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Lucro da Jerónimo Martins cai 14,5% até setembro para 414 milhões

28 October 2026 at 18:01

O lucro da Jerónimo Martins caiu 14,5% nos primeiros nove meses, face a igual período de 2025, para 414 milhões de euros, divulgou, esta quarta-feira, 28 de outubro, a dona da cadeia de supermercados Pingo Doce.

Em igual período, as vendas cresceram 4,8% para 27.815 milhões de euros, adianta o grupo em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) cresceu 7,6% para 1.950 milhões de euros.

De acordo com a empresa, a incerteza geopolítica marcou os primeiros nove meses do ano, período em que a desinflação afetou o retalho alimentar “pelo foco mais forte dos consumidores em preços baixos e promoções,  pela grande intensidade concorrencial, e pelo aumento dos custos relacionados com os combustíveis”. Contudo, o negócio da Jerónimo Martins na Polónia, através da Biedronka, passou a deflação, “num crescimento expressivo dos volumes que mitigou os impactos
da forte deflação registada no cabaz, apresentando um sólido desempenho de vendas e margem”.

Na Polónia, as vendas da cadeia de supermercados Biedronça cresceram 0,7% para 18,9 mil milhões de euros (+1,3% em moeda local) e o LFL [‘Like-For-Like’, ou seja, vendas em lojas que operaram sob as mesmas condições no período em análise] “foi de -0,4%, incluindo, por um lado, um significativo crescimento de cerca 5% dos volumes e, por outro lado, um forte nível de deflação no cabaz”. O EBITDA aumentou 4,2% (+5,0% em moeda local).No período, a Biedronka “inaugurou 54 novas lojas (25 adições líquidas) e um novo centro de distribuição, tendo remodelado 155 localizações”.

Também na Polónia, a cadeia de saúde e bem-estar Hebe “operou num enquadramento de renovada pressão competitiva em preço, que acentuou a deflação no cabaz”, refere o grupo. As vendas em moeda local “registaram um crescimento de 4,7%, com o LFL a situar-se em 1,7%” e, “em euros, as vendas totalizaram 469 milhões, correspondendo a um aumento de 4,0%” face a igual período do ano passado. O EBITDA foi de 46 milhões de euros, 22,3% (+23,1% em moeda local) acima do ano anterior. Entre janeiro e setembro, a Hebe abriu 25 lojas no mercado polaco, encerrando o período com um total de 419 localizações.

De acordo com Pedro Soares dos Santos, presidente e administrador-delegado da Jerónimo Martins, os primeiros nove meses do ano foram “particularmente marcado pela pressão sobre os preços alimentares na Polónia e pela  acentuada procura das famílias por preços baixos e promoções”.

O responsável indica que a época de Natal e Ano Novo é importante para finalizar o exercício em 2026, indicando que “o ambiente competitivo se mantenha muito exigente e não se espere o alívio da pressão dos custos com combustíveis sobre os negócios e sobre os rendimentos das famílias”.

Vendas do Pingo Doce aumentam 4,1% nos primeiros nove meses do ano

Em Portugal, a inflação alimentar situou-se em 3,1% nos primeiros nove meses do ano (2,3% no terceiro trimestre de 2026) baixos e campanhas promocionais. As vendas do Pingo Doce aumentaram 4,1% para 4,1 mil milhões de euros, com um Like for Like [vendas comparadas entre dois períodos]  de 2,4% (excluindo  combustível).  No que respeita ao terceiro trimestre do ano, as vendas cresceram 2,0%, para 1,4 mil milhões de euros, com um desempenho Like for Like  estável (excluindo combustível).  Nos primeiros nove meses do ano, o Pingo Doce abriu duas novas lojas e remodelou 25.

O grossista Recheio viu as vendas a subirem 1,5%, para 1,1 mil milhões de euros, com o LFL a fixar-se em 0,2%. O EBITDA da Distribuição Portugal ascendeu a 306 milhões de euros, 6,4% acima de igual período de 2025.

Já na Colômbia, na cadeia de supermercados Ara, as vendas aumentaram 20,6% em moeda local, “impulsionadas por um LFL de 8,2%”. Em euros, “atingiram 3,2 mil milhões no período, correspondendo a um crescimento de 37,9%” homólogo. Entre janeiro e setembro, a Ara abriu 85 novas lojas, que se traduzem em 68 adições líquidas, tendo inaugurado ainda um novo centro de distribuição.

 

Seguro recebeu especialistas na área da habitação

28 October 2026 at 15:28

O Presidente da República, António José Seguro, reuniu-se esta quarta-feira, 28 de outubro, no Palácio de Belém, com um conjunto de entidades e especialistas ligados ao setor da habitação.

De acordo com informação no site da presidência, o encontro reuniu académicos, associações de inquilinos e de proprietários, representantes do setor da construção civil e obras públicas, promotores e investidores imobiliários, bem como ordens profissionais da área, associações de habitação pública e representantes do poder local.

António José Seguro já tinha anunciado este encontro com especialistas para debater o problema da habitação em Portugal: “convidei os partidos para uma reunião para a próxima quinta-feira, convoquei o Conselho de Estado, e na amanhã mesmo (28 de outubro), irei reunir com especialistas em habitação”.

Governo prepara código de licenciamento e vai promover formação em IA

28 October 2026 at 13:53

O ministro da Economia disse esta quarta-feira, 28 de outubro, que o Governo está a preparar um código de licenciamento empresarial, tendo também em vista promover formações em inteligência artificial (IA) e construir sete novas áreas de acolhimento empresarial.

Numa intervenção no debate na generalidade sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), Manuel Castro Almeida disse que o Governo está a “preparar um código de licenciamento empresarial que vai revogar 37 regimes de licenciamento diferentes e consagrar num único código três regimes de licenciamento” para facilitar a instalação e o funcionamento das empresas.

Além disso, o executivo também vai promover ações de formação em IA para cerca de 100 mil trabalhadores, como uma “forma de mudar ativamente o processo e a competitividade” das empresas.

O ministro da Economia disse também que vão construir sete novas, grandes e médias áreas de acolhimento empresarial para facilitar a construção e a ampliação de fábricas.

“É preferível ter zonas industriais preparadas à espera do investidor do que o investidor querer instalar a sua fábrica e não ter onde ir”, explicou o governante.

Castro Almeida destacou ainda a intenção de acelerar o regime dos seguros de crédito à exportação e a criação de um “fundo de fundos” para ajudar ao regime de fusões e aquisições das empresas para as tornar maiores.

O ministro também disse que se Portugal mantiver o ritmo de crescimento da economia, poderá atingir 100% da média europeia em PIB per capita em 2043, estabelecendo também a produtividade e as exportações como prioridade.

Manuel Castro Almeida recordou que no primeiro semestre deste ano Portugal cresceu 1,2 pontos percentuais acima da média da União Europeia (UE).

“Se Portugal mantiver este rumo e este ritmo, em 2043, nos 900 anos do nascimento de Portugal, teremos atingido 100% da média europeia em PIB per capita”, disse, apontando que é um “objetivo ambicioso”.

O ministro sinalizou ainda que a produtividade e as exportações são as “prioridades chave” da política económica do Governo, defendendo que será desta forma que será possível “melhorar os rendimentos dos portugueses, em todo o território nacional”.

Durante o debate, o governante também sinalizou que, relativamente aos incêndios de 2024, 100% dos pedidos estão concluídos, enquanto dos incêndios de 2025 cerca de 99,9% estão resolvidos.

85% dos trabalhadores em Portugal estão a cortar nas idas a restaurantes

28 October 2026 at 13:00

O aumento do custo de vida está a ter um impacto direto nos hábitos diários da população  em Portugal. Segundo o Barómetro FOOD 2026, elaborado pelo Grupo Edenred, 85% dos trabalhadores em Portugal reduziram as idas a restaurantes no último ano. Para 57% dos inquiridos, o corte nas refeições fora de casa foi significativo, enquanto 28% reportam uma redução ligeira.

De acordo com dados a que o Jornal Económico teve acesso, a contenção de custos surge num momento de forte pressão sobre o rendimento disponível: 42% dos portugueses destinam atualmente mais de 30% do seu orçamento mensal apenas à alimentação.

Qualidade-Preço dominam escolha da restauração

Ainda segundo o mesmo barómentro, e no contexto de contenção orçamental, o fator económico está a tornar-se determinante na hora de escolher onde almoçar no dia de trabalho. “A relação qualidade-preço é o critério mais decisivo para 85% dos inquiridos, seguida de perto pelo preço absoluto da refeição (81%) e pela proximidade geográfica (72%)”, indica o estudo.

Apesar das limitações financeiras, os trabalhadores demonstram uma preocupação crescente com a saúde: 90% afirmam prestrar cada vez mais atenção a uma alimentação equilibrada, e 97% apontam a saúde como a principal motivação para escolhas mais saudáveis.

No entanto, a procura por refeições mais saudáveis coloca um desafio operacional e financeiro à restauração, revela o estudo:  “embora 65% dos restaurantes refiram que os clientes valorizam a oferta de pratos equilibrados, 54% dos empresários do setor consideram que preparar refeições saudáveis é mais caro”.

Segundo Filipa Martins, CEO da Edenred Portugal, “numa altura em que os trabalhadores estão a gerir o orçamento com maior cuidado, os resultados do Barómetro FOOD 2026 evidenciam a importância de apoiar o poder de compra alimentar e de dinamizar a restauração”.

O estudo da Edenred runiu mais de 2.800 respostas de trabalhadores e proprietários de restaurantes, e contou com com o apoio da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP).

Combate ao Desperdício têm importância para clientes

A par da vertente financeira, o barómetro indica que a responsabilidade ambiental solidificou-se no setor alimentar com 98% dos trabalhadores declaram-se preocupados com o desperdício alimentar, e 80%  a indicar que gostariam de saber quais os restaurantes que adotam medidas concretas de combate ao desperdício.

Entre as práticas mais valorizadas pelos clientes estão a disponibilização de embalagens para levar sobras (doggy bags) (73%), a oferta de doses de variados tamanhos (45%) e a reutilização de ingredientes (40%). Do lado dos estabelecimentos, a adesão a medidas contra o desperdício cresceu significativamente: 98% dos restaurantes inquiridos em Portugal afirmam ter implementado iniciativas antidesperdício (comparado com 89% em 2025), com destaque para a entrega de embalagens para sobras (61%) e a reutilização de ingredientes na confeção de receitas (59%)

 

Números do Barómetro FOOD 2026

85% dos trabalhadores reduziram as idas a restaurantes no último ano devido à inflação.

42% alocam mais de 30% do rendimento mensal a despesas de alimentação.

72% dos colaboradores referem que o cartão refeição amplia a sua margem de orçamento alimentar.

98% dos estabelecimentos de restauração aplicam medidas para combater o desperdício alimenta

Governo quer pôr licenciados a dar aulas no 1.º ciclo sem mestrado nem estágio

27 October 2026 at 14:17

O Governo quer permitir que licenciados em Educação Básica possam dar aulas ao 1.º ciclo antes de concluírem o mestrado ou a profissionalização em serviço, para resolver o problema dos alunos sem professores, revelaram os sindicatos.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação (MECI), Fernando Alexandre, apresentou esta terça-feira, 27 de outubro, aos sindicatos de professores “uma proposta de alteração da legislação para permitir que os detentores de licenciatura em Educação Básica possam lecionar no 1.º ciclo”, contou à “Lusa”, Manuel Teodósio, da Federação Nacional da Educação (FNE).

A proposta “não agradou muito” aos sindicatos, mas “ninguém se opôs”, acrescentou Manuel Teodósio, explicando que a medida pretende responder à falta de professores de 1.º ciclo que tem deixado muitos alunos sem aulas, em especial na zona de Lisboa.

“Nenhuma estrutura sindical se opôs ao documento, porque estamos entre a espada e a parede: entre alunos sem aulas de todo ou alunos a terem aulas com profissionais que querem ser professores, mas ainda não concluíram a formação pedagógica, optamos pelo mal menor”, explicou.

“Entre a espada e a parede” foi a expressão usada também pelo Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE).

Ensinar crianças a ler, escrever e contar “exige metodologias muito específicas”, mas “neste momento, não há alternativa”, sublinhou Rosa Maria Sá, do SIPE, no final da reunião que decorreu hoje no ministério.

A responsável do SIPE lembrou que ainda existem professores de 1.º ciclo na lista de recrutamento, mas vivem muito longe das escolas onde são procurados: “Os incentivos para virem trabalhar para regiões onde o nível de vida é muito caro limitam imenso a aceitação dessas escolas”.

O MECI garantiu que esta alteração legislativa, que permitirá aos licenciados dar aulas antes de terem o mestrado e de fazerem o estágio, é uma “medida transitória”, até as escolas formarem os professores necessários.

Manuel Teodósio acrescentou que a tutela se comprometeu a deixar escrito no diploma que será exigido a estes professores fazer a formação pedagógica: “O ministério comprometeu-se a ministrar o mais rapidamente possível as pedagógicas a estes profissionais para obterem a profissionalização”.

A falta de professores nos restantes níveis de ensino levou a tutela a rever os requisitos de formação para permitir que pessoas com formação académica numa área distinta possam dar aulas, como por exemplo um engenheiro dar aulas de Matemática.

Sobre as mudanças agora anunciadas para o 1.º ciclo, a FNE diz ter recebido apenas na segunda-feira a proposta de alteração legislativa e por isso tem agora até sexta-feira para fazer chegar à tutela a sua posição final sobre as mudanças.

O plano do ministério é fazer com que o diploma entre “em vigor o mais rapidamente possível para resolver o problema de alunos sem professores”, disse Manuel Teodósio.

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