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Miró em diálogo com artistas contemporâneos da Coleção de Serralves

28 October 2026 at 14:00

Até 7 de março de 2027, a Casa de Serralves acolhe a exposição “Afinidades Eletivas: Joan Miró e a Arte Contemporânea na Coleção do Museu de Serralves”, organizada pela Fundação de Serralves, apresenta obras da Coleção Miró em diálogo com obras de Helena Almeida, Michael Biberstein, Luisa Cunha, Ana Hatherly, Asger Jorn, Julie Mehretu, Robert Morris, Júlio Pomar, Dieter Roth, Julião Sarmento e Antoni Tàpies, entre outros artistas relevantes.

As suas práticas vão da pintura e da escultura à colagem, à instalação, à fotografia, ao vídeo e às obras multimédia, da Process Art à Arte Povera, e das desconstruções visuais dos códigos pictóricos ao Neoexpressionismo e ao questionamento da linguagem. Em cada um destes cruzamentos com obras da Coleção de Serralves, o percurso de Miró encontra eco na prática artística contemporânea. Daí que o título “Afinidades eletivas” tenha como ambição “assinalar a relação de Miró com a arte contemporânea enquanto encontro dinâmico”, como refere o curador da exposição, Robert Lubar Messeri.

No texto da folha de sala, Messeri salienta que Goethe se apropriou desse conceito para “sublinhar as ligações emocionais e as relações afetivas entre pessoas, coisas ou ideias que, mais do que impostas, são instintivas e escolhidas.” No contexto da exposição, a expressão “afinidades eletivas” parte dessas associações, enfatizando o diálogo visual e conceptual, mais do que as relações formais ou as lógicas de influência direta. As obras de Miró das décadas de 1960 e 1970 serviram como ponto de partida, havendo algumas incursões pontuais por obras anteriores.

“Afinidades Eletivas: Joan Miró e a Arte Contemporânea na Coleção do Museu de Serralves” apresenta a relação de Joan Miró com a arte contemporânea como uma série de encontros dinâmicos e divide-se em sete secções: 1. Process Art; 2. Expressionismo revisitado; 3. Antimonumentos; 5. O desenho como prática; 6. Linguagem; e 7. Pintura en abîme.

O que a curadoria de Robert Lubar Messeri pretende é ilustrar como Miró se afirmou não só como um grande mestre moderno, mas também como artista contemporâneo cuja obra estava em sintonia com as dinâmicas emergentes no mundo da arte.

O papel da sequenciação genética dos tumores na personalização dos cuidados em Oncologia

28 October 2026 at 12:44

A oncologia atravessa uma transformação profunda. Se, durante décadas, o tratamento do cancro dependia essencialmente do órgão de origem e das características histológicas, hoje sabemos que a identificação das alterações genéticas dos tumores é fundamental para compreender a doença e personalizar a sua abordagem.

A sequenciação de nova geração (Next-Generation Sequencing — NGS) permite analisar simultaneamente múltiplos genes, assumindo um papel crescente nas diferentes etapas do percurso oncológico: prevenção, diagnóstico, prognóstico, selecção do tratamento e monitorização.

Na prevenção, a identificação de variantes genéticas hereditárias, como as dos genes BRCA1 e BRCA2, permite reconhecer indivíduos e famílias com maior predisposição para determinados cancros, possibilitando estratégias personalizadas de vigilância e redução do risco. No rastreio e diagnóstico precoce, a caracterização genética pode contribuir para identificar populações de maior risco e, através de novas tecnologias, incluindo a análise de ADN tumoral circulante, abrir perspectivas para detectar a doença em fases mais precoces, embora algumas destas aplicações ainda necessitem de validação clínica.

No prognóstico, as alterações moleculares ajudam a compreender a agressividade dos tumores, estimar o risco de recidiva e orientar a intensidade da vigilância e dos tratamentos.

É, contudo, na selecção terapêutica que a sequenciação genética tem actualmente maior impacto. A identificação de alterações em genes como EGFR, ALK, ROS1, KRAS ou RET, no cancro do pulmão, permite utilizar terapêuticas dirigidas, frequentemente mais eficazes e menos tóxicas. Quando não existem alterações moleculares susceptíveis de tratamento dirigido, a avaliação da carga mutacional tumoral (Tumour Mutational Burden — TMB) pode, em contextos clínicos específicos, fornecer informação adicional para orientar a imunoterapia, embora não constitua um biomarcador universal nem substitua outros critérios de decisão.

O valor desta inovação é também económico e social. Um estudo nacional sobre os testes de diagnóstico in vitro estimou que cada euro investido na utilização alargada de NGS no cancro do pulmão poderá gerar 5,4 euros de retorno social e económico.

Persistem, porém, desigualdades no acesso, atrasos na realização dos testes e dificuldades de financiamento. Portugal necessita de uma estratégia nacional de diagnóstico molecular, que assegure qualidade, rapidez e equidade, integrando estas tecnologias nos cuidados oncológicos.

A medicina de precisão não começa na escolha do medicamento, mas no conhecimento da biologia do tumor. Investir nesse conhecimento significa prevenir melhor, diagnosticar mais cedo, tratar com maior eficácia e oferecer a cada doente a melhor oportunidade de viver mais e melhor.

Três eventos relevantes para a Galp

28 October 2026 at 00:08

Poucos dias depois do 20º aniversário da sua cotação em bolsa (que este ano não comemorou, não sei porquê), a Galp anunciou que os seus resultados líquidos na base de valorização das reservas ao custo de reposição, atingiram 1,494 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, e que terminou as negociações com os accionistas da Moeve para a fusão das operações de refinação e de distribuição de combustíveis.

Vale a pena reflectir sobre o que estes três eventos nos dizem sobre a empresa.

Há 20 anos a Galp era uma empresa centrada em Portugal, onde operava duas refinarias de petróleo e tinha uma quota de mercado superior a 30% no retalho de combustíveis, e de mais de 60% no gás natural. Operava também em Espanha, com uma quota de mercado nos combustíveis de cerca de 6%, e tentava entrar na distribuição de gás natural. Controlava cerca de 120 postos de abastecimento em vários dos PALOP. Dava os primeiros passos no sector da energia eólica. Produzia em Angola aproximadamente 9.000 baris de petróleo por dia, e tinha acabado de iniciar as actividades de perfuração no Brasil. A participação da pesquisa e produção na formação do seu EBITDA era de 3,7%.

E a primeira cotação da sua acção foi 5,81 euros.

A Galp actual é bem diferente. Encerrou a refinaria de Matosinhos, que se tinha tornado deficitária. Perdeu quota de mercado na distribuição de combustíveis, face à concorrência das marcas brancas e dos hipermercados. Vendeu a participação nas redes de distribuição de gás natural, e concentrou-se na comercialização. Cresceu algo nos segmentos das energias renováveis e distribuição de electricidade. Mas foi na pesquisa e produção que verdadeiramente cresceu: com uma produção de 130.000 barris por dia no Brasil, este segmento representa actualmente 65% do EBITDA.

É a evolução no “upstream” e a valorização da produção no Brasil que leva a empresa a apresentar hoje resultados record, não a distribuição de combustíveis. Em Portugal, a Galp continua importadora de petróleo, e tem de pagar o produto ao preço de mercado. E produz combustíveis, que coloca no mercado a um preço que reflete as cotações internacionais – se não fosse assim, a refinaria de Sines venderia para exportação, não para o mercado nacional. Este ano beneficia do efeito causado pela guerra no Médio Oriente, que provoca uma redução de até 20% nas quantidades de petróleo e combustíveis, e determina o aumento de preços por via da pressão da procura – e é por isso que defendo que não vale a pena perder tempo a imaginar formas de tributar estes “lucros excessivos”, que não o são.

Recentemente tinha iniciado um processo de negociações para a fusão dos segmentos de downstream com a Moeve, visando a criação de uma empresa com dimensão relevante na Europa, deixando de fora o segmento “upstream”, verdadeira “jóia da coroa”. Era um projecto interessante, embora a sua concretização fosse difícil e tivesse levantado críticas e receios de perda de capacidade de decisão nacional sobre a refinação – o que me parece não ter fundamento porque o que pesa nestas matérias é o juízo de rentabilidade, não o nacionalismo económico. O fim do projecto terá resultado de não ser possível conseguir consenso relativamente a temas estratégicos e comerciais. A reacção do mercado foi imediata: o projecto era entendido como interessante, e o seu abandono ditou uma quebra de cerca de 10% na cotação das acções da Galp, mesmo após o anúncio dos resultados.

E a acção Galp está cotada a 20.93 euros no dia em que escrevo este artigo.

Jacinda Ardern e Theresa May nas Conferências do Estoril na Nova SBE

28 October 2026 at 00:07

Habituámo-nos a associar a força política à dureza, quando não ao autoritarismo. Jacinda Ardern mostrou que uma coisa não implica necessariamente a outra. Chegou ao cargo de primeira-ministra da Nova Zelândia aos 37 anos e exerceu o poder de uma forma pouco convencional. Foi mãe enquanto liderava o Governo, levou a filha, ainda bebé, à Assembleia Geral das Nações Unidas e nunca pareceu sentir necessidade de esconder dimensões da sua vida pessoal para corresponder à imagem tradicional de uma chefe de Governo. Empatia e capacidade de decisão não tiveram de estar em campos opostos.

Em 2023, Ardern fez outra coisa pouco habitual na política: decidiu sair. Explicou que já não dispunha da energia necessária para continuar a exercer o cargo com a dedicação que este exigia e que queria voltar a dar espaço a outras dimensões da sua vida. No seu último discurso no Parlamento, recordou que não precisara de deixar de ser sensível, ansiosa, mãe, alguém que chora ou abraça, para poder liderar. O título das suas memórias resume bem essa passagem pelo poder: Um Poder Diferente.

Não foi uma liderança isenta de críticas. E é precisamente isso que torna a questão relevante, e não apenas inspiradora, numa altura em que, um pouco por todo o mundo, ganham terreno formas de exercer o poder nos antípodas daquelas que Ardern representa. Afinal, se queremos reacender a democracia, que ideia de força devemos exigir a quem exerce o poder?

É a partir desta experiência que Jacinda Ardern estará na Nova SBE, no próximo dia 29 de outubro, como uma das principais oradoras da 10.ª edição das Conferências do Estoril. Arden refletirá sobre o valor da confiança, da empatia, da coragem e da convicção quando se lidera uma sociedade moderna, em rápida transformação e cada vez mais polarizada.

Outra questão essencial é o que acontece quando exercer o poder significa governar uma sociedade profundamente dividida. Theresa May conhece esse desafio como poucos. Primeira-ministra do Reino Unido entre 2016 e 2019, assumiu o Governo poucas semanas depois do referendo do Brexit e passou três anos a tentar transformar uma escolha aparentemente binária, permanecer ou sair da União Europeia, numa solução política para uma realidade nacional e europeia que de binária tinha muito pouco.

Não conseguiu. Como sabemos, o acordo que negociou com Bruxelas foi rejeitado várias vezes pelo Parlamento britânico, May acabou por se demitir e, meses depois, o eleitorado deu uma maioria a quem prometia simplesmente concretizar o Brexit.

É sobre este desafio que Theresa May falará na Nova SBE: o que significa governar uma sociedade profundamente dividida, conciliar convicções divergentes com a necessidade de compromisso, preservar a confiança nas instituições e encontrar um mínimo de terreno comum, sem o qual uma sociedade deixa simplesmente de conseguir avançar.

E o que acontece quando a ameaça às instituições democráticas não vem de dentro, mas de fora? Falo, naturalmente, da Ucrânia. Vsevolod Chentsov é, desde julho, vice-primeiro-ministro da Ucrânia para a Integração Europeia e Euro-Atlântica. Diplomata de carreira há três décadas, passou os últimos cinco anos a chefiar a missão do seu país junto da União Europeia.

A pergunta que traz à Nova SBE é desconfortável, mas necessária: o que descobre a Europa sobre si própria quando as suas instituições, a sua segurança e os seus valores são verdadeiramente postos à prova?

Mas as lições da experiência de Chentsov vão muito além das fronteiras ucranianas. Dizem também respeito ao futuro da Europa que queremos construir, num tempo em que já não basta produzir diagnósticos e adiar decisões difíceis.

Ardern, May e Chentsov trazem-nos experiências distintas e inquietações muito diferentes.

Como exercemos o poder? Como governamos quando não estamos de acordo? E o que fazemos quando os valores que afirmamos defender são verdadeiramente postos à prova?

Estas são algumas das perguntas que atravessam a 10.ª edição das Conferências do Estoril, organizada pela Nova SBE e pela NOVA Medical School, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, Capital Europeia da Democracia em 2026, e do Turismo de Portugal.

Mais de 50 líderes, académicos, empresários, ativistas e jovens passarão pela Nova SBE nos dias 29 e 30 de outubro. Paul Krugman, Shirin Ebadi, Audrey Tang, Yulia Navalnaya e Enrico Letta, entre muitos outros, trarão experiências, perspetivas e convicções muito diferentes. Não esperamos que concordem entre si. Se concordassem todos, dois dias seriam provavelmente excessivos.

Queremos precisamente o contrário: experiências suficientemente diversas para nos obrigarem a questionar certezas. Argumentos suficientemente sólidos para resistirem ao contraditório. E espaço suficiente para formularmos perguntas para as quais ainda não existem respostas confortáveis.

Porque é também esse o papel de uma universidade. Como tenho escrito a propósito da IA, num mundo em que conseguimos gerar respostas em segundos, torna-se cada vez mais importante saber fazer as perguntas certas, avaliar criticamente a evidência, exercer o nosso próprio julgamento e tomar decisões.

Talvez essa seja uma das competências de que a democracia mais precisa: a coragem de questionar, a disponibilidade para ouvir e a responsabilidade de decidir.

Inteligência artificial: sem formação não há competitividade

28 October 2026 at 00:06

A inteligência artificial está a redefinir a forma como as empresas competem, inovam e criam valor. Mas, no debate sobre infraestruturas, capacidade computacional e agentes autónomos, há uma dimensão que não pode ser secundarizada: a preparação das pessoas.

Foi uma das reflexões que retirei do Portugal Digital Summit, em particular da intervenção de Bernardo Correia, secretário de Estado, sobre os desafios da transformação digital em Portugal. Pessoas, infraestruturas, dados e capacidade de execução são dimensões essenciais. Contudo, é a qualificação das pessoas que permite transformar as restantes em resultados económicos.

A formação não é um complemento da transformação digital. É uma das suas principais condições de sucesso.

Os dados ajudam a compreender a dimensão do desafio. Segundo o Eurostat, em 2025, apenas 59,2% da população portuguesa entre os 16 e os 74 anos tinha competências digitais básicas ou superiores, face a cerca de 60,4% na União Europeia. Estamos, portanto, longe da meta europeia de 80% até 2030. O problema não é apenas tecnológico: é também de competências.

O Fórum Económico Mundial, no Future of Jobs Report 2025, estima que 39% das competências atuais dos trabalhadores se transformarão ou ficarão desatualizadas até 2030. Além disso, 63% dos empregadores identificam as lacunas de competências como um dos principais obstáculos à transformação das suas organizações. A resposta não pode limitar-se a contratar especialistas. Exige investimento sistemático na aprendizagem e requalificação de quem já trabalha.

Importa, porém, distinguir formar para utilizar de formar para transformar.

A inteligência artificial generativa permite produzir conteúdos, analisar informação e automatizar tarefas. Mas o seu verdadeiro potencial económico surge quando as organizações repensam processos, decisões e modelos de negócio. A evolução para agentes capazes de executar tarefas e interagir com diferentes sistemas torna esta necessidade ainda mais evidente. Precisamos de profissionais capazes de trabalhar com estas tecnologias, avaliar os seus resultados e reconhecer os limites da sua autonomia.

A OCDE reforça esta ideia: menos de 1% dos trabalhadores necessitará de competências avançadas específicas de IA, como desenvolver modelos. A maioria precisará de competências digitais, capacidade para interpretar dados e competências humanas, como pensamento crítico, criatividade e resolução de problemas. A formação em inteligência artificial tem, por isso, de chegar muito para além dos departamentos tecnológicos.

Mas qualificar pessoas não basta. É necessário criar condições para aplicar o conhecimento adquirido. Uma empresa pode formar os seus colaboradores e continuar a não gerar valor se mantiver os mesmos processos, incentivos e modelos de decisão. A liderança tem de ligar aprendizagem, experimentação e execução, definindo objetivos e medindo resultados em produtividade, qualidade e inovação.

Portugal tem aqui uma oportunidade estratégica. Universidades, empresas e decisores públicos devem trabalhar em conjunto para democratizar o acesso à formação, combinar conhecimento científico com aplicação prática e promover a aprendizagem ao longo da vida. Iniciativas europeias como a AI Skills Academy refletem esta prioridade, mas o impacto dependerá da capacidade de transformar a ambição em competências efetivas e resultados mensuráveis.

Na era da inteligência artificial, a vantagem competitiva não pertencerá necessariamente a quem tiver mais tecnologia, mais dados ou mais agentes. Pertencerá a quem souber mobilizar pessoas capazes de os transformar em valor económico. Investir na formação é investir na produtividade, na inovação e na competitividade de Portugal. A tecnologia abre possibilidades. São as pessoas preparadas que as concretizam.

Os museus que se podem visitar à noite em Paris

27 October 2026 at 13:30

 

 

A capital francesa está novamente a arder. O descontentamento social é bem visível nas ruas de Paris e as manifestações e protestos levaram a organização da Art Basel Paris a encerrar a feira mais cedo, algo que nem uma pandemia conseguira fazer. Mas isso não quer dizer que galerias e museus não cumpram com a programação prevista.

Se estiver por Paris e precisar de uma margem de tempo para visitar “aquela exposição imperdível”, aqui ficam algumas sugestões dos espaços culturais que prolongam o seu horário num dia específico da semana.

 

Segunda-feira. Musée du Luxembourg – até às 22h

O museu próximo do Jardim homólogo foi uma das primeiras instituições de arte antiga a abrir ao público na cidade das luzes. Ocupa uma parte do Palácio do Luxemburgo, onde se encontra o Senado francês, e deixou de ter uma coleção permanente. O foco passaram a ser duas exposições temporárias por ano em homenagem a grandes figuras da arte moderna e da fotografia. Neste momento, Andy Warhol é o artista em destaque.

Andy Warhol – A Linha e a Imagem | até 10 de janeiro de 2027

 

Terça-feira. Jeu de Paume – até às 21h

Em pleno coração de Paris, o Jeu de Paume é um lugar de experimentação por excelência no que à imagem diz respeito. Da fotografia histórica ao cinema experimental e criações digitais contemporâneas, todas as faces e facetas da imagem passam por aqui. Até janeiro de 2027, o canadiano Stan Douglas, questiona como nós, humanos, construímos a história, a representamos e transmitimos.

Stan Douglas – Parallax | até 10 de janeiro de 2027

 

Quarta-feira. Museu do Louvre – até às 21h

É o maior e mais visitado museu do mundo! Antigo palácio real que remonta à Idade Média, o Louvre foi transformado ao longo do tempo até se tornar um museu aberto ao público em 1793. Possui um acervo de 500.000 obras, desde a Antiguidade até 1848 e da Europa Ocidental ao Irão, passando pela Grécia, Egito e Médio Oriente. O ideial é comprar bilhetes online com antecedência. Todas as quartas e sextas-feiras, dias em que o horário é alargado, são organizadas mini-visitas de 20 minutos com guias turísticos na exposição permanente e nas exposições atuais.

Zurbarán – 1598-1664 | até  25 de janeiro de 2027

 

Quinta-feira. Maison Européenne de la Photographie (MEP) – até às 22h

Situada numa mansão do século XVIII no coração do Marais, a Maison Européenne de la Photographie (MEP) tem uma coleção de mais de 12.000 obras, uma biblioteca especializada e livraria, e organiza workshops o ano todo. Este outono, a fotografia de moda pela lente do norte-americano Irving Penn, um dos nomes mais influentes da fotografia do século XX e colaborador de longa data – 60 anos! – da revista Vogue.

Penn & Fashion | até 17 de janeiro de 2027

 

Sexta-feira. Bourse de Commerce|Coleção Pinault – até às 21h

Em 2021, o edifício histórico da Bolsa de Paris, no bairro de Les Halles, reabriu as suas portas, transformado pelo renomado arquiteto japonês Tadao Ando para acolher parte da coleção de arte contemporânea do empresário e colecionador francês François Pinault. No bicentenário da invenção da fotografia, a efeméride é aqui assinalada através de 700 fotografias de 70 artistas. E também pela intervenção na Rotonde da artista norte-americana Barbara Kruger.

Remember Me – Obras-Primas da Fotografia da Coleção Pinault | até 18 de janeiro de 2027

 

Sábado. Palais de Tokyo – até às 22h

O Palais de Tokyo, todos os dias abre as suas portas até às 22h00, exceto à terça-feira. A programação de outono j´´a arrancou e dissemina-se, nada mais nada menos, do que por oito exposições, centradas no trabalho de Valérie John, Ali Cherri, Lassana Sarre, Rose Lowder, Sonia Gomes, Paul Kodjo e Céleste Richard-Zimmermann.

 

Extensão do Doclisboa regressa a Macau com mostra de documentários de três continentes

27 October 2026 at 10:49

A extensão do Doclisboa 2025 regressa a Macau entre 05 e 19 de novembro com a apresentação de dez documentários, incluindo obras dos vencedores do festival de curtas local, anunciou hoje o Instituto Português do Oriente (IPOR).

“Ao integrar na programação os filmes apresentados nas competições de 2025 do DocLisboa e do Festival Internacional de Curtas de Macau, o IPOR enriquece a oferta cultural da cidade, cruzando obras marcantes do documentário contemporâneo do Ocidente e do Oriente e reafirmando a identidade cultural de Macau”, lê-se numa mensagem da diretora do IPOR, Patrícia Quaresma, no programa hoje divulgado.

A abertura do festival, em 05 de novembro, vai ser dedicada a três obras distinguidas no Festival Internacional de Curtas de Macau.

“Voo Nupcial”, de Chan Chon Sin, acompanha um “homem de movimentos graciosos” que começou certo dia “a ver as suas órbitas oculares a encherem-se de sombras irregulares que não desapareciam”, lê-se no programa.

Já “O Desenvolvimento de Macau”, de Zhang Linliang, centra-se na experiência pessoal e criação do fotógrafo Chen Xianyao, radicado em Macau. Já em “Na Órbita Sem Ti”, Leong Hou Wang traz ao grande ecrã a vida da “Tia da Banca”, proprietária de uma loja local.

Neste primeiro dia ainda é possível assistir ao documentário “Maneiras”, de António Sanmarful, sobre “a notável história inerente a três edifícios emblemáticos desenhados” em Macau pelo arquiteto José Maneiras (1935-2025).

A programação inclui ainda “Explode São Paulo, Gil”, da realizadora brasileira Maria Clara Escobar, que vai estar em Macau para o festival. Esta produção luso-brasileira conta o percurso de Gil, que sonha ser cantora e se muda para São Paulo, onde trabalha como doméstica.

“Maria Clara propõe fazer um filme sobre ela. Gil torna-se famosa e elas explodem duas cidades e refletem sobre sonhos, trabalho e esquecimento”, refere-se no programa.

“As Estações”, da luso-francesa Maureen Fazendeiro, combina depoimentos de trabalhadores rurais e notas de campo de um casal de arqueólogos, imagens de arquivo amador e desenhos científicos, lendas e poemas e canções para dar forma a “uma viagem pela história real e inventada” do Alentejo “e dos povos que aí viveram”.

“As brigadas revolucionárias na luta contra a ditadura”, de Luiz Gobern Lopes, “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, e “Bulanka”, de Leonor Noivo são as outras obras de cineastas portugueses que constam da programação desta edição da extensão a Macau do Doclisboa 2025.

“Bulanka” acompanha mulheres filipinas que “hoje, enfrentam uma nova forma de colonização, a migração forçada pelo trabalho”, refere-se ainda na apresentação, onde se descreve que milhares de filipinas trabalham como empregadas domésticas e cuidadoras em países estrangeiros, “sustentando economias alheias enquanto deixam as próprias famílias para tras”.

O filme chega agora a Macau, onde vive uma numerosa comunidade migrante originária deste país do Sudeste Asiático.

Ainda parte do festival, está a obra do franco-americano Eugène Green “A Árvore do Conhecimento”, uma fábula sobre Gaspar, um adolescente dos subúrbios de Lisboa que cai nas mãos do Ogre, um homem que fez um pacto com o diabo e usa o rapaz para atrair turistas, transformando-os em animais para depois os abater, numa “crítica nem sempre velada ao modo como a cidade se rendeu ao turismo”, lê-se na apresentação desta obra no portal do Doclisboa.

Um orçamento descafeinado, sem rasgo e pouca ambição

27 October 2026 at 00:09

Foi entregue o segundo Orçamento do Estado desta legislatura. Chegou novamente mais cedo que a data-limite e leve em matérias fiscais, com o Governo a optar a incluir na sua proposta apenas alterações legislativas cirúrgicas, reservando as opções de política fiscal para diplomas avulsos. Opções que não deixam de ter impacto financeiro, como se constata no relatório do OE2027, que já trazia uma mochila às costas do ano passado com um peso de 4,8 mil milhões de euros de políticas já aprovadas e da evolução estrutural da despesa e da receita. Um impacto que teve de acomodar antes de introduzir novas medidas.

A pressão está sobretudo nas pensões, salários da Administração Pública e também nos juros, com a crise energética a passar fatura à dívida pública portuguesa: 1.548 milhões de aumento de custos de financiamento, o maior desde a troika. A fatura da inflação estende-se aos bolsos das famílias e empresas que esperavam neste Orçamento medidas para desapertar o garrote do esforço fiscal e respostas para um crescimento económico robusto e sustentado.

Estamos, pois, perante mais um orçamento, acostumado a apanhar boleia do contexto, mas sem rasgo para o alterar. Uma espécie de OE descafeinado, sem novidades de fundo, nem alterações significativas, como admite o ministro das Finanças que volta a afastar boleias e cavaleiros orçamentais. Quanto mais simples, menos polémico o documento que sinaliza um investimento ambicioso e margem orçamental apertada.

Com o crescimento da despesa a deixar Miranda Sarmento no limiar do cumprimento das regras de Bruxelas, foi entregue uma proposta que não está isenta de fragilidades, com um Governo otimista sobre o crescimento da economia no próximo ano e confiante no controlo das contas públicas. Ao mesmo tempo, consolida a estratégia dos últimos anos. Uma proposta vazia de medidas, sem novos apoios para fazer face ao aumento do custo de vida das famílias de menores rendimentos e mitigar os efeitos da crise energética nas empresas.

Ficam as críticas das empresas de um OE insuficiente e pouco ambicioso perante um ministro das Finanças que acena com o diabo: o país não pode voltar ao défice. Afinal, está em jogo a reputação externa do país das contas certas que, para 2027, se propõe a fixar a dívida pública abaixo dos 85%. Uma redução 4 p.p. mais rápida face ao acordado com Bruxelas, dando um sinal importante para a credibilidade do país que já levou a cinco subidas de rating.

Paralelamente, teme-se, uma vez mais, que o investimento seja parente pobre do orçamento. O Estado ainda pode atingir um saldo equilibrado, mas é necessário perceber se o equilíbrio é conseguido através de uma trajetória sustentável da despesa e da receita ou através da sub execução do investimento.

A “tática” do Governo ao prever um excedente de 0,1% do PIB para 2027 é, pois, “apertar os cordões à bolsa” no debate orçamental. Caberá ao parlamento o ónus de assumir eventuais derrapagens no sagrado equilíbrio das contas públicas. E ao Governo levar a sério os alertas de aumento da despesa pública em três anos de política expansionista.

Diz-nos a lição da cigarra e da formiga que os países devem aproveitar os ciclos económicos mais favoráveis para ganharem músculo financeiro com o objetivo de enfrentar os tempos difíceis que acabam sempre por chegar. Quando chegou ao poder em 2024, o Governo AD herdou um excedente orçamental correspondente a 1,3% do PIB, o maior da história democrática. Um saldo positivo de 3.193,5 milhões de euros que encolheu em três anos entre aumentos salariais ou cortes fiscais. A festa traz sempre o risco de aproximar-se a ressaca.

Condicionado pelas regras europeias da despesa líquida e pelas medidas já decididas no passado, o Governo perde margem orçamental e combustível na expectativa social, política e económica.

Estamos perante um documento já carimbado com a pré-anunciada abstenção socialista. O sinal de José Luis Carneiro poupa-nos tempos instáveis e crises indesejadas perante um Orçamento que o ministro das Finanças classifica de “pragmático”, que muitos dirão de mera circunstância; “equilibrado”, ainda que com poucos sinais para transformar um Estado cada vez mais pesado e mais caro; e de “responsabilidade”, numa proposta descafeinada, suavizada da ambição reclamada pelas empresas e famílias.

A erosão da classe média e o preço da paciência democrática

27 October 2026 at 00:08

Em várias capitais europeias, as ruas voltaram a encher-se de protestos. As imagens que chegam são quase sempre as da violência, carros incendiados, montras partidas, confrontos com a polícia. Essa violência é obra de uma minoria e deve ser condenada sem ambiguidade. Mas confundi-la com o todo é um erro político. Por trás dos protestos estão milhares de pessoas que trabalham, pagam impostos e sentem que o contrato com o Estado deixou de funcionar.

Esse contrato assenta numa troca simples: eu contribuo, e em troca tenho serviços públicos que respondem e uma vida que progride. Para uma parte crescente da classe média, essa troca deixou de ser credível. Em Portugal, a carga fiscal foi de 35,2% do PIB em 2024, segundo o INE, e não é das mais altas da zona euro. Mas o que pesa é o esforço fiscal, isto é, quanto se paga face ao rendimento. Segundo cálculos com dados do Eurostat, esse esforço é 13% superior à média europeia. Com salários baixos, habitação cada vez mais cara e impostos indiretos a representarem mais de metade da receita fiscal, sobra pouco para poupar, investir ou comprar casa.

A isto soma-se a perceção, nem sempre injusta, de que os serviços públicos pioraram, nas urgências, nas escolas, na habitação. A classe média paga mais do que recebe, não tem rendimento para fugir para o privado e não beneficia dos apoios dirigidos aos mais pobres. É quem está no meio que mais sente que o sistema funciona para outros. E esta situação tende a agravar-se, principalmente quando os imigrantes começarem a recorrer aos apoios sociais dos mais vulneráveis. É importante termos consciência que a Democracia está a ser colocada em causa e que não há margem para aumentar mais impostos.

Neste contexto, a imigração tornou-se o ponto de fricção. Portugal tinha 1,58 milhões de estrangeiros residentes no final de 2025, segundo a AIMA, mais de um décimo da população. A economia precisa de trabalhadores, e muitos imigrantes contribuem para a Segurança Social e ocupam funções que ninguém quer. O problema não é a imigração em si, é o ritmo e a falta de planeamento. Quando a entrada é mais rápida do que a capacidade de oferecer casa, saúde, escola e integração, quem já vive no limite sente a pressão primeiro. Dizê-lo não é xenofobia, é exigir regras claras e capacidade de execução, o que serve também os próprios imigrantes.

O risco democrático está no que acontece a seguir. Quando os partidos moderados tratam o descontentamento como extremismo, entregam esse eleitorado a quem promete soluções simples. A resposta tem de ser a oposta: aliviar a tributação do trabalho e da classe média, fazer os serviços públicos funcionarem, desbloquear a oferta de habitação e regular a imigração com critérios transparentes.

Há objeções sérias, e convém não as ignorar. Há quem lembre que a imigração tem sustentado a demografia e as contas da Segurança Social, e quem avise que baixar impostos sem cortar despesa agravaria o défice. Merecem resposta com dados, não com silêncio. A democracia aguenta o conflito de ideias. O que dificilmente aguenta é a sensação, entre os que sustentam o país, de que ninguém os ouve.

Consumidor em 2026: menos influência, mais controlo

27 October 2026 at 00:06

No primeiro semestre de 2026, o valor das compras online processadas pela carteira de comerciantes e analisada pela Eupago cresceu 2,5%, para 165 milhões de euros. Porém, o número de pagamentos subiu apenas cerca de 1%, para 1,7 milhões de operações. Portanto, com a inflação homóloga em 3,2% em junho, grande parte desse aumento de valor é de preço, não de volume.

O CEO da fintech Eupago, Telmo Santos, referiu que os portugueses estão a gastar um pouco mais em cada compra, sem que isso queira dizer que estão a comprar mais. Estes dados não anunciam o fim do e-commerce, mas confirmam algo mais importante: o consumidor está a mudar de critério. Três tendências interligadas contribuem, à sua escala, para explicar porquê, e cada uma tem exemplos concretos.

A primeira é o cansaço da influência. O movimento de “deinfluencing” (criadores que dizem aos seguidores o que NÃO comprar) deixou de ser um fenómeno marginal para se tornar um formato com peso próprio. O caso mais visível é o de Nara Smith, com 4,9 milhões de seguidores no Instagram, que se tornou conhecida por vídeos em que prepara tudo de raiz, vestida como uma “tradwife” perfeita. Em julho de 2026, num podcast, apareceu de jeans e desmontou, ponto por ponto, a etiqueta que a tinha tornado famosa, explicando que divide a criação dos filhos a meio com o marido e que a limpeza da casa é inteiramente responsabilidade dele… O gesto é simbólico: a própria pessoa que encarnou uma estética de consumo aspiracional veio dizer que tudo aquilo era uma construção.

Mas o “deinfluencing” já começou em 2023 com vários casos conhecidos de influenciadores que passaram a “influhaters”. Três anos depois, não restam dúvidas: há um certo cansaço do consumidor aos influencers. E isso retira poder a todo o ecossistema de recomendação que alimenta o comércio online, devolvendo-o ao consumidor que deseja recuperar o direito a decidir o quê, como, onde e quando consumir.

A segunda tendência que também ajuda a compreender o desacelerar das vendas online é a chamada “pequena recompensa”. Se o “deinfluencing” ensina a não comprar o supérfluo caro, o “treatonomics” explica o que o consumidor continua disposto a comprar, nomeadamente produtos e serviços de “pequenos prazeres”. O conceito descreve a tendência para gastar em recompensas acessíveis quando os grandes objetivos financeiros parecem distantes. Um inquérito da SurveyMonkey de 6/3/2026 mostrou que 62% dos americanos se permitem pequenos prazeres pelo menos uma vez por mês, e 52% desses limitam o gasto a cerca de 20 euros por compra.

Em Portugal a tendência também se faz sentir, em todas as gerações e classes sociais, e é marcante. De facto, quando o futuro é incerto, o consumidor corta no que é grande e arriscado, mas reserva espaço para uma refeoção especial, um caderno bonito ou um pequeno momento que consiga justificar – sem culpa. São então pequenos prazers que nos arrogamos o direito de nos oferecer, sem culpas ou arrependimentos, porque, acima de tudo, não são dispendiosos e nos fazem sentir bem.

A terceira tendência aponta no sentido do comércio físico. É verdade que o  comércio eletrónico em Portugal continua a crescer, mas já não ao ritmo acelerado dos anos da pandemia. Entrámos numa fase de consolidação: o consumidor está mais experiente, as exigências em matéria de entregas são maiores e, ainda que a base de compradores online continue a aumentar, isso acontece de forma mais lenta. Parece que há um novo ímpeto para comprar produtos que se escolhem nas prateleiras, se experimentam antes da compra e que se recebem logo após o pagamento. As razões combinam-se: fadiga digital, desejo de ver e tocar antes de comprar, e uma busca deliberada por experiências que não passem por um ecrã. O offline tornou-se, para muitos, um símbolo de controlo sobre o próprio tempo e atenção.

A este panorama junta-se um fator decisivo que muitas análises de tendências deixam de fora: a regulação europeia. Desde 1 de julho de 2026, a UE eliminou a isenção de direitos aduaneiros para encomendas de valor inferior a 150 euros e introduziu um direito aduaneiro fixo de 3 euros por artigo em remessas de países terceiros.

Para um consumidor que comprava um acessório de cinco euros, o acréscimo pode representar mais de metade do preço final. A Comissão Europeia justifica a medida com o volume: 4,6 mil milhões de encomendas de baixo valor entraram na UE em 2024, 91% vindas da China. O impacto não é apenas económico, é psicológico: a lógica do “clique fácil” perdeu parte do encanto quando cada clique tem um custo visível. Ao mesmo tempo, a UE reforçou as exigências de segurança e rastreabilidade dos produtos, o que aumenta as barreiras para os vendedores de baixo custo e reduz a oferta que alimentava este tipo de consumo impulsivo.

O que une estas dinâmicas é uma mesma aspiração: recuperar o controlo. O consumidor de 2026 não quer ser influenciado por quem só quer vender; quer pequenas recompensas que consiga justificar; quer tocar no produto antes de o comprar; e, quando compra online, quer que o preço final seja previsível e justo e a entrega segura e atempada. As marcas que insistirem em estratégias de pressão digital, promoções agressivas de baixo valor e parcerias com influenciadores pouco credíveis vão encontrar um público cada vez mais ausente. O recuo do online não significa o fim do comércio eletrónico. Significa o fim da sua fase de crescimento fácil. O consumidor continua a comprar, mas escolhe melhor onde, como e porquê. E, cada vez mais, escolhe também longe do ecrã e mais centrado em si mesmo.

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