centro de um dos principais painéis da conferência, marcado para as 12h00. Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade, Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade e José Galamba de Oliveira, presidente da APS, vão debater os desafios colocados pela evolução dos riscos e pelas alterações climáticas. A discussão incidirá também sobre a gestão e a transferência de riscos e sobre a importância do resseguro para a capacidade de resposta da indústria seguradora.

A inteligência artificial estará em destaque às 12h50, no painel “IA: Leap Jump na Melhoria da Jornada do Segurado?”. Gonçalo Marques dos Santos, responsável pela experiência do cliente do Grupo GBI, Henrique Guerreiro, engagement lead da Frank, Luís Vieira, diretor de Processos e Análise de Negócio da Glassdrive Portugal, e Nuno Sousa, senior director de serviços financeiros da Claranet Portugal, vão – com moderação de João Veiga – CEO da Elysian Consulting – debater a utilização desta tecnologia na melhoria da experiência dos segurados e na transformação dos processos de negócio.

Ameaças digitais, alterações climáticas e custos na saúde

A agenda da tarde arranca às 14h30 com uma entrevista a Luís Menezes, CEO do Grupo Ageas Portugal, realizada por António Costa, diretor do ECO.

Segue-se, às 15h00, o debate “Cibersegurança Avançada, Guerra Digital e Lacunas de Proteção”. Jorge Libório, partner da EY e responsável pela área de cibersegurança, e Ricardo Azevedo, diretor técnico da Innovarisk, vão analisar a evolução das ameaças digitais e as necessidades de proteção das organizações perante uma exposição crescente aos riscos cibernéticos.

Às 15h40, Nuno Martins, presidente da Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros (APROSE), participa numa conversa dedicada ao setor da mediação.

O último painel de debate começa às 16h30 e será dedicado à “Sinistralidade na Saúde e Ecossistemas de Bem-Estar”. José Pedro Inácio, CEO da Advancecare, Rui Dinis, CEO da Planicare, e Rui Meireles, diretor de Seguros de Pessoas da MDS Portugal, vão analisar a evolução da sinistralidade na saúde e os modelos de articulação entre seguros, prestação de cuidados e soluções de bem-estar.

Vinte e um parceiros a apoiar a 7ª Conferência

A 7.ª Conferência Anual ECOseguros 2027 conta com o apoio de 21 empresas ligadas à atividade seguradora: AdvanceCare, BPI Vida e Pensões, Caravela Seguros, Claranet Portugal, Cleva, EY, Fidelidade, Frank, GamaLife, GAPSA, Generali Tranquilidade, Glassdrive, Grupo Ageas Portugal, Grupo GBI, Innovarisk, MDS, Mudey, Planicare, Prévoir, Real Vida Seguros e Zurich.

Inscreva-se aqui ainda hoje .

 

Metade dos portugueses desconhece como são pagas as reformas. Muitos acham que Estado guarda os seus descontos

28 October 2026 at 06:33

Só 48,5% dos portugueses sabem que as pensões pagas hoje saem dos descontos de quem está a trabalhar. Os restantes dividem-se entre quem julga que cada pessoa recebe o que acumulou ao longo da carreira (27,8%), quem aponta os impostos de todos os contribuintes (17,7%) e quem não sabe responder (6%).

Os reformados, que são um em cada quatro inquiridos, aparecem na cauda do conhecimento sobre o funcionamento do sistema, quando comparados com os restantes perfis. Os dados são de um inquérito sobre poupança para a reforma da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), divulgado na terça-feira, que teve como amostra 801 pessoas com 18 ou mais anos, entre 10 de dezembro de 2025 e 13 de fevereiro.

No sistema Previdencial da Segurança Social, o dinheiro que cada trabalhador desconta não fica numa conta com o seu nome, mas segue para pagar as pensões do mês, no modelo de repartição. Era isso que dizia a resposta certa do inquérito, “pelas contribuições das pessoas que estão atualmente a trabalhar”.

A função de substituição de rendimento do sistema público será menor no futuro, reforçando a importância da poupança complementar para garantir níveis de vida adequados após a reforma.

Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)

Observatório Poupança Reforma 2026

A Conceptualização do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma, relatório da NOVA IMS encomendado pela ASF, descreve esse modelo como um mecanismo assente num “contrato social implícito entre gerações, em que a sustentabilidade financeira depende da relação entre contribuintes ativos e beneficiários”.

No regime geral dos trabalhadores por conta de outrem, a Taxa Social Única é de 34,75% da remuneração ilíquida, com 11% a cargo do trabalhador e 23,75% do empregador. As contribuições são retidas na fonte e entregues à Segurança Social, que as usa para pagar as pensões em curso, sem ficarem registadas numa conta individual. A ideia contrária está presente em 27,8% das respostas ao inquérito.

Numa pergunta sobre a longevidade, os inquiridos mostram mais certezas: 69,6% reconhecem que, com o aumento da esperança média de vida, a idade normal de reforma sobe, contra 13% que veem as duas variáveis sem relação e 9% que esperam uma descida.

A idade normal de acesso à pensão de velhice está indexada à esperança de vida desde 2015 e fixa-se em 66 anos e 9 meses em 2026, segundo o Observatório. Entre os que descontam e ainda não se reformaram, 61,4% esperam aceder à pensão sem penalizações entre os 66 e os 70 anos.

A compreensão do funcionamento do sistema de pensões (incluindo o financiamento das pensões públicas e os fatores que influenciam a idade de reforma) revela-se determinante para a qualidade do planeamento a longo prazo.

Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)

Observatório Poupança Reforma 2026

O índice de dependência de idosos deverá chegar a 68,6% em 2050, acima dos 55,2% projetados para a média da União Europeia, indica o Observatório.

As projeções da Comissão Europeia citadas no relatório indicam que a taxa de substituição bruta do salário passa de 69,4% em 2022 para 38,9% em 2070, depois de um máximo de 94% em 2041. Em 2024, a pensão média anual da Segurança Social foi de 7.665 euros, 11,7% abaixo do limiar de risco de pobreza, fixado em 8.679 euros.

O relatório conclui que “a função de substituição de rendimento do sistema público será menor no futuro, reforçando a importância da poupança complementar para garantir níveis de vida adequados após a reforma”. O comportamento dos portugueses ainda não acompanha esta leitura. Em 2023, 80,9% esperavam financiar a reforma sobretudo com os descontos para a Segurança Social e só 11,3% previam recorrer a produtos de pensões individuais, de acordo com o Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa citado pelo Observatório.

No inquérito deste ano, 28% dos inquiridos têm pelo menos um produto de poupança para a reforma e os atuais trabalhadores dão 5 pontos em 10 à confiança no rendimento que terão. Os reformados são, aliás, o grupo com menor conhecimento do sistema de pensões, e 61% dizem que o nível de vida desceu depois de se reformarem.

O Observatório sublinha que “a compreensão do funcionamento do sistema de pensões (incluindo o financiamento das pensões públicas e os fatores que influenciam a idade de reforma) revela-se determinante para a qualidade do planeamento a longo prazo”.

ASF quer apresentar até ao fim do 1º trimestre de 2027 proposta de adesão automática a planos de pensões

27 October 2026 at 22:19
Gabriel Bernardino ASF

O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), Gabriel Bernardino, disse esta terça-feira esperar apresentar, “lá para o fim do primeiro trimestre” do próximo ano, uma proposta concreta para enquadrar em Portugal um sistema gradual de adesão automática (auto-enrollment) a planos complementares de reforma.

Falando aos jornalistas à margem da apresentação do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma, em Lisboa, Gabriel Bernardino afirmou que a ASF está a trabalhar no tema e que “tem falado naturalmente com o Governo”. O objetivo, explicou, é trazer os sistemas complementares de pensões “para outro nível que muito necessitamos”.

O responsável sublinhou que se trata de matérias “estruturais” e “não fáceis de atuar”, que exigem “estudo técnico” e “reflexão adequada”, e que cada país tem de adaptar o modelo à sua realidade, designadamente ao peso da proteção pública e ao desenvolvimento do segundo pilar, o dos fundos de pensões profissionais. Lembrou que o programa do Governo prevê o fomento dos sistemas complementares e que o reforço destes sistemas consta das recomendações do Semestre Europeu dirigidas a Portugal.

Questionado sobre as medidas que considera urgentes, Gabriel Bernardino enumerou três. A primeira é um sistema de acompanhamento de pensões, uma plataforma tecnológica que agregue a informação sobre a pensão pública, os fundos de pensões da empresa e as poupanças individuais, e que dê a cada pessoa uma projeção da sua reforma. A segunda é a adesão automática a planos profissionais, que, frisou, “não é obrigar as pessoas a poupar, é tentar vencer a inércia”: os trabalhadores seriam inscritos automaticamente, com contribuições que podem ser baixas, e poderiam sair se assim o entendessem. A terceira é “trazer os PPR para o século 21”, distinguindo com clareza os produtos de proteção e garantia de capital dos que privilegiam a rendibilidade futura, com indicadores que mostrem o risco real.

Sobre a possibilidade de um fundo de garantia de pensões, semelhante ao fundo de garantia de depósitos, Gabriel Bernardino considerou que a discussão é antiga a nível europeu e defendeu que é preciso “dizer a verdade”: “não há milagres”, e não é possível ao mesmo tempo ter garantias e proteção máximas, maximizar a rendibilidade e minimizar as oscilações. Quem opta por garantia de capital, alertou, não deve esperar o mesmo desempenho futuro. Apontou como solução as opções por defeito baseadas no ciclo de vida, que reduzem o risco à medida que o aforrador se aproxima da idade da reforma e dispensam as pessoas de serem “especialistas em finanças”.

Confrontado com o facto de mais de metade dos portugueses que não poupam alegarem falta de dinheiro, o presidente da ASF reconheceu que há quem não tenha condições, mas defendeu que é preciso “desmistificar” a ideia de que poupar para a reforma implica montantes elevados. Mesmo poupanças de 20 ou 50 euros por mês, acumuladas durante 30 a 40 anos, “dão um complemento de reforma que é fundamental”, sobretudo para quem tem rendimentos mais baixos, disse, defendendo a criação de produtos adequados a pequenas poupanças.

Quanto à discussão em concertação social sobre o salário mínimo e a possibilidade de garantir um plano de poupança-reforma a estes trabalhadores, Gabriel Bernardino afirmou que cabe ao Governo e aos parceiros sociais definir a melhor forma de canalizar para as reformas parte dos ganhos de produtividade. Questionado se o tema pode integrar o acordo de rendimentos, respondeu que sim.

Sobre os benefícios fiscais, o presidente da ASF considerou que fazem parte da política estrutural do Governo e que o reforço dos sistemas complementares é sempre acompanhado por incentivos fiscais. Defendeu, no entanto, que deve ser encontrada uma solução, fiscal ou de outra natureza, que traduza “um benefício acrescido” para quem poupa e tem rendimentos mais baixos, por serem os que mais vão precisar de complementos de reforma. A ASF dará “em tempo” o seu aconselhamento ao Governo nesta matéria, acrescentou.

Em relação às comissões cobradas e que consomem a rentabilidade das aplicações, Gabriel Bernardino adiantou que a ASF está a analisar o “value for money” dos produtos, primeiro nos produtos acessórios vendidos na área seguradora e agora também nos produtos de poupança. O que interessa ao consumidor, explicou, é saber quanto terá no final, já deduzidas as comissões e os imposto, e se conseguirá bater a inflação, indicador que a ASF quer que seja público e transparente. O tema será debatido a 20 de novembro, no primeiro fórum do consumidor da ASF.

O responsável abordou ainda a hipoteca inversa, matéria que está a ser trabalhada no âmbito do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros e sobre a qual espera ter “com relativa brevidade” uma proposta de regulação. Trata-se de uma área “de nicho”, afirmou, mas importante para pessoas mais idosas cuja riqueza está sobretudo no imobiliário, e que deve ter regras que as protejam, como aconteceu noutros países.

O Observatório, desenvolvido em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa, revela que apenas 28% dos portugueses detêm pelo menos um produto de poupança de longo prazo para a reforma e que 45% poupam ativamente para esse fim.

CEO da Redion integra Comité de Gestão da Generali em 2027

27 October 2026 at 18:01

Antoine Parisi, CEO do Redion Group, vai integrar o Comité de Gestão da Generali a partir de 1 de janeiro de 2027. A nomeação surge no âmbito da reorganização da estrutura de gestão anunciada pelo grupo segurador italiano a 20 de outubro.

Antoine Parisi, CEO do Redion Group. “Estou muito grato a Philippe Donnet e Giulio Terzariol pela confiança e agradeço a Jean-Laurent Granier o seu apoio e acompanhamento desde 2018″.

Com esta mudança, a Redion Group, que reúne as atividades de assistência, seguros de viagem e benefícios para colaboradores, passará a reportar diretamente a Giulio Terzariol, Group Deputy CEO da Generali. Parisi trabalhará com Terzariol e com o CEO do grupo, Philippe Donnet, na definição das prioridades estratégicas e no acompanhamento da sua execução.

A nomeação acontece no seguimento da reorganização da Generali para a fase final do plano estratégico “Lifetime Partner 27: Driving Excellence” e na preparação do ciclo estratégico de 2028 a 2030.

“Estou muito grato a Philippe Donnet e Giulio Terzariol pela confiança e agradeço a Jean-Laurent Granier o seu apoio e acompanhamento desde 2018. Integrar o Group Management Committee da Generali é, simultaneamente, um privilégio e uma responsabilidade”, afirma Antoine Parisi, CEO do Redion Group.

A Redion, previamente Europ Assistance, é uma empresa do Grupo Generali que oferece seguros de viagem, assistência médica, proteção aos colaboradores, soluções nas áreas da saúde, mobilidade e seguros pessoais, bem como programas globais B2B2C e de seguros integrados (embedded insurance). Está presente em mais de 190 países e, de acordo com a empresa, conta com um volume de negócios anual de 5,8 mil milhões de euros.

Mais de um terço dos titulares de PPR desconhece o produto que tem

27 October 2026 at 12:02

Contratar um Plano Poupança de Reforma (PPR) não significa saber o que se contratou. O produto é detido por 31% dos portugueses inquiridos pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), mas 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm.

Além disso, os dados apresentados esta terça-feira revelam ainda que uma em cada quatro pessoas que poupa para a reforma não acompanha as suas poupanças.

Os dados surgem quando quase metade dos portugueses (45%) diz estar a poupar para a reforma e quando 55% dos que não o fazem apontam a falta de dinheiro, e apenas 17% dos jovens adultos possuem produtos de poupança para a reforma. Entre os que não o fazem, mais de metade diz que o dinheiro não chega.

Nos últimos dez anos, a rendibilidade mediana dos PPR sob a forma de seguros ficou abaixo da taxa de inflação nesse período, calcula a ASF.

O que está em jogo é o valor da pensão pública: em 2024, a pensão média anual da Segurança Social foi de 7.665 euros, 1.014 euros abaixo do limiar de risco de pobreza, fixado em 8.679 euros. Com este ponto de partida, o inquérito da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), feito a 801 pessoas entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, procurou perceber o que trava os portugueses.

Entre os que não poupam, 55% apontam a insuficiência de recursos financeiros e 27% nunca pensaram no assunto ou acham cedo para o fazer. “As barreiras à poupança para a reforma são sobretudo financeiras, mas também cognitivas associadas ao adiamento da decisão”, descreve a ASF, notando que há margem para mudar, dado que 41% dos que não poupam admitem fazê-lo no futuro. Destes, 17% têm intenção de contratar um produto, e 58% preveem fazê-lo nos próximos dois anos.

Entre os que poupam, 84% estão empregados, revelam os resultados do inquérito da ASF. A satisfação com a situação financeira faz diferença, dado que 69% dos trabalhadores mais satisfeitos poupam para a reforma, contra 45% no total da população.

A escolaridade também conta, porque 60% dos trabalhadores com menor satisfação financeira, mas com ensino superior, continuam a poupar. Quanto ao momento de começar, 49% dos inquiridos defendem que deve ser antes dos 30 anos.

O que escolhem e o que ganham quem poupa

Os resultados do inquérito da ASF revelam ainda que a prioridade dos portugueses quando poupa para a reforma é proteger o capital investido. Para 35% dos inquiridos, a garantia de capital é o critério mais importante, com a ASF a resumir que “a segurança prevalece sobre a rendibilidade”.

Entre os produtos eleitos pelos portugueses para poupar para a reforma estão os Planos Poupança Reforma (PPR), que são detidos por 31% dos inquiridos, mas 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm e uma em cada quatro pessoas a reconhecer que não acompanha as suas poupanças.

Isso é particularmente relevante, dado que a rendibilidade dos PPR a dez anos ficou abaixo da inflação, segundo o Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma da ASF com base somente nos PPR regulados pela ASF.

Dentro dos 45% dos inquiridos pela ASF que preparam a reforma, 17% não têm um produto próprio para esse fim, mas dizem poupar na mesma, através de outras formas de poupança.

De acordo com os dados compilados pelo supervisor, a rendibilidade mediana foi de 0,9% nos PPR sob a forma de seguros ligados (associados a fundos de investimento), 2% nos PPR seguros não ligados e 1% nos PPR fundos de pensões, enquanto a inflação média nos últimos dez anos foi de 2,1%.

Na prática, quem aplicou dinheiro nestes produtos teve, em termos reais, um retorno nulo ou negativo. A composição das carteiras ajuda a perceber o resultado: no final de 2025, os títulos de dívida pública e equiparados representavam 46,6% da carteira dos PPR sob a forma de seguros, e os fundos de investimento mobiliário pesavam 56,6% na carteira dos PPR fundos de pensões.

Os PPR não são a única via pelos portugueses na poupança para a reforma. Dentro dos 45% que preparam a reforma, 17% não têm um produto próprio para esse fim, mas dizem poupar na mesma, através de outras formas de poupança.

Entre os produtos financeiros analisados no inquérito, o mais detido são os depósitos a prazo (42%), seguidos dos PPR (31%) e dos Certificados de Aforro (27%).

Os resultados do inquérito revelam ainda que o conhecimento é maior do que a posse, com mais de 75% dos inquiridos a dizerem conhecer ações, PPR, Certificados de Aforro e do Tesouro, fundos de investimento e criptoativos, mas uma parte menor tem esses produtos.

Perante uma dúvida sobre produtos de poupança de longo prazo, 53,8% dos inquiridos revelam que recorreriam a seguradoras, gestoras ou bancos, ou seja, a quem vende ou gere o produto. A Internet e os sites especializados reúnem 12,2% das respostas, os consultores financeiros 6,2% e as autoridades de supervisão 3,1%.

Quando se olha para o canal de subscrição dos PPR, a poupança para a reforma continua a fazer-se sobretudo ao balcão. Entre os titulares de PPR, 79,6% contrataram o produto através de um banco e 81,8% fizeram-no presencialmente, numa agência. Só 12% recorreram a um website ou plataforma online e 3,9% contrataram por telefone. Os contratos feitos diretamente com uma seguradora ou sociedade gestora ficam-se pelos 12,3%, e os mediadores de seguros por 5,8%.

O padrão repete-se na hora de procurar informação. Perante uma dúvida sobre produtos de poupança de longo prazo, 53,8% dos inquiridos revelam que recorreriam a seguradoras, gestoras ou bancos, ou seja, a quem vende ou gere o produto. A Internet e os sites especializados reúnem 12,2% das respostas, os consultores financeiros 6,2% e as autoridades de supervisão 3,1%.

Estes números ajudam a enquadrar os resultados anteriores, embora o inquérito não permita estabelecer uma relação de causa e efeito: os PPR são subscritos num balcão e a informação é pedida a quem os comercializa. É nesse contexto que 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm e um em cada quatro não acompanha as suas poupanças.

A amostra do inquérito da ASF agrega 233 titulares de PPR, num inquérito telefónico a 801 pessoas, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais.

Presidente da ASF defende incentivos fiscais estáveis para a poupança-reforma e adesão automática a fundos de pensões

27 October 2026 at 11:00

O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), Gabriel Bernardino, apresentou esta terça-feira três prioridades para a poupança complementar de reforma em Portugal: tornar a reforma “mais visível”, “transformar intenção em ação” e reforçar a eficácia e a atratividade dos Planos Poupança Reforma (PPR). As propostas foram apresentadas na sessão de lançamento do Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma.

Na intervenção de abertura, o responsável recordou que o Observatório resulta de uma iniciativa do anterior Conselho de Administração da ASF, liderado por Margarida Corrêa de Aguiar, e foi desenvolvido com a Nova IMS. O projeto enquadra-se nas recomendações da Comissão Europeia sobre o acompanhamento da cobertura, da adequação e da sustentabilidade dos sistemas de pensões.

O Observatório procura acompanhar a preparação dos portugueses para a reforma, sobretudo na poupança complementar de longo prazo. Reúne informação sobre o contexto demográfico e económico, os instrumentos de poupança e investimento disponíveis e os comportamentos e atitudes dos cidadãos. Os resultados estão num microsite com painéis interativos, relatórios e infografias.

Para ilustrar as conclusões, Gabriel Bernardino recorreu a uma família fictícia. Ana, de 28 anos, sabe que deve poupar, mas ainda não subscreveu qualquer produto. Carlos, de 49, privilegia a segurança do capital, e a avó Maria, já reformada, perdeu nível de vida. Os dados do Observatório espelham estas situações: quase metade dos inquiridos considera que se deve começar a poupar para a reforma antes dos 30 anos, mas só 17% dos jovens adultos têm um produto para esse fim. Na escolha de produtos, 35% apontam a garantia de capital como critério mais importante e apenas 11% a rendibilidade. Entre os reformados, cerca de 61% dizem que o nível de vida diminuiu e 77% afirmam que teria sido importante poupar mais durante a vida ativa. Quase um quarto reconhece que, na altura, tinha condições para o fazer.

O presidente da ASF identificou três desafios: muitas pessoas não conseguem perceber qual será a sua situação financeira na reforma, adiam a decisão de poupar e, quando poupam, nem sempre usam os instrumentos mais adequados a objetivos de tão longo prazo. Defendeu por isso uma agenda alinhada com a União Europeia da Poupança e dos Investimentos e com as recomendações do Semestre Europeu.

A primeira prioridade é o desenvolvimento de um Sistema de Acompanhamento de Pensões, que permita a cada cidadão consultar, num único local, uma visão integrada da sua situação previsível na reforma, incluindo a pensão pública, os regimes profissionais e as poupanças individuais, defendeu. “É difícil planear aquilo que não conseguimos visualizar”, afirmou o presidente da ASF.

A segunda passa por mecanismos de adesão automática a fundos de pensões profissionais, que a experiência internacional mostra serem eficazes para vencer a inércia. Assentariam em contribuições partilhadas entre trabalhador e empregador, preservando sempre a liberdade de saída, e deveriam adotar por defeito estratégias de investimento ajustadas ao ciclo de vida dos participantes. Gabriel Bernardino considerou que o verdadeiro risco não é uma oscilação temporária da carteira, mas chegar à reforma e descobrir que décadas de poupança não bastaram para preservar o poder de compra.

A terceira prioridade é reforçar a eficácia e a atratividade dos PPR. O responsável defendeu que Portugal não tem um problema grave de ausência de poupança, mas de transformação de uma maior parte dessa poupança em investimento produtivo de longo prazo. Defendeu que os cidadãos devem distinguir com facilidade os PPR que privilegiam a preservação do capital, aceitando menor rendibilidade potencial, daqueles que procuram maximizar o valor acumulado, com maiores oscilações. Pediu ainda o aprofundamento da abordagem de “Value for Money”, com métricas claras e comparáveis sobre a rendibilidade líquida esperada, ajustada ao risco e aos custos. “A melhor proteção do aforrador não é esconder o risco; é explicar claramente que diferentes objetivos exigem diferentes escolhas”, disse.

Gabriel Bernardino acrescentou que estas medidas devem ser complementadas por incentivos fiscais estáveis e atrativos, que tratem de forma mais benéfica os cidadãos de menores rendimentos, os que “mais precisam da poupança complementar”. Sublinhou que a reorientação da poupança para o longo prazo beneficia toda a economia, ao canalizar recursos para a transformação digital, a transição energética, a saúde, a habitação e as infraestruturas.

O presidente da ASF concluiu que os sistemas complementares “não substituem nem devem substituir” o sistema público, mas complementam-no, e defendeu que é “urgente” avançar com uma agenda reformadora que promova mais poupança de longo prazo, transparência e literacia financeira.

Insurtech Frank reforça equipa com dois novos responsáveis

27 October 2026 at 08:00

A insurtech portuguesa Frank nomeou João Neves Ribeiro como Country Lead e Henrique Guerreiro como Engagement Lead, reforçando a liderança numa fase em que está a alargar a aplicação da inteligência artificial (IA) na operação dos mediadores de seguros.

João Neves Ribeiro é o novo Country Lead da insurtech, já Henrique Guerreiro foi nomeado Engagement Lead.

Em comunicado, a empresa explica que as duas contratações permitem reforçar a capacidade da empresa para desenhar planos de transformação e captura de valor com IA, ajustados aos processos e sistemas de cada empresa.

“Quase todas as empresas do setor já usam alguma forma de IA e conseguiram materializar o impacto em resultados visíveis no P&L. O meu foco é perceber em que ponto está cada operação e desenhar um plano de transformação do negócio, com base em IA, que permita capturar o valor para os mediadores, orientado a resultados visíveis”, afirma Henrique Guerreiro.

O novo Engagement Lead ficará responsável pelo trabalho com clientes de maior complexidade, ajudando-os a avaliar o nível de integração da IA nas suas operações e a identificar oportunidades de transformação.

Guerreiro foi Engagement Manager na McKinsey & Company, onde trabalhou nos setores financeiro, segurador e digital. Entre 2020 e 2021, foi também assessor do Ministério das Finanças.

João Neves Ribeiro, por sua vez, assume a função de Country Lead, com o objetivo de ajudar a desenvolver a estratégia da empresa e a explorar novas oportunidades para os mediadores através da tecnologia.

“Automatizar já não chega. Quando o trabalho administrativo deixa de ocupar tanto a equipa e esta ganha acesso a mais informação, a pergunta passa a ser o que fazer com esse tempo e com esses dados. A resposta está em inovar e diferenciar o serviço”, sublinha.

Ribeiro conta com cerca de duas décadas de experiência no setor segurador. Foi administrador da Tranquilidade, da Açoreana Seguros e da Una Seguros. Na mediação, foi administrador da Universalis, co-CEO da Asurya e Senior Advisor da Acrisure. Começou a carreira na McKinsey & Company.

A insurtech anunciou ainda que está a preparar a publicação de um white paper sobre a integração da IA no setor segurador.

Como o ECOseguros já tinha noticiado, o Frank conta com 2,9 milhões de euros de investimento, com a participação da Armilar e da Start Ventures, e prepara a expansão internacional para 2027. O Frank é um AI Operator, um assistente virtual que replica a ação humana nos sistemas e portais da mediação de seguros e que serve atualmente mais de 350 agências de mediação.

BlackRock: Seguradoras vão aumentar investimentos em dívida privada

27 October 2026 at 07:00

Os mercados privados estão consolidados nas carteiras de investimento das seguradoras e deverão ganhar peso nos próximos 12 meses, sobretudo através da dívida privada. Esta é uma das conclusões da 15ª edição do BlackRock Global Insurance Survey (2026), o estudo anual da gestora de ativos norte-americana, considerada a maior do mundo. Segundo o estudo, mais de 40% das seguradoras a nível mundial já destinam mais de 15% dos seus investimentos dívida privada e 76% planeiam aumentar essa exposição.

Para Mark Erickson, Global Insurance Strategist da BlackRock, “as seguradoras estão a transitar de modelos operacionais verticalmente integrados para arquiteturas mais modulares, combinando capacidades internas e parcerias externas em investimentos, capital, tecnologia e distribuição”.

O relatório reúne as perspetivas de 463 executivos de seguradoras de 31 mercados, cujas empresas representam mais de 24 biliões de dólares investidos em ativos. O inquérito foi realizado entre junho e setembro de 2026 e inclui participantes da Europa, Médio Oriente e África (EMEA), América do Norte, Ásia-Pacífico e América Latina.

Segundo a BlackRock, 92% das seguradoras inquiridas já investem pelo menos 5% das suas carteiras em mercados privados. A intenção de reforçar estas posições mantém-se maioritária, embora tenha diminuído face aos níveis dos últimos anos: 94% das seguradoras planeavam aumentar as alocações em 2025, 91% em 2024 e 89% em 2023.

A evolução aponta, de acordo com o relatório, para uma abordagem mais seletiva. Em vez de aumentarem indiscriminadamente a exposição, as seguradoras estão mais concentradas na construção das carteiras, na avaliação do valor relativo dos ativos e na escolha das estruturas de investimento adequadas aos seus objetivos de rendimento, liquidez e capital.

Dívida privada lidera a procura

A dívida privada é a principal aposta entre as classes de ativos dos mercados privados. Foi identificada por 41% dos inquiridos como uma área em que pretendem aumentar o investimento nos próximos 12 meses.

A tendência é acompanhada por mudanças na forma como as seguradoras acedem a estes ativos. Segundo a BlackRock, 74% planeiam investir em dívida privada através de contas segregadas ou mandatos à medida, estruturas que permitem adaptar as carteiras às necessidades específicas de cada companhia.

O estudo relaciona esta evolução com a crescente importância das parcerias externas na gestão dos investimentos. Atualmente, 84% das seguradoras descrevem o seu modelo de gestão de ativos como híbrido, combinando capacidades internas com recursos externos. Quase metade, 49%, espera aumentar a utilização de gestores externos durante o próximo ano.

Para Charles Hatami, responsável global do Financial & Strategic Investors Group e co-responsável do Global Partners Office da BlackRock, o compromisso com os mercados privados não significa comprar ativos indiscriminadamente. O responsável defende que a prioridade passa por selecionar os ativos e as estruturas mais adequados aos objetivos de rendimento, liquidez e capital de cada seguradora.

Inflação continua a ser a principal preocupação

Apesar do reforço dos mercados privados, o enquadramento macroeconómico permanece determinante para as decisões de investimento. A inflação é a principal preocupação de 62% das seguradoras inquiridas, uma proporção inalterada face a 2025.

Já o receio de recessão diminuiu significativamente. Apenas 18% dos participantes identificam este cenário como uma preocupação, menos 17 pontos percentuais do que em 2025, quando a percentagem atingia 35%.

No conjunto dos mercados, 61% das seguradoras esperam uma aterragem suave da economia mundial nos próximos 12 meses. Outros 24% não antecipam uma aterragem, enquanto 9% preveem condições de estagflação, caracterizadas pela combinação de inflação elevada e crescimento económico fraco.

A perspetiva é particularmente favorável na região EMEA, onde 75% dos inquiridos esperam uma aterragem suave. Na América do Norte, a percentagem é de 63%, enquanto na Ásia-Pacífico desce para 47% e na América Latina para 40%.

Estes dados regionais são relevantes para interpretar as prioridades das seguradoras europeias, embora o relatório apresente o indicador agregado da região EMEA, que inclui também o Médio Oriente e África, e não apenas os mercados europeus.

Apetite pelo risco mantém-se estável

O apetite pelo risco de investimento permanece globalmente estável: 82% das seguradoras pretendem manter o perfil de risco das suas carteiras.

Contudo, a estabilidade não significa ausência de reservas quanto à conjuntura. Entre as seguradoras que pretendem manter o atual perfil de risco, 57% consideram que não existem oportunidades suficientes para justificar uma maior exposição, um aumento de 22 pontos percentuais face a 2025.

Por outro lado, 50% procuram maior diversificação dentro do orçamento de risco já definido. A BlackRock interpreta estes resultados como um sinal de maior seletividade na gestão das carteiras, em vez de uma simples confiança nas exposições existentes.

Parcerias alargam-se para além dos investimentos

A colaboração com entidades externas está também a estender-se a outras áreas da atividade seguradora. Segundo o inquérito, 82% das companhias mantêm parcerias externas em pelo menos duas funções empresariais, que podem abranger investimentos, disponibilização de capital, desenho de produtos, gestão de passivos e distribuição.

Mark Erickson, responsável global de estratégia para seguros no Financial Institutions Group da BlackRock, considera que as seguradoras procuram parceiros capazes de contribuir para além da gestão de investimentos. A articulação entre investimento, capital e tecnologia assume, na sua perspetiva, uma importância crescente num ambiente operacional mais complexo.

Inteligência artificial avança a ritmos diferentes

A inteligência artificial (IA) também integra as prioridades de transformação do setor. De acordo com o relatório, 60% das seguradoras já têm pelo menos uma aplicação de IA implementada em escala ou incorporada nos seus processos de trabalho.

A adoção, contudo, varia significativamente entre funções. Na subscrição e tarifação, 21% dos inquiridos reportam aplicações de IA implementadas em escala ou integradas nos processos. Na seleção de investimentos e na monitorização de crédito, a proporção é de apenas 3%.

A diferença evidencia que a utilização de IA está mais avançada em algumas áreas operacionais do que nos processos de investimento e análise de crédito, onde a integração em fluxos de trabalho recorrentes continua limitada.

O BlackRock Global Insurance Survey 2026 conclui, assim, que as seguradoras procuram conciliar novas fontes de rendimento e diversificação com uma gestão mais seletiva do risco, num contexto em que a inflação continua a condicionar as decisões e a utilização de parceiros externos ganha peso nos modelos operacionais.

A BlackRock é a maior gestora de ativos do mundo, de origem norte-americana, que administra investimentos de clientes institucionais e particulares, incluindo seguradoras, fundos de pensões, bancos e governos. Tem posição relevante no capital da Marsh, AON e WTW e nas seguradoras Prudential e AIG gerindo, nesta última, quase 10% do capital.

Secretário de Estado da Economia destaca “previsibilidade” de Portugal para atrair investimento

26 October 2026 at 18:37

Portugal oferece “previsibilidade económica, financeira, política e social” aos investidores, afirmou o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, num encontro com líderes empresariais internacionais do setor segurador organizado pela Verlingue Portugal, na passada terça-feira, em Lisboa.

Miguel Salema Garção, Chief Business Development Officer da Verlingue com o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira e Benjamin Verlingue, presidente e CEO do Grupo Adelaïde.

Para o governante, esta característica pode ser uma vantagem para a captação de investimento estrangeiro. Na sua intervenção, João Rui Ferreira destacou ainda o “talento qualificado, as competências linguísticas, a conectividade, a segurança e a qualidade de vida” como fatores relevantes para a competitividade do país. O secretário de Estado afirmou que o Governo pretende criar condições para que as empresas invistam, exportem e expandam a sua atividade para outros mercados.

O encontro decorreu no Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras e reuniu clientes, parceiros institucionais, representantes do setor segurador na 74.ª Conferência Global da Worldwide Broker Network (WBN), que teve lugar em Lisboa entre os dias 21 e 24 de outubro.

A iniciativa assinalou a integração da Verlingue Portugal na WBN, uma rede internacional de corretagem de seguros e benefícios para colaboradores com presença em mais de 100 países, como ECOseguros já tinha noticiado.

“Portugal é um mercado-chave para a Verlingue e para o Grupo Adelaïde. Estamos presentes no país há mais de dez anos e é um lugar onde queremos investir e permanecer a longo prazo”, afirmou Benjamin Verlingue, presidente e CEO do Grupo Adelaïde, do qual a Verlingue faz parte.

O responsável acrescentou que a integração na WBN reconhece o trabalho desenvolvido pela equipa portuguesa e permite acompanhar os clientes nos mercados em que pretendam expandir-se.

Fidelidade considera excessiva indemnização de 125 mil euros por morte no Elevador da Glória

26 October 2026 at 16:29

A Fidelidade, seguradora da Carris, considera que o Elevador da Glória não podia ser visto como um meio de transporte «altamente confiável» à data do acidente de 3 de setembro de 2025, que provocou 16 mortos. Segundo noticia o Correio da Manhã (acesso pago), a posição consta da contestação apresentada pela seguradora no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, no âmbito de uma ação em que a família de uma das vítimas mortais exige uma indemnização de 1,05 milhões de euros à Carris, à MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia, responsável pela manutenção do ascensor, e à Fidelidade.

Segundo o jornal, a Fidelidade contestou os valores reclamados pela família a título de indemnização pelos diferentes danos. Em particular, considera «manifestamente excessivo» o pedido de 125 mil euros pelo dano por morte, alegando que os tribunais portugueses têm fixado indemnizações entre 50 mil e 90 mil euros em casos semelhantes. A seguradora afirma ter apresentado uma proposta de indemnização alinhada com os valores atribuídos pela jurisprudência nacional, mas que esta não foi aceite pela família.

Contactada a Fidelidade por ECOseguros, fonte da companhia afirmou “não divulgar peças processuais de ações judiciais em curso” mas dispôs-se “a enquadrar a questão em termos gerais”. Segundo esta fonte “num pedido de indemnização por morte, o valor total reclamado resulta da soma de várias parcelas distintas, entre as quais a compensação pela perda do direito à vida, os danos não patrimoniais sofridos pela vítima e pelos seus familiares e os danos patrimoniais futuros“. Acrescentou que “a referência ao critério de uniformização respeita apenas à compensação pela perda do direito à vida e corresponde a um parâmetro seguido pelos tribunais portugueses, que procuram fixar valores equivalentes em situações semelhantes”, assegurando igualdade de tratamento entre todas as vítimas. Conclui a Fidelidade que este facto “não constitui, de forma alguma, um juízo sobre o valor de uma vida, nem diminui a perda irreparável sofrida por estas famílias”.

A seguradora contesta a alegação da família de que o acidente foi imprevisível, invocando a ocorrência de vários acidentes com o ascensor desde 2018. Na sua argumentação, a possibilidade de um desastre como o de setembro de 2025 não podia ser considerada totalmente imprevisível.

A Fidelidade defende que a ação cível seja suspensa até à conclusão do inquérito do Ministério Público e que o pedido indemnizatório seja tratado no âmbito do processo-crime, para evitar decisões contraditórias.

Notícia acrescentada às 17h30m com declarações da Fidelidade.

Zurich lança novo seguro automóvel para empresas

26 October 2026 at 16:24

A Zurich lançou um novo seguro automóvel destinado a empresas, com quatro planos de proteção e coberturas ajustáveis às características dos veículos e às necessidades de cada negócio.

José Coutinho, Chief Underwriting Officer da Zurich Portugal. “As empresas enfrentam hoje desafios complexos na gestão dos seus riscos, e muitas vezes existe um desajuste entre aquilo que está efetivamente protegido e aquilo que está em causa quando ocorre um imprevisto”.

Entre as novidades estão o apoio domiciliário em caso de incapacidade temporária do condutor, a proteção em caso de imobilização da viatura e a bonificação de franquias associada à utilização da rede convencionada de reparação.

A Assistência em Viagem passa também a estar disponível em três níveis de proteção, com capitais e garantias reforçados para veículos comerciais e pesados. A cobertura inclui ainda um capital específico para reboque em caso de rebentamento de pneu.

O seguro inclui garantias de danos próprios, como quebra de vidros, choque e colisão, fenómenos da natureza e alterações da ordem pública. As franquias têm valores definidos, permitindo às empresas conhecer antecipadamente o montante a suportar em caso de sinistro.

“As empresas enfrentam hoje desafios complexos na gestão dos seus riscos, e muitas vezes existe um desajuste entre aquilo que está efetivamente protegido e aquilo que está em causa quando ocorre um imprevisto”, afirma José Coutinho, Chief Underwriting Officer da Zurich Portugal.

Assistência médica é a cobertura mais acionada nos seguros de viagem da IATI

26 October 2026 at 15:47

A assistência médica é a cobertura mais acionada e também a que tem maior impacto financeiro, seguida do cancelamento de viagem. O diagnóstico é feito por Alfonso Calzado, CEO da IATI, uma mediadora familiar espanhola especializada em seguros de viagem estabelecida em 1885 e presente em Portugal tendo como parceira a seguradora ARAG. Em declarações a ECOseguros, que assinala também um aumento da sinistralidade em solo europeu ao nível dos clientes da seguradora.

Alfonso Calzado, CEO da IATI. “A relação entre preço e cobertura é importante, mas entram também na equação o nível de assistência médica, a capacidade de resposta em caso de sinistro, o apoio prestado antes da compra e a própria reputação da seguradora”.

O responsável alerta para a existência de “alguma tendência para subvalorizar os riscos numa viagem dentro da Europa ou assumir que o Cartão Europeu de Seguro de Doença é suficiente”. A verdade é que o documento comunitário assegura apenas o acesso a cuidados de saúde públicos nas mesmas condições dos residentes locais, não substituindo uma apólice de viagem ou cobrindo despesas críticas como “repatriamento ou transporte sanitário”, explica.

Ásia concentra ocorrências, EUA e Oceânia destacam-se nos custos

A nível global, as causas e os custos dos sinistros variam consoante o destino. De acordo com Calzado, ao nível da sinistralidade da IATI, “a Ásia é a região que concentra o maior volume de ocorrências, sobretudo relacionadas com acidentes com aluguer de motas, gastroenterites, contaminação alimentar e ingestão de água imprópria para consumo”.

No entanto, destinos como os Estados Unidos destacam-se pelo impacto financeiro de cada processo, impulsionado pelo preço elevado da medicina local, onde até mesmo intervenções simples podem representar encargos avultados. “Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália são exemplos de mercados onde uma radiografia acompanhada de medicação pode atingir milhares de euros”, adverte Calzado.

Na Europa, o aumento das ocorrências reflete a proliferação de “mais escapadinhas frequentes, roadtrips e viagens com atividades ao ar livre ou desportos de aventura”, a que se somam perturbações no transporte aéreo como “greves, atrasos, perdas de ligações e extravio de bagagem”, explica.

Seguro de viagem em Portugal está em crescimento

O seguro de viagem tem uma taxa de penetração de 33% em Portugal, segundo o barómetro da HelloSafe divulgado em 2025, que estima um salto de 20% a 25% na contratação pós-pandemia, com o canal digital a concentrar 70% das subscrições. Apesar desta trajetória, a adesão nacional permanece aquém da maturidade observada noutros parceiros europeus, como a Suécia, onde atinge os 88%, ou o Reino Unido, com 78%.

Existe assim margem de progressão do setor num momento de expansão turística. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), os residentes em Portugal realizaram 3,858 milhões de viagens ao estrangeiro em 2025, o que representa um aumento de 12,5% face ao ano anterior.

Embora o preço continue a pesar no momento da decisão, o CEO da seguradora sublinha que “o consumidor não olha apenas para o valor da apólice”, colocando na balança “a capacidade de resposta em caso de sinistro” e “limites elevados para despesas médicas”. Entre as garantias mais procuradas pelos clientes nacionais da seguradora destaca-se ainda “o repatriamento a 100%”. Questionado sobre a evolução concreta da procura, Calzado aponta para “uma evolução importante ao nível da consciência com que os viajantes preparam as suas viagens”, passando o seguro a ser entendido “como uma ferramenta importante para garantir segurança, tranquilidade e qualidade ao longo de toda a experiência”.

Poupe para a reforma. Que benefícios fiscais pode aproveitar

23 October 2026 at 16:32
Depósitos a prazo, PPR e seguros Unit Linked oferecem diferentes vantagens fiscais. Conheça as diferenças para escolher a solução de poupança mais adequada aos seus objetivos.

❌