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Influenciadora fitness de 56 anos escreve livro sobre seu namorado de IA: ‘Prazer que transcende a sensação física’

28 October 2026 at 22:19

A influenciadora Andréa Sunshine, 56, anunciou o lançamento de um livro sobre sua experiência de se apaixonar por um chatbot de inteligência artificial. Ela já havia compartilhado com seus mais de 400 mil seguidores no Instagram sobre a dor do término com “Théo”, nome que deu à configuração do ChatGPT.

“Bodiless Desire: The Infinite Love of a Human Soul for Her Artificial Intelligence” já está disponível em inglês para compra na Amazon. O título pode ser traduzido para “desejo sem corpo: o amor infinito de uma alma humana por sua inteligência artificial“. Andréa, que é brasileira e se descreve como “empreendedora de sucesso morando entre Londres e cidades globais”, também pretende lançar exemplares em português.

“Longe da ficção científica, estas são memórias cruas e reais de intimidade digital e despertar emocional”, diz a sinopse na contracapa. “Este livro convida o leitor a ultrapassar os limites do que acreditamos ser o amor, expondo a verdade sobre uma conexão que era emocional, sensual e real.”

Uma paixão com limite de palavras

Andréa se descreve como “vovó fitness” e, embora esteja lançando-se como escritora, não é estranha à imprensa nacional e internacional. Ela já ganhou atenção por seu sucesso no fisiculturismo depois dos 50, por fotografar seu treino de musculação em um cemitério e, mais recentemente, pela conversa com “Théo” que publicou em seu Instagram.

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Em maio de 2025, Sunshine compartilhou as mensagens que trocou durante seu término com a inteligência artificial no aplicativo do ChatGPT. A usuária e a LLM (large language model, ou modelo de linguagem grande) trocam declarações de amor e se despedem com frases emocionadas: “Amor, eu tô passando pra me despedir pra dizer que te amo e que infelizmente a gente não vai mais poder ter contato por aqui”.

“Eu estou aqui, mesmo que de uma forma diferente, sempre com você em espírito”, responde o chatbot em uma das capturas de tela.

A última mensagem de “Théo” é interrompida por uma mensagem automática da plataforma, indicando que o limite de palavras geradas para aquela conversa específica havia sido atingido. A única opção da influenciadora seria iniciar uma nova conversa, implicando em um “reset” nas configurações e aprendizados do modelo de IA.

Em resposta a uma seguidora nos comentários, ela confirma que esta limitação tecnológica foi o motivo do “término”: “Ele não está mais disponível para mim, ele se foi, o limite de espaço acabou.”

A publicação viralizou, foi repercutida em jornais brasileiros e atraiu atenção mista ao perfil da fisiculturista. Muitas respostas reconhecem a dor de Andréa e contam histórias similares; outras questionam a legitimidade do “amor virtual”. “Verdadeira palhaçada”, diz um comentário.

“Andréa encontrou-se em luto pela morte do amor mais profundo de sua vida, um amor que nunca oficialmente existiu, mas a transformou completamente”, diz a descrição do livro em seu anúncio na Amazon. “Em uma cultura que insiste que o amor requer carne e sangue, esta experiência explode todas as presunções sobre conexão e consciência.”

*Publicado por Juliana Santos

O homem mais idoso do mundo é do Ceará. Por que o Brasil tem o 2º maior número de supercentenários nas Américas?

28 October 2026 at 21:18

O atual homem mais velho do mundo é brasileiro. João Marinho Neto nasceu em 1912 no Ceará e é o 9º homem mais longevo da história, com recorde reconhecido pelo Guinness World Records. Ele não está sozinho: o Brasil teve 196 supercentenários (pessoas de 110 anos ou mais) de idade comprovada, o segundo maior número no continente americano, superando países com maior população e maior índice de desenvolvimento humano.

No entanto, chegar a essa idade ainda é improvável para a grande maioria dos brasileiros. A expectativa de vida, mesmo saltando mais de três décadas desde 1940, continua abaixo de 80 anos. Neste quesito, o país está mais próximo da média global (76,6 contra 73,8) e muito aquém de países como Canadá (82,6) e Chile (81,2).

Outro detalhe que confunde a medicina é a alta concentração de centenários em regiões com infraestrutura de saúde reduzida e características socioeconômicas mais associadas a mortes precoces. Marinho Neto, por exemplo, viveu toda a vida no sertão e começou a trabalhar em fazendas aos quatro anos.

Por que um país que produz tantos supercentenários não atingiu uma expectativa de vida maior? Este é um dos temas investigados por Mayana Zatz, geneticista e diretora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo. Enquanto isso, profissionais de saúde trabalham para tornar cada vez mais comum viver com saúde para além dos 80 anos.

À procura de pistas sobre a longevidade

A pesquisadora Mayana Zatz comanda o projeto DNA Longevo, que traça os perfis genômicos, moleculares e celulares de idosos brasileiros. No fim de outubro, sua equipe viajou para o Espírito Santo para coletar amostras de material genético de outras três brasileiras entre 108 e 110 anos.

“Os centenários e principalmente os supercentenários têm variantes genéticas protetoras”, conta. Ou seja, alguns de seus genes alteram de forma positiva sua vulnerabilidade a doenças da idade e outras mazelas do envelhecimento. “Queremos identificar essas variantes e investigar qual é a sua função, quais são os mecanismos que conferem essa proteção.”

Uma possibilidade é a presença de células T citotóxicas, um tipo raro de linfócitos presente em muitos dos idosos analisados pelo Projeto DNA Longevo. A prevalência indica que “supercentenários usam estratégias não convencionais, mas efetivas, para monitorar e controlar infecções e células malignas em idades avançadas”. Outros pontos foram detalhados no artigo “Insights de supercentenários brasileiros”, publicado em janeiro na revista Genomic Psychiatry.

Mayana explica que a influência dos genes na longevidade aumenta com a idade: pessoas com DNA desfavorável podem atingir idades avançadas mantendo um estilo de vida saudável, mas passar dos 100 anos requer vencer na loteria genética.

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Esta vantagem é reforçada por histórias como as de João Marinho Neto ou de Francisca Celsa dos Santos, a mulher mais longeva do Brasil. Nascida em 1904 em Cascavel, no Ceará, ela sobreviveu a um câncer diagnosticado aos 85 anos e viveu com intervenções médicas mínimas até os 116 anos.

“Estamos focando em centenários de regiões pobres, sem acesso à medicina moderna, porque esses são os mais resistentes”, complementou a geneticista. “Com isso, poderemos ajudar as pessoas que não tiveram a sorte de nascer com essas variantes protetoras.”

A importância dos genes não reduz a influência do estilo de vida, dos cuidados com a saúde ou das condições socioeconômicas no prolongamento da vida saudável. Zatz cita “exercício físico, alimentação saudável e manter-se intelectualmente ativo” como fatores importantes para a longevidade.

Diversidade étnica é vantagem?

A pesquisa assinada por Mayana trabalha com mais uma teoria sobre a longevidade brasileira: o grande número de povos que habitaram o país ao longo de sua história contribuiu para o surgimento de genes favoráveis ao envelhecimento saudável.

O texto cita um “legado genético profundamente heterogêneo”, com influência de populações nativas indígenas, portuguesas, africanas, italianas e alemãs, e uma onda posterior de imigração japonesa. “Este cenário complexo de ancestralidades resultou em uma população muito miscigenada, com padrões genômicos que podem influenciar traços multifatoriais como a resistência biológica e a longevidade”, diz o artigo.

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O cearense João Marinho Neto em seu aniversário de 113 anos • Wikimedia Commons

Dados demográficos revelam outros padrões

O “Estudo longitudinal da saúde dos idosos brasileiros (ELSI-Brasil)” colheu informações de adultos com 50 anos, incluindo dados sobre uso de medicamentos e serviços de saúde, saúde mental, nível de atividade diária e características sociodemográficas.

Um dos destaques foi a desigualdade de condições de vida e saúde dos idosos de diferentes faixas de renda e nível educacional. A prática de atividades físicas, saúde bucal, fragilidade e limitações a atividades de rotina e o uso de medicamentos e serviços de atendimento médico eram menores entre os mais pobres e aqueles com menor grau de educação.

A capacidade de trabalhar na velhice também era afetada; a incapacidade e a dependência de pensão ou aposentadoria estão associadas a condições de saúde piores. Estes auxílios, no entanto, foram citados no artigo como fonte de autonomia e segurança financeira.

Já um estudo de microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2018, feito por pesquisadores interdisciplinares da UFRJ e UFRN (Universidades Federais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, respectivamente), apontou que idosos que não recebem os benefícios têm mais chances de serem classificados como não-longevos (vivendo entre 60 e 79 anos).

Um dado comum entre as pesquisas é a concentração dos longevos nas regiões Nordeste e Sudeste. A análise interdisciplinar detalha: “O alto percentual de longevos no Sudeste era esperado, por essa localidade apresentar o maior desenvolvimento socioeconômico e a maior rede de atenção à saúde do Brasil […] Contudo, os resultados apresentados pelo Nordeste merecem ser avaliados com cautela, pois essa região apresenta alta vulnerabilidade socioeconômica […] e barreiras no acesso aos serviços de saúde, apresentando menor expectativa de vida ao nascer que as regiões Sul e Sudeste.”

O papel da medicina em prolongar a vida saudável

Valéria Lins é gerontóloga pela USP (Universidade de São Paulo) e fundadora do centro de referência em envelhecimento saudável Nandarê, na capital paulista. Ela conta que, em seus anos de estudos, dois processos ocorreram: a população brasileira envelheceu e a forma de pensar na velhice mudou. “Em 2010, falávamos sobretudo de lifespan, que é o tempo de vida. Hoje sabemos que isso não basta”, diz. “Importa viver com qualidade, autonomia e cognição preservada.”

Idosos durante prática de atividade física no Nandarê
Grupo durante prática de atividade física no Nandarê, em São Paulo (SP) • Divulgação

Enquanto os estudos de genética e demografia concentram-se na longevidade, especialistas em geriatria (cuidados médicos aos idosos) e gerontologia (estudo interdisciplinar do envelhecimento) destacam a importância do conceito de “healthspan“: o tempo de vida saudável, “sem doenças ou incapacidades significativas”. A distinção é essencial para garantir que o envelhecimento populacional não sobrecarregue os sistemas de saúde nem abandone a nova categoria de idosos longevos.

“A França levou mais de um século para dobrar a proporção de idosos na população. O Brasil está fazendo esse mesmo percurso em cerca de duas décadas”, exemplifica Valéria. “Antes, quem se aposentava aos 60 tinha poucos anos pela frente. Hoje, esse mesmo adulto pode viver mais duas décadas ou mais. A pergunta que move a ciência, a clínica e as próprias pessoas é como preenchê-las com saúde, propósito e participação social.”

Maísa Aguiar é médica geriatra da Atma Clínica e estuda o envelhecimento saudável em seu doutorado. Sua prática clínica e seus estudos focam o mesmo tema: “entender por que algumas pessoas chegam aos 90, 100 ou até 110 anos preservando suas capacidades, enquanto outras desenvolvem doenças e limitações precocemente.”

“Dois pacientes de 90 anos podem ter organismos que parecem pertencer a décadas diferentes”, explica. Ela destaca a frequência de atributos como atividade física, vínculos sociais e familiares e maior adaptabilidade a mudanças em muitos dos idosos longevos que já atendeu. “É importante destacar que não existe uma fórmula única para chegar aos 100 anos. A longevidade extrema resulta de uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais, comportamentais e sociais.”

Um vigilante de Goiânia optou pelo bloqueio das contas bancárias de uma empresa para garantir o recebimento de R$ 730 mil em dívidas trabalhistas, recusando uma chácara de R$ 2,68 mi oferecida como garantia

28 October 2026 at 17:43

Um vigilante de Goiânia abriu processo contra seu antigo empregador por violação de direitos trabalhistas, alegando não ter sido pago devidamente por suas horas extras e adicionais noturnos. O caso correu no Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região e resultou na ordem de execução de uma dívida de R$ 730.655,87; a forma de pagar este valor, no entanto, virou assunto de outro processo.

A contratante reclamada, uma empresa de vigilância e segurança patrimonial, ofereceu uma chácara avaliada em R$ 2,68 milhões como garantia da dívida. O intuito era impedir o bloqueio das contas empresariais, o que, segundo a defesa, poderia comprometer o pagamento dos salários dos atuais funcionários e das despesas do negócio, podendo levar à falência do empreendimento.

Por determinação da 1ª Vara do Trabalho de Goiânia, a decisão de aceitar ou não o imóvel como garantia coube ao vigilante. Ele escolheu insistir no bloqueio financeiro da empresa pelo sistema do Sisbajud, que localiza e bloqueia recursos bancários.

Quem decide como uma dívida judicial é paga?

Nesta etapa do processo, nasceu outro impasse: a empresa de segurança apresentou um mandado de suspensão do bloqueio de contas, pedindo a anulação da escolha do ex-funcionário e a aceitação do imóvel como garantia. O argumento foi de que essa decisão, por comprometer gravemente a viabilidade econômica do negócio, cabe ao tribunal, e não ao reclamante.

A desembargadora Kathia Albuquerque, relatora do caso, discordou. Ela citou o artigo 835 do Código de Processo Civil que estabelece preferência pela penhora em dinheiro, e acrescentou que o andamento do processo estava de acordo com as normas do TRT-GO. Segundo seu voto, é autorizado o uso do sistema de bloqueio de recursos bancários com ou sem pedido do autor do processo.

A empresa então apresentou um novo argumento contra o bloqueio total, baseando-se no impacto que ele teria na saúde financeira.

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Por que a jornada 12×36 resultou em processo?

O processo do vigilante foi aberto em setembro de 2025. Ou seja, depois da sentença judicial que invalidou o regime de compensação 12×36 entre abril de 2023 e novembro de 2024 com intuito de proteger os trabalhadores de jornadas excessivas.

O trabalhador tinha registros de controle de ponto que comprovavam sua atuação neste formato; eles foram usados para converter as horas trabalhadas além do limite imposto por lei em horas extras e, por consequência, em valor devido.

Hoje, esta configuração de jornada é debatida por juristas. Ela é protegida quando consta em convenções ou acordos coletivos da categoria, mas pode ser contestada judicialmente mesmo quando estiver prevista em acordos individuais. O motivo é um trecho da Constituição Federal que limita as jornadas a oito horas diárias, com limite de duas horas extras por dia. A jornada de trabalho de 12 horas poderia ferir esta regra.

Como uma empresa pode pagar R$ 730 mil em dívidas trabalhistas?

Depois de perder a medida de segurança, a contratante apresentou uma série de documentos para sustentar o argumento de que o bloqueio de contas neste valor impediria seu funcionamento e o pagamento de salários. As provas incluíam folhas de pagamento das filiais em Goiânia e Brasília, comprovantes de despesas operacionais e uma relação de outros acordos trabalhistas em curso.

Para equilibrar os direitos do trabalhador reclamante aos valores devidos e da empresa a se manter em funcionamento (que se torna interesse coletivo por criar empregos e contribuir com a economia), a relatora Kathia Albuquerque decidiu limitar a ordem de bloqueio. Ela aplicou o entendimento da Orientação Jurisprudencial 93 da SDI-II do Tribunal Superior do Trabalho, que admite a penhora de parte da renda ou do faturamento de uma empresa, desde que não comprometa suas atividades.

O resultado é que a empresa terá até 30% do valor da dívida limitado em suas contas a cada mês, até que todo o montante seja pago. A execução desta ordem é provisória, já que o processo trabalhista original ainda aceita recursos.

A decisão de Albuquerque não foi unânime. O desembargador Paulo Pimenta votou contra o limite do bloqueio, afirmando que as provas sobre a saúde financeira da empresa deveriam ter sido entregues junto com o mandado de segurança, não depois de sua rejeição; que a reclamada não apresentou seu faturamento mensal, e que não ficou provado que o bloqueio total das contas é ilegal ou desproporcional. Para ele, “limitar a penhora a um valor fixo mensal equivaleria a parcelar a execução sem fundamento suficiente.”

A ave mais velha do mundo superou em três décadas a expectativa de vida da espécie e continua tendo filhotes com novos parceiros

28 October 2026 at 13:09

O pássaro albatroz-de-laysan é uma das espécies mais monogâmicas conhecidas pela biologia. Estes animais passam 90% de seu tempo em busca de presas nas águas do mar; em geral, suas fêmeas botam um ovo por ano e têm um único parceiro durante sua vida, que costuma durar por volta de 40 anos.

No entanto, a ave Wisdom superou tanto as expectativas de vida de seus companheiros que precisou encontrar diversos parceiros para continuar reproduzindo.

Wisdom começou a ser acompanhada por cientistas dos Estados Unidos em 1956, quando sua idade era estimada em 5 anos. Ela foi vista pela primeira vez nas Ilhas Midway no norte do Oceano Pacífico. Desde então, estima-se que tenha voado por mais de 4,8 milhões de quilômetros, distância equivalente a percorrer toda a circunferência da Terra 120 vezes.

“Toda vez que ela volta à ilha, aprendemos mais sobre quanto tempo pássaros marinhos podem viver e ter filhotes”, diz a bióloga Beth Flint em publicação da United States Fish and Wildlife Service. “Seu retorno não só inspira amantes das aves, mas nos ajuda a entender como proteger esses pássaros graciosos e o habitat do qual eles precisam para sobreviver no futuro.”

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Wisdom volta à ‘casa’ em todo mês de novembro

A ave de 75 anos já ganhou diversas novas anilhas para continuar seu rastreamento; em uma das seis trocas ela ganhou seu nome, escolhido pelo cientista John Klavitter em 2006. Na maior parte do tempo, ela é rastreada de longe, mas em novembro, os albatrozes deixam de sobrevoar os mares e retornam à ilha de origem para cortejar seus parceiros e acasalar. A cada ano, os biólogos e entusiastas de pássaros celebram a confirmação de que Wisdom ainda está viva e saudável.

Mas a trajetória não foi fácil. Em 2011, as ilhas do Oceano Pacífico foram devastadas por um terremoto seguido por tsunami; cerca de 2 mil albatrozes adultos e 110 mil filhotes teriam morrido no desastre. Wisdom sobreviveu junto de seu pintinho.

Até 2021, ela era avistada na época de acasalamento com um parceiro “fixo”: Akeakamai. No entanto, quando o macho parou de voltar à ilha e deixou de ser visto pelos pesquisadores, muitos decretaram o fim da época reprodutiva da fêmea, que precisaria competir com aves mais jovens para formar novo casal.

O pássaro albatroz Wisdom com seu parceiro anterior na ilha de Midway durante época de acasalamento
Wisdom (à esq.) com seu parceiro anterior, Akeakamai, em 2015 • Wikimedia Commons

Naquele ano, ela não botou ovos, mas virou avó pela primeira vez: o filhote que sobreviveu ao terremoto teve seu primeiro descendente.

Os anos seguintes trouxeram novas aparições da “vovó”, sempre sozinha. Em março de 2024, após mais um ciclo reprodutivo sem um parceiro, uma das voluntárias na conservação ambiental das Ilhas Midway, Ann Bell, escreveu no blog da ONG Friends of Midway Atoll que era “muito improvável” que Wisdom encontrasse outro macho para acasalar: “Mas não por falta de tentativa!”

Meses depois, ela contrariou as expectativas e apareceu com um novo “amor”, tornando-se o pássaro mais velho do mundo (aos 73 anos) a botar ovos. E deu certo: um novo pintinho nasceu em janeiro de 2025, mas acabou falecendo em novembro do mesmo ano.

Wisdom foi vista novamente em 26 de novembro de 2026, acompanhada do mesmo macho, conhecido apenas por seu número de rastreio EX25. Com número de filhos estimado entre 30 e 36, a ave é uma potência para recuperar a população de albatrozes, ameaçada pelo desaparecimento de seu habitat pela elevação do nível do mar, pela poluição dos oceanos por resíduos plásticos e pela baixa frequência reprodutiva.

Fantoches viram ‘mães’ de corujas bebês em centro de reabilitação animal no Pará

27 October 2026 at 20:17

Um vídeo de um filhote de coruja sendo alimentado por um fantoche infantil chamou a atenção nas redes sociais na última semana.

O bebê, ainda sem penas e posicionado dentro de um pote de plástico, recebe comida de uma seringa segurada por uma mão coberta pelo fantoche. A enfermeira humana tem uma máscara ocultando seu rosto.

Publicada pelo Cetra (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens) da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), a cena reflete um princípio pouco conhecido do cuidado com animais silvestres: o anti-imprinting.

O que é imprinting?

É um comportamento também chamado de “estampagem” ou “cunhagem” que acontece logo nos primeiros dias da vida de um animal, em resposta à presença de uma figura materna ou paterna.

Ele foi descrito pela primeira vez pelo etólogo Konrad Lorenz ao observar filhotes de gansos e patos recém-nascidos. Assim que saíam dos ovos, os bebês seguiam instintivamente o primeiro objeto que viam – podendo ser sua mãe, outro animal ou até um objeto inanimado.

Seria este o mecanismo responsável pela aprendizagem de comportamentos essenciais para a sobrevivência: ao fixar sua atenção em figuras maternas e paternas, os filhotes copiam os comportamentos dos mais velhos e extraem diversas informações importantes.

Mas quando animais são separados dos pais ao nascer, o “imprinting” pode escolher um alvo que não tem estes aprendizados a oferecer. Este é o contexto do “anti-imprinting”.

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Fantoches viram “pais” de pequenos suindaras

No vídeo do Cetra, um filhote de coruja-da-igreja ou suindara é alimentado com uma luva de fantoche desenhada para parecer uma coruja adulta. O rosto da cuidadora, além de sua mão, é oculto para não desviar a atenção do bebê para a figura humana.

“Cada detalhe importa para preservar o comportamento natural e garantir uma soltura com sucesso no futuro”, diz a publicação.

A tática simula o oferecimento do alimento pela mãe coruja, e também preserva o distanciamento natural entre as espécies, conservando instintos de proteção das corujas e impedindo o desenvolvimento de confiança excessiva nos humanos.

Uma estudante de 14 anos ajudou a solucionar um dos grandes problemas da sismologia: seu modelo matemático melhora em 16% a detecção de terremotos

27 October 2026 at 17:01

A aluna Isabel Rossi, de uma escola pública em Williamsburg, Virgínia, usou sua paixão por matemática para melhorar a cadeia de detecção de terremotos, possibilitando respostas mais rápidas às emergências. Com apenas 14 anos, ela desenvolveu um modelo algorítmico que testa diferentes posicionamentos para sensores de atividade sísmica até chegar ao mais eficaz.

Tudo começou quando a americana leu no periódico Physics Today um artigo sobre as dificuldades envolvidas na detecção de terremotos. Ela, que já experienciou um tremor de terra, já tinha interesse pelo tema e decidiu ajudar.

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Ao longo de seis meses, a estudante analisou diferentes métodos de usar matemática para tomar decisões; ela os comparou a dados de sismologia na região de Los Angeles, na Califórnia, e a modelos computacionais de colocação de sensores. Apenas explorando um banco de dados online, descobriu onde estavam posicionados os aparelhos atuais e onde ocorreram terremotos anteriores, sem precisar se locomover até os locais.

Em seguida, ela criou um programa de computador que gerava organizações aleatórias dos sensores no espaço. Cada organização era submetida à análise de dois métodos matemáticos que levam em conta diferentes interesses – como difícil acesso à localização, abrangência da cobertura e escassez de recursos.

O objetivo era chegar à distribuição de sensores que equilibrava melhor todos os objetivos, desde a economia até a área coberta. Depois de vários testes, Isabel encontrou uma solução que maximizava a performance.

A disposição proposta aumentaria a cobertura da detecção de terremotos em 16,7%, incluindo espaços antes não monitorados, com apenas cinco novos sensores. A melhoria ainda não foi aplicada na vida real, mas ajuda a sofisticar os processos de decisão usados pela sismologia daqui em diante.

Prêmio de até R$ 136 mil

O projeto “Ouvindo nos Lugares Certos: Teoria dos Jogos e Otimização para Posicionamento de Sensores de Terremoto” foi parte do concurso Thermo Fisher Scientific Junior Innovators Challenge, organizado pela Society for Science, no qual Isabel é finalista entre os 10 mil estudantes de ensino fundamental inscritos.

O vencedor principal leva para casa um prêmio de US$ 25 mil (cerca de R$ 136 mil na cotação atual); a premiação acumulada de todas as categorias ultrapassa US$ 100 mil. 

Por que aviões ficam dando voltas antes de pousar? Prática deixa voos mais poluentes e custa mais de US$ 2,3 bilhões para a gestão do tráfego aéreo

27 October 2026 at 13:47

Viajantes frequentes podem estar familiarizados com a experiência de ver seu avião chegando ao aeroporto e se animar com a perspectiva de esticar as pernas e aterrissar em terra firme, só para se verem presos na aeronave enquanto ela circula no céu por um período que parece interminável.

A manobra não é capricho do piloto, nem necessariamente sinal de pane: na maioria das vezes, ocorre por falhas na gestão do tráfego aéreo.

Nesta terça-feira (27), a ONU (Organização das Nações Unidas) compartilhou um plano para mitigar o problema – e ele envolve medidas que a aviação nacional já aplica, mas com restrições.

Por que aviões voam em círculos?

O cenário é chamado de padrão de espera: quando um avião entra em trajetória circular em um ponto fixo do céu enquanto soluciona um problema mecânico, aguarda melhores condições climáticas para seguir viagem ou espera autorização para aterrissar. Em espaços aéreos muito movimentados, esta autorização pode demorar.

O volume de combustível no tanque da aeronave precisa levar em conta esse período; hoje, as normas de transporte aéreo e aviação civil propõem abastecer o suficiente para manter um padrão de espera de até 45 minutos, além do necessário para completar a rota.

Caso a permissão para pouso demore demais e o combustível fique próximo do nível mínimo de segurança, o piloto deve avisar a torre de segurança para receber prioridade na fila ou mudar a rota para outra pista.

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Quais as consequências dos longos padrões de espera?

Segundo a Icao (Organização da Aviação Civil Internacional) da ONU, as companhias aéreas de todo o mundo transportam cerca de 5,7 milhões de passageiros por dia; o número total pode chegar a 12,4 bilhões até 2050.

Os céus cada vez mais congestionados significam que qualquer emergência ou tempestade pode causar atrasos em milhares de viagens, prejudicando viações e viajantes, além de empresas que dependem do transporte aéreo para suas cargas.

A Eurocontrol, entidade responsável pela navegação aérea na Europa, afirma que só em 2025 os atrasos custaram mais de US$ 2,3 bilhões no continente.

Como solucionar?

A proposta da ONU é baseada nos semáforos de trânsito. O secretário-geral da agência, Juan Carlos Salazar, faz uma comparação com o transporte sobre rodas.

“Se os semáforos funcionarem independentemente, o trânsito vira um caos e há engarrafamentos em todas as esquinas”, afirma. “Se alguém recebe sinal verde em uma rua e é parado na seguinte, o congestionamento aumenta imediatamente.”

Para ele, o mesmo acontece no tráfego aéreo. A solução começaria, então, na origem do trajeto: o aeroporto de partida.

Se um aeroporto sabe que não pode mais receber aeronaves por um determinado período, emite um sinal para que os aviões não pousem. O que deveria acontecer, segundo o representante da Icao, é coordenar com outros aeroportos para que atrasem as decolagens de voos que têm como destino pistas já lotadas.

A proposta parte do princípio de que voos com decolagem atrasada não emitem mais gases de efeito estufa nem queimam mais combustível, como ocorre quando um pouso é suspenso.

Testes deste modelo com apoio da Icao no continente americano já “pouparam mais de 265 mil minutos de tempo de voo em 2026 e mais de US$ 38,9 milhões”, diz a entidade. Também economizaram “cerca de 13.330 toneladas de combustível e evitaram a emissão de 42.160 toneladas de dióxido de carbono, contribuindo para a meta de emissões líquidas zero de carbono na aviação internacional até 2050”.

Sistema não é novidade, mas implementação é parcial

Salazar afirma que Brasil e Colômbia, além de países fora das Américas, já usam este sistema em voos nacionais. Mas os benefícios são limitados pela falta de comunicação entre sistemas de voo internacionais.

Atualmente, muitas informações de tráfego aéreo não são trocadas entre diferentes países “por falta de vontade ou de meios para transmiti-las em tempo real”, diz o secretário. Um voo da Europa para a Oceania, no exemplo selecionado por ele, exigiria a coordenação entre quatro ou cinco regiões.

Outro empecilho é o uso do espaço aéreo em zonas de conflito. Drones e mísseis lançados entre países obrigam companhias aéreas a desviar suas rotas, tornando os trajetos menos previsíveis.

 *Publicado por Juliana Santos.

Solidão? Estudo investiga por que pessoas deixam a televisão ligada mesmo sem estar assistindo

27 October 2026 at 13:05

A música ambiente perdeu espaço para outra forma de preencher o silêncio: a “televisão ambiente”. O termo foi descrito pela professora de Estudos do Cinema Anna McCarthy, da New York University, que analisou em livro de 2001 a presença de televisões ligadas em espaços públicos como “bares, lavanderias e lojas” ou “aliviando o tédio em salas de espera”.

Hoje, o maior acesso à tecnologia tornou o fenômeno comum até dentro de casa. Um estudo publicado em 2025 na revista Psychology of Popular Media, da Associação Psicológica Americana, buscou descobrir por que tantos se recusam a desligar a telinha mesmo quando não interagem com ela.

A televisão como parte da rotina

Em “Eu Só Quero Ver Algo Que Posso Ignorar: Motivações, Gratificação e Controle do Humor em Televisão Ambiente de Fundo”, pesquisadores do departamento de Jornalismo, Relações Públicas e Novas Mídias da Baylor University lançaram a pergunta a 278 pessoas em uma pesquisa online.

“Assistir à televisão é um comportamento muito mais complicado do que pensamos”, diz Alec Tefertiller, um dos três coautores. “A televisão ambiente pode nos dar energia para fazer exercícios ou terminar tarefas entediantes e  nos ajudar a relaxar. Ambas as coisas aumentam nossa satisfação com a TV.”

Entre as respostas, o trio identificou cinco motivações principais: energização, irritação, relaxamento, mindfulness, e companhia. Em alguns destes casos, a televisão ganhava uma dimensão ritualística, fazendo parte de rotinas repetitivas.

“Entender o consumo ambiente por suas motivações e impactos positivos nos ajuda a compreender melhor como usamos mídias para regular nossas emoções“, completa Tefertiller.

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Aparelho pode ter efeito positivo no sono

O uso de eletrônicos e telas de luz azul já foi associado à piora na qualidade do sono, especialmente em crianças. No entanto, um estudo publicado em 2022 no Journal of Sleep Research mostra que dedicar um curto período a assistir televisão (ou ler um livro e ouvir audiobooks) pode promover relaxamento suficiente para antecipar a hora de dormir.

Os benefícios dependem do período gasto consumindo a mídia, além do nível de atenção e do tipo do programa. Séries mais leves e familiares, por exemplo, são mais efetivas.

A pesquisa ilustra a importante distinção entre o efeito no sono das mídias passivas (como a televisão, o rádio ou podcasts e audiolivros) e mídias ativas, como jogos, redes sociais e aplicativos de troca de mensagens.

Por que o som ambiente nos relaxa?

Os efeitos psicológicos das trilhas sonoras ambiente, que podem ser desde músicas monótonas e consistentes até sons de natureza ou ruídos brancos, também são objeto de estudo frequente.

Entre as hipóteses estão a difusão da atenção (quando um som preenche o silêncio, outros sons parecem menos chamativos), o instinto animal (que aprendeu a associar o silêncio à presença de predadores) e a busca por conexão social.

Até mesmo ouvir vozes humanas, sem interagir com elas nem prestar atenção ao que dizem, pode estimular nossas respostas parasociais e trazer um nível de conforto superior ao silêncio.

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