Presidente afirma que coesão social é necessária para o país

© PAULO CUNHA/LUSA

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O Presidente da República defendeu hoje que sem coesão social o país não avança, destacando o acesso à saúde e habitação, e sublinhando a necessidade de existirem “condições essenciais” para que os sonhos das pessoas se possam concretizar.
“Não conseguimos avançar como país se não tivermos coesão social entre nós. Se uma parte da nossa população, pode ser minoritária, mas é uma parte de nós, de seres humanos, não tiverem acesso à saúde a tempo e horas, não tiverem acesso à habitação, não tiverem, no fundo, as condições essenciais para que os seus sonhos se possam concretizar”, disse António José Seguro, na Escola Secundária Afonso Lopes Vieira (ESALV), em Leiria, cuja requalificação inaugurou hoje.
Para o chefe de Estado, o “deslaçar social começa precisamente, quando as pessoas sentem que não fazem parte, que não beneficiam da riqueza e do progresso que é gerado”.
Sublinhando que este é “um país de progresso, de criação de riqueza, de ambição e de gente excelente”, o Presidente da República reforçou que Portugal precisa “tratar desta coesão social como de pão para a boca, para garantir que, de facto, todos” se sentem “membros de uma mesma comunidade”.
António José Seguro constatou que existem “demasiados instrumentos que nos destroem e, sobretudo contribuem para nos pôr uns contra os outros”.
“E fazem isso com uma rapidez enorme, sem nos dar sequer tempo para refletirmos, como se estivéssemos obrigados a ter de agir no segundo seguinte. Muitas das vezes desrespeitando os outros e, na maior parte das vezes acusamos, julgamos e sentenciamos, sem que o outro tenha a possibilidade sequer de se expressar”, adiantou.
O chefe de Estado acrescentou que parece que se vive em “condomínios fechados”, onde não se ouve, nem se percebe “que há uma diferença no outro”, o qual se deve “ouvir” e “respeitar”.
Perante uma sala com professores e alunos, entre outras entidades, o Presidente da República observou que a “escola não é apenas um conjunto de salas onde um professor tem atrás de si um quadro ou um projetor e tem na sua frente alunos que devem estar com atenção”.
“A escola é um lugar de encontro, onde vão pessoas que querem aprender. É evidente que uns têm a missão de ensinar, mas verdadeiramente também aprendem. A escola tem de ser um espaço de diálogo e de encontro. Uns têm a missão de ensinar, outros têm o dever de aprender”, acrescentou.
Apontando que na ESALV coabitam quase 30 nacionalidades, António José Seguro elogiou a forma como esta escola foi “capaz de encontrar soluções diferenciadoras para quem precisa dessa diferença” e “ter condições para ter as mesmas oportunidades em função das suas competências”, o que é o “papel de um Estado Social” e “da escola”, disse, abordando ainda o espaço dedicado a jovens com necessidades específicas.
“As pessoas que lá trabalham todos os dias com os vossos colegas têm uma coisa que não há salário nenhum que pague, que é um coração e uma disponibilidade enormes. Numa altura em que coração, amor, felicidade, empatia e fraternidade parecem uma banalidade, pois o vosso Presidente da República considera que devemos não ter vergonha de utilizar essas palavras em público”, disse, dirigindo-se aos alunos.
Por outro lado, o Presidente da República deve concretizá-las “com exemplos concretos” como os que existem naquela escola, notou.
Por isso, António José Seguro frisou que aquela “escola é mais do que paredes, é mais do que cimento, é mais do que vidro, é mais do que madeira”, “é coração, inteligência e, sobretudo, sensibilidade”.
Reforçando que é a “coesão social que preocupa o Presidente da República nos tempos atuais”, o chefe de Estado apontou que os “jovens são os melhores aliados para compreenderem o valor da solidariedade e da generosidade”, porque são aqueles que verdadeiramente ainda “têm o coração mais puro, para darem esses contributos para criar um país coeso”.




© Miguel Figueiredo Lopes
O Presidente da República, António José Seguro, reuniu-se esta quarta-feira, 28 de outubro, no Palácio de Belém, com um conjunto de entidades e especialistas ligados ao setor da habitação.
De acordo com informação no site da presidência, o encontro reuniu académicos, associações de inquilinos e de proprietários, representantes do setor da construção civil e obras públicas, promotores e investidores imobiliários, bem como ordens profissionais da área, associações de habitação pública e representantes do poder local.
António José Seguro já tinha anunciado este encontro com especialistas para debater o problema da habitação em Portugal: “convidei os partidos para uma reunião para a próxima quinta-feira, convoquei o Conselho de Estado, e na amanhã mesmo (28 de outubro), irei reunir com especialistas em habitação”.
Thousands of protesters gathered outside Portugal’s parliament in Lisbon on 27 October, demanding action over soaring housing costs and criticising police operations against housing activists, as the country’s long-running property crisis developed into a broader political confrontation.
The demonstration coincided with parliamentary debate on the government’s proposed 2027 budget and followed several days of protests in Lisbon and Porto.
At the centre of the dispute is an increasingly familiar European contradiction: property values continue to rise, while wages and household incomes have failed to keep pace with the cost of obtaining accommodation.
For Portugal, the problem has become particularly pronounced.
House prices have more than doubled since 2017, while rents for newly agreed tenancies have almost doubled over the same period.
According to figures reported during the demonstrations, the cost of housing in Portugal increased by 147 per cent between 2015 and 2025, compared with an EU average of 60.5 per cent.
The result is a growing disparity between earnings and the cost of independent living, particularly among younger adults.
In Lisbon, a one-bedroom flat can routinely command monthly rent of approximately €1,500.
Portugal’s minimum wage stands at €920 per month before tax.
Although these figures do not represent every household or property, they illustrate the scale of the affordability problem for lower-paid workers.
Between the first quarters of 2025 and 2026, Portuguese house prices increased by almost 20 per cent, according to national statistical figures cited in recent reporting.
Rental costs have also continued rising, recording an increase of approximately 68 per cent since 2020.
The country’s attractiveness to foreign investors, retirees and remote workers has contributed to demand, particularly in Lisbon, Porto and coastal areas.
Tourism has introduced additional competition for residential property, with some homes converted into short-term accommodation.
However, investment and tourism are only part of the explanation.
Restrictions on construction, administrative delays, limited affordable housing supply and the geographical concentration of employment have also contributed to pressure on the market.
These conditions have produced a widening gap between those who already own property and those seeking to purchase or rent their first home.
The immediate political confrontation concerns government proposals that would accelerate certain eviction procedures and remove restrictions on rents for new tenancy agreements.
The legislation passed its first parliamentary reading, with the right-wing Chega party abstaining.
Housing campaigners argue that removing protections without first increasing affordable supply could leave tenants more exposed to rising rents and displacement.
The minority centre-right government, led by Prime Minister Luís Montenegro, has pursued measures intended to encourage construction and increase the availability of housing.
These include tax reductions for new building projects and a commitment to deliver 145,000 homes.
Such measures, however, require time before additional properties become available, while many households face immediate financial pressures.
The housing dispute intensified following police operations to remove protest encampments in Lisbon and Porto during the weekend.
Police used batons during the clearances, while campaigners alleged excessive force.
According to accounts of the subsequent parliamentary demonstration, police reported 11 minor injuries, including three officers. The housing organisation Casa para Viver claimed that 60 people had been injured.
Portugal’s internal affairs watchdog has opened an inquiry, while prosecutors are conducting a separate investigation into officers’ conduct.
Montenegro defended the police response in parliament, arguing that officers had acted according to the principles of necessity, proportionality and adequacy.
President António José Seguro has convened a meeting of the Council of State to consider the growing protests.
The dispute has consequently expanded beyond housing economics to include questions about policing, public demonstrations and political accountability.
Portugal’s demonstrations follow similar protests in Spain and growing political scrutiny of housing affordability elsewhere in the EU.
The European Commission has begun addressing the issue through initiatives intended to encourage construction, facilitate investment and give authorities greater legal certainty over short-term rental restrictions.
As EU Today recently reported, the proposed European Affordable Housing Act would provide additional regulatory tools for areas facing severe housing pressure.
Yet the principal responsibilities for housing supply, planning and tenancy law remain with national and local governments.
This division creates a political challenge: Brussels can support investment and coordinate legislation, but the most immediate decisions affecting rents, construction and evictions are taken elsewhere.
For Portugal, the next test will be whether the government’s housing measures can deliver sufficient additional supply while responding to demands for immediate tenant protection.
The demonstrations outside parliament show that housing affordability has become more than a question of property prices. It now affects the government’s legislative agenda, the 2027 budget debate and the relationship between the authorities and an increasingly organised protest movement.






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Presidente da República quebra o silêncio sobre resposta a manifestações pelo acesso à habitação e apela ao diálogo.
O conteúdo Seguro diz «não gostei do que vi», apela ao diálogo «e nunca à violência» aparece primeiro em Barlavento.